O Sermão do Palácio de Cristal – C.H.Spurgeon

O Remédio Universal – C.H.Spurgeon
28/04/2016
Conclusão – Aproveite sua Bíblia
29/04/2016

O Sermão do Palácio de Cristal – C.H.Spurgeon

SERVIÇO de JEJUM E ORAÇÃO
REALIZADO NO PALÁCIO DE CRISTAL, SYDENHAM,

LONDRES,

QUARTA-FEIRA, 7 DE OUTUBRO DE 1857,

PELO REV. C. H. SPURGEON.

PARA MAIS DE 24.000 PESSOAS REUNIDAS[1]

Sendo o dia nomeado por Proclamação para um jejum solene, humilhação e
oração perante o Deus Todo Poderoso, afim de obter perdão pelos nossos
pecados e implorar por Sua bênção e assistência em nosso armamento para a
restauração e tranquilidade na índia.[2]

BREVE INVOCAÇAO

OH, DEUS, o Deus dos Céus e da Terra, neste dia prestamo- Lhe reverência e humildemente inclinamos nossas cabeças em adoração diante de Teu trono sublime. Nós somos as criaturas de                                                                    Tua mão. Tu nos criaste, e não nós a nós mesmos. E justo e correto adorar-Te. Oh, Deus, reunimo-nos numa congregação imensa com um único propósito, o qual exige todo o poder da piedade e toda a força da oração. Envia o Teu Espírito sob o Teu servo, para que ele, mesmo tremendo em sua fraqueza, seja feito forte para pregar a Tua Palavra, a fim de levar adiante essas pessoas em oração santa e ajudá-las nessa humilhação pelo qual esse dia foi reservado. Vem, oh, Deus, nós Te suplicamos. Nós curvamos nossos corações perante Ti. Em vez de sacos e cinzas, dá-nos o verdadeiro arrependimento e corações humildemente respeitosos. No lugar desse disfarce vil, em que alguns prestam suas próprias homenagens, dá-nos o Espírito Santo. Para que realmente oremos, humilhemo-nos e tremamo-nos diante do Deus Altíssimo. Santifica este serviço! Que ele seja honroso a Ti e útil para nós! E, oh, Senhor Supremo, em Ti esteja a glória e a honra, Amem.

Adoremos agora a Deus cantando o primeiro hino[3]. Eu o lerei primeiro e, então, vocês o cantarão até o fim.

“Diante do trono tremendo de Jeová Vós, nações, saudais com alegria sagrada.

Sabeis que o Senhor é o único Deus Ele pode criar e Ele pode destruir.

O Seu poder soberano, sem nossa ajuda,

Fez-nos de barro e tornou-nos homens!

E como ovelhas errantes, nós nos desgarramos, Ele nos trouxe ao Seu rebanho novamente.

Nós somos o Seu povo, estamos sob Seu cuidado Nossas almas e todo o nosso corpo.

Que honrarias devemos carregar,

Criador Todo Poderoso, pelo Teu nome?

Amontoaremos Tuas portas com Músicas de ações de graça,

Tão alto quanto os Céus, nossas vozes serão.

E a terra, com suas dez mil línguas,

Preencherá Tuas cortes com louvores ressonantes.

Tão vasto quanto o mundo é o Teu comando,

Tão vasta quanto a eternidade é o Teu amor, Firme como a rocha a Tua Verdade permanece,

Mesmo com os anos, que um dia deixarão de passar.”

EXPOSIÇÃO DAS ESCRITURAS
DANIEL 9:1-19.

Versos 1 a 9:

No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos cal deus,

No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendí pelos livros que o número dos anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos.

E eu dirigí o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinza.

E orei ao SENHOR meu Deus, e confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos;

Pecamos, e cometemos iniquidades, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos;

E não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, como também a todo o povo da terra.

A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós a confusão de rosto, como hoje se vê; aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, e a todo o Israel, aos de perto e aos de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa das suas rebeliões que cometeram contra ti.

O Senhor, a nós pertence a confusão de rosto, aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, porque pecamos contra ti.

Ao Senhor, nosso Deus, pertencem a misericórdia, e o perdão; pois nos rebelamos contra ele,

Eis a primeira estrela que brilha no meio da escuridão de nossos pecados. Deus é misericordioso. Ele é justo – tão justo, como se não fosse misericordioso! Ele é misericordioso – tão misericordioso, como se não fosse justo e deveras mais misericordioso do que se Ele fosse muito brando. Irmãos e irmãs, deveriamos nos regozijar por não termos esse dia para nos adereçar aos deuses dos pagãos. Vós não tendes o dia de hoje para curvar-vos diante do trovejante Júpiter. Não precisais vir perante divindades implacáveis que se deleitam no sangue de suas criaturas ou, ainda, das criaturas as quais eles fingem terem criado.

Nosso Deus se deleita na misericórdia e na libertação da Bretanha de suas doenças. Deus estará tão satisfeito quanto a Bretanha. Sim, mesmo quando a Bretanha já tiver esquecido tudo o que Ele fez e apenas as páginas da história registrarem as misericórdias de Deus, Ele ainda assim lembrará o que fez por nós nesse dia de necessidades e dificuldades. Quanto à esperança de que Ele nos ajudará, isso é uma certeza. Não há receio algum de que, estando nós reunidos em oração, Deus recusará nos ouvir! Tão certo quanto há um Deus, Ele nos ouvirá. E se nós O perguntarmos corretamente, o dia chegará em que o mundo verá o que o Deus da Bretanha fez e como Ele escutou o seu pranto e escutou a voz de suas súplicas!

Versos 10 a 15

E não obedecemos à voz do SENHOR, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu por intermédio de seus servos, os profetas.

Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, desviando-se para não obedecer à tua voz; por isso a maldição e o juramento, que estão escritos na lei de Moisés, servo de Deus, se derramaram sobre nós; porque pecamos contra ele.

E ele confirmou a sua palavra, que falou contra nós, e contra os nossos juizes que nos julgavam, trazendo sobre nós um grande mal; porquanto debaixo de todo o céu nunca se fez como se tem feito em Jerusalém.

Como está escrito na lei de Moisés, todo este mal nos sobreveio; apesar disso, não suplicamos à face do SENHOR nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniquidades, e para nos aplicarmos à tua verdade. Por isso o SENHOR vigiou sobre o mal, e o trouxe sobre nós; porque justo é o SENHOR, nosso Deus, em todas as suas obras, que fez, pois não obedecemos à sua voz.

Agora, pois, ó Senhor, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão poderosa, e ganhaste para ti nome, como hoje se vê; temos pecado, temos procedido impiamente.

O profeta, em sua oração, fala sobre o que Deus fez por eles como motivo pelo qual Ele deveria agora também mostrar o poder de suas mãos. Ele fala sobre como Deus libertou Israel do Egito. E

ele, portanto, roga para que Deus os libertasse de seus recentes transtornos. E, irmãos e irmãs, o próprio Israel não podería vangloriar-se de história mais nobre do que a nossa, medindo através da generosidade de Deus. Não temos ainda esquecido uma frota sequer espalhada diante do sopro dos Céus, espalhada por sobre a raiva profunda, como um troféu mostrando o que Deus é capaz de fazer para proteger a Sua ilha preferida[4]. Não nos esquecemos ainda o dia 5 de novembro, no qual Deus descobriu muitas conspirações que feitas contra nossa religião e nossa comunidade.[5] Ainda não perdemos os homens mais velhos, cujas narrativas até das vitórias em guerras ainda eram frequentes. Lembramos como Deus varreu de diante de nossos exércitos o homem que pensou poder fazer do mundo o seu domínio, que projetou lançar seu sapato sobre a Bretanha e fazê-la uma dependência de seu reinado.[6] Deus trabalhou para nós. Ele trabalhou conosco. E ele continuará trabalhando! Ele não deixou o Seu povo e Ele não nos abandonará, pelo contrário, permanecerá conosco até o fim. Berço da liberdade! Refúgio da aflição! Tempestades podem assolar o seu arredor, mas não a você, nem mesmo a cólera e a fúria do homem o destruirá – porque Deus lançou o Seu tabernáculo e os Seus santos no seu meio.

Versos 16-19

O Senhor; segundo todas as tuas justiças, aparte-se a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalém, do teu santo monte; porque por causa dos nossos pecados, e por causa das iniquidades de nossos pais, tornou-se

Jerusalém e o teu povo um opróbrio para todos os que estão em redor de nós.

Agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo, e as suas súplicas, e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o teu rosto, por amor do Senhor.

Inclina, ó Deus meu, os teus ouvidos, e ouve; abre os teus olhos, e olha para a nossa desolação, e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias.

O Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age sem tardar; por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome.

E agora, por alguns instantes, esforcemo-nos a orar.

ORAÇÃO.

“Pai NOSSO, que está nos Céus”, seremos breves, mas determinados se Tu nos ajudares. Hoje nós temos um caso para compartilhar contigo. Contaremos nossa história e oraremos para que Tu perdoes a fraqueza das palavras com as quais serão faladas e escuta-nos, pelo amor de Jesus. Oh, Pai, Tu tens afetado a nossa terra, não completamente, mas em uma de suas dependências. Tu permitiste que um espírito amotinado irrompesse nossos exércitos, assim como também permitiste homens que não conhecem a Ti, não temem nem a Deus nem ao homem, a realizar proezas as quais a terra se enrubesce e que nós, como homens, desejamos cobrir nossas faces perante Ti. Oh, Senhor Deus, Tu não podias suportar o pecado de Sodoma. Estamos certos que não podes suportar o pecado que tem sido cometido na índia. Tu fizeste chover fogo do Céu por sobre as cidades da planície. As cidades das índias não são menos vis que essas, pois cometeram luxúria e crueldade e pecaram contra o Senhor. Relembra isso, Oh, Deus dos Céus.

Mas, oh, Senhor nosso Deus, não estamos aqui para acusarmos nossos companheiros. Estamos aqui para rogar-Te para que removas a aflição que tamanha perversidade fez recair sobre nós. Olha para debaixo do céu, oh, Deus, e observa esse dia, os vários massacres contra nossos compatriotas. Olha as esposas, as filhas da Bretanha, estupradas, desonradas! Olha seus filhos, cortados em pedaços e torturados de um modo jamais visto antes na terra. Oh, Deus, liberta-nos, nós Te imploramos, desta aflição terrível! Dai força aos nossos soldados para cumprir sobre os criminosos a sentença

ditada pela justiça. E então, pelo Teu braço forte e pelo Teu tremendo poder, nós Te suplicamos para nos prevenir de uma repetição de tão pavoroso ultraje!

Nós te pedimos, neste dia, lembra da viúva e das crianças órfãs de pai. Pensa naqueles que, neste dia, estão angustiados até a última gota. Guia os corações dessa grande multidão, que eles possam dar generosamente e nesse dia doar de seu capital aos irmãos pobres e destituídos. Lembra especialmente de nossos soldados, agora lutando naquela terra. Deus, protege-os! Seja uma capa contra o calor! Estarias Tu satisfeito em mitigar todos os rigores do clima por eles? Lidera-os na batalha. Alegra seus corações – faz com que eles se lembrem que não são meros guerreiros, mas executores. E que eles possam ir com passadas firmes à batalha, acreditando que a vontade de Deus é que eles destruam terminantemente o inimigo, o qual não apenas desafiou a Bretanha, como também corromperam a si mesmos entre os homens.

Mas, oh, Senhor, hoje é o nosso dia, para nos humilharmos perante a Ti. Nós somos uma nação pecadora. Confessamos os pecados de nossos governantes e nossas próprias iniquidades. Por todas as nossas rebeliões e transgressões, oh, Deus, tem misericórdia de nós! Nós suplicamos pelo sangue de Jesus! Ajuda-nos a nos arrependermos de nossos pecados, a voar para Cristo buscando por refúgio e garantir que cada um de nós possamos nos esconder na Rocha até que toda essa calamidade termine, sabendo que Deus não abandonará aqueles que põem sua confiança em Jesus. O Teu servo está oprimido hoje. O seu coração está fundido como cera em Teu meio. Ele não sabe como orar! Ainda assim, Senhor, se tu puderes ouvir um coração sofrido, que não consegue expressar-se em palavras, escuta o seu forte choro ardente o qual é aderido por outras pessoas. Senhor, salva-nos! Senhor, ergue-se e abençoa-nos! E que o poder dos Teus braços e a majestade da Tua força sejam agora reveladas no meio dessa terra e por todos esses países que estão sob nosso domínio. Deus salve a rainha! Mil bênçãos sobre a sua amada cabeça![7] Deus preserve nosso país! Que todo movimento que promova a liberdade e o progresso seja acelerado e que tudo seja feito em nosso meio para nos proteger do descontento das massas e proteger as massas da opressão de poucos. Abençoa a Inglaterra, oh, Deus nosso. “Brilha, poderoso Deus, na Tua Bretanha”. E fala ainda a Bretanha gloriosa, “bela pela situação, a alegria de todo coração”. Senhor, aceita nossas confissões. Escuta nossas orações e

reponde-nos pelo Santo Espírito! Ajuda o Teu servo a pregar. E que toda a glória seja dada a Ti, oh, Pai, a Ti, oh, Filho, a Ti, oh, Espírito Santo; mundo sem fim.

Amem e amem”.


 

 

Cantemos o segundo hino. Ele é feito de versos selecionados de diferentes Salmos e julguei-o apropriado a essa ocasião[8].

Nosso Deus, nossa ajuda no passar dos anos,

Nossa esperança para os anos vindouros,

Nosso abrigo contra as fortes tempestades E nossa morada eterna.

Sob a sobra de Teu trono,

Teus santos habitam em segurança.

O Teu braço nos é suficiente,

E nossa defesa é certa.

Nossos inimigos nos insultam, mas nossa esperança Dorme em Tua compaixão.

Esse pensamento deve deixar nossos espíritos tranquilo Que Deus não nos desprezará.

Em vão os filhos de Satanás se gloriam Da formação de exércitos!

Quando Deus menosprezou o bando,

Eles tornaram-se prezas fáceis.

Nosso Deus, nossa ajuda no passar dos anos,

Nossa esperança para os anos vindouros,

Sejas Tu o nosso guarda quando os problemas vierem,

E nossa morada eterna.

k’k’k

Na esperança de receber ajuda do Espírito Santo de Deus, devo agora dar continuidade e dirigi-los ao versículo 9 do capítulo 6 de Miquéias.

SERMÃO
“Ouvi a vam e quem a ordenou”

Miquéias 6:9.

ESSE mundo não é o lugar para a punição pelos pecados. Não é o lugar. Algumas vezes pode até ser, mas não normalmente.

E muito comum entre pessoas religiosas falar sobre acidentes que acontecem com homens em pecado como se isso fosse um castigo. A virada de um barco sobre o rio num Domingo é certamente entendido como um julgamento pelo pecado em não obedecer ao Sabbath. Na queda acidental de uma casa onde as pessoas estavam engajadas em trabalhos ilegais, a conclusão é logo a de que a casa caiu porque era habitada por pecadores. Alguns religiosos devem pensar que impressionam as pessoas com histórias tão infantis quanto estas. Eu, logo de primeira, nego-as todas! Eu acredito que o que meu Mestre diz é verdade quando declara, em relação aos homens sobre os quais a torre de Siloé caiu, que eles não eram mais pecadores do que os outros que ainda estavam na face da terra. Eles eram pecadores – não há dúvidas quanto a isso – mas a queda do muro não foi ocasionada pelo seu pecado, nem suas mortes prematuras foram consequência de suas perniciosidades excessivas.

Deixe-me, contudo, guardar essa declaração, pois muitos são os que carregam essa doutrina ao extremo. Por Deus não castigar cada ofensa do transgressor nessa vida, muitos homens acabam negando a Doutrina do Julgamento. Mas aqui eles estão errados. Sinto-me persuadido de que haja certas coisas como julgamentos nacionais e castigos nacionais para pecados nacionais – grande golpe dado pelo castigo de Deus – os quais um homem sábio é capaz de reconhecer uma punição pelo pecado cometido e uma admoestação para alertar-nos para as consequências do pecado, levando-nos, pela graça de Deus, a humilharmo-nos e arrependermo-nos de nossos pecados.

Oh, amigos, quão grande o castigo que caiu sobre nosso país! Minhas palavras estão muito aquém da amedrontadora narrativa de miséria e angústia que lhes será dita antes que vejam quão

fortemente Deus nos atingiu e quão severamente nos repreendeu. Aproveitemos hoje para lamentar assuntos revoltosos, pois parte de nossos compatriotas estão de braços abertos contra nosso governo. Isso, por si só, já foi um grande golpe. Felizmente o governo desta terra é tão constitucional que sabemos muito pouco sobre revoluções, a exceção de seu nome. Mas os horrores da anarquia, os terrores de um governo chacoalhado em suas bases são tão grandes que, pregasse eu sozinho sobre esse assunto, você escutaria o açoite e o alto choro por debaixo do golpe. Mas isto é como deixar a água correr livremente. Uma inundação se sucede. Os homens revoltosos foram nosso assunto e eu desafio o mundo todo a negar o que vou dizer: eles foram acertadamente nossos súditos. Seja lá o que os habitantes da índia sejam (e indubitavelmente esse povo tem faltas graves a tratar conosco), os Cipaios[9], voluntariamente se entregaram ao nosso domínio. Eles fizeram juras de fidelidade à Sua Majestade e a seus oficiais, por isso não tem motivos para murmurar se agora devem suportar a sentença expressa pelo governo na qual eles eram jurados e auxiliares condescendentes. Eles estavam sempre acariciados e ajoelhados aos pés do favoritismo. Sua revolta não é a revolta de uma nação.[10] Se a índia tivesse se revoltado, a história podería talvez nos ensinar que ela tinha patriotas em seu meio os quais estavam libertando-a de uma nação tirânica.[11] Mas no caso presente, apenas homens impelidos pela luxúria e ambição de um império se levantaram contra nós. E, meus amigos, que crimes hediondos eles cometeram! Hoje não detalharei seus atos de libertinagem, carnificina e coisas ainda piores que a brutalidade; essa língua não se aventurará a falar sobre o que eles têm ousado fazer! Se assim o fizesse, vocês se levantariam de suas cadeiras e me vaiariam do púlpito sobre o qual estou, pois eu faria alusão a crimes cometidos por eles – crimes que não ocorreram em segredo, mas nas mas de suas cidades![12]

E novamente, igualmente doloroso, temos rebeldes a serem executados. Olho para a forca como um castigo amedrontador. Vejo cada forca como uma terrível provação sobre nossa terra. Acredito que toda vez que o braço do soberano é estendido para a pena de morte, o país como um todo tem que olhar para essa situação como uma séria calamidade. Assim como o pai vê o castigo do filho como algo penoso, assim deve um país pensar quando um governante tem que punir, especialmente com a punição de morte.

Agora, esses homens devem ser punidos! Ambos, terra e céus exigem-no! Não sou soldado, não amo a guerra. De forma alguma acredito que isso seja uma guerra, no próprio sentido da palavra. Não lutamos contra inimigos. Nossas tropas estão partindo contra pessoas revoltadas, contra homens que, por seus crimes, assassinatos e pecados imensuráveis, expuseram-se à pena capital.[13] Como a prisão de um assassino pela autoridade da lei não é guerra, então a prisão dos indianos cipaios e sua completa destruição não é guerra, mas sim o que a terra ordena e o que eu acredito que Deus sanciona! Entretanto, é uma necessidade horrível. E algo terrível pensar em tirar a vida desses homens. Devemos olhar para isso como sendo uma desgraça e, hoje, dentre as outras maldades que lamentamos, devemos lastimar por isso: pela espada tendo que ser tirada de seu revestimento para cortar tais homens em pedaços.[14] O castigo, o castigo, O CASTIGO de fato caiu severamente! Nenhuma língua humana consegue expressar a angústia que isso tem causado, tampouco podemos sequer imaginar até onde todos esses efeitos doentios chegarão.

Lembre-se, entretanto, das palavras do meu sermão. E uma vara de punição. Mas essa punição já havia sido decretada. Toda ação realizada contra nós já foi prevista por Deus. Deus está ávido para limpar todo o pecado decorrente desses atos, mas, indubitavelmente, ele não só o considerou, como também permitiu. O castigo foi ordenado por Deus. Eu O vejo em todos os lugares. Acredito que o ponto previsto para o ataque pelo rio é tão fixado quanto à posição de um rei, e o joio das mãos do joeireiro, tão guiadas quando as estrelas em seus cursos. E eu vejo Deus nessa guerra. As rodas da Providência podem girar de forma misteriosa, mas estou certo de que a sabedoria é o eixo pelo qual elas giram, para que ao menos seja visto que Deus, que ordenou o castigo, apenas o permitiu para que um bem maior acontecesse e Seu nome fosse exaltado na terra. O pecado é ação do próprio homem, mas a aflição pela qual passamos é ordenada por Deus. Curvemo-nos diante disso e ouçamos a exortação do texto – “Ouvi a vara, e daquele que a designou”. Terei a atenção de vocês para que, tão breve quanto possível, consiga fazer-lhe escutar esse castigo de Deus.

Primeiramente, deixe-me observar que teria sido muito melhor se tivéssemos escutado a esse castigo antes que ele caísse sobre nós. O homem sábio deve perceber o castigo de Deus antes que ele o atinja. Aquele que entende o governo moral de Deus sabe que o pecado acarreta uma punição ao coração. Um homem sábio, acreditando no Apocalipse, teria profetizado que Deus nos visitaria. Os pecados do governo da índia foram escuros e profundos[15]. Aquele que escutou os gritos dos nativos atormentados, que escutou a maldição dos príncipes destronados[16], talvez tenha profetizado que não tardaria até que Deus desembainhasse Sua espada a fim de vingar os oprimidos.

Olhando para a índia, não faço apologia ao nosso domínio sobre ela. Olhando para os Cipaios, eles são nossos vassalos voluntários, eles merecem o mais profundo rigor da Lei. Pelos seus próprios juramentos, tornaram-se nossos vassalos. E se eles se revoltaram, deixe que sofram a punição pela sua traição. Mas tivesse sido a nação indiana a revoltada, eu teria orado a Deus para que tivessem sido conduzidos para debaixo do governo britânico novamente, pelo bem da civilização. Mas não teria apoiado uma cruzada contra eles, para que porventura não nos tornássemos patriotas entusiasmos, que não lutavam pela libertação de um país oprimido.

Irmãos e irmãs, digo que seria melhor se o castigo tivesse sido ouvido antes de cair sobre o povo. Teria sido melhor para o governo indiano se no meio do pecado ele tivesse parado e se esforçado para desfazer o mal causado. Se ao invés de seguir a política do credo, tivesse seguido a política da retidão, tal governo talvez tivesse buscado por apoio Divino. Ele nunca deveria ter tolerado a religião dos hindus. Eu mesmo acredito (pois em nada viola a lei de direito) no direito de minha religião. Mas se minha religião consistisse em bestialidades, infanticídios e assassinatos, não teria direito algum à minha religião a não ser que estivesse preparado para ser enforcado por isso.[17]

Agora, a religião hindu nada mais é do que a maior imundície que a imaginação já pôde conceber! Os deuses que eles adoram não são dignos de respeito. Tivessem eles dado um nome decente aos seus demônios, teríamos tolerado sua idolatria. Mas quando sua adoração exige tudo o que é mal, não apenas religiosamente, mas moralmente, deve-se extingui-la! Não acredito como que houve nessa terra qualquer tipo de tolerância ao Agapemone[18], um lugar de luxúria e abominação, onde o pecado é cometido antes que o sol de Deus apareça. Qualquer religião que não infrinja a moralidade, está sob guarda da legislação. Mas a partir do momento em que professores religiosos ensinam imoralidades e quando a religião compele o homem a pecar, que

ela, então, seja derrubada! Nenhuma tolerância para com ela! E impossível haver qualquer disseminação de maus hábitos adornados com a denominação de religião. Se a religião de um homem consiste em estourar meus miolos, não a tolerarei! Se a religião de um homem consiste em tratar-me da forma que os assassinos me tratam, também não tolerarei essa bandidagem. Se a religião de um homem consiste em cometer atos brutais em público, eu, de uma vez, tentaria tocar sua consciência, entretanto, já sabendo que ele não teria nenhuma, tentaria tocá-lo de alguma outra forma. Uma religião tal qual a hindu, o governo indiano era compelido, como na visão de Deus, a derrubá-la com toda a força de suas mãos! Mas o governo Indiano tolerou alguns casos, e até ajudou e encorajou seus feitos imundos! E agora Deus os visita. E repito, teria sido melhor se tivessem escutado o castigo antes que caísse sobre eles. Eles teriam evitado, talvez, toda essa maldade e certamente teriam poupado o remorso que alguns deles sentiram ao ter o pecado recaído sobre eles.

Mas houve a queda. O castigo veio. O açoite cavou profundos

sulcos nas costas da índia. E então? “Escute a vara” que caiu. Essa é uma opinião dada pelas autoridades, e quem sou eu para discutir com as grandes autoridades da Inglaterra? Parte da razão para essa terrível visita é o pecado dos ingleses. Somos exortados hoje a humilharmo-nos pelos nossos pecados. Tomando por certo de que seja verdade – e perceba, não sou eu quem digo isso, mas a Proclamação -, quem sou eu para disputar tamanha autoridade quanto esta? A Proclamação afirma que foi nosso pecado que trouxe tudo isso sobre nós. E o que ela diz, mas o que, então, são nossos pecados? Agora, serei honesto com vocês, tão honesto

quanto posso, e tentarei dizer-lhes. Quais são os pecados mais
claros pelos quais – se é verdade que Deus agora nos está punindo
quais são os pecados mais plausíveis para essa visita sobre nós?

Primeiramente, existem pecados na comunidade que nunca deveríam ser permitidos. Oh, Grã-Bretanha, clame pelas ações as quais seus governantes não têm a força para parar! Há muito temos permitido transtornos infames na Holywell Street[19]. Graças a Deus tudo acabou. Mas, agora, o que vejo toda noite? Se volto do pregar no campo, no Haymarket e na Regent Street, o que me encara os olhos? Se há um crime pelo qual Deus visitará a Inglaterra, é pelo pecado de permitir que a infâmia caminhe diante dos nossos olhos tão descaradamente! Não sei de quem é a culpa, alguns dizem que é da polícia. Bem, que é a culpa de alguém, disso eu tenho certeza, e contra essa pessoa eu protesto agora solenemente.

E a coisa mais amedrontadora ver que pessoas honestas e morais não podem andar nas ruas sem serem insultadas pelo pecado das vestes da meretriz. Minha voz hoje, talvez, alcance alguns que tem poder para repetir esse protesto de forma poderosa e satisfatória. Vejo perante mim cavalheiros que representam a imprensa. Acredito que eles vão fazer o seu dever nesta seara. E, se eles ferroarem como alguns deles podem ferroar, acentuadamente, eles talvez possam ser capazes de inocular um pouco de virtude em alguns dos nossos governantes e que será uma coisa boa. Acredito que esta tenha sido uma das causas pelas quais Deus nos visitou, se verdadeiramente nossos pecados acarretaram toda essa maldade sobre nós, como firmemente acredito. Olhe você também, homens e irmãos, para alguns de seus deleites os quais vocês tem provavelmente cedido. Deus me impeça de denegrir aqueles cuja forma de diversão é inocente, mas devo afirmar que elas devem sempre ser morais.

Quando sabemos que os jovens dessa terra vão ao teatro e assistem a peças que estão longe de serem decentes, é hora de alguma voz se levantar contra eles! Esses são pecados berrantes!

Não estou agora procurando pelas falhas de cada um. Nós as tivemos diante de nossos olhos e houve alguns que protestaram contra eles há muito tempo! Afirmo que esses pecados da comunidade, em parte, trouxeram o castigo sobre nós!

Mas, amigos, estou inclinado a pensar que nosso tipo de pecado é o mais repugnante. Observe hoje o pecado dos ricos. Como os pobres são oprimidos! Como os oprimidos são necessitados! Em muitos lugares, o salário médio dos homens está muito aquém do valor pago. Nesta época há muitos homens que olham para seus companheiros apenas como enfermos trampolins para a riqueza. Ele constrói uma empresa da forma como faria um caldeirão. Ele está prestes a desenvolver sua própria riqueza. “Explore-o”, ele não passa de um empregado pobre! Ele pode viver com uma ninharia ao ano. Explore-o\ Existe um pobre cronometrista, que tem uma família grande. Não importa, um homem pode ser obtido por menos, explorem-no lá dentro! Aqui estão as dezenas, centenas e milhares de pessoas que devem trabalhar. Coloquem-nos para trabalhar! Empilhem a fornalha, fervam o caldeirão, agite-o. Não dê atenção a seus gemidos. O choro retido dos trabalhadores emudecidos pode chegar aos céus, mas isso não importa, porque nosso ouro está a salvo! A lei da oferta e da demanda nos apoia, quem, então, nos atrapalharia? Quem ousaria cuidar do desgaste nos rostos dos pobres?[20] Senhores de algodão e grandes mestres devem ter o direito de fazer o que quiserem com seu povo, não? Ah, mas vocês, grandes homens da terra, existe um Deus e esse Deus disse que Ele pratica a retidão e julgamento para aqueles que são oprimidos! As costureiras no seu porão, os alfaiates na suas espeluncas, o artesão na sua fábrica abarrotada, os servos que merecem a vossa riqueza e sofrem com vossa opressão, esses serão ouvidos por Deus e Ele os visitará! “Escuta, tu, o castigo”. E por causa disso que o castigo cairá sobre vocês!

Observa, agora, o pecado dos comerciantes. Já houve alguma época em que os comerciantes ingleses tiveram maiores quedas em sua integridade? A maioria deles, acredito, é honesta até o âmago.

Mas não sei afirmar quem entre eles o são. Não podemos confiar em ninguém nestes tempos. Você empilha suas companhias e ilude milhares de pessoas. Você agrupa o dinheiro dos tolos. Você o espalha aos ventos e quando o pobre lhe pede ajuda, você o informa que tudo foi embora, mas para onde? Oh, Inglaterra, já foi outrora verdadeira, correta e honesta! Os homens não poderiam lhe chamar de outra coisa senão de “Pérfida Albion” [21] •. Mas agora, oh, Grã-Bretanha, ai de ti! A não ser que se restabeleça, quem poderá confiar em você? Deus visitará essa nação por tal ato e vocês observarão que essa será uma das coisas que ele lhes fará lembrar quando jogar o castigo contra vocês.

Muitos de vocês aqui são pobres. Vi vocês sorrindo quando falei dos ricos. Chegarei a vocês também. Se devemos nos humilhar como nação hoje, vocês também tem motivo para se humilharem! Ah, meu Deus, há uma multidão de homens que espera não muito de seus empregadores, pois são servidores, para agradar aos homens, e não com singeleza de coração para servir ao Senhor! Fossem os homens empregados melhores, seus senhores também o seriam. Muitos de vocês que estão aqui hoje são os melhores do mundo em erguer paredes quando querem manter-se ocupados, mas quando chega o tempo de receber o salário, roubam-no por qualquer outra coisa! E quantos são os que estão nos chamados postos inferiores – que Deus perdoe o homem que inventou essa palavra, porque nenhum aqui é melhor ou pior perante o Juiz da terra – quantos por aí não sabem o que significa olhar para Deus e dizer “Apesar de Ele ter-me feito um servo, cumprirei o meu trabalho e servirei o meu senhor e o meu Deus com toda a minha força”. Muitos são os pecados do pobre! Humilhem-se junto com os ricos! Curvai vossas cabeças, chorem por suas iniquidades, pois por essas coisas Deus nos visita e você ouvirá Sua vara de punição.

A mim é impossível dirigir-me a todos os pecados da mesquinhez, da falsidade, da intolerância, da lascívia, da carnalidade, do orgulho, da cobiça e da preguiça os quais infestam essa terra! Tentei enumerar os principais e rogo a Deus para que nos livre deles!

E agora, “Ouça a vara”. Oh, Igreja de Deus, o castigo caiu e nós a escutaremos! Temo ao pensar que seja a Igreja a maior pecadora! Estou querendo dizer “a Igreja” estabelecida pela Lei? Não, refiro-me à Igreja de Cristo como corpo! Nós, acredito, temos negligenciado nossos deveres. Por muitos anos púlpitos nunca foram condescendentes com homens de baixo nível. Nossos ministros eram ótimos e altivos. Eles entendiam a importância da retórica, eles tinham toda a grandeza da lógica. Para as pessoas eles foram guias cegos e cães estúpidos – pois as pessoas não entendiam o que eles diziam – nem os respeitavam! As igrejas adormeceram. Eles se cobriram com o manto da ortodoxia e dormiram nela. E enquanto Satã devorava o mundo e tragava suas vítimas, a Igreja ficou imóvel e perguntou, “Quem é o meu próximo?” e não se despertou para servir a Deus. Espero já tenhamos visto o início de um avivamento.[22] Nesse último ano tem-se visto mais pregações do que em qualquer outro desde os dias dos apóstolos! Estamos tumultuando escolas irregulares[23] na tentativa de fazer o

bem. Mas, de uma forma ou de outra, a Igreja está acordada apenas pela metade. Temo que ainda durma. O, Igreja de Deus! Acorda! Acorda! Acorda, porque o castigo verdadeiramente caiu em Sua casa. “Ouvi a vara e quem a ordenou” Tivemos muitos castigos, amigos! Tivemos muitas grandes aflições e de fato a carregamos por certo tempo.

Agora termino esse sermão dizendo “Deem atenção ao castigo quando ele mais uma vez retornar”. Acreditamos que em pouco tempo nossos soldados nos trarão a paz e a vitória com suas espadas triunfantes.[24] Nós confiamos que talvez nesse mesmo dia, uma grande luta está sendo travada e uma grande vitória será ganha. Pareço ouvir hoje o grito dos triunfantes guerreiros. Acho que poderemos ouvir a trombeta da vitória até agora. A hora da oração é muitas vezes a hora da libertação! De qualquer modo, acredito que quando essa grande nuvem negra for soprada para longe, temo que vocês esqueçam o sufoco pelo qual passamos. Você orará hoje, mas orará também quando a vitória chegar? Você comprará fogos de artifício para comemorar, não é? E assim que você agradecerá a Deus! Você teve uma vitória sobre um inimigo poderoso e a paz foi estabelecida, suas ofertas em cumprimento de um voto consistiam em foguetes e iluminações, grandes oferendas ao Deus Supremo! Se um pagão estivesse aqui, ele diria “O Deus deles é o Deus da humilhação, não o Deus da vitória; o Deus deles é um Deus dos transtornos, certamente não o Deus das bênçãos, pois eles O esquecem quando recebem livramento”. Lembro-me bem da última vez que a cólera varreu suas ruas, vocês correram às igrejas e oraram![25] O terror estampou-se em seus semblantes e muitos de vocês clamaram por libertação. E, pela misericórdia de Deus, ela veio. E o que vocês fizeram? Ai de sua religiosidade, a qual foi embora como a nuvem matinal e o sereno. Assim ocorrerá novamente. Isso não passa de abundância de água. Está perplexo, mas logo se recupera e todas as marcas são apagadas. Assim ocorre nessa terra. Acredito que seja dessa forma com cada um de nós, mesmo que em graus diferentes. Quão costumeiramente ficamos nós deitados em nossas camas com cólera, febril ou com alguma outra doença que nos ameaçou levar-nos embora? Nós oramos. Comunicamo-nos com o ministro. Devotamo-nos a Deus. Nós juramos que se Ele nos curasse, viveriamos melhor. E aqui está você, ouvinte, da forma como estava antes de sua doença! Você esqueceu seu juramento. Mas Deus não esqueceu. Suas resoluções foram preenchidas no Céu e no Dia do Julgamento, Deus as pegará e dirá 11Eis aqui uma promessa solene quebrada. Aqui está outra jura

esquecida, outra resolução feita na enfermidade e quebrada depois da recuperação!” Acredito que se nossa humilhação terminar hoje, esse dia seria uma grande piada. Com alguns de vocês, a promessa nem mesmo começará e, portanto, não terminará, tendo em vista que nem sequer começou! Mas a massa que vai orar hoje, eles vão orar em uma semana? Não! Eles vão a caminho de empilhar novamente a lenha do fogo de seus pecados sobre a pilha de vingança, estar perto e chorar porque o fogo está queimando, o fogo que eles próprios têm acendido!

Oh, ouvintes, permitam falar-lhes até o âmago de seus corações. E que Deus use de minha língua para falar contra suas consciências de forma tão pesada quanto os soldados britânicos agem contra seus inimigos! Quantos de vocês têm sido despertados, convictos do pecado, da justiça e do juízo? Quantas vezes vocês prometeram que iriam se arrepender? Quantas vezes você já declarou que ouviu a vara e que você iria se voltar para Deus? E ainda assim você tem sido mentiroso ao Todo-Poderoso! Você tem defraudado o Altíssimo! E enquanto a dívida não foi paga ela ainda está desonrada. Tremei! Deus ainda pode ferir você! E se hoje você é um desprezador de Cristo, lembre-se, você não tem nenhuma garantia de que você estará neste mundo mais uma hora! Podem, antes que o sol se ponha, se postarem diante da corte do seu Criador. E então? E então? E então? Padecer pela eternidade não é nada aliviante. Ser lançado nas chamas do Inferno é um grave pagamento. Convertei-vos, convertei-vos, convertei-vos. “Por que morrerás, oh, casa de Israel?” Arrependa-se! “Para os tempos de ignorância humana, Deus fechou os olhos, mas agora ordena que todos os homens se arrependam.”

E lembrem-se que quando Deus dá arrependimento e fé, Ele ajunta bênçãos para esses. “Jesus Cristo, filho de Davi” foi pregado no Cruz. Ele morreu para que não morréssemos e a fim de que, para todo cristão, as portas do céu estivessem abertas. Para todos os arrependidos, o caminho para o paraíso está livre. Pecador! Você acredita? Se sim, Deus apaga o seu pecado. Seja feliz! Alma! Você se arrepende? Então está salvo! Deus lhe ajudou a se arrepender e na medida em que Ele ajuda, Ele prova o quanto lhe ama!

O, se conseguir ganhar alguma alma para Cristo hoje, o que darei em gratidão? O que tudo isso significa para mim? É um trabalho extra, nada mais. Para isso eu não trabalho. Deus é minha testemunha, eu não procuro vocês. Nunca pronunciei uma palavra sequer a fim de ganhar o sorriso de qualquer pessoa. Quando Deus me enviou ao ministério, Ele me ordenou que não temesse homem algum, e ainda não encontrei nenhum homem que tenha me desencorajado a falar do Evangelho de Deus. Tampouco eu procurei agradá-lo! Também não procurei reuni-lo aqui. Eu prego o Evangelho, e que Deus me abençoe com algumas almas como recompensa! E se apenas um pobre pecador olhar para Jesus, batam as asas, anjos! O suficiente foi feito, porque Deus foi honrado!

Terminei meu sermão, mas quero fazer lhe fazer um apelo: oferte generosamente. Existe alguém que more na Inglaterra e se recusa a ajudar os compatriotas sofridos? Não! Não existe tal homem, não tal bretão! Existe algum canalha tão miserável e sem coração que, quando Deus lhe tiver dado o suficiente, calará seu coração para a compaixão com aqueles cujos filhos e filhas foram assassinados e que, eles próprios, escaparam por um triz da morte? Não! Não os caluniarei com tal suposição. Não posso acreditar que tenho tamanho monstro aqui! Quando a caixa das ofertas passarem por você, dê o quanto você pode arcar. Se for um centavo, que dê. Você que é rico não deve dar centavos, entretanto. Há muito um homem disse “Essa é a minha bagatela”. Ele valia cem mil libras e isso, de forma alguma, era uma bagatela. Se ele tivesse dado mil libras, isso teria sido uma bagatela para ele! Dê o quanto você puder arcar. Que Deus lhe conceda um espírito generoso.

O seguinte coro[26] foi então cantado:

Glória, honra, louvor e poder,

Sejam dados ao Cordeiro sempre.

Jesus Cristo é o nosso Redentor!

Aleluia. Amem.”

Depois disso, tendo a bênção apostólica sido pronunciada, o serviço terminou.

Mais de 24.000 pessoas estavam presentes nessa pregação. E o montante coletado para o Fundo de Assistência Indiano foi de quase £500, com mais £25 dados pela senhorita Nightingale. A Companhia Palácio de Cristal contribuiu com um adicional de £200, resultando num total de quase £725.

ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO.
PARA TRAZER MUITOS AO CONHECIMENTO DA
SALVAÇAO EM JESUS CRISTO.

[1]  Essa foi a maior congregação reunida no ministério de Spurgeon para ouvir um único sermão (N.R)

[2]  A Revolta dos Cipaios (também Cipais, Sipaios,) de r857 foi um período prolongado de

levantes armados e rebeliões na índia setentrional e central contra a ocupação britânica daquela porção do subcontinente. Pequenos incidentes de descontentamento em janeiro, envolvendo incêndios criminosos em acantonamentos, foram os precursores da rebelião. Posteriormente, uma revolta em grande escala estalou em maio e tornou-se uma guerra aberta nas regiões afetadas.                                                                 (Wikipédia)

[3] Hino: BEFORE JEHOVAH’S AWFUL THRONE: composição Isaac Watts, The Psalins ofDavid, 1719. Versão adaptada por John Wesley. (Wikipédia)

[4] Sobre a vitória da Inglaterra sobre a Invencível Armada A armada era composta por 130 navios bem artilhados, tripulados por 8 ooo marinheiros, transportando 18 ooo soldados e estava destinada a embarcar mais um exército de 30 ooo infantes. No combate no Canal da Mancha em 29 de julho de 1588, os Ingleses impediram o embarque das tropas em terra, frustraram os planos de invasão e obrigaram a Armada a regressar contornando as Ilhas Britânicas. Na viagem de volta, devido às tempestades, até metade dos navios se perdeu. (Wikipédia)

[5]   Referência a Conspiração da Pólvora, quando Guido Fawkes, um soldado conspiracionista católico romano foi preso; objetivo dele e do grupo que pertencia era explodir o parlamento inglês utilizando trinta e seis barris de pólvora estocados sob o prédio durante uma sessão em 5 de novembro de 1605 na qual estaria presente o rei e todos os parlamentares. Guy Fawkes, como especialista em explosivos, seria responsável pela detonação da pólvora. (Wikipédia)

[6] Referência a Napoleão Bonaparte e as Guerras Napoleônicas, da qual a Inglaterra era a grande adversária da França (Nota do Revisor)

[7] A época, a Rainha Vitória I (1837 -1900) (N.R)

[8]Hino O God, Our Help in Ages Past, de Isaac Watt, é uma paráfrase do Salmo 90. Ela consistiu inicialmente de nove estrofes. Em 1738, John Wesley em seu hinário, Salmos e Hinos, mudou a primeira linha do texto de “Nosso Deus” para “ó Deus”. 0 hino era originalmente parte dos Salmos de David imitado na linguagem do Novo Testamento, publicado por Watts em 1719. Neste livro, ele parafraseou em letra cristã todo o saltério com exceção de 12 salmos que ele sentiu foi inadequado para uso cristão. (Wikipédia e Hynn) Handel e Bach se utilizaram da letra em suas composições, e esse hino foi entoado no serviço de oração de 14 de setembro de 2001, em Washington, por conta dos ataques de 11 de setembro. (N.R)

[9] Os Cipaios (do híndi shipahi, “soldado”) eram soldados indianos que serviam no exército da Companhia Britânica das índias Orientais, sob as ordens de oficiais britânicos. As revoltas começaram por conta de insatisfações, punições exageradas e suspeitas de desrespeitos aos costumes hindus e mulçumanos por parte dos britânicos. (Wikipédia)

[10]   Realmente, nem toda índia se rebelou, e alguns apoiarem os Ingleses temendo a volta do Império Mongol (Wikipédia)

[11]A índia não era um país unificado, antes dividido em muitas monarquias independentes e controles britânicos, um movimento unificado de libertação nacional só surgiría no século XX. (Wikipédia)

[12] Lutas foram travadas a céu aberto nas ruas de Délhi, mas o mais singular para os ingleses, foi em Julho de 1857, um grupo de Indianos cipaios que havia tomado um forte em Kanpur e feito reféns mulheres e crianças massacrou barbaramente esses reféns, mesmo depois de prometer um salvo conduto; esse tipo de ação foi tomada pelos britânicos como justificativa que os revoltosos deviam ser detidos e julgados. (Wikipédia)

« No caso de Kanpur, os revoltosos foram executados, e em outros casos, idem. Porem, depois das revoltas, a reação britânica em represália foi tanto exagerada como esses casos nas revoltas

u Spurgeon foi uma voz isolada quanto à lamentação da vingança, pois depois dos massacres de Delhi e Kanpur, a imprensa e o governo de Londres clamavam por vingança. (Wikipédia e N.R)

O Governo da índia era exercido de fato pela Companhia das índias Ocidentais, com vista à exploração da terra com subornos e prejuízos aos indianos em troca de altos lucros (N.R)

[16] A doutrina de preempção, definida pelo governador-geral Dalhousie, impunha a convalidação, pela autoridade britânica, dos sucessores tradicionalmente adotados pelos dirigentes locais sem herdeiros do sexo masculino. Na prática, a convalidação não era dada e os territórios eram anexados pelos britânicos após a morte do dirigente, como nos casos de Satara (1848), Jhansi (1853) e Nagpur (1854). Muitos principados se revoltaram por conta também de ser uma quebra das tradições locais. Embora alguns Estados mantivessem uma independência

nominal e continuassem a serem governados pelos respectivos marajás, rajás, nababos etc. (Wikipédia)

r7 Spurgeon deveria estar informado das práticas que os hindus praticavam, como os infanticídios de meninas e os suicídios de viúvas nas piras crematórias de seus maridos. Os ingleses reprimiam alguns casos, pois os indianos se revoltaram em parte por conta disso, mas talvez por tolerarem alguns costumes deles, como no caso dos cartuchos de armas impuros para os hindus que provocou as primeiras revoltas em janeiro de 1857, Spurgeon acreditasse que isso era algo inadmissível em vista da religião mesma. (Wikipédia) (N.R)

[18] Agapemone: aparente referência a um movimento religioso fundado por Henry Prince, em 1846, na Inglaterra, e que seu sucessor, John Hugh Smyth-Pigott, se considerava Cristo encarnado; o Agapemone era uma casa onde Prince e Pigott tinha esposas espirituais, que depois, se mostraram mais que isso, pois desses casamentos espirituais, nasceram alguns filhos carnais ilegítimos… (Wikipédia)

!9 Holywell Strett, aparentemente era uma rua em Londres era onde havia venda de livros imorais libidinosos, e existiam tabernas e bares; como Spurgeon cita depois, aparentemente eram ruas onde a prostituição era oferecida a céu aberto (N.R e pesquisa na Web)

[20] A Segunda Revolução Industrial fazia com que os trabalhadores trabalhassem horas e horas a baixo s salários, provocando a injustiça social reclamada aqui (n.R)

[21]  Pérfida Albion é uma expressão utilizada para referir-se ao Reino Unido, ou somente a Inglaterra, em termos hostis e anglófobos. Albion é a designação da Grã-Bretanha em grego antigo.

0 termo foi cunhado pelo poeta e diplomata francês, de origem espanhola, Augustin Louis Marie de Ximénèz (1726-1817) no seu poema L’ere des Français (publicado em 1793), no qual exortava o ataque à “pérfida Albion” nas suas próprias águas. (Wikipédia)

[22]  Em 1859, seria o denominado “Ano do Grande Avivamento” da Escócia, Gales e parte da América (N.T)

  • Escolas irregulares eram escolas de caridade dedicadas à educação gratuita de crianças carentes do século 19 na Inglaterra. As escolas foram desenvolvidas nos bairros das cidades em rápida expansão industrial. Em 1844, a União Escolas Ragged foi criada para combinar recursos em todo o país, oferecendo ensino gratuito, alimentação, vestuário, alojamento e serviços de outra casa de missionários para estas crianças. (Wikipédia)
  • A Revolta dos Cipaios foi vencida, e em agosto de 1858, a coroa britânica assumiu o governo da índia, um secretário de Estado foi designado para tratar de assuntos indianos e o vice-rei da índia passou a ser o chefe da administração local. A companhia foi abolida e os britânicos procuraram integrar os governantes nativos na administração colonial. Em 1877, a Rainha Vitória foi estabelecida como Imperatriz da índia. (N.T e Wikipédia)
  • A Cólera assolou Londres em 1856, levando muitos a clamarem por libertação e socorro. (n.R)

[26] Coro Glory, honor, praise and Power, de Teodulfo de Orleans (750?- 821) religioso e santo católico espanhol que chegou a ser nomeado bispo de Orleans. (Wikipédia e Hynn)

 

 

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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