CORINGA: O RETRATO DA NATUREZA HUMANA

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O maior vilão dos quadrinhos

O emblemático palhaço do crime, o Coringa, surgiu das mentes criativas de três homens: Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane, aparecendo pela primeira vez na revista Batman #1 em abril de 1940. Logo de início, sua personalidade insana e completamente brutal se fez presente, tornando esse personagem o maior e mais conhecido vilão do mundo dos super heróis. Seus crimes são sempre os mais violentos possíveis e o que mais chama a atenção quando acompanhamos sua história é que ele parece não ter uma motivação clara para cometer tais atos. Seu oposto e eterno rival é o Batman, este que o palhaço persiste em dificultar a vida sempre quando pode. Como era de se esperar, suas aparições não se limitaram a apenas as páginas das HQ’s. Sua maldade e loucura ganharam adaptações em séries animadas, filmes e jogos. Outra curiosidade é notarmos uma enorme quantidade de fãs espalhadas por todo o mundo, mesmo se tratando de uma personagem tão impiedoso e mau. Em 2019, fomos apresentados a um novo filme do Coringa, dessa vez sem estar na sombra do Batman ocupando a tarefa de antagonista da trama. Ao invés disso, se trata de um filme de origem, mostrando como, quando e porque um homem aparentemente normal, cheio de problemas e limitações como qualquer outro, se torna o pior ser humano que é capaz de ser. Seus problemas mentais e familiares, somados a uma sociedade decadente e pronta a esmagar os fracos vão moldando a transformação do até então palhaço profissional Arthur Fleck em um psicopata lunático, que acaba por incitar uma revolta coletiva em uma Gotham City à beira do colapso. Mas eis que vem alguns questionamentos: a sociedade é a maior responsável quando surge alguém tão problemático e que causa extremo sofrimento para outras pessoas? A indiferença que encontramos a nossa volta seria o combustível para alimentar a nossa insanidade? Por que toda e qualquer face de nossa sociedade parece sempre ser destinada ao fracasso? A resposta pode não ser a mais agradável ou a mais aceita, mas a razão de toda essa tragédia está em nossa total depravação. Todas as pessoas, incluindo eu que estou escrevendo este artigo e você que tirou alguns minutos de seu precioso tempo para lê-lo fazemos parte disso. A diferença está no coração de cada um. Muitos vivem uma vida sem fé, e a Bíblia nos diz que “tudo o que não provém de fé é pecado” Romanos 14:23. Atos de bondade podem até ser feitos por pessoas más, porém, isso não quer dizer que elas estão dando os méritos a Deus – Tiago 1:16,17. Somente uma pessoa que foi regenerada por Cristo pode então agir de forma amorosa. Paulo nos ensina em 1Coríntios 16:14 que tudo deve ser feito com amor, mas esse amor é fruto da fé: “Pois, em Cristo Jesus, não há benefício algum em ser ou não circuncidado. O que importa é a fé que se expressa pelo amor”. – Gálatas 5:6. E o apóstolo seguiu escrevendo: “O alvo de minha instrução é o amor que vem de um coração puro, de uma consciência limpa e de uma fé sincera”. – 1Timóteo 1:5. E não podemos nos esquecer quem é aquele que nos dá essa fé: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus”Efésios 2:8. Indivíduos depravados constituem uma sociedade depravada. Nossa maior presunção é achar que podemos excluir Deus de nossos planos e ações. Não há a menor possibilidade de alguém ser capaz de fugir do Soberano Senhor de tudo, mesmo que tente e use todos os meios disponíveis: “É impossível escapar do teu Espírito; não há como fugir da tua presença. Se subo aos céus, lá estás, se desço ao mundo dos mortos, lá estás também. Se eu tomar as assas do amanhecer, se habitar do outro lado do oceano, mesmo ali a tua mão me guiará, e a tua força me sustentará”Salmos 139:7-9. Um exemplo claro de sociedade “autossuficiente” aos seus próprios olhos é visto na passagem da torre de Babel. Ignorando o mandamento de Deus de se espalhar pela terra e buscando uma autoglorificação, tentaram construir uma torre que fosse capaz de se elevar até o céu. Seus planos foram frustrados e ironicamente, Deus em pessoa foi ver o quanto insignificante era aquela empreitada. A ironia está no fato do Senhor descer até aqueles homens para ver o que pretendiam fazer, mesmo sem precisar disso para ver: “Houve um tempo em que todos os habitantes do mundo falavam a mesma língua e usavam as mesmas palavras. Ao migrarem do leste, encontraram uma planície na terra da Babilônia, onde se estabeleceram. Começaram a dizer uns aos outros: “Venham, vamos fazer tijolos e endurecê-los no fogo”. (Naquela região, era costume usar tijolos em vez de pedras, e betume em vez de argamassa.). Depois, disseram: Venham, vamos construir uma torre que chegue até o céu. Assim, ficaremos famosos e não seremos espalhados pelo mundo. O Senhor, porém, desceu para ver a cidade e a torre que estavam construindo. “Vejam!”, disse o Senhor. “Todos se uniram e falam a mesma língua. Se isto é o começo do que fazem, nada do que se propuserem a fazer daqui em diante lhe será impossível. Venham, vamos descer e confundi-los com línguas diferentes, para que não consigam mais entender uns aos outros.” Assim, o Senhor os espalhou pelo mundo inteiro, e eles pararam de construir a cidade. Ela recebeu o nome de Babel, pois ali o Senhor confundiu as pessoas com línguas diferentes e as espalhou pelo mundo.”Gênesis 11:1-9. Toda a sociedade que insiste em não incluir Deus em seus planos será fracassada.

 

O problema da natureza humana

Em nossa rotina costumamos testemunhar inúmeros casos que ilustram bem o quando as pessoas estão prontas a ferir umas as outras. Recentemente, o streamer de games, o americano Byron Bernstein, conhecido como Reckful, cometeu suicídio após receber milhares de comentários negativos só porque pediu sua namorada em casamento através de uma postagem no Twitter, devido ao isolamento social causado pela quarentena. O jovem sofria de problemas psicológicos e não foi capaz de suportar tantas críticas a sua publicação. Ele foi encontrado morto em sua residência no dia 2 de julho desse ano. É incrível notarmos o quanto as pessoas são valentes, rudes e impiedosas nas redes sociais. Atrás de uma tela ou de um teclado, as nossas palavras demonstram o quanto a nossa natureza é corrupta e cheia de maldade. A chamada “cultura do cancelamento”, tem servido de desculpa para que tudo o que há de ruim nos seres humanos seja trazido à tona. Com isso, vemos o quanto as Escrituras são atuais e precisas ao declararem a situação da humanidade diante de um Deus Santo e perfeito: “Alguém poderia dizer: “Mas nosso pecado não cumpre um bom propósito, ajudando os outros a verem como Deus é justo? Não é uma injustiça, portanto, Deus nos castigar?”. (Estou seguindo o ponto de vista humano.) Claro que não! Se fosse assim, como Deus poderia julgar o mundo? Alguém poderia argumentar, ainda: “Mas por que Deus me condena como pecador se minha mentira ressalta sua verdade e lhe traz mais glória?”. E alguns até nos difamam, afirmando que dizemos: “Quanto mais pecarmos, melhor!”. Quem diz essas coisas merece condenação. Pois bem, devemos concluir que nós, judeus, somos melhores que os outros? Não, de maneira nenhuma, pois já mostramos que todos, judeus ou gentios, estão sob o poder do pecado. Como afirmam as Escrituras: “Ninguém é justo, nem um sequer. Ninguém é sábio, ninguém busca a Deus. Todos se desviaram, todos se tornaram inúteis. Ninguém faz o bem, nem um sequer”. “Sua conversa é repulsiva, como o odor de um túmulo aberto; sua língua é cheia de mentiras”. “Veneno de serpentes goteja de seus lábios”. “Sua boca é cheia de maldição e amargura”. “Apressam-se em cometer homicídio; por onde passam, deixam destruição e sofrimento. Não sabem onde encontrar paz”. “Não têm o menor temor de Deus”.Romanos 3:5-18. A sociedade é má porque todos somos maus e o Coringa se torna um retrato fiel do quanto uma pessoa é totalmente depravada e do quanto necessitamos do poder do transformador do Evangelho de Cristo para regenerar o nosso coração.

 

Sou depravado, e agora?

Como eu devo lidar com essa situação? Ou melhor, existe alguma coisa que sou capaz de fazer para melhorar isso, ou serei apenas mais um Coringa? A boa notícia é que o próprio Deus planejou a obra perfeita da salvação enviando o Seu Filho para que a dívida fosse paga. A obra redentora executada através do sacrifício do Senhor Jesus é o único meio pelo qual o homem pode ser regenerado de sua natureza depravada. Mas o mundo é um lugar sujo, cheio de problemas e completamente oposto à Deus e eu sou extremamente fraco. Como irei me comportar? Tem uma frase que diz que “orar é para os fracos”. É por isso que eu oro: “E o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos orar segundo a vontade de Deus, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos que não podem ser expressos em palavras. E o Pai, que conhece cada coração, sabe quais são as intenções do Espírito, pois o Espírito intercede por nós, o povo santo, segundo a vontade de Deus. E sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com seu propósito. Pois Deus conheceu de antemão os seus e os predestinou para se tornarem semelhantes à imagem de seu Filho, a fim de que ele fosse o primeiro entre muitos irmãos. Depois de predestiná-los ele os chamou, e depois de chamá-los, os declarou justos, e depois de declará-los justos, lhes deu sua glória”. – Romanos 8:26-30. A nossa luta diária tem uma recompensa graciosa nos aguardando na eternidade. Recompensa esta conquistada pelo Cristo ressurreto, que nos sustenta em nossas dificuldades. Que nossa vida seja uma expressão de gratidão ao Senhor que nos deu tamanho perdão, mesmo diante de tantos Coringas espalhados por aí e apesar de nós mesmos. Tudo por sua justiça, misericórdia e amor. Se algum Coringa aparecer em nosso caminho, que não nos deixemos levar pela correnteza maligna que arrasta este mundo. Que possamos ser propagadores da Santa Palavra, que apresentemos o único caminho da salvação, Jesus.

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