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Cumprimento das Profecias – pt2 – Quem é Jesus

Profecias sobre a Paixão, Morte, Sepultamento e Ressurreição de Jesus

 

A paixão, morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo não foram acidentais, mas sim o cumprimento de um plano premeditado de Deus antes da fundação do mundo — um plano ao qual Jesus se sujeitou livremente. Por que Ele disse: “Ninguém a tira de mim [minha vida]; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai” (João 10.18).

Em nenhum momento as multidões, os principais da sinagoga, os judeus, ou mesmo os romanos tiveram poder sobre Jesus para tirar-lhe a vida. Ao contrário, Ele se deu voluntariamente por todos os pecadores do mundo; qualquer um que esteja disposto a aceitar esse sacrifício pode receber o perdão divino. Jesus deixou isso claro no jardim do Getsêmani, depois de Pedro ter cortado a orelha do servo do sumo sacerdote:

Então Jesus lhe disse: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão. Acaso pensas que não posso rogara meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?” (Mt 26.52-54)

 

Séculos antes do nascimento de Jesus, as Escrituras expuseram vários detalhes específicos com referência à sua morte. Jesus conhecia bem essas passagens e sabia desde o começo que estava destinado a cumprir todas elas.

III. Profecias Referentes à Sua Morte

 

A morte de Jesus foi planejada antecipadamente, sendo o fato mais mencionado pelos profetas hebreus. As profecias messiânicas a seguir se relacionam com sua prisão, julgamento e crucificação. Nenhum desses acontecimentos poderia ter sido forjado.

 

  1. O Messias, “o Ungido”, a ser morto “pelos pecados do povo” 483 anos mais tarde

Cerca de quinhentos ou seiscentos anos antes do nascimento de Jesus o profeta Daniel escreveu o seguinte:

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiara iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selara visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos.

Sabe, e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas: as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos. Depois das sessenta e duas semanas será morto o Ungido, e já não estará; e o povo de um príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será em um dilúvio, e até o fim haverá guerra; desolações são determinadas.

Ele fará firme aliança com muitos por uma semana; na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele. (Dn 9.24-27)

 

Por mais incrível que possa parecer, esta profecia de Daniel foi cumprida por Jesus na semana que antecedeu a crucificação, quando Ele formalmente se apresentou à nação hebréia como seu Messias. Pode-se estabelecer que, exatamente 483 anos depois da “saída da ordem para edificar Jerusalém”, o Messias foi morto e rejeitado por seu povo.

Mas, primeiramente, vejamos o contexto desta passagem. Deus enviou o anjo Gabriel em resposta à oração de Daniel, que era um cativo como milhares de outros judeus que tinham sido levados para a Babilônia quase setenta anos antes. Daniel havia estudado as profecias de Jeremias e percebeu que o tempo para o livramento da nação estava próximo. Jerusalém — incluindo o templo e suas muralhas — permaneceu em ruínas por quase setenta anos. Gabriel então profetizou a restauração de todas essas coisas e a vinda do Messias no período de 483 anos.

Jeremias havia predito: “Toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; estas nações servirão ao rei de Babilônia setenta anos” (Jr 25.11). No fim desse período, o Senhor disse: “Logo que se cumprirem para Babilônia setenta anos atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar” (Jr 29.10). Daniel estava entre os primeiros deportados para a Babilônia, em 605 a.C, quando Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadiu a Palestina.

Agora, em 538 a.C. (67 anos mais tarde), Daniel entendeu pela profecia de Jeremias que os setenta anos de cativeiro estavam prestes a se cumprir.

John Ankerberg pesquisou detalhadamente esta passagem e nos esclareceu sobre este assunto:

Como sabemos que a mensagem de Gabriel a Daniel nesta profecia é sobre o Messias? Porque a palavra hebraica usada é Mashiach deve ser traduzida por “Messias” ou (‘o Ungido”. Como o grande estudioso de Princeton, Prof. R. D. Wilson (que era fluente em 45 línguas e dialetos), afirma, “Daniel 9.25,26 é uma das duas passagens [hebraicas] em que o esperado Salvador de Israel é chamado de Messias.”

Entretanto, alguns têm feito objeção a esta interpretação, alegando que, em lugar de estar falando do “Messias”, “o Ungido “, Daniel está se referindo a Ciro, mas isto não se justifica, porque, como veremos, os versículos 25 e 26 declaram que o “Messias “ não chegará até cerca de quatrocentos anos depois de Ciro. Deforma semelhante, ela não pode ser aplicada ao governador sírio Antíoco Epifânio, já que ele morreu em 164 a. C. Como veremos, a profecia fala sobre a vinda do “Messias “a Jerusalém quase duzentos anos depois disso. Portanto, este que é chamado Mashiach Nagid—Messias, o Príncipe — não pode referir-se quer a Ciro quer a Antíoco Epifânio. Como disse o Prof.E.J. Young, “a interpretação não-messiânica é totalmente inadequada”.

Quem, pois, é o Messias que virá? Seja quem for o Messias, ele vai aparecer em cena depois da reconstrução de Jerusalém (Dn 9.25,26) e será morto antes que Jerusalém e seu templo sejam novamente destruídos.

 

A chave para a compreensão do tempo desta profecia é a frase “setenta semanas são determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade”. A palavra “semanas” em hebraico significa literalmente “sete unidades”, seja de dias ou de anos. (Vejamos um exemplo disso. Suponha que eu dissesse que “setenta dúzias de anos estão determinados para os Estados Unidos”. Eu estaria indicando setenta vezes doze ou 840 anos, ou poderia dizer “setenta grosas (doze dúzias) estão determinadas”, e então teríamos 70 vezes 144, ou 10.080. O contexto deixa claro que Gabriel quis dizer “setes” (ou semanas) de anos; portanto sete vezes setenta, ou 490 anos.)

Neste caso, o contexto leva-nos a concluir que o termo se refere a anos; setenta vezes sete (anos) somam 490 anos determinados sobre o povo de Daniel. Ankerberg expõe como isso foi cumprido em detalhes:

De acordo com esta profecia, o Messias apareceria no final de 69 semanas [as sete semanas (49 anos) mais 69 semanas (434 anos)] ou um total de 483 anos. Depois de 69 semanas (483 anos) ocorreria a destruição da cidade e do templo. [Sabemos pela história que isto aconteceu em 70 d. C. quando o imperador Tito e suas legiões romanas destruíram Jerusalém.]

Mas, a partir de que ano e de que decreto [o decreto de “restaurar e reconstruir Jerusalém “] nós devemos começar a contar o número de anos até o Messias?

 

A profecia não pode se referir ao decreto de Ciro [539 a.C], Tarrenai [519-18 a.C] ou Artaxerxes [457 a.C], porque todos estes se referem apenas à reconstrução do templo, e não da cidade de Jerusalém, como a profecia requer. Somente o decreto de Artaxerxes a Neemias em 444 a.C. envolve uma ordem para a reconstrução de Jerusalém (Neemias 2.1-8); cf. Hoehner, 126-128).

Podemos agora determinar a data do decreto de Artaxerxes [444 a.C] até após a sexagésima nona semana [483 anos mais tarde], quando Gabriel anunciou que o Messias seria morto em Jerusalém. Usando o ano lunar de 360 dias, chegaremos a 33 d.C, a época exata em que Jesus Cristo viveu e foi crucificado em Jerusalém!

O ponto importante nesta passagem profética é que o Messias tinha de vir no fim da sexagésima nona semana — 483 anos depois da publicação do decreto. Acentuamos mais uma vez que o tempo transcorrido entre o decreto que autorizava a reconstrução de Jerusalém [versículo 25 — 444 a.C] e a vinda do Messias devia ser 69 “setes” ou 483 anos [7+62 unidades = 69 x 7 anos]. Esta é a época exata em que Jesus Cristo estava vivendo e exercendo seu ministério. Como a profecia limita o aparecimento do Messias a este período, não há simplesmente nenhum outro candidato lógico para ser o Messias. Repetimos: esta profecia prova que Jesus Cristo é o único candidato possível para ser o Messias judaico.

Uma pergunta razoável sobre esta importante passagem é: “Os estudiosos judaicos anteriores à época de Cristo aceitaram isto como uma profecia messiânica?” Ankerberg admite que sim:

Considerando que este texto fala explicitamente do Messias, seria difícil a qualquer rabino judaico negá-lo. Todavia, como esta profecia predizia que o Messias seria morto, alguns negaram que ela estivesse se referindo ao Messias.

Mas, em favor da verdade, muitos rabinos afirmaram corajosamente que esta passagem prediz de maneira tão exata o tempo específico da chegada do Messias que é impossível negá-la. Por exemplo, o rabino Nehumias, que viveu cerca de cinqüenta anos antes de Cristo, é citado por Grotius como tendo afirmado que o tempo fixado por Daniel para o aparecimento do Messias não iria além dos próximos cinqüenta anos. Isso nos leva a concluir que se Cristo não foi o Messias prometido, então Israel não teve um Messias. Repetindo: se o Messias deveria vir, teria de ser exatamente na mesma época em que Cristo viveu. O Talmud adverte: “Daniel nos anuncia o fim do Messias [isto é, ‘o tempo de sua chegada e de sua morte’—Rabino Jarchi]. “Esta profecia foi tão convincente que o Talmud registra que por volta da época de Tito [70 d. C] acreditava-se que o Messias já tinha vindo, mas que seu aparecimento tinha sido ocultado aos judeus até que eles se mostrassem mais merecedores desse acontecimento.

 

Sir Robert Anderson, estadista britânico do século passado, escreveu um excelente livro intitulado O Príncipe Que Virá, no qual expõe em detalhes todos os acontecimentos históricos e prova que, quando Jesus montou o jumentinho ao entrar em Jerusalém, Ele estava se apresentando a Israel como o Messias. Este episódio cumpre a profecia de Zacarias 9.9: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, em um jumentinho, cria de jumenta.” E quando isto ocorreu? Exatamente 483 anos contados a partir do dia em que os ponteiros proféticos do relógio de Deus começaram a se mover.

Embora a passagem de Zacarias esteja mencionada em Marcos 11.7-9 e seja uma profecia cumprida de forma inequívoca, eu não a incluí como tal porque se trata de uma das raras profecias messiânicas que supostamente podia ter sido encenada por Jesus e seus discípulos. O que não poderia ter sido encenado é a época em que esse fato ocorreu; Jesus nasceu e estava exercendo seu ministério naquele exato momento da história, revelando-se a Israel exatamente no ano previsto por esta profecia. Isso não podia ter sido encenado — a não ser pelo próprio Deus! E este é o ponto-chave de todo este capítulo. Estas profecias foram todas cumpridas pelo próprio Deus através de seu Filho, como uma maneira de identificar Jesus perante todo o mundo.

 

  1. O capítulo messiânico, Isaías 53

Mais de setecentos anos antes do nascimento de Jesus, Isaías fez uma exposição detalhada dos futuros sofrimentos do Messias. Podemos acrescentar à nossa lista onze outras profecias cumpridas somente deste capítulo, mas a evidência já é de tal modo considerável que preferi juntá-las e considerá-las como uma só.

Este capítulo pode realmente ser considerado uma profecia messiânica, pois em muitas sinagogas judaicas, onde um trecho do livro de Isaías é lido em voz alta a cada sábado, o capítulo 53 é habitualmente omitido. Por quê? Porque os paralelos nesta profecia são tão coincidentes com alguns acontecimentos da vida de Jesus Cristo que se torna difícil para eles explicar a razão de terem rejeitado a Jesus. Conseqüentemente, eles julgam ser mais prudente passar por cima deste capítulo. Depois de examinar os onze paralelos entre esse capítulo e a vida de Jesus narrada no Novo Testamento, você vai compreender as razões deles.

 

Texto de Isaías 53 Cumprimento no Novo Testamento
1. Ele é desprezado e rejeitado pelos homens (versículo 3). Veio para os seus, mas os seus não o receberam (Jo 1.11, e as muitas  vezes que os judeus pegaram em pedras para matá-lo).
2. Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si (versículo 4). Ele mesmo tomou as nossas  enfermidades e carregou com as nossas  doenças (Mt 8.17).
3. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões (versículo 5). Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança  (Jo 19.34).
4. [Ele foi] moído pelas nossas iniqüidades;… e pelas suas pisaduras fomos sarados (versículo 5). Carregando ele mesmo em seu  corpo, sobre o madeiro… por suas chagas fostes sarados (1 Pe 2.24).
5. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas  o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos (versículo 6). Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus (1 Pe 3.18). Porque estáveis desgarrados como ovelhas (1 Pe 2.25).
6. Por juízo opressor foi arrebatado  (versículo 8). [Jesus disse:] “Como, pois, se  cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?” Naquele momento disse Jesus às multidões:

“Saístes com espadas e cacetes para prender-me, como a um salteador? Todos os dias, no templo, eu me assentava [convosco] ensinando, e não me prendestes. Tudo isto, porém, aconteceu para que se  cumprissem as Escrituras dos profetas.” Então os discípulos todos,  deixando-o, fugiram. E os que prenderam a Jesus o levaram à casa de Caifás, o sumo sacerdote (Mt 26.54-57).

7. Porquanto foi cortado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo foi ele ferido (versículo 8). Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, e… matastes o Autor da vida…  Tendo Deus ressuscitado ao seu Servo, enviou-o primeiramente a vós outros (At 3.14,15,26).

Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios… Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.6,8).

8. Designaram-lhe a sepultura com os perversos (versículo 9). Posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca (versículo 9). E foram crucificados com ele dois  ladrões (Mt 27.38).
9. Todavia, ao Senhor agradou moê-lo,… quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado (versículo 10). Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (2 Co 5.21).
10. Porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores (versículo 12). E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda (Mt 27.38).
11. [Ele] levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu (versículo 12). Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lc 23.34). [Jesus] foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação (Rm 4.25).

 

Provavelmente esse capítulo é o que apresenta maior dificuldade em toda a Bíblia para os estudiosos hebraicos que desejam ser fiéis ao texto e, ao mesmo tempo, evitam a conclusão de que Jesus é o Messias, pois Ele cumpriu todos os aspectos desta grande profecia. John Ankerberg escreve:

É possível explicar os paralelos acima em bases puramente racionais? Como argumentou o exegeta e teólogo escocês Paton J. Gloag, ex-professor de crítica bíblica na Universidade de Aberdeen:

Não conseguimos entender como alguém pode ler esta extraordinária profecia sem ficar impressionado com a semelhança, com o caráter, sofrimentos e morte do Senhor Jesus. O retrato é completo; a semelhança é impressionante e indiscutível Certamente, parece mais uma história do passado do que uma predição do futuro… Em nenhuma parte da Escritura, mesmo nos trechos mais evangelísticos do Novo Testamento, a doutrina da expiação, essa grande característica do cristianismo, é tão claramente afirmada… E, até agora, nada é mais incontestável do que essas palavras que foram expressas séculos antes de nosso Senhor ter vindo a este mundo.

 

Esta passagem tem sido reconhecida como messiânica há muito tempo. Na verdade, os antigos rabinos ensinavam, baseados nessa passagem, que haveria dois Messias. Eles não puderam reconciliar as afirmações bíblicas que falam claramente de um Messias, sofredor com outras passagens que falam com igual clareza de um Messias eternamente triunfante e vitorioso. Até hoje, eles reconhecem duas maneiras de enxergar o Messias — o Messias sofredor e agonizante, chamado “Messias ben José”, e o Messias vitorioso e conquistador, chamado “Messias ben Davi”.

O Dr. Raphael Patai, ex-professor da Universidade de Jerusalém, autor de vinte livros sobre assuntos relacionados com as crenças religiosas judaicas, observou: “Quando a morte do Messias tornou-se um dogma estabelecido na época do Talmude, isto foi considerado irreconciliável com a crença de um Messias Redentor que anunciaria o bem-aventurado milênio da era messiânica. O dilema foi solucionado pela divisão da pessoa do Messias em duas…” Assim, baseado em Isaías 53, o Talmude Babilônico ousadamente prediz: “O Messias ben José será assassinado…”

As diferentes interpretações que os rabinos ortodoxos deram a esta passagem ao longo da história podem ser encontradas no livro Rays of Messiahs Glory. Rabinos famosos, tais como o grande Maimonides e Rabbi Crispin, não concordaram com a aplicação de Isaías 53 à nação de Israel, como é comumente feito no comentário judaico atual. Eles achavam, no lugar disso, que esta passagem se refere claramente ao Messias de Deus:

O peso da autoridade judaica prevalece em favor da interpretação messiânica deste capítulo… Até os tempos recentes esta profecia tinha sido quase universalmente aceita pelos judeus como referente ao Messias, o que é evidente pelo Targum [J]onathon, que apresenta o Messias pelo nome no capítulo LII.13; do Talmude (“Sinédrio”,fls. 98,b);e do Zohar… Na verdade, até Rashi [Rabino Solomon Izaaki, 1040-1105 d.G, considerado o criador da moderna escola judaica de interpretação], que aplicou essa profecia à nação judaica, a interpretação messiânica deste capítulo foi quase universalmente adotada pelos judeus.

 

O “pai” do hebraico moderno, Wilhelm Gesenius, também escreveu: “Foi só recentemente que os judeus abandonaram esta interpretação [messiânica] de Isaías 53, sem dúvida em conseqüência de suas controvérsias com os cristãos”.

Hoje, muitos judeus ortodoxos ainda esperam um messias político, o Messias ben Davi, que conquistará e governará para sempre. Curiosamente, alguns judeus aceitam Jesus Cristo como o “outro” Messias (Messias ben José), embora neguem sua divindade.

Em um debate com o Dr. Walter Kaiser no “John Ankerberg Show”, o Dr. Pinchas Lapide afirmou: “Concordo plenamente com o Dr. Kaiser que Isaías 53 exibe muitas semelhanças espantosas com a vida, ministério e morte de Jesus de Nazaré”.

Surpreendentemente, o Dr. Lapide até mesmo acredita que Jesus ressuscitou fisicamente depois de sua crucificação, em razão dos muitos fatos históricos favoráveis a essa crença. Entretanto, ele conclui que Jesus é o Messias dos gentios e não dos judeus.

Temos apenas uma pergunta: se Jesus Cristo não é o servo sofredor de Deus mencionado em Isaías 53, então quem é?

As próximas treze profecias relacionadas à morte de Jesus são de tal modo evidentes que não precisam de explicação. Vou simplesmente reproduzir a profecia do Velho Testamento ao lado do seu cumprimento no Novo Testamento.

15. Traído por um amigo íntimo

Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar (Sl 41.9).

Falava ele ainda, quando chegou uma multidão; e um dos doze, o chamado Judas, que vinha à frente deles, aproximou-se de Jesus para o beijar. Jesus, porém, lhe disse: “Judas, com um beijo trais o Filho do Homem?” (Lc 22.47-48).
16. Traído por trinta moedas de prata

Eu lhes disse: “Se vos parece bem, dai-me o meu salário; e se não, deixai-o.” Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de prata (Zc 11.12).

Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdotes, propôs: “Que me Quereis dar, e eu vo-lo entregarei?” E pagaram-lhe trinta moedas de prata (Mt 26.14-15).
17. Silêncio diante das acusações

Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a sua boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha, muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca (Is 53.7).

E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Então lhe perguntou Pilatos: “Não ouves quantas acusações te fazem?” (Mt 26.12-14).
18. Cuspido e esmurrado

Ofereci as costas aos que me feriam, e as faces aos que me arrancavam os cabelos; não escondi o meu rosto dos que me afrontavam e me cuspiam (Is 50.6).

Então uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam(Mt 26.67).
19. Odiado sem motivo

Não se alegrem de mim os meus inimigos gratuitos; não pisquem os olhos os que sem causa me odeiam (Sl 35.19)

Se eu não tivesse feito entre eles tais obras, quais nenhum outro fez, pecado não teriam; mas agora não somente têm eles visto, mas também odiado, tanto a mim, como a meu Pai. Isto, porém é para que se cumpra a palavra escrita na sua lei: “Odiaram-me sem motivo” (Jo 15.24-25).
20. Traspassaram-lhe as mãos e os pés

E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas; olharão para mim, a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito, e chorarão por ele, como se chora amargamente pelo primogênito (Zc 12.10).

E logo disse a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente”  (Jo 20.27).
21. Escarnecido

Todos os que me vêem zombam de mim; afrouxam os lábios e meneiam a cabeça: “Confiou no Senhor! Livre-o ele, salve-o, pois nele tem prazer (Sl 22.7-8).

O povo estava ali e a tudo observava. Também as  autoridades zombavam e diziam: “Salvou os outros; a si mesmo se salve, se é de fato o Cristo de Deus, o escolhido” (Lc 23.35).
22. Orou por seus inimigos

Em paga do meu amor me hostilizam: eu, porém, orava (Sl 109.4).

Contudo Jesus dizia: “Pai,  perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes (Lc 23.34).
23. Os soldados tiram sorte para disputar suas vestes

Posso contar todos os meus ossos; eles me estão olhando e encarando em mim. Repartem entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica deitam sortes (Sl 22.17-18).

Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes, tirando a sorte. E, assentados ali, o guardavam (Mt 27.35-36).
24. Desamparado por Deus

Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de meu salvamento as palavras de meu bramido? (Sl 22.1).

Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: “Eli, Eli lema sabactâni”, que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46).
25. Nenhum osso foi quebrado

Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles sequer será quebrado (Sl 34.20).

Os soldados foram e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele tinha sido crucificado;  chegando-se, porém, a Jesus, como  vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas… E isto aconteceu para se cumprir a Escritura: “Nenhum dos seus ossos será  quebrado (Jo 19.32-33,36).
26. Seu lado foi perfurado

E sobre a casa Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplica; olharão para mim, a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito, e chorarão por ele, como se chora amargamente pelo primogênito (Zc 12.10).

Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água (Jo 19.34).
27. Sepultado com o rico

Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte, posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca (Is 53.9).

Caindo a tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus. Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lho fosse entregue. E José, tomando o corpo, envolveu-o em um pano limpo de linho, e o depositou no seu túmulo novo, que fizera abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou (Mt 27.57-60).

 

Observando Atentamente os Detalhes

O simples fato de que Deus amou o mundo e enviou seu único Filho para morrer pelos pecados dos homens é um extraordinário milagre. Mas nas doze profecias referentes à morte de Jesus (e outras que também poderiam ser relacionadas), encontramos outro milagre que deveria nos convencer a aceitar Jesus como o Messias de Deus. Seu cumprimento literal garante sua veracidade e proclama que somente um homem na história poderia ter morrido da forma como Jesus morreu. Na verdade, embora outros também tenham morrido crucificados, nenhum deles morreu como Jesus. Seria útil considerarmos com um pouco mais de profundidade os seguinte detalhes específicos de sua morte, pois feito esse exame, torna-se impossível não identificar a Jesus como o Messias sofredor.

 

  1. Ele devia sofrer uma morte expiatória, em favor dos homens

Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades, o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. (Is 53.5-6)

 

Esta profecia, escrita mais de setecentos anos antes do nascimento de Cristo, falou do sacrifício de Jesus como o perfeito cordeiro pascal, citado em Êxodo 12. A primeira Páscoa foi celebrada pelos hebreus no Egito, quando marcaram os batentes das portas com sangue de cordeiro ou cabrito, o que lhes permitiu escapar do julgamento de Deus. Esse ato ordenado por Deus tornou-se um memorial, sendo praticado pelos judeus ortodoxos até os dias de hoje. O bode emissário de Levítico 16 foi uma figura de Cristo levando nossos pecados para longe enquanto que o novilho mencionado no mesmo capítulo era, como Cristo, um sacrifício que representava um Salvador inocente carregando o peso de nossos pecados. E em todas as ocasiões foi necessário derramamento de sangue inocente.

Muitos versículos do Novo Testamento mostram que Cristo foi considerado inocente por todos os juizes, exceto pelos judeus, que não puderam encontrar nele qualquer falta, exceto o fato de “Ele fazer-se igual a Deus” e por realizar milagres no dia de sábado. Mas nenhuma dessas duas acusações é pecaminosa se:

 

  • você é Deus (nenhum pecado podia ser atribuído a Ele);
  • não é errado fazer o bem no sábado; além disso, Jesus (como Deus) considerava-se “Senhor do sábado”, portanto Ele estava acima do sábado e não o sábado acima dele. Conseqüentemente, Pilatos estava certo quando disse: “Este homem [Jesus] nada fez digno de morte.”

 

Jesus foi o “Cordeiro de Deus” perfeito que cumpriu todas as exigências de sacrifício oferecido a Deus para os pecados dos homens. O apóstolo Paulo viu isto claramente quando escreveu: “Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (1 Coríntios 5.7).

Ele afirmou isto em termos mais teológicos quando escreveu: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5.1). O apóstolo Pedro também o viu desta forma quando escreveu: “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pedro 1.18-19). Em uma outra passagem, o apóstolo Paulo definiu o evangelho nestas palavras: “Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15.3-4).

Submeter um homem inocente às crueldades da morte pela crucificação quando Ele nada fez de errado, pelo contrário curou enfermos, consolou corações aflitos e deixou os maiores ensinamentos já oferecidos aos homens, não faz nenhum sentido—a menos que isto tenha sido feito com o propósito específico de tornar-se um sacrifício divino pelos pecados. Considerando que a morte de Jesus cumpriu muitas profecias que Deus havia anunciado a seu povo centenas de anos antes, é perfeitamente lógico que aceitemos o fato histórico de que Jesus de Nazaré foi o sacrifício determinado por Deus pelos pecados dos homens. Somente assim podemos dar verdadeiro sentido à vida, ministério e morte de Jesus. Como veremos mais adiante, tudo isto foi selado com a sua ressurreição.

 

  1. O Messias-Salvador devia ser pendurado em uma cruz

Muitas profecias sobre a morte do Messias prometido, quando consideradas em conjunto, só poderiam ser cumpridas com a crucificação. Moisés advertiu os filhos de Israel:

Se alguém houver pecado, passível da pena de morte, e tenha sido morto, e o pendurares em um madeiro, o seu cadáver não permanecerá no madeiro durante a noite, mas certamente o enterrarás no mesmo dia: porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus: assim não contaminarás a tua terra, que o Senhor teu Deus te dá em herança. (Dt 21.22-23)

 

A morte de uma pessoa na cruz atraía para a vítima uma “maldição” especial. Conseqüentemente, Jesus foi pregado em uma cruz romana, algo impossível de acontecer em Israel até poucos anos antes da vida de Jesus. Historicamente, os judeus nunca crucificaram pessoas; eles apedrejavam até matar. No entanto, Jesus nunca foi apedrejado, muito embora os judeus tentassem mais de um vez pegar em pedras contra ele. Por que foram eles incapazes de apedrejá-lo? Porque os profetas nunca disseram que o Messias seria apedrejado. Em vez disso, Ele foi pendurado em uma cruz de madeira.

O apóstolo Paulo fala sobre esta maldição em Gálatas 3.13, onde escreve:

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro.”

 

Zacarias, outro respeitado profeta hebreu, acrescentou outro requisito para a morte do Messias. Ele escreveu que o Messias teria feridas em suas mãos (o que não era comum nesse tipo de morte):

Se alguém lhe disser: “Que feridas são essas nos teus braços?” responderá ele: “São as feridas com que fui ferido na casa dos meus amigos.” (Zc 13.6)

 

Novamente, não como resultado de apedrejamento. O salmista acrescenta estes detalhes:

Cães me cercam; uma súcia de malfeitores me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés. Posso contar todos os meus ossos; eles me estão olhando e encarando em mim. Repartem entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica deitam sortes. (Sl 22.16-18)

 

Se este não é o retrato perfeito da morte por crucificação, não sei o que é. Jesus estava “pendurado”, mas não por uma corda. Ele estava pregado a uma cruz romana e tinha “suas mãos e seus pés” traspassados. Ele foi exposto para que todos o vissem, e era possível “contar os seus ossos” já que a crucificação distende os ossos da vítima. Terá sido mera coincidência Ele ter nascido durante o cativeiro romano, quando a crucificação era o costume, e não o apedrejamento? A explicação mais fácil é que sua morte ocorreu de acordo com o plano e o propósito de Deus.

 

  1. Nenhum osso do Messias-Salvador devia ser quebrado

Já vimos que o cordeiro pascal era uma figura de Cristo. Não mencionei que as qualificações específicas atribuídas àquele cordeiro seriam tais que ele deveria ser “sem defeito e sem mácula” (1 Pedro 1.19). Esta preocupação com o sacrifício perfeito era observada em cada Páscoa, quando o cordeiro era comido de tal forma que nenhum de seus ossos fosse quebrado. A Escritura ordenava:

“O cordeiro há de ser comido em uma só casa; da sua carne não levareis fora da casa, nem lhe quebrareis osso nenhum” (Êxodo 12.46).

 

Isto foi confirmado mais adiante pelo salmista quando falou do servo sofredor de Deus: “Preserva-lhe todos os ossos, nem um deles sequer será quebrado” (Salmo 34.20). Muito embora o “Cordeiro de Deus” (ou o cordeiro da páscoa) devesse sofrer terrivelmente, nenhum de seus ossos deveria ser quebrado. Quando lemos o relato do apóstolo João sobre a morte de Jesus, podemos ver a mão poderosa de Deus “guardando” os ossos do Salvador contra o que poderia ter sido um ataque do próprio Satanás:

Então os judeus, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação; pois era grande o dia daquele sábado, rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. Os soldados foram e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele tinha sido crucificado; chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. (Jo 19.31-34)

 

A miraculosa preservação dos ossos do Senhor não escapou à observação de João, uma testemunha ocular desses acontecimentos. Ele escreveu: “Aquele que isto viu, testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós creiais. E isto aconteceu para se cumprir a Escritura: “Nenhum dos seus ossos será quebrado”. E outra vez diz a Escritura: “Eles verão aquele a quem traspassaram” (João 19.35-37).

O próprio Deus estava “guardando os ossos” do Salvador e, assim, cumprindo literalmente a profecia de que “nenhum de seus ossos seria quebrado”!

Além disso, quando Jesus estava pendurado na cruz, Ele pediu que lhe dessem algo para aplacar sua sede, e deram-lhe “vinagre”, em cumprimento à profecia do Salmo 22.15 e 69.21 (textos que não incluímos em nossa lista de 28 profecias cumpridas). Então disse Jesus: “Está consumado!” — isto é, o caminho da salvação através do derramamento de seu próprio sangue sobre a cruz estava “terminado”, de modo que agora todos os homens podiam ser salvos. Então “inclinando a cabeça, rendeu o espírito” (João 19.30).

Observe: Jesus tinha tal controle sobre os acontecimentos que, mesmo ao morrer, Ele dirigia seu destino. Quando seu sacrifício estava completo, Ele simplesmente “rendeu o espírito”.

 

  1. O Messias-Salvador devia ser “traspassado”

Depois que Jesus já estava morto, um soldado romano “lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Isto não foi acidental; foi de acordo com a profecia. Zacarias tinha dito do Messias — “olharão para mim, a quem traspassaram” (Zacarias 12.10).

E improvável que os judeus traspassassem o corpo de Jesus com uma lança, pois isso era totalmente fora de seus costumes. Se considerarmos ainda que eles tinham conhecimento dessa profecia, aquela seria então a última coisa que fariam. Deste modo, o Senhor usou o soldado romano para cumprir a profecia!

 

  1. O Messias deve ser traído pelo preço de um escravo

Mais de seiscentos anos antes de Jesus ser crucificado, Zacarias escreveu sobre o preço que um certo homem receberia por seu salário, trinta peças de prata, que era o preço de um escravo. Isto irritou o Senhor, que ordenou que o dinheiro fosse atirado ao chão do templo. Observe atentamente as palavras de Zacarias:

Eu lhes disse: “Se vos parece bem, dai-me o meu salário; e se não, deixai-o. “Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de prata. Então o Senhor me disse: “Arroja isso ao oleiro, esse magnífico preço em que [foste] avaliado por eles.” Tomei as trinta moedas de prata, e as arrojei ao oleiro na casa do Senhor. (Zc 11.12-13)

 

O cumprimento desta profecia é tão conhecido que mesmo aqueles que nada sabem sobre a Bíblia conhecem a identidade de Judas Iscariotes. Na verdade, esse nome se tornou tão desprezível que ninguém o põe em um filho (embora cachorros às vezes recebam esse nome). Na melhor das hipóteses, Judas é uma figura trágica dentro da maior das histórias já contadas. Ele aproveitou a oportunidade surgida e se deixou dominar pela ganância. Depois de acompanhar Jesus como um dos discípulos de confiança (servindo como o tesoureiro do grupo), voltou as costas ao Salvador e o traiu por “trinta peças de prata”, exatamente o valor mencionado pelo profeta. Mas a história ainda não chegou ao fim. Leia o relato de Mateus, uma das testemunhas oculares:

Ao romper o dia, todos os principais sacerdotes e os anciãos do povo entraram em conselho contra Jesus, para o matarem; e, agarrando-o, levaram-no e o entregaram ao governador Pilatos.

Então Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: “Pequei, traindo sangue inocente. “Eles, porém, responderam: “Que nos importa?

Isso é contigo. “Então Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se.

E os principais sacerdotes, tomando as moedas, disseram: “Não é lícito deitá-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue. “E, tendo deliberado, compraram com elas o campo do oleiro, para cemitério de forasteiros. Por isso aquele campo tem sido chamado até o dia de hoje Campo de Sangue.

Então se cumpriu o que foi dito por intermédio do profeta Jeremias: “Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi estimado aquele a quem alguns dos filhos de Israel avaliaram; e as deram pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.”(Mt 27.1-10)

 

Procure refletir por um momento em todos os detalhes proféticos cumpridos nesta trágica vida de Judas:

 

  1. A) O Servo especial de Deus devia ser traído
  2. B) Ele seria traído pelo seu próprio povo (“um amigo íntimo”)
  3. C) O preço da traição deveria ser trinta peças de prata
  4. D) Prata, não ouro, era o câmbio na época
  5. E) As trinta peças de prata deveriam ser arremessadas, não colocadas
  6. F) Seriam atiradas na casa do Senhor
  7. G) O dinheiro deveria ser usado para comprar um campo de oleiro

 

Isto ultrapassa toda a capacidade de crer que estes sete detalhes, escritos setecentos anos antes, foram cumpridos apenas “coincidentemente” na morte de Jesus. Somente Deus conhece o futuro e escreveu-o com antecedência para que pudéssemos identificar o Messias quando Ele viesse.

Dois outros fatos são importantes neste evento. Primeiro, Jesus de Nazaré não podia de modo algum ter conduzido os acontecimentos; tudo foi planejado pelos seus inimigos e por seu desleal seguidor, que conspiraram para matá-lo. Segundo, esses fatos se cumpriram nas últimas horas de vida de Jesus e, quando considerados à luz de todas as outras profecias que estudamos neste capítulo, somente uma pessoa poderia cumpri-lo: Jesus Cristo. A evidência é esmagadoramente convincente para qualquer observador objetivo.

IV. Profecias Sobre a Ressurreição

A fé cristã está apoiada na ressurreição de Cristo. Sem esse acontecimento sobrenatural — a despeito de todas as profecias mencionadas anteriormente — ninguém jamais teria ouvido falar de Jesus de Nazaré. Se ele não ressuscitasse da morte, seria apenas mais um de uma longa lista de supostos messias. Entretanto, se Ele realmente ressuscitou (como será provado nos capítulos 16 a 18), tudo muda. Este acontecimento singular — um homem ressurgindo da morte, provando ser indiscutivelmente o Messias prometido — também foi predito pelos profetas hebreus.

28. O Messias devia ressuscitar. Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção (Sl 16.10). Porque a respeito dele diz Davi: “Diante de mim via sempre o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado. Por isso se alegrou o meu coração e a minha língua exultou; além disto também a minha própria carne repousará em esperança, porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, encher-me-ás de alegria na tua presença.” Irmãos, seja-me permitido dizer-vos  claramente, a respeito do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado e o seu túmulo permanece entre nós até hoje. Sendo, pois, profeta, e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono; prevendo isto, referiu- se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção. A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas (At 2.25-32).
Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si (Sl 49.15). Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: “Não temais: porque sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui: ressuscitou, como havia dito. Vinde ver onde ele Jazia.. Ide, pois, depressa, e dizei aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos, e vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. É como vos digo!” (Mt 28.5-7).
Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu  conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si (Is 53.11). Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. … sabedores que havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre: a morte já não tem domínio sobre ele (Rm 5.8-10; 6.9).

 

Muito antes de se desenrolarem esses assombrosos acontecimentos, Jesus repetidas vezes disse a seus discípulos que seria crucificado e que no terceiro dia ressurgiria dentre os mortos (Veja Mateus 16.21; 17.22-23; 20.18-19; Lucas 9.22; 18.31-33). Todavia, ou eles não creram em suas palavras ou não as compreenderam — o que provocou uma reação nos anjos que apareceram às mulheres diante do túmulo vazio no domingo da ressurreição. Podemos quase ouvir a irritação nas vozes desses dois anjos mensageiros:

“Porque buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galiléia, quando disse: Importa que o Filho do homem seja entregue nas mãos de pecadores e seja crucificado e ressuscite no terceiro dia.” “Então se lembraram das suas palavras” (Lc 24.5-8).

 

Sem a ressurreição, todas as outras coisas perderiam o valor. Mas, com a ressurreição… ah, a história é diferente! Vale a pena aprofundar-nos ainda mais, o que faremos nos próximos três capítulos.

 

A Evidência é marcante

Estas vinte e oito profecias foram escolhidas porque são de tal forma específicas que dificilmente poderiam ser ignoradas. Mesmo que algum cético exclua cinco ou seis delas, a evidência representada pelo número restante é ainda surpreendente.

É impossível ilustrar adequadamente a probabilidade de uma pessoa comum cumprir todas as vinte e oito dessas profecias. Alguém sugeriu que, se tomássemos apenas dez dessas profecias, a possibilidade de uma pessoa cumprir todas elas seria como cobrir todo o Texas com uma camada de trinta centímetros de moedas de prata, depois sobrevoar a região em um helicóptero e, com os olhos vendados, pegar a única moeda diferente das demais.

Você diz — “É impossível!” — e eu concordo. É impossível para qualquer ser humano — que não seja Jesus — no passado ou no futuro, conseguir cumprir sequer dez dessas profecias. Portanto, se dez são impossíveis, tente imaginar como seria inconcebível que uma pessoa cumprisse as vinte e oito relacionadas acima, mais as seis sobre sua morte citadas em Isaías 53, e todas as demais. Não é de admirar que Jesus tivesse censurado os judeus em João 5 por não reconhecerem-no como o Messias — a evidência estava toda ali, nas Escrituras, que eles afirmavam aceitar e estudar, pois, como Ele disse, “são elas mesmas que testificam de mim”. Eles não tinham desculpa.

E o mesmo acontece conosco, se nos recusamos a aceitar essa esmagadora evidência.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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