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Mas não foram apenas filósofos e historiadores europeus que notaram os vínculos entre os dois totalitarismos. Teólogos europeus e americanos relacionados à tradição reformada também identificaram similaridades entre nazismo e comunismo. 

Karl Barth foi um dos mais importantes líderes da “disputa pela igreja” (Kirchenkampf), quando o partido nazista tentou controlar a igreja evangélica na Alemanha. 

Ele foi expulso daquele país, em 1935, e voltou para a Suíça, onde escreveu em 1939: 

As características do nacional-socialismo […] são idênticas às do comunismo. Uma das maiores mentiras da história universal consiste em pretender que o nacionalsocialismo salvou a Alemanha e a Europa do comunismo. O nacional-socialismo é, pelo contrário, a forma alemã do Bolchevismo, e poderá tornar-se a forma europeia ocidental. Nacional-socialismo e comunismo não são senão irmãos inimigos, e sua hostilidade explica-se por esta razão.

Barth ingressou no Partido Social Democrata da Suíça (SP) em 1911. Ao lecionar na Alemanha posteriormente, ingressou no Partido Social Democrata (SPD) daquele país, em 1932. 

Na época, basicamente repetiu o entendimento que políticos do SPD tinham sobre o comunismo e o nazismo. Em meados de 1944, contudo, atenuou sua posição, não tomando partido sobre a União Soviética, agora aliada das potências ocidentais. 

E manteve essa posição durante o restante de sua carreira. Mas a inocência e o acanhamento com que Barth tratou o totalitarismo comunista durante a Guerra Fria gerou uma amarga controvérsia com Reinhold Niebuhr e especialmente Emil Brunner, o qual lhe respondeu nos seguintes termos:

Embora a doutrina comunista pareça conter certos postulados de justiça social, o nacional-socialismo e o bolchevismo são apenas variantes diferentes da mesma espécie: o totalitarismo. Minha pergunta é, pois, a seguinte: a Igreja não deverá dizer um “não” convicto, absoluto e inequívoco ao totalitarismo? […] [Pois] o Estado totalitário é, eo ipso, injusto, desumano e ateu. […] 

 

 

O Estado totalitário consequentemente deve ser “comunista”, pois é inerente à sua natureza uma sujeição da totalidade dos homens e da vida. A questão que se coloca à Igreja não é saber se deve recusar o “comunismo”, mas se deve dizer um “não” fundamental ao Estado totalitário. […] [Logo] o Estado totalitário significa a negação dos direitos do homem, ou seja, a perda dos direitos originais que lhe haviam sido conferidos por Deus quando da criação. O Estado totalitário é, pois, ateu e antidivino per definitionem, pois reivindica para si a totalidade do homem. É de sua essência, fundamentalmente ateia e antidivina, que decorrem todas as atrocidades do totalitarismo. […] 

Dizer que o Estado totalitário comunista cumpre certos postulados sociais que o cristão pode aprovar é repetir o mesmo discurso que se fez, antigamente, sobre o nacional-socialismo, quando se desejava que os cristãos aprovassem o regime devido às suas “magníficas conquistas sociais”. Mas não sabemos, como cristãos, que o Diabo dá sempre um jeito de misturar à mentira elementos de verdade? 

Esse último parágrafo de Brunner é quase o eco do que Dietrich Bonhoeffer escreveu a seus colegas da resistência, Eberhard Bethge, Hans von Dohnanyi e o major-general Hans Oster, no final do ano de 1942: 

O grande baile de máscaras do mal confundiu todos os conceitos éticos. Para a pessoa que vem de nosso universo conceitual ético tradicional, é realmente desconcertante que o mal possa tomar a forma da luz, da ação beneficente, da necessidade histórica, da justiça social. Para a pessoa cristã que vive a partir da Bíblia, isto justamente é a confirmação da maldade abissal do maligno.

Em outras palavras, a diminuição das desigualdades sociais ao custo do rebaixamento dos valores democráticos liberais é “a confirmação da maldade abissal do maligno”. 

Quando se tomou conhecimento do terror que era viver nos países do Leste Europeu no Pós-Guerra, a incapacidade de Barth de discernir a malignidade do comunismo foi finalmente percebida como trágica.

Como observou Bento XVI, portanto, “ninguém pode negar que esse suposto sistema de libertação [o comunismo], a par do nacional-socialismo, foi o maior sistema de escravidão da história contemporânea. A extensão que alcançou a cínica destruição do homem e do mundo pode ser, com frequência, vergonhosamente silenciada, mas nunca contestada”.

Trecho do livro: Contra a Idolatria do Estado – Franklin Ferreira – Editora Vida Nova

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Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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