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Jonas – A Bíblia Livro por Livro

INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE JONAS

■ Conteúdo: embora o próprio Jonas seja um profeta muito relutante, Deus demonstra compaixão por um dos inimigos odiados de Israel

■ Profeta e data de atividade profética: Jonas, filho de Amitai; profetizou durante o reinado de Jeroboão n (v. 2Rs 14.25)

■ Ênfases: Javé como Criador, Sustentador e Redentor de tudo e de todos; o interesse compassivo de Javé pelos gentios (representados por Nínive); a relutância de Israel (representada por Jonas) em reconhecer a compaixão de Javé pelas nações

VISÃO GERAL DE JONAS

O livro de Jonas é singular entre os Profetas Posteriores. Em vez de uma coleção de oráculos proféticos, trata-se de uma narrativa sobre a compaixão de Deus por uma cidade gentílica odiada por Israel, por intermédio de um profeta hebreu que de início não queria nenhum envolvimento na história.

O livro se divide claramente em quatro partes (que correspondem aos capítulos como os temos no livro): (1) Jonas é chamado a pregar o juízo contra Nínive — e a fazê-lo na própria Nínive! —, ao que reage fugindo o mais longe possível na direção oposta. Javé envia uma

tempestade; Jonas é atirado ao mar pelos companheiros de bordo e resgatado pela milagrosa provisão divina de um grande peixe. (2) Jonas reage com oração: um salmo de ação de graças pelo seu livramento. (3) Jonas aceita sua missão de ir a Nínive; como resultado, Nínive se arrepende, e Deus se compadece da cidade (em harmonia com Jr 18.7,8). (4) Jonas tem um acesso de ira, ao que Deus responde com uma lição prática e com uma última pergunta a Jonas (Jn 4.9,10) — elucidando o sentido de tudo.

ORIENTAÇÕES PARA A LEITURA DE JONAS

Para ler esse livro com proveito, é importante atentar para duas coisas — a habilidade do narrador em contar essa história e os temas teológicos que ela reflete.

Primeiro, para apreciar o poder dessa narrativa, tente se imaginar na situação dos ouvintes israelitas originais. A história funciona de maneira bastante similar às parábolas de Jesus (v. Entendes o que lês?, p. 182-92): o narrador primeiro captura a atenção dos ouvintes/leito-res com a história para então surpreendê-los com uma pergunta final.

A habilidade literária do narrador evidencia-se de várias maneiras. Por exemplo, no começo e no fim da história — enquadrando-a, portanto —, temos, respectivamente, a cena em que Jonas foge de Deus (1.3) e as razões da sua fuga (4.2). Observe também como a resposta dos marinheiros ao seu resgate por intervenção de Deus prefigura a compaixão divina por Nínive. O autor recorre à ironia ao longo do livro para estabelecer certos pontos teológicos: os marinheiros pagãos acabam oferecendo um sacrifício a Javé depois que seu profeta teimoso é jogado ao mar. No fim do seu salmo, Jonas exclama (referindo-se ao próprio livramento): “A salvação pertence ao Senhor” — o que então se cumpre no arrependimento de Nínive e na retenção do juízo por parte de Deus. Jonas, em sua ira para com Javé, não obstante diz a verdade sobre o caráter de Deus (4.2), que acaba sendo justamente a razão da ira do profeta. E Jonas, resgatado da morte por Javé, acaba dizendo que preferiria a morte à vida — e isso porque os ninivitas acabam não morrendo, mas vivendo.

Em segundo lugar, a história é primariamente sobre Javé, e só secundariamente sobre Jonas. Javé é o protagonista do começo ao fim: ele chama Jonas; ele manda uma tempestade quando Jonas desobedece — e a torna mais intensa para impedir que os marinheiros o resgatem; ele provê um grande peixe para resgatar Jonas; é ele o objeto da adoração e ação de graças no salmo de Jonas; ele envia Jonas uma segunda vez e então retém seu juízo quando a pregação do profeta tem êxito; e no fim, ele provê tanto a planta quanto a lagarta e o vento oriental quente para instruir Jonas nos seus caminhos. Jonas, por outro lado, serve de contraste a Javé, para que a história deste possa ser narrada de maneira pungente.

O que está em questão em toda essa história é a aliança abraâ-mica (Gn 12.3) — segundo a qual Javé é cheio de compaixão e misericórdia por tudo o que ele criou (SI 145.8,9,13,17), e foi sempre o plano dele, desde o início, abençoar as nações por meio de sua eleição de Israel. Mas a eleição de Deus, que é sempre um ato de misericórdia, às vezes se torna a base para uma atitude de orgulho e preconceito. E no caso de que trata o livro de Jonas, lembre-se de que a Assíria foi o império mais cruel da Antiguidade (quanto a isso, dê uma olhada no livro de Naum); contudo, Deus estava dando a tal povo uma oportunidade de arrependimento — não a conversão a Javé, mas mesmo assim uma resposta suficiente para que ele retivesse suas punições. E essa “injustiça” da misericórdia de Deus que Jonas considera tão ofensiva.

UMA CAMINHADA POR JONAS □ 1.1-17 Jonas foge do Senhor

Essa narrativa inicial prepara o leitor para o que vem a seguir. Além da história básica sobre Jonas, atente para os dois elementos principais: (1) Javé está no controle de tudo (observe esp. seu papel como Senhor da terra e do mar, que os marinheiros vêm a reconhecer, e que Jonas não entende), e (2) o contraste deliberado entre a mente fechada do profeta e a atitude progressivamente mais receptiva a Deus dos marinheiros pagãos.

□ 2.1-10 A oração de ação de graças de Jonas

Observe que essa “oração” assume a forma de um salmo individual de ação de graças (v. Entendes o que lês?, p. 256), e portanto é exprimida em termos do livramento efetuado por Javé, embora Jonas ainda esteja engolfado pelo mar. O salmo se divide em três partes (v. 2-4; 5-7; 8,9), as duas primeiras sendo paralelas, entremeando aflição, resgate e testemunho, e concluindo em uma nota semelhante — vislumbrando o templo futuro. A estrofe final, de testemunho (v. 8,9), prenuncia então o restante da narrativa, exprimindo a confiança de Jonas em Javé — de quem vem a salvação —, mas fazendo-o em contraste com aqueles que “se apegam aos ídolos inúteis” (p. ex., os ninivitas).

□ 3.1-10 A pregação de Jonas e o arrependimento

de Nínive

Jonas recebe uma segunda chance, à qual responde com obediência (v. 1-3). Observe que o arrependimento da cidade se concentra no rei, que dá o exemplo pessoalmente (v. 6) e publica uma proclamação que conclama os ninivitas ao jejum e ao pano de saco — e até os animais participam! —, mas também a que se afastem de seus maus caminhos e da violência (v. 7,8). O rei espera que com essa demonstração de arrependimento Deus mude de ideia quanto ao juízo sobre Nínive (v. 9), o que de fato acontece (v. 10).

□ 4.1 -11 A ira de Jonas diante da compaixão de Javé

Aqui você chega ao ponto crucial da história. Jonas não quer que Deus mude de ideia, e está furioso com Javé por este ser fiel à sua própria natureza (v. Ex 34.4-6)! O resto da passagem é dominado pela pergunta de Javé, que ele faz duas vezes — “É razoável essa tua ira?” — e pela convicção de Jonas de que sim, ela é razoável (v. 4,9). Usando a mesma linguagem de 1.17, o narrador observa três vezes que Javé “envia” algo — primeiro a planta para dar sombra, então a lagarta e finalmente o vento quente. E então o profeta entende. A “compaixão” egoísta de Jonas pela planta mais do que justifica a compaixão de Deus pelo povo — e pelos animais — de Nínive. E nós, leitores, somosimplicitamente convidados a responder pessoalmente à pergunta de Javé — qual é a nossa atitude para com os nossos inimigos?
O livro de Jonas continua a história bíblica do Deus Criador e Redentor, que tem compaixão não só daqueles que são seus, mas de todos aqueles que ele criou; o Deus da Bíblia ama os seus próprios inimigos — e também ama os nossos.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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