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PERDOADO – MAS COM CONSEQUÊNCIAS – A Vida de Abraão

Leia Gênesis 21:1-21
Um dos problemas mais difíceis que a maioria de nós enfrenta em algum ponto da vida envolve as conseqüências de nossos erros do passado. Alguns desses problemas podem ser deixados pára trás de maneira definitiva e nunca mais permitirmos que sejam relembrados. Em outras situações, temos de, num determinado nível ou em outro, nos deparar com essas conseqüências.

Por exemplo, tenho um amigo que, por não ser cristão, fazia seus negócios de maneiras pouco éticas. Ele tinha dois livros-caixa, o primeiro era oficial e o segundo só ele conhecia. No primeiro ele registrava os seus negócios legais, no outro estavam relacionadas as coisas que ele vendia ilegalmente.

Mas ele se converteu. Por ter sido criado num ambiente religioso, mesmo enquanto estava fazendo seus negócios ilícitos meu amigo sabia o que havia feito de errado. Após ter se tornado um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, ele imediatamente soube o que devia ser feito. Em primeiro lugar, parou de fazer seus negócio ilegais. O segundo passo que ele tinha consciência que precisava ser dado era fazer todo o possível para acertar as coisas com as pessoas que havia trapaceado.

Deus honrou o coração arrependido daquele homem e o capacitou a corrigir seus erros e pecados do passado e começar de novo, o

que aparentemente não lhe traria maiores problemas. Hoje ele está envolvido com o ministério em tempo integral. Porém, no princípio, quando sua esposa o via ministrar para os outros, ela teve dificuldade de respeitá-lo devido ao que ele havia feito antes. Por um simples motivo, o estilo de vida luxuoso deles, que era sustentado por seus negócios ilegais, mudou dramaticamente – um lembrete constante da vida pregressa de seu marido. Mesmo que tentasse, ela simplesmente não conseguia esquecer o passado. Como conseqüência, meu amigo se afastou temporariamente do ministério. Ele e a esposa procuraram aconselhamento; foi somente então que ela também pôde ser curada emocionalmente em muitas áreas de sua vida.

Em termos de dinâmicas emocionais, foi isso que aconteceu com Abraão e Sara. Eles cometeram um sério erro ao usar Agar para lhes dar um filho. Porém, 13 anos depois, eles descobriram seu erro e voltaram a agir corretamente no campo espiritual. Isaque tinha nascido, e por muitos anos tudo parecia maravilhoso. Então algo incrível aconteceu. Mas estamos nos adiantando na história.

UMA IMPOSSIBILIDADE TORNA-SE UMA REALIDADE

Aquele dia finalmente havia chegado. Deus cumpriu a promessa que fizera a Abraão e Sara. Havia anos eles estavam esperando, algumas vezes duvidaram, outras vezes ficaram confusos, em certas ocasiões tentaram resolver a questão sozinhos. Mas, quando chegou a hora certa, “o Senhor cumpriu o que lhe havia prometido” (Gn 21:1).

Deus não pode mentir

Deus é o Todo-Poderoso. Ele é onipotente, isto é, pode fazer todas as coisas. Mas há algo que ele não pode fazer: ele não é capaz de mentir. Quando Deus faz uma promessa, nunca deixa de cumpri-la. Você pode estar certo disso. O Senhor havia feito uma aliança com Abraão e Sara e ele cumpriu aquela promessa. Por isso, lemos que “Sara concebeu e deu à luz um filho a Abraão na sua velhice, no tempo determinado, de que Deus lhe falara” (21:2).

Muitos séculos depois, Paulo escreveu a Tito falando sobre a promessa de Deus de revelar seu grande plano de salvação em Jesus Cristo. Analise cuidadosamente a introdução dessa carta:

Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade, na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos e, em tempos devidos, manifestou a sua palavra mediante a pregação que me foi confiada por mandato de Deus, nosso Salvador.

Tito 1:1-3

A promessa que Deus fizera a Abraão e Sara centenas de anos antes era parte do mesmo plano a respeito do qual Paulo estava escrevendo. Ele teve início com a promessa inicial de Deus a Abraão enquanto este ainda vivia em Ur. A promessa de que sua-descendência seria uma bênção para todas famílias da terra (Gn 12:3). Mesmo que Abraão não tivesse nem idéia do que aquela promessa pudesse significar — algo que nós sabemos —, Deus estava se referindo à bênção da salvação que viria através de Jesus Cristo.

Na plenitude do tempo

Era a isso que Paulo também estava se referindo quando escreveu aos gaiatas: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (G1 4:4).

O nascimento de Jesus Cristo foi uma extensão da promessa de Deus a Abraão e Sara, pois quando a plenitude do tempo chegou para eles, Isaque nasceu. Na perspectiva divina, o descendente havia chegado na hora certa.

E LHE CHAMARÁS ISAQUE

Abraão imediatamente colocou o nome de Isaque em seu filho, como o Senhor havia mandado (Gn 17:19). Um ano antes, quando Deus havia dito a ele que Sara, e não Agar, iria dar à luz o descendente prometido, Abraão – perplexo e confuso – colocou o rosto em terra,

se riu e pediu que Ismael pudesse viver sob a bênção do Senhor (w. 17,18). Deus garantiu a Abraão que ele iria abençoar a Ismael (v. 20), mas também deixou claro que Ismael não era o filho prometido. Ele disse: “De fato, Sara, tua mulher, te dará um filho, e lhe chamarás Isaque; estabelecerei com ele a minha aliança, aliança perpétua para a sua descendência” (v. 19).

É interessante, e até mesmo irônico, notar que o nome Isaque quer dizer “ele riu”. Aparentemente, Deus estava respondendo ao riso de Abraão ao dizer: “Seu riso por estar envergonhado e por sua descrença se transformará em alegria completa quando vir o seu filho que ainda não nasceu”. Além disso, cada vez que Abraão chamasse o seu filho pelo nome, ele se lembraria daquela conversa singular que tivera com Deus.
MOTIVO PARA A RISADA

Imagine a reação que o nascimento de Isaque deve ter causado em todos os que ouviram dizer que uma mulher de 90 anos e um homem de 99 anos haviam tido um filho (21:6,7). Aquela notícia incrível se espalhou rapidamente. Os servos de Abraão certamente estavam impressionados, assim como todos os que viviam em Cades e Sur. Até onde sabemos, eles nunca haviam testemunhado algo parecido antes. Era impossível não ficarem impressionados – e alegres. A própria Sara testificou dessa realidade quando exclamou: “Deus me deu motivo de riso; e todo aquele que ouvir isso vai rir-se juntamente comigo” (v. 6).

Que contraste com a resposta dada anteriormente pela própria Sara, na ocasião em que Deus havia lhe dito que ela teria um filhô em sua velhice! Daquela vez Sara também riu, mas para expressar descrença e sarcasmo. Para ela aquilo era algo impossível de acontecer.

, Mas agora Sara ria de alegria e satisfação. Enquanto segurava o pequeno Isaque em seus braços ela viu que aquilo não era mais um sonho ou o fruto de sua imaginação. Naquele momento Sara riu alto e exclamou: “Quem teria dito a Abraão que Sara amamentaria um filho? Pois na sua velhice lhe dei um filho” (21:7).

UM GRANDE BANQUETE

Abraão também estava muito alegre. Pense bem. Após todos aqueles anos, ele também segurava em seus braços o filho que Deus havia lhe prometido. Abraão obedeceu ao que Deus havia ordenado e circun-cidou Isaque no oitavo dia (Gn 17:7-14). Quando Isaque foi desma-mado — provavelmente quando tinha cerca de três anos —, Abraão deu um grande banquete (21:8).

Esse foi um momento importante para Abraão. Imagine sua exultação quando afirmava para todos que quisessem ouvir que em seus braços estava o descendente prometido, aquele através de quem Deus iria levantar uma grande nação. Aquele era o filho que faria o nome de Abraão grande e através do qual o Senhor prometera que seriam “benditas todas as famílias da terra” (12:2,3).

FELICIDADE QUE DUROU POUCO

O que era para ser um evento alegre e festivo em pouco tçmpo acabou resultando em alguns sentimentos e reações muito negativas. Ismael demonstrou uma grande inveja e caçoou de Isaque (21:9). Aquilo deixou Sara enfurecida, e ela demonstrou toda a raiva que sentia por Agar e Ismael (v. 10). Como era de se esperar, Abraão se viu apanhado em meio àquela situação e ficou profundamente perturbado (v. 11). Ainda que Isaque tivesse apenas três anos de idade, podemos imaginar a insegurança que ele sentiu. Não havia como ele não sentir a intensa infelicidade, raiva e confusão que permeava o ambiente. Observemos mais detalhadamente o que aconteceu.

Ridículo

Ismael provavelmente era um adolescente. Sendo um jovem esperto, ele percebeu claramente o que estava acontecendo. Desde que tinha idade suficiente para entender, Ismael havia ouvido de seus pais que era ele o filho prometido. Mas durante os últimos três anos vinha ouvindo outra mensagem. Ele descobriu que seus pais haviam cometido um sério erro. Como seria natural, ele sentiu-se como uma vítima, alguém que havia sido enganado.

A raiva cresceu dentro de Ismael enquanto Isaque se tornava o centro da atenção. O grande banquete e os discursos animados em honra a Isaque foram a última gota para Ismael. Seu crescente sentimento de amargura desabrochou com a ridicularização e zombaria do irmão menor (21:9). Podemos apenas fazer conjeturas sobre o que ele fez e como agiu, mas uma coisa é certa – Ismael havia levado Sara até o seu limite. Então, ela reagiu com intensa ira.

Ressentimento

O ataque verbal de Ismael desferido contra Isaque também foi demonstrado nos sentimentos de amargura e raiva que Sara havia desenvolvido em relação a Agar e Ismael durante muito tempo. Ela rapidamente voltou a seus velhos padrões e reações emocionais, um desejo de livrar sua casa daquela escrava e de seu filho (16:6; 21:10).

Não devemos nos esquecer de que para Sara aquela não era uma situação nova. Quando Ismael nasceu, foi Agar quem a desprezou e zombou dela. Agora, era Ismael que estava zombando de Isaque e desprezando-o.

Durante todos aqueles anos Sara deve ter relutado com seus sentimentos negativos em relação a Agar. Isso é bastante verdadeiro para tantos de nós. Uma vez que nos tornamos pessoas amarguradas, leva pouco tempo para regenerar esses sentimentos novamente. Mesmo quando nos sentimos como se já tivéssemos lidado com eles, esses sentimentos parecem ter sido enterrados em uma “cova bem rasa” e estão prontos para pular para fora, assim que surgir a menor provocação.

Remorso

Abraão provavelmente pensou que o passado estava morto e enterrado, que os resultados de seus erros haviam ficado para trás. Mas, naquele momento, ele havia ficado face a face com a realidade de que Sara não soube lidar corretamente com seus sentimentos negativos. Eles haviam apenas sido suprimidos e estavam bastante vivos. Quando ela veio correndo até Abraão e exigindo dele: “Rejeita essa escrava e seu filho”, lemos que “Pareceu isso mui penoso aos olhos de Abraão,

por causa de seu filho” (21:11). Lendo nas entrelinhas, podemos ver que naquele momento o patriarca estava movido pela dor e cheio de remorso. Hoje em dia diriamos que ele estava deprimido. Ele devia estar pensando consigo mesmo: “Será que nunca esquecerei o passado?”

AGINDO COM RESPONSABILIDADE

Em muitos aspectos, o que aconteceu naquele momento era um reflexo do que já havia ocorrido no relacionamento daquele casal muitos anos antes. Quando Agar ficou grávida de Ismael, ela desprezou a sua senhora (16:4). Como era de se esperar, Sara sentiu-se atingida por aquele ataque emocional e resolveu retaliar. No entanto, ela colocou a culpa em Abraão, mesmo que tivesse sido idéia sua que o marido tivesse um filho com a escrava. Infelizmente, Abraão não conseguiu lidar bem com aquela situação. Ele se isentou da sua responsabilidade como líder daquela família. Abraão rapidamente entregou a responsabilidade do futuro de Agar de volta para Sara e disse que era ela que deveria resolver o problema (v. 6).

Desta vez, porém, o patriarca havia aprendido a lição. Ainda que estivesse profundamente perturbado quando Sara disse que ele deveria mandar embora Ismael e Agar, Abraão respondeu de forma madura. Em vez de ouvir o conselho de sua esposa, ele esperou no Senhor por uma solução. Nós não sabemos quanto tempo se passou até que Deus respondesse às preocupações de Abraão. O fato é que no tempo certo o Senhor apareceu a Abraão com uma mensagem de confirmação bastante direta: “Não te pareça isso mal por causa do moço e por causa da tua serva; atende a Sara em tudo o que ela te disser; porque por Isaque será chamada a tua descendência” (21:12).

LIBERTO DA CULPA

O Senhor sabia que enquanto Ismael vivesse na casa de Abraão, seria difícil para o velho patriarca concentrar-se em Isaque como o descendente prometido (21:14-21). Assim sendo, Deus deixou Abraão tran-qüilo em relação a Agar e Ismael, bem como o seu futuro. Ele não queria que Abraão continuasse a sentir que tinha abandonado a es-

crava de Sara e seu filho. Ele já havia sofrido pelo seu erro durante tempo suficiente.

Como é compreensível, Abraão continuava tendo um grande sentimento de apreciação por Agar e um amor especial por Ismael. Ele havia passado anos bastante difíceis com seu filho, educando-o e treinando. Abraão aprendeu a admirar a natureza selvagem e determinada do menino. Ismael era como um cavalo jovem e arisco que conseguiu conquistar o coração de seu dono. Não nos esqueçamos que Abraão havia agido baseado em uma premissa falsa durante vários anos, pois acreditava que Ismael era a descendência prometida. Mesmo que agora ele visse a situação de uma maneira diferente, certamente foi-lhe extremamente difícil pedir para que Ismael e sua mãe saíssem dali sem ter um destino certo para onde ir.

Deus podia compreender a agonia e o desespero de Abraão. Sendo assim, o Senhor afirmou a seu amigo que tomaria conta de Agar e Ismael. Em seguida, fez uma promessa específica: “Mas também do filho da serva farei uma grande nação, por ser ele teu descendente” (21:13).

Assim como Deus cumpriu sua promessa em relação a Isaque, também cumpriu sua promessa em relação a Ismael. O Senhor livrou a escrava e seu filho da morte no deserto. Ismael cresceu e acabou casando com uma mulher da terra de sua mãe, o Egito. A partir dessa união surgiu uma grande nação, milhões de pessoas que até hoje vivem nos grandes países árabes do mundo.

TORNANDO-SE UM HOMEM DE DEUS HOJE

Princípios de vida

A experiência que Abraão teve após o nascimento de Isaque ensina-nos algumas lições poderosas. Sem dúvida, Abraão estava vivendo na perfeita vontade de Deus. Ele havia gerado o descendente prometido com Sara, Colocou o nome de Isaque em seu filho, como Deus havia lhe instruído. Circuncidou o menino no oitavo dia. Preparou um banquete em grande estilo e proclamou aos outros que Isaque era o filho prometido. O que mais Abraão poderia fazer para demonstrar

seu desejo de fazer a vontade de Deus? Até onde podemos dizer pelas Escrituras, o patriarca havia feito tudo o que Deus queria que ele fizesse. Então, por que Abraão teve de se deparar com a perturbação e a depressão causadas pela zombaria de Ismael e a hostilidade de Sara? Por que ele não teve a capacidade de viver feliz para sempre, regozijando-se pelo cumprimento da promessa de Deus? A resposta a essas perguntas nos ensina princípios de vida muito importantes para nos tornarmos homens de Deus hoje.

• Princípio 1: A maioria de nós irá experimentar as consequências dos pecados do passado em nossas vidas, seja por causa de nossos próprios erros ou devido ao impacto que os pecados de outros tiveram em nossas vidas.

Abraão estava sentindo os efeitos das conseqüências de seus erros do passado. Ele havia violado defmitivamente a vontade de Deus ao ter um filho com Agar, mesmo que pensasse estar ajudandoqi Deus. Apesar de ter sido idéia de Sara, aquilo gerou amargura no coração de sua esposa e também ciúmes em Ismael. Não havia maneira de evitar os resultados daquele conflito. Usando as palavras de Paulo, Abraão colheu aquilo que semeou (G1 6:7). As conseqüências de certos pecados tendem a continuar aumentando e a nos perseguir. O erro de Abraão foi um deles.

Poucos de nós estão isentos dos sofrimentos que resultam de pecados do passado, tanto daqueles que nós mesmos cometemos ou dos que foram cometidos contra nós. Em algum momento, em algum lugar e sob certas condições iremos acabar nos deparando com os resultados desses pecados e experimentando uma certa quantidade de ansiedade e estresse. Algumas vezes essas experiências nos atingem de maneira dolorosa, especialmente quando as coisas estão indo bem e quando acreditamos que tudo isso já tenha ficado para trás. Mas, de repente, surgem esses “fantasmas” diante de nós, criando todo tipo de sentimentos confusos no campo emocional e no espiritual. Quando isso acontece, precisamos lembrar de outro princípio que pode ser aprendido com a vida de Abraão:

• Princípio 2: Não importa qual o resultado do pecado em nossas vidas, Deus quer que aceitemos a realidade e encaremos o problema com naturalidade e responsabilidade.

Já vimos que Abraão nos deu o exemplo. Mesmo que ele estivesse emocionalmente perturbado, reagiu de uma maneira madura. Esperou no Senhor até que tivesse uma perspectiva clara a respeito do problema. Quando Abraão entendeu qual era a vontade de Deus, então agiu de acordo com ela.

Naquela altura de sua vida, Abraão era capaz de remover a causa de seu problema e ainda continuar na vontade de Deus. O mesmo muitas vezes é válido para nossas vidas. Quando isso ocorre, devemos dar os passos apropriados para corrigir a situação.

Em algumas circunstâncias, no entanto, pode não ser possível mudar as coisas sem que cometamos outro pecado. Não se pode resolver um problema criando-se outro em seu lugar. Talvez tenhamos de viver com o problema, sempre tentando fazer a vontade de Deus, apesar dos erros que cometemos. Lembre-se de que nossa principal diretriz para diferenciar o que é certo do que é errado é a Palavra de Deus. Na Bíblia descobrimos o que podemos mudar e o que não podemos.

Todos nós já fizemos coisas ou fomos vítimas de algo que certamente causou problemas que temos no presente e também no futuro. Algumas vezes iremos nos deparar com outras crises, mesmo estando obedecendo a Deus fielmente e seguindo sua vontade em qualquer momento de nossas vidas. Quando surgem os problemas, devemos nos lembrar da experiência de Abraão e aceitar o fato de que Deus perdoa os pecados do passado. O que estamos enfrentando não é porque não estamos perdoados, mas sim como resultado das realidades da vida.

Nesses momentos devemos consultar a Palavra de Deus para termos direção. Uma vez tendo entendido a vontade de Deus, precisamos enfrentar o problema de frente e fazer as mudanças que pudermos. Depois disso, decidir viver com aquilo que não pode ser alterado.

• Princípio 3: Mesmo sendo cristãos, muitos problemas que enfrentamos, tanto no presente quanto no futuro, são causados pelo efeito do pecado no mundo.

Ninguém que entenda os ensinamentos da Bíblia e, ao mesmo tempo, tenha uma perspectiva clara sobre o que está ocorrendo na sociedade pode negar que estamos vivendo em um mundo contaminado pelo pecado. Isso é uma verdade, por isso aqueles que odeiam os caminhos de Deus e suas leis muitas vezes irão nos odiar também. Por exemplo, muitos cristãos trabalham em profissões onde a desonestidade e as trapaças são a regra. Nessas circunstâncias, se tentarmos viver pelos padrões das Escrituras, iremos fazer com que as outras pessoas tenham uma imagem negativa. Quando isso ocorre, a conseqüência natural é sermos rejeitados. Podemos, inclusive, ser acusados falsamente. .

Enquanto um de meus irmãos ainda estava na faculdade, trabalhou como enfermeiro em um hospital. Mas ele logo notou que freqüentemente as enfermeiras negligenciavam os pacientes e não respondiam aos seus pedidos de ajuda. Por isso, decidiu fazer algo por aquelas pessoas. Demorou pouco tempo para meu irmão descobrir que as enfermeiras encarregadas daquela área não gostavam do que ele estava fazendo. Com sua atitude ele estava fazendo com que elas parecessem negligentes e irresponsáveis. Isso ocorria principalmente porque ele se propunha a responder aos pedidos que as enfermeiras estavam ignorando de propósito. Enquanto se manteve naquela função, meu irmão teve de escolher entre não se envolver com os pacientes e viver com a consciência de que eles estavam sendo negligenciados ou, se continuasse a ajudá-los, encarar o fato de que seria despedido em breve. Ele só conseguiu resolver esse dilema quando encontrou outro emprego.

Um cristão dedicado que vive neste mundo contaminado pelo pecado não tem garantias de que sua vida será repleta de uma completa paz e harmonia interior. Na verdade, muitas vezes quando decidimos fazer a vontade de Deus, encontramo-nos em meio a grandes frustrações e estresse. Por outro lado, um cristão que sabe que está

fazendo a vontade de Deus, apesar das perseguições e rejeição que sofre, pode descansar, pois sabe que está agradando a Deus e não aos homens.

Se formos culpar apenas aqueles que não são cristãos, devemos nos lembrar também que alguns irmãos se envolvem em problemas por serem insensíveis e pouco sábios em seu relacionamento com os incrédulos. Paulo tinha algo a dizer sobre isso quando escreveu aos cristãos filipenses que estavam servindo a senhores não-cristãos: “Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo, preservando a palavra da vida” (Fp 2:14-16a).

Como cristãos, devemos fazer todo o possível para servir bem aos nossos empregadores. No entanto, nunca devemos humilhar propositalmente outras pessoas e fazê-las parecer ruins. Ao tomarmos a decisão de não nos contaminar, devemos lembrar as palavras de Jesus Cristo, que disse: “Eu os estou enviando como ovelhas entre lobos. Portanto, sejam astutos como as serpentes e sem malícia como as pombas” (Mt 10:16, NVI).

APLICAÇÃO PRÁTICA

Para ajudá-lo a aplicar os princípios que aprendemos com a vida de Abraão, use a lista a seguir para avaliar suas atitudes e ações presentes. Assinale todas que são válidas para a sua vida.

| | Não importa o que aconteceu na minha vida no passado, eu já confessei os meus pecados e aceitei o perdão de Deus.

I I Se os problemas que estou enfrentando foram causados por outros que pecaram contra mim, tomei a decisão de perdoá-los. Não estou permitindo que a amargura e o ressentimento controlem a minha vida.

Q Já me deparei com a realidade de meus pecados passados e como eles estão afetando a minha vida. Não os estou negan-

do nem agindo de forma irresponsável. Estou mudando o que pode ser mudado e, com a ajuda de Deus, convivendo com aquilo que não pode ser alterado.

I I Entendo que viver para Deus em meio a um mundo pecaminoso sempre trará certo nível de desconforto emocional e até mesmo físico. Por isso estou fazendo tudo o que posso para ter certeza de que não causei problemas desnecessários devido ao meu comportamento pouco sábio. Estou fazendo tudo o que posso para viver por Jesus Cristo, apesar dos problemas, mesmo que às vezes isso possa me levar a experimentar alguns prejuízos e rejeição.

Estabeleça um objetivo

Depois de fazer essa avaliação pessoal, determine pelo menos uma área de sua vida na qual deseja se dedicar mais ainda para fazer a vontade de Deus. Por exemplo, você pode estar vivenda com um falso sentimento de culpa. Ou talvez possa estar tentando mudar coisas que não podem ser mudadas. Seja qual for a sua necessidade, estabeleça um objetivo:
Memorize o seguinte texto bíblico

Procure memorizar esta passagem das Escrituras para ajudá-lo a alcançar o seu objetivo:

Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente. Deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os ao conhecimento da verdade.
2 Timóteo 2:24,25, NVI

Crescendo juntos

Estas perguntas destinam-se a discussão em pequenos grupos de estudo:

1. Você gostaria de compartilhar algum erro que cometeu no passado e que, de maneira constante ou periódica, gera tensão e estresse em seus relacionamentos atuais?

2. Como você está tentando lidar com esse problema? Ou como conseguiu resolvê-lo?

3. Como você tem lidado com o problema da culpa que muitas vezes persiste, especialmente quando você não consegue resolver o problema completamente?

4. Algum de vocês já teve de enfrentar perseguições em sua vida apenas por ter tentado fazer a vontade de Deus?

5. Quais os seus pedidos pessoais de oração?

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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