Daniel – Amado no Céu – Uma descrição do fim do mundo

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Daniel – Amado no Céu – Uma descrição do fim do  mundo

(Daniel 12.1-13)

O capítulo 12 de Daniel é uma seqüência cronológica do capítulo 11. O anjo ainda está revelando a Daniel uma brilhante descrição do tempo do fim. Deus levanta a ponta do véu e revela o fim da história com nuanças gloriosas. As cortinas se fecham e o fim desse drama é a vitória gloriosa do povo de Deus.

Vários eventos são descritos nesse capítulo 12. Eles são como balizas que nos direcionam no entendimento do fim da história.

De acordo com o sermão profético do Senhor Jesus,143 o fim do mundo pode ser compreendido por meio do cumprimento de vários sinais: engano religioso, guerras, terremotos, pestilências, apostasia, perseguição, esfriamento do amor, a

pregação do evangelho em todo o mundo e o aparecimento do anticristo. Esses sinais proclamam fortemente que estamos vivendo uma espécie de afunilamento da história. Especialmente, no século 20 e no começo deste século assistimos a uma grande intensificação desses sinais. Recentemente, o mundo ficou chocado com o tsunami, as ondas gigantes que invadiram o sul da Ásia, no dia 26 de dezembro de 2004, varrendo do mapa várias vilas e provocando a morte de aproximadamente duzentas mil pessoas.

Vejamos, agora, alguns pontos importantes da descrição que Daniel faz desse tempo do fim:

Fatos marcantes do tempo do fim

Destacaremos sete fatos marcantes nesse momento. Em primeiro lugar, vejamos uma descrição da grande tribulação (v. 1). O tempo da grande tribulação é claramente identificado: naquele tempo é uma descrição do período de ascensão e queda do anticristo, o arquiinimigo de Cristo e de Sua igreja. Ele se levantará na força de Satanás.144 Ele se oporá a Cristo, querendo, ao mesmo tempo, ser adorado em lugar de Cristo (2Ts 2.3,4). O anticristo vai blasfemar contra Deus e magoar os santos do Altíssimo (Dn 7.25; 11.45). Ele será adorado em todo o mundo por todos aqueles que não têm o selo de Deus (Ap 13.8). Ele perseguirá e matará muitos cristãos (Ap 13.7).

A singularidade da grande tribulação também é destacada. Esse tempo será a grande tribulação (v. 1). Será um tempo de angústia sem precedentes na história. Esse tempo é descrito como o pouco tempo de Satanás,145 a grande apostasia,146 o aparecimento do homem do

pecado147 e a grande tribulação148. Daniel vê não apenas a perseguição do anticristo, mas também seu fim, sua derrota (Dn 11.45).149 Os dias mais tenebrosos da história estão pela frente. Acautelemo-nos! Antes do fim glorioso, angústia e perplexidade virão sobre as nações.150

Em segundo lugar, vejamos uma descrição do grande livramento do povo de Deus (v.l). Mesmo nesse tempo angustioso, Deus está no controle da história. Seus anjos trabalham em favor da igreja. O arcanjo Miguel será o defensor do povo de Deus. Os anjos trabalham em favor da igreja.151 A vitória e o livramento da igreja dar-se-ão na segunda vinda de Cristo, e Ele virá quando se ouvir a voz do arcanjo. Os anjos tirarão os escolhidos de Deus do meio da grande tribulação (Mt 24.29-31). O povo de Deus não será poupado da grande tribulação, mas na grande tribulação (Dn 12.1). No tempo da maior e mais intensa perseguição contra a igreja é que o Senhor a libertará e a levará salva para Seu reino celestial (2Ts 1.6-10).

Em terceiro lugar, vejamos uma descrição da salvação pela graça (v.l). Há uma clara distinção entre os salvos e os perdidos. Os salvos têm seus nomes escritos no livro da vida. Ronald Wallace diz que a lição que mais se ressalta no livro de Daniel é que nenhum dos eleitos se perderá. Seus nomes estão escritos no livro da vida.152 Isso, não por méritos ou obras. Pelas obras ninguém poderá ser salvo.153 Mas aqueles que foram amados por Deus, selados por Deus, cujos nomes estão no livro de Deus, esses serão salvos.154 Jesus fez referência a esse livro da vida: “Contudo, não vos alegreis porque se vos submetem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus” (Lc 10.20). O apóstolo João se referiu a esse mesmo

livro, quando escreveu sobre o julgamento final: “E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo” (Ap 20.15). Há um livro com os nomes das pessoas nele. São os nomes daqueles a quem Deus amou eternamente e por quem deu Seu Filho. São as ovelhas por quem Cristo morreu, aqueles que Seu Espírito chamou para crer e ser salvos. Esse é o povo que desfrutara desse glorioso livramento.

Naquele dia, nada vai nos importar a não ser o fato de termos o nome no livro da vida. Não daremos mais importância à nossa reputação ou realizações. Nossas posses não terão valor. Somente nossa aceitação por Deus nos importará. O dia da derrota do anticristo será o dia da vitória triunfal da igreja de Deus.

Em quarto lugar, vejamos uma descrição da ressurreição geral dos salvos e perdidos (v.2). Há quatro pontos dignos de nota: primeiro, o fato da ressurreição. O último dia será o dia da ressurreição. Os filhos de Deus não serão poupados da morte física, mas o livramento do poder da morte é uma certeza. Daniel fala de uma ressurreição corpórea. Ele não fala no sono da alma. E o corpo, e não a alma, que dorme no pó da terra.

Segundo, o tempo da ressurreição. A ressurreição se dará no tempo do fim, na seguíida vinda de Cristo, na consumação dos séculos (Dn 12.2; Jo 5.28,29; 1 Co 15.51,52; Ap 20.12,13). Até mesmo aqueles que o transpassaram verão a Jesus em Sua vinda.

Terceiro, os sujeitos da ressurreição. A expressão muitos deve ser entendida aqui por todos. E uma maneira hebraica de chamar a atenção para a grandeza dos números envolvidos.155 Embora todos ressuscitem, nem todos têm o mesmo destino. Daniel fala da ressurreição geral que se

dará na segunda vinda de Cristo para o grande julgamento (João 5.28,29; Ap 20.11-13; ICo 15.51,52; Dn 12.2).

Quarto, os resultados da ressurreição. Daniel proclama duas realidades após a morte: a bem-aventurança eterna e as penalidades eternas. Daniel declara que após a morte não há nenhuma possibilidade de mudança do destino eterno (Hb 9.27). Uns ressuscitarão para a vida eterna e outros para vergonha e horror eternos.

Quinto, vejamos uma descrição das recompensas dos salvos (v.3). Daniel fala de dois grupos: os sábios e os que a muitos conduzirem à justiça. Ambos os grupos falam daqueles que resistirão à sedução ou à perseguição do sistema do mundo ou mesmo do anticristo nas mais diversas fases da história. Falam também daqueles que em meio à tribulação pregam a Palavra e anunciam a salvação em Cristo (Dn 11.33; Tg 5.19,20). Esses sábios são aqueles que quando o inferno agir livremente, não desistirão. Eles entendem que o sofrimento do tempo presente não poderá ser comparado com a glória com que se deleitarão eternamente.

Esse galardão é descrito em termos de brilho, de fulgor. Porque brilharam em tempo de escuridão, brilharão eternamente. Receberemos um corpo semelhante ao corpo da glória de Cristo. Vamos brilhar como os astros ou como as estrelas. O brilho das estrelas pode apagar-se, mas os salvos brilharão eternamente. Concordamos com o hino: “metade da glória celeste, jamais se contou ao mortal”.

Sexto, vejamos uma descrição da credibilidade da palavra profética (v.4). O profeta Daniel recebe o mandamento de “cerrar” e “selar” o livro. A palavra cerrar contém a idéia de “preservar”, enquanto a palavra selar se relaciona com o conceito de “autenticar ou assegurar”

Assim, a expressão não significa que as coisas reveladas a Daniel deviam permanecer em segredo. O costume persa era que, uma vez copiado um livro e trazido a público, selava-se uma cópia e colocava-se na biblioteca.157 Assim, as futuras gerações poderiam lê-lo. Dessa forma, na antigüidade, quando se mandava selar um livro, isso significava que o livro estava completo e recebia o selo de sua integridade, utilidade e proveito para o povo. Depois, uma cópia era disponibilizada para a biblioteca e estava disponível para ser examinada pelos estudiosos. O último ato profético de Daniel foi assegurar-se de que as profecias que lhe haviam sido reveladas se tornassem conhecidas não apenas de sua geração, mas das gerações vindouras. Eis a razão porque muitos o esquadrinharão.

A palavra profética não é uma mensagem fechada, hermética, impenetrável. Ao contrário, muitos a esquadrinharão. O livro de Daniel é uma espécie de farol na história da humanidade. Ele escreveu sobre o futuro, contou-nos a história antes dela acontecer. O livro de Daniel nos mostra que Deus é quem está com as rédeas da história nas mãos. Ele a conduz ao seu fim glorioso.

Sétimo, vejamos uma descrição do avanço do conhecimento no tempo do fim (v.4). A profecia de Daniel está em pleno cumprimento. Vivemos esse tempo da multiplicação do saber. As profecias estão se cumprindo. O fim está mais próximo do que podemos imaginar. O saber hoje se multiplica espantosamente. Vivemos hoje o tempo do milagre científico. A ficção virou história. Vivemos no mundo cibernético. A terra tornou-se apenas uma aldeia. Somos cidadãos planetários. O futuro chegou. Vivemos nele.

Em 1822, para D. Leopoldina enviar uma mensagem a D. Pedro I, do Rio de Janeiro para São Paulo, precisou um cavalo de corrida. Isaac Newton disse que chegaria o dia em que o homem correria à estrondosa velocidade de 60 km por hora. Voltaire disse que ele estava delirando. Hoje o homem vai à lua e faz viagens interplanetárias. O avanço científico parece milagroso hoje. As profecias estão se cumprindo. Precisamos nos preparar porque o tempo de nossa redenção se aproxima.

Quando se dará o tempo do fim

Uma pergunta solene sobre o tempo do fim é feita (v.5-7). A pergunta é feita por um anjo ao anjo do Senhor. A pergunta se refere a tempo. “Quanto tempo haverá até o fim destas maravilhas?” (v.6). A resposta é dada com solene juramento, levantando as duas mãos ao Deus do céu (v. 7).

A expressão “um tempo, dois tempos, e metade de um tempo” não deve ser interpretada como três anos e meio. João Calvino entende que isso fala de um longo tempo, porém determinado por Deus.158 O controle continua nas mãos de Deus, mesmo quando Sua igreja é perseguida. Esse tempo abarca todo o período da igreja, muito embora enfoque precisamente o tempo da grande tribulação, período que se não fosse abreviado ninguém seria salvo (Mt 24.21).

O anticristo será abatido no auge de seu poder e a igreja resgatada no auge de sua aflição: “[…] e quando tiverem acabado de despedaçar o poder do povo santo, cumprir-se-ão todas estas coisas” (Dn 12.7b). O mal será destruído não quando estiver em baixa, mas em seu auge.

gora é feita uma outra pergunta sobre os estágios finais do tempo do fim (v.8-13). Daniel recebe a revelação, mas não a entende (v. 8). Assim, pergunta sobre os estágios finais desse tempo do fim, ou seja, que evidências teremos de que estes dias estão chegando à sua consumação. A resposta a Daniel é que essas palavras estão encerradas e seladas até ao tempo do fim (v. 9). Em outras palavras, o que foi revelado terá seu cumprimento no tempo do fim. A profecia não nos foi dada a fim de satisfazer nossa curiosidade, mas para nos trazer à fé e nos sustentar nessa fé. O objetivo da profecia não é alimentar nossa curiosidade escatológica, mas nos preparar para entender que Deus é soberano e está no controle da história.

Quatro fatos são dignos de nota nesse tempo do fim: em primeiro lugar, a perseguição em vez de destruir a igreja a purifica (v.10). O mundo, o diabo e seus agentes quererão destruir a igreja, mas longe de destruí-la, a perseguição purificará e embranquecerá. A igreja de Cristo sempre se fortaleceu em tempos de perseguição. A perseguição do tempo do fim será sem paralelos na história, mas nesse tempo em vez da igreja ser destruída, será arrebatada para encontrar seu Senhor nos ares (Mc 13.19,20).

Em segundo lugar, a perseguição não tirará o discernimento da igreja (v.10). Os perversos procederão perversamente e não terão entendimento, mas a igreja de Deus receberá discernimento e compreensão. A profecia é uma fonte de consolo para o povo de Deus. O Senhor está no trono e conduz Seu povo à vitória triunfal.

Em terceiro lugar, a perseguição não tirará a paciência triunfadora da igreja (v. 11,12). Daniel fala de um tempo, dois tempos e metade de um tempo (v. 7), 1.290 dias (v.

11) e 1.335 dias (v. 12). Esses números são enigmáticos. Os estudiosos confessam que não entendem o significado desses dias. Não importa. Na verdade o que a profecia quer nos dizer é que a igreja está nas mãos de Deus, e ela deve ter paciência para aguardar o tempo de Deus. A mensagem é: mantenham-se firmes, não desistam. Feliz daquele que sabe esperar ainda que as datas não sejam aquelas de sua expectativa.160 O que esse texto quer dizer é que somente o tempo revelará os tempos. Quando a igreja entrar no período de sua pior e última perseguição, esses dias não durarão para sempre. No auge da perseguição, a perseguição cessará. A igreja jamais entrará num túnel sem fim. O final já está decretado: a vitória de Cristo e de Sua igreja.

Outros exegetas como Walvoord e Wood sugerem que a diferença de tempo entre 1.260, 1.290 e 1.335 dias se relaciona com os eventos que se seguirão à segunda vinda de Cristo. De acordo com esses expositores, os 1.260 dias se referem à duração da grande tribulação que culminará com a vinda em glória de Jesus Cristo. Os trinta dias seguintes (1.260 a 1.290 dias) se relacionam com a duração dos juízos mencionados em Mateus 25.31-46. Os 45 dias que restam (1.290 a 1.335 dias) têm a ver com o tempo que transcorre entre o término desses juízos e o começo do reino messiânico.161 Esses mesmos exegetas, entretanto, não fecham questão sobre o significado desses tempos. Nossa compreensão é que essa interpretação de Walvoord e Wood carece de fundamentação hermenêutica e teológica.

Em quarto lugar, a perseguição não roubará a recompensa da igreja (v. 13). O mensageiro de Deus diz a Daniel: prossiga em sua vida espiritual até o fim. Jesus prometeu: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10). Mantenha-se firme, pois no final há duas coisas preciosas: primeiro, você descansará; segundo, você se levantará para receber sua herança. Há um descanso e uma herança imaculada para o povo de Deus. A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória acima de toda comparação. O céu é lugar de recompensa. Lá nossas lágrimas serão enxugadas. Lá não haverá mais dor. Lá estaremos juntos para sempre e reinaremos com Cristo pelos séculos dos séculos. Nenhum dos eleitos de Deus se perderá. Mesmo que a morte nos faça tombar aqui, nos levantaremos do pó para brilhar como as estrelas, sempre e eternamente.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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