Daniel – Amado no Céu – A luta de Deus na salvação de um homem

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Daniel – Amado no Céu – A luta de Deus na salvação de um homem

(Daniel 4.1-37)

A graça de Deus é soberana, Seu chamado é irresistível. Os propósitos de Deus não podem ser frustrados. Ele leva a cabo tudo o que determina fazer. Agindo Deus, ninguém o impedirá. O apóstolo Paulo declara: “Aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou” (Rm 8.30). Daniel, no capítulo 4, mostra a luta de Deus na salvação de Nabucodonozor. Deus move os céus e a terra para levar esse soberbo rei à conversão.

O livro de Daniel mostra a soberania de Deus na história e também na salvação de cada pessoa.

Vejamos algumas lições:

As iniciativas de Deus para alcançar um homem

Deus usou quatro diferentes expedientes para levar Nabucodonozor à conversão. Em primeiro lugar, colocou pessoas crentes em sua companhia. No palácio de Nabucodonozor estavam Daniel e seus três amigos. Eles eram jovens crentes, fiéis e cheios da graça de Deus. Mas o convívio com pessoas crentes, por si só, não converte ninguém, ainda que sejam crentes excepcionais, como aqueles quatro jovens.20

Em segundo lugar, mostrou para ele que só o Reino de Cristo é eterno. Nabucodonozor, apesar dessa estupenda revelação, permanece ainda pagão. Está atribulado por causa de seu sonho, furioso com os sábios que não conseguem decifrá-lo. Por isso, mandou matá-los. Só um homem sem Deus pode agir assim. Daniel falou-lhe acerca do Reino de Deus que viria e que jamais seria destruído. Nabucodonozor foi levado a contemplar a ruína de sua religião e a confessar que o Deus de Daniel é o Deus dos deuses (Dn 2.47). Ele ficou impressionado, reconheceu que Deus existe, chegou a reconhecer que o Senhor é o maior de todos os deuses. Mas ele não se converteu. Logo no capítulo 3, esquece ele sua confissão. N

Em terceiro lugar, mostrou para ele que só Deus liberta. Agora, Nabucodonozor fez uma hedionda estátua, representando a si mesmo, e ordenou que todos a adorassem. Perdeu sua convicção anterior de que Deus é o Deus dos deuses. Agiu em direta contradição às verdades que recentemente confessara. As palavras de sua boca não alcançaram seu coração. Hoje isso se repete. Muita gente fica impressionada, a verdade as cativa e as entusiasma, ficam inquietas

com o que ouvem, mas não dão lugar ao Evangelho. Era essa a condição de Nabucodonozor no capítulo 3. Sua fúria de homem não convertido levou-o a jogar os três jovens na fornalha acesa. Ele teve o testemunho de fidelidade desses jovens, teve a visão do Filho de Deus pré-encarnado andando na fornalha. Ele, mais uma vez, confessou que não há deus que liberte como o Deus daqueles jovens. Mas Deus é o Deus de Mesaque, Sadraque e Abednego, não o seu Deus pessoal. Hoje, talvez, Deus é o Deus de seus pais, de seu marido, de sua esposa, de seus filhos, mas ainda não é o seu Deus pessoal. Você sabe que Deus livra, salva, liberta, mas você ainda não foi transformado por Ele nem está comprometido com Ele.

Em quarto lugar, mostrou para ele que só o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens. Os versículos 17, 25 e 32 do capítulo 4 do livro de Daniel revelam a última ação de Deus para quebrar as resistências de Nabucodonozor. Deus levou esse homem à loucura para converter seu coração.

Stuart Olyott resume essa intervenção de Deus na vida de Nabucodonozor da seguinte forma:

“Nabucodonozor nos faz perceber quão longânimo é Deus. Deus se manifestou a ele indiretamente no capítulo 1, abordou-o diretamente no capítulo 2 e sacudiu-o no capítulo

3. Deus insistiu, insistiu e insistiu de novo. Mas o coração do rei ainda não se encontrava aberto para Deus. No capítulo

4, Deus o instou mais uma vez. A graça de Deus é soberana e, nessa ocasião, Ele agirá de tal forma que destruirá toda resistência ao Seu poder. Deus determinou entrar no coração de Nabucodonozor, e o fará”.

A revelação de Deus para alcançar um homem

Nabucodonozor teve um sonho perturbador (Dn 4.1018). Uma árvore no meio da terra, cuja altura chegava ao céu e era vista até aos confins da terra. Havia nela sustento para todos, e todos os seres viventes se mantinham dela. Um santo que descia do céu deu ordens para derribar a árvore e afugentar todos os animais. Mas a cepa com as raízes devia ser deixada para ser molhada pelo orvalho do céu até que passassem sobre ela sete tempos. O sonho do rei tem uma aplicação pessoal clara, daí seu temor. A mensagem central do sonho não era enigmática (v. 17).

Daniel deu ao sonho uma interpretação corajosa (Dn 4.19-27). A árvore frondosa, que cresceu, tornou-se notória, grande, poderosa e esplendida; ela era o próprio rei (v. 22). A ordem para cortar a árvore vem do céu, como um decreto do Deus Altíssimo. O significado é que o rei será expulso de entre os homens para morar com os animais do campo como um bicho, até que reconheça que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens (v. 25). Depois que o rei passar pela humilhação e quebrantamento, Deus mesmo restaurará.

As palavras de Daniel cumpriram-se fielmente (Dn 4.28-33). Tudo o que Daniel falou para o rei aconteceu literalmente. Nabucodonozor, em vez de se humilhar, não atendeu a mais esse alerta de Deus e, por isso, foi arrancado do trono, expulso de entre os homens para viver como um animal do campo.

A soberania de Deus para salvar um homem

Vários pontos merecem destaque nesse trecho do livro de Daniel. Em primeiro lugar, vejamos a paciência generosa de Deus (Dn 4.29). Ele não derrama Seu juízo

antes de chamar o homem ao arrependimento. Deus deu doze meses para Nabucodonozor se arrepender. Deus também tem lhe falado. Ele não quer que você pereça. Ele tem lhe dado muitas oportunidades. Noé pregou durante 120 anos. Sodoma teve o testemunho de Ló. Jerusalém, antes de ser levada cativa, ouviu o brado dos profetas que a convocaram ao arrependimento. Hoje Deus está lhe dando mais uma chance. Cada dia é um dia de graça. É mais uma chance que Deus lhe dá.

Em segundo lugar, vejamos a dureza do homem que rejeita ouvir a voz de Deus (Dn 4.4,29). Nabucodonozor estava feliz e calmo passeando no palácio a despeito do solene aviso de Deus (Dn 4.29). Ah! Se você pudesse perceber o perigo em que se encontra sua alma, você cairia com o rosto em terra. Você gritaria por socorro. O inferno está com a boca aberta para lhe devorar. Há um abismo debaixo de seus pés. Os demônios querem levá-lo à perdição. O tempo é de emergência, não de folguedo.

Nabucodonozor exalta-se em vez de dar glória a Deus (Dn 4.30). Ele diz: “Eu edifiquei”; “pela força do meu poder” “para a glória da minha majestade”. Ele era a causa, o meio e a finalidade de tudo que acontecia em seu reino. Tudo girava em torno da realeza imperial. A soberba precede a ruína. A auto-exaltação torna o homem cego, tolo e endurecido.

A prosperidade não é garantia contra a adversidade. Babilônia era a cidade mais rica e poderosa do mundo. Ela tinha 96 km de muros, com 25 metros de largura, 25 portões de cobre, com uma imagem de Marduque no grande templo com 22.500 kg de ouro.22 Evis Carballosa diz que havia mais de cinqüenta templos dentro da cidade, sendo o maior de todos, aquele dedicado a Marduque.

Nabucodonozor era rei de reis, um grande conquistador e construtor. A cidade estava cheia de prédios, palácios e templos. Lá estavam os Jardins Suspensos, uma das sete maravilhas do mundo antigo, construídos para sua esposa, uma princesa da Média, que sentia falta das montanhas de sua terra natal.24 Ele era um homem que tinha poder, riqueza e fama. Seu reino era glorioso e extenso. Mas as nações são para Deus como um pingo, como um pó, como um vácuo, como nada. O rei cairia, Babilônia cairia. Só o Reino de Deus é eterno.

Em terceiro lugar, vejamos a humilhação do homem impenitente (Dn 4.31-33). Ela vem do céu (Dn 4.31). Quando o homem não escuta a voz da graça, ouve a trombeta do juízo. Deus abriu para o rei a porta da esperança e do arrependimento, ele porém, não entrou. Então, Deus o empurrou para o corredor do juízo. Deus o humilhou. O poder e a prosperidade sem o temor de Deus podem intoxicar a alma (Dt 18.11-18). O orgulho é algo abominável para Deus, pois Ele resiste ao soberbo.

A humilhação do homem é repentina (Dn 4.31,33). A paciência de Deus tem limite. O cálice da ira de Deus se enche. Chega um ponto que Deus diz: “Basta! Ainda estava a palavra na boca do rei…”.

A humilhação é terrível (Dn 4.32,33). O rei ficou louco. Deus o fez descer ao fundo do poço, tirou seu entendimento e deu-lhe um coração de animal. Seu cabelo cresceu como penas de águia, suas unhas cresceram como as das aves. Vivia como animal no campo, comendo capim, pastando no meio dos bois. Sua doença era chamada de insânia zoantrópica, licantropia ou boantropia, ou seja, considerar-se um animal, agir como um animal.25 Stuart Olyott afirma que as pessoas que sofrem desta terrível

enfermidade agem como o animal que imaginam ser e emitem os ruídos que o caracterizam.26 Deus colocou o homem mais poderoso do mundo no meio dos bois. Deus golpeou seu orgulho para levá-lo à conversão. Ele passou a comer capim, a rolar no chão com os cascos crescidos. O poderoso Nabucodonozor virou bicho, foi pastar.

A humilhação é irremediável (Dn 4.32,33). Ninguém pôde ajudar Nabucodonozor, embora fosse o homem mais rico e mais poderoso da terra.

A humilhação finalmente é proposital (Dn 4.27). 1) E cheia de esperança (v. 26,32); 2) Visa o arrependimento (v. 27). Deus o mandou comer capim para não o mandar para o inferno. Essa é a eleição da graça, que leva o homem ao fundo do poço e depois o tira de lá. Deus não fez o mesmo com Belsazar que foi condenado inapelavelmente. Herodes, por não dar glória a Deus, foi comido de vermes. O Deus que fere é o Deus que cura. O que humilha, também exalta. E melhor ficar louco e ser salvo que ser lançado eternamente no inferno.

Em quarto lugar, vejamos a conversão do homem quebrantado (Dn 4.34-37). Como Deus operou a conversão de Nabucodonozor? Não foi exaltando-o, mas humilhando-o. E assim que Deus converte as pessoas. Quem não se fizer como criança, não pode entrar no Reino de Deus. Primeiro, o homem precisa ser confrontado com seu pecado e saber que está perdido. Depois, a lei o condena e o leva ao pó para reconhecer sua indignidade. No céu só entram pessoas quebrantadas.

Nabucodonozor via a glória de sua cidade. Ele tocava trombeta para si mesmo. Gostava de viver sob as luzes da ribalta. Aplaudia sua própria glória. Deus, portanto, o humilhou. Jogou-o no pó. Mandou-o para o pasto comer

grama. Tirou suas roupas palacianas e molhou seu corpo com o orvalho do céu. Suas unhas esmaltadas viraram casco.

A conversão de Nabucodonozor pode ser vista por intermédio de quatro evidências: ele glorifica a Deus (Dn 4.34). Agora, ele olha para o céu, para cima. Nossa vida sempre segue a direção de nosso olhar. Até agora ele só olhava para baixo, para a terra. Como aquele rico insensato que construiu só para esta vida, e Deus o chamou de louco. Muitos levantam os olhos tarde demais, como o rico que desprezou Lázaro. Ele levantou seus olhos, mas já estava no inferno. Nabucodonozor confessou a soberania de Deus (Dn 4.35). Testemunhou sua restauração (Dn 4.36) e adorou a Deus (Dn 4.37).

Stuart Olyott, afirma que da conversão de Nabucodonozor podemos aprender três lições práticas:27

Em primeiro lugar, nunca devemos desistir da conversão de qualquer pessoa. Aquele que arruinou Jerusalém destruiu o templo, carregou os vasos sagrados, esmagou a cidade, levou cativo o povo, adorava deuses falsos e era cheio de orgulho converteu-se. Se aquele que manda matar seus próprios feiticeiros e também jogar na fornalha os filhos de Deus; se aquele que exige adoração de seus súditos e força as pessoas a adorarem falsos deuses; se aquele que era o homem mais poderoso do mundo converteu-se, podemos crer que não há conversão impossível para Deus.

Creia na conversão do ateu, do agnóstico, do cínico, do apático, do blasfemo, do feiticeiro, do idólatra, do viciado, da prostituta, do homossexual, do drogado, do assassino, do presidiário, do político, do universitário, do patrão, do cônjuge, do filho e dos pais. Creia! Evangelize!

O Deus que salva está no trono. Quando Deus age, nem os loucos errarão o caminho.

Em segundo lugar, a razão pela qual você ainda não se converteu é porque ainda não está suficientemente quebrantado. É o publicano que bate no peito e chora pelos seus pecados que desce justificado. O grande perseguidor da igreja, Saulo de Tarso, só se converteu quando Jesus o joga no chão, e ele, cego, humildemente, volta-se para Jesus, quebrantado. Jesus não veio chamar justos, mas pecadores. Não veio curar os que se julgam sãos, mas os que reconhecem que são doentes e carentes.

Em terceiro lugar, quem reluta em se prostrar será quebrantado ou perecerá eternamente. Deus poderia tornar qualquer pessoa louca. Quem sabe como Deus reagirá a sua constante rejeição, a despeito das constantes advertências. Deus pode quebrar você sem que haja cura (Pv 29.1). Se Deus tornar você louco sem lhe restaurar, como você clamará por sua misericórdia? Se Ele chamar você agora, que desculpas você lhe daria? Deus chamou de louco àquele que confia apenas no dinheiro e não se prepara para o dia de sua morte.28 Erga seus olhos ao céu enquanto é tempo. O homem rico o fez tarde demais e pereceu eternamente, nas chamas inextinguíveis do inferno.25 O tempo de Deus é agora. E melhor ser quebrado por Deus agora que perecer eternamente no inferno. Reconheça hoje também a soberania de Deus e volte-se para o Senhor, pois Ele é rico em perdoar e tem prazer na misericórdia!

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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