UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE O CRISTÃO, A MÚSICA E A CULTURA

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UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE O CRISTÃO, A MÚSICA E A CULTURA

Em todos os períodos da história da música ocidental, desde o período Medieval pré-Reforma, podemos perceber a categorização da música como sacra ou profana.

Essa separação não estava apenas relacionada à temática cristã, mas se ela era composta para o rito ou não, ou seja, uma música com temas bíblicos, seja de Mozart ou Beethoven, que eram feitas para salas de concerto, não eram necessariamente consideradas músicas sacras. Inclusive o próprio Johan Sebastian Bach, que era luterano, não compôs apenas para o culto cristão, mas também músicas encomendadas para várias ocasiões e nem sempre com temáticas cristãs.

No período da Reforma Protestante, o uso da música também foi motivo de discussão por parte dos reformadores, tanto Lutero quanto Calvino, e este em suas Institutas, fazem considerações sobre o uso da música na liturgia. Lutero contribuiu grandemente para o uso da música no culto, que até então, era executada pelo clero, e em Latim. Assim como Lutero deu importância para a pregação na linguagem vernácula, ou seja, na língua do povo, a música agora também era cantada não só na língua
vernácula, mas por toda a congregação.

Se mesmo com tanta informação bíblica quanto às Doutrinas Cristãs não há consenso interpretativo por parte dos teólogos, quanto mais ao uso da música, seja para o culto ou para a edificação do cristão, não sendo a música um assunto tão amplamente
abordado pelas Escrituras Sagradas tal como assuntos doutrinários, assim como não lhe é dado à devida atenção que merece.
Essa lacuna deixa o uso da música por parte do cristão, mais à mercê de uma “cultura” superficial do “pode e não pode” do que propriamente o seu devido uso baseado na Palavra de Deus. E como consequência tem uma forte tendência de consumir àquilo que é imposto pela indústria cultural, esta que fez com que as Igrejas Protestantes da Pós-Modernidade, sobretudo as Neopentecostais, para não ficarem “ultrapassadas” se apropriem de estilos musicais vigentes no mercado, e aplicando a temática religiosa, justifica seu uso simplesmente por categorizá-la como gospel.

Eu não defendo que o cristão deva rejeitar uma cultura social qualquer, produzindo um sectarismo radical que o distancie das pessoas, mas ao fazer a apropriação de um estilo musical, como o samba por exemplo, este deve ter o cuidado
de não envolver a apropriação dos costumes que envolvem àquele estilo, como uma sensualização excessiva, e outros comportamentos que em nome da modernização, do entretenimento ou do lazer podem colocar a reverência e o sentido bíblico do cultuar a Deus em Xeque.

O ser humano tem uma tendência de apropriação cultural muito forte. Em 1957 quando Elvis Presley se apresentou no Ed Sullivan Show, um programa de TV muito famoso nos Estados Unidos da época, os cinegrafistas foram instruídos a filmá-lo da cintura para cima, não por estar malvestido, pois estava de social, mas por causa da sua dança considerada então como sensual. Os instrumentos que o acompanhavam, bateria, contrabaixo acústico e guitarra elétrica por exemplo, também eram sinal de  rebeldia adolescente, pois a música predominante e aceitável socialmente ainda era o Jazz. Hoje, cerca de 50 anos depois, esse jeito de fazer música que praquela época era subversivo socialmente, é considerado normal na maioria dos púlpitos nos dias de hoje.

Se com 50 anos absorvemos uma cultura, quanto mais com 400 anos, que foi o período que os hebreus viveram como escravos no Egito, e que apesar de terem a Promessa, não tinham ainda a Lei, e todas as suas referências culturais e religiosas eram egípcias, portanto, baseado em tudo que disse até agora, tendo a dizer que a música cantada por Miriã após a travessia do mar, em Exodo 15:20-21, embora exaltando a Yehôvâh tinha mais um estilo musical egípcio do que hebraico! E não há nenhum tipo de condenação da parte de Deus nisso. Diferentemente de quando em seguida, achando que Moisés havia morrido, o povo resolveu buscar a Deus, mas a maneira que conheciam era a egípcia, e fazendo um bezerro de ouro, e uma festa, ofereceram a Yehôvâh, como se vê em Exodo 32:7, mas Deus condenou-os severamente, reprovando a maneira de que foi buscado por àquele povo.

Podemos encontrar na Bíblia referências musicais, que nem sempre estão no contexto do culto a Deus, e nem por isso são inadequadas ou caracterizadas necessariamente como “mundanas”. Quando Jacó está fugindo de seu sogro Labão e este o alcança no deserto, este questiona “Por que você me enganou, fugindo, em segredo, sem avisar-me? Eu teria celebrado a sua partida com alegria e cantos, ao som de tamborins e harpas” Gn 32:27.

É possível concluir que o problema não está na música em si, mas na motivação por trás da produção dessa música. Que os ministros de música de nossas igrejas possam refletir melhor no critério para a escolha das músicas a serem ministradas nos cultos, não apenas por uma tendência da moda, mas com o propósito de levar às pessoas à presença de Deus.

Márcio Silva Coltri 12/10/2020

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Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

2 Comments

  1. Maria Cristina Salustiano e Silva Coltri says:

    Muito interessante o artigo sobre Uma reflexão sobre o cristão, a música e a cultura. Parabéns!

  2. CLEURIS Adalberto COLTRI says:

    Tema complexo. Porém muito bem desenvolvidos. Parabéns.

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