O Testemunho do Apóstolo Paulo – Quem é Jesus

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O Testemunho do Apóstolo Paulo – Quem é Jesus

Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. (Fp 2.9-11)

 

A dramática conversão do apóstolo Paulo constitui-se em um sério problema para os céticos determinados a destruir o cristianismo. Como explicar a transformação na vida deste homem extraordinário?

Quando um estudioso brilhante, membro do Sinédrio, um “fariseu dos fariseus” zeloso de sua fé israelita, que perseguiu a igreja nascente e convictamente consentiu na morte de seu primeiro mártir, ele mesmo se converte de um modo miraculoso, resultando em completa mudança de seu estilo de vida — deve haver uma forte razão. Especialmente quando esse homem se transforma em destacado porta-voz da igreja que perseguiu!

Nenhum estudioso sério, mesmo os mais críticos, nega a espantosa reviravolta na vida do apóstolo Paulo. A não ser pela intervenção sobrenatural do próprio Jesus ressurreto, não há nenhuma explicação satisfatória para a mudança radical de direção na vida de Paulo.

 

Uma Importante Reviravolta

Para começar, refresque sua mente com relação aos detalhes da conversão de Paulo:

Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote, e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, afim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém. Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, porque me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas, levanta-te, e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer. Os seus companheiros de viagem, pararam emudecidos, ouvindo a voz, não vendo, contudo, ninguém. Então se levantou Saulo da terra e, abrindo os olhos, nada podia ver. E, guiando-o pela mão, levaram-no para Damasco. Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu nem bebeu. (Atos 9.1-9)

 

Assim teve início a transformação na vida de Paulo, que só pode ser explicada pela intervenção do sobrenatural. O cristianismo tem uma explicação simples para a dramática metamorfose de Paulo: ele foi salvo, como ele mesmo disse, através de uma experiência pessoal com o Cristo ressurreto, recebendo então o Espírito Santo de Deus e sendo revestido de poder e dons para realizar milagres, ensinar, pregar, edificar a igreja e escrever cartas. Não existe nenhuma outra explicação para a mudança repentina e completa desse forte opositor do evangelho em um homem que acabou escrevendo treze dos vinte e sete livros do Novo Testamento.

A conversão de Paulo permanece até hoje como um dos maiores testemunhos da divindade de Cristo e da verdade do cristianismo. J. Gresham Machen, um dos maiores defensores da ortodoxia da atualidade, considera a conversão de Paulo a segunda maior prova da fé, ofuscada somente pela própria ressurreição de Cristo. Algo extraordinário aconteceu na estrada de Damasco há quase dois mil anos. O cristianismo tem uma explicação para isto; os céticos ainda estão procurando por uma.

 

Paulo, a Testemunha Idônea

Paulo nunca tinha visto Jesus durante sua vida aqui na terra. Ele nunca presenciou um milagre nem ouviu seu ensino e não o viu depois da ressurreição até encontrá-lo miraculosamente na estrada de Damasco. No entanto, os escritos de Paulo mostram que ele estava perfeitamente familiarizado com a vida de Jesus de Nazaré muitos anos antes que os evangelhos fossem escritos! A pergunta natural que surge é: onde Paulo obteve essas informações?

Uma resposta óbvia é que havia o conhecimento comum [a tradição oral] em toda a igreja na época de sua conversão (o que aconteceu de um a três anos depois dos eventos registrados nos evangelhos). Pretendo mostrar neste capítulo que, no período de quinze a vinte anos após a ressurreição de Jesus, o apóstolo Paulo escreveu um registro dos acontecimentos básicos contidos nos evangelhos, permitindo que seus leitores ficassem familiarizados com a história. Não havia tempo para “criar mitos” ou “enfeitar a história da ressurreição”. Tais fantasias exigiriam pelo menos uma ou, talvez, duas gerações — um espaço de tempo simplesmente impossível.

 

Por Que Paulo Foi Escolhido?

Há muito tempo venho meditando sobre a razão pela qual Deus permitiu a Paulo, um apóstolo “nascido fora do tempo” (1 Coríntios 15.8), tornar-se o primeiro autor de um livro do Novo Testamento. Tenho indagado também sobre o porquê de seu colega grego, o médico Lucas (que também nunca esteve com Jesus), tornar-se o autor de um dos Evangelhos e de uma história completa da igreja do primeiro século.

Finalmente consegui enxergar uma possível razão por trás da estratégia de Deus. Observe bem: quando esses “intrusos” escreveram sobre Jesus, o Cristo, e sobre todos os elementos sobrenaturais de sua vida, eles estavam refletindo as crenças comumente aceitas pela igreja nascente naquele período. Se seus escritos fossem conflitantes com as visões aceitas pela igreja, eles teriam sido atacados e rejeitados imediatamente, o que nunca aconteceu.

As cartas de Paulo foram escritas sobre tiras de papiro, sendo examinadas e comparadas com os evangelhos de Marcos e Mateus, assim que estes últimos trabalhos surgiram. Além disso, não conseguimos encontrar casos de contradição entre Paulo e os escritores dos evangelhos. Isto significa que os ensinos e escritos de Paulo foram compatíveis com as crenças essenciais do cristianismo nascente. Embora Lucas possivelmente tivesse lido o evangelho de Marcos antes de escrever seu próprio evangelho, é evidente que ele entrevistou muitas pessoas, cujas histórias não aparecem em Marcos.

O importante a assinalar é a ampla aceitação, pela igreja primitiva, da vida, pessoa e ressurreição de Jesus — a pedra angular de nossa fé. Nos escritos de Paulo encontramos os detalhes essenciais daquilo que a igreja primitiva acreditava e ensinava sobre Jesus de Nazaré.

 

Paulo, a Testemunha Pioneira

Nem sempre é possível determinar exatamente quando os livros da Bíblia foram escritos. A maioria dos estudiosos concorda que, ou Tiago ou a primeira carta aos tessalonicenses, foram escritos primeiro. Cremos que a epístola 1 Tessalonicenses foi escrita por Paulo em Corinto, durante sua segunda viagem missionária, após uma breve visita de três semanas a Tessalônica, onde fundou uma igreja e foi então expulso da cidade por judeus hostis. Através deste e de outros detalhes é possível determinar que a carta foi escrita entre 49 e 51 d.C, o que significa que ela surgiu de um a quatro anos antes de ser completado o evangelho de Marcos.

Paulo escreveu esta carta porque tinha ensinado àquela jovem igreja algumas profecias, particularmente a respeito da vinda do Senhor. Após a morte de alguns de seus novos convertidos, esses crentes ficaram profundamente preocupados quanto ao que aconteceria aos seus amados quando o Senhor retornasse para encontrar seus santos “nos ares”. Paulo escreveu esta epístola para responder às suas perguntas.

Depois disso os tessalonicenses receberam outra carta, geralmente chamada “a carta espúria [ou não legítima]”. Nada sabemos sobre isso, além do fato de ela ter causado muita aflição aos tessalonicenses. Foi então necessário que o apóstolo enviasse uma segunda carta para corrigir alguns dos falsos ensinos da carta espúria. Se por um lado sou tentado a mostrar o quanto Paulo havia ensinado a esses novos cristãos sobre a segunda vinda e os eventos a ela relacionados, reconheço que este não é o propósito deste livro. Precisamos observar aqui tudo o que Paulo ensinou sobre a vida, pessoa, morte e ressurreição de nosso Senhor e o quanto esses conceitos foram divulgados, embora a apenas tão pouco tempo da ascensão de Jesus. Lembre-se de que Paulo estava escrevendo para gregos que não tinham a base do Velho Testamento ou o conhecimento da vida e da época de Jesus. Eventualmente tudo o que Paulo escreveu foi examinado pelos líderes da igreja em Jerusalém, e já que estes nunca fizeram objeções à mensagem dessas cartas, sabemos que o que ele escreveu refletia a mensagem comumente pregada pela igreja primitiva.

Vamos agora dedicar algum tempo para examinar, diretamente dos escritos de Paulo, as doutrinas essenciais que ele compartilhou com essa jovem igreja.

1 Tessalonicenses

Observe a obra do trio:

Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: Graça e paz a vós outros. (1.1-2)

 

Observe a obra de Jesus na salvação, o fato de o evangelho ser chamado “evangelho de Deus” e que “Deus ressuscitou Jesus”:

Pois eles mesmos… proclamam… como, deixando os ídolos, vos convertestes a Deus para servirdes o Deus vivo e verdadeiro e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura…. Tivemos ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar o evangelho de Deus… estávamos prontos a oferecer-vos, não somente o evangelho de Deus, mas, igualmente, a nossa própria vida… vos proclamamos o evangelho de Deus. (1.9,10; 22,8,9)

 

Observe os detalhes em relação aqueles que mataram Jesus e como isto desagradou a Deus:

Outra razão ainda temos nós para incessantemente dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e, sim, como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes. Tanto é assim, irmãos, que vos tornastes imitadores das igrejas de Deus existentes na Judéia em Cristo Jesus; porque também padecestes, da parte dos vossos patrícios, as mesmas coisas que eles por sua vez sofreram dos judeus, os quais, não somente mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram, e não agradam a Deus, e são adversários de todos os homens. (2.13-15)

 

Observe que a segunda vinda de Cristo é a esperança da igreja:

Pois, quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós? Sim, vós sois realmente a nossa glória e a nossa alegria! (2.19-20)

 

Observe que “o evangelho de Deus” e “o evangelho de Cristo” são intercambiáveis, e que o pregador desse evangelho é chamado de “ministro de Deus”:

E enviamos nosso irmão Timóteo, ministro de Deus no evangelho de Cristo, para, em benefício da vossa fé, confirmar-vos e exortar-vos. (3.2)

 

Observe que tanto Deus Pai como o Senhor Jesus dirigem os caminhos dos cristãos:

Ora, o nosso mesmo Deus e Pai com Jesus, nosso Senhor, dirijam-nos o caminho até vós. (3.11)

 

Observe que a santificação da igreja depende da segunda vinda:

Afim de que sejam os vossos corações confirmados em santidade, isentos de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos. (3.13)

 

Observe que é a vontade de Deus que os cristãos obedeçam aos mandamentos de Jesus:

Finalmente, irmãos, nós vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como de nós recebestes, quanto à maneira por que deveis viver e agradar a Deus, e efetivamente estais fazendo, continueis, progredindo cada vez mais; porque estais inteirados de quantas instruções vos demos da parte do Senhor Jesus. Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição. (4.1-3)

 

Observe que para participar do arrebatamento é necessário crer na morte e ressurreição de Jesus:

Pois se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará juntamente em sua companhia os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. (4.14-17)

 

Observe que a salvação é por meio de nosso Senhor Jesus Cristo:

Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo. (5.9)

 

Observe que a vontade de Deus é por meio de Cristo:

Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. (5.18)

 

Observe ainda outra referência à segunda vinda de Jesus:

O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. (5.23)

2 Tessalonicenses

Observe que Jesus é apresentado como sendo igual a Deus Pai:

Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus nosso Pai e no Senhor Jesus Cristo: Graça e paz a vós outros da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. (1.1-2)

 

Observe que as primeiras igrejas cristãs foram conhecidas como as igrejas de Deus:

A tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tributações que suportais. (1.4)

 

Observe outra referência à segunda vinda de Jesus, que Ele é chamado de “Senhor” e que os cristãos são chamados de “seus santos”:

Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho). (1.9-10)

 

Observe que a graça é concedida igualmente por Deus e Jesus:

Por isso também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação, e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé; afim de que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja glorificado em vós, e vós nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo. (1.11-12)

 

Observe que em sua segunda vinda Jesus destruirá o anticristo:

Com efeito o ministério da iniqüidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; então será de fato revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca, e o destruirá, pela manifestação de sua vinda. (2.7-8)

 

Observe que o castigo por recusar-se a crer no evangelho de Cristo é a condenação:

Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, afim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça. (2.9-12)

 

Observe que é igualmente obra de Jesus e do Deus Pai confortar e confirmar os crentes:

Ora, nosso Senhor Jesus Cristo mesmo, e Deus nosso Pai que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança, pela graça, console os vossos corações e os confirme em toda boa obra e boa palavra. (2.16,17)

 

Observe que Jesus é o doador tanto da paz como da graça, e que sua presença é prometida aos crentes:

Ora, o Senhor da paz, ele mesmo, vos dê continuamente a paz em todas as circunstâncias. O Senhor seja com todos vós. A saudação é de próprio punho: Paulo. Este é o sinal em cada epístola; assim é que eu assino. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. (3.16-18)

 

Estes textos mostram que, quinze a dezessete anos depois da ascensão de Jesus, Paulo estava tratando de várias doutrinas que eram de conhecimento comum das igrejas. Observe que boa parte destas doutrinas era absolutamente contrária ao ensino tradicional dos judeus naquela época. Paulo, por exemplo:

  • Iguala “Deus Pai”ao “Senhor Jesus Cristo”
  • Usa o “evangelho de Deus “e o “evangelho de Cristo “, como sinônimos, pois eram um só evangelho
  • Instrui os crentes a esperar o retorno de Jesus
  • Insiste em que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos
  • Diz que Jesus nos livra da ira vindoura; Ele é a fonte de salvação
  • Diz que Jesus sofreu a oposição dos judeus
  • Diz que Timóteo é um “ministro de Deus “pregando o evangelho de Cristo
  • Diz que tanto “Deus Pai” como “o Filho Jesus” orientamos crentes
  • Sustenta que os verdadeiros crentes tomarão parte na segunda vinda
  • Diz que Deus nos destinou à salvação mediante Jesus Cristo, nosso Senhor
  • Ensina que os santos serão santificados “completamente” na vinda de Cristo
  • Diz que tanto Deus Pai como Jesus Cristo concedem “graça “

 

A lista acima contém alguns pontos essências da doutrina cristã, e todos refletem a compreensão básica da igreja primitiva. Mesmo que algumas dessas doutrinas (especificamente a respeito da segunda vinda) tenham sido reveladas através de Paulo (veja Gálatas 1.11-12, 15-; 22; 2.1-2; Efésios 3.2-5), elas receberam o apoio da igreja, pois essas cartas chegaram até nós sem qualquer restrição ao seu conteúdo. Parece certo que tais ensinos tinham raízes na igreja primitiva e eram aceitos e entendidos como doutrina comum.

Certamente Paulo sabia que algum dia suas jovens igrejas (inclusive a dos tessalonicenses) seriam visitadas pelos líderes da igreja e seus escritos examinados. Portanto ele não ousou, como um apóstolo “nascido fora do tempo”, ensinar qualquer coisa que não fosse a fé comum “uma vez entregue aos santos”. É interessante que ele nunca foi acusado de fazer isso!

Não sabemos claramente quanto da doutrina de Paulo ele aprendeu com os líderes mais antigos da igreja em Jerusalém e quanto ele recebeu como revelação direta de Deus. O que está claro é que seu ensino foi aceito, endossado e apoiado pela igreja-mãe. Perto do final de sua vida, o próprio Pedro escreveria: “nosso irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como de fato costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (2 Pedro 3.15-16). Considere estes pontos:

  • Pedro chama Paulo de “nosso amado irmão “
  • Pedro diz que Deus “deu”a Paulo uma sabedoria “especial”
  • Pedro diz que alguns ensinos de Paulo são “difíceis de compreender”
  • Pedro diz que “deturpar” as palavras de Paulo conduz à “destruição”
  • Pedro inclui as epístolas de Paulo entre “as demais Escrituras”

 

Quando relacionamos o entusiástico apoio de Pedro em favor de Paulo com o conteúdo das primeiras cartas de Paulo, só podemos concluir que essas doutrinas representavam o ensino comum de todas as igrejas, começando logo depois da ressurreição, ascensão e descida do Espírito Santo. Isto não deve nos surpreender, porque era exatamente o que tinha sido pregado no dia do Pentecoste.

 

A Teologia Posterior de Paulo

O testemunho de Paulo não se restringe apenas às epístolas aos tessalonicenses, mas é também encontrado em outras epístolas. Em lugar algum ele contradiz os escritores dos evangelhos. Na verdade, Paulo endossa em várias passagens algumas das histórias e ensinos encontrados posteriormente nos evangelhos. Em dois expressivos exemplos encontrados nas epístolas aos colossenses e aos filipenses, podemos constatar sua exaltação e louvor à plena divindade de Cristo:

Ele [Deus] nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude, e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. E a vós outros também que outrora éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis. (Cl 1.13-22)

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou,  tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. (Fp 2.5-11) (Compare a última parte desta passagem com Isaías 45.23, em que Deus diz: “Por mim mesmo tenho jurado… Diante de mim se dobrará todo joelho, e jurará toda língua.” Paulo tem claramente este texto em mente à medida que escreve, igualando assim uma vez mais Jesus a Deus.)

 

O Testemunho Persistente de Paulo

O apóstolo Paulo passou o resto de sua vida até a morte proclamando a divindade de Jesus Cristo, incluindo sua vida sem pecado, sua morte sacrificial, sua ressurreição corpórea, sua oferta de redenção do pecado e salvação eterna… e muito mais.

O encontro de Paulo com o Cristo vivo na estrada de Damasco, que transformou sua vida, é por si mesmo um testemunho poderoso da divindade de Jesus. Oferece também uma poderosa confirmação de seu testemunho sobre a identidade do Salvador, um testemunho que não tem sido contestado por quase dois mil anos.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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