SEGUINDO A DEUS EM TUDO – A Vida de Abraão

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SEGUINDO A DEUS EM TUDO – A Vida de Abraão

Leia Gênesis 12:1-9
Lembro-me de certo dia ter recebido um telefonema de um colega que também era professor. Isso aconteceu em 1968. O homem do outro lado da linha era o Dr. Howard Hendricks. Naquela bcasião, eu ainda era membro do corpo docente do Moody Bible Institute e ele trabalhava como professor no Dallas Theological Seminary.

“Gene”, disse ele, “quero convidá-lo para vir a Dallas e ser meu companheiro no departamento de educação cristã”.

Devo confessar que fiquei impressionado com aquele convite. A ligação foi uma total surpresa para mim.

“Eu vou estar de licença por um ano”, ele continuou, “e preciso de alguém para me substituir. Quando eu voltar, poderemos trabalhar juntos no ministério”.

Mesmo estando profundamente honrado com o convite, hesitei bastante antes de poder considerar seriamente aquela oportunidade. Afinal de contas, o Moody me ensinara quase tudo o que eu sabia. Senti como se aquela escola fosse a minha própria família. Eu já estava tornando-me parte do mobiliário daquele lugar e também participante da história oficial daquela instituição. Além disso, eu não tinha certeza se queria dar aquele “salto” na minha carreira, deixando de lecionar para alunos de nível universitário e passar a trabalhar com o nível de pós-graduação.

No entanto, quanto mais minha esposa e eu orávamos a respeito daquele novo desafio, mais convencidos ficamos que deveriamos visitar Dallas e pensar seriamente sobre a possibilidade de fazer aquela mudança. Após alguns poucos dias de visita, fazendo perguntas e conhecendo as salas de aula, já sabíamos o que deveriamos fazer. Decidimos nos mudar para Dallas.

Aquela foi uma mudança difícil? Na verdade, não. E algo corriqueiro na sociedade em que vivemos. Este tipo de decisão, claro, sempre representa alguns desafios: deixar os amigos e a família para trás, assim como nossos irmãos e irmãs em Cristo que aprendemos a amar. Também existe o desafio de fazer novos relacionamentos. Mas nós sabíamos para onde estávamos indo. Já havíamos visitado o lugar. Também já tínhamos resolvido construir uma casa nova, que estaria esperando por nós quando nos mudássemos. Imediatamente encontramos uma nova igreja e fomos recepcionados de forma bastante carinhosa pelos seus membros.

CONTRASTES E SIMILARIDADES

Esse é um grande contraste com a chamada de Abraão. Ele nem ao menos sabia para onde estava indo. Ele nunca tinha ido a Canaã. Não tinha um mapa e muito menos como chamar uma empresa especializada em mudanças que poderia transportai’ os seus objetos pessoais para o local aonde Deus iria levá-lo.

Mesmo assim, o que aconteceu com Abraão na vingem que ele estava prestes a iniciar se relaciona a todos nós de uma maneira única. Ainda que ele estivesse diante de dificuldades que nenhum de nós jamais irá passar, as dinâmicas de conhecei’ e seguir a vontade de Deus são praticamente as mesmas para todos os cristãos, de todos os tempos. A partir da vida de Abraão podemos aprender poderosos princípios de vida.

A mensagem do Senhor para Abraão deve ter sido bastante clara e convincente. Nenhum homem em sã consciência deixaria para trás o seu país, os seus parentes e sua família imediata para seguir rumo a um destino desconhecido, sem ter sido totalmcnte convencido de que era a coisa certa a ser feita. Mas a insegurança associada com essa

mudança deve ter lhe trazido uma sensação aterrorizante. Pense sobre as dificuldades que ele deve ter passado apenas para convencer’ sua esposa, Sara, de que aquela era uma decisão inteligente.

Durante 60 anos Abraão viveu numa comunidade onde as pessoas se curvavam diante dos deuses da natureza. A idolatria permeava * a sua vida familiar. Ele nunca havia ouvido falar de um Deus que havia salvado Noé e sua família de morrerem cobertos pela água. Mas, de repente e de um modo inesperado esse Deus apareceu para Abraão. Que momento tremendo deve ter sido aquele. No início, ele certamente deve ter ficado impressionado e cético.

ÍNão temos detalhes de como tudo aconteceu, mas uma coisa pare- / ce certa: Deus não deixou muito espaço para Abraão questionar a realidade daquela experiência. O Senhor não apenas falou (Gn 12:1), mas o Novo Testamento indica que Abraão realmente viu a Deus (At 7:2)-.’

LUTAS E TENSÕES

E compreensível que no momento em que Abraão tomou a decisão de obedecer, ele enfrentou algumas dificuldades reais e conflitos in- • teriores (Gn 11:31; At 7:2-4). Deus lhe disse para romper totalmente com o ambiente idólatra em que vivia, deixando para trás seus pais e familiares. Era uma decisão que envolvia não apenas uma tensão de relacionamentos, mas também tinha repercussões econômicas.

Vamos imaginar como as coisas ocorreram. Baseados no que sabemos através do texto bíblico, a conversa deve ter sido mais ou menos assim:

Abrão: — Pai, você não vai acreditar no que aconteceu comigo!

Tera: – Oh, verdade, filho? Conte-me o que aconteceu.

Abrão: – Bem… eu sei que existe um Deus maior que todos estes deuses! Eu o vi! Ele falou comigo!

Tera: — Abrão, eu disse para você ficar longe da adega. Lembra?

Abrão: – Sim, pai. Mas eu não andei bebendo. É verdade. Eu o vi e ouvi.

Tera: – Você não está falando sério, está? Você quer me dizer que viu esse deus e que ele falou com você?

Abrão: – Sim, pai. Eu o vi numa manifestação gloriosa. Não fui capaz de ver seu rosto, mas pude perceber quem ele era. Eu ouvi sua voz de maneira clara, assim como estou ouvindo a sua agora.

Tera: — Mas, afinal de contas, o que foi que ele lhe disse? Abrão: – Bem, isso pode parecer estranho, ele disse que eu devia arrumar as minhas coisas e sair de Ur.

Tera: – Fazer o quê?

Abrão: – Sair de Ur, desta terra e…

Tera: – E o que, Abrão?

Abrão: — E… deixar você para trás também, pai. Sair de perto dos meus irmãos, primos e me afastar de todos os meus parentes. Tera: – Que bobagem! Com certeza você andou bebendo! Abrão: – Não, pai, é verdade. Foi algo real. Não era um sonho. Eu tenho de seguir esse chamado. Eu devo obedecer, embora não saiba onde fica esse lugar e não conheça muito sobre este Deus. Estou convencido que ele tem mais poder do que todos os nossos deuses aqui da Mesopotâmia.

Tera: – Você não pode simplesmente sair por aí, sem saber para onde está indo!

Abrão: – Mas Deus disse que ele iria mc mostrai- uma nova terra, e eu acredito nele.

Tera: – Abrão, você está tendo alucinações. Isso é uma coisa absolutamente ridícula. Você está doente, ceriamente está com febre.

Abrão: – Eu não estou doente, pai. E não estou bêbado.

Tera: — Isso é loucura! E esse Deus não lhe deu nenh.iima dica para que lugar do mundo ele queria que voeê fosse?

Abrão: – Bem, ele falou sobre uma terra chamada Canaâ que fica em algum lugar no Ocidente. E, além disso, I )eus prometeu que iria fazer de mim uma grande naçao e no futuro -através de mim – todas as famílias da. terra serão abençoadas. Tera: – Filho, você não vai fazer esta viagem sozinho, liste Deus de quem você está falando deve ter algo muito especial para sua vida e não quero perder isso. Eu sempre quis ser algo mais do que um simples pastor de ovelhas. Vou junto eom

você. E nós vamos levar Ló conosco também. Você se lembra que eu prometi ao meu irmão, antes que ele morresse, de que eu tomaria conta do seu filho. Vamos começar a arrumar as coisas para partir.

Ainda que o texto bíblico não nos forneça muitos detalhes, a aparição de Deus a Abraão deve ter resultado em uma intensa interação entre ele e seu pai. Para ser sincero, parece que Tera acabou, de alguma maneira, assumindo a liderança, e eles iniciaram a viagem juntos. Abraão não rompeu completamente com sua família, como Deus havia lhe dito que fizesse. Ao permitir que isso acontecesse, a obediência de Abraão mostrou ser apenas parcial.

A CAMINHO

Ainda que Abraão não tivesse obedecido a Deus completamente, ele iniciou a viagem de Ur até Harã. Ele tomou Sara, sua mulher, e com seu pai e seu sobrinho, Ló, começaram aquela longa viagem seguindo o rio Eufrates (veja o mapa abaixo). Existem algumas evidências bíblicas de que o irmão de Abraão, Naor, e sua família poderiam estar juntos também, ainda-que seja possível que eles tenham mudado para Harã mais tarde (Gn 11:29; 22:20-23; 24:10; 27:43).

Um atraso de 15 anos

Quando Abraão e sua família chegaram a Harã, uma cidade tão idólatra quanto Ur, e que também ficava na região da Mesopotâmia, lemos que foi ali “onde ficaram” (11:31). Isso também mostra que eles estavam saindo da perfeita vontade de Deus. Alguns eruditos calculam que Abraão ficou naquela cidade aproximadamente 15 anos antes de continuar a sua viagem à Terra Prometida. Como veremos, essa outra desobediência acabou causando a Abraão muito estresse, dor e grandes problemas.

A paciência de Deus

Eu acredito que nós também podemos ver a paciência de Deus nessa situação. Ainda que o Senhor quisesse que Abraão rompesse definitivamente com a sua família, ele também entendeu como isso seria difícil, especialmente se considerarmos os laços culturais e emocionais existentes nesse tipo de família. Mesmo que a “vida familiar”, de acordo com o plano de Deus, havia degradado grandemente naquela cultura, a família de Abraão parecia estar intacta, e eles tinham laços muito fortes. Tera era o cabeça daquele clã e exigia respeito dos outros membros da família. Abraão ficou dividido entre aquela tradição cultural e o que Deus queria dele. Nesse caso, os compromissos culturais interferiram na perfeita vontade de Deus, mas, ao mesmo tempo, o Senhor entendeu o dilema de Abraão.

RUMO A CANAÃ

A segurança que Abraão sentiu dentro de sua estrutura familiar fez com que ele esquecesse temporariamente os detalhes sobre o chamado de Deus. Assim como todos nós, à medida que o tempo passava, sua mente começou a esquecer de algumas coisas. Mas, mesmo que Abraão tivesse dificuldade para mostrar obediência total, Deus esperou com paciência. O Senhor tinha um plano perfeito para Abraão (12:4,5).

Quando Tera morreu, finalmente Abraão pôde concentrar seus pensamentos no grandioso plano de Deus e a vontade dele para sua vida. Nós lemos que “partiu, pois, Abrão, como Iho ordenara o

Senhor, e Ló foi com ele”. Quando isso ocorreu, “tinha Abrão setenta e cinco anos” (v. 4).1

O primeiro passo foi fácil de ser dado

> Viajar de Ur para Harã era, em certo sentido, algo seguro, assim como a mudança que tive de fazer ao sair do Estado de Illinois (onde ficava o Instituto Moody) e ir para o Texas (no Seminário de Dallas). Abraão havia mantido seus laços familiares e agora eles estavam indo para uma cidade que conheciam. Ali havia pouca diferença de seu ambiente antigo, na cultura, na religião e em quase todos os demais aspectos. – Lembre-se também de que a viagem de Ur para Harã não foi muito difícil. De certo modo era como sair da rodovia para viajar por uma estrada de chão. Havia abundância de pastagens para alimentar os seus rebanhos, enquanto eles estavam seguindo pelo rio Eufrates. ~ O Senhor certamente sabia que Abraão precisava dar um primeiro passo que seria mais fácil, já que a segunda parte da jornada efa muito mais difícil. Deus também sabia que Sara precisava de uma “fase -vde transição” segura. Já seria bastante difícil para Abraão lidar com o trauma de mudar sua própria vida, sem ter de conviver com uma esposa frustrada, insegura e resistente por precisar dar esse passo de fé.

Tentações normais

Quanto mais perto eles chegavam de Harã, mais Abraão ficou tentado a esquecer do chamado de Deus para ir para Canaã. Era previsível que Tera tentaria convencer Abraão a esquecer de sua idéia de atravessar um deserto escaldante eque eles deveríam ficar em Harã. E foi exatamente isso que fizeram. Mas quando Tera morreu, Abraão voltou a se concentrar no chamado específico de Deus. Porém, agora ele tinha de enfrentar um verdadeiro teste de fé. Deus estava levando Abraão para o sudoeste de Harã, para dentro do deserto. Ele estava indo para um lugar onde nunca havia estado antes.

Imagine os conselhos negativos que Abraão deve ter recebido de seus parentes e dos amigos que fez naquele lugar durante 15 anos quando estava prestes a sair de Harã: “Você está louco, Abraão!”; “Você

perdeu a cabeça!”; “Existe apenas um deserto lá!”; “Você, a sua esposa e os seus servos irão morrer naquela terra!”; “Você devia estar sonhando quando disse que recebeu o chamado de um deus estranho!”.

UMA ESPOSA INSEGURA

Considerando o que já sabemos a respeito da maioria das mulheres, não precisamos de muita imaginação para tentar reconstruir o que aconteceu entre Abraão e Sara quando ele anunciou que estavam se mudando para Canaã. Depois de 15 anos de segurança vivendo em Harã, a estrada que tinham para percorrer assustaria qualquer mulher normal, independentemente de sua maturidade espiritual e emocional. Abraão não apenas tinha de enfrentar as pressões de seus parentes céticos, mas também as variações de humor de uma esposa insegura e infeliz.

E B. Meyer, no livro que escreveu sobre Abraão, relatou o que provavelmente deve ter acontecido: “Então a caravana iniciou a sua viagem. Os camelos totalmente carregados eram guiados pelos seus donos. Os sons emitidos pelo numeroso rebanho também se misturavam com os gritos de seus condutores. A tristeza demonstrada pelas mulheres orientais se mesclava com o triste adeus dos homens. Havia temor em muitos corações em relação ao perigo iminente e o desastre que podia acontecer na viagem. Sara talvez estivesse sentindo-se arrasada e tomada de um grande ressentimento”.2

Naquele momento seria fácil para Abraão desistir daquela idéia, racionalizar a sua obediência parcial e continuar em Harã. Mas não foi isso que ele fez. Como Meyer nos lembra, “ele não hesitou. Abraão não insistiu em sua descrença. Ele ‘sabia em quem havia crido e estava certo de que ele era poderoso para guardar o seu depósito até aquele dia’. Por isso estava totalmente convencido de que aquilo que Deus havia prometido, também iria cumprir”.3

A AFIRMAÇÃO DE DEUS

No mínimo 650 quilômetros estavam diante de Abraão e sua família enquanto eles viajavam através daquela paisagem desértica e monó-

tona, usando de maneira racionada seu suprimento de água. De acordo com o historiador Flávio Josefo, eles acabaram chegando em segurança a um belo oásis, atualmente conhecido como Damasco. Até hoje existe uma pequena vila perto de Damasco que é identificada pelo nome de Abraão.

Como deve ter sido tentador para Abraão ficar em Damasco permanentemente, assim como havia feito em Harã. Mas, dessa vez, Abraão manteve os seus olhos fixos no alvo, e os seus ouvidos o lembravam da chamada de Deus que ele havia ouvido mais de 15 anos antes. Nós sabemos que Abraão já havia sido afastado de seu objetivo pelo seu parente mais querido e próximo, seu próprio pai. Ele não queria que aquilo acontecesse novamente. Por isso lemos que ele continuou sua viagem, pois “partiram para a terra de Canaã” (12:5).

Deus honrou a fé de Abraão e sua obediência, como sempre fez com todos os seus filhos que o seguem de todo o coração. Depois que Abraão chegou a Canaã, o Senhor apareceu novamente e confirmou a sua promessa divina: “Darei à tua descendência esta» terra” (12: 7). Até onde sabemos, aquela era a primeira palavra que Abraão recebia de Deus desde seu encontro pessoal com o Senhor em Ur, muitos anos antes. No entanto, mesmo que Deus houvesse permanecido em silêncio, Abraão estava sendo obediente.

No espaço de dois versículos lemos que, após Abraão ter chegado à terra, ele “edificou um altar ao Senhor” (12:7,8). Quando fez aquilo, o patriarca estava dando testemunho a seus novos vizinhos pagãos de que ele e sua família eram diferentes. Eles não faziam mais sacrifícios para ídolos de pedra e de madeira. Abraão agora já havia feito a completa transição da idolatria para a adoração ao único e verdadeiro Deus.

TORNANDO-SE UM HOMEM DE DEUS HOJE

Princípios de vida

• Princípio 1: Uma vez que começamos a seguir a Deus, ele compreende as nossas fraquezas humanas e conflitos pessoais.

O Senhor sabia que era uma decisão difícil para Abraão deixar a sua terra natal, seus parentes e sua família. Por este motivo Deus demonstrou sua grande paciência durante a transição, mesmo sabendo que teria sido melhor para Abraão se ele tivesse rompido com tudo de uma maneira rápida e definitiva.

Certamente, Deus permite que aprendamos as lições da maneira mais difícil. Ele não nos força a fazer a sua perfeita vontade. Como somente ele sabe fazer, Deus espera muitas vezes pacientemente até que aprendamos a agir segundo a sua vontade, que é sempre melhor. Espero que todos possamos aprender nossas lições antes que seja tarde demais para corrigir a situação e perder as bênçãos que Deus quer que experimentemos.

Em alguns casos, tenho certeza de que o Senhor nos deixa de lado e usa outras pessoas para cumprir o seu propósito neste mundo, simplesmente porque não estamos dispostos a irmos para Canaã. Ainda que não soframos nenhuma conseqiiência dolorosa e séria, nós podemos viver vidas menos produtivas no tocante a “buscar primeiro o seu reino e sua justiça”. Na verdade, não poderemos saber das bênçãos que perdemos até que estejamos diante do tribunal de Cristo para receber coroas e recompensas que Deus tem para os seus filhos fiéis (2 Co 5:10; Fp 3:12-14).

• Princípio 2: Mesmo que Deus seja compreensivo epaciente, quando saímos de sua perfeita vontade, ainda assim ele disciplina aqueles a quem ama.

Ainda que Abraão estivesse indo em direção a Canaã quando saiu de Ur e foi para Harã, mesmo assim ele não estava obedecendo à ordem direta e específica de Deus. Ele permitiu que seu pai, um pagão, assumisse o controle, e isso resultou num atraso de sua obediência. Embora Deus permitisse que Abraão ficasse em I Iara, o Senhor acabou tomando a vida de seu pai, o que deu liberdade para que o patriarca continuasse a sua viagem. Além disso, Deus não íâlou com Abraão novamente para confirmar a sua promessa até que ele chegasse à terra de Canaã e obedecesse ao chamado por completo. Alguma

vez você já se questionou porque aparentemente Deus não estava agindo em sua vida? Por que ele parecia estar tão distante? Algumas vezes, mas nem sempre, é porque estamos tentando manipular o Senhor, esperar que ele nos guie e conforte, apesar de não estarmos vivendo em total obediência.

Identificando-se com Abraão

Você pode se identificar com a experiência de Abraão? Eu certamente posso. Lembro-me de algumas vezes que desobedecí a Deus, em pelo menos algum aspecto de minha vida. Às vezes, embora esteja diligentemente fazendo um monte de coisas que o Senhor quer que eu faça, pode haver alguma área da minha vida onde estou andando deliberadamente fora de sua vontade. No fundo do meu coração, sei que estou sendo desobediente, mas é muito fácil racionalizar que isso é apenas uma exceção. “Deus entende”, eu digo para mim mesmo. Mas a verdade é que ele não está satisfeito. 4

Deus me abandona quando isso acontece? Nunca. Em vez disso, ele simplesmente permite que eu colha aquilo que eu plantei, me sinta incomodado e fora da comunhão com ele. Ele não parece estar perto de mim. Tenho dificuldades para louvá-lo de todo o meu coração. Algumas vezes ele permite que eu enfrente as conseqüências e conflitos que eu mesmo criei por causa da minha desobediência. Qual é o problema? Sou eu, minhas fraquezas humanas e os padrões da minha velha natureza carnal.

Voltando a trilhar o caminho correto

Qual é a solução? Devo confessar os meus pecados e pedir pelo seu perdão através do sangue purificador de Cristo (1 Jo 1:9) e, então, voltar a seguir a Deus de todo o coração. Preciso continuar a minha jornada pessoal para Canaã.

Isso resolve o problema de imediato? Em termos de perdão, sim. No tocante a renovar a minha intimidade com o Senhor depende da minha desobediência e o que estou colhendo em minha vida por causa dessa desobediência. Já descobri que sempre existe um preço a

ser pago, mesmo que isso envolva apenas alguma culpa persistente na minha capacidade de aceitar emocionalmente o perdão de Deus. Como é maravilhoso quando posso voltar a ouvir a voz de Deus me garantindo que tenho um relacionamento íntimo com ele! •

• Princípio 3: Nunca é tarde para obedecer a Deus, ainda que tal-

vez precisemos obedecer-lhe dentro de certas circunstâncias e parâmetros que foram criados pela nossa própria desobediência.

Na maioria das vezes, a desobediência à vontade dc Deus pode ser corrigida sem que precisemos sofrer as consequências durante toda vida. Isso certamente era verdade na situação de Abraão. A sua obediência demorada apenas retardou a bênção completa de Deus. Isso certamente acontece muitas vezes em nossa vida cristã.

Por outro lado, algumas decisões c ações que tomamos, que estão fora da vontade de Deus, podem ser desastrosas. Por exemplo, se eu, como cristão, violar a vontade de Deus e tomar a decisão dc casar com alguém não convertido, então será praticamente impossível corrigir esse tipo de erro, a não ser através do divórcio. Isso vai mc levar a violar a vontade de Deus mais uma vez, já que o divórcio não é justificado apenas pelo fato de eu estar sob um “jugo desigual”. Neste caso, Deus quer que eu obedeça aos seus mandamentos dentro deste contexto, ainda que possa enfrentar problemas durante a vida inteira. Eu estaria vivendo um relacionamento onde normalmente não existe concordância sobre os valores bíblicos e espirituais para o casal e para os filhos.4

Felizmente, a maioria das decisões que tomamos íbra da vontade de Deus raramente são tão complicadas quanto a que acabei de descrever. Nunca é tarde demais para começar a obedecei’ a Deus. Lembre-se de que Abraão tinha 75 anos de idade quando saiu de Harã e voltou para o centro da perfeita vontade de I )otl,s.

• Princípio 4: Ainda que a experiência de Almhio forneça prin-

cípios poderosos para nos guiar a respeito de eomo

conhecer a vontade de Deus, não devemos tentar repetir hoje em dia os padrões ou as maneiras específicas que Deus usou para guiar Abraão.

/ Muitos cristãos parecem cometer o erro de esperar que Deus use os mesmos métodos em suas vidas que ele usou para revelar a sua vontade para alguns daqueles grandes personagens do Antigo Testamento, como Abraão. Isso acontece por não entendermos que Deus trabalha de maneiras distintas em diferentes tempos da História.

Antes de sua revelação escrita na Bíblia, Deus apareceu visivelmente para alguns indivíduos e falou com eles de maneira direta. Existem muitas demonstrações disso tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Por exemplo, ele falou com Moisés através da sarça ardente (Ex 3:1-4:17) e Jesus Cristo falou com o apóstolo Paulo na estrada para Damasco mesmo antes de Paulo se tornar um cristão (At 9:1-9). Certamente, Abraão representa um importante ponto inicial na comunicação direta de Deus com a humanidade. .

A vontade de Deus revelada em sua Palavra

Hoje em dia nós temos os registros divinos destes eventos e diversas diretrizes e exortações que falam especificamente sobre a vontade de Deus para nossa vida. Na maioria dos casos não precisamos esperar que Deus fale para que saibamos qual é a sua vontade. Ele já falou. Deixe-me dar um exemplo. Enquanto Paulo exortava os cristãos romanos: “experimenteis qual seja a… vontade de Deus”, ele ressaltou de maneira detalhada que ela era “boa, agradável e perfeita” (Rm 12:2). Observe as instruções a seguir, todas estão no capítulo 12 de Romanos., Elas demonstram claramente qual é a vontade de Deus para todos nós:

Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um (v. 3).

O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem (v. 9).

Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros (v. 10).

No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor (v. 11).

Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração perseverantes (v. 12).

Compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade (v. 13).

Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis (v. 14).

Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram (v. 15).

Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que á humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos (v. 16).

Fica claro, a partir desses nove versículos que aparecem após ;Romanos 12:1,2, que Deus está mostrando qual 6 a sua “boa, agradável e perfeita vontade” nas Escrituras. Mas, por .favor, não me entenda mal. O Senhor pode fazer qualquer coisa que desejar, a qualquer momento. Todavia, revelações diretas foram únicas, até mesmo na história bíblica. E verdade que hoje em dia Deus certa mente pode comunicar-se conosco de uma maneira direta. Porém devemos ter cuidado para não confundir o que pensamos ser a vontade de Deus com outras vozes que estão pedindo nossa atenção.

Tome cuidado com as experiências

E perigoso basear-se apenas na experiência para determinar qual é a vontade de Deus. Muitos dos sentimentos que acreditamos estarem vindo de Deus podem ter origem no fundo de nossos corações, em nossos desejos egoístas e em coisas que nós queremos fazer. Além disso, não se esqueça que Satanás pode aparecer também como anjo de luz. Ele é muito sutil e traiçoeiro o bastante até mesmo para usar experiências “cristãs” com o objetivo de enganai’ os cristãos.

Você pode estar se perguntando: “Como posso ter certeza de que é Deus falando?” Em primeiro lugar, lembre-se de que Deus pode e vai usar a experiência. No entanto, devemos avaliar nossas experiências e decisões à luz da Palavra revelada de Deus. Devemos sempre perguntar: “O que Deus já disse a respeito desse assunto?”; “Essa idéia, experiência ou decisão viola algum aspecto da Palavra escrita de Deus?”. Lembre também que é importante determinar se a nossa experiência particular pode ser verificada nas Escrituras quando for contrastada com uma experiência parecida. É perigoso afirmar que uma experiência provém do Espírito Santo se ela não encontra paralelo algum nas Escrituras. Nessas ocasiões devemos ser cuidadosos para não interpretar e manipular as experiências relatadas na Bíblia para fazer com que elas se encaixem em nossas próprias experiências. Isso também pode ter sérias conseqüências.

Faça uma interpretação bíblica cuidadosa

Existe outro erro que devemos evitar. Alguns cristãos usam a Bíblia quase da mesma maneira que os outros usam a experiência. Eles procuram por uma palavra de Deus nas Escrituras para determinar a sua vontade. Porém, você pode pensar: “Não é para isso que serve a Bíblia?” A resposta é sim, se interpretarmos as Escrituras de maneira correta. Mas Deus nunca quis que tirássemos suas declarações fora de seu contexto para usá-las em nossas vidas, dando a elas um significado que não reflete o que ele desejava nos dizer. É por isso que devemos procurar os princípios das Escrituras, as diretrizes de vida que surgem desses relatos bíblicos e que hoje nos ajudam a determinar a vontade de Deus em todos os aspectos da nossa vida. Também é por esse motivo que desenvolvi esta seção do livro que chamei de “princípios de vida”. Meu objetivo é que possamos aplicar no dia-a-dia esses estudos de personagens do Antigo Testamento. Ainda que o Senhor não se comunique diretamente conosco do mesmo modo como fez com Abraão, ele fala através da vida do patriarca e das lições que podemos aprender com ele. São esses princípios e lições que podem nos ajudar a determinar a perfeita vontade de Deus para as nossas vidas.

APLICAÇÃO PRÁTICA

Você está tendo dificuldades para obedecer a Deus? Você já sabe o que ele disse que deveria fazer, mas você também está violando a sua vontade seja de maneira total ou parcial. Se este é o caso, decida hoje se você está resolvido a andar em direção a Canaã. Não tenha medo de encarar as incertezas do futuro até mesmo cm um deserto escaldante. Se o que Deus está lhe chamando para fazer estiver claro em sua Palavra, ele irá honrar a sua decisão.

Estabeleça um objetivo

Enquanto avalia os princípios que aprendemos nas experiências de Abraão até agora, selecione o princípio que você sentiu que precisa se concentrar mais do que os outros. Por exemplo, talvez você confie demais nas experiências subjetivas para determinar a vontade de Deus em vez de levar em conta a Palavra de Deus. Ou talvez você está se culpando por algum erro que cometeu no passado, ainda que já tenha confessado o seu pecado. Lembre-se de que Deus já o perdoou e quer que você continue a sua vida cristã com a consciência limpa.

Seja qual for o princípio que você escolheu, escreva aqui um objetivo específico que irá ajudá-lo a aplicar esse princípio em sua vida:
Memorize o seguinte texto bíblico

Procure memorizar esta passagem das Escrituras para ajudá-lo a alcançar o seu objetivo:

Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos cm tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa

cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.

Efésios 4:15,16
Crescendo juntos

Estas perguntas destinam-se a discussão em pequenos grupos de estudo:

1. De que modo você já experimentou a paciência de Deus, quando saiu da vontade dele em algum aspecto de sua vida?

2. Como você evita racionalizar o seu comportamento ao convencer a si mesmo que o que está fazendo é a vontade de Deus, mesmo que a Palavra de Deus não esteja de acordo com as suas decisões?

3. Como Deus o disciplinou para fazer com que você voltasse a fazer a vontade dele?

4. De que maneira você já ficou culpando a si mesmo,(em vez de aceitar o perdão de Deus?

5. Você gostaria de compartilhar alguma experiência na qual sentiu que Deus estava falando com você e descobriu mais tarde que era simplesmente um desejo pessoal de fazer algo?

6. Quais os seus pedidos pessoais de oração?

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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