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Cumprimento das Profecias – pt1 – Quem é Jesus

Profecias sobre a Descendência, Nascimento, Vida e Ministério de Jesus

 

Chegamos agora à evidência mais convincente de todas em relação à identidade de Jesus de Nazaré: o grande número de profecias cumpridas por Ele durante sua existência terrena. Os profetas hebreus providenciaram meios para que os judeus pudessem identificar o Messias prometido. Mais de cem profecias messiânicas estão distribuídas por todo o Velho Testamento, algumas de mil e quinhentos anos antes de seu nascimento. A validade do uso das Escrituras para identificar o Messias pode ser observada na vida de Simeão e Ana, dois antigos estudiosos da Bíblia que viveram na época do nascimento de Jesus. O evangelho de Lucas (Lucas 2.25-39) narra que eles previram que presenciariam a vinda do Messias, de forma que foram ao templo logo após o nascimento de Jesus para aguardar sua chegada. Eles não haviam se enganado, pois viram realmente (Simeão até segurou-o nos braços!) o Cristo recém-nascido.

Infelizmente, os líderes judeus perderam tal privilégio. Por quê? Eles não estavam esperando um Messias sofredor, mas um Messias poderoso. Consciente ou subconscientemente, eles rejeitaram as profecias de um Salvador sofredor. Infelizmente, a maioria dos judeus da época de Jesus não tinha conhecimento das Escrituras, apegando-se a tradições seculares, muitas das quais em discordância com as Escrituras hebraicas. (Um problema semelhante afeta muitos descrentes hoje; eles não têm conhecimento bíblico suficiente para fazer julgamentos válidos a respeito da real identidade de Jesus.)

Na verdade, existem muitas evidências indicando que a identidade de Jesus pode ser encontrada em muitas profecias do Velho Testamento, todas elas escritas de seiscentos a mil e quinhentos anos antes do nascimento de Jesus. Algumas são tão convincentes que um rabino moderno (que vamos conhecer adiante) admitiu que Jesus era, inegavelmente, o Messias — “para os gentios”! Ele espera que o “Messias judeu” venha mais tarde. Isto, sem dúvida, salienta o valor dessas evidências.

 

Jesus Afirmou Ser o Cumprimento da Profecia

Jesus nunca teve dúvidas sobre quem Ele era. Logo no início de seu ministério, antes de ter sido tentado pelo próprio Satanás no deserto, Lucas registra:

Indo para Nazaré, onde fora criado, [Jesus] entrou, em um sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler Então lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor.”

Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele. Então passou Jesus a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir.” (Lc 4.16-21)

 

É quase impossível exagerar a importância deste acontecimento. Neste texto, Jesus está se apresentando aos habitantes de Nazaré como o cumprimento da profecia de Isaías (Isaías 61.1-3). Após relacionar as coisas que o Messias faria quando viesse — atividades que Jesus já estava realizando (“pregar o evangelho… curar os sofredores… anunciar a libertação aos cativos… pôr em liberdade os oprimidos [até os possuídos por demônio]… restaurar a vista aos cegos… apregoar o ano aceitável do Senhor” [isto é, a era da graça ou da igreja atual] — Ele em seguida personalizou o texto esclarecendo que Ele era o objeto dessa profecia: “Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir.” Eis por que tentaram matá-lo.

Se os judeus de sua época tivessem compreendido esta e outras profecias do Velho Testamento, teriam reconhecido Jesus como o Messias. Mas, como Ele disse, “não tendes a sua palavra permanente em vós”, assim nem em Jerusalém nem em Nazaré eles o reconheceram (João 5.38).

Uma confirmação adicional de que os profetas do Velho Testamento falaram abertamente sobre Jesus pode ser vista no encontro dele com Cleopas e mais um discípulo, quando retornavam de Jerusalém, caminhando pela estrada de Emaús, logo depois de sua ressurreição. Lucas diz que “os seus olhos estavam como que impedidos de o reconhecer”. Quando Jesus perguntou a causa de sua tristeza:

Um, porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: “Es o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias?” Ele lhes perguntou: “Quais?”

E explicaram: “O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. De fato alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas a ele não viram.”

Então lhes disse Jesus: “O néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?” E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras. (Lc 24.18-27)

 

O efeito sobre eles foi instantâneo e emocionante. Eles comentaram: “Porventura não nos ardia o coração, quando ele pelo caminho nos falava, quando nos expunha as Escrituras”? (Lucas 24.32) As únicas Escrituras que eles tinham eram os livros do Velho Testamento escritos por Moisés e pelos profetas hebreus. Usando-os como base, Jesus fez-lhes uma exposição detalhada sobre “o que a seu respeito constava”. Estas duas passagens por si só não deixam nenhuma dúvida de que Jesus se considerava o cumprimento das profecias do Velho Testamento.

 

109 Profecias Messiânicas

O falecido Alfred Edersheim, um mestre especializado na Septuaginta, escreveu um livro clássico entitulado A Vida e a época de Jesus, o Messias. Neste livro Edersheim afirmou existirem 456 passagens messiânicas, “apoiadas por mais de 558 referências dos antigos escritos rabínicos… uma leitura cuidadosa das Escrituras mostra que as principais citações do Novo Testamento concernentes ao Messias são amplamente sustentadas por afirmações rabínicas”.

Muitas destas 456 profecias messiânicas são repetitivas e algumas são totalmente confusas. Mas os estudiosos concordam que há pelo menos 109 diferentes profecias para o Messias cumprir. O cumprimento delas por um único indivíduo requer uma pessoa tão incomum que todos os outros candidatos, e certamente todas as outras pessoas que já viveram, serão eliminados — exceto um!

 

Respondendo a uma Possível Objeção

Antes de tratar de algumas das principais profecias cumpridas por Jesus durante sua existência terrena, gostaria de expor um dos problemas que ocuparam minha mente e me levaram a questionamentos quando jovem. Meus estudos posteriores me fizeram ver que eu não estava sozinho. Muitos tinham a mesma pergunta: “Como saber se essas profecias não foram escritas depois da passagem de Jesus pela Terra?”

Nos tempos antigos, escrever sobre papiros era uma tarefa difícil e muitos documentos não sobreviveram à passagem do tempo. Pode-se imaginar então que foi montado um esquema para fazer a vida de Jesus parecer profética, criando-se posteriormente tais “profecias”. Estudiosos modernos estabeleceram que isso é simplesmente impossível. Os últimos textos do Velho Testamento foram provavelmente escritos duzentos a trezentos anos antes do nascimento de Jesus, pois foi nessa época que a Septuaginta (a tradução grega das Escrituras hebraicas) foi escrita. Muitos especialistas admitem que o original hebraico é entre cinqüenta e cento e cinqüenta anos anterior à Septuaginta. Isto significa que todas as 109 profecias sobre a vida e morte de Jesus tiveram de ser escritas pelo menos duzentos e cinqüenta a quatrocentos anos antes de seu nascimento! Conseqüentemente, essas profecias são mais do que suficientes para evidenciar a singularidade de Jesus.

E isto torna-se ainda pior para os céticos. Um artigo recente da revista Time admitiu que as descobertas da arqueologia moderna têm “fornecido às afirmações bíblicas exatidão histórica,, e comprovado sua composição antiga. Depois de apresentar a descoberta de vários objetos e de cidades há muito tempo perdidos, o autor referiu-se a dois pequenos rolos de prata encontrados dentro de uma sepultura:

Eles foram datados de cerca de 600 a. C, pouco tempo antes da destruição do templo de Salomão e do exílio israelita na Babilônia. Quando os cientistas abriram cuidadosamente os rolos no Israel Museum, encontraram um trecho do livro de Números, escrito por Moisés, gravado na superfície. A descoberta deixou claro que partes do Velho Testamento estavam sendo copiadas muito antes do que alguns céticos acreditavam que elas tinham sido escritas!

 

Como alguém admitiu — “Somente uma tendência preconceituosa contra a própria profecia sobrenatural (tais como aquelas que se originam de uma visão racionalista) ou contra as profecias referentes à pessoa de Jesus, pode impedir que alguém aceite as Escrituras” como profecia messiânica escrita com antecedência.

Considere a matemática envolvida no cumprimento dessas profecias. A probabilidade de que apenas 20 das 109 profecias pudessem ser cumpridas em um homem ao acaso se ria menor que uma em um quatrilhão, cento e vinte e cinco trilhões. A maioria das pessoas não pode sequer imaginar tal número. Se pudesse, ele seria assim em algarismos: 1 em 1.125.000.000.000.000.

Este capítulo sobre o cumprimento das profecias messiânicas foi escrito para mostrar que muitas profecias cumpridas por Jesus durante sua existência terrena o identificam — e somente a Ele — como o Messias prometido. Como elas foram escritas centenas de anos antes do nascimento de Jesus, devemos concluir que Ele era mais do que um simples homem. Jesus era de fato o Messias e o Salvador do mundo. Veremos a seguir algumas dessas evidências.

 

O Endereço Como Meio de Identificação

Onde estaríamos todos nós sem um endereço? Por exemplo, meu endereço é: Tim LaHaye, P. O. Box 2700, Washington, D.C. 20013-2700, U.S.A. Sou a única pessoa no planeta Terra que tem exatamente este endereço; por essa razão, entre seis bilhões de pessoas no mundo, sou o único que recebe correspondência enviada a esse endereço.

No entanto, apenas cinco dados caracterizam meu endereço. “U.S.A” distingue meu país de quase duzentos outros. “Washington, D.C.” separa minha cidade de cinqüenta estados e de centenas de cidades de meu país. O código de endereçamento postal (CEP) restringe minha residência a um determinado lugar de minha cidade e o número de minha caixa postal é diferente de milhares de outras caixas. Por fim, meu nome na carta me distingue de outros que se utilizam dessa mesma caixa postal (minha esposa, meus filhos e dois empregados). Deste modo, apenas cinco dados me identificam entre seis bilhões de seres humanos.

Da mesma maneira, cinco meios de identificação (neste caso, profecias escritas sobre ocorrências futuras) podem facilmente identificar Jesus. Mas sua identificação não se limita a cinco dados específicos; como dissemos, há mais de cem deles. Eis por que Jesus insistia que os judeus de Jerusalém deviam tê-lo reconhecido como o Messias. Naquela fase de sua vida, Ele já havia cumprido inúmeras profecias referentes ao Messias.

Não pretendemos aqui examinar todas as profecias messiânicas que Jesus cumpriu em sua existência terrena. Examinaremos, porém, a quantidade suficiente para provar sua verdadeira identidade. Até que ponto? O suficiente para convencer até mesmo aqueles judeus que se dispõem a examinar tal evidência.

Um rabino moderno, que rejeitou Jesus, foi honesto o suficiente para admitir que o Messias deveria ser “exatamente como Jesus de Nazaré, exceto por sua morte absurda”. Outro rabino apareceu em um debate promovido por um programa de televisão onde foi apresentado como um dos únicos rabinos no mundo que também estuda o Novo Testamento. Esse rabino concluiu, pelos seus estudos, que Jesus havia cumprido todas as profecias messiânicas — incluindo sua morte e ressurreição — e que ele foi realmente o Messias — mas apenas para os gentios!

Isto já é um progresso, mas realça a dificuldade que temos em convencer os judeus de hoje sobre a identidade de Jesus. Este rabino rejeitou Jesus como o Messias dos judeus, não porque Jesus tenha falhado em cumprir quaisquer das profecias, mas porque Ele teria de vir outra vez para cumpri-las de novo. A razão para isso está na conclusão deste rabino: “Quando o Messias vier, Ele vai resolver todos os problemas do mundo. Ainda vejo guerras, morte, doença, pobreza, etc.; portanto, ainda estamos esperando nosso Messias.”

O que este homem não compreendeu é que o Messias tinha de sofrer primeiramente (Isaías 53) pelos pecados do mundo. Então, nos últimos dias, Ele voltaria para cumprir todas as profecias a respeito de sua segunda vinda.

 

Vinte e Oito Profecias Cumpridas

Embora não tenhamos espaço para examinar todas as 109 profecias messiânicas que Jesus cumpriu, podemos examinar 28 das mais específicas. Muitas delas responderam às dúvidas e perguntas que tive em minha idade adulta. Neste capítulo vamos considerar as doze primeiras dessas 28 profecias, que tratam de seu nascimento, linhagem, vida e ministério. No capítulo seguinte vamos considerar as dezesseis profecias restantes, referentes à sua morte, sepultamento e ressurreição.

 

I. Profecias Sobre Seu Nascimento e Linhagem

 

  1. O Messias deveria vir da semente da mulher (Gênesis 3.15)

Este versículo tem sido aceito ao longo dos tempos pelos rabinos e estudiosos de Israel como a primeira qualificação do Messias. Diferentemente de outros homens, que resultam da semente de seu pai, o Messias deve se originar da “semente da mulher”. Como sabemos hoje, as mulheres não têm “semente”. Elas provêem o “óvulo” na concepção, mas precisam ser fertilizadas pela semente de um homem para que engravidem. O Novo Testamento indica com clareza que José não foi o pai de Jesus, assim como nenhum outro homem. Aquela “coisa santa” ou semente foi plantada no útero de Maria e, pela primeira vez na história humana, uma virgem concebeu e deu à luz um filho. O cumprimento dessa profecia através do nascimento virginal de Jesus tornou-o imediatamente diferente de todos os homens.

 

  1. Seu nascimento virginal foi um sinal revelador (Isaías 7.14)

Pelo menos setecentos anos antes do nascimento de Jesus, um dos maiores profetas hebreus antecipou: “Portanto o Senhor mesmo vos dará sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel.” Esta profecia foi cumprida pela miraculosa intervenção de Deus e confirmada por um anjo (Mateus 1.20-25), pelos pais de Jesus, por Mateus, Lucas e outros. Hoje, um dos fatos mais conhecidos da vida de Jesus é que Ele, diferente de qualquer outro que já tenha vivido, nasceu de uma virgem. O cumprimento desta conhecida profecia faz dele um ser único.

 

3 – 5. O Messias descende de uma linhagem especial

Ao longo da história Deus revelou uma lista restrita de pessoas de quem o Messias descenderia. Com o dilúvio, dois terços da raça humana foram eliminados e Deus revelou então que seria por meio da linhagem de Sem que o Messias habitaria com os homens. Anos mais tarde, Deus separou um grupo étnico especial conhecido como hebreus afirmando em Gênesis que dele sairia o Messias. Pouco tempo depois limitou a linhagem a Isaque14. Isaque e sua esposa tiveram dois filhos, e Deus escolheu um deles, Jacó, para dar seqüência à linhagem messiânica15. Jacó, por sua vez, teve doze filhos e o Senhor escolheu somente Judá para dar continuidade à linhagem do Messias. “O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Silo; e a ele obedecerão os povos” (Gênesis 49.10. Observe cuidadosamente como esta profecia foi cumprida. Os judeus desfrutavam um período de autogoverno, mesmo após o cativeiro babilônico, que terminou exatamente antes do início do ministério de Cristo, por volta de 30 d.C. A partir daí, como sabemos pela história, eles foram dominados pelos romanos, que retiraram deles a capacidade de condenar à morte aqueles que fossem culpados de pecados religiosos. Isto pode ser observado no relato da crucificação de Jesus, pois o Sinédrio não tinha autoridade para condenar Jesus à morte, razão por que levaram-no a Pilatos. Somente quando Pilatos deu sua autorização, eles puderam crucificá-lo.)

 

  1. O Messias é o Herdeiro do trono de Davi

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz;para que se aumente o seu governo e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto. (Is 9.6- 7)

 

Esta profecia fez com que muitos judeus rejeitassem Jesus como o Messias. Isto porque, embora Ele cumprisse a primeira parte da profecia, que diz: “Um menino nos nasceu… um filho se nos deu”, faltava ainda cumprir o restante. Ele precisava ainda reinar sobre o trono de Davi como Senhor dos senhores.

Os quatro evangelhos concordam que Jesus veio primeiramente como um servo humilde para sacrificar-se pelos pecados, cumprindo a profecia de Isaías 53. Mas os judeus do tempo de Jesus não queriam um salvador sofredor que os salvasse de seus pecados; eles queriam um rei que tomasse o poder e governasse sobre as nações. Eles não perceberam que precisavam primeiramente de um sacrifício pelos pecados (assim como o mundo inteiro). Somente mais tarde, quando Jesus voltasse com poder e glória, seria cumprido o restante da profecia.

O versículo 7 afirma que o Messias seria da linhagem do rei Davi, reinando em seu lugar. Portanto, não é surpresa que Mateus trace a linhagem de Jesus a partir de Abraão, Isaque, Jacó, seguindo a família de Jessé até chegar ao próprio Davi.

Isto se torna especialmente importante quando se sabe que nenhuma comprovação dessa linhagem poderia ser feita hoje. Todos os registros genealógicos dos judeus foram destruídos na Diáspora (a “dispersão”, quando os judeus foram retirados de suas casas e espalhados por todo o mundo), sendo assim impossível atualmente identificar o Messias pelo histórico familiar. Mas como a linha do nascimento de Jesus Cristo estava disponível naquele primeiro século, as credenciais de Jesus desta forma estão claramente estabelecidas.

 

  1. O Messias deve nascer em Belém

Uma das profecias mais conhecidas sobre o nascimento de Jesus está em Miquéias 5.2: “E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.”

Por que Belém? Porque esta era a cidade de Davi. Ainda hoje a única razão para a fama desta pequena cidade é que ela foi o berço de nascimento de Jesus Cristo. Israel tinha numerosas cidades e aldeias, porém Deus escolheu Belém porque tinha sido a cidade de Jessé e Davi (Isaías 11.1). Ainda hoje, judeus ortodoxos esperam que seu Messias nasça ali. É provável que menos de mil pessoas vivessem ali na época em que Jesus nasceu, e mesmo hoje ela é uma cidade bem pequena (exceto na época em que milhares de turistas surgem de todas as partes do mundo para celebrar o nascimento de seu mais famoso cidadão).

Embora tenha nascido em Belém, Jesus não foi criado lá. Seus pais viviam em Nazaré e foram a Belém somente para pagar os tributos exigidos pela lei. Lá chegando, Maria deu à luz o Messias, na mesma cidade em que os profetas haviam dito que Ele nasceria. O fato de Maria, já com a gestação avançada, conseguir viajar vários quilômetros no lombo de um jumento sem que o menino nascesse pelo caminho, antes de chegar a Belém, é em si, um pequeno milagre.

 

  1. Quando criança, Ele seria chamado do Egito

“Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho” (Oséias 11.1). Uma das partes mais tristes da história do Natal é o terrível decreto do rei Herodes para matar todos os meninos de Belém de até dois anos de idade em uma tentativa de eliminar quaisquer ameaças futuras ao seu trono. Ao ler o relato de Mateus sobre esses eventos, observe como Jesus não tinha nenhum controle sobre ser enviado ao Egito:

Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para adorá-lo. Tendo ouvido isto, alarmou-se o rei Herodes e, com ele, toda Jerusalém; então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer.

Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta: E tu, Belém terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo, Israel.’

Com isto Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera. E, enviando-os a Belém, disse-lhes: “Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo.” (Mt 2.1-8)

 

As instruções de Herodes, naturalmente, tinham um propósito maligno. Se Deus não tivesse enviado um anjo para alertar José e Maria das verdadeiras intenções do rei, o menino Jesus poderia ter morrido.

Tendo eles partido, eis que aparece um anjo do Senhor a José em sonho, e diz: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito, e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. Dispondo-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egito; e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: “Do Egito chamei o meu Filho.”

Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente, e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos. Então se cumpriu o que fora dito por intermédio do profeta Jeremias: “Ouviu-se um clamor em Rama, pranto, [choro] e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem.” (versículos 13-18)

 

Pelo menos três profecias foram cumpridas neste relato do nascimento de Cristo. Ele tinha nascido em Belém; Ele seria chamado do Egito; e haveria dor e lamento em toda a terra por causa da morte das crianças. Isto não é apenas mera coincidência!

 

II. Profecias a Respeito de Sua Vida e Ministério

 

  1. Ele deveria ser um profeta como Moisés

O Senhor teu Deus te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim: a ele ouvirás… Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhes ordenar. (Dt 18.15,18)

 

Mil e quatrocentos anos antes de Jesus nascer, Deus prometeu a Moisés e ao povo de Israel que Ele suscitaria “um profeta [no singular]” como Moisés. Israel teve muitos grandes profetas — Elias, Jeremias e até mesmo Daniel — mas nenhum deles conseguiu ser tão grande quanto Moisés e nem realizar os milagres que ele fez… isto é, até Jesus. John Ankerberg comenta isto:

Até a época de Jesus, os judeus comprovadamente não tinham reconhecido ninguém como “o Profeta “ que havia de vir. Os líderes de Israel chegaram a perguntar a João Batista: “És tu o profeta?” (Jo 1.21), mas ele negou. Porém, quando as pessoas viram os milagres de Jesus, disseram: “Certamente este é o Profeta que devia vir ao mundo “ e “Certamente este homem é o Profeta “ e “Encontramos aquele sobre quem Moisés falou “…

Qual foi a evidência que persuadiu o povo na época de Jesus que Ele era o único “profeta como Moisés “? Podia alguém, além do Messias, ser digno de ser comparado a Moisés? A seguir, vamos apresentar paralelos entre Moisés e Jesus, provando que Jesus era “como Moisés “ Mas vamos também provar que Jesus era maior do que Moisés. Somente Jesus cumpriu totalmente as profecias e foi além do ministério profético de Moisés. Ele foi o único que Deus prometeu que viria.

 

  1. Um grande fundador de religião

Moisés entregou a revelação da lei de Deus ao povo e fundou a religião de Israel. Mas Jesus trouxe a completa revelação divina da graça e da verdade (Jo 1.17), cumpriu toda a lei (Mt 5.17), e tornou-se o fundador e Salvador da religião cristã (1 Tm 2.5,6).

 

  1. Um grande revelador de Deus

Moisés revelou Deus escrevendo a Torá [Pentateuco, primeiros cinco livros da Bíblia]. Moisés não chamou a atenção do povo para si mesmo, mas escreveu fielmente sobre Deus e sobre aquele que Deus lhe revelou que viria. Mas Jesus afirmou: “Porque se de fato crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito. Se, porém, não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” (Jo 5.46, 47). Contudo, Jesus não falou simplesmente a respeito de Deus; Ele declarou ser Ele o próprio Deus (Jo 5.18; 10.30).

 

  1. Um grande legislador

Moisés foi a única pessoa autorizada por Deus para entregar as leis a Israel. Mas foi Jesus quem deu plena compreensão à lei de Deus e forneceu “novas” leis a Israel. Ele citou a lei quando disse: “Ouvistes o que foi dito…” mas acrescentou o que nenhum outro profeta tinha jamais ousado falar: “Eu, porém, vos digo…” (Mt 5.21,22). Eis por que, “quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas” (Mt 7.28, 29).

 

  1. Um grande operador de milagres

Moisés foi um grande operador de milagres (as dez pragas contra o Egito; a abertura do mar Vermelho, etc.) (Êx 7-14; Dt 34.10-12). Jesus, porém, fez milagres ainda maiores que os de Moisés. Disse Ele: “Se eu não tivesse feito entre eles tais obras [milagres], quais nenhum outro fez, pecado não teriam” (Jo 15.24).

De fato, ninguém podia negar seus milagres porque eles tinham sido testemunhados por milhares de pessoas: “Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis…” (At 2.22).

 

  1. Um grande redentor

Moisés resgatou Israel do cativeiro e da escravidão do Egito (Êx 3-4; At 7.20-39), mas Cristo resgatou o mundo do cativeiro e da escravidão do pecado (Mt 20.28; Ef 2.1-8; Rm 3.28-4.6).

 

  1. Um grande mediador

Moisés foi o mediador entre Deus e Israel. Mas Jesus é agora o mediador entre Deus e toda a humanidade. 1 Timóteo 2.5,6 diz: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos.”

 

  1. Um grande intercessor

Moisés foi o grande intercessor perante Deus em favor de Israel, evitando que Deus destruísse seu povo completamente, quando ele prestou adoração ao bezerro de ouro (Êx 32.7-14; Nm 14.11-20). Mas Jesus é o maior intercessor. Ele agora intercede por toda a humanidade (Jo 3.16; Hb 7.25; observe Nm 21.4-9eJo3.14).

 

  1. Um grande profeta, juiz e rei

Moisés foi um grande profeta, juiz e rei (Êx 18.13; Dt 33.5). Mas Jesus foi um profeta, juiz e rei ainda maior (Jo 1.19-21,29-43,45; Mt 2.2; Jo 5.26-29; Hb 7.17).

 

  1. Moisés era como o Messias

Mas Jesus foi Ele mesmo o Messias. Ele disse isso às pessoas simples e à várias autoridades, tais como o sumo sacerdote judeu.

“Eu sei”, respondeu a mulher, “que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier nos anunciará todas as coisas.” Disse-lhe Jesus: “Eu o sou, eu que falo contigo” (Jo 4.25,26). O sumo sacerdote perguntou a Jesus: “És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?” Jesus respondeu: “Eu sou” (Mc 14.61, 62). Certamente nenhum profeta na história de Israel cumpriu a promessa divina de ser um profeta “como Moisés”— exceto Jesus de Nazaré. Como veremos no próximo capítulo, Jesus fez maiores milagres do que Moisés. Ele não hesitou em elevar os padrões da lei de Moisés apelando para sua própria autoridade: “Ouvistes que foi dito [na lei de Moisés]… Eu, porém, vos digo…” Verdadeiramente, Ele foi maior do que Moisés!

 

  1. O Messias deve ser um “Renovo justo”

Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado: Senhor Justiça Nossa. (Jr 23.5-6)

 

Muitos estudiosos bíblicos, tanto cristãos como judeus, reconhecem que a palavra “Renovo” aqui (e em outras três profecias em que é também usada; veja Isaías 4.2; Jeremias 33.15; Zacarias 3.8; 6.12-13) se refere ao Messias. No versículo 5, acima, o Messias ou o “Renovo” é chamado “Renovo justo”, enquanto no versículo 6 Ele é mencionado como “Senhor Justiça Nossa”. Na história do mundo, quem poderia ser chamado tanto de “justo” como de “Senhor” [Jeová]? Somente Jesus de Nazaré! Somente Ele podia dizer — sem receber qualquer contestação — “Quem dentre vós me convence de pecado?” (Jo 8.46).

O estudioso luterano Dr. Theodore Laetsch, em seu comentário sobre o livro de Jeremias, apresenta sucintamente o cumprimento desta profecia em Jesus Cristo:

Ao esmagar a cabeça de Satanás, a Semente de Davi, que é a Semente da Mulher encontrada em Gênesis 3.15, conquistou a justiça para o gênero humano. Como o Servo do Senhor, Ele levou sobre si os pecados do homem (Is 53.11), que o Senhor fez cair sobre Ele (versículo 6), que nunca cometeu injustiça (versículo 9) e que sofreu todos os castigos que o homem merecia (versículos 5-6). Pelo seu sofrimento vicário, Ele cumpriu em nosso lugar todos os requisitos exigidos pela justiça de Deus e se tornou ‘justiça nossa “, estabelecendo essa justiça como norma a ser seguida em seu Reino. Sendo essa justiça obtida e estabelecida por Ele, a quem Deus chama de “Senhor Jeová] justiça nossa “, ela não só é aquela que foi prometida no Velho Testamento mas também é eterna como o próprio Deus, abrangendo também as coisas passadas. (Hb 9.15)

 

Deve-se notar que ninguém na história, quer no Velho ou no Novo Testamento ou nos dias de hoje, consegue sequer aproximar-se do cumprimento desta profecia — exceto Jesus Cristo.

 

  1. O ministério de Jesus cumpriu o ministério profetizado para o Messias

Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e a sua glória se vê sobre ti As nações [gentias]se encaminham para a tua luz, e os reis para o resplendor que te nasceu. (Is 60.1 -3)

 

Esta é uma descrição tão detalhada de qual seria a missão do Messias que deve ser incluída aqui. Ao examinar as profecias relacionadas abaixo, observe seu cumprimento detalhado na vida de Jesus, como está documentado nos quatro evangelhos.

 

  1. “o Espírito do Senhor está sobre mim… me ungiu”;
  2. “a pregar boas-novas aos pobres”;
  3. “proclamar libertação aos cativos”;
  4. “abertura de prisão àqueles que estão em cadeias”;
  5. “a apregoar o ano aceitável do Senhor”;
  6. “e o dia da vingança do nosso Deus (citado no discurso do monte das Oliveiras em Mateus 24-25, repetido em Marcos 13 e Lucas 21);
  7. “a consolar todos os que choram” (este versículo se aplica à sua segunda vinda, quando Ele estabelecer seu Reino).

 

  1. O Messias deve ser precedido por um precursor

Voz do que clama no deserto: “Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados. A glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse.” (Is 40.3-5, veja também Ml 3.1)

 

Já vimos que esta profecia foi cumprida por João Batista, portanto vamos agora apenas observar o cumprimento da profecia:

Ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão de pecados, conforme está escrito no livro das palavras do profeta Isaías:

Voz do que clama no deserto: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; os caminhos tortuosos serão retificados, e os escabrosos, aplainados; e toda a carne verá a salvação de Deus.” (Lc 3.3-6)

 

A Evidência Aumenta

Estas doze profecias por si só devem fazer com que até os céticos mais intransigentes reconsiderem seu ceticismo. Entretanto, ainda não terminamos! No próximo capítulo vamos considerar outras dezesseis profecias, desta vez mostrando como as Escrituras anunciaram antecipadamente a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus. Como veremos, esses pontos constituem os mais marcantes — e decisivos — indicadores da identidade de Jesus.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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