HAVIA ALGO ESCONDIDO – A Vida de Abraão

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HAVIA ALGO ESCONDIDO – A Vida de Abraão

A maioria de nós tem algum segredo do passado — uma decisão, um evento, uma atitude, uma memória do passado – que pode, de alguma maneira, estar nos perseguindo até o presente. Isso ocorre com muito mais freqüência do que gostaríamos de admitir. Algumas vezes é algo que nós mesmos criamos. Em outras ocasiões essas coisas estão em nossas vidas como resultado de outra pessoa envolvida -um dos pais, um cônjuge, um amigo ou alguma circunstância que estava além do nosso controle, como um desastre natural.

Para alguns, esse segredo é uma pequena irritação que aparece periodicamente. Para outros, pode ser algo grotesco ou assustador que se torna bastante visível todas as vezes que nos lembramos dele.

Também existe aquele segredo que temos dificuldade em lembrar. Porém, quando as circunstâncias são propícias, ele aparece diante de nós. Infelizmente, Abraão tinha esse tipo de segredo em sua vida. Quando lemos a respeito da história de sua vida, ele esta tão bem escondido que dificilmente é notado. Mas para ele era algo claro e presente. Na verdade, o segredo de Abraão estava bem vivo. Era o seu sobrinho Ló.
DEIXE A SUA PARENTELA

Quando Abraão recebeu o chamado para deixar Ur dos caldeus, Deus o instruiu a deixar para trás não só sua terra, mas também a sua

parentela e a casa de seu pai (Gn 12:1). Essa falha que ele cometeu (não se desvencilhar completamente de seu pai) fez com que ele atrasasse em pelo menos 15 anos a sua ida para Canaã. Mas, quando ele decidiu voltar a se dirigir para lá, sua hesitação em deixar o seu sobrinho Ló em Harã complicou a sua vida ainda mais.

Por que Deus queria que Abraão rompesse totalmente com aqueles que estavam ao seu redor? Ele não deveria ser uma bênção para todas as nações? Por que não começar com o seu próprio pai e sobrinho?

Deus é onisciente. Ele conhece os sentimentos mais íntimos e as intenções de nossos corações, hoje e sempre. O Senhor sabia que Tera iria impedir que Abraão continuasse a sua jornada para Canaã assim que chegassem a Harã. Ele também sabia que Ló iria criar problemas depois que eles estivessem assentados naquela terra.

Ló tinha um coração mundano. Os seus motivos eram egoístas. Ele já era aquele tipo de homem quando eles saíram de Ur. Ló já agia daquela maneira quando eles saíram de Harã 15 anos antes. Ele sempre continuaria sendo assim. Deus anteviu o que iria acontecer e preferiu poupar Abraão dos problemas que teria de enfrentar em Canaã.

Por outro lado, Deus também sabia que existiam certas lições que Abraão poderia aprender por não conseguir fazer a vontade divina em todos os detalhes. Como sempre, Deus é capaz de usar os nossos pecados e fazer com que eles operem para o nosso próprio bem. Isso, é claro, não justifica nossos enganos, mas demonstra que os caminhos de Deus estão muito acima de nossos caminhos, e podemos apenas aceitar esse tipo de situação pela fé.

Quando a tensão aumentou entre Abraão e Ló, aquilo não foi surpresa para Deus. No entanto, Abraão parece ter sido pego totalmente desprevenido. Mesmo que ele provavelmente soubesse que havia sérias falhas no caráter de Ló, ele ignorou a natureza mundana de seu sobrinho e demonstrou até mesmo ter um senso de responsabilidade pelo seu bem estar. Ou quem sabe Ló estivesse conseguindo se comportar da melhor maneira possível – mas apenas por algum tempo. Porém, depois que eles voltaram do Egito, o que estava no coração de seu sobrinho, de repente, veio à tona.

BÊNÇÃO COMPARTILHADA

Deus não estava perseguindo a Ló. Mesmo que ele conhecesse o coração daquele homem, assim como conhece o coração de todos os homens, o Senhor queria que ele mudasse. Do mesmo modo que desejava que Abraão o seguisse por completo, Deus queria que Ló e sua família fizessem a sua perfeita vontade. Conseqüentemente, ele abençoou Ló com rebanhos, gado e tendas, do mesmo modo que fez com Abraão (13:5). E bem provável também que, quando Abraão recebeu ovelhas, gado, burros e servos de Faraó, ele tenha compartilhado esses presentes com Ló. Se foi isso que aconteceu, Ló também lucrou com as bênçãos recebidas por Abraão no Egito. Os presentes de Deus para Abraão resultaram em bênçãos para Ló. Não é difícil que vejamos filhos e pais incrédulos compartilhando da graça do Senhor quando ela é derramada sobre pais e avós piedosos..

Por que Abraão decidiría compartilhar a sua riqueza com Ló? Simplesmente porque ele era generoso e não era uma pessoa egoísta? Para responder a essas perguntas, tente se colocar no lugar dele. Lembre que Abraão adquiriu uma enorme riqueza por causa de sua estratégia egoísta e havia deixado Deus de fora. Ele certamente não havia se esquecido que abriu mão de sua mulher para um rei libertino e maligno, visando com isso livrar a sua própria pele. Como conseqüên-cia, ele pode ter se sentido culpado — assim como eu e você iríamos nos sentir — quando recebeu um presente tão generoso de Faraó, apesar de estar tomando uma decisão egoísta. Compartilhar aquele lucro imerecido com Ló poderia ter sido uma tentativa de aliviar a sua própria culpa e tentar compensar aquilo que ele havia feito de errado.

Ainda que Abraão possa ter agido motivado por um sentimento de culpa, em muitos aspectos ele também foi generoso e sensível. Apesar de suas fraquezas, ele tinha qualidades em seu caráter que Ló não compartilhava. Talvez esse tenha sido outro motivo por que Deus escolheu Abraão para sair do meio de um ambiente idólatra e ser o canal através do qual ele iria trazer o salvador ao mundo. Isso não é o mesmo que dizer que Abraão foi salvo por suas obras. Apesar do estilo de vida idólatra de Abraão, Deus pode ter visto os indícios de

atos de justiça no coração e na vida do patriarca, qualidades de caráter que capacitaram aquele homem a dar uma resposta à misericórdia, à graça e ao chamado soberano de Deus em sua vida. Mais uma vez temos diante de nós um mistério divino que é incompreensível se visto pela nossa perspectiva limitada.

O SEGREDO SURGE

Abraão e Ló tornaram-se homens ricos (13:6,7). As Escrituras dizem que Abraão ficou “muito rico-, possuía gado, prata e ouro” (v. 2). Da mesma maneira, “Ló… também tinha rebanhos, gado e tendas” (v. 5). Ainda que houvesse bastante terra disponível (v. 9), “eram muitos os seus bens; de sorte que não podiam habitar um na companhia do outro” (v. 6). E irônico que toda aquela terra não fosse suficiente para ambos (w. 6,7). Por esse motivo ocorreu uma séria desavença entre os servos de Abraão e Ló (v. 7).

A riqueza material pode ser tanto uma bênção como uma maldição. Mesmo aqueles que têm grande sabedoria, por vez têm problemas em manter afastados de suas vidas as brigas, a infelicidade e o ciúme. Sempre haverá aqueles dentro de uma estrutura familiar que tenham atitudes carnais e egoístas.

A riqueza de Abraão causou-lhe problemas logo no início de sua caminhada com Deus. Apesar de suas próprias atitudes estarem corretas, o patriarca não foi capaz de transferir totalmente o seu modo de pensar para aqueles que trabalhavam para ele. Tampouco conseguiu controlar o comportamento egoísta de Ló e dos servos de seu sobrinho. Conseqüentemente, os pastores do gado de Abraão brigaram e discutiram com os pastores de Ló sobre quem deveria usar os pastos e os poços onde eles haviam decidido erguer as suas tendas. Ironicamente essa disputa não foi causada pela superpopulação. Mais tarde, Abraão lembrou a Ló que havia bastante espaço disponível. Então, qual era o motivo da briga? (v. 9).

UMA OFERTA GENEROSA

Abraão ofereceu uma solução para o problema que revelava o que realmente estava em seu coração. Ele disse: “Não haja contenda entre

mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos parentes chegados. Acaso, não está diante de ti toda a terra?” (w. 8,9).

O patriarca foi sábio o suficiente para saber que não tinha outra opção a não ser se afastar de Ló e, mesmo assim, fez-lhe uma oferta bastante generosa. “Se fores para a esquerda” — ele disse —, “irei para a direita; se fores para a direita, irei para a esquerda” (v. 9). Abraão sabia que aquela era a única maneira que a unidade poderia ser restaurada entre eles.

Veja que espírito generoso. Aquele homem certamente sabia que Deus havia abençoado Ló por causa dele. Mesmo assim estava disposto a colocar o seu sobrinho nas mesmas condições que ele, pois ofereceu a Ló uma escolha que poderia permitir que o sobrinho ficasse com uma parte melhor.

Ao fazer esta oferta, Abraão não estava sendo ingênuo, pois tinha consciência do que estava em jogo. Ele sabia que a terra que se estendia em direção ao Jordão era um “jardim do Senhor” (v. 10). Ele sabia bem que tinha chances de ficar com a terra menos agradável e produtiva. No entanto, o seu amor por Ló, seu desejo de manter a unidade e a paz e a preocupação com o seu testemunho pessoal em uma comunidade pagã pareciam mais importantes para Abraão do que a sua própria riqueza material. Abraão ainda tinha uma longa jornada espiritual para trilhar, mas naquele momento ele já não era o homem que havia sido antes.

UMA ESCOLHA EGOÍSTA

Quando Abraão lhe deu a oportunidade e Ló teve a chance de tomar uma decisão sozinho, o seu verdadeiro caráter foi revelado (w. 1012). Ló “levantou… os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada […] como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, como quem vai para Zoar” (v. 10).

Os problemas muitas vezes têm início com os nossos próprios olhos. O que nós vemos é o que nos leva a tomar nossas decisões erradas. Isso foi verdade no caso de Ló. Além disso, a experiência que tiveram no Egito resultou em possessões maiores. Isso provavelmente o estimulou para procurar ter coisas maiores e melhores.

Como isso nos parece familiar! A riqueza material de Ló combinava com o seu coração egoísta e fez dele alguém vulnerável e suscetível a se tornar ainda mais egoísta. Infelizmente, essa escolha também teria um efeito muito negativo na sua vida e de toda a sua família. Ele estava preste a ficar ainda mais aprisionado pelas coisas deste mundo. Ele optou por se mudar e ir em direção a Sodoma, uma das cidades mais degeneradas do mundo naquele tempo. Mesmo se ele soubesse desse fato, isso não o impediría de tomar aquela decisão carnal e egoísta. As Escrituras falam a respeito disso: “Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu para o Oriente; separaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã; e Ló, nas cidades da campina e ia armando as suas tendas até Sodoma. Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor” (w. 11-13).
REAFIRMAÇÃO

Abraão recebeu sua primeira revelação quando Deus o chamou para sair de Ur e ir “para a terra” que o Senhor lhe mostraria (12:1). Quando ele finalmente chegou a Canaã, Deus apareceu novamente, porém dessa vez ele deu um esclarecimento maior a respeito da jornada. O Senhor assegurou a Abraão que ele estava na terra e, conforme Deus havia prometido, não apenas ele iria recebê-la, mas também toda a sua descendência (v. 7).

A fé se concretiza

Depois de Abraão ter entregado para Ló a melhor parte da Terra Prometida, Deus foi ainda mais específico em sua revelação, dizendo-lhe que a sua generosidade seria recompensada muitas vezes:

Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua

descendência. Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura; porque eu ta darei.

Gênesis 13:14-17

Deus queria que Abraão soubesse que, se comparado com aquilo que seus descendentes iriam receber, ele não havia aberto mão de muita coisa. A cada passo que dava em obediência, Abraão recebia uma revelação mais clara e uma segurança ainda maior. Embora houvesse dado um passo dt fé, sem saber aonde ele estava indo, ele podería agora ver o que Deus tinha planejado. Enquanto caminhava de uma extremidade a outra da Terra Prometida, ele podia sentir a areia entre seus dedos.

E perdendo que se ganha

Isso não deveria ser surpresa para nós, pois essa é a maneira pela qual Deus muitas vezes nos guia. Quanto mais fazemos a vontade dele, melhor conseguimos entender qual o seu plano para nossas vidas. Ainda que nossa jornada possa ser marcada pela fome e até mesmo por encontros dolorosos com aqueles que nos são mais queridos, Deus leva em consideração nossos maiores interesses. Mesmo quando parece que estamos perdendo, na verdade estamos ganhando. Isso deveria servir como um lembrete para cada cristão que está relutando em tomar uma decisão baseada em motivos que não são egoístas.

Obviamente Abraão, naquela altura de sua vida, não entendia claramente o significado de tudo o que Deus já havia lhe revelado. Ele certamente não compreendia os aspectos eternos daquela promessa maravilhosa. Mas chegaria um tempo no qual ele iria entender tudo de uma maneira mais completa. Veja o que o autor de Hebreus diz quando refletiu sobre a vida daquele. Isso nos ajudará a entender mais claramente o que Abraão estava pensando: “Pela fé, [Abraão] peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11:9, 10).

TORNANDO-SE UM HOMEM DE DEUS HOJE

Princípios de vida

Todos nós temos segredos guardados em nossa vida. Alguns são grandes e outros são pequenos, uns são difíceis de se lidar e outros, muitas vezes, nem valem a pena serem mencionados. Alguns desses problemas existem por causa dos erros que cometemos, outras vezes devido a coisas que os outros fizeram. Enquanto pensamos nos princípios que surgem desse aspecto da vida de Abraão, vamos nos concentrar nas decisões que já tomamos no passado e que periodicamente, ou com certa regularidade, acabam voltando para nós no presente. Como nós, os cristãos, devemos lidar com esses segredos?

• Princípio 1: Nós devemos sempre nos lembrar que o perdão de Deus dado por Cristo se estende a tudo o que fizemos no passado.

Se você é um cristão, não precisa permitir que existam segredos embaraçosos em sua vida que possam derrotá-lo e deixá-lo num estado1 de constante preocupação e tristeza. Acredite na grande verdade que João escreveu em sua primeira epístola: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9).

Paulo nos mostrou outra grande verdade em sua segunda carta aos Coríntios: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5:17).

Ainda que continuemos vivendo neste corpo e estejamos sujeitos ao fracasso – e continuará sendo assim até que Cristo volte – devemos nos ver e aos outros cristãos do mesmo modo que Deus nos vê. Nós fomos aperfeiçoados em Cristo. Esta deve ser a nossa mensagem para os outros. Não apenas Deus nos reconciliou consigo através de Cristo, mas ele nos deu o ministério da reconciliação (2 Co 5:19). Nós podemos e devemos compartilhar com os outros a identidade e a posição gloriosa que eles podem ter em Cristo, se aceitarem a sua mensagem de amor e graça.

• Princípio 2: Ainda que Deus nos veja como novas criaturas em Cristo, isso não significa que temos novos corpos e novas almas.

Alguns cristãos parecem pensar que estar em Cristo significa que tudo se torna novo no momento em que recebemos Jesus. Não é bem assim. As Escrituras certamente não ensinam isso e as evidências confirmam o fato de que não recebemos novos corpos e novas almas no momento em que aceitamos Jesus como nosso Senhor e Salvador pessoal.

Paulo falou claramente sobre isso no mesmo contexto em que ele declarou que, se estamos em Cristo, somos novas criaturas. Ele escreveu: “sabemos que, se a nossa casa terrestre [corpo] deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial” (2 Co 5: 1,2).

O corpo e a alma (nosso intelecto, nossas emoções e nossa vontade) estão ligados de uma maneira inseparável enquanto estivermos vivendo nesta terra. Eles representam tanto a parte material como imaterial de nosso ser. O que acontece com o corpo afeta a alma e o que acontece com a alma afeta o corpo. E por isso que usamos o termo psicossomático quando falamos sobre doenças que se encontram tanto no corpo quanto na mente. As palavras gregas psyche (que significa “alma”) e soma (“corpo”) são usadas para formar essa palavra em nossa língua.

Todas as pessoas, cristãs e não-cristãs, manifestam sintomas psicossomáticos sob certas circunstâncias. E por isso que o Livro de Provérbios diz: “Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo” (Pv 16:24). Ou seja, podemos fazer com que as pessoas sintam-se bem de um modo geral, tanto no corpo quanto na alma, ao usarmos palavras agradáveis, gentis e que demonstrem confiança. No sentido inverso, poderemos fazer as pessoas sentirem-se mal quando usarmos de sarcasmo e comentários que refletem raiva e falta de sensibilidade.

É por isso que Paulo nos diz: “Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras” (1 Ts 4:18), ou seja, as boas novas a respeito do fato de que, quando os cristãos morrem antes da vinda de Cristo, eles partem para estar com o Senhor. Quando isso ocorre, o “corpo” e a “alma” do cristão ficam separados, algo que somente Deus pode fazer com que aconteça (2 Co 5:6). A alma, a verdadeira pessoa, entra na presença de Deus. O corpo decadente retorna para o pó. Essa separação, porém, é apenas temporária, até que todos – os que morreram em Cristo e aqueles que ainda estarão vivos quando Cristo voltar novamente — recebam um corpo totalmente novo e que não perecerá (1 Co 15:51-53; 1 Ts 4:16, 17). Nesse momento, nossa alma, que já foi aperfeiçoada por Deus quando entramos em sua presença (ou no momento em que formos arrebatados), será unida a um corpo perfeito, semelhante ao corpo glorificado de nosso Senhor Jesus Cristo.

Uma nova identidade

O que acontece quando nós recebemos a Cristo? Nascemos de novo pelo Espírito Santo (Jo 3:3; Tt 3:5). Alguns acreditam que o nosso espírito, o qual eles dizem que estava morto até aquele momento, se torna vivo e é renovado. Eu pessoalmente acredito que é difícil distinguir entre alma e espírito e tentar explicar o que realmente acontece na conversão. Mas uma coisa é certa, nós temos uma nova identidade em Cristo. No que se refere a Deus, somos feitos totalmente novos, pois ele já nos vê ressurretos com Cristo e assentados “nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2:6). Pela perspectiva de Deus, nós já estamos glorificados (Rm 8:30). Em outras palavras, nós temos um novo corpo e também uma alma e espírito totalmente novos. Ele não olha para a nossa vida passada e vê aquelas coisas que fizemos e que estavam fora de sua vontade. Somos totalmente perdoados.

Uma nova capacidade e habilidade _

Não apenas recebemos uma nova identidade em Cristo, mas também passamos a ter uma nova capacidade e habilidade de nos tornar

cada vez mais parecidos com Jesus Cristo. Volto a enfatizar que alguns acreditam que essa capacidade está relacionada com o nosso espírito renascido e que antes estava morto. Independentemente do que aconteça, fica claro pelas Escrituras que nós temos um recurso divino, o Espírito de Deus que habita em nós e que nos capacita a colocar de lado o nosso velho ser e nos revestir com um novo ser, que é “criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4:22-24).

E por isso que Paulo orou desta maneira pelos cristãos de Efeso:

Para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior, e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais ‘tomados de toda a plenitude de Deus.

Efésios 3:16-19

Sermos “tomados de toda a plenitude de Deus” quer dizer que devemos cada vez mais refletir a justiça e santidade de Deus. Por esse motivo é que Paulo escreveu aos romanos: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2). Aqui parece que Paulo estava usando a palavra mente para se referir não só ao nosso intelecto, mas a todos os aspectos de nossa alma, incluindo nossas emoções e nossa vontade.

• Princípio 3: Devemos entender que o nível de mudança que ocorre em nosso corpo e alma muitas vezes depende não apenas de nossa fé, mas também de até que ponto o nosso ser como um todo foi afetado pelos pecados do passado.

Infelizmente, as mudanças que Deus quer que ocorram em nossas vidas não são automáticas. Nós não nos tornamos imediatamente como ele. Muitos de nós continuam colhendo o que plantaram, mesmo depois de termos nos tornado cristãos. Paulo deixou isso bem

claro na sua carta aos Gálatas: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna” (G1 6:7, 8).

Devemos aceitar a realidade

Quando o pecado destrói certos aspectos de nossas vidas, não existe maneira de desfazer completamente o que já havia sido feito. O pecado que afetou os nossos corpos e a nossa natureza psicológica, por vezes, irá continuar a nos perseguir e a ser um segredo oculto em nossas vidas. Já vi algumas pessoas se tornarem cristãos que tiveram que conviver com a conseqüência de seus pecados, pois isso devastou completamente seu corpo e sua alma. Estava me lembrando de um homem que era alcoólatra. Ele bebeu tanto durante certo tempo que, como resultado, acabou destruindo certas partes de seu cérebro. Felizmente ele foi capaz de entender o evangelho e acabou se convertendo. No entanto, Deus não restaurou aquelas partes de seu cérebro que haviam sido destruídas. Ele sofreu as conseqüências de seus atos do passado até o dia que morreu e foi para seu lar celestial em glória. Quando Cristo vier de novo, aquele homem irá receber um novo corpo, e o seu cérebro será perfeito.

Outras pessoas destruíram seus corpos e almas com drogas e continuam a colher os resultados de seus atos, mesmo após se tornarem cristãos. Outros vieram a descobrir que eram soropositivos. Pessoalmente não conheci ninguém que tivesse Aids e fosse completamente curado dessa doença. Eu acompanhei a vida de um jovem admirável que havia contraído o vírus da Aids numa transfusão de sangue. Com o passar do tempo, seu corpo foi se deteriorando cada vez mais, e ele acabou morrendo. Mesmo que os presbíteros de nossa igreja o ungissem com óleo e orassem pela sua cura, Deus escolheu levá-lo para o céu.

Deus poderia curar aquele jovem enquanto ele estava aqui na terra? Com certeza. Mas ele escolheu não fazê-lo. Não devemos ques-

tionar as decisões divinas e soberanas de Deus. Isso não quer dizer que não devamos orar pedindo por cura. Precisamos nos lembrar sempre que Deus continua nos vendo como sendo perfeitos em Jesus Cristo.

Não se contente com nada menos do que o melhor que Deus tem

Isso não significa que deveriamos estar satisfeitos com o nosso estado presente. Algumas vezes eu vi Deus responder a orações e trazer uma cura inusitada tanto para a alma quanto para o corpo. Felizmente, nem todos os pecados são devastadores. Deus coloca em ação uma nova lei em nosso ser interior que pode nos ajudar a passar por cima de muitos dos efeitos do pecado. Podemos renovar nossa mente, o que, algumas vezes, irá nos ajudar verdadeiramente a renovar nosso corpo. Com a ajuda do poder interior e a presença do Espírito Santo, não importa qual seja nossa situação, poderemos nos tornar mais e mais como nosso Salvador. Em meio a todas as outras pessoas, os cristãos é que deveríam experimentar mais freqüentemente a cura tanto do corpo quanto da alma, simplesmente porque estamos em contato com o Deus do universo, que é todo-poderoso. Enquanto você tenta colocar esses princípios em prática, lembre-se das palavras que Paulo escreveu aos efésios: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef 3:20, 21).
APLICAÇÃO PRÁTICA

Mesmo que seja difícil explicar a parte imaterial dos seres humanos de uma maneira definitiva, encontrei conceitos bíblicos de corpo, alma e espírito que podem ser úteis ao aplicarmos de maneira pessoal as verdades que já analisamos neste capítulo (1 Ts 5:23; Hb 4:12). De um modo funcional, esses três conceitos parecem estarcorrelacionados em muitos aspectos com as dimensões fisicas, psicológicas e espirituais de nossas personalidades. Para ser sincero, não tenho certeza de como era o espírito antes e como ele fica depois da conversão. Tudo que posso dizer é aquilo que aprendi através das Escrituras: estávamos mortos espiritualmente antes e passamos a viver espiritualmente depois de termos nascido de novo. Como já disse antes, alguns acreditam que apenas o espírito está morto antes de sermos salvos, e essa é a dimensão que se torna totalmente nova quando nos convertemos. Pessoalmente, penso que isso é algo bastante difícil de ser provado biblicamente. Em vez disso, parece que o novo nascimento afeta o nosso ser totalmente, dando-nos uma nova identidade, uma nova capacidade e uma nova presença – a pessoa do Espírito SantoA Bíblia nos ensina que uma pessoa que não é cristã está morta espiritualmente (Ef 2:1). Os que não creram ainda não foram reconciliados com Deus. Eles não têm a vida eterna. Eles não têm uma nova identidade e posição em Cristo. Tampouco têm uma nova capacidade e habilidade de renovar as suas mentes. O Espírito Santo não

habita em suas vidas, dando a eles o poder de Deus para viver como seus filhos.

Os não-cristaos podem ser bastante saudáveis

Ainda que os não-cristãos não estejam vivos em Cristo, eles podem viver muito bem física e psicologicamente. Quando Adão e Eva desobedeceram a Deus e arrastaram consigo todo o mundo para o pecado, o Senhor não tirou de nós a capacidade de sermos pessoas equilibradas nessas dimensões de nossas vidas. Por exemplo, muitos dos melhores atletas do mundo não são cristãos. Além disso, alguns dos intelectuais mais brilhantes do mundo dizem nem mesmo acreditar em Deus. Conheço alguns não-cristãos que são bastante saudáveis emocionalmente, em especial se cresceram num ambiente seguro. Na verdade, muitas dessas pessoas sentem-se muito bem, mesmo sem terem Deus em suas vidas. Esse é um dos motivos por que elas não entendem a necessidade que temos de Jesus Cristo. »

O novo nascimento

O que acontece então quando nos tornamos cristãos? Primeiramente, vamos ver o que não acontece. Nós não recebemos um novo corpo (de natureza física). Nem recebemos uma nova alma (um novo intelecto, um novo conjunto de emoções e uma nova vontade). Em vez disso, trazemos para a nossa vida cristã o que já somos nessas áreas. Nossos pontos fortes e também nossas fraquezas. Alguns chamam isso de nossos “padrões da carne”.

Porém, nós recebemos uma nova identidade e posição em Jesus Cristo. Somos feitos vivos em Cristo (Ef 2:4,5). Também passamos a ter uma nova capacidade, que nos permitirá crescer e nos desenvolver espiritualmente, isso afeta todo o nosso ser. Recebemos ainda uma nova presença, na pessoa do Espírito Santo, que pode nos dar poder e força para nos tornar mais e mais como Jesus Cristo. Veja que todos esses benefícios estão relacionados com todos os aspectos de nosso ser como um todo.

O processo de mudança

Devemos ter em mente que, se semeamos na carne, então já colhemos a corrupção em nossos corpos e almas. As mudanças podem vir de maneira lenta, e algumas vezes devemos aceitar o fato de que temos de viver nossas vidas na terra com as conseqüências de nossas ações.

Ironicamente, quando algumas pessoas se tornam cristãs, os problemas emocionais e físicos ficam até piores antes de melhorarem. Isso pode ser decepcionante, tendo em vista o que a vida cristã deveria ser. Entretanto, devemos compreender que, como novos convertidos, que estão crescendo em Cristo, eles desenvolvem uma nova consciência e um novo padrão para decidir o que é certo ou errado. Quando são tentados para pecar e acabam falhando com Deus ao tomarem decisões erradas, não é preciso dizer que o seu nível de estresse e ansiedade será maior do que antes.

Precisamos ajudar os novos cristãos a entender essa dinâmica. Devemos lembrá-los de que ao mesmo tempo em que nós estamos passando por uma transição da vida velha para a nova, Deus continua nos vendo como sendo perfeitos em Cristo. Nossos pecados foram lavados. Apesar de que os resultados do pecado podem continuar existindo, não há necessidade de permitirmos que os erros do passado nos amedrontem e façam com que nos sintamos culpados.

Estabeleça um objetivo

Enquanto você revisa os princípios deste capítulo e as sugestões práticas para aplicar esses princípios em sua vida, concentre-se em uma área onde você precisa dedicar atenção especial. Por exemplo, você se sente culpado por coisas que não deveria se sentir? Você continua se punindo pelos seus pecados do passado, mesmo que Cristo já o tenha perdoado?

Lembre-se de que uma vez Abraão teve de lidar com um problema que foi causado por uma decisão equivocada. Ele mudou as suas tendas e “foi habitar nos carvalhais de Manre, que estão junto a He-brom; e levantou ali um altar ao Senhor” (Gn 13:18). Deus quer que

você o adore estando livre das coisas passadas que o podem estar aprisionando. Seja qual for a sua necessidade, estabeleça um objetivo:
Memorize o seguinte texto bíblico

Procure memorizar esta passagem das Escrituras para ajudá-lo a alcançar o seu objetivo:

nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado^ não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.

Romanos 6:13,14
Crescendo juntos

Estas perguntas destinam-se a discussão em pequenos grupos de estudo:

1. Como este estudo o ajudou a entender o que acontece quando nos tornamos cristãos?

2. De que maneira você já descobriu como evitar que os erros do passado possam continuar a persegui-lo no presente?

3. Você gostaria de compartilhar alguns erros do passado com os quais já teve de lidar?

4. Você tem algum segredo na sua vida com o qual continua lutando até hoje? Caso você tenha, gostaria de compartilhá-lo conosco?

5. Quais os seus pedidos pessoais de oração?

 

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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