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Seus Milagres Como Testemunho – Quem é Jesus

Se um homem viesse ao mundo curando leprosos, restaurando paraplégicos, reconstruindo braços ou pernas aleijadas, restaurando a vista aos cegos, nós imediatamente o consideraríamos como alguém mais do que um simples homem. Poderíamos até mesmo considerá-lo um deus em forma humana.

Se um homem andasse sobre a água, acalmasse as tempestades e alimentasse mais de cinco mil pessoas de uma só vez, usando apenas o lanche de um menino, suspeitaríamos que ele fosse mais do que humano.

Se um homem interrompesse um funeral e fizesse voltar à vida o único filho de uma pobre viúva, devolvendo-o à sua mãe — tudo isso diante de muitas testemunhas —, seguramente o aclamaríamos como um deus. Pois na história do mundo, nenhum ser humano jamais realizou apenas um desses milagres por seu próprio poder, muito menos todos esses juntos.

Foi isto o que Jesus quis dizer quando se dirigiu aos judeus que faziam objeção à sua alegação de ser o Filho de Deus: “Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me confiou para que eu as realizasse, essas que eu faço, testemunham a meu respeito, de que o Pai me enviou” (João 5.36). No capítulo seis vimos que João foi, sem dúvida, uma forte testemunha da divindade de Cristo. Agora, porém, Jesus apresenta um conjunto muito maior de testemunhas: suas obras miraculosas.

 

Conhecido por Suas Obras

Sempre que a história de Jesus é contada, seus maravilhosos milagres a acompanham, pois qualquer pessoa que examine cuidadosamente sua vida descobre que seria impossível separá-lo de seus milagres. Os feitos miraculosos (particularmente aqueles de cura física) levaram milhares de pessoas a ajuntar-se para ouvir seu ensino incomparável. E foram esses milagres que deram credibilidade ao seu ensino no meio do povo. Como disse uma das testemunhas de alguns desses milagres, “ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (João 3.2). Muito provavelmente Jesus não teria atraído tantos ouvintes, se não fosse capaz de curar os enfermos e ressuscitar os mortos. Quase vinte séculos mais tarde, se não fosse por seus milagres sobrenaturais, raramente alguém teria ouvido falar de Jesus Cristo. Foram eles certamente que estabeleceram sua autenticidade divina.

Poucas tentativas têm sido feitas ao longo da história para eliminar os milagres de sua vida. Uns poucos céticos tentaram justificá-los e alguns racionalistas tentaram transformá-los em mitos (tais como o agnóstico David Hume, cujo ataque aos milagres de Jesus no século dezoito apresenta uma frágil argumentação contra eles), porém suas “explanações” geralmente requerem mais fé do que os próprios milagres.

Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, tentou banir do cristianismo os milagres de Cristo, simplesmente removendo-os da Bíblia com uma tesoura. Tudo o que ele conseguiu foi criar um angu literário. Sua versão jamais foi entendida porque torna A Maior História Já Contada um contra-senso ilegível. Essa versão retira a maior evidência do caráter sobrenatural do Filho de Deus pela simples eliminação dessa evidência. Dizer apenas: “Não acredito no sobrenatural” — como fizeram Hume, Jefferson e os céticos modernos — não resolve nada. Qualquer pessoa descrente em Deus terá uma visão inadequada do sobrenatural, pretextando serem os milagres impossíveis. E naturalmente ninguém ainda apresentou uma prova convincente de que Deus não existe.

Se uma pessoa começa por excluir a possibilidade de que existe um Deus sobrenatural, ela rejeitará a possibilidade de milagres. Certamente, nenhuma prova sustenta tal convicção; o cético está simplesmente alardeando sua descrença, o que não é suficiente para desmentir os milagres de Jesus. A evidência histórica pesa esmagadoramente em favor dos milagres como parte integrante da vida do Nazareno. Sem eles, Jesus teria sido rapidamente esquecido, desaparecendo com o passar dos séculos.

 

Os Milagres Foram Importantes Para Jesus

Jesus de Nazaré ministrou publicamente por apenas três anos e meio, um tempo curto para afirmar a si mesmo como “o Filho de Deus” e fundar uma religião que resistisse ao tempo. Portanto, foi importante para Ele estabelecer sua credibilidade pessoal logo no início do ministério, de modo que sua obra pudesse ser continuada por seus seguidores.

A importância que ele dava aos milagres é visível na resposta que deu aos discípulos de João Batista, quando estes vieram perguntar-lhe se Ele era o Messias prometido… ou se eles deviam esperar por outro. A pergunta foi feita algum tempo depois de João ter identificado publicamente Jesus como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Observe a resposta do Senhor: “Ide, e anunciai a João o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres anuncia-se-lhes o evangelho” (Lucas 7.22). Jesus sabia que João estava na prisão, devendo ser logo executado por ter confrontado o rei Herodes por causa de seu adultério. João precisava de alguma coisa para fortalecer sua crença em Jesus como o Messias, por isso Cristo usou seus milagres como prova.

Jesus aponta para os milagres como “grandes testemunhas” de sua divindade quando disse: “As obras que o Pai me confiou para que eu as realizasse, essas que eu faço, testemunham a meu respeito, de que o Pai me enviou” (João 5.36). Ele claramente afirma que suas “obras”, outro termo usado no lugar de “milagres”, identificam-no como Deus em forma humana. Ele disse: “As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito” (João 10.25). Mais tarde, referindo-se aos seus milagres, Ele faz uma alegação que até hoje não foi contestada: “Se eu não tivesse feito entre eles tais obras, quais nenhum outro fez…” (João 15.24). Jesus ocupa uma posição única pelos milagres que realizou.

 

As Conseqüências de Rejeitar Seus Milagres

Uma das mais terríveis condenações na Bíblia foi reservada para o povo de duas cidades em que Jesus realizou muitos milagres. Os judeus daquelas cidades rejeitaram-no, particularmente quando Ele afirmou sua divindade. “Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E contudo vos digo: no dia do juízo haverá menos rigor para Tiro e Sidom, do que para vós outros” (Mateus 11.21 e 22).

Os milagres tinham o propósito de convencer as pessoas de que Jesus estava agindo no poder e em nome de Deus. Quando os judeus rejeitaram essa reivindicação, estavam também rejeitando uma poderosa testemunha de sua divindade e, assim, não tiveram desculpa. Para captar a importância disso, Jesus comparou as duas cidades a Sodoma e Gomorra, nas quais imperava a homossexualidade. Estas cidades ímpias, porém, não viram Jesus realizar milagres nem o ouviram pregar seus ensinos incomparáveis. Se isso tivesse acontecido, elas poderiam ter “se arrependido”, e, portanto, não sofreriam tanto no dia do juízo. Ao menos não teriam a culpa de rejeitar a evidência esmagadora de sua identidade pessoal.

Os milagres são, pois, um testemunho público e poderoso da identidade de Jesus. As pessoas que os rejeitam correm sérios riscos. O falecido Dr. Wilbur M. Smith escreveu:

Não conhecemos qualquer razão apropriada pela qual os primeiros discípulos incluíram essas histórias relativas aos milagres nos registros do evangelho, a menos que estivessem baseadas em fatos históricos reais. Na verdade, se o testemunho dos evangelhos a respeito dos milagres de Cristo é falso, então essa falsidade é, com certeza, um milagre maior do que os milagres que eles relatam.

 

Não foram os ensinos de Cristo que levaram Pedro e os outros discípulos a “deixar suas redes e segui-lo”; foi o milagre da rede cheia de peixes que os convenceu (Lucas 5.1-11). Eles pescaram a noite toda e nada apanharam, mas Jesus, depois de falar à multidão, entrou em um dos barcos e, afastando-se um pouco da praia, estimulou os cansados pescadores (que já tinham lavado suas redes) a lançarem as redes mais ao largo. Quando eles obedeceram hesitantes a essa ordem estranha, apanharam tanto peixe que precisaram da ajuda de outro barco — e ambos os barcos começaram a afundar sob o peso da carga. Tal milagre convenceu Pedro de que aquele homem, Jesus, era diferente de qualquer outro de quem já tinham ouvido falar. Até os peixes do mar lhe obedeciam!

 

Cinco Categorias de Milagres

Durante seu breve ministério público, Jesus realizou centenas de milagres, sendo cerca de trinta e nove relatados nos evangelhos. Muitos outros não foram registrados em detalhes, mas foram resumidos em expressões como “Ele curava a todos” (Lucas 6.19). Como a fama de seus milagres se espalhava pelas cidades vizinhas, “trouxeram-lhe todos os enfermos” (Mateus 14.35). Os milagres de Jesus foram tão numerosos que seus inimigos nunca tentaram negar seu poder sobrenatural. Como podemos ver, eles cometeram um erro fatal ao atribuí-lo ao Diabo. Mas, mesmo sendo tão hostis, tiveram de reconhecer que seus milagres eram reais, porque transformavam as vidas das pessoas.

Embora não seja intenção deste livro examinar todos os milagres feitos por Jesus, é possível dividi-los em cinco categorias ou divisões: natureza, curas físicas, expulsão de demônios, multiplicação e ressurreição de mortos. Examinaremos um pouco de cada categoria para demonstrar a espantosa evidência que eles proporcionam para conhecermos melhor a identidade de Jesus de Nazaré.

 

  1. Milagres da natureza

Jesus muitas vezes manipulou a natureza, demonstrando que tinha poder sobre as leis naturais.

O primeiro milagre de Jesus foi realizado nas bodas em Cana da Galiléia (João 2). É uma bonita história. Jesus, com aproximadamente trinta anos na época, estava presente porque Ele e seus discípulos tinham sido convidados. Tão logo a família anfitriã notou que o vinho se acabara, Maria chegou-se a seu Filho e informou-lhe: “Eles não têm mais vinho.” Podemos quase sentir o desespero em sua voz. Alguns têm sugerido que era uma grave quebra do costume não se preparar para tal eventualidade e Maria, como amiga da família, sentia-se impelida a ajudá-los a servir seus hóspedes.

Jesus atendeu instruindo os criados a encherem seis grandes potes (cada um com a capacidade de 75 a 110 litros) com água. Ele então transformou a água no mais delicioso vinho que os convidados tinham provado durante todo o dia. Como é comum em todos os seus milagres, este resolveu o problema de muitas pessoas.

Outro milagre da natureza ocorreu quando Jesus acalmou uma forte tempestade que aterrorizava até mesmo pescadores veteranos, como os discípulos, os quais tinham pescado durante toda sua vida no mar da Galiléia e conheciam bem suas águas traiçoeiras. Contudo, a tempestade não podia competir com Jesus, muito embora o evangelho de Marcos relate: “Levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água” (Marcos 4.37). Mateus expõe o incidente nestes termos: “O barco era varrido pelas ondas” (Mateus 8,24). Jesus, que estava dormindo naquele momento, “despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: ‘Acalma-te, emudece!’ O vento se aquietou e fez-se grande bonança” (Marcos 4.39). De repente os discípulos ficaram espantados ao ver seu poder sobre a natureza, pois eles cogitavam em voz alta: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Marcos 4.41) Podemos nos identificar com a reação deles, pois meros seres humanos não possuem tamanho poder.

Tive o privilégio recentemente de viajar pelo mar da Galiléia e recontar esta história a bordo de um navio para cem turistas que nos acompanharam na viajem. Nosso guia judeu observou que, até hoje, tempestades violentas podem surgir ali repentinamente. Não foi difícil imaginar tanto a cena como a reação dos discípulos. Quem, com certeza, pode comandar até o vento e as ondas? Somente o Filho de Deus!

Em duas ocasiões Cristo realizou pescas miraculosas — uma nos primeiros dias do seu ministério (Lucas 5) e a outra após sua ressurreição (João 21). Em ambos os casos, como em todos os milagres, Ele desejava aumentar a fé dos discípulos em sua divindade.

Podemos incluir ainda dois outros milagres da natureza: Pedro encontrando a moeda na boca de um peixe (Mateus 17.27), exatamente como Jesus havia dito, e o relato da figueira que secou (Mateus 21. 18-22) no mesmo instante em que o Senhor a amaldiçoou.

Meu milagre da natureza predileto é Jesus caminhando sobre a água (Mateus 14. 22.32). Isso é tão humanamente impossível que, quando os céticos se referem a um egoísta, dizem com escárnio: “Ele pensa que pode andar sobre a água.” Por dois mil anos, somente uma pessoa caminhou sobre as ondas por seu próprio poder. Que outra pessoa Ele podia ser senão Deus em forma humana?

 

  1. Milagres de cura física

Talvez os milagres mais marcantes de Jesus sejam os de cura física. Quem já não olhou para um deficiente físico ou um doente terminal e desejou ter o poder de curar tal pessoa? Pelo menos dezessete vezes, durante sua breve passagem pela vida terrena, Jesus se deteve para curar pessoas, a maioria delas fora do alcance de qualquer ajuda. Lucas relacionou nove dessas curas, observando que multidões de doentes e incapazes físicos iam a Jesus para serem curados, e “Ele curava a todos”. Possivelmente, milhares foram curados durante seu ministério.

Ao examinarmos de perto esses milagres, descobrimos que não há dois deles iguais em natureza ou intensidade. Muitos foram realizados através de simples palavras, à distância, como o caso do criado do centurião (Mateus 8.5-13), ou ordenando aos dez leprosos — “Ide e mostrai-vos ao sacerdote” (Lucas 17.11-19). Em alguns casos Jesus tocava a pessoa, e em um deles uma mulher tocou apenas nas suas roupas (Lucas 8.43-48).

Meu milagre de cura favorito é o que permitiu ao cego restaurar a visão, em João 9, provocando nos fariseus uma grande controvérsia. Depois de falar ao homem, Jesus inclinou-se, pegou um pouco de terra na mão, cuspiu sobre ela fazendo um pouco de lama, passou-a nos olhos do cego e disse-lhe para ir se e lavar no tanque de Betesda (Ninguém sabe porque Jesus misturou saliva com terra e “ungiu” os olhos do homem mas temos uma teoria. É possível que o homem não possuísse os globos oculares, por isso o Criador modelou o órgão necessário para visão. Mas, podemos argumentar, barro misturado com saliva é compatível com o corpo humano? Não há nenhum problema nisso, pois Jesus é aquele que fez o homem no inicio da criação (João 1.3; Colossenses 1.16 e 17), de modo que moldar os globos oculares seria uma tarefa simples. E se duvidarmos ainda, Gênesis 1 declara que o homem foi criado “do pó da terra”, portanto pó ou barro seria perfeitamente compatível com o tecido humano.). O homem seguiu as instruções de Jesus e retornou “vendo”. Não havia como negar o fato de aquele homem estar verdadeiramente curado, mas os líderes religiosos ficaram perturbados pelo fato de Jesus ter feito esta ação em um sábado.

Não é de admirar que, quando Nicodemos foi ter com Jesus à noite, ele tenha afirmado: “Ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (João 3.2). Fatos miraculosos convencem-nos de que Jesus foi mais do que homem e que “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2.9). A propósito, isto nos dá uma grande compreensão do coração de Deus, pois, quando Jesus via as multidões, Ele ficava “movido de compaixão” (Veja Mateus 9.36; 14.14; 15.32; 20.34; Marcos 1.41; 6.34; 8.2) e curava a todos, pois Ele se compadecia das aflições humanas. Não é isto exatamente que se deve esperar de alguém que era Deus em forma humana?

 

  1. Curando os endemoninhados

A possessão demoníaca tem torturado o gênero humano desde o princípio da história. Embora algumas regiões tenham sido mais atingidas do que outras, ninguém tem escapado. Tanto no passado como nos dias de hoje, temos dificuldade para distinguir entre a insanidade e a possessão demoníaca. Mesmo com o avanço da psiquiatria atual, numerosos casos são difíceis de avaliar. Pessoas diagnosticadas como “esquizofrênicas” ou de “personalidades mistas” podem agir normalmente em um momento e de repente gritar ou falar com voz estranha, como se um espírito estivesse usando seu corpo, para depois “despertar” e não ter lembrança alguma do que aconteceu. Alguns emitem afirmações maldosas ou blasfemas que não condizem com suas crenças originais, e, a seguir, quando voltam ao normal negam que tenham dito tais coisas. A psiquiatria pode fornecer uma explicação “científica” para certos casos (tais como “demência”), mas esses indivíduos podem mais tarde passar por um exorcismo em nome de Jesus Cristo e nunca mais sofrer outra experiência semelhante. Sem dúvida, algumas pessoas têm sofrido de possessão demoníaca.

Na época em que Jesus viveu, a possessão demoníaca era bastante comum. Isto não nos surpreende, se considerarmos o propósito de sua vinda à terra e a ousadia de Satanás na tentação de Cristo, mencionada em três dos evangelhos. Em pelo menos seis ocasiões durante seu ministério, Jesus foi confrontado com indivíduos possuídos pelo demônio. Em cada caso Ele demonstrava seu poder sobre os demônios expulsando-os milagrosamente.

Os três evangelhos sinópticos narram uma das ocorrências mais incríveis que ilustra o poder de Jesus sobre demônios. De acordo com o relato de Lucas:

Então rumaram para a terra dos gerasenos, fronteira da Galiléia. Logo ao desembarcar, veio da cidade ao seu encontro um homem possesso de demônios que, havia muito, não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém vivia nos sepulcros. E quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando, e disse em alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes. Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem, pois muitas vezes se apoderara dele. E embora procurassem conservá-lo preso com cadeias e grilhões, tudo despedaçava e era impelido pelo demônio para o deserto.

Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião, porque tinham entrado nele muitos demônios. Rogavam-lhe que não os mandasse sair para o abismo. Ora, andava ali, pastando no monte, uma grande manada de porcos; rogaram-lhe que lhes permitisse entrar naqueles porcos. E Jesus o permitiu. Tendo os demônios saído do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do lago, e se afogou.

Os porqueiros, vendo o que acontecera, fugiram e foram anunciá-lo na cidade e pelos campos. Então saiu o povo para ver o que se passara, e foram ter com Jesus. De fato acharam o homem de quem saíram os demônios vestido, em perfeito juízo, assentado aos pés de Jesus; e ficaram dominados de terror. E algumas pessoas que tinham presenciado os fatos contaram-lhes também como fora salvo o endemoninhado. Todo o povo da circunvizinhança dos gerasenos rogou-lhe que se retirasse deles, pois estavam possuídos de grande medo. E Jesus, tomando de novo o barco, voltou. O homem de quem tinham saído os demônios rogou-lhe que o deixasse estar com ele; Jesus, porém, o despediu, dizendo: ‘Volta para casa e conta aos teus tudo o que Deus fez por ti.” (Lc 8.26-39)

 

A extensão da possessão desse homem aparece na palavra “legião” — uma multidão de demônios que podia deixá-lo tão fora de controle que as pessoas tentavam prendê-lo com correntes. Marcos acrescenta que durante alguns de seus acessos, quando entrava nu no cemitério, ele se cortava nas pedras. Marcos também observa que “havia cerca de dois mil porcos” que correram para o precipício e se afogaram no mar, mostrando o poder dos demônios que tinham habitado nele. Não nos surpreende que ele tenha enlouquecido!

Entretanto, depois de Jesus exorcizar os demônios, o homem foi encontrado sentado, vestido e em perfeita sanidade mental. Quem senão Jesus podia manifestar tal poder? Os próprios demônios, falando pela voz do homem, identificaram Jesus, dizendo: “Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo?” Tal reconhecimento não era incomum, e mesmo hoje os missionários contam histórias semelhantes — demônios encolhendo-se de medo à simples menção do seu nome.

 

  1. Os milagres da multiplicação

Duas vezes durante seu ministério Jesus satisfez a fome das multidões, alimentando-as milagrosamente. Em uma das vezes Ele multiplicou o alimento disponível até ele se tornar suficiente para alimentar cinco mil pessoas; na segunda ocasião, quatro mil pessoas foram alimentadas. A alimentação de cinco mil pessoas é o único milagre (além da ressurreição) mencionado pelos quatro evangelhos, o que demonstra a importância que os autores deram a esse acontecimento. Jesus aceitou o lanche de um menino — que consistia de cinco pães e dois peixes — abençoando-o e distribuindo-o pelas mãos dos discípulos, ordenando-lhes que alimentassem as multidões. Para surpresa deles, os pães e os peixes alimentaram todo o povo… e sobraram ainda doze cestas cheias!

Em toda a história do mundo, nunca houve um milagre de multiplicação semelhante a esse realizado diante de tantas pessoas. Este milagre provocou algumas reações imediatas. Os discípulos tornaram-se ainda mais convencidos de que Jesus era um ser sobrenatural e o povo seguiu-o para fazê-lo seu rei. Quiseram promovê-lo da oficina de carpintaria ao palácio — mas não foi para isso que Ele veio (e esta é provavelmente a razão para Ele ter repetido esse milagre somente uma vez).

 

  1. Seu poder de ressuscitar os mortos

Sem dúvida alguma, os milagres mais extraordinários de Jesus se relacionam com seu poder de restaurar a vida aos mortos. Três vezes durante seu ministério Jesus fez exatamente isso. Na primeira vez, ele interrompeu o funeral do filho de uma viúva de Naim e devolveu à vida o menino, entregando-o de volta à mãe (Lucas 7.11-17). Na segunda, Ele ressuscitou a filha de Jairo (Mateus 9.18-26; Marcos 5.21-43; Lucas 8.40-56). E por fim o mais espantoso de todos; Lázaro foi chamado para sair do sepulcro quatro dias depois de sua morte (João 11). Jesus ressuscitou Lázaro com o claro propósito de demonstrar a seus discípulos que Ele possuía poder sobre a vida e a morte. Depois de se encontrar com as irmãs de Lázaro e associar-se à sua dor, Jesus ordenou que a pedra que fechava o sepulcro fosse removida. Marta a princípio chamou sua atenção: “Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias/’ Em seguida, nas palavras do apóstolo João:

Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu que se creres verás a glória de Deus? Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste. E tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora. Saiu aquele que estiver a morto, tendo os pés e as mãos ligados com ataduras, e o rosto envolto em um lenço. Então lhes ordenou Jesus: Desatai-o, e deixai-o ir. Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que fizera Jesus, creram nele. (versículos 40-45)

 

Como as pessoas que testemunharam o incidente reagiram a este assombroso milagre? Muitos “creram nele”. Cristo desejou provar sua identidade tanto àqueles que lá se encontravam como a nós hoje, confirmando sua última afirmação: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mateus 28.18). Infelizmente, esta não foi a única reação. Alguns se apressaram em contar o fato aos líderes religiosos. Daquele momento em diante, teve início uma trama visando matar a Jesus.

Podemos nos questionar por que dois grupos de pessoas viram esse acontecimento extraordinário realizar-se e tiveram interpretações diferentes do fato, mas hoje enfrentamos o mesmo problema: é sempre uma questão de vontade. Como disse o próprio Jesus: “Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz.” João acrescenta: “Eles tinham visto Jesus fazer todos esses milagres, mas não criam nele” (João 12.36-37). Os que tinham a mente e o coração fechados o rejeitaram.

Contudo — e é essencial que tenhamos isso em mente — eles não negaram que Jesus tinha ressuscitado os mortos, alimentado as multidões, expulsado demônios, curado os enfermos e caminhado sobre a água. É de importância vital observar que mesmo seus inimigos não puderam negar seu extraordinário poder! A evidência era simplesmente esmagadora.

 

A Ciência é Grande, Mas Jesus E Maior

Os milagres de Jesus comprovam inequivocamente sua divindade. Mesmo hoje, dois mil anos depois, seu poder e simplicidade ainda nos deixam abismados. Apesar do avanço da ciência e da tecnologia, seus milagres ainda nos impressionam.

Embora a ciência moderna seja capaz de rastrear a rota de um furacão, nomeá-lo e predizer com certa exatidão quando ele vai atingir uma cidade ou região, ainda assim não é possível controlar essa terrível tempestade e acalmá-la com uma simples expressão: “Acalme-se, fique quieta.” Mas Jesus fez isso!

Embora os agricultores sejam capazes de prever uma colheita de até uma tonelada de trigo, quando anteriormente conseguiram calcular apenas um terço desse volume, nunca ouvimos dizer que alimentaram milhares de pessoas famintas com cinco pães e dois peixes. Mas Jesus fez isso!

Embora a ciência moderna tenha feito muito progresso na cura das doenças mentais, reabilitando muitas pessoas e devolvendo-as à vida normal, nenhum psiquiatra jamais se voltou para um homem e ordenou que os demônios que o possuíam saíssem dele, transformando-o em uma pessoa normal e em “perfeito juízo”. Mas Jesus fez isso!

Embora a ciência moderna tenha realizado grandes curas por meio de remédios, cirurgias ou outras formas avançadas de tratamento, ela nunca retornou a visão àqueles que nasceram cegos, nem curou membros mirrados com um simples toque, ou purificou um leproso apenas pela palavra (muito menos dez de uma só vez). Mas Jesus fez isso!

Embora os médicos sejam capazes de prolongar a vida, melhorar sua qualidade, e em alguns casos até permitir uma morte indolor, cada médico normalmente perde pacientes levados pela morte. Nunca ouvimos falar de médicos que souberam do sepultamento de uma pessoa conhecida e em seguida, quatro dias depois, a chamaram de volta à vida. Mas Jesus fez isso!

Os milagres que Jesus realizou proclamam através dos séculos que “Jesus é o Filho de Deus!”

 

Podemos Ainda Acreditar nos Milagres?

O Novo Testamento ensina claramente que Jesus realizou milagres. Todavia, será que nós, pessoas modernas, vivendo no alvorecer do vigésimo primeiro século, podemos acreditar de maneira lógica e racional naqueles milagres? Se podemos, eles se tornam uma poderosa prova para a alegação de que Jesus foi “o Filho de Deus” em forma humana. Ele mesmo nos desafia a usar esses milagres para determinar sua identidade. “Se vocês não crêem em mim, então creiam pelo menos nas obras que eu faço. E isso para que fiquem sabendo de uma vez por todas que o Pai vive em mim e que eu vivo no Pai” (João 10.38).

Se os milagres de Jesus foram genuínos, nossa decisão é óbvia. Mas vivemos quase dois mil anos depois desses acontecimentos. Como podemos crer racionalmente nas histórias das testemunhas oculares que afirmam que Jesus Cristo realizou muitos milagres contrariando as leis da natureza?

Alguns céticos têm afirmado que os relatos dos milagres nos evangelhos sofreram alterações e acréscimos ao longo dos anos. Entretanto, qualquer um que esteja familiarizado com a mitologia grega ou com os relatos religiosos do período posterior a Cristo perceberá imediatamente uma diferença marcante entre eles e as narrativas dos evangelhos. Nenhum animal com asas ou figuras metade homem, metade cavalo povoam os evangelhos. Em lugar disso, encontramos Jesus tratando com homens, mulheres e crianças reais. Pessoas humildes que sofriam com doenças ou defeitos de nascimento e repentinamente ficavam livres de seus sofrimentos. Não há inclusão de detalhes fantasiosos, como os que aparecem nos evangelhos apócrifos e em outros escritos do período. Em vez disso, encontramos um relato acurado dos atos de uma pessoa extraordinária.

Há muitos anos o Dr. Wilbur M. Smith afirmou que, em vez de as histórias terem sido enfeitadas ou acrescidas com o tempo, os escritores do evangelho, ao contrário, diminuíram o número de milagres relatados à medida que o tempo foi passando, preferindo antes enfatizar os ensinos de Jesus. Muitos estudiosos concordam que Marcos foi o primeiro a escrever seu evangelho, por volta de 60 d.C; o apóstolo João escreveu seu trabalho depois, em torno de 90 d.C. e Mateus e Lucas escreveram em torno de 70 d.C. Argumenta o Dr. Smith:

Embora dedicando apenas doze capítulos para a história completa da vida de Jesus, incluindo o último discurso na semana da Paixão, o evangelho de Marcos registra dezoito milagres realizados por Cristo, enquanto que o evangelho de Mateus, escrito posteriormente, relata vinte milagres, embora utilize dezessete capítulos para narrar esse mesmo período de seu ministério publico. O evangelho de Lucas, escrito ainda mais tarde, menciona não mais que vinte e um milagres e o evangelho de João, o último a ser escrito, registra apenas oito milagres. Em outras palavras, os primeiros onze capítulos do evangelho mais antigo, Marcos, registram mais milagres do que quaisquer outros onze capítulos sucessivos dos evangelhos posteriores. E evidente, pois, que este aspecto particular do ministério de Jesus não resulta de um posterior acréscimo mitológico.

 

Assim sendo, os relatos do evangelho são completamente dignos de confiança e inteiramente idôneos — mesmo para os modernos. Podemos estar seguros de que os milagres atribuídos a Jesus nos evangelhos refletem a história verdadeira e não alguma criação literária posterior. Desta forma, se são verdadeiros, se de fato aconteceram, eles requerem uma resposta pessoal de cada um de nós. Precisamos tomar uma decisão sobre nossa crença a respeito deste operador de milagres, Jesus de Nazaré.

 

Os Milagres de Jesus Provam Que Ele Era o Filho de Deus

Jesus curou uma mulher que sofria de hemorragia. Você acha que foi difícil para ela acreditar que Jesus era o Filho de Deus, depois de doze anos consultando médicos sem nenhum resultado?

A esposa de Jairo e a viúva de Naim tiveram, respectivamente, uma filha e um filho mortos que foram devolvidos vivos e sãos. Tiveram elas de lutar para crer que Jesus era Deus em forma humana? D. L. Moody, um dos grandes evangelistas do século dezenove, lembrou-nos: “Você não encontra no Novo Testamento orientações sobre como conduzir uma cerimônia fúnebre, porque Jesus acabou com todos os funerais aos quais esteve presente.”

Quatro amigos de um homem aleijado foram forçados a descê-lo através de um buraco aberto no telhado para poderem colocá-lo diante de Jesus, por causa da grande multidão que bloqueava seu caminho. Quando Jesus com uma palavra o curou, você acha que eles duvidaram que Ele era o verdadeiro Filho de Deus?

Multidões que o seguiam por toda parte, viram-no curar vários tipos de doenças e até ressuscitar os mortos. Você acha que eles duvidaram que o seu poder vinha de Deus?

Aqueles que eram íntimos de Jesus e que testemunharam pessoalmente a transformação nas vidas das pessoas, de tal modo creram nesse homem que se dispuseram a abandonar suas profissões e tudo mais para segui-lo até o fim de seu ministério, viajando por todo o mundo conhecido para contar sua história. Com exceção de Judas Iscariotes, que o traiu, nenhum dos discípulos jamais renegou seu compromisso com a causa de Cristo. Mesmo o “incrédulo Tome”, que se convenceu no encontro com o Jesus ressurreto, serviu a Ele fielmente até ser martirizado na índia muitos anos depois.

Em vista de tudo isso, começamos a compreender o que Jesus quis dizer com estas palavras: “As obras que eu faço dão testemunho de mim.” Elas provam sua declaração de ser Ele mesmo o unigênito Filho de Deus. Não esperaríamos menos. Poderíamos nos basear apenas nos milagres de Jesus de Nazaré para termos certeza de sua divindade pessoal, mas o próprio Jesus não o faria. Há muito mais evidência pela frente.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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