Teologia Do Novo Testamento – O Ensino, O Reino e O Filho

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O Ensino De Jesus Segundo Os Evagelhos Sinóticos

 

1.1.      A Atitude de Jesus para com o Judaísmo

 

Já foi observado que Cristo baseou os seus ensinos no Antigo Testamento. Ele veio, não para principiar uma coisa nova, mas para continuar uma obra já bem adiantada. Cristo não trouxe o propósito de introduzir uma religião nova; considerando porém, que havia no judaísmo duas correntes bem diversas, e que a grande maioria do povo acompanhava uma dessas correntes, a qual se ia desviando cada vez mais do eterno propósito de Deus.

 

1.2.      A religião judaica era provisória e preparatória

 

Na sua grande obra de salvação Deus sempre adaptou a sua ação às condições em que se achava o povo que queria salvar. Isto era necessário porque a salvação é sempre um ato moral, inteiramente ao alcance das pessoas a salvar. A religião judaica era por natureza provisória e preparatória, foi adaptada ao pvo daquele tempo, Mt 5.27-29,39,39.

 

1.3.      Jesus cumpriu a lei na sua vida

 

Em primeiro lugar, Jesus cumpriu perfeitamente a lei na sua vida pessoal. Tudo o que a lei exigia e tinha como alvo Ele satisfez e realizou plenamente na sua vida; seu caráter satisfez o mais alto ideal da lei. Nunca transgrediu a lei porque nunca viveu no baixo plano em que ela operava.

 

1.4.      A relação do Antigo para o Novo

 

Diante disto perguntará alguém: “Então o Antigo Testamento perdeu o seu valor?” De modo nenhum. Será que a flor nada tem com o fruto? Como é que se há de compreender o fruto sem a flor? Como é que se há de compreender o homem sem o presente sem o passado? A objeção não tem razão de ser. O plano de Deus é um só. O princípio é tão necessário como o fim para a compreensão do plano todo.

 

 

  1. 2.   O Reino De Deus

 

2.1.      Jesus apareceu anunciando o reino de Deus

 

Jesus apareceu no meio do seu povo anunciando o evangelho do Reino de Deus, Mt 4.17. Esta frase é uma das mais comuns usadas por Jesus. Sem dúvida alguma, representa um dos seus ensinos mais fundamentais. De acordo com o evangelho segundo Marcos, Jesus começou a anunciar o seu evangelho, dizendo que o Reino de Deus estava próximo, Mc 1.16. Indaguemos agora qual é a verdadeira significação desta frase “O Reino dos Céus”.

 

2.2.      As duas frases “Reino de Deus” e “Reino dos Céus”

 

O que significa, pois, “Reino de Deus”? A idéia de um reino cujo rei é Deus é uma idéia muito comum no Antigo Testamento, e tem uma história longa. Vem ela dos primeiros tempos do povo judaico. Por isto precisamos em primeiro lugar estudar a sua relação para com o Antigo Testamento, para com a história do povo judeu.

 

 

2.3.      A concepção dos judeus a respeito do Reino de Deus

 

O pensamento religioso do povo judaico estava saturado com a idéia de um Reino de Deus. A idéia de uma teocracia achava-se impregnada na vida da nação judaica, influenciando todo o povo, Êx 19.5,6. Apesar desta expressão, “o Reino de Deus” não ocorrer no Antigo Testamento, a idéia verifica-se em toda a extensão da atividade profética.

2.3.1.        Há uma dupla ênfase sobre a soberania real de Deus.

2.3.2.        Ele é freqüentemente referido como o Rei, tanto de Israel, Êx 15.19; Nm 23.21; Dt 33.5; Is 43.15.

2.3.3.        Como o Rei de toda a terra, 2o Rs 19.15; Is 6.5; Jr 46.18; Sl 29.10; 99.1-4.

2.3.4.        Isto leva à conclusão de que, embora Deus seja Rei, ele deve também tornar-se Rei, ou seja manifestar a sua soberania real no mundo dos homens e das nações.

 

O judaísmo apocalíptico também possuía diversos tipos de esperança. Alguns escritores enfatizaram o aspecto terreno, histórico do Reino, ao passo que outros enfatizaram os aspectos mais transcendentais. Entretanto a ênfase é sempre escatológica.

A comunidade de Qumran partilhava de uma esperança semelhante concernente ao Reino.

A literatura rabínica desenvolveu uma escatologia semelhante, mas fez um pouco mais uso do termo “o reino dos céus”. O Reino de Deus foi considerado como o domínio de Deus – o exercício de sua soberania.

 

 

2.4.      O Reino dos Céus

 

A expressão “o reino dos céus”, aparece em Mateus, onde é mencionada cerca de trinta e quatro vezes. Várias vezes em Mateus, e em vários lugares no restante do Novo Testamento, a expressão “reino de Deus”, é usada. O “reino dos céus”, é uma expressão semítica, na qual o vocábulo  “céus” é um termo usado em substituição ao nome “divino” – Lc 15.18. Na realidade, ambas as expressões “o reino de Deus” e “o reino dos céus”, raramente foram usadas na literatura judaica antes dos dias de Jesus.

 

2.5.      O Reino Escatológico

 

É a vinda do Reino de Deus, Mt 6.10, ou seu aparecimento, Lc 19.11, que assinalará o fim da Era Presente e inaugurará a Era Vindoura.

2.5.1.        A vinda do reino de Deus significará a destruição total e final do diabo e seus anjos, Mt 25.41.

2.5.2.        A formação de uma sociedade redimida que não se mistura com o mal, Mt 13.36-43.

2.5.3.        Comunhão perfeita com Deus no banquete messiânico, Lc 13.28,29.

 

 

 

  1. 3.   O Filho Do Homem E O Filho De Deus

 

Acabamos de estudar a significação das frases: “Reino de Deus” e “Reino dos Céus”; temos agora para nossa consideração, duas outras expressões ainda mais difíceis de interpretar, a que são: “Filho do Homem” e “Filho de Deus”.

 

3.1.     As referências à frase “FILHO DO HOMEM”

 

Que significam essas duas frases em relação a Jesus Cristo? Tomemos primeiramente esta, como assunto de nossa consideração. Os evangelhos sinóticos, tomando em apreço a sua relação para com o Antigo Testamento nos três primeiros livros, dividem-os em três classes de referências feitas a Jesus como Filho do homem:

 

3.1.1.        Em um grupo de passagens, onde se emprega esta expressão, faz-se referência à vida de Jesus aqui na terra, Mc 2.10, 28; Mt 8.20; Lc 19.10.

3.1.2.        Noutro grupo, a referência é aos sofrimentos e morte de Jesus, Mc 8.31; 9,31; Mt 14.21.

3.1.3.        E a última frase tem referência à Segunda vinda de Jesus, Mt 24.31; Mt 25.31.

Diante destes três grupos de passagens, naturalmente levanta-se a questão da verdadeira significação da frase “Filho do homem”.

 

3.2.     O Filho do Homem nos Evangelhos Sinóticos

 

O uso da expressão filho do homem nos sinóticos pode ser classificado em três categorias distintas: o Filho do Homem servindo na terra; o Filho do Homem no sofrimento e morte; o Filho do Homem na glória escatológica.

 

3.2.1.        O Filho do Homem Terreno

 

Mt 9.6; Mc 2.10; Lc 5.24 Autoridade para perdoar pecados.
Mc 2.27; Mt 12.8; Lc 6.5 O Senhor do Sábado.
Mt 11.19=Lc 9.58 O filho do homem veio comendo e bebendo.
Mt 8.20=Lc 9.58 O Filho do homem não tem onde reclinar sua cabeça.

 

3.2.2.        O Filho do Homem Sofredor

 

Mc 8.31; Lc 9.22 O Filho do Homem deve sofrer.
Mc 9.12; Mt 17.12 O Filho do Homem irá sofrer.
Mc 10.45; Mt 20.28 O Filho do Homem veio para servir e dar a sua vida.
Mc 14.41; Mt 26.45 O Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores.

 

3.2.3.        O Filho do Homem Apocalíptico

 

Mc 8.38; Mt 16.27; Lc 9.26 Sua vinda na glória do seu Pai com os santos anjos.
Mc 13.16; Mt 26.64; Lc 22.69 Verão o Filho do Homem vinda nas nuvens e com grande glória.
Lc 12.40; Mt 24.44 O Filho do Homem virá numa hora em que ninguém o espera.
Lc 17.24; Mt 24.27 Como o relâmpago cruza o céu, assim será o Filho do Homem no seu dia.

 

 

5.3. O Filho De Deus

 

A expressão messiânica “Filho de Deus”, é a mais importante no estudo da auto-revelação de Jesus. Na história do pensamento teológico, esta expressão conota a divindade essencial de Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus, ou seja, Deus o Filho, a Segunda pessoa da trindade divina.

O título mais comum pelo qual Jesus é designado nos evangelhos sinóticos é o de “Filho do Homem”. É somente no evangelho de João, que encontramos freqüentemente o outro título de “Filho de Deus”.

 

5.3.1. O Significado da frase “Filho de Deus”

Há pelo menos quatro modos diferentes:

 

  1. Uma criatura de Deus pode ser denominada o filho de Deus em virtude de dever sua existência à atividade criativa imediata de Deus – Lc 3.38; Êx 4.22;
  2. Esta expressão pode ser usado para descrever a relação que os homens podem manter com Deus como os objetos peculiares do seu cuidado amoroso. Êx 4.22. em todo o Novo Testamento, este conceito é carregado de um significado mais profundo, ao se fazer menção dos cristãos em termos da filiação para com Deus, quer por nascimento, Jo 3.3; 1.2; ou pela adoção, Rm 8.14,19; Gl 3.26; 4.5.
  3. Este terceiro significado é messiânico; o rei da linhagem de Davi é designado de filho de Deus, 2o Sm 7.14.
  4. E o quarto é teológico. Esta expressão Filho de Deus na teologia cristã, veio a Ter um significado mais elevado; Jesus é o Filho de Deus porque ele é Deus e participa da natureza divina. Este é o propósito do apóstolo João ao escrever seu evangelho. Fazendo uma análise mais consciente, vemos que Jesus, como o Filho de Deus, o Logos, era pessoalmente preexistente, ele era Deus, e encarnou-se com o propósito de revelar Deus aos homens.
Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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