Paixão e Aversão: As duas faces do espírito de sensualidade ( Parte XVII )

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É indescritível como este espírito tem o potencial de destruir relacionamentos. Esta dinâmica de sentimentos e emoções em extremos opostos que em poucos instantes arrasou a vida tanto de Amnom quanto de Tamar é um modelo que revela como muitos casamentos estão sendo desmoronados.
1. O primeiro ponto de prova é a paixão Já explicamos que não existe mal nenhum em nutrir um sentimento por alguém, mas idolatrar este sentimento sendo governado, ou melhor dizendo, desgovernado por ele, redunda em sensualidade. O descontrole se instala. Isto nos induz a este primeiro extremo que abalou toda estrutura espiritual de Amnom:”… e aconteceu depois disto que, tendo Absalão, filho de Davi, uma irmã formosa, cujo nome era Tamar, Amnom, filho de Davi, amou-a. E angustiou-se Amnom, até adoecer, por Tamar, sua irmã…” Poderíamos dizer que a paixão é o ponto de prova antes do casamento. Se a paixão não é dominada o relacionamento consequentemente será desenfreado por um estado deprimente de dependência sentimental que induz à imoralidade e violência. Um fracasso espiritual neste ponto é facilmente diagnosticado pelo isolamento do casal, definhamento ministerial, atitudes de insubmissão aos líderes e pais, etc.
2. O segundo ponto de prova é a aversão A aversão é a outra face do espírito de sensualidade a ser contemplada por aqueles que se tornaram enlouquecidos pela paixão. Esta é a face oculta do amor. Normalmente, a intensidade
do descontrole sentimental causado pela paixão será diretamente proporcional no sentimento de aversão. Aqui entendemos que paixão ainda está muito longe de ser amor verdadeiro, o qual é marcado pelo compromisso, respeito, fidelidade, paciência, etc. A paixão precisa suportar estas marcas para amadurecer, senão certamente vai manifestar-se através da aversão. É a “Bela” se transformando em “Fera”.

Depois que a pessoa já empanturrou todo seu apetite sentimental e principalmente sexual, como Amnom fez, sendo desaprovado na prova da paixão, onde normalmente ninguém cogita a manipulação de forças demoníacas, surge agora a manifestação de um sentimento repugnante, faccioso, claramente diabólico de ódio e aversão. A pessoa passa a simplesmente não suportar a presença da outra: “Depois Amnom sentiu por ela grande aversão, e maior era a aversão que sentiu por ela, que o amor que lhe votara. E disse-lhe Amnom: Levanta-te, vai-te embora”. Esta é a dinâmica que tem subjugado muitos casamentos ao repúdio e divórcio.

Um casamento precipitado pelo desgoverno sentimental e moral, que começa com uma série de problemas que não podem ser correspondidos pela estrutura do casal, como por exemplo, as implicações de uma noiva grávida, e de repente, quando chegam os momentos difíceis, parece que toda aquela paixão ardente evapora, e o que passa a prevalecer é uma aversão inexplicável, que de fato é espiritualmente maligna. Isto, em muitos casos, chega a se tornar uma oscilação crônica, onde o casal vive “entre tapas e beijos”. “Amor” na hora do prazer e rejeição na hora da responsabilidade. Esta aversão vai gerando problemas, melindrosidades, supervalorização do irrisório, desconfianças, ciúmes, assuntos crônicos de contenda, clima de amargura e total desentendimento.

Um quadro de infelicidade total. Pesadas cargas de rejeição e palavras potencialmente ferinas são trocadas, e vão golpeando e desgastando o relacionamento que vai perdendo a resistência. O ódio se instala, seguido pela indiferença e desprezo, e assim, mais um divórcio acaba sendo concretizado por atitudes de traição e abandono. Como temos visto, a dinâmica de sentimentos descontrolados é tão forte que sentimentos opostos podem facilmente se misturar: amor e ódio, prazer e repulsividade, paixão e aversão se confundem. Este vírus moral adoece o compromisso e transforma o casamento em divórcio.

Os sentimentos podem pendular em extremos opostos sendo esticados num grau tão acentuado, que chegam, muitas vezes, a fadigar, e até mesmo romper, gerando colapsos nervosos e agudas crises emocionais e psicológicas. Estamos, portanto, diante de duas influências fortíssimas que nos fazem atropelar os preceitos divinos: paixão e aversão, um par inseparável. Mas o Espírito Santo tem uma arma poderosa: o domínio próprio. Dominar a paixão é a maior prova que nosso compromisso subsistirá à prova da aversão. O verdadeiro amor não se deixa abalar pelos extremos da paixão nem da aversão, pois antes de tudo honra uma aliança com Deus.
3. Sentimento obstinado e doentio A sensualidade gera um sentimento que se baseia no medo de perder. Este sentimento é o ciúme e através dele materializa-se a possessividade que constitui uma das mais terríveis deformações da personalidade, onde a pessoa se sente no direito de viver a vida de outros por eles. Aqui está a verdadeira raiz do sentimento implacável. O ciúme, que se fundamenta na insegurança em relação a conseguir o que deseja, peca frontalmente contra o espírito de renúncia que é a engrenagem mestra que nos move nos caminhos de Deus.

Sem renúncia, a idolatria, a possessividade e todo tipo de descontrole se instalam. Quando Amnom se fixou na improbabilidade de conseguir um relacionamento com Tamar, o medo de perdê-la começou a gerar um desespero que redundou numa cobiça implacável. O medo se traduz espiritualmente como uma fé negativa, pela qual concretizamos nossos pesadelos e construímos nossas próprias derrotas. O medo de perder produz uma insegurança aguda que nos leva literalmente a furtar a liberdade da outra pessoa que é o objeto de nossa cobiça, anulando sua individualidade, violando a liberdade e asfixiando o relacionamento.
Enquanto a renúncia nos faz andar com Deus: “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (Mt 16:24); o medo de perder, ou seja, o ciúme nos faz andar com o diabo num caminho de depressão, baixa estima e desespero. Vimos isto no caso de Saul, onde seu ciúme em relação ao sucesso de Davi trouxe a companhia de um espírito maligno que o oprimia constantemente. Tudo que não perdemos para Deus o diabo toma. A sensualidade também pode assumir um porte de neurose, onde a pessoa permanece trancada num mundo onde apenas os sonhos e fantasias daquela paixão estão presentes.

A pessoa acaba ficando paralisada, sem iniciativa, profundamente enferma na alma, sobrevivendo para as outras áreas da vida. Desta forma, muitos problemas de introspecção negativa tem tudo para florescer como autopiedade, ressentimentos e até mesmo pensamentos de suicídio. Obviamente, que isto pode ser traduzido através de um efeito psicossomático que esteve presente em Amnom: “E angustiou-se Amnom, até adoecer, por Tamar, sua irmã, porque era virgem: e parecia aos olhos de Amnom dificultoso fazer-lhe coisa alguma”.

O amor sensual que inundava a vida de Amnom primeiramente levou-o a uma plataforma de incredulidade na possibilidade de um relacionamento com Tamar, ou seja, foi torturado pela inferioridade e medo de não conseguir, onde seus sentimentos se angustiaram tanto a ponto de somatizarem, ou seja, adoecendo-o fisicamente. Rebelando-se contra este ambiente interno de dor e medo, se projetou através de uma obstinação cega, obedecendo a qualquer preço os impulsos da sua paixão. Ele não sabia, ou mais acertadamente, preferiu não saber que com isto estaria cavando a própria sepultura. O ciúme, que muitas vezes é interpretado como um “sentimentozinho” desprezível é na verdade, doentio, inconseqüente e se aloja na motivação dos pecados mais hediondos.Por ele se explica a infinidade de homicídios, principalmente os inúmeros crimes passionais que tem acontecido na história da raça humana.

4. Não envolve compromisso O amor sensual se fundamenta na auto-satisfação. Ou seja, a essência que traduz a motivação da pessoa não é servir, mas usar. A motivação é ser feliz e não fazer a outra pessoa feliz. Muitos relacionamentos implodem neste jogo duplo onde as pessoas estão manipulando egocentricamente a felicidade. Acabam frustradas e acumulam uma série de problemas sérios. O diabo, desde o princípio, procura anular o senso de obrigação moral e espiritual do ser humano por exaltar o prazer e encobrir as conseqüências de um relacionamento irresponsável e egoísta.

O amor sensual, portanto, não possui o atributo indispensável que sustenta e fortalece a verdadeira unidade de um relacionamento: a fidelidade paciente. Podemos perceber claramente esta falta de compromisso da qual consistia a grande paixão de Amnom: “E disse-lhe Amnom: Levanta-te, vai-te embora. Então ela lhe disse: Não há razão de me despedires assim; maior seria este mal do que o outro que já me tens feito. Porém não lhe quis dar ouvidos”. Amnom não teve a mínima consideração com a pessoa que a poucos instantes estava tão apaixonado. Ele a manipulou, forçou, usou, abusou, humilhou, e lançou fora como um objeto que não era mais conveniente.

Logicamente, que isto muitas vezes acontece de maneiras mais sutis e até mesmo com certa dose de cortesia, com um maior grau de inteligência emocional, mas o espírito é o mesmo. Esta falta de compromisso tem sido fruto, também, de uma asneira que tem sido propagada por muitos profissionais: “Faça o que quiser porque o mais importante é se sentir bem”, Jesus asseverou que estas pessoas vão perder as suas vidas, estão fracassando estrondosamente em como viver suas vidas: “Porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á”. (Mt 16:25). Não é de se surpreender que Amnom tenha perdido precocemente sua vida, sendo assassinado friamente pelo próprio irmão.
5. Transitório Isto, obviamente, é uma conseqüência imediata do item anterior. A falta de compromisso faz com que um relacionamento seja fraco e superficial, como também torna a pessoa totalmente volúvel nos seus sentimentos. O amor sensual é como aquela semente em solo pedregoso. Ele não suporta as provas. Quando o relacionamento não dá mais o retorno esperado, ou começam a aparecer os problemas e situações que exigem um posicionamento de maior responsabilidade, parece mais fácil e cômodo sair pela tangente, não importando as conseqüências, bem como os danos psicológicos que isto poderá causar.

O amor sensual está totalmente fechado para conciliar o sofrimento, a responsabilidade diante das dificuldades e a paciência, que são os agentes depuradores do verdadeiro amor. Portanto, o amor sensual só sobrevive enquanto está agradando e atendendo interesses próprios. Normalmente, uma característica básica natural dos sentimentos é a inconstância. Sentimentos oscilam. Ora você se sente bem, e ora você se sente mal. Por isto nossos sentimentos estão desqualificados para guiar nossa vida e comportamento.

Esta instabilidade até certo ponto é normal, porém pode se tornar mais intensa e perigosa devido à sensualidade, asseverando a transitoriedade de uma paixão. No caso de Amnom, percebemos quase que um tempo recorde. Sua paixão durou o curto tempo de uma relação sexual forçada e precipitada, onde apenas ele se satisfaz. Sua paixão, nada mais era que um desejo sexual ardente. Quando o desejo acabou, a paixão também acabou. Tudo que sobrou foi aversão e frustração.
6. Não possui exclusividade Esta é uma manifestação muito comum do espírito de sensualidade. Ele impõe um índice tão acentuado de descontrole e insatisfação, que se torna normal a pessoa ficar flutuando em vários objetivos amorosos simultaneamente. A concupiscência dos olhos e da carne passa a controlar o comportamento do indivíduo.
Ainda que a pessoa já esteja num relacionamento com alguém, ou tencionando um relacionamento, ainda assim permanece volúvel e vulnerável à aberração sentimental de dividir sua devoção amorosa com outra ou até mesmo outras pessoas.

Tudo isto é inspirado por uma vida sentimental egocêntrica, onde vale tudo para satisfazer todos desejos. Muitos dos piores problemas que assolam as sociedades vêm como conseqüência de pais, mães e filhos feridos por este tipo de agressão moral. A poligamia, que hoje é tão aceita e difundida é a mãe das doenças venéreas e lares traumatizados. A AIDS tem sido uma forma drástica e triste de expor a vida oculta imoral de muitas pessoas. Quantas mães de família, leais no casamento estão contraindo AIDS de maridos que eram aparentemente fiéis?

É fácil concluir, como muitos já têm feito, que a principal cura para esta epidemia reside em usar o “preservativo moral” do compromisso e fidelidade conjugal, ou seja, um só parceiro de verdade. Aqui se exalta o caráter protetivo do casamento dentro dos moldes divinos. Os mandamentos de Deus são sábios e constituem uma salvaguarda para todos que os obedecem. Não queiramos ser mais sábios que a Bíblia.

Se alguém quer ser mais sábio que a Palavra de Deus acaba tornando-se louco, como o apóstolo Paulo diz: “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos, por isto Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seus próprios corações, para desonrarem os seus corpos entre si…” (Rm 1:22,24)

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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