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ESPÍRITO SANTO

O Agente eficaz real na regeneração é o Espírito Santo (Jô 3:5; Tt 3:5). A verdade não constrange a vontade por si só; além disso, o coração não regenerado odeia a verdade até ser trabalhado pelo Espírito Santo. O Senhor Jesus disse acerca do Espírito Santo, em João 16:8: “Quando ele vier convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”. Portanto, podemos afirmar que o Espírito Santo é tanto um Advogado quanto um Acusador. O rabino Eliezer bem Jacob diz: “Quem cumpre um mandamento -conseguiu um advogado para si, e quem transgride um mandamento – conseguiu um acusador para si”. Diz Strong:

Não é um simples aumento na claridade que vai permitir que um cego veja; a enfermidade do olho tem que ser curada primeiro antes que os objetos externos se tornem visíveis… Apesar de trabalhada juntamente com a apresentação da verdade ao intelecto, a regeneração difere da persuasão moral por ser um ato imediato de Deus.

Talvez seja de palavras como estas que afirmamos que alguns são “convencidos” mas não “convertidos”.

RESULTADOS DA REGENERAÇÃO
Aquele que é nascido de Deus vence a tentação (1 Jo 3:9; 5:4,18). O tempo presente em que todos esses verbos são usados indica uma vida de vitória contínua.

A pessoa regenerada ama aos irmãos (1 Jo 5:1), à Palavra de Deus (Sl 119:97; 1 Pe 2:2), seus inimigos (Mt 5:43 – 48), e as almas perdidas (2 Co 5:14).

A pessoa regenerada também goza de certos privilégios como Filho de Deus, como a satisfação de suas necessidades (Mt 6:31 – 32), de uma revelação da vontade do Pai (1 Co 2:10 – 12), e de ser guardada (1 Jo 5:18).

O homem que é nascido de Deus é herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo (Rm 8:16 – 17). Embora o entrar realmente no gozo da herança ainda esteja quase no futuro, o filho de Deus já agora tem um penhor dessa herança na dádiva do Espírito Santo (Ef 1:13 – 14). É claro que estes resultados não são diferentes visíveis aos olhos do mundo, mas são, não obstante, muito reais para aquele que nasceu para a família de Deus.

NOVO NASCIMENTO

O que é? O Novo Nascimento é um milagre do Espírito Santo operado na natureza do indivíduo, transformando-o completamente. De fato o Novo Testamento é um novo começo. Por mais maculado que seja o seu passado; por mais deformado que seja o seu presente; por mais sombrio que pareça o seu

futuro, há uma saída, há uma possibilidade de começar tudo de novo, pelo NOVO NASCIMENTO. Não é esta uma notícia maravilhosa?

Portanto, o Novo Nascimento é obra do Espírito Santo, não representa fruto do esforço ou boas qualidades do homem. Não há mérito humano na operação (João 3:6 – 7).

O batismo não efetua o Novo Nascimento. É falsa a doutrina que prega a regeneração pelo batismo.

Não se adquire por hereditariedade (João 1:12 – 13). A Igreja não tem poder de operar o Novo Nascimento. Como disse alguém:

“Não serás um automóvel pelo fato de teres nascido em uma garagem”. Ninguém nasce de novo por pertencer a esta ou àquela Igreja.

Nenhum rito religioso, afinal, será capaz de efetuar o Novo Nascimento.

Não representa fruto de resoluções humanas. Assim como o nascimento físico depende de fatores fora do eu, na regeneração o eu é passivo, ele recebe o Novo Nascimento (Jô 1:12 – 13).

O Novo Nascimento é a penetração da vida divina no ser humano. O estado de pecado é um estado de morte, morte espiritual (Ef 2:1). O Novo Nascimento opera uma nova vida no ser humano.

Como se vê, o fenômeno é inexplicável em seu alcance mais profundo. O próprio Nicodemos que era príncipe, um sábio, e mestre em Jerusalém, não entenderam isso pela mera exposição em palavras (João 3:4, 8, 9). Jesus insistiu na necessidade de experimentar o novo Nascimento. Em matéria de religião, de vida espiritual, o caminho para a compreensão é viver, experimentar primeiro para depois entender. A mera especulação mental não penetra os mistérios espirituais.

A doutrina do Novo Testamento é amplamente encontrada nas Escrituras tanto no Novo, como no Antigo Testamento. É apresentada, às vezes, com palavras diferentes, mas a verdade é a mesma: que o homem não pode mover a si mesmo na direção do propósito de Deus; que como essa natureza total está comprometida com a corrupção do pecado é-lhe impossível andar retamente no caminho de Deus. É necessário uma mudança de natureza e é Deus quem nele opera a transformação, tornando-o um novo ser em Cristo.

Há vários textos que merecem consideração e estudo para o conhecimento da doutrina, mas o capítulo 3 do Evangelho de João é o que mais longamente expõe o tema do Novo Nascimento. É o texto mais impressionante de toda a Bíblia; nenhum crente o pode ignorar como fato, muito menos na sua interpretação, pois a aplicação de seu eterno princípio de regeneração pela fé depende à entrada de qualquer um no Reino dos Céus.

ANTES DE EXPOR A DOUTRINA PROPRIAMENTE, ESCLAREÇAMOS ALGUMAS EXPRESSÕES USADAS NO TEXTO:

FARISEUS

Constituíam umas três principais seitas do Judaísmo e era a melhor, ou a mais severa (Atos 26:5). Os Judeus foram combatidos por feroz perseguição de Antíoco Epifanes, rei da Síria, depois da volta do Cativeiro Babilônico. Os mais patriotas se organizaram em partido para resistirem à infiltração do Helenismo.

Isso em 175 – 164 a. C. Logo, os fariseus tiveram uma nobre origem: visavam preservar a religião de Israel, as Escrituras Hebraicas, estimular o amor pátrio, etc. Mas seu nome aparece só lá pelos anos 135 – 105 a. C. Os fariseus criam na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo, na existência do espírito, nas recompensas e castigos na vida futura (céu e inferno). E nisso se opunham aos saduceus que não aceitavam nem uma nem outra destas coisas (Atos 23:6 – 6).

Mas em matéria de religião não basta ter conceitos teológicos corretos, é preciso ter uma vida consentânea com aquilo que se crê.

Enfatizaram em extremo as formas externas de religião tornando-se legalistas. Chegaram a transformar a religião num montão de formalismos sem vida. Opuseram-se ferrenhamente a Jesus. Foram duramente acusados por João Batista e por Jesus. Apesar de tudo, tiveram em seu meio homens de grande capacidade intelectual e social: tais como Gamaliel (At 5:34; 22:3); Saulo de Tarso (Fp 3:5), que veio a se converter mais tade (At 9:1 – 22), e a ser chamado para o apostolado; Nicodemos (Jô 3:1), e outros de muito boa vontade (At 5:34; Jô 7:50).

Os fariseus julgavam que por muito falarem seriam ouvidos em suas orações (Mt 6:7).

NICODEMOS

Agostinho descreve-o como “um dos crentes em quem Jesus não podia confiar logo” (Jô 2:24). A tradição rabínica o descreve como um dos três homens mais ricos de Jerusalém. Era de uma alta autoridade no Sinédrio, corpo legislativo, judicial e executivo entre os judeus.

Aparentemente no início desta entrevista ele está convencido, mas não convertido. Jesus repudia o

regime religioso do indivíduo Nicodemos e de toda a sua elite religiosa, e exige de lê radical transformação, se quer entrar no Reino dos Céus.

É mencionado três vezes no Evangelho de João. A primeira vez, visitando Jesus de noite (Jô 3:1 – 15); a segunda, protestando contra a condenação de Jesus sem o ouvirem. Nicodemos estava tão impressionado com as palavras de Jesus que seu desejo era que seus colegas o ouvissem também (Jô 7:50 – 51); e a terceira vez, trazendo especiarias para ungir o corpo de Jesus em seu sepultamento (Jô 19:38 – 39).

DE NOITE

João 3:2, nos diz que Nicodemos “foi ter com Jesus de noite”. Por que de noite? Por que temia o povo? Envergonhava-se de Jesus? Ou apenas procurava uma entrevista mais longe do burburinho da multidão?

Parece que o problema era mesmo um temor político e social. Não queria prejudicar sua posição (Jô 3:10). O texto expõe, sem rodeios, o motivo – “por medo dos judeus” (Jô 19:38 – 39), em relação a José de Arimatéia. E Nicodemos? “A sinceridade militava contra a timidez e a timidez contra a sinceridade no coração de Nicodemos” (O. Boyer). Pelo menos mostrou

devoção a Jesus. Muitos que hoje censuram por ter procurado Jesus de noite,

têm outros preconceitos que os arrastam de Jesus de dia e de noite, vivem

longe dEle. Afinal, foi Nicodemos que cuidou (juntamente com José de Arimatéia), do corpo de Jesus e do seu sepultamento (Jô 19:38 – 39).

“Rabi, SABEMOS que és Mestre…” – o verbo está no plural – “sabemos” – Em nome de quem fala Nicodemos? Nicodemos fala por seu grupo. Era membro do Sinédrio e delegado único dos chefes dos judeus para saber de suas

pretensões.

O magno tribunal já havia investigado oficialmente acerca de João Batista (João 1:19 – 31) nunca fez isso com relação a Jesus. E Nicodemos se queixa disso mais tarde (Jô 7:50), querendo que Jesus fosse ouvido em juízo. Ele mesmo ficara impressionado com a pessoa e o ensino de Jesus de ter estado com ele naquela noite memorável, posto que já estivesse anteriormente deslumbrado com seus milagres.

REINO DE DEUS

Os Judeus esperavam e criam que seria assinalada a vinda do Reino por manifestações de pompa e poderio político e militar. O Reino de Deus era a época Messiânica. Jesus aqui proclama uma ordem espiritual invisível aos

olhos, aos sentidos. A regeneração é isso – o arrependimento para a remissão de pecados e a renovação pelo Espírito Santo; e esta experiência dupla é indispensável para a entrada no Reino dos Céus.

O Reino dos Céus é o domínio de Deus e de Cristo e do Espírito Santo sobre a vida do discípulo, da Igreja (Lucas 17:20 – 21).

É a vontade de Deus se consumando. É chamado o “Supremo Bem”. Não há nada melhor ou equivalente ao Reino de Deus na vida.

NASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO

Muitas são as interpretações que tem sido dadas a estas palavras.

C. H. Wright, erudito anglicano, interpreta como sinônimas as expressões. Assim, para ele, nascer da água e do Espírito é uma e a mesma coisa. Jesus apenas enfatiza a necessidade de nascer de cima.

Outros evangélicos aceitam que a expressão toma o sinal (batismo) pelo significado (arrependimento), assim, nascer da água seria “nascer do arrependimento”.

Há quem interprete “nascer da água”, como o primeiro nascimento, pelo aspecto impressionante do parto.

Há os que fogem da idéia do Reino Espiritual e o identificam com as Igrejas, e dão ao batismo o valor de entrar nas igrejas, admitem nisso equivalência com entrar no Reino.

Além de uma outra mais generalizada, tanto quanto mais falsa idéia sacramentalista que interpreta a expressão “nascer da água”, como uma referência do Mestre ao batismo. É a idéia católica da Regeneração Batismal, através do sacramento chamado batismo.

SEGUINDO TAYLOR, OPOMOS AS SEGUINTES REFUTAÇÕES:

Taylor não concorda que sejam sinônimas as expressões, embora admitindo a probabilidade de que o fossem. E, contudo, pode-se optar pela interpretação bastante inteligente do Dr. Wright, sem ferir qualquer doutrina bíblica, sem cair no sacramentalismo anti-bíblico. Pode-se, pois admitir as duas expressões -“nascer da água e do Espírito” – apenas como repetição da idéia para enfatizar a necessidade de uma transformação a operar por Deus. Neste caso as duas são uma e a mesma coisa – nascer de novo, nascer de cima.

É arriscado supor que Nicodemos devesse entender como arrependimento o “nascer da água”, ou como batismo ou qualquer forma de nascimento, muito menos ligá-lo à idéia de “entrar na igreja”.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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