Catolicismo – Ensinando o Povo a Rezar

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No Catecismo da Igreja Católica, página 680, # 2.650, está registrado o seguinte: “A oração não se reduz ao surgir espontâneo de um impulso interior; para rezar é preciso querer. Não basta saber o que as Escrituras revelam sobre a oração; também é indispensável aprender a rezar. E é por uma transmissão viva (a sagrada Tradição) que o Espírito Santo, ‘na Igreja crente e orante’, ensina os filhos de Deus a rezarem”.

A declaração acima é contrária à Bíblia pelo menos por duas razões:

 

1ª) a Bíblia é categórica ao afirmar que a oração realmente pode ser o “surgir espontâneo de um impulso interior”. Não encontramos na Bíblia nenhum exemplo de um servo de Deus repetindo palavras decoradas enquanto orava. Todas as orações bíblicas são, de fato, “o surgir espontâneo de um impulso interior”, isto é, o brado da alma. Como o ladrão arrependido orou? (Lc 23.42). Em que livro de rezas ele se inspirou? O mesmo podemos dizer das orações de Abraão (Gn 15.2,3), de Jacó (Gn 28.20-22), de Moisés (Êx 32.31,32), de Salomão (1 Rs 8.22-54), de Jesus (Mt 26.39), dos cristãos primitivos (At 4.24-31) e muitos outros.

 

2ª) o Catecismo afirma que “não basta saber o que as Escrituras revelam sobre a oração”. Mas quem disse que não basta? A Bíblia diz de si mesma que ela tem condição de nos preparar “para toda boa obra” (2 Tm 3.15-17). Será que “toda boa obra” não inclui a oração? Certamente que sim.

O motivo pelo qual os clérigos católicos dizem que “não basta saber o que as Escrituras revelam sobre a oração” é que eles também querem nos dizer algo sobre este assunto. Eles querem nos ensinar a Ave-Maria e rezas a “santos” e anjos diversos. Porém, Cristo nos ensinou a orar direto ao Pai e nunca falou da necessidade de intermediários entre nós e Deus (Mt 6.9-13). Realmente necessitamos de um intermediário, mas o próprio Cristo é este Mediador (1 Tm 2.5).

Por que Cristo não nos ensinou a rezar aos espíritos dos mortos que já estão no Paraíso, pedindo-lhes que roguem por nós? Será que os papas são mais sábios do que Cristo?

Palavras decoradas não é o que Deus mais espera ouvir de nós, quando nos dirigimos a Ele em nossas orações. Talvez você pense que esta declaração colide com Mt 6.9-13, visto que este texto parece dizer que Cristo pôs na nossa boca as palavras que devemos pronunciar quando estivermos orando. Porém, o que Jesus quer mesmo, é que entendamos o que Ele quis dizer com isso. O que Ele quer, é que façamos da oração-modelo que Ele nos ensinou, o esboço das nossas. Por exemplo: Quando Ele diz que devemos orar dizendo “Pai nosso que estás nos Céus”, o que Ele quer é inculcar em nós que podemos relacionarmos com Deus como os filhos se relacionam com seus pais, e que não necessitamos de intermediário algum, visto termos livre acesso ao Pai. “Santificado seja o teu nome” significa que o orante não pode levar uma vida de profanação. Santificar é o contrário de profanar. “Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido”, não significa que tenhamos que memorizar estas palavras e repeti-las, mas sim, que se não perdoarmos aos nossos devedores, não alcançaremos o perdão de Deus.

Uma das provas de que estamos na trilha certa é o fato de que Lucas, ao registrar a mesma oração, deixou claro que ele não havia decorado a reza. Certifique-se da autenticidade desta afirmação, comparando o registro de Mt 6.9-13 com o de Lc 11.2-4. Lucas omitiu as seguintes palavras:“…porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém”. Estas palavras, existentes somente em Mt 6.13 constam dos melhores manuscritos, e, por conseguinte, das melhores versões protestantes (Veja a versão Fiel).

Outra prova de que estamos com a razão, é que não encontramos os apóstolos rezando o “Pai Nosso” sequer, uma vez. Todas as vezes que os encontramos orando, podemos vê-los fazendo-o com suas palavras (At 1.24-25; 7.59-60; 2 Co 12.8; Ap 22.20, etc.).

O autor destas linhas não incrimina os que rezam o “Pai Nosso”,  pois não vê nisso nenhum mal. A sólida argumentação acima se destina tão-somente a provar que os que afirmam que “a oração não se reduz ao surgir espontâneo de um impulso interior” e que não basta saber o que as Escrituras ensinam sobre as orações não são biblicistas.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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