O Testemunho do Apóstolo João – Quem é Jesus

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O Testemunho do Apóstolo João – Quem é Jesus

“Na verdade fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (Jo 20.30-31)

 

É geralmente aceito que João foi o discípulo mais íntimo de Jesus. Ele se refere a si mesmo, com boa razão, como “o discípulo que Jesus amava” (Veja João 13.23; 19.26; 20,2; 21.7, 20). Aparentemente, ele era bastante jovem durante o ministério do Senhor, e a tradição mais confiável diz que ele sobreviveu a todos os outros discípulos. Como tal ele foi a última testemunha ocular apostólica da ressurreição de Cristo. João foi um companheiro íntimo de Pedro nos primeiros dias da igreja, geralmente submetendo-se à liderança do mais velho. João se destacou principalmente como presbítero superior na igreja de Éfeso, e também por sua enorme contribuição ao cristianismo através dos cinco livros que escreveu. Todos os cinco livros tiveram aceitação imediata na igreja. Presume-se que João exerceu seu ministério em Jerusalém e nos arredores da cidade por muitos anos, viajando para Éfeso na ocasião em que o imperador Tito destruiu a Cidade Santa no ano 70 d.C.

O evangelho de João é quase universalmente reconhecido como o último dentre os quatro evangelhos a ser escrito talvez por volta de 90 d.C. Diferentemente dos outros evangelistas, João não procurou escrever um relato cronológico da vida e ministério de Jesus. Provavelmente ele havia lido os outros evangelhos e seu propósito ao escrever era outro .

Alguns imaginam que uma heresia estava se insinuando na igreja, a qual afirmava que Jesus tinha vindo como um “ser espiritual”. Ninguém tentou negar a existência real de Jesus, pois eles estavam muito próximos dos acontecimentos de sua vida para negá-lo como figura histórica. Mas, em lugar de aceitar a realidade de Cristo ter vindo em forma humana, os falsos mestres satanicamente inspirados inventaram algum tipo de “ser espiritual”. Eis por que tanto o evangelho de João como sua primeira epístola deixam claro que Jesus tinha realmente “vindo em carne”.

João insistiu neste ponto, isto é, aquilo que escreveu foi baseado no seu contato pessoal com Jesus. Ele escreveu: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida…” (1 Jo 1.1). Não poderia haver melhor testemunha do que aquela que tinha viajado com Jesus, vivido e comido com ele, e realmente tocado nele. Invariavelmente, aqueles que têm visões heréticas de Jesus — quer sejam os hereges do primeiro século ou os céticos modernos — nunca se encontraram nem falaram com Jesus na carne, quer antes ou depois de sua ressurreição.

 

O Testemunho do Evangelho de João

O propósito por trás do evangelho de João (Isto é, além de sua explícita missão evangelística; veja João 20.31) parece ter sido deixar a igreja com um retrato convincente sobre a vida de Jesus, feito por uma testemunha ocular, provando que Ele veio não apenas “em carne”, mas que demonstrou por meio de sinais, prodígios e curas milagrosas que era também “o Filho de Deus”. Por esta razão, João não quis escrever apenas uma outra biografia da vida de Jesus; os sinópticos já tinham feito isto. Em vez disso, encontramos em João dez milagres que somente poderiam ter sido realizados por meio do poder divino. Observe-os à medida que vão surgindo neste extraordinário relato sobre Jesus:

 

  1. Transformou a água contida em seis talhas de pedra em delicioso vinho (2.1-12)
  2. Curou à distância o filho de um oficial do rei (4.46-54)
  3. Curou um homem inválido que tinha sofrido trinta e oito anos com horríveis aflições (5.1-15)
  4. Alimentou cinco mil pessoas com somente dois pães e cinco peixes (6.1-14)
  5. Andou sobre a água no mar da Galiléia (6.15-21)
  6. Curou um homem cego em Jerusalém (9.1-38)
  7. Ressuscitou Lázaro quatro dias depois de sua morte (11.1-45)
  8. Ergueu-se do túmulo fisicamente após três dias (capítulos 20-21)
  9. Orientou os discípulos em uma pesca milagrosa — precisando de dois barcos para carregar os peixes — após passarem a noite sem pescar nada (21.1-12)
  10. Apareceu cinco vezes a pessoas ou grupos depois de sua ressurreição (capítulos 20-21)

 

Nenhum dos milagres relacionados acima podia ser realizado por um simples ser humano! Individualmente eles atestam o poder de Deus operando em Jesus; coletivamente eles evidenciam claramente que Jesus era mais do que um homem, podendo, portanto, ser Deus em forma humana. Nenhum homem, na verdade, poderia fazer tudo o que Ele fez — cumprir as profecias, viver uma vida sem pecado, ter os ensinamentos mais profundos do mundo, fazer todos os milagres atribuídos a Ele, morrer voluntária e sacrificialmente em uma cruz, ressuscitar dentre os mortos, reaparecer muitas vezes a tantas pessoas (como a quinhentas de uma vez só) e, assim, provar que estava vivo depois da morte — sendo apenas homem. A única explicação, como disse João, é que Ele é verdadeiramente “Deus conosco”!

 

Ensinos de Jesus Mencionados Apenas em João

Por ter escrito seu evangelho depois dos outros três, João evitou repetir aquilo que eles já haviam registrado. Seu evangelho é uma rica fonte de doutrina não encontrada nos outros três evangelhos canônicos. Entre os textos mais importantes estão os seguintes:

 

  1. Cristo, o Criador

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela (Jo 1.1-5).

Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai (Jo 1.10-14).

João, ao escrever em 90 d.C, não deixou dúvidas sobre sua crença naquele Jesus com quem tinha andado e falado e a quem tinha seguido. Ele não o considera apenas “Deus em forma humana”, como tenho várias vezes citado neste livro. Ele diz que Jesus era o “Verbo” (a Palavra) ou a expressão de Deus; Ele já estava no princípio (antes da criação) com Deus; Ele criou todas as coisas; Ele é a luz dos homens. Nem mesmo o melhor ser humano que já passou pela Terra pode aproximar-se ou comparar-se ao seu padrão! Verdadeiramente, como disse João, Ele é o “unigênito do Pai”.

 

  1. Você deve nascer de novo

“Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”… Respondeu Jesus: “Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus… O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.” (Jo 3.3, 5,8)

A expressão “nascer de novo” usada por Jesus surge exclusivamente no evangelho de João. Até onde sabemos, Jesus usou esta expressão somente duas vezes. Entretanto, muitos cristãos atualmente a utilizam por ela ser a que melhor define a experiência única de passar do estado de morte espiritual para a vida espiritual através da fé em Jesus. Comparando esse “novo nascimento” espiritual à experiência do nascimento físico, Jesus deixou claro que assim como é preciso nascer fisicamente para poder viver neste mundo, deve-se nascer espiritualmente para poder receber a vida eterna.

 

  1. Um resumo do evangelho da salvação

E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus (Jo 3.14-18).

Esta passagem é considerada o ensino mais conhecido sobre a salvação em toda a Bíblia (e com boa razão, porque este é, em suma, o propósito da Palavra de Deus). Ela contém “o evangelho sintetizado”. O versículo 16 é inquestionavelmente o mais amado de toda a Escritura. E incontável o número de indivíduos que têm professado a fé em Cristo e sido aceitos por Ele para a salvação, estimulados e orientados somente por esta curta mensagem. Por meio dela “nasceram de novo” e obtiveram a certeza de sua salvação.

Por que a história de Nicodemos, na qual este versículo é encontrado, não é mencionada em outros evangelhos? Talvez pelo fato de João ter sido o único discípulo a acompanhar Jesus nesse encontro com Nicodemos, onde se deu essa conversa. Seja qual for o caso, devemos a João a inclusão destas sublimes palavras vindas dos lábios do “Filho unigênito de Deus”.

 

  1. A prova válida de que Jesus é o Cristo

O melhor capítulo isolado da Bíblia sobre a divindade de Jesus é João 5. Ele contém o testemunho do próprio Jesus sobre quem Ele era, o testemunho de João Batista, os milagres ou “obras” de Jesus como provas, a voz do Pai e o testemunho das Escrituras (particularmente o cumprimento das profecias messiânicas).

Neste único capítulo encontramos evidências impressionantes da divindade pessoal de Jesus.

 

  1. Os últimos ensinamentos de Jesus

Tradicionalmente considera-se que as últimas palavras de um homem que está à beira da morte são as mais significativas. Este foi o caso de Jacó, Moisés e muitos outros. De acordo com esta tradição, os capítulos de João, de 14 a 17, são da mais alta relevância, porque nos apresentam os últimos ensinos de Jesus antes de sua crucificação.

Estes importantes ensinos abordam: céu; Jesus “a verdade”; oração; apegar-se a Ele como os ramos à videira; o ministério da Palavra e o Espírito Santo; e muitas outras coisas. Em qualquer lista dos dez capítulos bíblicos mais importantes, dignos de ser lidos e absorvidos, estes quatro devem ser necessariamente incluídos. Eles expõem os pontos essenciais da vida cristã e devem ser lidos e meditados em conjunto regularmente.

 

Cristo e a Ressurreição

O já idoso apóstolo João não deixou dúvida de que, embora passados mais de cinqüenta anos desde a ascensão de Jesus ao céu e todos os outros discípulos terem morrido, ele ainda acreditava que Jesus era o Cristo. Ele confessou Jesus como o Prometido, aquele que veio de Deus, ressuscitou dentre os mortos e retornou a Deus, esperando sua segunda vinda. João dedicou dois capítulos inteiros relatando fatos após a crucificação, enfatizando o túmulo vazio e os vários aparecimentos de Jesus antes de sua ascensão aos céus.

João sabia que a única mensagem que poderia mudar o ensino religioso para sempre seria o fato da ressurreição de Cristo. Ele sabia que a ressurreição era um fato real e quis deixar um registro escrito dela, de maneira que o mundo inteiro soubesse que a última testemunha apostólica viva considerava-a um acontecimento inegável. Não há dúvida de que, para João, Jesus era Deus e tinha provado isso levantando-se dentre os mortos. O desejo de João era que outros viessem a crer como ele. Portanto, revelou abertamente seu propósito ao escrever:

Na verdade fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. (Jo 20.30-31)

 

Se mesmo depois de ler este capítulo, você ainda tem dúvidas sobre a verdadeira identidade de Jesus, sugiro que leia o relato da vida de Cristo escrito por alguém que o conheceu bem: o evangelho de João. Ele certamente pode mudar sua vida, do mesmo modo como já mudou as vidas de incontáveis pessoas ao longo dos séculos.

 

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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