Evidências da Plenitude do Espírito – Batismo e Plenitude do ES

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Evidências  da  Plenitude  do  Espírito – Batismo e Plenitude do ES

A segunda passagem do Novo Testamento dá ênfase à evidência da plenitude do Espírito, apesar de também incluir uma ordem de ser cheio, que precisamos estudar com cuidado. Quais são as características de uma pessoa cheia do Espírito de Deus hoje? Não pode haver dúvidas de que a principal evidência é moral, não miraculosa, e reside no fruto do Espírito, não nos dons do Espírito. Já tivemos oportunidade de constatar que os coríntios, que tinham sido batizados com o Espírito e ricamente dotados dos dons do Espírito, mesmo assim provaram ser cristãos “não espirituais”, porque lhes faltava a qualidade moral do amor (1 Cor. 3:1-4).

Eles se vangloriavam de uma certa plenitude, o que fez Paulo escrever-lhes com um toque de sarcasmo: “Já estais fartos” (cheios, 4:8)! Mas não era a plenitude do Espírito Santo. Se eles estivessem cheios do Espírito, obviamente teriam estado cheios de amor, o primeiro fruto do Espírito. O amor é o poderoso elo de união entre o fruto e os dons do Espírito. Isto não ocorre somente porque sem amor os dons são sem valor (1 Cor. 13), mas também porque o amor requer os dons como equipamento necessário para poder servir outros.

No único trecho em suas cartas onde o apóstolo Paulo descreve as conseqüências da plenitude do Espírito, elas são todas qualidades morais. Esta passagem é Efésios 5:18-21:

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.”

No texto grego este trecho tem dois verbos na forma imperativa (“não vos embriagueis com vinho”; “enchei-vos do Espírito”), dos quais dependem quatro verbos que são particípios presentes (literalmente: “falando”, “cantando e fazendo melodias”, “agradecendo” e “submetendo”). Em outras palavras, a ordem única de ser cheio do Espírito é seguida de quatro conseqüências descritivas da plenitude do Espírito Santo.

A ordem de ser cheio é contrastada diretamente com a outra ordem de não se embriagar. A partir daí, algumas pessoas deduziram rapidamente que embriaguez e a plenitude do Espírito podem ser comparadas. Elas dizem que a plenitude do Espírito é um tipo de ebriedade espiritual; o apóstolo está contrapondo dois estados de embriaguez: física, através do vinho; e espiritual, pela plenitude do Espírito. Não é este o caso. É verdade que um bêbado está “sob a influência do álcool” e que, de maneira semelhante, pode-se dizer que um crente cheio do Espírito esteja sob o controle do Espírito. Também é verdade que no dia de Pentecostes, quando o Espírito concedeu aos 120 que falassem publicamente em outras línguas, alguns da multidão comentaram: “Estão embriagados” (Atos 2:13). Porém os que disseram isto evidentemente eram uma minoria; eles acharam que os discípulos estivessem bêbados porque não conseguiam entender nenhuma das línguas faladas; a maioria reagiu com surpresa, ao ouvir os galileus falarem de maneira inteligível idiomas nativos da Ásia e da África que a multidão podia entender.

Portanto, é um erro crasso supor que estes primeiros crentes cheios do Espírito estavam em um tipo de transe alcoólico, ou que este estado devesse ser um padrão das experiências da plenitude do Espírito. Paulo tem exatamente o oposto em mente. Há uma implicação clara em Efésios 5:18 de que a embriaguez e a plenitude do Espírito não podem ser comparadas assim, porque a embriaguez é vista como “dissolução” ou “perdição” (BLH). A palavra grega asotia, que em suas duas outras menções no Novo Testamento é traduzida também por “devassidão” (Tito 1:6, 1 Ped. 4:4), literalmente descreve uma situação em que a pessoa não consegue mais “salvar-se” ou controlar-se. Paulo escreve que a embriaguez envolve uma perda de controle, e por isso deve ser evitada. No outro extremo, é dito claramente em Gál. 5:23 que parte do fruto do Espírito é domínio próprio (enkrateia)! As conseqüências da plenitude do Espírito, que o apóstolo passa a descrever, devem se manifestar em um relacionamento inteligente, controlado e saudável com Deus e com as outras pessoas.

É verdade que podemos concordar que tanto na embriaguez como na plenitude do Espírito há duas grandes forças nos influenciando interiormente, o álcool em nossa corrente sangüínea e o Espírito Santo em nosso coração. Todavia, o álcool em excesso conduz a um comportamento incontrolado e irracional, que transforma o bêbado num animal; a plenitude do Espírito, por sua vez, leva a um comportamento moral controlado e racional, que transforma o cristão na imagem de Cristo. Portanto, os resultados de estar sob a influência de emanações alcoólicas, por um lado, e do Espírito Santo de Deus, por outro, são total e completamente diferentes. Um nos transforma em animais, o outro em Cristo.

Agora temos condições para analisar os quatro resultados benéficos, e, com isso, evidências objetivas sólidas, da plenitude do Espírito. Estes resultados tornam-se visíveis no relacionamento. A plenitude do Espírito não é tanto uma experiência mística particular, quanto um relacionamento moral com Deus e as pessoas ao nosso redor.

O primeiro resultado é “falando”. A tradução “entre vós” não deve ser entendida como se as pessoas cheias do Espírito começassem a falar consigo mesmos, como se sua mente estivesse anuviada! A tradução “uns aos outros” (BLH, BJ) transmite melhor o sentido. Na passagem paralela em Colossenses (3:16) o apóstolo incentiva seus leitores a deixarem a Palavra de Cristo habitar ricamente neles, para que possam “instruir e aconselhar-se mutuamente em toda a sabedoria”.

É bastante interessante o fato de que a primeira evidência de ser cheio do Espírito é falarmos uns aos outros. Mas isto não deve nos surpreender, já que o primeiro fruto do Espírito é o amor. Por mais profunda e íntima que nossa comunhão com Deus possa parecer, não podemos dizer que estamos cheios do Espírito se, porventura, não conseguimos falar com algum irmão. O primeiro sinal da plenitude é a comunhão. Mais anda, é comunhão espiritual, porque falamos uns aos outros não com tagarelice mundana, mas “com salmos, … hinos e cânticos espirituais”.

É óbvio que isto não pode significar que o meio de comunicação normal entre crentes cheios do Espírito seja a música! Antes, significa que a verdadeira comunhão se expressa no culto conjunto. Um bom exemplo é o Ven te (Sal. 95), que os anglicanos cantam muitas vezes no culto público aos domingos pela manhã. Falando especificamente, o Salmo não é de adoração, porque não é dirigido a Deus, mas à congregação: “Vinde, cantemos ao Senhor.” Esta é uma ocasião em que pessoas pertencentes a Deus falam umas às outras com um Salmo, incentivando-se mutuamente a adorarem seu Senhor.

Isto nos conduz ao segundo resultado da plenitude do Espírito, que é “cantando e fazendo melodias” para o Senhor. O Espírito Santo adora glorificar o Senhor Jesus, manifestando-o ao seu povo de uma maneira em que eles se regozijem em cantar louvores a Ele. Pessoas sem aptidão musical, às vezes, recebem conforto pela versão Revista e Corrigida desta exortação, que é cantar ao Senhor “no vosso coração”. Esta terminologia dá a impressão de que seu júbilo pode ser integralmente interior, dirigido somente “aos ouvidos do Senhor” (J. B. Phillips)! Porém a tradução “de (todo o) coração” provavelmente é mais correta. O coração não é o lugar, mas a maneira como estamos cantando. O apóstolo nos exorta a não ficarmos em silêncio, mas a adorarmos sem preconceitos.

Em terceiro lugar, devemos dar “sempre graças por tudo”. Muitos cristãos dão graças às vezes, por algumas coisas; crentes cheios do Espírito agradecem sempre, por todas as coisas. Não existe hora nem circunstância pelas quais eles não agradecem. Eles o fazem “em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”, isto é, porque são um com Cristo, e “a nosso Deus e Pai”, porque o Espírito Santo testemunha a seu espírito que eles são filhos de Deus e que seu Pai é integralmente bom e sábio. A murmuração, um dos pecados costumeiros de Israel, é um pecado grave cerque é um sintoma de descrença. Sempre que começarmos a reclamar e a nos queixar, isto é um sinal claro de que não estamos cheios do Espírito. Sempre que o Espírito Santo domina os crentes, eles agradecem ao seu Pai celestial a toda hora, por tudo.

Vimos que os segundo e terceiro sinais da plenitude do Espírito são relacionados a Deus – cantando ao Senhor e dando graças ao Pai. O Espírito Santo nos coloca em um relacionamento correto de louvor com o Pai e o Filho. O crente cheio do Espírito não tem dificuldades práticas com a doutrina da Trindade. Os terceiro e quarto sinais, entretanto, têm a ver com nosso relacionamento com as outras pessoas: falando uns aos outros, e agora sujeitando-se uns aos outros.

O apóstolo continua mostrando que a submissão é a obrigação específica de uma esposa diante de seu marido, de filhos diante de seus pais e de empregados diante de seus empregadores, mas ele começa dizendo que ela é a obrigação geral de todos os cristãos uns diante dos outros (o que inclui maridos, pais e empregadores). A submissão humilde é uma parte tão importante do comportamento cristão que o verbo aparece trinta e duas vezes no Novo Testamento. A marca registrada no cristão cheio do Espírito não é a auto-afirmação, mas a auto-submissão.

É verdade que às vezes, quando um princípio teológico ou moral fundamental está em jogo, não podemos ceder. Paulo deu um exemplo destacado desta necessidade de firmeza quando se opôs a Pedro, numa confrontação direta e pública, em Antioquia (Gál. 2:11-14). Porém precisamos sempre tomar cuidado para que nossa firmeza aparente em um principio não seja uma exibição desagradável de orgulho. É sábio desconfiar de nossa indignação justa; geralmente há nela mais que alguns traços de vaidade injusta. O teste está nas últimas palavras da frase: “No temor de Cristo”. Nossa obrigação primordial é submissão reverente e humilde ao Senhor Jesus. Devemos nos submeter aos outros somente até ao ponto exato em que nossa submissão a eles implicar em deslealdade a Cristo.

Assim, expusemos os resultados venturosos da plenitude do Espírito. As duas principais áreas em que esta plenitude se manifesta são culto e comunhão. Se estamos cheios do Espírito, estaremos louvando a Cristo e agradecendo a nosso Pai, e estaremos falando e submetendo-nos uns aos outros. O Espírito Santo nos coloca em um relacionamento correto com Deus e as pessoas. Devemos procurar a principal evidência da plenitude do Espírito Santo nestas qualidades e atividades espirituais, e não em fenômenos sobrenaturais. Esta é a ênfase do apóstolo quando ele trata deste assunto em suas cartas aos efésios e coríntios, bem como quando ele especifica o “fruto do Espírito” em sua carta aos gálatas (veja o capítulo seguinte).

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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