O MOMENTO MAIS EMBARAÇOSO DA VIDA DE SARA – A Vida de Abraão

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10/06/2015
Lucas 5:12-14 – Little Drops #18
10/06/2015

O MOMENTO MAIS EMBARAÇOSO DA VIDA DE SARA – A Vida de Abraão

Leia Gênesis 18:1-15
Ao mesmo tempo em que estou escrevendo estas palavras, existe um grande movimento acontecendo entre os homens nos Estados Unidos. Ele se chama Promise Keepers (“Guardiães da Promessa”). Esse movimento foi fundado por Bill McCartney quando ele ainda era o treinador do time de futebol americano da Universidade do Colorado. Desde então esse movimento tem crescido rapidamente. Milhares de homens vêm se reunindo em grandes estádios durante os finais de semana para serem inspirados e encorajados a se tornarem homens que fazem a diferença por Jesus Cristo.

As mulheres cristãs, em sua maioria, estão animadas com esse movimento. Durante anos, muitas delas estiveram aguardando e orando para que os maridos se tornassem líderes espirituais em seus lares e igrejas. Infelizmente, nem todas as mulheres estão igualmente satisfeitas. Algumas estão confusas e até mesmo assustadas pelo novo fervor demonstrado por seus maridos e seu compromisso em fazer a vontade de Deus. Por usa vez, alguns desses maridos não parecem entender por que as esposas não se mostram tão entusiasmadas e alegres quanto eles, sem perceberem que demora tempo para convencer nossos cônjuges de que realmente estamos diferentes. Isso é verdade principalmente quando no passado não fomos os líderes espirituais de deveriamos ter sido.

A EXPERIÊNCIA DE ABRAÃO COMO UM “GUARDIÃO DA PROMESSA”

Em muitos aspectos, Abraão teve de encarar essa situação com sua esposa Sara. Mesmo que tivesse permanecido ao seu lado todos aqueles anos, ela estava confusa sobre o que estava acontecendo na vida deles. Isso parece ser verdade especialmente depois do erro que cometeram durante 13 anos.

Abraão estava passando naquele momento por sua própria experiência como um “guardião da promessa”. Só que daquela vez era Deus o “guardião da promessa”. Ele apareceu a Abraão quando este tinha 99 anos e lhe disse claramente: “Farei uma aliança entre mim e ti” (Gn 17:2). Em outras palavras, Deus assegurou mais uma vez que iria cumprir sua promessa de dar a Abraão um filho, não através de uma mãe “substituta”, mas sim através de sua esposa Sara.

INFORMAÇÃO DE SEGUNDA MÃO

Até onde sabemos, Deus nunca falou diretamente com Sara do modo como falava com Abraão. Mesmo que ela tivesse seguido seu marido, deixando a segurança de Ur para ir até uma terra que nem ela nem Abraão tinham qualquer informação a respeito. Mesmo que ela certamente deve ter sentido muito medo e ansiedade, deixou um ambiente seguro em Harã e seguiu Abraão para atravessar o deserto escaldante. Quando eles chegaram a Canaã e desceram até o Egito, ela passou pela experiência da humilhação de ser parte do harém de Faraó.

Durante toda aquela jornada, Sara tinha suportado os altos e baixos emocionais e espirituais de seu esposo. Ela conhecia as promessas que Deus havia feito a ele, mesmo que tivesse de acreditar no que o esposo lhe dizia a respeito delas. Ela tentou até mesmo ajudá-lo ao entregar-lhe sua serva, mas o plano não deu certo. Para dizer a verdade, após o nascimento de Ismael, ela deve ter passado a ocupar um lugar secundário no coração e na mente de Abraão. Afinal de contas, aquele era o único filho que “eles” tinham, algo valioso para todos os pais que viviam naquela cultura. Naquela situação, Ismael

era ainda mais especial já que ambos acreditavam ser ele o filho da promessa.

Agora, 13 anos mais tarde, Sara descobriu que tudo havia sido um erro. Ela não conseguia ignorar que até mesmo o bem que tentara fazer estava sendo criticado. Sara estava com 90 anos, e Abraão havia acabado de contar-lhe que ouvira a Deus novamente. Desta vez deixava bem claro que ela concebería, mesmo em sua velhice. Sara estava cética, talvez até mesmo amargurada com a vida difícil que estava tendo desde que veio para Canaã. Ela queria desesperadamente ser parte do plano de Deus, mas, quando tentou, acabou falhando.
O CETICISMO DE SARA

O diálogo a seguir é apenas ficção. Mas, tendo em vista o que sabemos a respeito dessa história do Antigo Testamento, certamente reflete o que Sara devia estar pensando e sentindo naquele momento de sua vida, especialmente após Abraão ter tentado convencê-la de q‘ue ela teria um filho em sua velhice. Vamos escutar o que pode ter ocorrido:

Sara: – Isso não faz sentido, Abraão! Você teve outra daquelas alucinações. Eu cheguei a pensar que você tinha esquecido esses problemas. Já faz 13 anos desde que você pensou ter ouvido a voz de Deus. Eu realmente acho que suas “conversas” com Deus têm ocorrido apenas em sua imaginação.

Abraão: – Eu sei que é difícil de acreditar, Sara, mas eu o vi.

Eu realmente vi a Deus. Ele apareceu para mim e pude ouvir a sua voz, do mesmo modo que 13 anos atrás. Não foi uma alucinação.

Sara: – Bem, o que você pensa que ele disse desta vez?

Abraão: — Nós cometemos um erro, Sara. Um erro sério. Eu nunca deveria ter tentado fazer um filho com Agar. Deus me disse de forma bastante clara que é você quem deveria ser a mãe de meu filho, o descendente prometido.

Sara: — Eu? Agora tenho certeza que você está louco, Abraão.

Você sabe que eu não posso ter filhos. Nunca pude. E mesmo 13 anos atrás isso seria impossível.

Abraão: — Foi naquela época que cometemos nosso erro. Não é algo impossível para Deus. Ele é o Deus Todo-Podero-so. Ele pode fazer com que isso ocorra, até mesmo neste momento.

Sara: (Balançando a cabeça) — Abraão, você está completamente fora de si? Já esqueceu quantos anos eu tenho? E olhe para você mesmo!

Abraão: – Sara, você tem 90 anos de idade e eu, 99. Eu sei disso! Na verdade, isso sempre fez parte do plano que ele elaborou. Nosso filho será uma criança milagrosa, uma criança nascida em nossa velhice.

Sara: – Como você sabe disso?

Abraão: – Deus me disse.

Sara: – Deus lhe disse! Deus lhe disse! Abraão, eu estou cansada dessa história. Eu tentei ajudar a Deus e também tentei ajudar você. Lembra-se? Eu lhe dei Agar, a minha própria serva. E o que foi que eu ganhei? Quando ela ficou grávida, zombou de mim. Ela riu de mim. E quando eu a expulsei -com a sua permissão – Deus apareceu para ela e a enviou de volta com aquele seu filho selvagem. (Pausa) Você sabe, Abraão, aposto que foi ela que inventou toda essa história. Deus nunca falou com ela. Ela só queria era voltar para a nossa casa. O porquê é que eu queria…

Abraão (falando de uma maneira bastante confortante, porém firme): — Sara! Sara!

Sara (começando a chorar) – Eu sinto muito, Abraão. Estou tão confusa. Minha intenção era boa, mas acabou não dando certo. Acho que estou muito amargurada.

Abraão (abraçando Sara carinhosamente, esperando até que o choro parasse): – Eu sei como você se sente. Esses 13 anos têm sido bastante difíceis para todos nós. Mas Deus não nos esqueceu, Sara. Eu acho que apenas o entendi mal. A culpa foi minha, não sua, que tudo isso aconteceu.

Sara: — Eu quero acreditar em você, Abraão. Quero acreditar que Deus realmente vai fazer um milagre. Mas, neste momento, (pausa) eu não consigo.

ELA CONTINUAVA SEM ACREDITAR

Pelo texto bíblico, uma coisa é certa: Sara ainda não estava convencida que ela podia conceber e ter um filho na sua velhice, o que é compreensível. Ela realmente tinha uma boa intenção quando deu Agar a Abraão. Então, quando o plano deu errado e Deus falou diretamente com Agar, algo que Sara não havia experimentado, ela deve ter sentido todo tipo de emoções negativas: ciúmes, raiva e até mesmo amargura. Afinal de contas, ela era humana. Mas, como veremos mais tarde, Deus não estava insensível aos pensamentos e sentimentos de Sara. Ele estava trabalhando na vida dela assim como na de Abraão. Sara era tão importante para o plano de Deus quanto seu marido. Afinal de contas, aquela mulher seria a mãe do descendente prometido.
A ÚNICA OPÇÃO ERA ESPERAR

O que Abraão deveria fazer? Ele enfrentou outro sério dilema (Gn 18:1-8). Ele acreditava em Deus, mas a sua mulher não. Como ele podia convencê-la de que aquela experiência era real e que Deus realmente iria cumprir com a sua palavra?

Não havia muito que Abraão pudesse fazer a não ser orar e esperar. Ele tinha de entregar o problema totalmente a Deus. Ele tinha 99 anos de idade e era incapaz de tomar parte no plano de Deus sem que experimentasse um milagre em sua própria vida.

Mas isso era mais do que uma experiência que pressionava Abraão. Ele também havia aprendido uma lição muito importante. Deus estava realmente falando sério. O que ele promete, ele cumpre. O Senhor honra a nossa fé.

Abraão aguardou, com o coração cheio de esperança. E Deus não o desapontou: “Apareceu o Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre, quando ele estava assentado à entrada da tenda, no maior calor do dia” (18:1).

O relato bíblico diz que três homens se aproximaram da tenda de Abraão, mas ele imediatamente passou a centrar a sua atenção naquele que ele sabia ser Deus e disse: “Senhor meu, se acho mercê em tua presença, rogo-te que não passes do teu servo” (ISA).

Mesmo que fosse comum na cultura oriental correr para se encontrar com um estranho e curvar-se diante dele para demonstrar hospitalidade, a expectativa e a alegria de Abraão ultrapassaram a cortesia usual. Ele andava clamando ao Senhor em oração, buscando a sua ajuda para resolver o dilema que estava enfrentando naquele momento? Eu acredito que sim. A súbita aparição do Senhor não pareceu pegar Abraão desprevenido. Ele respondeu como se estivesse esperando que algo como aquilo ocorresse.

A tática empregada pelo patriarca, fazendo que aqueles homens se detivessem por algum tempo ali é bastante humana e até mesmo engraçada. O próprio Senhor devia estar sorrindo por dentro quando Abraão os convidou para ficar e comer algo – para ser mais literal, “um bocado de pão” – e acabou correndo para matar um novilho gordo (18:4-8). Depois de ter visto que aqueles homens concordaram em ficar para um lanche rápido, Abraão foi pessoalmente supervisionar a preparação de um grandioso banquete. Em nossos dias é como se um convite para comer hambúrgueres se transformasse em, digamos assim, um jantar luxuoso com filés e todos os acompanhamentos possíveis.

As Escrituras falam por si mesmas:

Apressou-se, pois, Abraão para a tenda de Sara e lhe disse: Amassa depressa três medidas de flor de farinha e faze pão assado ao borralho. Abraão, por sua vez, correu ao gado, tomou um novilho, tenro e bom, e deu-o ao criado, que se apressou em prepará-lo. Tomou também coalhada e leite e o novilho que mandara preparar e pôs tudo diante deles; e permaneceu de pé junto a eles debaixo da árvore; e eles comeram.

Gênesis 18:6-8

Abraão sabia que ele estava recepcionando El-Shaddai. Ele também sabia que o Senhor Todo-Poderoso era o único que podia resolver seus problemas familiares e ajudar a ele e Sara terem um filho.

BISBILHOTAR PODE SER ALGO EMBARAÇOSO

Após a refeição, o Senhor voltou sua atenção para o motivo principal pelo qual havia aparecido a Abraão perto dos carvalhais de Manre.

No momento certo, os três visitantes levantaram a questão: “Sara, tua mulher, onde está?” (18:9).

O Senhor sabia que Sara estava sentada atrás de uma fina cortina de pêlos de camelos dentro da tenda, escutando intencionalmente a conversa. Obviamente, para beneficiá-la o Senhor repetiu sua promessa a Abraão para que ela pudesse ouvir: “Disse um deles: Certamente voltarei a ti, daqui a um ano; e Sara, tua mulher, dará à luz um filho” (18:10).

Imagine a resposta de Sara quando ela, de repente, ouviu o seu nome. Mesmo que de maneira indireta, a mensagem de Deus chegou até ela alto e bom som. Sara, claro, não tinha nem idéia com quem estava falando. Por isso, quando ouviu aquelas palavras, achou-as engraçadas. Era um pensamento tão ridículo — e também engraçado. Enquanto ria-se “no seu íntimo” Sara pensou: “Depois de velha, e velho também o meu senhor, terei ainda prazer?” (18:12).

O plano de Deus estava correndo segundo o programado. Ele não foi pego desprevenido com os pensamentos dela. Deus entendeu a dúvida e o ceticismo que controlavam o coração daquela mulher. É por isso que o Senhor a surpreendeu, para fazê-la pensar seriamente a respeito. Ele estava acendendo uma fagulha de fé dentro dela. Veja bem, os pensamentos e a risada de Sara eram coisas interiores e inaudíveis. Além do mais, as cortinas de pêlo de camelo ocultavam dela qualquer indício de linguagem corporal negativa. Imagine a total surpresa quando o Senhor imediatamente perguntou a Abraão: “Por que se riu Sara?” (18:13).

A segunda pergunta feita pelo Senhor para que ela ouvisse deve ter penetrado profundamente no coração e na alma dela. Ao mesmo tempo que comunicava a Sara o milagre que faria, ele acabou realmente fazendo um milagre. Deus interpretou os pensamentos e emoções que estavam no coração e na alma de Sara. Sem dar qualquer indício visível ou audível, ele expôs o que estava dentro dela. O Senhor estava ensinando a Sara a mesma lição que havia ensinado anteriormente a Abraão: que ele era El-Shaddai, o Deus Todo-Poderoso, e que ele era capaz de fazer tudo, até mesmo aquilo que era contrário à natureza.

Essa foi a mesma abordagem utilizada por Jesus Cristo com o apóstolo Tomé. Após sua ressurreição, o Senhor havia aparecido para os outros dez discípulos. Mas Tomé não estava presente. Quando aqueles homens lhe contaram que haviam visto o Senhor, Tomé respondeu com total descrença: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei” (Jo 20:25).

Oito dias depois, o Senhor apareceu mais uma vez a seus discípulos, mas dessa vez Tomé estava junto com eles. Sem qualquer comunicação, sem ouvir qualquer relato dos outros apóstolos a respeito do que Tomé havia dito, Jesus caminhou diretamente até ele e disse: “Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente” (Jo 20:27).

Tomé também ficou impressionado. Quem contara ao Senhor o que ele havia dito? Ninguém tinha visto Jesus durante toda aquela semana. Naquele momento Tomé soube que Jesus Cristo o havia ouvido, mesmo sem estar presente quando ele falou. Ele sabia que só Deus poderia ter aquele tipo de conhecimento divino. Imediatamente o apóstolo confessou: “Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20:28).

UM MILAGRE MAIOR AINDA

A experiência de Sara foi tão dramática quanto a de Tomé — e talvez maior ainda. No caso dela não houve uma verbalização audível, apenas pensamentos e sentimentos íntimos. Não houve oportunidade para que qualquer pessoa comunicasse as reações dela, mesmo se mais tarde ela as compartilhasse com Abraão. Mesmo assim a resposta de Deus foi imediata — e instantânea.

Quando o Senhor perguntou a Abraão por que Sara havia rido e, mais especificamente, por que ela não acreditava que podia ter um filho na sua velhice, é compreensível que ela tenha dado uma resposta tomada pelo medo. Deus havia lido os seus pensamentos e os expressou verbalmente. Na verdade, ela estava tão assustada que mentiu, dizendo: “Não me ri” (Gn 18:15). Porém, mais uma vez a resposta do Senhor foi imediata: “Não é assim, é certo que riste”.

Não somos informados de quanto tempo demorou até que Sara conseguisse passar por cima de seu embaraço, abaixar a guarda, admitir a sua amargura e se livrar dos sentimentos de medo e ceticismo. Mas sabemos que ela acabou, no final, respondendo ao Senhor. O Espírito Santo nos afirma isso no Novo Testamento. Ela aparece na lista de heróis da fé do Antigo Testamento, juntamente com seu esposo Abraão. Lemos: “Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para ser mãe, não obstante o avançado de sua idade, pois teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa” (Hb 11:11).2

TORNANDO-SE UM HOMEM DE DEUS HOJE

Princípios de vida

• Princípio 1: Maridos e mulheres não estão sempre no mesmo nível no que diz respeito ao crescimento espiritual e maturidade. s.

Abraão ilustra como é fácil para um marido passar à frente de sua mulher, especialmente quando ele teve motivação e oportunidades para crescer espiritualmente que ela não dispunha. Todo homem casado deveria entender que isso pode acontecer e por que ocorre. Muitas vezes a melhor maneira de o marido se comunicar, sob essas circunstâncias, é demonstrar essas mudanças em sua vida através do modo como trata a sua mulher e não tentar mudá-la com mini-sermões. Ao mesmo tempo, ele deveria aguardar em Deus, orando para que o próprio Senhor convença sua mulher de que ela precisa procurar fazer a vontade divina.

O mesmo é válido quando a esposa é mais avançada espiritualmente do que seu marido. Infelizmente, muitas vezes é isso que ocorre. O apóstolo Pedro falou especificamente sobre esse assunto quando escreveu: “Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor” (1 Pe 3:1,2).

Pedro faz um contraste, usando essas poderosas palavras dirigidas aos homens: “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações” (1 Pe 3:7).

• Princípio 2: O nosso Deus continua sendo hoje o mesmo que era nos dias de Abraão.

Deus continua sendo onipotente e onisciente. Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre (Hb 13:8).

Isso não quer dizer que Deus sempre faz as coisas do mesmo modo. Através de toda a Bíblia — nosso único relato inerrante e totalmente correto das atividades de Deus — vemos uma variação nas manifestações do poder milagroso de Deus. Algumas vezes ele responde a orações específicas, em outras ocasiões age de maneira soberana, independentemente do envolvimento de homens.

Por exemplo, em certas ocasiões ele abriu a madre de mulheres que não podiam ter filhos. Como já vimos, Sara era uma dessas mulheres. No final de tudo, sabemos que essa foi a decisão de Deus. Ele não estava respondendo a pedidos humanos. Por outro lado, Ana também era estéril, mas orou fervorosamente para ter um filho, e Deus respondeu dando-lhe Samuel (1 Sm 1:12-20).

Maria, a mãe de Jesus, foi o instrumento usado por Deus para um de seus maiores milagres. Ela deu à luz a uma criança que não teve um pai humano. Isso também foi um ato soberano de Deus. Na verdade, em seu significado, às palavras usadas pelo anjo Gabriel a Maria foram quase idênticas às que Deus disse a Sara naquele dia perto dos carvalhais de Manre. Mesmo tendo ele perguntado a Abraão: “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18:14), a pergunta era para Sara. A resposta era obviamente negativa. Quando Deus falou com Maria através do anjo Gabriel, ele colocou juntas tanto a pergunta quanto a resposta numa declaração profunda e impactante: “Porque para Deus não haverá impossíveis” (Lc 1:37).

É importante entender que os eventos milagrosos não eram normativos, nem mesmo na Bíblia. Eles eram exceções no plano de Deus. O Senhor muitas vezes fez milagres quando assim desejou, de maneira soberana e com um propósito específico. Mas o fato de ele não passar por cima de suas leis naturais todos os dias não significa que não possa fazê-lo. Isso é válido para cada milagre registrado na Bíblia. Deus pode repetir todos eles a qualquer momento, em qualquer lugar e na vida de quem ele escolher.

• Princípio 3: Nas Escrituras, os acontecimentos sobrenaturais e a oração estão freqüentemente associados.

Mesmo que Deus possa optar por não fazer milagres o tempo todo, não há dúvidas de que a oração é uma experiência normativa para cada cristão. Além disso, muitas vezes a oração é associada cohi o poder de Deus para mudar as coisas, até mesmo passar por cima das leis naturais.

É por isso que Tiago encorajou os que estavam doentes.a chamar “os presbíteros da igreja” para que orassem por eles (Tg 5:14). Por esse mesmo motivo é que ele também incentivou os cristãos a confessarem seus pecados uns aos outros e orarem uns pelos outros para serem curados. Tiago também nos ensina que “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (v. 16).

Ninguém pode negar que a oração e o poder sobrenatural de Deus estão intimamente ligados nessa passagem das Escrituras. Mas, para ter certeza de que entendemos isso, Tiago usou uma ilustração do Antigo Testamento que demonstra claramente que Deus pode passar por cima das leis naturais: “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos” (Tg 5:17,18).

A oração e o poder de Deus estão definitivamente ligados. Entretanto, quando discutimos o poder da oração, é importante que tenhamos a perspectiva total de Deus. A seguir estão alguns outros princípios que servirão para nos orientar quando passarmos a tomar parte nessa atividade divina.

• Princípio 4: Enquanto estivermos vivendo nesta terra, nunca ire-

mos entender por completo a maneira que Deus opera em nossa vida.

A vontade de Deus e os seus caminhos estão acima dos nossos de maneira tal que podemos apenas ter um leve vislumbre de quem ele é e como age. Paulo expressou isso com profundidade em sua carta aos romanos: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11:33-36).

O profeta Isaías entendeu essa mesma verdade profunda no Antigo Testamento e registrou estas palavras: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55:8,9).

A questão é esta: como cristãos, não devemos ficar confusos e desiludidos por existirem aspectos na maneira que Deus age conosco que não podemos entender. Por outro lado, o Espírito Santo nos dá revelação suficiente em toda a Escritura para que possamos entender os caminhos de Deus o suficiente para orarmos e buscarmos sua ajuda em meio a nossos problemas humanos. E isso nos leva a outro princípio.

• Princípio 5: Para fazer com que os recursos divinos operem, deve-

mos sempre orar de acordo com a vontade de Deus.

O apóstolo João deixou essa questão bastante clara quando escreveu: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 Jo 5:14). É claro que a declaração de João nos conduz a uma pergunta bastante práti-

ca: Como sabemos se estamos orando de acordo com a vontade de Deus? O Senhor certamente pode revelar a sua vontade diretamente para qualquer um de nós, mas existe apenas uma maneira segura e garantida de tratar essa questão: devemos consultar as Escrituras, a revelação especial de Deus, para nos ajudar a descobrir os seus planos para cada um de nós.

Quando a vontade de Deus está clara

Por exemplo, eu não preciso orar: “Senhor, se for da tua vontade, restaura este casamento”. Eu já sei que é da vontade dele que o casamento seja restaurado. Deus já declarou isso claramente: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19:6). Além disso, não preciso orar: “Senhor, se for da tua vontade, ajuda este jovem a viver uma vida pura”. Deus já mostrou que ele deseja isso muitas vezes em toda a Escritura (1 Tm 5:22).

Quando a vontade de Deus nao está clara

Por outro lado, eu não posso orar: “Senhor, cura o problema de coração desta pessoa”, pois em lugar algum da Bíblia está escrito que Deus irá curar a todos os problemas físicos (ou emocionais). Se ele fizesse isso, algumas pessoas nunca morreriam devido às aflições que atingem a todos nós quando envelhecemos. Entretanto, eu posso sempre orar com confiança: “Senhor, se for da tua vontade, cura esta pessoa”. Devo acrescentar que também posso orar com confiança: “Senhor, dá a essa pessoa a graça necessária para que ela seja sustentada durante essa experiência”, independentemente de se Deus irá curá-la ou não. Veja bem, eu sei que Deus promete dar graça a seus filhos nessas situações difíceis. Essa é a sua vontade.

Já vi Deus curar pessoas algumas vezes, quando oramos de acordo com a sua vontade. Mas muitas vezes também vi o Senhor dar graça àqueles a quem ele não curou.

• Princípio 6: Deus é soberano e está no controle de todos os aspectos do universo, mas ele honra e respeita o nosso livre-arbítrio.

Esse é um mistério divino. Nunca entenderemos isso enquanto estivermos aqui na terra. Deus não força as pessoas a fazerem algo que elas não querem fazer, mesmo se essa for a sua vontade. Por isso, eu posso orar: “Senhor, muda a atitude de amargura daquela pessoa” e não preciso acrescentar: “se essa for a tua vontade”. Eu já sei que é da vontade dele que nenhum cristão seja amargurado (Ef 4:31,32). No entanto, se uma pessoa escolher ficar amargurada, o Senhor não irá forçar aquela pessoa a ser amável.

Também devemos nos lembrar que Deus pode escolher responder a nossas orações ao nos usar para confrontar aquela pessoa com sua amargura. Na verdade, é da vontade de Deus que nos aproximemos daquela pessoa de maneira amável e direta para fazê-la ver seu problema específico e tentar libertá-la de seu pecado (G1 6:1,2). Mesmo assim, não temos garantia alguma de que ela irá responder positivamente. Falando do ponto de vista humano, o Senhor optou por não violentar o nosso livre-arbítrio, mesmo que ele pudesse fazê-lo.

O Senhor colocou em cada uma de nós a responsabilidade para fazer o que é certo. É verdade que ele disciplina os seus filhos em amor, como uma maneira de fazer com que voltemos a fazer sua vontade (Hb 12:7,8). Entretanto, alguns cristãos nem mesmo dão uma resposta à disciplina de Deus. Eles optam por andar em seu próprio caminho e acabam pagando pelas conseqüências de seus pecados. Em alguns casos, Deus decide até mesmo levá-los para o céu (1 Co 11:27-32).
APLICAÇÃO PRÁTICA

Esta lista irá ajudá-lo a avaliar sua perspectiva do poder de Deus, assim como a maneira que você vê a oração. Marque com um “x” aqueles que possam estar interferindo no seu relacionamento com Deus:

I I Existe um pecado específico em minha vida que pode estar impedindo que Deus responda à minha oração.

I I Eu não oro regularmente, de maneira específica e persistente. Talvez seja por isso que tenho experimentado pouco o poder de Deus em minha vida.

I I Tenho uma visão falsa de Deus na qual tento manipulá-lo para fazer o que eu quero, em vez de buscar fazer a sua vontade.

| | Conheço tão pouco as Escrituras que tenho dificuldades em orar de acordo com a vontade de Deus.

I I Outro

Estabeleça um objetivo

Enquanto você revisa os princípios deste capítulo e observa a lista acima, estabeleça um objetivo pessoal. Por exemplo, pode haver um pecado específico em sua vida que pode estar impedindo que Deus responda às suas orações. Você percebe que, como um homem cristão e marido, sua atitude em relação a sua mulher pode ser esse pecado específico? Leia cuidadosamente o que Pedro escreveu: “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações” (1 Pe 3:7).

Seja qual for a sua necessidade, estabeleça um objetivo específico que irá ajudá-lo a experimentar o poder sobrenatural de Deus através da oração:
Memorize o seguinte texto bíblico

Procure memorizar esta passagem das Escrituras para ajudá-lo a alcançar o seu objetivo:

E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.

1 João 5:14

Crescendo juntos

Estas perguntas destinam-se a discussão em pequenos grupos de estudo:

1. De que maneiras você já recebeu respostas para suas orações?

2. Qual é a sua maior necessidade quando se trata de entender a oração?

3. Qual é a sua maior necessidade quando se trata de começar a orar?

4. Por que a oração e o poder de Deus são coisas difíceis de entender e explicar?

5. Quais os seus pedidos pessoais de oração?

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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