Qual o Valor Da Páscoa?

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A páscoa é mais uma daquelas datas comemorativas que estimula o alto consumo de um alimento em específico, mais do que em qualquer outra época do ano: o chocolate. Muitas vezes as pessoas gastam além do que ganham só para não ficarem de fora da tradição e comprar um belo ovo de páscoa, nem que seja parcelando no cartão de crédito. As opções são variadas. Ovos trufados, ovos de colher, ovos com brindes e também ovos que custam muito, muito dinheiro, como no caso do ovo produzido em 2016 pela chocolateria inglesa Choccywoccydoodah, que custou a bagatela de 25 mil libras (equivalente a mais de 191 mil reais). Seria muito bom ter um limite desses no seu cartão de crédito, não é mesmo?. Trazendo isso próximo da nossa realidade, segundo dados da Associação Paulista de Supermercados (APAS), em 2020, houve um crescimento de 5,1% no faturamento do varejo alimentício em relação ao ano anterior, mesmo com uma alta nos preços que chegou na casa dos 27,32%. Achou caro? O PROCON analisou  e concluiu que a variação dos preços por quilo foram de R$ 112,25 até R$ 509,80, sendo que o preço médio encontrado foi de R$ 242,34. Já a diferença entre as caixas de bombom chegou a 775,09%, tudo isso em um ano que estivemos diante de uma pandemia. É assustador o quanto é gasto para se manter uma tradição que nos dias atuais está completamente distante da sua verdadeira origem. As pessoas não medem esforços para satisfazer esse costume secular que transformou a páscoa em mais um dia fútil do nosso calendário.

A verdadeira origem da páscoa

Para entendermos qual é o real significado da páscoa, precisaremos examinar o começo de tudo. Nos tempos de Moisés, a celebração da páscoa foi instituída pelo próprio Deus para marcar um momento de transição muito significativo ao povo de Israel. A festa marcava a saída do povo das terras do Egito, o qual os manteve escravos por mais de 400 anos. Era preparada uma refeição especial que deveria conter um cordeiro sem nenhum osso quebrado, acompanhado de pães sem fermento e ervas amargas. Essa data era celebrada mais de uma vez, para que aqueles que não puderam participar da primeira, pudessem estar presentes na segunda. Os participantes deveriam estar vestidos como se estivessem se preparando para viajar às pressas, fazendo referência a saída do Egito. Era também uma oportunidade de fortalecer a comunhão entre as pessoas, já que os mais velhos tinham a tarefa de ensinar as crianças a importância dessa data. Repare nos detalhes simples, porém muito profundos. Deus sempre quis que o Seu povo estivesse bem próximo a Ele, e fazer isso através de uma refeição é um exemplo de cuidado e amor por suas criaturas, pois quem não se sente acolhido ao desfrutar de uma boa comida junto das pessoas que ama? (Êxodo 12:1-28; Números 9:1-14). Também podemos notar uma conexão redentora direta no novo testamento quando Jesus nos é apresentado como o verdadeiro cordeiro pascal, que foi sacrificado por nós (1Coríntios 5:7). Logo percebemos que a maneira como se comemora a páscoa em nossos dias destoa totalmente do sentido original idealizado por Deus no passado. Como que num tipo de conta-gotas, as referências a Deus, Jesus e a Bíblia vão sendo deixadas de lado devido a secularização desses eventos marcantes. Isso não se restringe apes a páscoa, o natal também vem sendo afetado por isso. A expressão em inglês Merry Christmas – uma referência ao nome de Cristo – vem sendo substituída pelo termo Boas Festas, com a intenção de desassociar essa data do nascimento do Messias. O problema não está em consumir chocolate ou qualquer outro alimento, o problema real se encontra na iversão dos valores. Para um cristão, qualquer coisa que seja mais importante que seu relacionamento com Deus é algo muito prejudicial a sua fé. Os seres humanos são inconstantes, o foco pode ser perdido facilmente se não houver cautela. Hoje, sofremos com um senso de enorme supervalorização de coisas supérfulas em detrimento a outras questões importantes. Existem coisas muito mais urgentes para nos preocupar, coisas estas que não olhamos com a mesma diligência. O maior exemplo que temos disso é quando falamos sobre a perseguição aos cristãos.

Um povo perseguido

Não é novidade que os cristãos são os que mais sofrem todo tipo de perseguição e violência no mundo. A perseguição é real e diária. Veja os dados divulgados pela ONG internacional Portas Abertas,que atua em 60 países apoiando cristãos perseguidos por causa da fé em Jesus:

Cerca de 340 milhões de cristãos foram “fortemente perseguidos” no mundo em 2020, um fenômeno em constante crescimento e que foi agravado pela pandemia de coronavírus, de acordo com um relatório da ONG Portas Abertas, publicado nesta quarta-feira (13/01/2021).

“As minorias cristãs perseguidas enfrentaram violência sem precedentes e aumento da discriminação. A covid-19 ampliou as tendências que temos constatado há vários anos”, escreve a ONG protestante ao apresentar sua lista anual de 50 países onde os cristãos são alvo de perseguição. Cerca de 340 milhões de cristãos – católicos, ortodoxos, protestantes, batistas, evangélicos, pentecostais… – foram “fortemente perseguidos”, contra 260 milhões em 2019, denuncia a ONG, que registra os ataques, de “discreta opressão diária” à “violência mais extrema”. “Isso representa 1 cristão em cada 6 na África e 2 em cada 5 na Ásia”, destaca Patrick Victor, diretor da Portas Abertas França, que garante que os números estão “abaixo da realidade”. As causas desta perseguição extrema ou muito forte na África Subsaariana, no Sul da Ásia e no Oriente Médio estão ligadas ao “nacionalismo religioso”, particularmente na Ásia, e ao “extremismo islâmico que está se espalhando” na África. O número de cristãos mortos aumentou 60%, passando de 2.983 para 4.761. “Mais de 90% na África Subsaariana”, explica Victor. Pelo sexto ano consecutivo, a Nigéria lidera os países onde mais pessoas foram mortas por sua fé (3.530 mortos), à frente da República Democrática do Congo (460) e do Paquistão (307).

Em contrapartida, a ONG observa que o número de igrejas atacadas (fechamentos, ataques, danos, incêndios) reduziu pela metade (4.488) em comparação com 2019. A China lidera esta lista com 3.088 igrejas atacadas (contra 5.576 em 2019), à frente da Nigéria. “Na China, assim como na Índia, a perseguição aos cristãos é sistemática e até sistêmica”, diz Victor. O número de cristãos detidos por sua fé aumentou para 4.277, contra 3.711 em 2019, com cerca de metade na Eritreia (1.030) e na China (1.010). Se levados em conta todos os tipos de perseguição, a Coreia do Norte, onde “a fé em Deus é um crime contra o regime”, segundo a ONG, lidera o ranking mundial, seguida pelo Afeganistão, Somália, Líbia, Paquistão e Eritreia. “Não há motivos estritamente religiosos por trás das perseguições. Elas podem estar relacionadas ao nacionalismo religioso, como na Índia ou na Turquia, ou ao controle do Estado, como na China, ou ao crime organizado e cartéis de drogas como na Colômbia e México”, resume a associação. O amor das pessoas diminui a cada dia passado. A perseguição vem de todas as direções. Isso Contrasta com a nossa realidade, onde se fazem campanhas publicitárias, propagandas, promoções e tudo que pode ser feito para movimentar financeiramente uma data que foi deturpada. Ficam alguns questionamentos: imagine se somente 1% de todo esse esforço fosse destinado a ajudar essas pessoas perseguidas? Quanta violência e morte poderia ser evitada? Mais que uma questão religiosa, esta é uma questão de humanidade. A crença de alguém não deveria ser o juiz que decide se essa pessoa irá viver ou morrer, mas infelizmente, é isso que acontece todos os dias. O quadro se agrava quando vemos que se prega por aí a tal “liberdade religiosa” a todas as religiões, quando na verdade, a única religião que sempre foi e é a maior vítima de censura e perseguição é somente o cristianismo. Quem fala de Jesus tem sua voz silenciada de alguma forma. Isso acontece porque para uma humanidade caída em pecado, a manifestação da Verdade causa incômodo. O Evangelho de Jesus Cristo sempre gera algum tipo de reação, que vai desde o arrependimento sincero e a conversão, até a oposição e ao ódio extremos. Em seus útimos momentos junto de seus discípulos antes de ser crucificado, Jesus deixou essa verdade registrada: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior que o seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Tudo isto, porém, vos farão por causa do meu nome, porquanto não conhecem aquele que me enviou. Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado. Quem me odeia odeia também a meu Pai.” – (João 15:18-23). Jesus disse aqui o que iria acontecer com os apóstolos e por extensão a todos aqueles que levassem o Seu Nome, deixando bem claro como seriam as coisas dali em diante.

Uma boa notícia

Diante de todos esses fatos, diante de tanta rejeição e indiferença, diante de toda a miséria espiritual que existe dentro das pessoas, quis Deus usar de Sua Graça para Se reconciliar conosco! Não somos capazes de mensurar quanta misericórdia O Senhor teve ao oferecer Seu Próprio Filho em sacrifício por aqueles que se arrependem. Na última ceia que Jesus esteve com seus discípulos, que ocorreu justamente na páscoa, o Mestre nos mostrou qual o real valor dessa data: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós” – (Lucas 22:19,20).

Que nessa páscoa, nos lembremos do sacrifío de Jesus no calvário, pagando o preço da maior das dívidas, dívida esta que nenhum de nós seria capaz de zerar. Lembremos também de ajudar os irmãos que sofrem pelo nome de Cristo, lembremos de orar por Sua Igreja espalhada por toda a Terra. Lembremos da Cruz.

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