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O Ambiente Secular – Panorama do NT

Perguntas Normativas:

 

‑ Como é que as pessoas do primeiro século D.C. viviam, pensavam, falavam, trabalhavam, comiam, vestiam‑se, viajavam, estudavam e divertiam‑se?

‑ Quais diferenças havia entre a vida diária dentro e fora da Palestina?

 

A POPULAÇÃO JUDAICA

 

Tem‑se calculado que mais de quatro milhões de judeus viviam no Império Romano durante os dias do Novo Testamento, talvez 7% da população total do mundo romano. Mas dificilmente o número de Judeus que viviam na Palestina atingia a setecentos mil. Havia mais judeus em Alexandria, no Egito, do que em Jerusalém; e mais na Síria do que na Palestina! E mesmo em certas porções da Palestina (na Galiléia, onde Jesus se criou, e em Decápolis) os gentios eram mais numerosos do que os judeus.

 

IDIOMAS

 

O latim era a língua oficial do império romano, mas era o idioma usado principalmente no ocidente. No oriente, a língua franca (idioma comum) era o grego. Além do grego, os habitantes da Palestina falavam o aramaico e o hebraico, pelo que também Jesus e os primeiros discípulos provavelmente eram trilingües. (Uma opinião comum, mas provavelmente errada é que Jesus falava quase exclusivamente o aramaico. As evidências arqueológicas e literárias apontam para o trilingüismo. Ver R. H. Gundry, “The Language Milieu of First‑Century Palestine”, Journal of Biblical Literature. 83 (1964), ps. 404‑408.)

 

TRANSPORTES, COMÉRCIO E COMUNICAÇÕES

No campo dos transportes, do comércio e das comunicações a Palestina era bem pouco desenvolvida. Provavelmente o país não possuía estradas pavimentadas, embora houvesse diversas estradas principais. Uma dessas estradas partia de Jerusalém, na direção sudoeste, para Belém e Gaza, e outra partia de Jerusalém, na direção nordeste, para Betânia, Jericó e Damasco. Paulo estava percorrendo esta última quando teve sua visão de Cristo. A segunda estrada principal se separava da primeira na Transjordânia e atravessava Decápolis até Cafarnaum. A maioria dos judeus percorria essas duas estradas quando de viagem entre a Galiléia e a Judéia, a fim de evitar entrar em Samaria. Uma terceira estrada principal subia pela costa mediterrânea de Gaza a Tiro. Uma estrada secundária, na qual o Cristo ressurreto conversou com dois discípulos, seguia para além de Emaús até Jerusalém. A quarta estrada principal ia desde Jerusalém e seguia direto para o norte, atravessando Samaria e terminando em Cafarnaum. Ao longo dessa estrada foi que Jesus entabulou conversa com a mulher samaritana, à beira do poço de Jacó. Finalmente, a Via Maris (Estrada do Mar) partia de Damasco, atravessava Cafarnaum perto do mar da Galiléia e seguia na direção de Nazaré, prosseguindo até à costa do Mediterrâneo.

Embora na Palestina o sistema de estradas fosse comparativamente deficiente, por quase todo o império romano as rodovias eram famosas com razão. Eram construídas tão retas quanto possível, e muito duráveis. Os primeiros missionários cristãos usaram‑nas com grande proveito. O correio imperial transportava despachos governamentais por essas estradas. As empresas particulares tinham seus próprios mensageiros, que levavam suas mensagens. As pessoas viajavam a pé, em lombo de burro, a cavalo ou montadas em mulas, e usavam carruagens ou liteiras. Visto que as hospedarias à beira do caminho eram bastante sujas, as pessoas de posses dependiam de seus amigos para se alojarem. Era possível adquirir‑se mapas de turismo em forma de manuscritos, e até havia manuais de orientação para os turistas.

Por água é que se escoavam acima de tudo, os transportes comerciais. Visto que o Egito era o fornecedor de pão do império romano, Alexandria era o porto principal e o escoadouro dos cereais produzidos no Egito. Navios alexandrinos atingiam cerca de 60 m de comprimento, possuíam velas e levavam remos para casos de emergência. Um navio dos grandes podia transportar várias centenas de passageiros, em adição à carga. Paulo estava embarcado em um navio alexandrino quando sofreu naufrágio. Os navios de guerra eram mais leves e mais ligeiros. Escravos de galé brandiam os remos, havendo navios com duas a cinco fileiras de remos, e às vezes nada menos de dez fileiras. Barcaças cruzavam rios e canais.

Estradas, rios e o mar Mediterrâneo proviam as linhas de comunicação. O material de escrita para cartas e outros documentos era o papiro, os óstracos (pedaços quebrados de cerâmica) e tabletes recobertos de cera. Mas no caso de manuscritos importantes era empregado o couro ou o pergaminho. A maior parte das notícias era propagada oralmente pelos arautos ou em notificações públicas, colocadas em quadros de boletim.

 

SERVIÇOS PÚBLICOS

 

Alexandria contava com um bem desenvolvido sistema escolar. A biblioteca da cidade continha acima de um milhão de volumes. As escavações têm demonstrado que a cidade de Antioquia, na Síria, dispunha de dois quilômetros e meio de ruas dotadas de colunas, pavimentadas de mármore e com um completo sistema de iluminação noturna. As principais cidades do império contavam com sistemas de esgotos subterrâneos. Havia banhos públicos para todos: a admissão custava dez centavos. A princípio as pessoas costumavam tomar um banho só por dia; mais tarde, entretanto, alguns já estavam tomando quatro a sete banhos diários. Os banhos de chuveiro desde há muito tinham sido inventados pelos gregos.

 

AS MORADIAS

 

As casas de moradia da porção ocidental do império romano eram construídas de tijolos ou de concreto, pelo menos nas cidades. Os bairros mais pobres e as áreas rurais contavam com casas de madeira ou cabanas. Na porção oriental do império, as casas usualmente eram de estuco e de tijolos cozidos ao sol. Poucas janelas se abriam para a rua, porquanto nas cidades havia falta de um adequado policiamento que impedisse os assaltantes de vaguearem pelas ruas à noite ou penetrarem nas residências através das janelas. As moradias de melhor qualidade dispunham de entradas com portas duplas, algumas vezes com aldravas. Depois da porta havia o vestíbulo, além do qual se encontrava um espaçoso pátio central chamado atrium. Os telhados eram cobertos de telhas ou de palha. Na cozinha havia uma fornalha aberta, além de um forno de barro ou de pedras, que servia de fogão. Lâmpadas de azeite proviam iluminação. Serviços de encanamento de água e de aquecimento já eram bem desenvolvidos. Algumas casas contavam com uma fornalha central, de onde o ar era bombeado por meio de foles para diversas partes das mesmas. Muitos lavatórios romanos dispunham de água corrente, e as casas de Pompéia eram construídas com pelo menos um banheiro, e às vezes até dois. As paredes eram decoradas com murais. Nas cidades maiores as pessoas das classes média e baixa, freqüentemente, alugavam apartamentos em edifícios de apartamentos.

As cidades e as moradias da Palestina eram um tanto diferentes de suas congêneres greco‑romanas, e eram comparativamente atrasadas. A entrada numa cidade se fazia por meio de um portão nas muralhas. Do lado de dentro do portão havia uma praça que provia espaço público para comércio e para atividades sociais e legais. Jesus deve ter pregado com frequência nessas praças citadinas. As casas eram baixas e com cobertura plana, algumas vezes com um quartinho para hóspedes encarapitado no alto. O material de construção usado nessas edificações usualmente consistia de tijolos de barro amassado com palha e ressecados ao sol.

 

O habitante típico da Palestina dispunha de um apartamento em algum edifício, o qual contava com muitos apartamentos, todos no nível do chão. Cada apartamento consistia exclusivamente de um aposento. Parte desse aposento era construída em nível levemente superior à outra parte. Leitos, baús para roupas e utensílios de cozinha estavam localizados no nível levemente superior. Animais de abate e outros animais domésticos ocupavam o nível inferior, ou, quando tais animais eram mantidos do lado de fora, as crianças brincavam nesse nível inferior. Galhos deitados cruzados sobre vigas, emboçados com barro, formavam os eirados planos. A chuva provocava goteiras, pelo que, após cada chuva, tornava‑se mister fazer rolar o barro para tapar as fendas. Um parapeito, levantado ao redor da beira do eirado, servia para impedir as pessoas de caírem dali, e um lance de escada, pelo lado de fora da casa, conduzia ao eirado. Esse eirado plano era usado para as pessoas ali dormirem na estação quente, para secar verduras, para amadurecer frutas, e, nos lares devotos, como lugar de oração. O piso consistia de terra batida, ou, nas casas mais bem feitas, de pedras. Os leitos não passavam de um colchão ou de uma colcha estendida no chão. Somente nas casas mais abastadas havia camas armadas. As pessoas dormiam vestidas com as roupas que usavam durante o dia.

 

ALIMENTAÇÃO

 

Os romanos tinham quatro refeições por dia. A dieta do indivíduo médio consistia de pão, mingau de aveia, sopa de lentilhas, leite de cabra, queijo, verduras, frutas, azeitonas, toicinho defumado, lingüiça, peixe e vinho diluído em água. Os judeus costumavam ter somente duas refeições formais, uma ao meio‑dia e outra à noite. A dieta dos judeus consistia principalmente de frutas e legumes. Carne, assada ou cozida, usualmente era reservada para dias de festa. Uvas passas, figos, mel e tâmaras supriam os adoçantes, porquanto era desconhecido o açúcar. O peixe era um freqüente substituto da carne. Quando das refeições formais as pessoas costumavam reclinar‑se em divãs acolchoados. Nas refeições informais, se assentavam.

 

 

 

VESTUÁRIO E MODAS

 

Os homens usavam túnicas, que eram vestes semelhantes a camisas, que se prolongavam dos ombros aos joelhos. Um cinto ou uma faixa, de nome “cinturão” no Novo Testamento, era enrolado em volta da cintura; e também eram usadas sandálias grosseiras nos pés, e um turbante ou chapéu na cabeça. Nos meses frios, uma manta ou capa pesada era usada por cima da túnica, provendo agasalho. As vestes usualmente eram de cor branca. As mulheres usavam uma túnica curta como roupa de baixo, e algumas vezes usavam uma túnica externa brilhantemente colorida que descia até os pés. As mulheres mais elegantes usavam cosméticos em grande abundância, o que incluía o batom, sombras para os olhos, pintura das sobrancelhas, e, quando se tratava de jóias, usavam brincos e pendentes no nariz. Os penteados femininos mudavam constantemente de estilo, embora as mulheres da Palestina costumassem cobrir a cabeça com um véu (mas nunca cobriam o rosto). Os homens traziam os cabelos curtos, raspados com navalhas. Havia janotas que mandavam encaracolar os cabelos, nos quais aplicavam pródigas quantidades de óleo para cabelos e perfumes. Tanto os homens quanto as mulheres tingiam os cabelos, com freqüência para disfarçar os cabelos grisalhos. Cabelos falsos ajudavam a armar os penteados, e ambos os sexos usavam perucas. Na Palestina os homens deixavam a barba crescer. Seus cabelos eram conservados um pouquinho mais longos do que em outras regiões, mas não tão compridos como se vê nas gravuras que representam pessoas dos tempos bíblicos. A moda, na Palestina, usualmente se mantinha em níveis conservadores para ambos os sexos.

 

AS CLASSES SOCIAIS

 

Na sociedade pagã as camadas sociais eram vigorosamente delineadas. Os aristocráticos proprietários de terras, os contratadores do governo e outros indivíduos viviam no luxo. Não existia uma classe média forte, porquanto os escravos é que perfaziam a maior parte do trabalho manual. Tornando‑se mais tarde dependente do sustento dado pelo governo, a classe média de tempos prévios se transformara em uma turba sem lar e sem alimentos nas cidades. Uma estratificação menor prevalecia na sociedade judaica, por causa da influência niveladora do judaísmo. A grosso modo, no entanto, os principais sacerdotes e os rabinos liderantes formavam a classe mais alta. Fazendeiros, artesãos e pequenos negociantes compreendiam a maior parte da população.

Entre os judeus, os cobradores de impostos (publicanos) tornaram‑se objetos de uma especial aversão, como classe. Os demais judeus desprezavam a esses cobradores de impostos, ou, mais acuradamente ainda, cobradores de taxas, e isso devido ao seu necessário contato com superiores gentios. Os romanos leiloavam as vagas para coletores de taxas numa espécie de concorrência pública, a saber, para os que aceitassem as menores taxas de juros como comissão, em contratos de cinco anos. Os coletores de taxas recolhiam não somente as taxas e suas respectivas comissões, mas também tudo quanto pudessem embolsar ilegalmente. Por essa razão, como igualmente devido à sua colaboração com dominadores estrangeiros, os cobradores de taxas geralmente eram odiados. O suborno pago aos cobradores de taxas pelos ricos aumentava ainda mais a carga que recaía sobre os pobres.

No império romano, os escravos quiçá fossem mais numerosos que os homens livres. Era comum condenar criminosos, endividados e prisioneiros de guerra à servidão. Muitas das declarações e parábolas de Jesus dão a entender que a escravidão também existia na cultura hebréia de Seu tempo. As epístolas de Paulo refletem a presença de escravos nos domicílios cristãos. Muitos desses escravos ‑ médicos, contadores, professores, filósofos, gerentes, balconistas, escriturários ‑ eram mais aptos e mais bem educados que seus senhores. Alguns escravos conseguiam sua redenção a dinheiro, ou então recebiam a liberdade da parte de seus senhores.

Originalmente, os escravos que se tivessem tornado criminosos eram os únicos que podiam ser executados por crucificação. Mais tarde, todavia, libertos que houvessem cometido crimes hediondos também passaram a sofrer a crucificação. Durante o assédio de Jerusalém, no ano 70 D. C., Tito crucificou nada menos de quinhentos judeus em um só dia, fora das muralhas da cidade, a plena vista do povo que ainda se encontrava no interior das mesmas. (Josefo, Guerra dos Judeus, V. xi.1.) A execução na fogueira, em que a pessoa viva era amarrada a um poste no meio do combustível, ocasionalmente chegou a ser praticada. Noutras oportunidades, homens condenados foram forçados a lutar como se fossem gladiadores, nas arenas. Grupos inteiros algumas vezes assim se chacinavam, em combates simulados.

 

A FAMÍLIA

 

A unidade social básica era a família. Alguns fatores tendiam por decompor a família, entretanto, como, por exemplo, a predominância, numérica dos escravos e o treinamento de crianças por parte de escravos, em lugar dos próprios pais das crianças. A família greco‑romana típica contava com baixa taxa de nascimentos. A fim de encorajar famílias mais numerosas, o governo oferecia concessões especiais aos pais de dois ou mais filhos. Mui provavelmente os solteirões tinham de pagar impostos especiais.

Na Palestina eram comuns as famílias de muitos membros. Havia alegria ante o nascimento de um menino, mas tristeza ante o de uma menina. No oitavo dia de vida, o infante do sexo masculino era circuncidado e recebia o seu nome. A outorga de um nome a uma menina podia esperar pelo espaço de um mês. As famílias não tinham sobrenomes, pelo que pessoas com um mesmo nome eram distinguidas mediante a menção do nome do pai (“Simão, filho de Zebedeu”), mediante a filiação política (“Simão o Zelote”), pela ocupação (“Simão, o curtidor”), ou mediante o lugar de sua residência (“Judas lscariotes”, onde a palavra “Iscariotes” significa “homem de Queriote”). Quando ocorria um falecimento, a família do morto levava a efeito alguma forma de lamentação, como o ato de rasgar as vestes ou o jejum, além de contratar carpideiras profissionais, usualmente mulheres treinadas em soltar lamentações. Em adição a isso, a família podia contratar os serviços de um agente funerário.

 

MORALIDADE

 

Nas exortações das epístolas do Novo Testamento, os pecados sexuais usualmente encabeçam as listas de proibições. Toda modalidade concebível de imoralidade era atribuída às divindades pagãs. As “virgens” dos templos faziam parte integral dos ritos religiosos pagãos. A prostituição, da parte de mulheres e de homens, era uma instituição bem reconhecida. Meninas escravas com freqüência eram as vítimas desses excessos. Alguns homens lançavam na prostituição às suas próprias esposas e filhas, a fim de ganhar dinheiro. Gravuras obscenas com freqüência decoravam as paredes externas das casas, conforme se tem descoberto na escavação de residências em Pompéia.

O divórcio era fácil de arranjar, freqüente e aceitável. De fato, documentos de divórcio se acham entre os papiros remanescentes mais numerosas. Os pais com freqüência “expunham” os seus infantes, isto é, abandonavam‑nos no tribunal da cidade, em alguma colina ou em alguma viela. O assassínio era prática comum. Uma carta, dirigida por um homem à sua mulher, diz: “Caso você venha a ter criança, se for menino, deixe‑o viver. Se for menina, exponha‑a”. (P. Oxy. 744 (1 A. C.) Ver C. K. Barrett, The New Testament  Background. pág. 38.) Com muita freqüência, as meninas assim enjeitadas eram recolhidas a fim de serem criadas como prostitutas. Deveríamos acrescentar, contudo, que a despeito da prevalência de tão baixa moralidade, não se faziam inteiramente ausentes pessoas decentes no mundo greco‑romano.

 

 

ENTRETENIMENTOS

 

Talvez a forma mais espetacular de diversão fossem as lutas dos gladiadores. Os gladiadores podiam ser escravos, cativos, criminosos ou voluntários. De certa feita o picadeiro de uma arena foi cheio de água, e então levou‑se a efeito uma batalha naval ali. Nada menos de dez mil indivíduos morreram em um único desses eventos. A areia da arena ficou tão empapada de sangue que foi preciso trocar a areia várias vezes naquele dia. Os espetáculos de gladiadores com freqüência exibiam animais ferozes. Em uma dessas oportunidades, trezentos leões foram sacrificados. Quando da abertura inaugural do anfiteatro de Tito, cinco mil animais ferozes e quatro mil animais mansos foram trucidados. Elefantes, tigres, panteras, rinocerontes, hipopótamos, crocodilos e serpentes foram postos a lutar uns contra os outros.

As corridas de bigas correspondiam às nossas corridas de automóveis. As apostas eram muito comuns. Naturalmente, o público idolatrava as carruagens vencedoras.

Peças teatrais maliciosas refletiam a imoralidade da época. Todavia, as diversões não consistiam somente de deboches. Os Jogos Olímpicos desde há muito vinham sendo eventos esportivos que atraíam a muita gente. Havia boa música e boa literatura. As crianças brincavam com brinquedos como chocalhos infantis, bonecas com membros móveis, casas e móveis em miniatura, bolas, balanços e jogos similares à amarelinha, ao esconde‑esconde e à cabra‑cega.

 

 

NEGÓCIOS E TRABALHO

 

Grêmios profissionais, com suas divindades patronas, prefiguravam as modernas uniões trabalhistas. Esses grêmios de profissionais se ocupavam de intrigas políticas, prestavam auxílio a seus membros em situação precária e distribuíam benefícios às viúvas e aos órfãos de membros já falecidos. Na Palestina, esses grêmios regulamentavam os dias e as horas de trabalho.

A indústria limitava‑se a pequenas oficinas locais, porquanto o transporte de bens para lugares distantes era proibitivamente dispendioso. As caravanas eram lentas e estavam sujeitas a ataques. A navegação, no mar Mediterrâneo, só era exeqüível durante os calmos meses de verão.

A agricultura era surpreendentemente avançada quanto a certos aspectos. Os agricultores estavam familiarizados com diferentes tipos de fertilizantes, e praticavam a seleção de sementes de acordo com o tamanho e a qualidade das mesmas. Usavam pesticidas mergulhando o grão em misturas químicas que protegiam o cereal dos insetos daninhos. E também praticavam a rotatividade no plantio.

Companhias particulares exploravam a atividade bancária de modo muito parecido com o que é feito modernamente, emprestando, descontando notas, cambiando moeda estrangeira e expedindo notas de crédito. As taxas de juros em voga variavam de quatro a doze por cento ao ano.

 

CIÊNCIAS E MEDICINA

 

Embora os judeus não estivessem particularmente interessados em assuntos científicos, no período do Novo Testamento, a ciência existia. Por exemplo, no século III A. C., Eratóstenes, bibliotecário em Alexandria, ensinava que a terra é esférica e calculou que ela teria 24 mil milhas de circunferência (somente oitocentas milhas menos que o cálculo moderno), além de ter calculado a distância da terra ao sol em 92 milhões de milhas (a estimativa moderna é de 93 milhões de milhas). E por igual modo ele conjecturou a existência do continente americano.

A medicina, ou pelo menos a cirurgia, estava mais avançada do que poderíamos imaginar ‑ uma relevante informação, porquanto um dos escritores do Novo Testamento, Lucas, era o médico pessoal de Paulo. Os cirurgiões faziam intervenções cirúrgicas no crânio, traqueotomias (incisões na traquéia) e amputações. Não obstante, era limitado o conhecimento e o uso de anestésicos, pelo que também as qualificações de um cirurgião eram as que damos abaixo:

 

Um cirurgião precisa ser jovem, ou, pelo menos, não muito idoso; suas mãos devem ser firmes e seguras, sem jamais tremerem; deve ser capaz de usar tão bem a mão esquerda quanto a direita… deveria ser dotado de tão grande compaixão que se torne desejoso da recuperação de seu paciente; mas não tanto a ponto de deixar‑se comover com seus gemidos; não deve apressar a operação mais do que o caso requer, e nem cortar menos do que é necessário, mas deve fazer tudo como se os gritos do enfermo não exercessem sobre ele impressão alguma. (Citado de A.C. Bouquet, Evereyday Life in New Testament Time, (Nova Iorque: Scribner’s. 1953), pág. 171, uni livro do qual fui respigada grande porte do material deste capítulo.)

 

Era usada certa variedade de instrumentos médicos, como lancetas, agulhas de costura, um instrumento de elevar porções deprimidas do crânio, várias modalidades de fórceps, catéteres, espátulas para examinar a garganta e instrumentos tipo alavanca para dilatarem passagens no corpo, permitindo o exame do seu interior. No campo da odontologia, preenchiam‑se cavidades dos dentes com ouro. Dentaduras provinham das bocas de pessoas falecidas ou de animais. Algumas vezes as pessoas usavam pós abrasivos para polir e branquear os dentes.

Desse modo, um mostruário da cultura greco‑romana do primeiro século mostra que, embora a gente do Novo Testamento tiveste vivido antes da época da ciência, era um povo inteligente, cuja sociedade e cultura em muitas particularidades eram surpreendentemente semelhantes às nossas. Isso não era tão característico na Palestina, onde teve início o cristianismo, mas assim acontecia fora da Palestina, para onde o cristianismo rapidamente se propagou.

 

Para discussão posterior:

‑ Qual preparação cultural pode ser vista no mundo greco‑romano para a vinda de Cristo e o surgimento da Igreja?

‑ Por que os judeus da Palestina tendiam por ser culturalmente atrasados? A Igreja cristã, por igual modo pende para o atraso cultural? Nesse caso, deve‑se isso a razões similares ou diferentes? Em caso contrário, por que não, em face do fato que o cristianismo se originou do judaísmo?

 

Para investigação posterior:

 

Barrett. C. K. The New Testament Background: Selected Documents. Londres: S.P.C.K., 1958. Especialmente as págs. 36‑44, quanto a citações extraídas de fontes primárias.

Bouquet, A. C. Everyday Life in New Testament Times. Nova Iorque: Scribner’s, 1953.

Daniel‑Rops. H. A Vida Diária nos Tempos de Jesus. São Paulo: Edições Vida Nova, 1983.

Jones, C. M. New Testament Illustrations. Cambridge University Press, 1966.

Everyday Life in Bible Times. Editado por M. B. Grosvenor. Nacional Geographic Society, 1967.

Corswant, W. A. Dictionarv of Life in Bible Times. Completando e ilustrado por E. Urech: traduzido por A. Heathcote. Nova Iorque: Oxford, 1960.

Bailey, A. E. Daily Life in Bible Times. Nova Iorque: Scribner’s, 1943.

Miller, M. S. e J. L. Encyclopedia of Bible Life. Nova Iorque: Harper, 1944.

Wight. F. H. Manners and Customs of Bible Lands. Chicago: Moody, 1953.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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