Jesus Recebeu Adoração – Quem é Jesus

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23/03/2016
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23/03/2016

Jesus Recebeu Adoração – Quem é Jesus

O mundo judaico em que Jesus nasceu era intensamente monoteísta. Os judeus de dois milênios atrás consideravam a mais grave das heresias um ser humano colocar-se em lugar de Deus e ser adorado como tal. No entanto, Jesus de Nazaré fez exatamente isso — razão por que os judeus de seus dias pegaram em pedras para matá-lo. O Velho Testamento condenava à morte os acusados de blasfêmia, e os judeus achavam que Jesus era mais do que merecedor de tal punição, já que alegou ser Deus, não uma, mas muitas vezes.

Já vimos que Jesus sabia que era Deus, ensinou que era Deus e realizou milagres (incluindo sua própria ressurreição) destinados a confirmar sua afirmação de ser Deus. O que falta ainda é comprovar que, pelo menos dez vezes durante sua vida, Jesus permitiu que outros o adorassem. Isto era mais do que um crime no julgamento da austera cultura judaica monoteísta: era algo imperdoável. A não ser, é claro, que fosse verdade.

 

Dez Exemplos de Adoração

Jesus conhecia muito bem a lei. Afinal de contas, foi Ele quem repreendeu Satanás quando este lhe pediu que se inclinasse diante dele e o adorasse. “Está escrito”, respondeu Jesus, “ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” (Mateus 4.10). Jesus conhecia os Dez Mandamentos; Ele os citou várias vezes. Entretanto, Ele proclamava que era “igual a Deus” (João 5.18). Apesar de ensinar várias vezes que a adoração é devida somente a Deus, Jesus geralmente permitia que os indivíduos o adorassem.

Não perca a importância disto. Jesus sabia que Deus era o único ser digno de nossa adoração; Ele próprio muitas vezes ensinou este princípio. Todavia, por mais incrível que pareça, Jesus se permitiu ser adorados pelo menos dez vezes — e em nenhum momento repreendeu as pessoas que o fizeram!

 

  1. Em seu nascimento

Há uma justificativa razoável para Jesus nessa primeira vez que Ele foi adorado. Afinal de contas, Ele era uma criancinha quando os sábios do Oriente vieram para “adorá-lo”. A pergunta específica é: receberia Ele tal adoração durante seu ministério adulto? Fazer isso seria no mínimo um crime… a menos que Ele verdadeiramente fosse Deus! Considere os seguintes exemplos:

 

  1. A cura de um cego em Jerusalém

Já examinamos anteriormente este caso da cura de um homem cego de nascença realizada por Jesus, um milagre que enraiveceu os líderes religiosos de Jerusalém, porque o ato ocorreu em um sábado. Os líderes convocaram o homem curado e lhe fizeram perguntas, incitando-o a negar que Jesus o havia curado. Mas ele não fez isso: “Nisto é de estranhar que vós não saibais donde ele é, e contudo me abriu os olhos. Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende. Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se este homem não fosse de Deus, nada poderia ter feito” (João 9.30-33).

Pouco depois de haver sido expulso do templo, ele encontrou Jesus. O Senhor então lhe perguntou: “Crês no Filho do homem?” Ele respondeu: “Quem é, Senhor, para que eu nele creia?” E Jesus lhe disse: “Já o tens visto e é o que fala contigo.” Então afirmou ele: “Creio, Senhor.” E João acrescenta: “e o adorou” (João 9.35-38).

Observe que Jesus não repreendeu o homem nem obrigou-o a se levantar, como certamente o faria se Ele fosse apenas um homem comum que casualmente fazia milagres. É interessante notar que é João quem registra este incidente, porque o apóstolo sabia o que era ser repreendido por adorar alguém que não fosse Deus. No Apocalipse ele registra uma privilegiada visão sobre os eventos do futuro, revelados pelo Espírito Santo. Por duas vezes, João ficou tão assombrado diante do poderoso anjo que lhe mostrou essas visões que se ajoelhou para adorá-lo. E como reagiu o anjo? “Então ele me disse: ‘Vê, não faças isso; eu sou conservo teu, dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus’“ (Ap 22.9; veja também 19.10).

Qualquer pessoa sabe que os anjos são mais poderosos do que os homens. E natural que os homens adorem seres superiores quando na presença deles, mas João foi proibido de fazer isso. A razão é simples: somente Deus deve ser adorado. Mas este mesmo João não hesitou em nos falar da ocasião em que um homem adorou Jesus!

 

  1. Tomé, o que duvidou

João também registra a resposta de Tome — o discípulo que duvidara — quando ficou face a face com o Cristo ressurreto. Tomé não tinha estado presente quando Jesus se apresentou a primeira vez aos outros dez discípulos, mas uma semana depois Tome estava com eles quando Jesus apareceu pela segunda vez. Sua famosa reação: “Senhor meu e Deus meu!” (João 20.28) foi um ato de pura adoração. E Jesus não fez nenhum sinal de reprovação.

 

  1. Pedro e os peixes

Lucas narra um acontecimento semelhante na vida de Pedro. Depois de ouvir Jesus ensinar e vê-lo realizar o milagre de encher duas redes de peixe (depois de nada terem pescado à noite), Pedro caiu de joelhos diante de Jesus e rogou: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (Lucas 5.8). Este foi um outro ato de adoração. E observe novamente que não houve nenhuma reprovação de Jesus.

 

  1. O chefe angustiado

Em outra ocasião, “um chefe, aproximando-se, o adorou, e disse: ‘Milha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impõe a tua mão sobre ela, e viverá’“ (Mateus 9.18). Jesus não somente se recusou a repreender o homem, mas atendeu ao seu pedido ressuscitando a menina.

 

  1. Homens em um barco

Vários milagres foram feitos no mar da Galiléia ou nas proximidades. Foi ali que Jesus alimentou cinco mil pessoas. Foi ali que, em meio a águas revoltosas, Ele caminhou sobre a água e finalmente subiu ao barco dos discípulos. Foi ali em outra ocasião que Ele com uma palavra acalmou o mar — após o que “os que estavam no barco o adoraram, dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus!’” (Mateus 14.33). A mensagem é clara: todos os discípulos, juntos, adoraram Jesus e ainda aqui não houve nenhuma reprovação.

 

  1. A transfiguração

Quando Pedro, Tiago e João testemunharam a transfiguração de Jesus sobre o “monte santo”, eles ficaram assustados ao ouvir a voz do Pai celestial dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo: a ele ouvi” (Mateus 17.5). A cena deixou-os amedrontados e eles caíram aos pés de Jesus. Somente o próprio Jesus podia levantá-los — mas, de novo, não houve nenhuma repreensão.

 

  1. A mãe de Tiago e João

Mateus conta da mãe dos filhos de Zebedeu (Tiago e João) chegando a Jesus para pedir-lhe privilégios especiais para seus filhos quando eles estivessem no seu reino. Primeiro, porém, ela “adorando-o, pediu-lhe um favor” (Mateus 20.20). Embora o Salvador não tenha concedido o pedido egoísta da mulher, Ele não a repreendeu por ajoelhar-se diante dele publicamente. E lembre-se: na cultura judaica, ajoelhar-se diante de alguém era uma clara atitude de adoração.

 

  1. Após a ressurreição

Após a ressurreição, as mulheres que foram ao sepulcro correram para anunciar aos discípulos, quando “Jesus veio ao encontro delas, e disse: ‘Salve!’ E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés, e o adoraram” (Mateus 28.9). Nenhuma palavra de repreensão.

 

  1. Na ascensão

Ao final de sua presença na terra, Jesus encontrou-se com seus discípulos no “monte que Jesus lhes designara. E, quando o viram, o adoraram” (Mateus 28.17). E uma vez mais não houve nenhuma repreensão.

 

Estes dez incidentes provam não somente que as pessoas eram impelidas a adorar Jesus, mas que o próprio Jesus aceitava essa adoração. Isto significa apenas uma coisa: Jesus é Deus em forma humana.

 

Confirmação da Seita das Testemunhas de Jeová

Como você provavelmente sabe, a seita das testemunhas de Jeová rejeita a divindade de Jesus, baseada em algumas interpretações radicais das Escrituras. Há vários anos, quando eu era pastor em San Diego, Califórnia, recebi uma série de folhetos pelo correio. Um dos folhetos inspirou-me a escrever um artigo em resposta, chamando a atenção para a divindade essencial de Jesus, de conformidade com o ensino do Novo Testamento. Nele desenvolvi o argumento segundo o qual, embora por dez vezes nos Evangelhos Jesus tenha sido objeto de adoração, em nenhuma das ocorrências Ele repreendeu seus adoradores. Então desafiei os leitores sobre a incoerência da própria Bíblia das testemunhas de Jeová, a New World Translation (Tradução Novo Mundo). Os publicadores dessa obra excessivamente preconceituosa orgulhavam-se na página 9 de haver traduzido cada palavra importante do grego para uma única equivalente em inglês. Mas chamei sua atenção para o fato de toda vez que traduziam a palavra grega proskuneo em relação a Deus, eles traduziam para “adorar”, o que é correto. Mas toda vez que traduziam a mesma palavra proskuneo quando usada em relação a Jesus Cristo, eles traduziam “reverenciar”.

Acho isto muito interessante, já que não existe nenhuma razão gramatical ou exegética para fazê-lo — apenas a posição doutrinária da seita negando a divindade de Jesus. Por isso, em meu artigo, perguntei por que as testemunhas não se dispõem a “honrar o Filho, do modo por que honram o Pai” (João 5.23), da forma como Jesus nos instruiu a fazer. Esse artigo foi enviado por correio a todas as igrejas da seita e distribuído gratuitamente a mais de 250 mil pessoas. Até hoje não tive nenhum retorno de qualquer pessoa da organização Testemunhas de Jeová. Não estou ansioso pela resposta, pois o que eles teriam a dizer? Proskuneo significa somente uma coisa — adoração — e adoração é devida somente a Deus, incluindo seu Filho, Jesus Cristo.

 

A Testemunha de Jeová que Encontrou Cristo

Vários anos depois de escrever meu artigo, recebi uma carta de um jovem operário na construção agradecendo-me o tê-lo escrito. Nem ele nem sua esposa eram cristãos quando uma testemunha de Jeová bateu à sua porta. Eles se reuniram com ele regularmente durante várias semanas e estavam quase prontos para aderirem à seita, porém, como o próprio autor da carta me disse,

‘‘Nós simplesmente não nos sentíamos seguros a respeito disso. Certa manhã, pouco antes de eu sair para o trabalho, estávamos muito perturbados, e então, apoiados na mesa da cozinha, oramos pedindo a orientação de Deus. Naquela tarde, depois de uma terrível tempestade, eu estava saindo do meu carro quando encontrei um folheto azul com as palavras em destaque: JESUS: Quem é Ele? [o antecessor deste livro]. Ele estava ensopado, mas peguei-o e trouxe-o para casa, onde minha esposa o secou no calor do forno. Lemos juntos e nos convencemos de que estávamos sendo iludidos, de que Jesus era realmente o Filho de Deus que morreu por nossos pecados e ressuscitou no terceiro dia, exatamente como ensina a Bíblia. Por isso, oramos para receber Cristo e temos desfrutado da maravilhosa ‘paz com Deus’ desde aquele dia.”

 

Não devemos nos esquecer das palavras que Jesus disse: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo” (João 7.17). Aquele casal é um perfeito exemplo disto. No caso deles, Deus enviou meu folheto de uma maneira peculiar para cumprir seus misericordiosos propósitos: ele flutuou sob uma chuva pesada, sendo levado pela enxurrada até parar junto à sarjeta perto da caminhonete daquele jovem.

 

Jesus é Digno de ser Adorado

Jesus não somente ensinou que Ele era Deus, mas demonstrou essa afirmação através de seus milagres e de sua vida sem pecado. Ele também demonstrou que aceitava essa situação recebendo a adoração de uma ou mais pessoas em dez ocasiões diferentes. Em nenhum momento Ele repreendeu as pessoas por adorá-lo, um descuido [para os judeus] que teria sido considerado uma grave heresia, a menos, naturalmente, que Ele fosse realmente Deus.

Michael Green, em seu excelente folheto Who is This Jesus?, escreveu:

Jesus aceitava tranqüilamente a adoração… Os judeus não adoravam nenhum homem ou estátua: somente o próprio Deus. As implicações dessa atitude de Jesus são óbvias. Ele sabia que era digno de adoração. Embora humilde como era, pronto a servir a todos, Jesus sabia quem Ele era e qual sua origem. “Ele viera de Deus e voltava para Deus “, como afirmou o apóstolo João em seu evangelho (13.3). E por algumas vezes, Ele aceitou a adoração devida somente a Deus. Era o prelúdio da adoração universal que se seguiria.

 

É curioso notar que todas as vezes que as pessoas vinham até Jesus para aceitá-lo como seu Senhor, a primeira coisa que desejavam fazer era adorá-lo. Em um grande número de casos, as pessoas queriam imediatamente pôr-se de joelhos e orar. Tenho orado com centenas de pessoas, e acredite: a maioria prefere ajoelhar-se.

Em um panfleto sobre o evangelho, meu amigo Bill Bright conta a história de Lew Wallace, um famoso general e escritor, que foi também um ateu declarado. O Sr. Wallace pesquisou durante dois anos nas principais bibliotecas da Europa e dos Estados Unidos, procurando informações para escrever um livro que arruinaria para sempre o cristianismo. Enquanto escrevia o segundo capítulo desse livro, ele de repente se ajoelhou clamando a Jesus: “Meu Senhor e meu Deus!”

Por causa das sólidas e inquestionáveis evidências da divindade de Jesus, Wallace não mais podia negar que Jesus Cristo era o Filho de Deus. Mais tarde, em lugar de escrever um livro para destruir a fé em Jesus, ele escreveu Ben-Hur, um dos maiores romances já escritos sobre a época de Cristo. Mais tarde, o livro se transformou em filme, tornando-se uma das mais belas produções da história de Hollywood. A última cena refletia a fé que Lew Wallace possuía. Jesus foi mostrado sobre a cruz. O céu escureceu, trovões e raios cortavam o céu e a chuva caiu sobre o corpo do Salvador. Aquela chuva misturou-se com seu sangue e caiu sobre o solo, transformando-se em um riacho e em seguida em um rio, que corria para os oceanos e para um mundo necessitado de sua purificação.

Bright continuou:

De modo semelhante, o falecido C. S. Lewis, professor na Universidade de Oxford, foi um agnóstico que negou a divindade de Cristo durante anos. Mas ele também, por sua honestidade intelectual, submeteu-se a Jesus como seu Deus e Salvador depois de estudar a esmagadora evidência de sua divindade.

 

Em seu famoso livro Cristianismo Puro e Simples, Lewis faz a seguinte afirmação:

Alguém que fosse um simples homem e dissesse o tipo de coisa que Jesus dizia não seria um grande professor de moral Ou Ele seria um lunático—ou então seria o próprio Diabo. Você precisa fazer sua escolha. Ou Ele era, e é,o Filho de Deus; ou então um louco ou coisa pior. Você pode considerá-lo um louco… ou cair aos seus pés e chamá-lo Senhor e Deus. Mas não vamos usar esses argumentos absurdos a respeito de ele ser um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa possibilidade.

 

Bright conclui seu folheto perguntando:

Quem é Jesus de Nazaré para você? Sua vida hoje e durante toda a eternidade dependem de sua resposta a esta pergunta. Se retirarmos Buda do Budismo, Maomé do Islamismo e fizermos o mesmo com os fundadores de várias outras religiões, pouca coisa mudaria. Mas se tirarmos Jesus Cristo do cristianismo, não sobrará nada, porque o cristianismo não é uma filosofia ou uma ética, mas uma relação pessoal com um Salvador vivo, ressuscitado.

 

Os cristãos não adoram estátuas de um Cristo morto, eles adoram seu Senhor vivo e ressuscitado e desfrutam de um relacionamento pessoal com Ele. Você o adora? Se não, sugiro que você faça isto ainda hoje. Ele nos convida agora a adorá-lo voluntária e alegremente. Todavia, se recusarmos fazer isso, Ele garante que um dia nós o adoraremos de qualquer maneira, mas com espanto, medo e tremor. Porque, como Paulo nos lembra, o dia logo virá quando “se dobre todo joelho… e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2.10-11).

A escolha não é entre adorar Jesus ou recusar-se a adorá-lo. A única escolha é quando começaremos a adorá-lo e como o faremos.

Jesus é o Senhor, e é plenamente digno de nossa adoração. Quanto a mim e à minha casa, nós o adoraremos livremente e com alegria. E quanto a você?

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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