CASAIS, FAMÍLIA E IGREJA – Aconselhamento de Casais

PRESENTE DA CPAD – RECEBIDOS
24/11/2016
SALMO 69 – Esboços de Salmos
25/11/2016

CASAIS, FAMÍLIA E IGREJA – Aconselhamento de Casais

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Compromisso

com prioridades

ajustadas

 

Uma igreja com propósitos sérios tem compromisso com prioridades ajustadas. E, sem dúvida, uma das mais urgentes diz respeito a esta questão: “O que fazer para salvar casamentos em crise e fortalecer aqueles que estão bem encaminhados?”. A compreensão sobre a importância do casamento na visão de Jesus faz com que a igreja ajuste sua lista de prioridades segundo a vontade de Deus. Seria por acaso que Jesus realizou seu primeiro milagre público em uma festa de casamento? (Jo 2:1-11). Com certeza não. Essa escolha, de começar suas intervenções sobrenaturais públicas a partir de um momento de celebração da união conjugai deixa claro que, para Jesus, o casamento era prioridade como o início da família, que por sua vez é o ponto de partida, a origem de todos os relacionamentos interpessoais.

O apóstolo Paulo dedicou um espaço significativo em suas epístolas, orientando sobre como deveria ser construída a relação entre o casal e a família. O apóstolo revela o quanto ele priorizava esta questão, quando escreveu para Timóteo dizendo: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especial­mente dos de sua própria casa, tem negado a fé, eé pior do que o descrente”

(1 Tm. 5:8). Para Pedro, o apóstolo, a relação de casal era tão essencial, que ele escreve dizendo que o sucesso da oração do marido e da esposa depende de como eles se relacionam (1 Pe. 3:7). Só é possível a igreja desenvolver um projeto com casais, que seja eficiente e eficaz, a partir do momento em que houver compreensão da importância de se estabelecer um relacionamento verdadeiro, honesto e franco entre eles, tratando de seus dilemas como prioridade.

 

 

 

—   2   —

E preciso trabalhar

conhecendo a realidade.

 

Segundo o Dr. Gary R. Collins, um grupo de pesquisadores entrevistou indivíduos que haviam procurado ajuda para algum tipo de problema. Cerca de um quinto dos problemas estava ligado à “dificuldade de ajuste pessoal”; 12 % dos aconselhados tinham problemas com os filhos; mas uma enorme faixa (42%) – quase metade dos entrevistados – afirmou que os problemas estavam centralizados em seu casamento.

A revista semanal Veja, em uma matéria sobre relacionamento conjugai, informou que, segundo o IBGE, 60% dos casamentos nos EUA terminam em divórcio, e 40%, na Inglaterra. No Brasil, em 1985, de cada nove casamentos, um terminava em divórcio. Já em 1995, de cada quatro, um terminava em divórcio. Outra informação preocupante é que, em 1988, conforme o IBGE, 31,3% das brasileiras eram mães que nunca viveram com os pais de seus filhos. Entre 1983 e 1987, de acordo com os dados do Fórum da Comarca de São Paulo, enquanto a população aumentou em 20%, aumentou em 500% o número de separações legais, com o agravante de suspeitar-se de um número ainda maior de separações não legalizadas.

Quando não se conhece a realidade, todo empreendimento tende a ser ineficaz porque não se tem noção da dimensão do problema. Precisamos conhecer a causa a partir dos efeitos, e oferecer alternativas para a solução.

 

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O desafio das mudanças

(família de ontem x

família de hoje)

 

As mudanças na célula mater da sociedade -a família, exige da igreja um enfrentamento dos problemas de forma estratégica e inteligente. A família mudou por causa das novas realidades e necessidades que forçaram-na a uma adaptação. Pense na família de anos atrás, quando os quintais com árvores eram o paraíso das crianças, a natureza era a companheira inseparável de todos, desde o bebe até o vovô. Não havia TV, vídeo game, microondas, celular etc.

Havia mais tempo para as pessoas estarem juntas, para o diálogo. Apesar de não haver toda esta tecnologia de hoje, a família tinha um estilo de vida mais interessante.

As mudanças também tem a ver com fatores sociais e econômicos. Hoje, a família deixou de ser patriarcal (onde os filhos casavam e continuavam próximos dos pais), para ser nuclear (onde os poucos filhos demonstram tendências, bem cedo, de buscar outros lugares para morar, quer por opção pessoal ou por necessidade). Além de tudo isso, temos o desemprego, a mulher trabalhando fora, a crise moral etc. Em nossa sociedade moderna, os problemas se agravam ainda mais pelo conceito distorcido sobre o matrimônio. A facilidade do divórcio faz com que muitas pessoas banalizem o casamento.

Em geral, o casamento é visto com menos seriedade e a família mudou o seu jeito de ser. No entanto, as famílias continuam a existir    e as pessoas continuam se casando. Diante desta realidade, se a igreja perder a visão da atenção aos problemas das famílias hoje, oferecendo espaço para orientação e soluções, amanhã essa igreja estará com a sua missão de ajuda e de reconciliação seriamente comprometida.

 

 

—   4   —

Igreja

Comunidade Terapêutica

Quando lemos o livro de Atos e as epístolas, fica explícito que a igreja não era apenas uma comunidade de evangelização, de ensino e de discipulado, mas também servia como uma comunidade terapêutica. Um fator importante é que, hoje, os profissionais de saúde mental passaram a valorizar grupos terapêuticos em que os membros se ajudam uns aos outros, promovendo apoio, desafio, orientação e encorajamento que não seria possível de outra forma.

 

Não basta curar

é necessário prevenir.

 

Há um ditado muito conhecido que diz: “E melhor prevenir do que remediar”. O verbo prevenir significa “vir antes, chegar antes, acautelar-se, impedir” etc. Remediar significa “emendar, reparar, dar remédio, minorar” etc. Para ficar mais claro, vamos usar a figura do sanitarista e do bombeiro. O sanitarista é o profissional que trabalha na área da prevenção de doenças, informando e orientando o povo. O bombeiro é o profissional que é chamado quando há perigo eminente ou um desastre já acontecido. Ninguém chama um bombeiro para apagar um incêndio que não existe, mas pode-se chamar um sanitarista num bairro onde, possivelmente, as pessoas poderão ficar doentes, caso continuem bebendo determinada água, mesmo que ainda não haja ninguém com sintomas.

No ministério com as famílias, o papel da igreja deve ser o dos dois profissionais: O BOMBEIRO ( remediar) e O SANITARÍSTA (prevenir).

Como pastor que atua há anos nesta área de aconselhamento de casal, tenho observado que o casamento, com todo o seu significado, quase sempre acaba sendo o evento da vida para o qual as pessoas menos se preparam.O grande problema é que os casais gastam tempo se preparando para a cerimônia e a festa, e esquecem do mais importante, que é se preparar para a vida. O despreparo dos jovens que se casam é uma das principais causa do fracasso do relacionamento. A ignorância mantém as pessoas na mediocridade também na área conjugal.

 

 

“O lar é o seminário de todas

as outras instituições”

(E. H. Chapin)

 

“A melhor época para enfrentar

um probleminha é antes que

ele cresça”

(Anônimo)

 

 

 

 

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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