O PLANO DE ABRAAO DA ERRADO – A Vida de Abraão

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O PLANO DE ABRAAO DA ERRADO – A Vida de Abraão

Alguma vez você já passou por momentos em que sentia-se bem quanto ao seu relacionamento com Deus e, de repente, tudo parecia ruir? Você havia entregue a sua vida ao Senhor, estava deçidido a segui-lo por completo e, quando menos esperava, tudo parecia estar dando errado.

Seja bem-vindo ao clube dos cristãos! Essa não é uma experiência nova. Logo quando você pensava que tudo estava em ordem espiritualmente, acabou encarando uma crise, um verdadeiro teste de fé. Foi isso que aconteceu com Abraão logo depois que ele decidiu obedecer a Deus por completo e atravessou o deserto escaldante entrando em Canaã. Isso aconteceu antes que Deus aparecesse para ele e confirmasse a promessa de que daria aquela terra nova a Abraão (Gn 12:7). Essa situação ocorreu após o patriarca ter respondido em adoração, construindo um altar para o Senhor (w. 7,8). A crise veio de maneira rápida e inesperada. Lemos apenas: “Havia fome naquela terra” (v. 10).

SENHOR, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Até onde sabemos, Abraão nunca havia se deparado com fome antes, nem em Ur e tampouco em Harã, já que ambas eram áreas prósperas e produtivas. Imagine o que deve ter passado pela cabeça dele. “Eu

vim até aqui para ver isso, Senhor? Eu lhe obedeci cm tudo. Pensei que esta deveria ser uma terra de bênçãos!” Pense sobre as reclamações que ele ouviu daqueles que estavam próximos dele: “Abraão, eu disse que você estava louco quando decidiu vir para cá! Mas você preferiu obedecer ao seu Deus! Por quê? Então você acha que ele nos traria até aqui, para o deserto, a fim de nos destruir?”

Que ironia. Depois de sua numerosa caravana ter terminado de atravessar o deserto escaldante, Abraão agora se deparava com o perigo de serem totalmente eliminados, tanto os homens quanto os animais, bem no meio da terra que Deus havia prometido lhe entregar com suas bênçãos.

A maioria de nós tem a tendência de agir precipitadamente quando está sob pressão, em especial quando nossas necessidades humanas não estão sendo supridas, e mais rápido ainda quando estamos sofrendo pressões de outras pessoas. Abraão tinha de encarar esses dois problemas.

Ele decidiu agir rápido. Lemos que: “desceu, pois, Abrão ao Egito, para aí ficar, porquanto era grande a fome na terra” (v. 10). Abraão foi para o sul. Para ser mais exato, ele se dirigiu ao sudoeste. Quando as coisas começaram a dar errado, ele não perdeu tempo em fazer algo para remediar isso.

EGITO – LUGAR DE REFÚGIO

Ao longo dos anos, o Egito havia se tornado um local de sobrevivência e refúgio para os filhos de Deus. Muitos anos depois os irmãos de José o venderam como escravo para o Egito, onde ele acabou se tornando o primeiro-ministro. Através daquela experiência, Deus usou José para prover comida para seus irmãos c para seu pai idoso quando eles também passaram por uma fome similar enquanto viviam em Canaã (Gn 42:1,2). Séculos depois, o Egito também se tornou um lugar de refúgio para Jesus Cristo quando Herodes tentou tirar a sua vida (Mt 2:13).

Portanto, não é surpresa que Abraão tivesse procurado naquele lugar um refúgio para sua família. Mas tentar evitar que eles morres

sem de fome não era o principal problema de Abraão. Infelizmente, ele decidiu resolver o assunto sozinho e agiu sem consultar a Deus, aquele que o havia levado para a Terra Prometida. Em outras palavras, Abraão tomou uma decisão centrada simplesmente em si mesmo.

Se Abraão tivesse buscado a Deus para obter instruções mais específicas durante a crise, é possível que, mesmo assim, o Senhor o houvesse enviado para o Egito. Mas certamente lhe daria uma estratégia específica de como encarar os problemas que encontraria quando chegasse lá. Também é possível que Deus tivesse outros planos para Abraão.

Quando Deus quer suprir as nossas necessidades de modo milagroso, não existe limite para o que ele pode fazer. Pense sobre os vários modos criativos usados pelo Senhor para demonstrar isso. O que você pensa do modo com que ele fez brotar água da rocha? E o maná que caía do céu ou as perdizes que vieram do mar? (Ex 16,17; Nm 11:31). E quanto às panelas de comida que nunca acabavam? (1 Rs 17). *

Muitos anos depois, Deus teve de fazer coisas como essas muitas vezes para os filhos de Israel, quando eles saíram do Egito e tiveram de atravessar o deserto. Se Abraão tivesse permitido que o Senhor fizesse esses milagres, pense no testemunho que ele estaria dando para os cananeus pagãos. Eles, sem dúvida, estavam rindo daquele estrangeiro que alegava ter acesso ao único Deus verdadeiro.

Parece que Abraão não deu uma oportunidade para que Deus demonstrasse o seu poder. Em vez disso, ele resolveu agir sozinho, optando por aquilo que acreditava ser a única alternativa. Por isso ele desceu para o Egito.

SAINDO DE UMA CRISE PARA ENTRAR EM OUTRA

Quando Abraão chegou ao Egito, ele teve de se deparar com outra crise. A realeza egípcia estava procurando por belas mulheres. Se as mulheres eram casadas e os maridos resistiam, os guerreiros simplesmente assassinavam os esposos e tomavam as mulheres cativas, para serem parte do harém de seus senhores. Já que Sara, mesmo tendo

65 anos, ainda era uma mulher muito atraente, Abraão estava preocupado, pois tinha motivos para isso.

Se o relato de Paulo no capítulo um de Romanos descreve o mundo nos dias de Abraão — como eu acredito —, então a humanidade como um todo já havia se deteriorado por completo. Abraão não era tolo. Ele sabia o que motivava aqueles homens, por isso estabeleceu um plano para se proteger. A Bíblia nos diz: “Quando se aproximava do Egito, quase ao entrar, disse a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher de formosa aparência; os egípcios, quando te virem, vão dizer: É a mulher dele e me matarão, deixando-te com vida. Dize, pois, que és minha irmã, para que me considerem por amor de ti e, por tua causa, me conservem a vida” (Gn 12:11-13).

O plano de Abraão estava baseado numa racionalização bastante intrigante. Sara era sua meia-irmã (11:29; 20:12). Ela era filha de seu pai, mas não da mesma mãe. Portanto, a declaração de Abraão para os egípcios era uma meia-verdade. Sara era sua irmã, mas também sua esposa (20:12).

A esposa que Faraó conquistou

Quando Abraão e Sara passaram as fronteiras do Egito, os espiões de Faraó rapidamente viram Sara. Sua beleza natural, além de suas características de estrangeira, fez dela um alvo fácil para aqueles mercenários que também buscavam receber um favor especial do rei do Egito. Além disso, é um fato histórico que os homens egípcios não eram tão atraídos pelas mulheres egípcias quanto pelas mulheres de outras culturas. De maneira insensível e egoísta, des acreditavam que as mulheres egípcias envelheciam muito cedo. Embora nós reprovemos esse tipo de pensamento machista, essa era a realidade nos dias de Abraão.1 Infelizmente, vemos isso acontecer em nossa cultura quando um homem mais velho se divorcia de sua companheira de toda vida e decide casar com uma mulher mais jovem e passa a exibi-la como uma espécie de “troféu”.

Seguindo as regras do jogo

Faraó perdeu pouco tempo ouvindo o relatório completo. O texto nos diz: “Viram-na os príncipes de Faraó e gabaram-na junto dele; e a mulher foi levada para a casa de Faraó” (12:15).

Já que Abraão havia estabelecido um plano com antecedência, ele não ofereceu resistência, e tampouco Sara. Ambos cooperaram totalmente, algo que agradou a Faraó. Tanto que ele recompensou Abraão com “ovelhas, bois, jumentos, escravos e escravas, jumentas e camelos” (v. 16). Fica evidente que Sara fez tudo o que pôde para desempenhar o seu papel, já que Faraó, “por causa dela, tratou bem a Abrão” (v. 16).

Para muitos de nós, é difícil entender o raciocínio de Abraão. Ele tinha um forte desejo de salvar a sua vida, e essa era a sua motivação. Por isso ele estava disposto até a abrir mão de sua esposa. Mas também, se levarmos em consideração a imaturidade espiritual de Abraão e a cultura a que ele estava acostumado, não é difícil entender esse tipo de pensamento e suas ações. Não nos esqueçamos que Sara saiu do mesmo ambiente pagão em que Abraão vivia. Seus padrões de moral não estavam baseados nas leis de Deus. Isso ficou bastante claro quando mais tarde ela ofereceu sua serva a Abraão para que ele pudesse gerar dela o filho prometido.

Não sejamos presunçosos quanto a essas situações. Pense sobre os homens típicos do século XXI, a respeito de quem lemos diariamente nos jornais e que são apanhados fazendo coisas enganosas, adulterando, abandonando suas esposas e até mesmo cometendo assassinatos. Sabemos também que alguns homens de negócios exibem suas mulheres como se fossem troféus. Infelizmente, alguns crimes que ocorrem por causa de sexo têm sido cometidos por homens que ocupam algumas das posições mais altas no governo. Enquanto estava escrevendo este livro, um dos senadores mais famosos dos Estados Unidos acabou perdendo o seu cargo graças ao grande número de denúncias a respeito de seu comportamento sexual.

Não nos esqueçamos de que alguns homens que alegam ser servos de Deus também são culpados disso. Pense por alguns momen-

tos sobre os escândalos que já envolveram alguns evangelistas famosos. Em muitos aspectos nossos corações não são diferentes dos deles, apesar de seguirmos as tradições judaico-cristãs.

UM ERRO GRAVE

Como já vimos, existem muitos motivos pelos quais Abraão fez o que fez. Mas ele não agiu do modo correto. Ele cometeu um erro sério. Se tivesse consultado ao Senhor, talvez Abraão tivesse sido o primeiro homem que Deus usaria para enviar uma mensagem poderosa aos egípcios: existe só um Deus, e ele quer alcançar todos os homens. Em vez de emitir julgamento sobre aquelas pessoas, o que acabou acontecendo, o Senhor poderia ter estendido a sua graça através de Abraão.

Veja bem, se Abraão tivesse permitido que Deus preparasse o caminho para ele no Egito, sua estratégia estaria centrada no Senhor, em vez de girar ao redor do homem. No entanto, Abraão estava agindo de cabeça quente. E se comportava daquela maneira desde que decidira ir para o Egito para evitar a fome em Canaã. Mas Deus, por ‘ sua graça, como ele tão freqüentemente fez em toda a história do Antigo Testamento, interferiu para livrar Abraão da situação difícil que ele estava vivendo. .

A PACIÊNCIA E A FIDELIDADE DE DEUS

A paciência e a fidelidade de Deus na vida de seus filhos é algo que sempre nos impressiona e nos encoraja (12:17-13:4). Isso é especialmente verdade quando o Senhor separa alguém para cumprir um propósito especial. Nenhum propósito era mais especial do que a salvação do mundo. Este é o motivo principal pelo qual Deus escolheu a Abraão.

Apesar das falhas de Abraão, Deus enviou julgamento sobre Faraó pelos seus pecados. Lemos que “o Senhor puniu Faraó e a sua casa com grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão” (Gn 12:17).

De algum modo, Faraó descobriu toda a verdade e não perdeu tempo em chamar Abraão diante de sua presença. Estando face a face

com aquele nômade, ele fez algumas perguntas incisivas e depois lhe deu uma ordem. Veja o que disse Faraó: “Que é isso que me fizeste? Por que não me disseste que era ela tua mulher? E me disseste ser tua irmã? Por isso, a tomei para ser minha mulher. Agora, pois, eis a tua mulher, toma-a e vai-te” (w. 18,19).

Vemos que a graça de Deus é maravilhosa quando Abraão recebeu a permissão de manter os servos e os animais que o Faraó havia lhe dado em troca de Sara. E, além disso, homens de Faraó conduziram Abraão para fora do Egito e de volta para Canaã, o lugar onde ele deveria estar. Ironicamente, Deus acabou usando pagãos para levar o seu servo de volta para o caminho correto (v. 20).

APRENDENDO OUTRA LIÇÃO

Abraão parecia ter aprendido bem essa lição. Quando ele voltou ao lugar onde havia construído o altar, novamente “invocou o nome do Senhor” (13:3,4). Isso, claro, era o que ele deveria ter feita desde o início.

Mais uma vez devemos lembrar que aquele homem era apenas um iniciante na sua caminhada com Deus. Clamar pelo nome do Senhor e o adorar eram experiências totalmente novas para um homem que durante a maior parte de sua vida se curvou diante de ídolos de madeira e pedra. Naqueles primeiros anos, tanto Abraão como Sara cometeram alguns erros graves. O fato mais encorajador para nós é que Deus ajudou pacientemente aquele casal a aprender com seus próprios erros.

TORNANDO-SE UM HOMEM DE DEUS HOJE

Princípios de vida

Quando teve de lidar com uma grande crise, Abraão não agiu tão bem quanto poderia para cumprir a vontade de Deus. Porém, como você e eu teríamos respondido no lugar de Abraão? Mais importante ainda: podemos descobrir a vontade de Deus hoje e evitar os mesmos erros de Abraão? Existem pelo menos quatro lições importantes que

podemos aprender com a vida de Abraão e sua decisão de descer até o Egito.

• Princípio 1: Iremos nos deparar com crises periódicas em nossas vidas cristãs, mesmo quando estivermos seguindo totalmente a Deus.

Mesmo que não seja algo agradável, essa é a única maneira pela qual muitos de nós crescemos espiritualmente. Temos a tendência de parar de crescer quando não precisamos lidar com conflitos e problemas. Devemos esperar que eles ocorram. Lembre-se de que algumas dessas crises são testes que o Senhor permite que venham sobre nossas vidas, pois ele deseja nos preparar para fazermos uma obra ainda maior para ele.

Circunstâncias naturais

Outras crises acontecem pelas circunstâncias naturais da vida. Devemos ter em mente que o princípio do pecado está agindo neste mundo. Como cristãos, somos vítimas do meio no qual vivemos. Devemos esperar que surjam dificuldades — físicas, mentais e espirituais. Lembremo-nos de que ainda não fomos glorificados. Continuamos vivendo num corpo que também sofreu a influência do pecado (Fp 1:22). Nesse tipo de situação devemos nos lembrar das palavras que o apóstolo Paulo escreveu aos coríntios: “Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial” (2 Co 5:1,2).

Desobediência

Entretanto, uma das maiores lições que podemos aprender com Abraão é que, quando estamos fora da vontade de Deus, seguidamente temos de nos deparar com crises. Ainda bem que o Senhor deseja, de uma maneira graciosa e amável, nos levar de volta para Canaã. Mesmo que muitas vezes isso seja uma experiência dolorosa, demonstra a disciplina amorosa de Deus em nossas vidas.

Quando isso ocorrer, seja cuidadoso. Devido à sua fidelidade, Deus algumas vezes irá continuar derramando as suas bênçãos, apesar de nossa desobediência, do mesmo modo que fez com Abraão. Nesses momentos, nossa tendência é racionalizar e continuar a viver no mundo, é persistir em violar a vontade divina, segundo ela está revelada em sua Palavra. Devido à graça de Deus, os resultados desse tipo de comportamento pecaminoso não são imediatos. Mas, no final, o Senhor irá nos disciplinar porque ele nos ama. Talvez um dos preços mais altos que tenhamos de pagar pela desobediência só apareça muitos anos mais tarde, quando nossos filhos estiverem crescidos e decidirem agir do mesmo modo egoísta que nós, o que os fará ser bastante parecidos conosco, ou até mesmo piores.

Uma triste história

Estava pensando sobre um homem cujo pai é um pastor bastante conhecido, pelo menos em alguns ambientes. Todos sabem que seu pai está vivendo uma vida dupla e tentando encobri-la. Infelizmente, ele conseguiu convencer com suas mentiras hipócritas muitas pessoas a quem ele ministrava. Devido à poderosa estrutura que aquele homem conseguiu construir para se proteger, é quase impossível para as pessoas confrontá-lo, embora existam sérias evidências de que ele esteja vivendo uma vida imoral e sem ética.

Seu filho cresceu e acabou se tornando igual a seu pai. Na verdade, os seus pecados são ainda maiores do que os de seu pai. Isso me lembra de Acabe que se tornou rei de Israel e fez com que os pecados de Jeroboão parecessem quase coisas triviais.

A história não termina aqui. Os outros filhos daquele pastor resolveram agir como ele e se desviaram da vontade de Deus. Uma de suas filhas, que eu conheço bem, abandonou completamente sua família para se entregar a alguns dos mesmos pecados. Eu nunca vou esquecer do que ela me disse um dia: “O que mais odeio em meu pai é o mesmo que eu estou fazendo agora”.

Que alto preço a ser pago pela desobediência! Nós podemos aparentemente continuar impunes enquanto vivemos em nosso pecado, mas no final iremos nos deparar com uma disciplina severa, se não

for em nossas próprias vidas, poderá ser nas vidas de nossos filhos. E esse é um terrível preço a ser pago.

• Princípio 2: Quando nos deparamos com crises, sempre seremos

tentados a tomar medidas drásticas para resolver nossos problemas.

Deus honra ações bem pensadas e responsáveis. No entanto, podemos facilmente nos envolver em problemas por causa da satisfação que desfrutamos em nosso ego quando tentamos resolver nossos problemas sozinhos. Por outro lado, por termos a tendência de muitas vezes sermos inseguros e temerosos ao tomar decisões, podemos nos omitir e deixar de cumprir com nossas responsabilidades humanas. E difícil, porém necessário, achar o equilíbrio entre esses dois extremos.

Não há dúvidas para qual extremo Abraão foi quando teve de lidar com a fome em Canaã. Esse é, na verdade, o erro mais comum que cometemos por sermos homens. Freqüentemente nos deixamos guiar pelo ego e falhamos em pedir ajuda para Deus. Porém, na maioria das vezes, isso nos causará sérios problemas. Uma coisa é certa: quando isso acontecer, não iremos experimentar as maiores bênçãos que Deus tem para nossas vidas.

• Princípio 3: A fidelidade e paciência de Deus continuam em nos-

sas vidas, não importam as nossas decisões.

Isso é verdade porque Deus nos chamou para sermos seus filhos. Ele nos deu a vida eterna. Ele nos prometeu que nunca nos abandonaria nem nos esqueceria. Quero enfatizar que nossa tentação é interpretar a fidelidade e a bênção de Deus como sendo uma confirmação de que ele não está insatisfeito com o nosso comportamento.

Como é fácil racionalizar: “Estou fazendo mais dinheiro agora do que antes”; “Eu realmente me sinto bem e estou seguro sobre esta decisão”; “Estou muito satisfeito com este relacionamento”; “Se Deus estivesse insatisfeito, ele certamente iria parar de me usar na vida das outras pessoas .

Como as emoções e as circunstâncias podem ser enganosas! Nunca devemos nos aproveitar da graça e do amor de Deus. Em resumo: iremos colher aquilo que plantarmos.

• Princípio 4: Devemos seguir a ordem divina do Senhor para determinar qual é a sua vontade para nossas vidas.

Consulte a Deus

Baseado naquilo que já sabemos a respeito da comunicação de Deus com Abraão, é possível concluir que ele provavelmente poderia ter recebido uma palavra diretamente de Deus ao perguntar o que fazer no meio daquela fome em Canaã. Quando estamos lidando com uma crise, nós também podemos consultar a Deus, especialmente através da Palavra que ele já revelou para nós. Devemos consultar as Escrituras cuidadosamente, buscando as diretrizes e princípios que irão nos guiar para fazermos a vontade dele. Quando tivefmos de tomar uma decisão, devemos sempre perguntar: “Existe alguma coisa na Palavra revelada de Deus, a Bíblia, que poderia nos ensinar qual é a decisão certa ou errada?”

Devemos ser cuidadosos, no entanto, para não usar a Bíblia como um livro mágico. Por exemplo, alguns cristãos simplesmente abrem as Escrituras em certo lugar e colocam os olhos sobre determinado versículo. Então usam aquela passagem fora de seu contexto para tomar uma decisão. Isso é uma clara violação do princípio de sã consciência que encontramos nas Escrituras (2 Tm 1:7).

Deus quer que examinemos as Escrituras regularmente para descobrir qual é a vontade dele (At 17:11). O salmista disse que um homem sábio tem prazer na lei do Senhor e “na sua lei medita de dia e de noite” (SI 1:2). A Palavra de Deus revelada é a principal maneira que devemos usar para direcionar nossas vidas hoje. Nesse sentido temos uma grande vantagem sobre Abraão, pois ele ouvia Deus falar apenas em determinadas ocasiões.

Mas você pode estar perguntando: “Não podemos consultar diretamente a Deus?” A resposta5 é sim, pois Tiago escreveu: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos

dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg 1:5). Porém, devemos sempre combinar esse tipo de oração com o estudo das Escrituras, já que a Palavra de Deus está repleta da sabedoria divina. Além disso, devemos acreditar que recebemos sabedoria diretamente de Deus. Precisamos sempre confrontar essa sabedoria com os ensinamentos das Escrituras. Qualquer pensamento ou idéia que contradiga a Palavra de Deus não pode estar vindo dele.

Consulte outros cristãos maduros

Temos também outra importante vantagem sobre Abraão, pois ele não tinha ninguém mais com quem conversar a respeito de Deus. Naqueles tempos não existia “justo, nem um sequer”. Ninguém entendia a vontade de Deus e ninguém estava buscando a Deus. O apóstolo Paulo, citando o salmista, disse: “A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura”. E também: “não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm 3:13,14,18).

Hoje em dia não apenas temos as Escrituras, mas a maioria de nós está cercada de cristãos maduros que podem nos ajudar e auxiliar a determinar qual é a vontade de Deus. Este princípio de consultar outros membros maduros do corpo de Cristo é ilustrado por todo o Novo Testamento. Veja algumas das seguintes exortações:

Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria.

Colossenses 3:16

Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.

Hebreus 10:24

Pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.

Hebreus 3:13

O corpo operante de Cristo é uma das realidades maravilhosas que tiveram início no dia de Pentecostes. Jesus Cristo é o cabeça da

Igreja. E “de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo ajusta cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (Ef 4:16).

Observe as circunstâncias cuidadosamente

Devemos fazer a nós mesmos os seguintes questionamentos: “Isso faz sentido?”; “E lógico e racional?”; “Existe um padrão?”; “O que irá acontecer se eu tomar esta decisão?”; “Quais são as vantagens que obterei para minha vida e minha família?”; “Quais são as desvantagens?”. E, mais importante de tudo: “Como essa decisão irá afetar a minha vida espiritual e minha maturidade?”

As circunstâncias são importantes para determinar a vontade de Deus. Algumas vezes Deus deseja que passemos por essas circunstâncias através da reflexão cuidadosa. Porém, em outras ocasiões ele quer que esperemos para ver o que ele irá fazer. A questão é que ele sempre deseja que o consultemos através de sua Palavra, da oração e busquemos aconselhamento com outros cristãos maduros erA quem confiamos. Quando seguirmos esse procedimento com maior fre-qüência, iremos aprender o que fazer, particularmente ao tomarmos decisões sobre assuntos que as Escrituras nada dizem.

Tome cuidado com os sentimentos

Quando estamos tentando tomar uma decisão não é errado pensar sobre como nos sentimos, mas devemos ser extremamente cuidadosos. Imagine por apenas um momento o que teria acontecido se Jesus Cristo tivesse baseado a sua decisão de ir para cruz apenas em suas emoções. Ele provavelmente não continuaria em frente, e podemos entender o porquê. A dor íntima que Jesus sentiu no jardim do Getsêmani era tão intensa que a sua transpiração caía ao solo como gotas de sangue. Ele orou para que o cálice de sofrimento e morte que ele deveria beber fosse afastado dele, mas as palavras que disse para o Pai naquela oração servem como um guia para todos nós: “Não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lc 22:42).

A emoção pode ser algo bem enganoso quando temos de tomar decisões. Até porque nossa tendência humana é colocar nossos senti-

mentos como prioridade, em vez de deixá-los como a última coisa a ser considerada.

Qualquer decisão que envolve uma incerteza (e a maioria delas envolve) gera sentimentos negativos. Durante muitos anos os psicólogos têm reconhecido esses elementos no processo de tomada de decisão como sendo “conflitos de aproximação-afastamento” e sentimentos dúbios. Isso faz parte do ser humano. É como uma dor de cabeça, todos experimentam as emoções negativas, tanto cristãos como não-cristãos .

Esses sentimentos confusos são bem previsíveis. Quando estamos tomando uma importante decisão, especialmente em meio a uma crise, sempre iremos experimentar sentimentos positivos e negativos ao mesmo tempo. Além disso, quanto mais perto chegamos de tomar a decisão, mais forte as emoções negativas se tornam. Quanto mais distantes estamos de tomar uma decisão, mais forte as emoções positivas se tornam. Isso, por sua vez, faz com que seja mais fácil tomar aquela decisão.

Eu tenho visto esse problema de ambivalência ocorrer em especial na vida de pessoas mais maduras que continuam solteiras. Quanto mais distante estão da decisão de se casar, mais confortáveis se sentem a respeito dessa perspectiva. Porém, quanto mais perto eles estão de dizer “sim”, mais forte as emoções negativas se tornam.

Quando vistas a certa distância, eles podem considerar todos os aspectos positivos do casamento: amor, segurança, um lar, filhos, etc. No entanto, quanto mais perto estão de tomar uma decisão, mais intensas se tornam as emoções negativas e passam a pensar sobre as responsabilidades, a perda de certas liberdades, a possibilidade de fracasso, etc.

Infelizmente, muitos cristãos equiparam essas dinâmicas espirituais com serem guiados pelo Espírito Santo. Quando eles têm sentimentos negativos, acreditam que o Espírito Santo está dizendo não. Eles sentem que ele já tirou deles a sua paz tanto no coração quanto na mente.

Por outro lado, quando têm sentimentos positivos, eles sentem que o Espírito Santo está dizendo sim, dando a eles paz em seu cora-

ção e mente. O maior problema com esta estratégia para tomar as decisões é que ela faz parecer que o Espírito Santo está sendo ambivalente e instável. A verdade é que Deus nunca muda quando se trata de sua vontade, mas nós sim.

As mesmas dinâmicas espirituais envolvem a maioria das decisões que tomamos, escolhas vocacionais, qual a escola a que devemos ir, qual a igreja que devemos freqüentar, onde investir nosso dinheiro, como gastar nosso dinheiro, onde morar, etc. E por isso que devemos ter cuidado ao nos basearmos apenas em nossas emoções. Elas irão nos enganar. Na verdade, muitas decisões devem ser tomadas apesar das emoções negativas, pois sabemos que é a coisa certa a ser feita.

APLICAÇÃO PRÁTICA

As seguintes perguntas irão ajudá-lo a usar em sua vida as lições que acabamos de aprender com a decisão de Abraão em deixar Canaã e ir para o Egito:

1. Como eu reajo quando uma crise vem sobre a minha vida, mesmo quando estou tentando fazer tudo o que posso para seguir a Deus por completo?

2. Eu consigo distinguir entre uma crise que é normal e natural por causa das realidades desta vida daquelas que ocorrem porque eu estou saindo da vontade de Deus?

3. Estou racionalizando a minha desobediência porque não tenho experimentado a disciplina de Deus em minha vida?

4. Se, por um lado, ajo baseado em meus próprios esforços e habilidades, e, por outro, estou simplesmente deixando de buscar a Deus e negligenciando as responsabilidades humanas que Deus já me colocou, então, até que ponto estou colocando em equilíbrio as tomadas de decisões por não ir a nenhum dos extremos?

5. Até que ponto estou seguindo a ordem de Deus em determinar qual é a sua vontade para a minha vida?

• Passo 1: Ao consultar as Escrituras.

• Passo 2: Ao consultar outros cristãos maduros, lembrando que “na multidão de conselheiros há segurança” (Pv 11:14b).

• Passo 3: Ao avaliar cuidadosamente as circunstâncias no ambiente em que vivo, mas não permitindo que elas controlem minha decisão.

Passo 4: Ao não permitir que os meus sentimentos e emoções se sobressaiam e determinem completamente qual é a decisão sábia e qual não é.

Estabeleça um objetivo

Enquanto você lê novamente os princípios destacados neste capítulo e faz a si mesmo as perguntas que sugerimos, reflita: Em qual área em particular você deveria prestar atenção na sua tentativa de determinar qual é a vontade de Deus? Por exemplo, talvez você esteja confiando demais em suas próprias emoções, ou seja, o que você sente a respeito de uma situação em particular. Ou talvez você permita que as circunstâncias o enganem, ou o mantenham distante para desenvolver uma estratégia adequada para driblar essas circunstâncias. Por outro lado, você pode ser aquele tipo de pessoa que nunca desiste! Você sempre tenta driblar as circunstâncias, sem perceber que Deus pode estar querendo que você passe mais tempo buscando a vontade dele através da sua Palavra e em oração.

Seja qual for a sua necessidade particular, estabeleça um objetivo pessoal:
Memorize o seguinte texto bíblico

Procure memorizar esta passagem das Escrituras para ajudá-lo a alcançar o seu objetivo:

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.

Salmo 1:1,2
Crescendo juntos

Estas perguntas destinam-se a discussão em pequenos grupos de estudo:

1. Você estaria disposto a compartilhar uma situação de crise

particular, quando sentiu que violou um dos princípios que estudamos ao tomar uma decisão específica? Caso afirmativo, você se importaria de compartilhar os resultados de sua decisão? -[

2. Existe alguma crise em particular com que você está tendo de lidar no presente? Você gostaria que lhe contássemos «as nossas experiências para lhe ajudar a tomar a sua própria decisão?

3. Você teve uma experiência a respeito de tomada de decisão que poderia compartilhar conosco sobre quando não obedeceu à seqüência divina para que se determine a vontade de Deus? Por exemplo, você pode não ter consultado a Palavra de Deus de maneira adequada. Ou você pode estar confiando demasiadamente em sua própria habilidade de tratar com as circunstâncias. Talvez tenha tomado a decisão sozinho. Ou quem sabe confiou demasiadamente em seus sentimentos a respeito daquela situação.

Compartilhe o que aconteceu por você ter violado esta seqüência divina em algum momento do processo de tomada de decisões.

4. Existe alguma área em específico na qual você quer tomar decisão e gostaria de compartilhar conosco para que pudéssemos estar orando juntos?

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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