Vida e do Ministério Público de Jesus – Panorama do NT

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Vida e do Ministério Público de Jesus – Panorama do NT

Perguntas Normativas:

 

‑ Quais são as datas delimitadoras da carreira pública de Jesus?

‑ Quais foram os acontecimentos gerais e o resultado final de Seu ministério?

‑ Onde se acham as origens de Sua doutrina, e até que ponto Ele as ultrapassou?

‑ Quais são o arcabouço e os motivos básicos de Sua doutrina?

 

Datas.

As datas delimitadoras do ministério de Jesus permanecem um tanto incertas, principalmente porque não sabemos como Lucas concebia o começo do reinado de Tibério (Lucas 3:1; ver os comentários a respeito). Mas o período de três anos, de 27 a 30 D.C., é tão provável como qualquer outro. Tradicionalmente, esse espaço de tempo tem sido dividido em um ano de obscuridade, um ano de popularidade e um ano de rejeição.

 

Obscuridade.

O ano de obscuridade começou com o ministério anunciador de João Batista, com o batismo de Jesus por João, e com a tentação de Jesus por Satanás. Prosseguiu quando Ele chamou Seus primeiros discípulos, quando realizou o primeiro milagre, transformando a água em vinho, em Caná da Galiléia, quando purificou o templo pela primeira vez, quando conversou à noite com Nicodemus, quando retornou à Galiléia, passando por Sumaria, e quando deu início à pregação intensiva e à operação de milagres, por toda a Galiléia.

 

Popularidade

A pregação e realização de atos miraculosos teve prosseguimento durante o ano de popularidade, ante a presença de numerosas multidões. Sua popularidade atingiu o ponto culminante quando Jesus multiplicou os pães para os cinco mil homens; mas subitamente começou a dissipar‑se, quando recusou‑se a tornar-se um rei‑do‑pão e um líder militarista inclinado à guerra.

Durante o ano de rejeição, Jesus retirou‑se para noroeste, para a Fenícia, voltou‑se para Leste, ao norte do mar da Galiléia, e então para o sul, na direção de Decápolis (“dez cidades”), uma região populada por gentios, a suleste da Galiléia. Evitando as multidões tanto quanto Lhe era possível, Jesus concentrou Seus esforços a instruir em particular os Seus doze discípulos. Foi durante esse período que Pedro confessou o caráter messiânico de Jesus.

 

Rejeição.

Os discípulos já O haviam reconhecido como o Messias, mesmo antes disso, mas a significação daquela confissão jaz no fato que os discípulos continuavam leais a Jesus, como o Messias, ao mesmo tempo que as massas se afastavam Dele. Jesus começou a predizer Sua morte e ressurreição. Ocorreu a transfiguração. Teve início a última jornada a Jerusalém. Na verdade, essa jornada foi muito mais um circuito, de idas e vindas, pela Peréia (sul da Transjordânia), pela Judéia e também pela Galiléia. Foi durante esse tempo que Jesus proferiu diversas de Suas mais famosas parábolas, como aquelas do bom samaritano e do filho pródigo. A ressurreição de Lázaro convenceu aos membros do Sinédrio de que deveriam eliminar a Jesus, abafando, juntamente com Ele, a ameaça de uma revolta messiânica.

 

A última semana e o ministério pós-ressurreição.

A semana da paixão teve início com a entrada triunfal em Jerusalém, no domingo de Ramos. Na segunda‑feira Jesus amaldiçoou a figueira estéril e purificou novamente o templo. A purificação do templo endureceu aos membros do Sinédrio em sua determinação de se libertarem Dele. Na terça‑feira, Jesus pôs‑se a debater com os fariseus e os saduceus nos átrios do tempo, e proferiu o Seu discurso profético para os discípulos, no monte das Oliveiras. Além disso, Judas Iscariotes arranjou as coisas para trair a Jesus. Quanto à quarta‑feira há silêncio nos registros dos evangelhos, a menos que Jesus e Seus discípulos tenham participado da refeição da páscoa na noite de quarta‑feira (a terça‑feira à noite também é possível), mais cedo que a maioria dos judeus. Doutra sorte, a última Ceia teria tido lugar na noite de Quinta-feira, no começo da noite, os julgamentos de Jesus durante a noite de quinta‑feira e cedo pela manhã da sexta‑feira, ao passo que a crucificação e o sepultamento teriam tido lugar durante o dia de sexta‑feira. A patrulha romana teria vigiado o sepulcro durante todo o dia de sábado. A ressurreição ocorreu bem cedo na manhã de domingo, e Jesus apareceu aos Seus discípulos por determinado número de vezes, durante quarenta dias, durante os quais realizou o Seu ministério pós‑ressurreição. Finalmente, Ele ascendeu aos céus, pouco mais do que uma semana antes do derramamento do Espírito Santo, que se deu no dia de Pentecoste.

 

Estilo de ensino.

O estilo das lições dadas por Jesus era colorido e pitoresco. Abundavam as figuras de linguagem. Com freqüência Ele criava declarações em epigramas, que não são esquecidas com facilidade, e deleitava‑se em trocadilhos, que usualmente não funcionam bem nas traduções. Muitas declarações Dele foram vasadas na forma paralela de declarações, muito própria da poesia semítica. Jesus sabia empregar palavras qual verdadeiro mestre.

 

Conteúdo do ensino.

No conteúdo de Seu doutrinamento, Jesus erigia sobre o ali­cerce do monoteísmo ético do Velho Testamento, isto é, sobre a crença na existência de um único Deus de amor e de justiça, o qual age tendo em vista a redenção e o juízo, na história, segundo os Seus relacionamentos de aliança firmada com os ho­mens. Ao decretar o perdão dos pecadores, ao afirmar‑se juiz dos destinos eternos de todos os homens, ao exigir total lealdade dos homens para consigo mesmo, ao proferir extravagantes afirmativas de “Eu sou…”, e ao introduzir muitas declarações com um amém (traduzido por verdadeiramente ou em verdade), em tom da mais alta autoridade, Jesus obviamente se considerava uma pessoa sem par. No entanto, usou e aceitou com relutância o vocábulo “Messias”, por causa de seus subentendidos dominantemente políticos e nacionalistas, no vocabulário do judaísmo do primeiro século. Preferia aludir a Si mesmo como “o Filho do homem”, a quem Daniel contemplara em visão, como personagem super‑humana, a qual descia dos céus para julgar e governar o mundo inteiro (vide Daniel 7:9‑14). Mas Jesus também associou consigo mesmo o Servo sofredor do Senhor (vide Isaías 52:13 ‑ 53:12), como o Filho do homem. É deveras significativo que a designação “Filho do homem”, aplicada a Jesus, ocorre quase exclusivamente nos lábios do próprio Jesus. Entre os judeus, essa expressão era quase desusada em relação ao Messias, e, por isso mesmo, era um termo neutro. Em conseqüência, Jesus pôde construir a Sua própria definição. A expressão “Filho (de Deus)” ocorre tanto nas reivindicações de Jesus a respeito de Si mesmo como nas palavras de outros acerca Dele.

A consciência que tinha Jesus de uma filiação divina sem igual se manifestou no uso que fez da palavra aramaica abba, “Pai”, que tem o sentido infantil e afetuoso de “papai”, embora sem sentimentalismos desvairados. Os rabinos ousavam aludir a Deus somente como abbi, “meu Pai”, numa forma de tratamento mais formal em aramaico. Jesus chegou mesmo a ensinar a Seus discípulos que se dirigissem a Deus como abba, por causa do relacionamento que tinham com Deus, por intermédio Dele. Em ocasiões anteriores, Deus era encarado principalmente como o pai da nação israelita, considerada como um todo, pelo que a freqüência, o calor e a ênfase individualista com que Jesus falou da paternidade divina assinalam uma característica distintiva de Seu ensino.

O amor a Deus e ao próximo compreendem os dois principais imperativos éticos, de conformidade com Jesus. Seu conceito da vida reta encarecia os motivos íntimos, em contraste com o exibicionismo externo. Ele declarou a regra áurea, a qual já havia sido proferida em forma negativa, por muitas vezes antes, em uma forma positiva.

Tudo quanto Jesus ensinava foi emoldurado pela Sua proclamação de que chegara o tempo de raiar o reino de Deus. Ele representava pessoalmente esse reino. No entanto, previu a Sua rejeição, a Sua morte redentora e a sua ressurreição. Para além desses acontecimentos, jazia a época em que os Seus discípulos haveriam de evangelizar ao mundo. Então Ele haveria de retornar, com o propósito de julgar à humanidade e estabelecer o reino divino plenamente e para todo o sempre.

 

Para discussão posterior:

 

‑ De que modo um biógrafo moderno teria diferido dos evangelistas ao apresentar a história da vida de Jesus? O que provavelmente aquele omitiria, adicionaria, salientaria ou diminuiria de importância? Por qual razão os evangelistas, em certos particulares não escreveram como biógrafos modernos teriam escrito?

‑ Quais aspectos da vida e dos ensinamentos de Jesus algumas pessoas de nossa época tendem por achar inaceitáveis ‑ intelectual, estética e socialmente ‑ em comparação com povos antigos? E por quê?

‑ Como se harmonizam as espantosas reivindicações de Jesus sobre Si mesmo com Seu ensino sobre a humildade, as Suas exigências de lealdade pessoal com Seus ensinamentos sobre o serviço altruísta, e (de modo geral) Seu egocentrismo com Sua própria sanidade? Ou seria correto falarmos sobre Seu egocentrismo (alguns chegam a tachar Sua atitude de megalomania)?

 

Para investigação posterior:

 

(Do ponto de vista conservador)

Harrison, E.F. A Short Life of Christ. Grand Rapids: Eerdmans, 1968.

Stewart J. S. The Life and Teaching of Jesus Christ. Nashville: A bingdon, 1958.

Ridderbos. H. The Coming of the Kingdom. Filadélfia: Presbyterian and Reformed, 1962.

Vos, G. The Self‑Disclosure of Jesus. Grand Rapids: Eerdmans, 1954.

Andrews, S.J. The Life of Our Lord. Edição revisada. Edimburgo: T. & T. Clark, 1891.

Morgan, G. C. The Crises of the Christ. Nova Iorque: Revell, 1903.

Stalker, J. The Life of Jesus Christ. Nova Iorque: Revell , 1912.

 

(Do ponto de vista razoavelmente conservador)

Hunter, A.M. The Work and Words of Jesus. Filadélfia: Westminster, 1950.

Barclay, W. Jesus as Ther Saw Him. Nova Iorque: Harper, 1963.

‑‑-, The Mind of Jesus. Nova forque: Harper, 1961.

Turner H.E.W. Jesus. Master and Lord. 29 edição, Naperville, Illinois: Atlenson, 1954.

 

(Do ponto de vista liberal)

Bultmann, R. Jesus and the Word. Nova Iorque: Scribner’s, 1960.

Bornkamm, G. Jesus of Nazareth. Nova Iorque: Harper, 1960.

Stauffer, E. Jesus and His Story Nova Iorque: Knopf, 1960. (Até certo ponto é conservador).

Taylor, V. The Life and Ministry of Jesus. Nashville: Abingdon, 1955. (Conservador até certo ponto).

 

(Comentários não‑técnicos do ponto de vista conservador)

Tasker, R.V.G. The Gospel According to St. Matthew. Grand Rapids: Eerdmans, 1961.

Cole, R.A. The Gospel According to St. Mark. Grand Rapids: Eerdmans, 1961.

Geldenhuys, J. N. Commentarv on the Gospel of Luke. Grand Rapids: Eerdmans, 1954.

Ellis, E.E. The Gospel of Luke. The Century Bible. Nova edição. Londres: Nelson, 1966.

Tasker, R.V.G. The Gospel According to St. John. Grand Rapids: Eerdmans, 1960.

Barclay, W. The Gospel of Matthew, dois volumes, Gospel of Mark. Gospel of Luke. Gospel of John, dois volumes. Filadélfia: Westminster, 1957 ‑ 1959. (Um tanto menos conservador que as obras acima).

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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