Ressurreição: Teorias Falsas – Quem é Jesus

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Ressurreição: Teorias Falsas – Quem é Jesus

Os céticos tiveram bastante tempo para desenvolver seus argumentos contra a ressurreição de Cristo — quase dois mil anos. Tiveram séculos para formular, processar e refinar suas próprias explicações sobre o que aconteceu ao corpo de Cristo depois que Ele foi crucificado. E qual foi o resultado?

As teorias vulneráveis, falhas, que vamos expor e comentar a seguir são as melhores que os céticos têm a oferecer depois de quase dois milênios de reflexão. Mas, antes de falarmos deles, gostaria de citar meu orientador neste trabalho, o Dr. Wilbur M. Smith, que fez uma observação única a este respeito:

Ao considerar as várias, e geralmente fantásticas, teorias que têm sido propostas de tempos em tempos para justificar racionalmente o que o Novo Testamento apresenta como um extraordinário milagre, a ressurreição de nosso Senhor, o autor gostaria de fazer uma afirmação que não consta em nenhum livro sobre a ressurreição. Ela refere-se ao fato de que durante todo o ministério de Jesus na terra e ao longo de todo o Novo Testamento, a ressurreição de Cristo foi áspera e continuamente combatida.

Quando os principais sacerdotes e os fariseus disseram a Pilatos no sábado da Semana da Paixão: “Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: ‘Depois de três dias ressuscitarei.’ Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos, o roubem, e depois digam ao povo: ‘Ressuscitou dos mortos’; e será o último embuste pior que o primeiro “ (Mt 27.63-64), eles não queriam que Jesus ressuscitasse, tomando todas as medidas possíveis para que isto não acontecesse. Este não é o modo de agir das pessoas que buscam a verdade.

No domingo… quando o Sinédrio deu dinheiro aos soldados, instruindo-os para que mentissem sobre o que aconteceu, eles deram provas concretas de que, embora fossem líderes religiosos do povo judeu, não estavam buscando a verdade. Eles não queriam a verdade. Eles queriam apenas uma única coisa: impedir que o povo acreditasse que Jesus tinha ressuscitado. A igreja sempre teve controvérsias com pessoas como essas, algumas delas de suas próprias fileiras, capazes de fazer qualquer coisa para impedir que as pessoas conheçam a verdade. Ainda no início da história da igreja, lemos que os discípulos foram atacados pelos “sacerdotes, pelo capitão do templo e pelos saduceus, ressentidos por ensinarem eles o povo e anunciarem, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos “, manifestando o ódio deles à verdade, “recolhendo os discípulos ao cárcere “ (At 4.1-22)

 

O Dr. Smith também chamou a atenção para o fato de que o apóstolo Paulo, anos depois, quando estava em Atenas, pregou sobre a pedra angular do evangelho: a ressurreição de Jesus. Qual foi a reação daqueles filósofos humanistas gregos? Ceticismo. Alguns zombaram e alguns disseram que o ouviriam em outra oportunidade. Posteriormente, quando se defendia em Jerusalém perante o Sinédrio (do qual ele mesmo tinha sido membro antes de sua dramática conversão e da transformação de sua vida), Paulo disse: “no tocante à esperança e à ressurreição dos mortos sou julgado”. Os fariseus estavam dispostos a admitir que Jesus poderia ter ressuscitado, porque acreditavam na vida após a morte. Mas os saduceus atacaram o argumento, pois faziam parte do partido que se opunha à ressurreição — não apenas a ressurreição de Jesus, mas de qualquer pessoa. Esta é a razão por que eles hostilizavam tanto a igreja primitiva e se recusavam a aceitar as evidências. Eram piores do que o “cético” Tome, pois não creriam, mesmo que vissem alguém que tivesse ressuscitado.

Tanto nos evangelhos como no livro de Atos, todos aqueles que atacaram deliberadamente a ressurreição de Cristo não fizeram esforço algum para investigar as evidências desse fato e nunca pediram aos discípulos que apresentassem provas em apoio ao que eles estavam pregando, Quando observamos a oposição à verdade da ressurreição de Cristo relatada no Novo Testamento, verificamos que esse mesmo antagonismo contra a verdade está presente até os dias de hoje.

 

Devemos lembrar novamente que as teorias que iremos analisar adiante são as melhores que os céticos têm para apresentar depois de quase dois mil anos de reflexão. Tenha em mente também que essas teorias foram desenvolvidas não por homens que buscaram sinceramente a verdade, mas por pessoas determinadas a não acreditar na ressurreição de Cristo. Julgue por si mesmo a força desses argumentos.

 

  1. A teoria do desmaio

A velha teoria de que Jesus desmaiou temporariamente na cruz foi inventada muito antes que a ciência médica desenvolvesse uma compreensão das conseqüências devastadoras provocadas por um trauma como o que Jesus sofreu. Hoje qualquer pessoa de formação médica admitiria que, se a crucificação não tivesse matado Jesus, os panos [a mortalha] apertados contra seu corpo, o frio, a umidade, o túmulo selado [sem ventilação] e três dias sem tratamento, certamente o teriam matado. E, depois, ainda havia a enorme pedra que ele precisaria remover, enfraquecido como estava. Mas isto ainda não é o pior desta teoria.

Como um Cristo debilitado e pálido [por causa da perda de sangue], que levaria semanas para se recuperar, pôde inspirar seus discípulos a ir e proclamar sua vitoriosa ressurreição? Esta idéia é tão ridícula que até mesmo o famoso cético do século dezenove, David Strauss, escreveu:

É impossível que alguém semimorto, que acabou de sair do túmulo, arrastando-se devido à fraqueza, necessitando de tratamento médico, de bandagens, de medicamentos e de cuidados rigorosos, pudesse dar aos discípulos a impressão de ser Ele o vencedor sobre a morte e a sepultura — de ser Ele o Príncipe da Vida lançando o alicerce de seu futuro ministério, Uma ressurreição desse tipo poderia somente enfraquecer a impressão que Ele tinha causado aos discípulos em vida e na morte – ou no máximo poderia tentar animá-los com uma voz gemida — mas não poderia de modo algum transformar o abatimento de seus discípulos em entusiasmo, ou levá-los à adoração.

 

Nenhum evangélico, incluindo eu mesmo, poderia levantar argumento melhor contra essa teoria. No entanto, se tal impossibilidade tivesse ocorrido, eu acrescentaria um outro problema. Se Jesus tinha realmente aparecido vivo, arrastando-se para fora do túmulo, por que então, quando os judeus da época foram informados das notícias de sua ressurreição, eles não vasculharam terra e mar para prendê-lo e apresentá-lo como “prova número 1”, destruindo assim totalmente as notícias? A resposta é simples. Ele não estava lá; Ele “ressuscitou, como havia dito”!

 

  1. As pessoas procuraram por Jesus no túmulo errado

A idéia de que o corpo de Jesus foi colocado no túmulo errado, ou que as mulheres dirigiram-se ao túmulo errado é ridícula. As pessoas da época não eram tão idiotas para serem facilmente convencidas de uma ressurreição, se ela de fato não tivesse acontecido. Esse argumento faz de José de Arimatéia um mentiroso vulgar, que teria tomado parte de uma conspiração (embora John Dominic Crossan, do Seminário Jesus, diga que até mesmo José era uma ficção, um personagem inventado.De acordo com Crossan, apenas umas poucas décadas após os eventos em questão, a igreja simplesmente inventou uma figura importante ligada ao Sinédrio — semelhante a alguém hoje que inventasse uma Suprema Corte de Justiça de 1966 sem que ninguém percebesse a fraude!). José de Arimatéia certamente teria levantado um ruidoso protesto se circulasse a história de que ele tinha permitido que o túmulo da família fosse usado para enterrar o corpo de Jesus crucificado, se na realidade ele não tivesse permitido!

Além disso, eles com certeza vasculhariam todos os túmulos, abrindo cada um deles até que o corpo de Jesus fosse encontrado, ainda que isso significasse remover a pedra de cada túmulo do jardim. No entanto, não há o menor indício na história de que alguém alguma vez o procurou em qualquer outro túmulo! Lembre-se de que os líderes religiosos nunca negaram que o corpo de Jesus estava desaparecido. Por que subornar os soldados romanos para que dissessem que seus discípulos vieram e roubaram o corpo, se de fato o corpo existisse? Até os judeus sabiam que o corpo de Jesus não estava mais no túmulo, razão pela qual não procuraram por ele.

De qualquer modo, como as mulheres poderiam ficar confusas quanto à localização do corpo de Jesus? Mateus relata que, quando José de Arimatéia desceu o corpo de Jesus da cruz, colocou-o em seu “novo túmulo” (algumas pessoas querem nos fazer acreditar que ele não sabia onde era esse túmulo!), estando presentes Maria Madalena e a outra Maria, sentadas de frente para o túmulo. São estas as mulheres que foram ao túmulo no domingo seguinte pela manhã — é possível acreditar que elas foram ao túmulo errado? Isso seria inacreditável! Marcos nos diz que essas duas mulheres observavam quando o corpo de Jesus foi descido da cruz, ungiram-no temporariamente, revestiram-no de tiras de pano para formar a mortalha, quando então [José, e certamente outros ajudantes] “o depositou em um túmulo que tinha sido aberto em uma rocha; e rolou uma pedra para a entrada do túmulo”. Então Marcos acrescenta: “Ora, Maria Madalena e Maria, mãe de José, observaram onde ele foi posto” (Marcos 15.47). E três dias depois não conseguiram localizar o túmulo? Altamente improvável.

Quando meu pai morreu eu estava dominado pela tristeza. Ele foi enterrado em um cemitério com mais de quinhentas sepulturas. Você acha que tive muita dificuldade de relembrar qual delas era a sua, exatamente três dias depois do funeral? De modo algum. Sua sepultura estava fixada em minha mente para sempre — e eu tinha apenas nove anos! Posso encontrar aquele túmulo até hoje, passados cinqüenta anos.

Não há como aceitar que as mulheres pudessem estar “confusas” quanto ao túmulo. (Nem era provável que os anjos estivessem confusos quanto à pedra que deveriam remover.) Sim, não há dúvida de que era o túmulo certo — e ele estava vazio!

 

  1. Cães selvagens comeram seu corpo

Os céticos da atualidade, como John Dominic Crossan, sugeriram que cães selvagens devoraram o corpo de Jesus. Crossan rejeita os relatos do evangelho de que Jesus foi colocado em um túmulo, achando mais provável que Ele tenha sido enterrado em uma cova rasa, sendo em seguida desenterrado e devorado pelos cães, de forma a consumir com o corpo.

Há vários e imensos problemas com esta teoria. O primeiro deles é que essa idéia só surgiu quase dois mil anos após os acontecimentos em questão! Se esta tivesse sido uma possibilidade real, seria provável que os inimigos de Jesus a tivessem descartado? Segundo, por que os judeus teriam alegado que os discípulos de Jesus roubaram o corpo de um “túmulo”, se eles suspeitassem que ele tinha sido enterrado em uma cova rasa? Por que dariam apoio a essa teoria? A história de que eles pagaram os soldados romanos para que estes justificassem a falta do corpo não faz sentido — a menos, naturalmente, que o corpo de Jesus realmente tivesse sido colocado em um túmulo e agora não estivesse mais ali, o que exigia uma explicação. A teoria dos “cães selvagens” é nada mais do que uma busca desesperada de explicação.

É difícil entender como “estudiosos” brilhantes podem sustentar suposições tão ridículas como esta. Há muitos anos o professor C. H. Guignebert, também um cético, lançou o fundamento para a teoria de Crossan quando escreveu: “A verdade é que não sabemos, e provavelmente nem os discípulos sabiam, onde o corpo de Jesus tinha sido colocado depois de ser descido da cruz, provavelmente pelos que o executaram. É mais provável que ele tenha sido atirado em uma vala para os executados do que colocado em um túmulo novo”. O Dr. Wilbur M. Smith respondeu:

Esse tipo de relato histórico devia ser chamado de “minha própria teologia”. Quando um erudito como o professor Guignebert… faz uma afirmação como esta, impossível de ser fundamentada por qualquer documento do Novo Testamento (nem por quaisquer outros documentos relacionados a isto), ele apenas revela sua própria determinação de excluir da vida de Cristo todos os elementos sobrenaturais, mesmo que para isso tenha necessidade de fabricar conclusões completamente desprovidas de apoio de qualquer testemunho… Uma teoria que não conta com a evidência para dar-lhe suporte não deve merecer qualquer consideração.

 

É preciso ainda esclarecer que essas “explicações” sobre a ausência do corpo de Jesus podiam somente ser feitas séculos depois dos acontecimentos. Não encontramos explicações anteriores à era moderna porque aqueles que viveram próximos dos acontecimentos em questão teriam ridicularizado quaisquer dessas sugestões irreais. E o mesmo que tentar admitir que o primeiro presidente dos Estados Unidos foi Benedict Arnold e não George Washington; que a língua falada é o francês, não o inglês; e que Valley Forge foi uma fundição de ferro na planície, não a área do acampamento do Exército Continental.

 

  1. Pessoas desconhecidas roubaram o corpo de Jesus

Esta hipótese falsa, como as demais, não tem nenhuma evidência para apoiá-la. Por boa razão ela não foi sequer mencionada durante dois milênios. Se ela fosse verdadeira, por que aqueles indivíduos desconhecidos que roubaram o corpo não foram receber a generosa recompensa que as autoridades sem dúvida lhes teriam oferecido pela devolução do corpo? Em uma comunidade pequena como aquela em que Jesus estava enterrado, logo surgiriam rumores sobre onde seu corpo estaria — mas os judeus nunca se preocuparam em procurar pelo corpo, porque eles sabiam que ele não estava lá. Os rumores que surgiram diziam respeito à ressurreição de Jesus!

O Dr. Joseph Klausner, professor da Universidade Hebraica, apresentou uma ligeira variação sobre esta teoria. Ele sugere que José de Arimatéia julgou inadequado que alguém morto em uma cruz fosse sepultado no túmulo de sua família, por isso removeu o corpo secretamente, já perto do Sabbath, e o enterrou em um túmulo desconhecido. Em seu livro “A ressurreição de Jesus”, o Dr. James Orr respondeu a esta hipótese, com certa ironia:

Esta pequena fraude de José, tão apropriada a um homem bom, foi descoberta recentemente, sendo divulgada em toda a igreja cristã e juntamente aos aparecimentos imaginários de Jesus, criou a fé na ressurreição!

 

Lembre-se de que José é citado como um “homem bom” que deve ter tido um bom relacionamento com o alto conselho judaico, do qual obteve permissão para descer o corpo de Jesus da cruz. Alguns acreditam que ele também era um dos membros do conselho. Seja como for, ele tinha permissão para tirar o corpo de Jesus da cruz. Se ele próprio tivesse colocado o corpo em outro túmulo, certamente ele teria sido a primeira pessoa a ser consultada pelas autoridades, em seus esforços para localizar o corpo. Se ele tivesse queimado o corpo ou feito qualquer outra coisa com ele, teria divulgado a história em toda Jerusalém. Nada parecido com isso aconteceu. Na verdade, não consta que ele tenha sido procurado por ninguém. Isto é coerente com o relato dos evangelhos, que afirmam que os próprios soldados romanos contaram aos líderes judaicos sobre a presença do anjo junto ao túmulo. Os líderes sabiam que o corpo não estava lá, por isso não havia necessidade de procurar por ele. A única coisa que podiam fazer era espalhar falsos rumores sobre por que o corpo sumiu. E foi o que fizeram.

Uma teoria semelhante é que os inimigos de Jesus roubaram o corpo. Esta sugestão pode ser facilmente desconsiderada, pois, se seus inimigos tivessem roubado o corpo, eles certamente o teriam exibido para evitar a propagação da nova fé baseada inteiramente em sua ressurreição física! No entanto, nada disso aconteceu.

 

  1. Os discípulos roubaram o corpo

A única teoria falsa com alguma possibilidade razoável de ser aceita é a que foi divulgada pelos próprios líderes judeus em Jerusalém. Como expõe Mateus:

Eis que alguns da guarda foram à cidade e contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera [a pedra foi removida, o corpo desapareceu e vários de seus seguidores tinham vindo ao túmulo onde foram avisados por dois homens com vestes brancas que “Ele havia ressuscitado”]. Reunindo-se eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados, recomendando-lhes que dissessem: “Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram enquanto dormíamos. “[como poderiam saber que foram os discípulos, se estavam dormindo?]. “Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança. “Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. Esta versão divulgou-se entre os judeus até o dia de hoje. (Mt 28.11-15)

 

Infelizmente para aqueles que propõem teorias capazes de “explicar” a ressurreição, esta história escolheu os ladrões de sepulturas errados. Qualquer um poderia ter feito isso, mas nunca os discípulos! Lembre-se de que dez deles morreram por essa “mentira”. Esta história já não fazia sentido naquela época e continua não fazendo hoje.

Poderiam os discípulos ter “virado o mundo de ponta-cabeça” (Atos 17.6) com suas falsas histórias sobre terem sido testemunhas oculares do Cristo ressurreto, se de fato tudo não passasse de uma grande mentira? Impossível. Isso exigiria um milagre ainda maior do que a própria ressurreição. A verdade é que a teoria de que os amigos de Jesus roubaram seu corpo cria mais problemas do que resolve.

 

  1. A teoria da visão

A teoria da visão é talvez a explicação falsa mais amplamente aceita para a ressurreição. Ela defende a integridade dos discípulos, considerando-os homens honestos e sinceros que foram emocionalmente perturbados pela morte de seu líder. Esta teoria alega que, uma vez que Jesus tinha predito sua ressurreição, seria perfeitamente natural que seus seguidores achassem que isso realmente tivesse acontecido. Assim, eles o viram, conversaram com Ele e até imaginaram que Ele tomou uma refeição com eles.

Joseph Ernest Renan, um crítico do século dezenove, é um típico defensor dessa teoria. Os pontos de vista desse cético francês podem ser assim resumidos:

Os assim chamados aparecimentos do Cristo ressurreto resultaram de um estado de excitação da mente que os discípulos experimentaram depois da morte de seu mestre. Extenuados e mentalmente perturbados pelo choque de sua morte e ansiosos por sua presença, eles tiveram visões de Jesus. Mas estas foram puramente subjetivas —fantasmas ou alucinações mentais. Eles ansiavam por vê-lo, mas tudo não passava de alucinação.

Para pessoas em tal estado de excitação e expectativa, aliado a um temperamento nervoso e altamente tenso, tais visões são relativamente comuns na história religiosa e freqüentemente contagiosas. Assim foi no caso dos aparecimentos de Jesus. Eles começaram com as mulheres, provavelmente com Maria Madalena, uma pessoa excitável e nervosa. Sua história de que tinha visto o Senhor foi ansiosamente acolhida; a notícia espalhou-se com a rapidez de um raio e com a força de uma epidemia. O que ela acreditou ter visto os outros também acreditaram que deviam ver e viram. As visões foram produto de seu convívio afetuoso e íntimo com Jesus, fazendo-os lembrar da personalidade de seu Mestre. Vencido o choque inicial do desespero pela morte de Jesus, eles passaram a sentir como se Ele tivesse sobrevivido à morte.

 

Renan queria que acreditássemos que a fé dos primeiros cristãos na ressurreição foi resultante de alucinações coletivas que atingiram treze pessoas (cujos nomes conhecemos), e mais os “quinhentos de uma só vez”. Entretanto, todos eles morreram como mártires em vez de renunciar à crença na ressurreição. O melhor que Renan pode fazer é atribuir os encontros de todas essas pessoas com o Cristo ressurreto a alucinações coletivas capazes de transformá-los em zelosas testemunhas.

Na melhor das hipóteses, é preciso um grande esforço para imaginar que onze homens e várias mulheres tiveram todos as mesmas visões e que alguns anos depois Saulo de Tarso — antes um impiedoso inimigo da nova igreja — teve essas mesmas visões. (E no caso dos onze discípulos originais, depois de quarenta dias as visões cessaram.)

Não sou autoridade em sonhos, mas nunca ouvi falar de sonhos coletivos idênticos, nos quais todas as pessoas (e nenhuma outra) que aparecem no sonho também têm o sonho (enquanto ninguém mais tem). Isto põe à prova minha credibilidade. Nunca posso sonhar a mesma coisa duas vezes e nem posso prever o que vou sonhar. Minha esposa e eu, quando passamos por fases de forte pressão emocional, podemos algumas vezes sonhar sobre o mesmo assunto — mas nossos sonhos nunca são iguais.

Além disso, pessoas saudáveis não têm a menor dificuldade de distinguir entre um sonho ou visão e a realidade. Uma visão pode levar um missionário como Paulo à Macedônia (Atos 16.9), mas nunca levará um grande grupo de indivíduos a dar suas vidas pela ressurreição física de um homem que eles na verdade nunca viram de outra maneira a não ser em visões. As visões podem suplementar a direção de Deus na vida de uma pessoa, mas visões coletivas nunca mereceram consideração nesses vinte séculos de cristianismo!

 

  1. A teoria do telegrama

Esta é uma das teorias mais estranhas de que se tem notícia. Um estudioso escreveu sobre ela:

Esta [teoria] reconhece que o Senhor ascendeu ao céu mas em Espírito, não em seu corpo, e de lá TELEGRAFOU para a terra imagens de si mesmo para as mentes dos apóstolos, de uma forma tão real que eles foram levados a crer que tinham realmente visto o Senhor ressurreto. Como alguém pode levar em consideração uma teoria fantástica como esta, realmente não sei.

 

Levando em conta que esta teoria foi concebida há cerca de cem anos, podemos dar a seu inventor uma nota dez por sua previsão tecnológica, já que temos agora o fac-símile (fax) que transmite fotos a cores. Mas ele recebe nota zero em teologia. (Casualmente, o criador desta teoria foi um líder liberal de uma igreja que nunca acreditou na ressurreição corpórea de Jesus. Com certeza ele estava tentando desesperadamente preservar seu liberalismo e as tradições de sua igreja.)

Se você acha necessário avaliar essa teoria, sugiro a leitura do relato de Lucas sobre o encontro entre o Cristo ressurreto e os dois homens no caminho para Emaús (Lc 24.1-35). Em seguida, pergunte a si mesmo se tal encontro poderia ser transmitido por um “fax mental” ou “telegrafado”. É mais difícil crer nisso do que na ressurreição real de Jesus!

Além disso, tal teoria destrói a integridade moral de Jesus Cristo. Ele prometeu a seus discípulos que ressuscitaria. Falhar em manter essa promessa — e apesar disso comissionar seus discípulos a ir por todo o mundo e pregar o evangelho apoiado na ressurreição física (não telegrafada) — seria afrontosamente desonesto. Isso seria impossível para o Santo Filho de Deus e certamente destoaria do modo como Ele tratou todas as coisas.

 

A Opinião de um Ilustre Estudioso

O Dr. J. Gresham Machen sempre gozou de grande prestígio entre os estudantes de Princeton. Ele foi um ardoroso defensor da ressurreição e escreveu o comentário a seguir que nos ajuda a compreender como Jesus era um ser único — antes mesmo de ressurgir dentre os mortos:

Você e eu nunca vimos alguém que ressuscitou dentre os mortos; mas você e eu nunca vimos também alguém como Jesus. O que estamos tentando estabelecer não é a ressurreição de um homem comum a respeito do qual nada sabemos, mas sim a ressurreição de Jesus. Todos rejeitam a idéia da ressurreição de um homem comum, mas quando conhecemos realmente a Jesus como Ele é retratado nos evangelhos, podemos dizer que enquanto é improvável que qualquer homem comum possa ressuscitar dentre os mortos, no caso de Jesus se dá exatamente o contrário. É improvável que um homem comum ressuscite, mas é altamente improvável que este homem [Jesus] não ressuscite; podemos dizer a respeito deste homem que é impossível que Ele permaneça na morte.

 

O Dr. Machen está certo. A ressurreição, embora sobrenatural, se adapta tão bem à vida e ao caráter de Jesus que se torna um fato natural — para Ele. Que foi um acontecimento sobrenatural não é surpresa para nós; toda sua vida foi sobrenatural. Mas sua ressurreição soluciona uma grande questão: ela explica como a igreja surgiu e se estabeleceu.

Ninguém, especialmente os céticos, jamais conseguiu oferecer uma explicação razoável para o extraordinário crescimento da igreja no cenário mundial, se ela tivesse sido construída sobre qualquer uma das teorias citadas. Há uma resposta fácil — Jesus, o homem mais incomum deste mundo, realmente ressuscitou dentre os mortos.

Contra as frágeis objeções sobre a ressurreição, como as expostas nas teorias atrás citadas, levanta-se o maior de todos os milagres. Um dos recentes defensores da fé, combatendo o ceticismo do Seminário Jesus, escreveu em seu livro: “Jesus Sob o Fogo”.

O nascimento e o rápido crescimento da igreja cristã… continuam sendo um enigma insolúvel para alguns historiadores que se recusam a levar em conta a única explicação apresentada pela própria igreja. A ressurreição de Jesus é, portanto, a explicação mais plausível da origem do modo de vida cristão.

 

O Lado Bom das Falsas Teorias

A Bíblia nos diz que “até a ira humana há de louvar-te [a Deus]” (Salmo 76.10). É isto que fazem as falsas teorias: elas tornam fácil acreditar que o maior homem que já existiu teve a maior das mortes de que se tem notícia seguida de uma ressurreição única. As teorias expostas aqui são as melhores que os céticos têm para apresentar — mas todas elas sofrem o mesmo problema fatal. São mais difíceis de aceitar do que a própria história real! Um estudioso escreveu:

Nenhuma dessas teorias foi totalmente aceita, mesmo entre os críticos e racionalistas radicais. Aqueles que negam a realidade da ressurreição de Cristo divergem entre si sobre qual a teoria que melhor pode combater as evidências apresentadas pelo Novo Testamento. Quando as colocamos lado a lado, verificamos quão irracionais elas são, sem fundamento concreto, divorciadas de toda evidência comprovada, envolvendo falsidade, corrupção, embuste, roubo, fraude, êxtases de experiências visionárias, etc. Se elas contivessem alguma verdade, poderíamos estar convencidos de que, se Cristo não ressuscitou dentre os mortos, ninguém sabe coisa alguma sobre o fim de sua vida, e os documentos do Novo Testamento provam ser inúteis. Na verdade, eles são do maior valor histórico.

Além disso, se a ressurreição não aconteceu, não sabemos como a igreja foi fundada. Se Cristo não ressuscitou no terceiro dia, não sabemos como Ele terminou sua vida. E pensar que esse homem, o maior que já viveu nesta terra, entre a terrível experiência da cruz e o fim de sua vida, teria sido enterrado em alguma aldeia desconhecida da Palestina (onde seu nome tinha estado nos lábios de cada pessoa viva) está simplesmente além de qualquer razão.

Minha sincera opinião é que o Espírito Santo guiou de tal forma os escritores dos quatro evangelhos, registrando os acontecimentos relacionados com a ressurreição de Cristo, que eles foram capacitados a escrever uma história que, embora contendo um estupendo milagre, é tão racional, tão razoável, tão lógica, tão próxima dos fatos, que nunca poderia ter sido inventada, nem seu testemunho poderia ser destruído. Se, após estes últimos cem anos de crítica corrosiva, amarga e impiedosa (uma crítica terrivelmente mais severa a que qualquer outro documento já se submeteu), a narrativa da ressurreição permanece ainda inabalável intacta, ilesa, os homens podem estar certos de que as coisas aqui faladas estão de acordo com a verdade de Cristo.

 

Não Deixe Que Seus Preconceitos Atrapalhem Seu Caminho

 

A evidência da ressurreição de Jesus é tão forte que qualquer um que a examine ficará convencido desse fato, a não ser que seus preconceitos impeçam seu caminho. Há basicamente dois empecilhos para se aceitar essa evidência.

O primeiro é o ceticismo ou ateísmo. Embora alguns ateus se tornem cristãos, muitos rejeitam a ressurreição simplesmente porque não acreditam em Deus ou no sobrenatural. E, obviamente, a ressurreição é um evento sobrenatural. A maioria dos ateus simplesmente se recusa a examinar a evidência objetivamente.

O segundo é mais sutil. Paulo advertiu que alguns rejeitariam a verdade porque “deleitaram-se com a injustiça” (Tessalonicenses 2.12). Todos sabemos, ou deveríamos saber, que o cristianismo implica um modo de vida. “Vai e não peques mais” não era somente um mandamento de Jesus para a mulher de vida pecaminosa, mas para todos os seus seguidores. Algumas pessoas, quando colocadas diante da verdade da ressurreição, a rejeitam porque não aceitam se submeter ao modo de vida cristão exigido pela ressurreição de Jesus.

Se você estiver livre desses dois preconceitos fatais, a forte evidência da ressurreição tornará fácil aceitá-la como fato histórico. Considere como é fácil crer… SE você crê em Deus, ENTÃO é fácil acreditar que Deus seria capaz de ressuscitar Jesus dentre os mortos. SE você crê que Jesus é “o Filho de Deus” em forma humana, ENTÃO é fácil aceitar sua ressurreição. SE você crê que Jesus foi concebido miraculosamente de uma virgem, ENTÃO não é difícil aceitar sua ressurreição pelo mesmo poder divino.

SE você pode aceitar que, como Deus em forma humana, Jesus viveu uma vida sem pecado e por isso podia morrer sacrificialmente, ENTÃO você não terá dificuldade de aceitar a ressurreição.

SE você lê e aceita as profecias de que Ele iria ressuscitar dentre os mortos, ENTÃO é fácil perceber como a narrativa da ressurreição se adapta a todas essas exigências. SE você crê que Jesus “é a verdade”, ENTÃO não é difícil acreditar que Ele estava realmente vivo após a ressurreição.

SE você crê que os milagres foram evidências de sua divindade, ENTÃO aceitar a ressurreição como um milagre divino é mera conseqüência.

SE, entretanto, você não crê em nenhuma das premissas acima, ENTÃO você vai encontrar dificuldade para crer na ressurreição, não importando a quantidade de evidências apresentadas.

Seja como for, você está diante de uma sólida parede de evidência que indica que Jesus ressuscitou naquela primeira manhã de Páscoa. Uma montanha de evidência aponta para a ressurreição e nada em dois mil anos esteve perto de contestar esta verdade.

 

O Poder da ressurreição

O apóstolo Paulo escreveu: “Pára [eu, Paulo] o conhecer e o poder da sua ressurreição” (Filipenses 3.10). As vidas transformadas das pessoas proporcionam o teste supremo desse poder. Aqueles que acreditam na ressurreição e recebem Cristo como seu Senhor e Salvador experimentam “o poder da sua ressurreição”, que os capacita a viver a vida cristã. Pára muitos isto significa uma mudança drástica. Por quê? Porque todo aquele que se torna cristão é pecador. Alguns são piores que os outros (como Paulo, que perseguiu a igreja); outros são blasfemos; outros ainda são culpados de pecados mais comuns. Entretanto, todos eles, após a conversão, recebem o poder de viver como “novas criaturas em Cristo”.

A seqüência deste livro terá como título “O Poder da Cruz”, um tema extraído de 1 Coríntios 1.18. Vou mostrar que o sinal do poder de Deus nos seres humanos hoje é a vida transformada dos crentes. Quando a pessoa dobra os joelhos diante do Salvador e experimenta o poder do Cristo ressurreto, ela pode superar todo pecado obsessivo que tem dominado sua vida. Vamos narrar nesse livro histórias da vida real de muitas pessoas que foram transformadas pelo poder do Senhor ressurreto. Jesus tem curado e continua curando hoje os viciados em drogas, álcool, prostituição, depressão, ira, ou qualquer outra coisa. Vou relatar muitos casos daqueles que estavam subjugados pelo pecado sem qualquer esperança… até se encontrarem com o Cristo crucificado e ressurreto.

Em todos estes anos em que tenho visto homens e mulheres se renderem à fé no Cristo ressurreto, não encontrei uma só pessoa que tenha voltado atrás ou lamentado sua decisão. Ao contrário, numerosas pessoas ainda dão testemunho de que “Jesus mudou minha vida!” Você pode estar certo de que elas não estavam falando de um Jesus morto, sepultado no túmulo de José de Arimatéia, mas de um Cristo ressurreto e vivo nos dias de hoje.

O desafio agora e sempre é “provar e ver que o Senhor é bom”. Em outras palavras, aceitá-lo como seu Senhor e Salvador e experimentar por si mesmo “o poder de sua ressurreição”

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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