O Pentateuco

Capítulo 8 – Autoridade sobre demônios e não sobre a vontade
25/07/2014
Composição Literária
27/07/2014

Os cinco primeiros livros da Bíblia formam um conjunto que os judeus denominam “LEI”, ou TORÁ. O primeiro testemunho certo desta denominação encontra-se no prefácio do ECLESIÁSTICO, e ela já era de uso corrente no começo da nossa era, por exemplo, no N.T. (Mt.5:17; Lc.10:26; cf. Lc.24:44).

O desejo de obter cópias manejáveis desse grande conjunto fez com que de dividisse seu texto em cinco rolos de tamanho quase igual. Daí provém o nome que lhe foi dado nos círculos de língua grega: he pentateuchos (subentendido bíblos), “O livro em cinco volumes”, que foi transcrito em latim como Pentateuchos (subentendido liber), donde a palavra portuguesa PENTATEUCO. Por sua vez, os judeus de língua hebraica deram-lhe também o nome de “os cinco quintos da Lei”.

Essa divisão em cinco livros é atestada antes de nossa era pela versão grega dos Setenta. Esta __ e seu uso se impôs á igrejas __ intitulada os volumes segundo o seu conteúdo:

 

GÊNESIS – porque começa pelas origens do mundo;

ÊXODO – porque começa com a saída do Egito;

LEVÍTICO – porque contém a lei dos sacerdotes da tribo de Leví;

NÚMEROS –  por causa dos recenseamentos dos caps. 1-4;

DEUTERONÔMIO – “ou a segunda lei”, de acordo com uma interpretação   grega de Dt.17:18.

 

Mas em hebraico os judeus designavam, e designam ainda, cada livro pela primeira palavra, ou pela primeira palavra importante, de seu texto.

O Gênesis divide-se em duas partes desiguais:

 

1ª- (1-11) narra a história primitiva sendo, assim, como o que o pórtico da história da salvação, da qual a Bíblia inteira vai falar:

A- Remonta ás origens do mundo e estende sua perspectiva á humanidade inteira.

B- Relata a criação do universo e do homem.

C- A- queda original e suas conseqüências.

D- A perversidade crescente, castigada pelo dilúvio. A partir de Noé,  a terra se repovoa, mas listas genealógicas cada vez mais restritas concentram finalmente o interesse em Abraão, pai do povo eleito.

 

2ª- (12-50) é formada pela história  dos patriarcas; ela recorda a figura dos grandes ancestrais:

 

Abraão, o homem da fé, cuja obediência é recompensada por Deus, que promete, para ele, uma posteridade e, para seus descendentes, a Terra Santa(12:1; 25:18).

Jacó, o homem da astúcia, que suplanta seu irmão Esaú, rouba a bênção de seu pai Isaac e vence em esperteza seu tio Labão. Mas de nada lhe serviriam todas essas habilidades, se Deus não o tivesse preferido a Esaú desde antes de seu nascimento e não lhe tivesse renovado as promessas da aliança concedidas  a Abraão (25:19; 36:43). Entre Abraão e Jacó, Isaac é uma figura bastante apagada, cuja vida é narrada sobretudo em vista da de seu pai ou de seu filho.

Os doze filhos de Jacó são os ancestrais das Doze Tribos de Israel. A um deles é consagrado todo o final do Gênesis: os caps. 37 – 50 (menos 38 e 49) são uma biografia de José.

José, o homem da sabedoria. Esta narração, que difere da s precedentes, se desenvolve sem intervenção, mas ela toda é uma lição: a virtude do sábio é recompensada e a Providência divina converte em bem as faltas dos homens.

 

O GÊNESIS forma um todo completo: é a história dos antepassados. Os três livros seguintes formam um outro bloco, no qual, dentro do contexto da vida de Moisés, narram-se a formação do povo eleito e o estabelecimento de sua lei social e religiosa. O Êxodo desenvolve dois temas principais:

 

1º- A libertação do Egito (1:1 – 15:21) .

2º-A Aliança no Sinai (19:1 – 40:38).

 

Esses temas são interligados por um tema secundário, a saber, a marcha através do deserto (15:22 – 18:27). Moisés, que recebeu a revelação do nome I hv H na montanha, é o condutor dos israelitas libertados da escravidão. Numa teofania impressionante, Deus faz aliança com o povo e lhe dita sua leis. Mal fora concluído, o pacto é violado pela adoração do bezerro de ouro, mas Deus perdoa e renova a Aliança. Uma série de prescrições regula o culto no deserto.

 

O LEVÍTICO, de caráter quase exclusivamente legislativo, interrompe a narração dos acontecimentos.

Contém: um ritual dos sacrifícios (1 – 7).

O cerimonial de investidura dos sacerdotes, aplicados a Aarão e seus filhos (8-10).

As normas referentes ao puro e ao impuro (11 – 15), que terminam com o ritual do grande dia das Expiações (16).

A “lei de santidade” (17 – 26), que inclui um calendário litúrgico (23) e se encerra com bênçãos e maldições (26).

Em forma  de apêndice, o cap.27 determina as condições do resgate das pessoas, dos animais  dos bens consagrados a I hv H.

 

O NÚMEROS retoma o tema da marcha pelo deserto. A partida do Sinai é preparada por um recenseamento do povo (1 – 4) e pelas grandes ofertas feitas para dedicação da Tenda da Reunião (7). Após a celebração da Segunda Páscoa, os israelitas deixam a montanha santa (9 – 10) e chegam, depois várias etapas; a Cades de onde fazem uma tentativa frustrada de penetrar em Canaã pelo sul (11). Depois da estada em Cades põem-se de novo a caminho e chegam ás estepes de Moab, em frente de Jericó (20 – 25). Vencidos os madianitas, as tribos de Gad e Rúben se estabelecem na Transjordânia (31 – 32). Uma lista resuma as etapas do Êxodo (33). Em torno dessas narrações são agrupadas prescrições que completam a legislação do Sinai ou que preparam o estabelecimento em Canaã (5 –6; 15 – 19; 26 – 30; 34 –36).

 

O DEUTERONÔMIO tem uma estrutura particular: é um código de leis civis e religiosa (12:1 – 26:15), enquadrado num grande discurso de Moisés (5 –11 e 26:16 – 28:68). Este conjunto, por sua vez, é precedido de:

 

1º- Um  discurso de Moisés (1 –4).

2º-De um terceiro discurso (29 – 30) e também de trechos referentes ao fim de Moisés:

Missão de Josué.

Cântico e bênção de Moisés.

A morte de Moisés (31 – 34).

 

O código deuteronômico retoma, em parte, as leis promulgadas no deserto. Os discursos recordam os grandes acontecimentos do Êxodo, do Sinai e da conquista que estava começando; salientam seu sentido religioso, sublinham o alcance da lei e exortam á fidelidade.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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