MOTIVO SINCERO, MÉTODO ERRADO – A Vida de Abraão

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MOTIVO SINCERO, MÉTODO ERRADO – A Vida de Abraão

Leia Gênesis 15:1-16:16
C^jaantas vezes você já encontrou cristãos que tinham os motivos corretos, corações puros e objetivos nobres, mas estragaram tudo por usarem os métodos errados? Em alguns casos eles podem atéunesmo vencer uma batalha, mas perdem a guerra simplesmente porque a sua estratégia de alcançar seu objetivo partiu de uma escolha equivocada. Não existe nada tão decepcionante e doloroso como termos os motivos puros e ser mal-interpretado, mal-entendido, criticado, até mesmo rejeitado e esquecidos. Tudo isso simplesmente porque não usamos o bom senso juntamente com nosso modo de agir.

Não me entenda mal. Independentemente de quais sejam os métodos que você use, algumas pessoas não vão aprová-los. Elas simplesmente não gostam do objetivo, mesmo que ele possa ser bom e correto. Por isso elas nunca irão aprovar o seu método. Não conseguiremos agradar a todos todo o tempo, não importa quanto nos empenhemos para isso. Porém, precisamos agir como Jesus nos ensinou, sendo “astutos como as serpentes e sem malícia como as pombas” (Mt 10:16, NVT). Os ensinos de Cristo certamente se aplicam aos métodos que escolhemos para alcançar nossos objetivos, até mesmo aqueles que têm Jesus como o centro. E trágico quando nossos corações estão corretos, nossos motivos são puros e mesmo assim falhamos em alcançar nossos objetivos por sermos insensíveis, pouco sábios,

diretos demais, impacientes ou simplesmente por fazermos as coisas da maneira errada. Abraão pode ilustrar esta verdade de uma maneira dramática. Seus motivos certamente eram puros, mas infelizmente ele cometeu um sério engano e os resultados foram desastrosos.

UM PROBLEMA SÉRIO

Da perspectiva humana, Abraão estava diante de um sério problema. Ironicamente, o seu encontro direto com Deus, registrado em Gênesis 15, aumentou ainda mais o dilema que ele vivia. O Senhor falou com Abraão e confirmou a sua aliança de fazê-lo pai de uma grande nação. Na verdade, Deus passou a ser bastante específico. A descendência de Abraão viria “gerado dele” (v. 4). Seus descendentes seriam numerosos como as estrelas (v. 5). Mais uma vez o Senhor garantiu a Abraão que ele iria tomar posse da terra (v. 7).

Essa declaração final chamou a atenção de Abraão, pois a partir daquele momento a promessa da terra foi o que se sobressaía em sua mente. Ainda que estivesse preocupado com a esterilidade de Sara, ele não conseguia deixar de pensar sobre o fato de que Ló já havia tomado posse da melhor parte de Canaã. Como conseqüência, Abraão falou sobre este assunto com o Senhor.

Uma pergunta válida

Após o Senhor confirmar mais uma vez de maneira verbal a aliança que tinham no tocante à terra, Abraão pediu um sinal: “Senhor Deus, como saberei que hei de possuí-la?” (15:8). Esse foi um pedido compreensível. E Deus respondeu a Abraão usando uma cerimônia comum, que era bastante familiar para aquele peregrino do Antigo Testamento. Naqueles dias duas partes distintas poderíam entrar em aliança ao selecionar certos animais e pássaros e cortá-los ao meio (menos os pássaros, v. 10). Eles colocavam esses animais em duas filas separadas e ambas as partes passavam por cima dos animais para confirmar o contrato. Qualquer um dos lados que violasse o contrato estaria sujeito ao mesmo destino daqueles animais: a morte.

Uma confirmação visível

De maneira mais específica, Deus honrou o pedido de Abraão ao dizer: “Toma-me uma novilha, uma cabra e um cordeiro, cada qual de três anos, uma rola e um pombinho” (15:9). Abraão respondeu imediatamente quando cortou os animais em duas partes e os dispôs de acordo com o costume. Foi então que o Senhor fez um grande milagre. “E sucedeu que, posto o sol, houve densas trevas; e eis um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo que passou entre aqueles pedaços. Naquele mesmo dia, fez o Senhor aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência dei esta terra” (w. 17-18a).

Esterilidade de Sara

Ainda que Deus tenha confirmado visivelmente a sua promessa de dar-lhe a terra (15:8), Abraão ainda precisava lidar com um problema bastante complexo. Sara ainda era estéril, ela nunca havia dado à luz (16:1). Para complicar as coisas, Sara já havia passado da idade normal que as mulheres ficam grávidas. Como poderiam Abraão e Sara ter um filho? Do ponto de vista humano aquilo era impossível.

Podemos compreender por que Abraão estava perturbado. Ele acreditou em Deus quando este disse que ele teria um filho. Porém, enquanto o tempo passava, ele se tornou cada vez mais cético. Já haviam se passado mais de dez anos desde que o patriarca entrara em Canaã. Como a promessa de Deus seria cumprida?

O MÉTODO ERRADO

Enquanto Abraão pensava a respeito de seu problema, Sara surgiu com uma idéia que ela pensava ser boa. Ainda que possa nos parecer estranho, e até mesmo imoral, aquilo fazia sentido para a cultura na qual tanto Abraão quanto Sara haviam crescido e vivido.

Sara ofereceu a sua serva, Agar, uma egípcia, como a “mãe substituta”. Provavelmente aquela era uma das servas que Abraão havia recebido de Faraó. Mesmo que Abraão não soubesse até aquele momento, ele estava prestes a se deparar com outro problema como

resultado da decisão centrada no homem que tomou quando foi para o Egito durante a fome (12:10-20).

Sua esposa usou uma argumentação religiosa para apoiar a sua proposta. Sara lhe disse: 11 Eis que o Senhor me tem impedido de dar à luz filhos-, toma, pois, a minha serva, e assim me edificarei com filhos por meio dela” (16:1,2).

Que argumento melhor poderia Sara usar do que concluir de que Deus era responsável por sua condição? Afinal de contas, ele havia prometido dar um filho a Abraão. E esse herdeiro deveria nascer dele mesmo. Até onde sabemos, o Senhor não havia dito nada específico a respeito da participação de Sara no processo. Já que ela nunca havia dado à luz e agora já havia passado da idade de poder conceber, Sara deve ter pensado: “Será que Deus quer usar outra mulher para cumprir o seu propósito?”

QUATRO ERROS GRAVES

Uma vez que Abraão era um homem que buscava tão intensamente fazer a vontade de Deus, sua disposição em ser pai de uma criança usando uma serva pode até nos chocar. O fato é que o motivo de Abraão estava correto. Ele não tinha qualquer intenção maldosa. Tudo o que ele queria era ajudar Deus a levar adiante o seu propósito. Mas, mesmo que o seu motivo estivesse correto, a maneira de pensar de Abraão tinha uma falha. Como conseqüência, ele cometeu quatro grandes erros:

1. Uma premissa errada

Abraão partiu do princípio equivocado de que a argumentação de Sara era válida. Não havia dúvidas que ela era estéril. Além disso, Deus não havia dito claramente que Sara seria a mulher que daria à luz o filho. Mas para Abraão, agir de acordo com essa premissa era o mesmo que limitar a Deus, especialmente se tivermos em vista a promessa específica que o Senhor fizera a Abraão.

2. Motivos egoístas

Aparentemente, a sugestão de Sara parecia ser bastante generosa. Ela estava preocupada em fazer a vontade de Deus. Também estava se

concentrando no que percebia ser o estado emocional de seu esposo, sua perplexidade e ansiedade resultantes de sua condição. Deus havia feito a ele uma promessa, e ela gostaria de ajudá-lo para vê-la se cumprir. No entanto, o propósito de Sara também surgiu por causa de seus motivos egoístas.

Ter motivos equivocados não é um fenômeno raro. E provavelmente impossível para a maioria de nós, até mesmo sendo cristãos, sempre agirmos motivados por motivos puros. Por trás de tudo já temos planos que não são necessariamente egoístas ou até mesmo errados, quando esses motivos envolvem algum interesse próprio. Depende de qual é o nosso alvo final. Paulo reconheceu essa verdade quando exortou os filipenses: “nada façais por partidarismo ou vangloria, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que épropriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Fp 2:3,4).

Aqui Paulo está reconhecendo que temos nossos próprios interesses. A questão é que podemos passar dos limites quando temos uma ambição egoísta. Estamos nos concentrando mais em nós mesmos do que nos outros. Como veremos mais tarde, esse tipo de motivação estava incluída no propósito de Sara. Por trás de tudo ela tinha alguns motivos bastante egoístas.

3. Falta de oração

De algum modo, parece que Abraão nunca pensou em consultar ao Deus que o havia tirado de maneira sobrenatural de Ur. O mesmo que havia preservado sua família de ser aniquilada enquanto atravessavam o deserto escaldante. Aquele que o havia resgatado de seu problema no Egito. O Deus que acabara de aparecer a ele numa visão e, com um sinal milagroso, confirmou as promessas de terra que havia reiterado em diversas ocasiões. Por alguma razão, não passou pela mente de Abraão que aquele que havia negado dar crianças a Sara durante algum tempo poderia muito facilmente fazer com que ela tivesse um filho mesmo tendo uma idade avançada. A verdade é que Abraão mais uma vez não consultou a Deus. Onde estava a perspectiva mais recente que Abraão tinha a respeito de Deus (Gn 14:22, 23)?

4. Regressão

O que Sara havia proposto era algo bastante comum naquele tempo. Arqueólogos já descobriram pequenas tábuas que continham contratos de casamento que “especificavam que a mulher estéril deveria providenciar uma mulher para seu esposo, tendo em vista a procria-çao”.1 Na verdade, nós agora sabemos que “muitas das ações incomuns [tanto] de Abraão quanto de Jacó a respeito de casamento e crianças podem agora ser entendidas como sendo partes de uma cultura e lei sociais predominantes que tanto os hurrianos quanto os babilônios seguiram durante séculos no Oriente Médio”.2

Naquela altura de suas vidas, tanto Abraão quanto Sara ainda estavam em transição. Eles ainda estavam se livrando de alguns aspectos de sua criação pagã e que estava em contradição com a vontade de Deus. Assim sendo, ambos permitiam que alguns padrões de pensamentos e práticas que haviam aprendido dentro daquela cultura pagã os influenciassem em seu modo de pensar.

Essas dinâmicas culturais não abrandam as atitudes de Abraão. Entretanto, nos ajudam a entendê-las. Mesmo que o seu motivo estivesse correto, o seu método era errado. Mesmo que ele fosse sincero em seus esforços, ele cometeu vários erros graves. Mais uma vez ele havia saído da vontade de Deus.

AS SÉRIAS REPERCUSSÕES

Os erros de Abraão continuaram a persegui-lo durante muitos anos. Porém, três coisas aconteceram imediatamente:

1. Orgulho e arrogância

No momento em que Agar concebeu, ela ficou orgulhosa e arrogante. Na verdade, ela desprezou Sara (16:4). Ainda que ele não soubesse em seu coração, quando Abraão substituiu sua mulher pela serva egípcia, ele violou as leis morais e psicológicas de Deus.

Deus falou especificamente sobre os resultados desse tipo de pecado em Provérbios: “Sob três coisas estremece a terra, sim, sob quatro não pode subsistir: sob o servo quando se torna rei; sob o

insensato quando anda farto de pão; sob a mulher desdenhada quando se casa; sob a serva quando se torna herdeira da sua senhora” (Pv 30:21-23).

O comportamento de Agar era previsível. Se Abraão tivesse parado para pensar por um momento antes de aceitar a proposta de Sara, ele poderia ter chegado a uma conclusão sozinho. Tenho certeza de que ele já tinha visto o resultado desse tipo de arranjo antes. Mas, o mais importante de tudo: se ele tivesse consultado a Deus, tenho certeza absoluta de que o patriarca teria uma perspectiva clara de por que aquele seria um erro sério, que interferiría no plano perfeito do Senhor.

2. Amargura

Conforme era previsível, Sara ficou amargurada e dirigiu toda a sua ira em direção a Agar. Embora apenas uma das quatro coisas listadas em Provérbios tivesse ocorrido, houve uma espécie de “terremoto” na tenda de Abraão. Por causa de sua insegurança, Sara sè revoltou com Abraão que havia feito apenas o que ela sugeriu. As palavras ditas por ela a Abraão foram expressas de maneira bastante dolorosa: “Seja sobre ti a afronta que se me faz a mim. Eu te dei a minha serva para a possuíres; ela, porém, vendo que concebeu, desprezou-me. Julgue o Senhor entre mim e ti” (Gn 16:5).

F. B. Meyer captou a ironia das ações de Sara: “Como isso é verdadeiro na natureza humana! Nós damos apenas um passo em falso sem a aprovação de Deus e, quando começamos a descobrir o nosso erro, imediatamente permitimos que o nosso orgulho machucado se manifeste. Porém, em vez de nos darmos conta de nosso erro, resolvemos lançar isso sobre os outros, a quem nós podemos ter instigado a fazer a coisa errada. De maneira amargurada os reprovamos pelos equívocos que eles, em sua maioria, foram apenas instrumentos, ainda que nós tenhamos sido os causadores de tudo”.3

3. Tensão familiar

Abraão não foi apenas incapaz de resolver o problema de ter uma descendência legítima, ele também criou uma tensão quase insupor

tável em sua própria casa. Para piorar as coisas, ele também não quis assumir a responsabilidade por suas ações, mesmo sendo o chefe da casa. Ele devolveu o problema para Sara, dizendo: “A tua serva está nas tuas mãos, procede segundo melhor te parecer” (16:6a).

Devido ao estado de insegurança e ira que vivia, Sara maltratou muito sua serva. Nós lemos que ela humilhou tanto Agar que a serva acabou fugindo para o deserto (16:6b).

INTERVENÇÃO SOBERANA

Deus não permitiu que os erros de Abraão modificassem o seu propósito. Ele interveio, assim como havia feito quando Abraão errou e foi para o Egito. A Bíblia nos diz: “Tendo-a achado o Anjo do Senhor junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur” (16:7). Esse anjo disse a Agar para retornar para sua casa e se submeter à autoridade de Sara. O Senhor, vendo o desespero daquela mulher, também prometeu que ela teria muitos descendentes. Agar voltou e deu um filho a Abraão, ao qual ele deu o nome de Ismael (v. 15).

Apesar da decisão errada de Abraão e de suas conseqüências desastrosas, Deus continuou a levar em frente as promessas incondicionais que havia feito ao seu servo. Entretanto, o nascimento de Ismael deu início a um novo capítulo na história mundial e que ainda não acabou. Do filho de Agar surgiram as grandes nações árabes, que nos últimos anos têm estado em séria tensão com os filhos de Israel, a descendência prometida de Abraão. Os dois grupos estão sofrendo por causa dos erros de Abraão. Erros surgidos de motivos corretos por parte de Abraão que, sem dúvida, usou o método errado.

Coincidentemenre, no plano de Deus nunca é sua perfeita vontade que o homem tenha um relacionamento sexual com outra mulher além de sua esposa. Sabemos que o Senhor tolerou este comportamento enquanto ainda estava implementando seu plano em um mundo contaminado com o pecado. Porém, mais tarde ele deixou bastante claro no Novo Testamento que um homem deve ter apenas uma mulher em sua vida: sua esposa. Na verdade, Paulo especificou que essa é uma das maneiras mais significativas de medir a

maturidade espiritual de um homem. Ele deve ser “esposo de uma só mulher” (1 Tm 3:2; Tt 1:6).

TORNANDO-SE UM HOMEM DE DEUS HOJE

Princípios de vida

O que podemos aprender com os erros de Abraão que irá nos ajudar a escolher os motivos corretos para agirmos? Primeiro de tudo, lembre-se que Deus não deu instruções específicas para Abraão sobre essa questão, apenas diretrizes gerais, como muitas vezes ocorre conosco hoje em dia. Em sua Palavra, o Senhor forneceu princípios gerais para nos guiar e ajudar a tomar decisões inteligentes.

Não me entenda mal. As instruções morais de Deus são bastante claras. Nós sabemos muito mais do que Abraão tinha conhecimento naquela altura de sua vida. Demorou muitos anos até que o Senhor entregasse a sua Lei em meio a trovões, no monte Sinai, e posteriormente escrevesse os Dez Mandamentos em tábuas de pedra.

Entretanto, a situação de Abraão continua relevante hoje. Podemos aprender com os seus erros. Existe salvaguardas definitivas que deveremos levar em conta ao decidir que método usaremos para cumprir a vontade de Deus, em especial nas questões sobre as quais a Palavra de Deus nada diz.

• Princípio 1: Em meio a uma crise, devemos estar preparados para enfrentar nossa tendência humana de tentar resolver as coisas sozinhos, sem consultarmos ao Senhor.

Qual foi a última vez que você disse de uma maneira direta: “O que o Senhor quer que eu faça?” Seja Honesto. “O que eu posso fazer?” não é normalmente a primeira pergunta que fazemos a nós mesmos quando nos deparamos com uma decisão difícil?

Até certo ponto, esse era o problema de Abraão. Em vez de refletir sobre as suas experiências anteriores, quando teve de passar por situações parecidas, em vez de tentar aprender com os seus sucessos e fracassos do passado, ele se concentrou naquele momento exis-

tencial. E isso sempre faz que fiquemos um pouco confusos. Infelizmente, Abraão não consultou a Deus sobre esse assunto.

• Princípio 2: Nós devemos ser cautelosos antes de tomar decisões

precipitadas e fazer julgamentos apressados, sem refletir bastante sobre quais seriam os possíveis resultados.

Isso também era parte do problema de Abraão. Ele não estava sensível para perceber o momento certo que Deus agiria. Ele se apressou. Sim, é verdade, dez anos parecia ser um longo tempo. Mas, um pouco de reflexão iria ter lembrado Abraão que Deus não tinha pressa de levar o seu plano adiante. O Senhor havia lhe dito, numa visão que tivera antes, que ele iria morrer antes que a promessa da terra para os seus descendentes fosse cumprida. Na verdade, Deus também lhe disse que seus descendentes ficariam cativos por pelo menos quatrocentos anos antes que eles pudessem se estabelecer em Canaã (Gn 15:12-16). Em sua frustração, Abraão ignorou aquelas dicas importantes.

Em certas situações, claro, devemos agir rapidamente. Mas também existem ocasiões quando deveriamos esperar antes de fazer algo. E muito melhor ter a perspectiva correta antes do que nos apressarmos e cometermos um sério equívoco. Lembre-se também de que problemas diferentes dão oportunidade para que Deus demonstre o seu poder e nos dê direção. Em algumas situações é por esse motivo que ele deseja que esperemos.

• Princípio 3: Devemos nos lembrar que até mesmo aqueles que es-

tão mais perto de nós, aqueles em quem mais confiamos, podem nos conduzir ao erro.

A perspectiva de Sara, ainda que possa parecer generosa, era algo pagão, humanista e egocêntrica. Além disso, ela estava envolvida emocionalmente com Abraão. Ela sabia o quanto seu marido desejava ter um filho.

Será que uma esposa (ou esposo) piedosa seria capaz de ser usada como uma fonte segura para tomada de decisões? Sim, mas lembre-se de que, mesmo que Sara fosse leal a Abraão, ela não era madura

espiritualmente. Além disso, mesmo quando nossas esposas são piedosas, algumas vezes elas estão tão envolvidas emocionalmente que não conseguem ser imparciais. Em certas situações, quando estamos prestes a tomar decisões importantes, é melhor consultar membros mais “neutros” do corpo de Cristo, assim como aqueles que estão mais próximos a nós. Tenha cuidado para não procurar conselhos de pessoas que você espera que certamente irão concordar com a sua perspectiva, mas consulte aqueles que serão totalmente honestos e objetivos.

Por favor, não me entenda mal e tente usar este princípio como uma racionalização para não escutar a sua esposa. Durante minha vida eu tenho descoberto que alguns dos erros mais graves que cometí foram porque não dei ouvidos à minha esposa Elaine. Uma mulher piedosa tem bastante sabedoria espiritual, e por isso precisamos ouvi-las. O que estou tentando dizer aqui é que em alguns casos não precisamos apenas ouvir a perspectiva delas, mas também saber qual é o ponto de vista de outros cristãos maduros.

• Princípio 4: Quando estamos tentando determinar a vontade de Deus, devemos estar alertas às influências sutis de nosso modo de viver anterior.

Os valores culturais têm uma maneira de permear nossas personalidades e modelar o nosso pensamento. Esses valores muitas vezes permanecem em nossos corações e mentes, mesmo depois de nos tornarmos cristãos.

Isso aconteceu com Abraão e Sara. Eles tomaram a decisão de fazer com que Abraão tivesse um filho com Agar por causa dos costumes que eram comuns em sua cultura pagã. Por que não usar uma prática já aprovada para resolver esse problema? Parecia algo lógico e racional, especialmente já que Deus havia prometido a eles um filho e Sara já havia passado da idade de dar à luz.

Devemos estar alertas quanto aos hábitos que todos nós temos e que podem ser maquiados ou disfarçados e que influenciam a nossa percepção. Quando nos tornamos cristãos, precisamos analisar como

anda nossa visão espiritual e psicológica com o ensino direto das Escrituras. Além disso, devemos ser cuidadosos ao interpretar as Escrituras corretamente. Para fazer isso, consulte outros membros maduros do corpo de Cristo. Esse processo irá nos ajudar a eliminar a influência dos pensamentos e idéias de nossa cultura que continuam arraigados em nossos corações e mentes.

• Princípio 5: Devemos sempre selecionar os métodos e estratégias que estão em harmonia com o ensino direto e os princípios das Escrituras.

Deus normalmente não nos dá métodos específicos para resolvermos os problemas. Em vez disso, ele nos deu princípios e orientações para que possamos tomar decisões, além de diretrizes específicas e exortações. Os Dez Mandamentos são bem claros. Assim como as ^eguin-tes exortações do Novo Testamento:

• “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com

o seu próximo, porque somos membros uns dos outros” g-

(Ef 4:25).

• “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira,

nem deis lugar ao diabo” (4:26, 27). .

• “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (v. 28).

• “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (v. 29).

• “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (v. 30).

• “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia” (v. 31).

• “Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (v. 32).

Obviamente, essas diretrizes são claras. Violá-las é o mesmo que desobedecer à vontade de Deus. Mas existem muitas situações envolvendo nossas decisões de hoje quando o Senhor espera que usemos nosso intelecto para decidir como agir em meio a essas situações e tomar as decisões corretas. Por exemplo, Deus não especifica qual profissão devemos seguir. Entretanto, ele nos diz como devemos nos comportar ao desempenhar aquela vocação. Além disso, ele não determina com quem deveremos nos casar. Por outro lado, ele nos diz que não deveriamos estar em jugo desigual com quem não é cristão (2 Co 6:14). Deus não diz especificamente em qual faculdade ou universidade deveriamos estudar. Mas ele nos diz como deveriamos viver enquanto estivermos lá.

Ao tomarmos essas decisões, jamais devemos escolher métodos que contradigam a natureza de Deus ou a maneira que ele trabalha em nóís. Se agirmos assim, iremos acabar fazendo com que os fins justifiquem os meios e, assim como Abraão e Sara, criando nossos próprios problemas. E por isso que devemos sempre consultar a Pa.. lavra de Deus para determinar a vontade de Deus.

APLICAÇÃO PRÁTICA

Antes de tudo, vamos fazer uma revisão. Enquanto isso, observe a figura na página seguinte. Não existia nada de errado com o motivo de Abraão ou com o seu objetivo. Ele queria fazer a vontade de Deus e ter uma descendência piedosa, como Deus disse que ele deveria e poderia fazer. Mas essa muralha de frustração era uma esposa estéril.

O resultado dessa frustração foi um estado de ansiedade total. Para ser mais específico, ele tinha medo de que não teria um herdeiro como Deus lhe havia prometido.

O método usado por Abraão para passar por cima dessa muralha de frustração era seguir a sugestão de Sara e ter um filho usando Agar, a serva egípcia. Infelizmente, essa foi uma estratégia equivocada, um método inapropriado, um sério engano que resultou numa tensão crescente e aumentou a ansiedade de Abraão.

E quanto a você e eu?

Mesmo que nós nunca tenhamos de passar pelos mesmos problemas de Abraão, quando tentamos viver a vida da maneira que Deus quer que vivamos, certamente encontraremos nossas próprias muralhas de frustração. O que pode ser especialmente complicado é o desafio de tomar decisões quando Deus não fornece detalhes específicos para nos guiar. Sempre utilize os seguintes princípios para parar de cometer erros:

1. Evite tentar resolver as coisas sozinho, sem consultar a Deus.

2. Evite tomar decisões precipitadas e fazer julgamentos apressados sem ter uma perspectiva mais completa da situação.

3. Evite basear-se demasiadamente no julgamento daqueles que estão mais perto de você sem também consultar outros cristãos maduros.

4. Evite deixar que a sua opinião e julgamento sejam influenciados pelo sistema de valores que você tinha antigamente e que estão em desarmonia com os ensinamentos e os princípios das Escrituras.

5. Evite selecionar métodos para resolver os seus problemas que não estão em harmonia com o ensino direto de Deus e com os princípios da Palavra de Deus.

Estabeleça um objetivo

Enquanto você revisa esses princípios, selecione um que você tem a tendência de ignorar mais quando toma as suas decisões. Por exemplo, você pode ter a tendência de tentar resolver os assuntos sozinho, sem consultar a Deus. Ou você pode permitir que o seu modo de viver e seu sistema de valores antigos influenciem de uma maneira muito forte o seu processo de tomada de decisões. Seja qual for a sua necessidade particular, estabeleça um objetivo pessoal:
Memorize o seguinte texto bíblico

Procure memorizar esta passagem das Escrituras para ajudá-lo a alcançar o seu objetivo:

Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.

Gaiatas 5:13

Crescendo juntos

Estas perguntas destinam-se a discussão em pequenos grupos de estudo:

1. Por que é fácil escolher o método errado e desenvolver uma estratégia inadequada, ainda que nossos motivos e objetivos possam ser puros e bíblicos?

2. Você gostaria de compartilhar alguma ilustração específica de como isso aconteceu na sua própria vida?

3. Qual foi o resultado disso e como você corrigiu esta ação?

4. Quais os seus pedidos pessoais de oração?

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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