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Atos do Espírito por Paulo – Panorama do NT

VIAGENS MISSIONÁRIAS DE PAULO

Sumário das Escalas e dos Eventos Principais em Sincronia com as Epístolas Paulinas

 

Ano – Todas as datas são aproximadas

 

30      Jesus morreu e ressuscitou.

34      Paulo se converte e prega em Damasco e Arábia por três anos, e escapa de um conluio dos judeus, arriado por sobre a muralha de Damasco.

Barnabé apresenta Paulo à igreja de Jerusalém.

Paulo volta a Tarso.

Barnabé leva Paulo à Antioquia da Síria.

47      Barnabé e Paulo levam víveres a Jerusalém.

 

  1. PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA Antioquia da Síria.

Chipre – Bar-Jesus (Elimas) é cegado e o pro­consul Sérgio Paulo se converte.

Perge e Panfília – João Marcos recua.

Antioquia da Psídia – Paulo prega na sinagoga.

Icônio.

Listra – Paulo cura um aleijado; Barnabé e Paulo são adorados como Zeus e Hermes, respectiva­mente; Paulo e apedrejado.

Derbe

Listra

Icônio

Antioquia da Psídia

49      GÁLATAS (sob a data antiga da teoria do sul da Galácia)

Perge na Panfília

Antioquia da Síria

Concílio de Jerusalém (Atos 15)

 

50-51 II. SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA

(Paulo e Barnabé discordam quanto à companhia de João Marcos: Paulo leva consigo a Silas.)          Frigia e sul da Galácia

Antioquia da Síria

Derbe

Listra – Paulo leva Timóteo

Icônio

Antioquia da Psídia

Trôade – Paulo tem a visão do homem da Mace­dônia.

Filipos – Lídia se converte, libertação da escra­va endemoninhada: Paulo e Silas encarcerados; terremoto à meia-noite; conversão do carce­reiro.

Tessalônica – uma turba instigada por judeus as­salta a casa de Jasom, onde Paulo estava hospe­dado.

Beréia – os bereanos “investigam as Escrituras (do A. T..)”, confrontando-as com a mensagem de Paulo.

Atenas – Paulo sozinho; prega no Areópago (co­lina de Marte); Timóteo e Silas reúnem-se a Paulo, mas Timóteo é enviado de volta a Tessalô­nica e Silas vai para algum outro lugar.

Corinto – Paulo fabrica tendas com Priscila e A­qüila; Timóteo e Silas reúnem-se de novo a Paulo; Paulo muda o local de pregação da sina­goga para a casa de Tito Justo; conversão de Crispo, chefe da sinagoga; em visão, Jesus diz a Paulo para ficar ali: Gálio governador ro­mano, recusa-se a condenar a Paulo por haver pregado; Paulo permanece em Corinto por ano e meio.

Cencréia – Paulo rapa a cabeça.

Éfeso – Priscila e Áqüila acompanham a Paulo até este ponto, mas ficam em Éfeso.

Cesaréia

Jerusalém

Antioquia da Síria

I e II TESSALONICENSES

 

III. TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA

Antioquia da Síria

Galácia e Frígia (Derbe, Listra, Icônio e Antio­quia da Psídia).

Éfeso – discípulos de João Batista recebem o Es­pírito; Paulo prega na escola de Tirano; os sete filhos de Ceva (judeus incrédulos ten­tam o exorcismo em nome de Jesus; os convertidos queimam seus livros mágicos; Demóste­nes encabeça o levante dos ourives em defesa de Artemis (Diana); Paulo passa dois anos e três meses em Éfeso.

I CORÍNTIOS

II CORÍNTIOS

ROMANOS

Macedônia (Filipos, Tessalônica, Beréia).

Grécia ou Acaia (Atenas e Corinto) os judeus pla­nejam matar a Paulo em uma viagem à Palestina.

Macedônia

Trôade – Êutico cai da janela durante um sermão de Paulo.

Mileto – Paulo se despede dos anciãos de Éfeso.

Tiro – Paulo avisado a não ir a Jerusalém.

Cesaréia – Paulo se hospeda na casa de Filipe; Ágabo avisa a Paulo simbolicamente do que lhe sucederia em Jerusalém.

56      Jerusalém – Paulo presta relatório à igreja; en­volve-se num voto judaico para mostrar que não era contra a lei mosaica; é agarrado no templo; é livrado por soldados romanos; fala a judeus da escadaria do castelo; fala ao Sinédrio; os judeus planejam para matar a Paulo; Cláudio Lísias envia Paulo a Félix, em Cesaréia.

Paulo é julgado diante de Félix, Festo e Agripa, em Cesaréia, e então apela para César.

 

  1. VIAGEM A ROMA

Cesaréia

Creta – rejeitado o conselho de Paulo para não se encetar viagem por mar.

Tempestade no mar Mediterrâneo.

59      Malta (Melita) – naufrágio; Paulo sacode da mão uma víbora e não sofre maus efeitos

FILEMOM

COLOSSENSES       ­

EFÉSIOS

FILIPENSES

Roma – Paulo aluga uma casa-prisão; prega a judeus e gentios; e por dois anos aguarda julgamento perante Nero.

61      Paulo é solto da prisão e faz mais algumas viagens.

I TIMÓTEO

TITO

II TIMÓTEO

64      Paulo novamente Preso. Martírio de Paulo.

 

Primeira viagem missionária de Paulo

O décimo terceiro capítulo de Atos dá início à narrativa dos extensos empreendimentos missionários de Paulo. Sendo escritor habilidoso, Lucas preparava os seus leitores para a descrição da propagação do evangelho, mediante a prédica de Estêvão aos judeus helenistas de Jerusalém, mediante a dispersão dos cristãos por causa de perseguição, com o resultado da expansão do testemunho cristão, mediante‑a evangelização de Samaria e a conversão do etíope eunuco, pelos labores de Filipe, mediante a prédica de Saulo (ou Paulo) em Damasco e aos helenistas de Jerusalém, mediante a missão de Pedro a Lida, Jope e Cesaréia, na última das quais ele foi o agente da conversão de uma família de gentios, e mediante a propagação do cristianismo até Antioquia da Síria. Além disso, Lucas já havia apresentado a Barnabé e Paulo como colegas, pois Barnabé havia apresentado a Paulo à Igreja de Jerusalém, e ambos tinham ministrado em Antioquia e tinham viajado juntos, levando víveres para aliviar a fome, enviados da Igreja de Antioquia à Igreja de Jerusalém. E, finalmente, o contraste estabelecido entre a morte de Herodes Agripa I, que se opunha ao cristianismo, e a bem sucedida propagação do evangelho, arma o palco para as viagens missionárias e evangelísticas de Paulo, as quais tiveram um caráter internacional.

 

Antioquia da Síria

Ler Atos 13 e 14, seguindo a viagem pelo mapa (pág. 251). Lucas atribui o envio de Barnabé e Saulo tanto à igreja de Antioquia quanto ao Espírito Santo, o qual impulsionara aquela igreja a enviá‑los. A imposição de mãos não serviu de consagração formal (Barnabé e Saulo tinham estado a pregar já desde muito tempo), mas foi indicação de que a igreja sustentava a missão deles.

 

Chipre: Elimas e Ségio Paulo

Foi apenas natural que Barnabé e Paulo se dirigissem, primeiramente, à ilha de Chipre, por tratar‑se da terra natal de Barnabé. Paulo tomou a iniciativa quando o mágico judeu Elimas (Bar‑Jesus) procurou influenciar o procônsul romano Sérgio Paulo, para que este se afastasse do evangelho (sem dúvida porque o mágico entendeu que seus serviços não mais seriam solicitados se Sérgio Paulo adotasse o cristianismo). É a partir desse ponto da narrativa que Lucas registra o nome de Paulo antes do de Barnabé. A única exceção a isso ocorre no contexto que envolve Jerusalém, em Atos 15:12, onde Lucas retrocede à ordem anterior, “Barnabé e Paulo”, porque na mente dos cristãos de Jerusalém, Barnabé continuava sendo o cristão de mais experiência e pai espiritual de Paulo. Lucas aplica a Saulo o designativa “Paulo”, pela primeira vez, em Atos 13:9. A sua missão entre os gentios tornou mais apropriado o seu nome grego do que o seu nome semita.

 

Perge

         Em Perge da Panfília, João Marcos, primo de Barnabé e assessor tanto deste quanto de Paulo, resolveu não seguir avante. Não sabemos dizer por quê. As sugestões vão desde as saudades de casa até ao temor. Sem importar qual o seu motivo, Paulo reputou‑o inválido, mas Barnabé julgou‑o pelo menos desculpável.

 

O padrão paulino

         Paulo adotou a estratégia de pregar nas principais cidades. Partindo desses epicentros, o evangelho reverberava por todas as aldeias e os interiores circunvizinhos. Paulo adotou, por igual modo, o padrão de pregar primeiro nas sinagogas judaicas (onde houvesse alguma), em qualquer localidade em que chegasse. Ele mantinha profundo interesse por seus compatriotas judeus. Na qualidade de povo do antigo pacto, cabia‑lhes o direito de ouvir o evangelho em primeiro lugar. E as sinagogas eram os melhores lugares para alguém encontrar uma audiência preparada, porquanto era costume das sinagogas convidar visitantes qualificados, como era o caso de Paulo, para que usassem da palavra. Outrossim, entre os ouvintes das sinagogas havia sempre um avantajado número de prosélitos e homens piedosos gentios, além dos próprios judeus. Na verdade, Paulo usualmente obtinha grande êxito entre esses gentios, porquanto o interesse deles pelo judaísmo os havia preparado para a sua mensagem. Em resultado, os judeus incrédulos consideravam Paulo um intrujão, que procurava seduzir os gentios a fim de que passassem do judaísmo para o cristianismo, oferecendo‑lhes a salvação sob condições mais suaves do que as da observância da lei de Moisés.

 

Antioquia da Psídia

O sermão de Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia(Essa Antioquia. menor e menos importante que a da Síria, ficava perto das fronteiras da Psídia, embora não exatamente na Psídia.Todavia, tornou‑se conhecida como Antioquia da Psídia.) passou em revista a história de Israel, com o intuito de proclamar as boas novas de que a história e a profecia do Antigo Testamento tinham achado cumprimento em Jesus Cristo. O apóstolo Paulo fazia soar a nota da justificação mediante a fé em Cristo, à parte da obediência meritória à legislação mosaica. Essa é uma das teses familiares de suas epístolas. E assim, quando os judeus daquela cidade retornaram à sua sinagoga, no sábado seguinte, encontraram multidões de gentios que ocupavam seus assentos e que aguardavam ansiosamente que Paulo lhes dirigisse outro sermão. Indignados, os judeus instigaram a perseguição, e Paulo e Barnabé partiram dali, após terem ministrado aos gentios às carreiras. Isso, por semelhante modo, também se tornou habitual: pregação nas sinagogas ‑ sucesso entre os prosélitos e homens piedosos entre os gentios ‑ hostilidades por parte dos judeus retirada da sinagoga ‑ posterior ministério bem sucedido entre os gentios ‑ perseguição ‑ fuga.

 

A questão legal

         A perseguição quase sempre partia de fontes judaicas, e não romanas, pelo menos durante aquele período inicial. Pois o governo romano continuava reputando o cristianismo como um ramo lateral do judaísmo, e, portanto, como uma religio licita (religião legal). A norma política de Roma era conceder liberdade a todas as religiões existentes no império, mas interditar novas religiões, por temer agitações sociais, provocadas por essas invasões religiosas. Somente já em data posterior, quando os romanos perceberam que o cristianismo era distinto do judaísmo, é que interditaram o cristianismo como religio illicita.

 

Listra e retorno

         Os habitantes de Listra confundiram Barnabé e Paulo com as divindades gregas Zeus e Hermes, respectivamente. Quando Paulo e Barnabé se recusaram a deixar‑se adorar, a reação adversa das multidões volúveis resultou no apedrejamento de Paulo, o qual por pouco escapou da morte. Na viagem de retorno de Derbe, passando por Listra, Icônio e Antioquia da Psídia, Paulo e Barnabé evitaram pregar publicamente (pois ainda bem recentemente haviam sido expulsos daquelas cidades), mas preocuparam‑se em fortalecer aos crentes e a organizar igrejas locais, mediante a eleição de anciãos encarregados das mesmas. Dessa forma, pois, as igrejas locais foram organizadas ao molde de sinagogas, cada uma das quais contava com uma “junta de anciãos”. A caminho de volta através de Perge, Paulo e Barnabé pregaram ali, pois aparentemente tinham feito uma passagem por demais rápida por ali, da primeira vez.

 

A controvérsia judaizante

No relatório que apresentaram à igreja pátria de Antioquia da Síria, Paulo e Barnabé ressaltaram a bem sucedida evangelização dos gentios. Isso arma o palco para a disputa historiada no décimo quinto capítulo de Atos, sobre a situação dos crentes gentílicos. Até este ponto, Lucas vinha exibindo o desdobramento do plano divino de entregar o evangelho tanto a gentios quanto a judeus. O capítulo 15 de Atos mostra‑nos como o problema dos crentes gentios provocou a separação cristã do redil do judaísmo, como uma religião nova e separada, contra todos os esforços dos judaizantes. Os judaizantes eram cristãos judeus (e seus seguidores gentios) que ensinavam que os crentes gentios precisavam ser circuncidados e precisavam prometer observar a lei mosaica, ou seja, era mister que entrassem na Igreja do mesmo modo que os gentios prosélitos eram acolhidos no judaísmo. Paulo e Barnabé discordavam disso. E a igreja de Antioquia entregou o problema à apreciação da igreja de Jerusalém. Ler Atos 15:1.‑35.

 

O concílio de Jerusalém

Com o apoio outorgado pelos líderes Pedro e Tiago, meio‑irmão  de Jesus, o parecer da influente igreja mãe de Jerusalém favorecia a idéia da isenção dos crentes gentios quanto aos preceitos da lei mosaica, apesar de exortá-los a evitar as práticas que ofenderiam desnecessariamente aos judeus: a ingestão de carne que fora dedicada a algum ídolo, antes de ser posta à venda; o consumo de carne de animais mortos por sufocação; o comer carne que ainda contivesse o sangue do animal morto; e, finalmente, a “fornicação”, ou seja, a imoralidade de modo geral, embora talvez encontramos aqui um termo técnico que indicava o incesto (casamento com parentes mais próximos do que aqueles permitidos no décimo oitavo capítulo de Levítico). A igreja de Jerusalém enviou a dois dentre seu próprio número, Judas (Barsabás) e Silas, em companhia de Paulo e Barnabé, a fim de confirmarem, na presença dos cristãos de Antioquia da Síria, que Paulo e Barnabé não estavam apresentando um relatório falso, que favorecesse a sua posição. Quanto à natureza crucial da controvérsia judaizante, vide ainda a discussão a respeito, na epístola aos Gálatas, às págs. 285 s.

 

Segunda viagem missionária de Paulo

Ler Atos 15:36 ‑ 18.22, seguindo os movimentos constantes no mapa (pág. 229). A despeito do fato que Paulo se recusou a levar novamente a João Marcos em sua companhia, e apesar da separação resultante entre Paulo e Barnabé, mais tarde Marcos figura como um dos companheiros de Paulo, em Roma (Colossenses 4:10 e Filemom 24), tendo merecido um comentário favorável da parte de Paulo (vide II Timóteo 4:11).

 

Silas

         Silas, o companheiro selecionado por Paulo, era proveniente da igreja de Jerusalém. Era vantajoso para Paulo contar com alguém vindo dali, o qual pudesse refutar os judaizantes ao afirmarem‑se representantes da igreja mãe. No relato acerca do encarceramento de Paulo e Silas, em Filipos, chega‑se a ter a impressão de que Silas também era cidadão romano.

 

Timóteo

         Em Listra, Paulo passou a contar com um outro companheiro, Timóteo. Aos olhos dos gentios, Timóteo era judeu porque sua mãe o criara no judaísmo. Aos olhos dos judeus, o fato que Timóteo era o filho incircunciso de um pai gentio, fazia dele um gentio. A fim de regularizar a situação de Timóteo e para evitar escândalo desnecessário para os judeus, aos quais desejava evangelizar, Paulo ordenou a circuncisão de Timóteo. Porém, a fim de evitar a impressão resultante de que o apóstolo estava recuando, diante da controvérsia judaizante, Lucas apressa‑se a ressaltar que Paulo ia entregando a decisão anti‑judaizante, ditada pelo concílio de Jerusalém, por todas as igrejas cristãs por onde passava.

 

O homem da Macedônia

         Alguns estudiosos têm identificado o homem da Macedônia, da visão de Paulo, com Lucas. Mas isso é improvável, pois Lucas usa a primeira pessoa do plural, “nós”, ao narrar a partida de Trôade para a Macedônia; não obstante, o homem da Macedônia clamara do outro lado do estreito de Dardanelos, “Passa à Macedônia. . .”

 

Filipos

         Filipos era uma cidade pertencente ao primeiro dos quatro distritos administrativos da Macedônia. Antônio e Otávio (mais tarde intitulado Augusto) fizeram fixar resisdência em Filipos um

certo número de veteranos do exército romano, transformando a cidade em colônia romana, após a vitória que obtiveram, em 42 A. C., sobre Bruto e Cássio, assassinos de Júlio César. Otávio estabeleceu maior número ainda de colonos, em Filipos, depois de haver derrotado a Antônio e Cleópatra, em Ácio (31 a.C..) Os judeus da cidade dispunham apenas de um lugar de oração à beira do rio, evidentemente porque o seu número exíguo não provia os necessários dez homens adultos para que fosse estabelecida uma sinagoga. (Alternativamente, “lugar de oração” é expressão sinônima de “sinagoga”)

Em Filipos, a acusação assacada pelos proprietários da jovem escrava pitonisa escorou‑se em preconceitos anti‑semitas, ao ressaltar que Paulo e Silas eram judeus e ao asseverar, mentirosamente, que advogavam práticas contrárias às leis e aos costumes dos romanos. Dessa forma, foram lançados no cárcere.

 

O carcereiro

         O carcereiro tinha a responsabilidade de apresentar seus prisioneiros em qualquer ocasião, sob pena de morte. E essa foi a razão de seu quase suicídio, ao imaginar que os prisioneiros teriam fugido, em resultado do terremoto. Provavelmente, os supersticiosos prisioneiros ficaram assustados diante dos cânticos estranhamente jubilosos de Paulo e Silas, no cárcere, aos quais se seguiu o terremoto; e assim puderam ser facilmente persuadidos por Paulo e Silas de que não deveriam escapar. Era algo perfeitamente legítimo para o carcereiro o entreter a Paulo e Silas em sua própria casa, contanto que os apresentasse, se fosse solicitado a fazê‑lo. O batismo dos familiares do carcereiro levanta a possibilidade de ter havido batismo de infantes naquela ocasião. Mas, contrariamente à suposição, temos o argumento de que a crença em Cristo foi requerida, da parte dos membros da família, antes de receberem o batismo.

Visto que uma das chamadas seção”nós” termina quando se chega ao final da narrativa sobre os acontecimentos em Filipos, mas é ela reiniciada no ponto em que se narra o retorno de Paulo a Filipos, em data posterior, conclui‑se que Lucas deve ter permanecido em Filipos, talvez como pastor ou evangelista.

 

Tessalônica, Beréia, Atenas

         Os judeus incrédulos de Tessalônica se mostraram especialmente hostis. Não somente expulsaram a Paulo da cidade, mas igualmente viajaram até Beréia, a fim de repetir os seus atos. Em Atenas, aqueles que ouviram os sermões de Paulo chegaram a pensar que Jesus e “ressurreição” fossem duas divindades com as quais não estavam familiarizados. (Talvez tenham confundido o nome Jesus com a palavra grega parecida que significa “cura”, tendo assim entendido que Paulo se referia aos deuses da cura e da ressurreição.) Paulo foi forçado a expor a sua doutrina defronte do Areópago, o conselho da cidade de Atenas, que licenciava mestres. Durante aquele período da história, esse conselho se reunia na colina de Marte somente em casos de homicídio, pelo que o título que aparece em algumas versões, “Sermão de Paulo na Colina de Marte”, provavelmente é uma designação incorreta. Alguns atenienses zombaram da idéia de ressurreição dentre os mortos. A mais reluzente esperança dos gregos era a imortalidade da alma, mas mesmo quanto a isso se mostravam em grande parte céticos. É duvidoso que eles se inclinassem por crer na ressurreição do corpo, porquanto para eles o corpo serviria de entrave para a alma. (Vide J. B. Skemp, The Greeks and the Gospel (Londres: Carey Kingsgate, 1964), págs. 78‑89, quanto a um bem eqüilibrado estudo sobre conceitos gregos.) No entanto, segundo os conceitos bíblicos, Deus criou assim o corpo como a alma. Esses dois se completam ‑ o que explica o caráter sagrado do corpo e sua ressurreição por vir.

 

Corinto; Priscila e Áqüila

         Corinto era uma cidade portuária famosa por sua devassidão. “Agir como um coríntio” era o mesmo que praticar imoralidades. “Moça de Corinto” equivalia a “meretriz”. Contando com poucos recursos financeiros quando chegou em Corinto, Paulo pôs‑se a fabricar tendas, em sociedade com colegas judeus, Áqüila e Priscila. Visto que Lucas não menciona a conversão deles, sem dúvida já eram cristãos quando conheceram a Paulo. Em cerca de 49 ou 50 D. C., o imperador Cláudio expulsara a eles e outros judeus da cidade de Roma, devido a agitações havidas na colônia judaica dali, devido a “Chrestus”, o que sem dúvida foram querelas entre judeus, por motivo da prédica cristã sobre “Christus” (forma latina de Cristo, mas mal soletrada como “Chrestus”). (Suetônio, Cláudio xxv.4, citado em C. K. Barrett, The New Testament Background, Págs 14,15. Suetônio parecia pensar que o próprio Cresto teria instigado o levante. Porém, tendo escrito setenta anos depois dos acontecimentos, provavelmente ele confundiu a pregação sobre Cristo com a pregação (ou as arruaças) feita por Cristo. Chrestus (no latim) e Chrêstos (no grego) era nome muito comum dado a escravos, pois tinha o sentido de “útil” pelo que é fácil compreendermos a má soletração, em lugar de Christus.)

 

Gálio

         Em Corinto, a decisão de Gálio que permitiu a evangelização cristã se revestiu de tremenda importância. Decisões adversas, baixadas por magistrados civis, só tinham legalidade nas cidades onde fossem decretadas. E uma decisão adversa, da parte do governador de uma província, como Gálio, teria proibido o testemunho cristão por toda uma província, e, pior ainda, teria estabelecido um precedente que poderia ser seguido por outros governadores da província por todo o império romano. Os judeus tentaram persuadir a Gálio que o cristianismo era contrário ao judaísmo, e, por isso mesmo, que era uma religião nova, e, por conseguinte, ilegal. Sem embargo, Gálio recusou‑se a tratar da questão, como caso típico de disputa intestina do judaísmo. E quando os judeus iam deixando o tribunal, o grupo de gentios circunstantes tirou vantagem do pouco caso feito por Gálio aos judeus, espancando o chefe da sinagoga, Sóstenes, em uma demonstração anti‑semita. (Outros pensam que os judeus espancaram seu próprio líder, por não ter sido bastante vigoroso na acusação contra Paulo. Mas essa opinião é duvidosa.) Gálio com nada disso se importou. De acordo com uma inscrição latina, encontrada em Delfos, na Grécia, o período em que Gálio serviu como procônsul foi mais ou menos de 51 a 53 D. C. Paulo rapou a cabeça em Cencréia, pouco antes de sua viagem de volta, a fim de assinalar o fim de um voto de nazireado que, ao que parece, ele impusera a si mesmo em Corinto. Vide Números 6:1‑21.

 

Terceira viagem missionária de Paulo

         Ler Atos 18:23 ‑ 19:41, seguindo os movimentos no mapa (pág. 252). O circuito da terceira viagem missionária de Paulo começou, uma vez mais em Antioquia da Síria. Exatamente como fizera durante a segunda viagem missionária, Paulo revisitou, antes de mais nada, a Galácia e a Frígia, regiões onde estavam localizadas cidades como Derbe, Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia.

 

Apolo

         A fim de preparar os leitores para o relato do ministério de Paulo em Éfeso, Lucas insere um parágrafo a respeito da pregação de Apolo em Éfeso (vide Atos 18:24‑28). Esse eloqüente judeu alexandrino pregava a Jesus, mas conhecia apenas o batismo de João Batista, o batismo condicionado ao arrependimento. Noutras palavras, Apolo não batizava os seus convertidos em nome de Jesus. E depois que Priscila e Áqüila informaram‑no melhor sobre a doutrina e a prática cristã, Apolo se dirigiu para Acaia (Grécia).

 

Éfeso

         Finalmente, Paulo conseguiu cumprir seu antigo desejo de evangelizar a importante cidade de Éfeso. Ali ele conheceu alguns discípulos que, à semelhança de Apolo, conheciam apenas o batismo de João. Provavelmente eram convertidos de Apolo. E aqueles discípulos também não sabiam que Deus vinha outorgando o Espírito Santo a todos os crentes, desde o dia de Pentecoste. Tendo esclarecido mais detalhadamente o evangelho, Paulo rebatizou aqueles discípulos. Por Sua vez, Deus outorgou a eles o Espírito Santo, evidenciado pelo falar em línguas. É digno de nota que as quatro ocasiões, no livro de Atos, em que o Espírito Santo foi concedido de maneira espetacular, isso teve a ver com a entrada de diferentes grupos na Igreja: os crentes judeus originais (capítulo 2), os samaritanos (capítulo 8), os gentios (capítulo 10) e os discípulos parcialmente instruídos de Êfeso (capítulo dezenove). E Deus indicou a Sua aprovação a cada um desses grupos mediante manifestação especial do Seu Espírito.

De conformidade com uma antiga tradição, Paulo se utilizava da escola de Tirano das onze horas da manhã às quatro horas da tarde. Talvez Paulo gastasse suas manhãs fabricando tendas, e as suas tardes ensinando pessoas suficientemente interessadas no evangelho para se olvidarem de seu período de sesta do meio‑dia.

O exorcista judeu Ceva era “sumo sacerdote” (19:14) somente por sua própria aclamação. Os judeus eram altamente considerados como exorcistas, porque se pensava que somente eles eram capazes de pronunciar corretamente o potente nome de Yahweh, e o sucesso na expulsão de demônios supostamente dependia em larga escala da correta pronúncia da fórmula apropriada. Os sete filhos de Ceva, aprendizes da arte do exorcismo, procuraram usar o nome de “Jesus”, mas descobriram que os resultados eram um tanto desconcertantes, pois o autêntico exorcismo cristão não depende da recitação de nomes mágicos. E quando os convertidos de Éfeso lançaram no fogo os seus compêndios de mágicas, eles divulgaram as fórmulas mágicas. Tais fórmulas tornaram‑se então inúteis para os pagãos, pois estes acreditavam que o segredo também era necessário para a eficácia dos encantamentos mágicos. (Comparar com o Papiro Mágico de Paris, citado em C. K. Barrett, The New Testament Background, págs. 31‑35.)

 

Agitação popular

Na narrativa acerca de Demétrio e os ourives, Diana era uma deusa local da fertilidade, que fora identificada com a divindade grega Artemis (nossa versão portuguesa dá o nome romano: Diana). Sua imagem, no templo de Éfeso, aparentemente era um meteorito que os efésios imaginavam assemelhar‑se a uma mulher com muitos seios. O próprio templo, uma das sete maravilhas do mundo antigo, tinha uma área de quase três mil metros quadrados. Quando a turbamulta encheu o anfiteatro, que acomodava cerca de vinte e cinco mil pessoas, os judeus não‑cristãos temeram que haveriam de sofrer, devido à associação com os cristãos, porquanto os judeus também pregavam contra a idolatria. Assim sendo, instigaram um homem de nome Alexandre para que esclarecesse à multidão que os judeus nada tinham a ver com os cristãos. Mas a voz de Alexandre não era páreo para o rugido da turba. Somente quando o escrivão da cidade os acalmou, advertindo que a perturbação civil poderia provocar a perda das liberdades cívicas é que a assembléia raivosa se dispersou.

 

Viagem a Jerusalém

Ler Atos 20:1‑21:16 em conjunção como mapa (vide pág. 252). Após dois anos e três meses em Éfeso, Paulo viajou para a Macedônia e a Acaia, ao mesmo tempo que recolhia a oferta para a igreja de Jerusalém, ao passo que avançava. Tencionava ele ir a Roma, após fazer a entrega da oferta em Jerusalém. Foi efetivamente a Roma, mas sob circunstâncias bem diferentes daquelas que havia concebido; pois chegou ali em cadeias, como um prisioneiro. Entrementes, aparentemente ele planejava embarcar em um navio de peregrinos judeus, da Grécia à Palestina, para participar da festa da Páscoa, que se aproximava. Os judeus, entretanto, conspiraram por livrar‑se dele durante a viagem. Alterando seus planos, ele voltou a cruzar a Macedônia. A caminho pela costa ocidental da Ásia Menor, na direção sul, ele se despediu dos anciãos de Éfeso, que vieram encontrar‑se com ele em Mileto. Ao mesmo tempo que prosseguia a sua jornada na direção de Jerusalém, repetidas advertências foram sendo dadas, de que ele seria detido e perseguido ali. É motivo de debates se essas advertências tinham o intuito divino de impedi‑lo de ir a Jerusalém, se ele estava laborando em erro, ao insistir na viagem, e se a sua participação em sacrifícios judaicos, após sua chegada em Jerusalém, seria coerente com a sua teologia.

 

Detenção de Paulo em Jerusalém

         De acordo com os rumores, Paulo não somente ensinara aos gentios cristãos que não eram obrigados a observar a lei do Antigo Testamento; também encorajara aos crentes judeus a não circuncidarem a seus filhos e nem guardarem a lei. Quando da chegada de Paulo a Jerusalém, quatro cristãos judeus haviam contraído impureza cerimonial, durante o período de um voto temporário de nazireado, e agora passavam por um período de sete dias de purificação (vide Números 6:9‑11). De conformidade com a lei mosaica, aqueles homens deveriam rapar a cabeça ao sétimo dia e deveriam trazer ofertas ao oitavo dia, antes de poderem dar reinício a seu voto de nazireado. Visto que a semana de purificação estava prestes a completar‑se, os anciãos da igreja de Jerusalém sugeriram a Paulo que se unisse àqueles homens na observância dos ritos de purificação e que pagasse as despesas das ofertas deles, a fim de demonstrar que não era contra a lei mosaica como tal. E Paulo concordou.

Certos judeus vindos da Ásia Menor, no entanto, já tinham visto que, em companhia de Paulo, em Jerusalém, havia um colega gentio de nome Trófimo, um efésio. Equivocadamente, pensaram que Paulo teria feito seu companheiro gentio penetrar nos átrios do templo onde só judeus tinham permissão de tanto. Aos gentios era proibido entrar nos átrios mais interiores do templo, sob pena de morte, mesmo no caso de cidadãos romanos. Os clamores daqueles judeus provocaram grande agitação, e os soldados do tribuno romano Cláudio Lísias tiveram de vir socorrer a Paulo. A fortaleza de Antônia, para onde Paulo foi conduzido, ficava a noroeste do recinto fechado do templo. A cidadela era guarnecida por soldados romanos, e um duplo lance de escadas ligava a mesma com o átrio mais exterior do templo. Ler Atos 21:17 ‑ 23:35.

Três anos antes desse incidente, um judeu egípcio apareceu em Jerusalém, declarando‑se profeta. Ele conduziu um numeroso grupo de pessoas até ao monte das Oliveiras e determinou que esperassem até que as muralhas de Jerusalém desabassem por ordem sua. Em seguida, entrariam marchando na cidade e desbaratariam a guarnição militar romana. Mas o governador Félix enviou tropas, matou a diversos judeus e encarcerou a outros. Não obstante, o judeu egípcio conseguiu escapar. A princípio, Cláudio Lísias pensou que Paulo pudesse ser o mesmo impostor, contra quem os judeus agora procuravam tirar vingança, por havê‑los iludido.

Em sua defesa perante o populacho judaico, Paulo salientou quão bom judeu ele era e quão devoto judeu era Ananias, o cristão que o ajudara em Damasco. Também ressaltou a miraculosa visão de Cristo, por ele recebida na estrada de Damasco. Os judeus continuaram a ouvi‑lo até que ele disse que Deus lhe ordenara ir pregar aos gentios. Incapazes de tolerar o pró‑gentilismo, os judeus clamaram exigindo o sangue de Paulo, tal e qual haviam exigido a morte de Jesus.

 

Jornada a Cesaréia

A fim de determinar a razão do levante, Cláudio Lísias conduziu Paulo à presença do Sinédrio; mas a sessão terminou em confusão. Quando o jovem sobrinho de Paulo ouviu falar que uma emboscada cujo intuito era assassinar a Paulo, quando estivesse este sendo retirado de lugar para lugar, dentro da cidade, foi informar a Cláudio Lísias. Imediatamente o tribuno enviou Paulo para Cesária, sob a cobertura da noite, escoltado por um numeroso contingente de soldados, encarregados de protegê‑lo. De conformidade com a carta que escreveu ao governador Félix, que se achava em Cesaréia, Cláudio Lísias teria socorrido a Paulo ao descobrir ser ele um cidadão romano. Na verdade, ele só descobrira a cidadania romana de Paulo quando o apóstolo estava prestes a ser açoitado,( Os açoites eram aplicados com o flagellum (latim), tiras de couro ligadas a um cabo de madeira e dotadas de pedacinhos de osso e metal cortantes. As vítimas quase sempre morriam sob o castigo.) e isso com o propósito de extrair dele alguma informação, o que era um procedimento ilegal contra um cidadão romano não‑condenado.

 

Cidadania romana

         O diálogo que houve entre Paulo e Cláudio Lísias (vide 22:2729) revela que Paulo era cidadão romano por nascimento, e que Cláudio Lísias havia adquirido a dinheiro a sua própria cidadania, “me custou grande soma de dinheiro”, o que pode ter sido um suborno. A cidadania de Paulo por direito de nascimento era superior em ordem de escala. Os nomes dos cidadãos estavam registrados em Roma e nos locais de suas residências respectivas. Os cidadãos propriamente dito possuíam certificados de cera, de madeira ou de metal, com os nomes de testemunhas do fato. A execução era a penalidade imposta por falsa reivindicação de cidadania. Se um cidadão não levava consigo o seu certificado, ou se este fosse suspeito de contrafação, as autoridades podiam então pedir que ele apresentasse as suas testemunhas. Quiçá essa tenha sido uma das razões por que Paulo, que viajava constantemente e até lugares distantes, não apelou com maior freqüência para a sua cidadania romana. (Vide ainda H. J. Cadbury, The Book of Acts in History (Nova Iorque: Harper, 1955), págs. 67 ss.; A. N. Sherwin‑White, Roman Society and Roman Law in the New Testament (Oxford; Clarendon, 1963), págs. 144‑171.)

 

Perante Félix

         Um homem de nome Tértulo atuou como promotor, em favor dos judeus, ao assacar acusações contra Paulo, em Cesaréia. As suas palavras lisonjeiras para com o governador Félix e a promessa de que seria breve, fizeram parte da forma tradicional de iniciar discursos. A acusação feita contra Paulo é que ele vivia perturbando a paz. A perturbação da paz era um crime elasticamente definido, que os imperadores tirânicos costumavam usar como arma de terrorismo político. Quase qualquer coisa podia ser colocado dentro dessa categoria. Em sua réplica, Paulo asseverou que em parte alguma fizera agitação entre o povo. De fato, ele viera a Jerusalém não no espírito de contenção, mas trouxera uma oferta para ajudar a judeus residentes em Jerusalém. E observou enfaticamente que os judeus da Ásia Menor, que tinham provocado a bulha e que o haviam acusado originalmente, não tinham comparecido em tribunal para depor contra ele.

Em seguida, Paulo argumentou que o cristianismo não era antagônico ao judaísmo, e, sim, um cumprimento de princípios mais profundos do judaismo. E perante o Sinédrio, em Jerusalém, o seu único “crime”, do qual possivelmente poderia ser acusado, fora a sua declaração de fé na ressurreição. Até a facção farisaica do Sinédrio tinha dado apoio à posição paulina, embora, naturalmente, não acreditassem na ressurreição de Jesus, conforme Paulo cria. Em todas as suas apologias, registradas na porção final do livro de Atos, Paulo pôs em destaque a ressurreição como um elemento crucial da fé cristã e como terreno comum entre o cristianismo e o judaísmo ortodoxo (apesar do fato que os saduceus negavam essa doutrina). Vide Atos 24:15 e 26:8,22,23. Adiando uma decisão imediata a respeito de Paulo, Félix conservou‑o sob custódia mas ouviu‑o novamente, em particular, em companhia de Drusila. Ler Atos 24.

 

Perante Félix e Drusila

         Drusila era uma jovem noiva que nem chegara ainda aos vinte anos de idade. Quando ainda bem criança, fora prometida em casamento a um príncipe da Ásia Menor, presuntivo ao trono daquele país; mas o casamento não tivera lugar porque o tal príncipe se recusara a adotar o judaísmo. Posteriormente, Drusila contraiu matrimônio com um rei vassalo de certo estado sírio. Quando ela tinha dezesseis anos de idade, entretanto, Félix, com a ajuda de um mágico de Chipre, conseguiu conquistá‑la e afastá‑la de seu marido, para tornar‑se a sua terceira esposa. É perfeitamente compreensível, pois, que quando Paulo pôs‑se a raciocinar, com Félix e Drusila, a respeito da justiça, do auto‑controle e do julgamento futuro, Félix, que havia esperado uma discussão meramente abstrata sobre o cristianismo, julgou que o sermão era desconfortavelmente incisivo e pessoal. Deixou Paulo ir‑se da presença deles, mas manteve Paulo sob custódia, na esperança de que Paulo oferecer‑lhe‑ia suborno, a fim de ser libertado. Todavia, a esperança de receber peitas da parte de Paulo não foi o único fator que impediu Félix de soltar ao apóstolo, apesar de estar convencido da inocência de Paulo. O fato que já ofendera aos judeus por certo número de vezes, e certas modificações administrativas no governo central de Roma, fizera a posição política de Félix, como governador, ser bastante precária. Não ousava ofender novamente aos judeus, dando liberdade a Paulo.

 

Perante Festo

         Um indivíduo de nome Festo, sucedeu a Félix na governança da província. Seu primeiro ato foi subir a Jerusalém a fim de travar conhecimento com os principais judeus, os membros do Sinédrio. Imediatamente eles renovaram as suas acusações contra Paulo, perante o novo governador; e solicitaram‑lhe que transferisse Paulo para Jerusalém, a fim de ali ser levado a tribunal. Talvez estivessem planejando assassinar a Paulo no caminho, tal como já haviam conspirado antes. Mas, visto que Festo não tencionava permanecer por muito tempo em Jerusalém, sugeriu ele aos judeus que enviassem uma delegação de acusadores a Cesaréia. Mas Festo pouco se importava se esse julgamento teria lugar em Cesaréia ou em Jerusalém, porque o que lhe interessava era estabelecer relações amigáveis com os judeus. Ao retornar a Cesaréia, por conseguinte, sugeriu a Paulo que aceitasse ser julgado em Jerusalém.

Paulo, entretanto, talvez temesse ser assassinado no caminho. Ou talvez tivesse percebido que o Sinédrio convenceria a Festo, um novato em questões judaicas, de que eles é que deveriam ter jurisdição sobre Paulo. E poderiam respaldar à sua reivindicação argumentando que Paulo supostamente teria cometido sacrilégio contra o templo, o tipo de crime por causa do qual os romanos com freqüência cediam jurisdição aos judeus. E com facilidade o apóstolo poderia calcular o veredito, caso Festo o entregasse aos judeus para ser julgado. Qualquer que tenha sido o seu raciocínio, o fato é que Paulo exerceu o direito que tinha, na qualidade de cidadão romano, de apelar para César, em Roma, o tribunal superior. Ler Atos 25 e 26.

 

Perante Festo e Herodes Agripa II

         Herodes Agripa II era bisneto de Herodes o Grande e irmão de Drusila (esposa do ex‑governador Félix), além de ser o rei de pequena região próxima do Líbano. Sua irmã mais jovem, Berenice, vivia com ele em Cesaréia de Filipe durante esse tempo. E quando Agripa veio fazer a Festo uma visita oficial de boas vindas, em honra à sua nova governança, Festo decidiu tirar vantagem da situação, fazendo Agripa, conhecedor que era das questões judaicas, ouvir a Paulo e ajudar a ele mesmo a preparar uma lista de acusações contra o apóstolo. E Festo haveria de enviar tal lista, juntamente com Paulo, quando este tivesse de comparecer perante César.

A fim de provar a realidade de sua visão transformadora, na estrada de Damasco, Paulo frisou o papel que desempenhara na sua perseguição contra os cristãos. Mas também sublinhou o fato que anteriormente fora um fariseu e que então já cria na ressurreição. Agora estava sendo ridiculamente acusado de crer e de pregar o cumprimento, em Jesus Cristo, da doutrina mesma na qual sempre crera como fariseu. E dentre todos os povos, eram exatamente os judeus, com a única exceção dos saduceus, que também acreditavam na ressurreição. Mas Festo, o juiz hospedeiro, interrompeu a defesa de Paulo com a acusação que ele perdera o juízo através do excessivo estudo. Paulo entretanto, apelou para Agripa, o juiz convidado, observando que as questões relativas aos judeus eram de conhecimento geral e indagando de Agripa se ele acreditava ou não nas profecias messiânicas.

O apelo de Paulo deixou Agripa embaraçado. Dificilmente ele poderia afirmar que concordava com Paulo, depois que seu hospedeiro, Festo, acabara de acusar o apóstolo de insanidade mental. Mas também não podia asseverar que não acreditava nos profetas, sem danificar sua reputação de ortodoxia entre os judeus. Astutamente, pois, ele indicou que uma maior persuasão que aquela seria necessária para fazer dele um cristão. O propósito de Lucas, ao relatar esse episódio, foi o de demonstrar que a opinião de Agripa, perito como era sobre as questões judaicas, concordava com as opiniões de Félix e de Festo, no sentido que Paulo não era culpado de qualquer crime real.

 

Viagem tempestuosa de Paulo a Roma

Ler Atos 27 e 28, seguindo a viagem de Paulo, desde Cesaréia até Roma, no mapa (pág.253). O recolhimento do bote, durante a tempestade (vide 27:15‑17) alude ao fato que um pequeno bote, que em bom tempo era rebocado atrás da embarcação maior, fora recolhido a bordo. Os marinheiros passaram cabos por baixo e em volta do navio, amarrando‑os bem apertados, para impedir que as tábuas se desconjuntassem devido à inclinação do mastro. A referência ao arriar dos aparelhos provavelmente indica que retiraram as velas mais altas, as quais eram empregadas somente durante bom tempo. Mas as velas que podiam ser usadas em ocasiões tempestuosas continuaram enfunadas. Em seguida foi alijada a carga, e, finalmente, foram lançados ao mar todos os aparelhos restantes do navio. Durante todos os onze cansativos dias e noites, sem dúvida o navio ia fazendo água perigosamente. A única esperança é que viessem a dar em alguma praia, mas os marinheiros não sabiam em que direção deveriam dirigir o barco. As nuvens tempestuosas haviam encoberto o sol e as estrelas, e, naquela época não se tinha ainda inventado a bússola. O desespero se apossou daqueles que estavam a bordo. O enjôo do mar impedia‑os de se alimentarem. Mas no fim, o propósito divino a respeito de Paulo resultou na segurança de todos.

 

Em Roma

         Perante os líderes judeus de Roma, Paulo deixou bem claro que ele estava ali em pura auto‑defesa. Não era intensão sua acusar a nação judaica e nem os seus líderes. Os judeus de Roma negaram ter qualquer conhecimento de Paulo ou ter algum conhecimento direto do movimento cristão, apesar de admitirem que tinham ouvido relatos negativos a respeito da reputação desse movimento. O mais provável, entretanto, é que notícias atinentes a Paulo já tivessem chegado até aos judeus de Roma. E não se pode duvidar que estes já tivessem entrado em contato com cristãos de Roma, porque a igreja cristã dali já se achava fortemente estabelecida. Ao que parece, os representantes da comunidade judaica não‑cristã de Roma estavam fingindo ignorância. Algum tempo depois, em dia adredemente marcado, um grande número de judeus veio ouvir Paulo explicar‑lhes o evangelho. Alguns lhe deram crédito, mas a maioria o repeliu. Como já era de hábito, Paulo voltou sua atenção para a evangelização dos gentios.

A demora de pelo menos dois anos, para que Paulo fosse julgado, pode ter‑se devido a um ou mais dentre diversos fatores: (1) a necessidade de seus acusadores virem desde a Palestina; (2)

 

a destruição, durante o naufrágio, da documentação que fora preparada por Festo a respeito das acusações feitas contra Paulo, com a conseqüente necessidade de serem enviadas duplicatas desde Cesaréia; e (3) o atraso em que se encontrava a agenda forense de Nero, por causa do enorme número de casos que ele precisava julgar.

Durante esse período de adiamento, Paulo desfrutou de considerável liberdade como prisioneiro. Embora constantemente agrilhoado a um soldado romano e confinado à casa que alugara, Paulo podia receber visitante e qualquer outra espécie de atenção proveniente de seus amigos. A razão para essa lassidão é que ele era cidadão romano contra quem nenhuma acusação fora ainda comprovada. E Paulo aproveitava sua semi‑liberdade para pregar. Lucas queria que os seus leitores notassem o fato que mesmo em Roma, a capital do império, o evangelho não fora proibido como religião ilegal. Dessa maneira, portanto, Lucas traçou a marcha triunfal do evangelho, de Jerusalém a Roma.

 

ESBOÇO SUMÁRIO DE ATOS

 

Tema: o irresistível avanço do evangelho de Jerusalém a Roma

 

  1. ATOS DO ESPÍRITO DE CRISTO EM JERUSALÉM E CERCANIA (1:1 12:25)
  2. Em Jerusalém (1:1 ‑ 8:3)
  3. Ministério pós‑ressurreição e ascensão de Jesus (1:1‑11)
  4. Substituição de Judas Iscariotes por Matias (1:12‑26)
  5. O dia de Pentecoste: o derramamento do Espírito Santo, o falar em línguas, o sermão de Pedro, as conversões em massa e o companheirismo cristão (2:1‑47)
  6. A cura do aleijado e o sermão de Pedro (3:1‑26)
  7. Aprisionamento e soltura de Pedro e João (4:1‑31)
  8. Comunhão de bens na igreja de Jerusalém e a morte de Ananias e Safira (4:32 ‑ 5:11)
  9. Milagres, conversões e aprisionamento e soltura dos apóstolos (5:12‑42)
  10. A disputa por causa de rações e a escolha dos sete “diáconos” (6:1‑7)
  11. Sermão e martírio de Estêvão, e a perseguição geral que se seguiu (6:8 8:3)
  12. Em redor de Jerusalém (principalmente) (8:4 ‑ 12:25)
  13. Evangelização de Samaria por Filipe, os samaritanos recebem o Espírito, e o relato sobre Simão, o mágico (8:4‑25)
  14. Conversão do etíope eunuco, sob Filipe (8:26‑40)
  15. A conversão de Saulo‑Paulo, sua pregação e fuga de Damasco, seu retorno a Jerusalém e fuga para Tarso (9:1‑31)
  16. Pedro cura a Enéias e ressuscita a Tabita (9:32‑43)
  17. Salvação de Cornélio e sua família gentílica, incluindo a visão de Pedro sobre um lençol e o seu sermão sobre o recebimento do Espírito pelos gentios (10:1 ‑ I 1:18)
  18. Propagação do evangelho até Antioquia da Síria (11:19‑26)
  19. Barnabé e Saulo‑Paulo trazem víveres de Antioquia a Jerusalém, para aliviar a fome (11:27‑30)
  20. Herodes Agripa I executa a Tiago, o apóstolo, e encarcera a Pedro; a miraculosa libertação deste e a morte de Herodes (12:1‑25)

 

  1. ATOS DO ESPIRITO DE CRISTO, MEDIANTE PAULO, EM LUGARES DISTANTES (13:1 ‑ 28:31)
  2. Primeira viagem missionária (13:1 ‑ 14:28)
  3. Partida de Antioquia da Síria (13:1‑3)
  4. Chipre: Elimas e sua cegueira temporária e a conversão de Sérgio Paulo (13:4‑12)
  5. Perge: João Marcos retorna (13:13)
  6. Antioquia da Pisídia: sermão de Paulo na sinagoga (13:14‑52)
  7. Icônio, Listra e Derbe: cura de um aleijado, Barnabé e Paulo são adorados como Zeus e Hermes, e apedrejamento de Paulo, em Listra (14:1‑18)
  8. Regresso a Antioquia da Síria, com pregação em Perge (14:19‑28)
  9. A controvérsia judaizante (15:1‑35)
  10. Debates em Antioquia da Síria (15:1,2)
  11. O concílio de Jerusalém: a decisão em prol da liberdade gentílica da lei mosaica (15:3‑35)
  12. Segunda viagem missionária (15:36 ‑ 18:21)
  13. Disputa com Barnabé por causa de João Marcos e a partida de Antioquia da Síria em companhia de Silas (15:36‑41)
  14. Jornada pelo sul da Galácia: a escolha de Timóteo (16:1‑5)
  15. Trôade: a visão do homem da Macedônia (16:5‑10)
  16. Filipos: conversão de Lídia, libertação da jovem escrava pitonisa, o encarceramento de Paulo e Silas, o terremoto e a conversão do carcereiro e sua família (16:11‑40)
  17. Tessalônica: os judeus atacam a casa de Jasom, hospedeiro de Paulo (17:19)
  18. Beréia: averiguação da mensagem de Paulo, mediante o Antigo Testamento (17:10‑15)
  19. Atenas: sermão de Paulo diante do Areópago; mais comumente, colina de Marte (17:16‑34)
  20. Corinto: Paulo fabrica tendas com Áqüila e Priscila, decisão favorável do governador romano, Gálio, e o sucesso geral do evangelho (18:1‑17)
  21. Regresso a Antioquia da Síria através de Cencréia (18:18‑21)
  22. Terceira viagem missionária (18:22 ‑ 21:26)
  23. Jornada pela Galácia e Frigia (18:22,23
  24. Ministério preparatório de Apolo, em Efeso (18:24‑28)
  25. Éfeso: discípulos de João Batista recebem o batismo cristão, evangelização bem sucedida e levante encabeçado por Demétrio e os ourives (19:141)
  26. Jornada através da Macedônia até à Grécia, e daí de volta à Macedônia (20:1‑5)
  27. Trôade: Êutico cai de uma janela, durante um sermão de Paulo (20:6‑12)
  28. Jornada a Mileto e discurso de despedida de Paulo, perante os anciãos do Éfeso (20:13‑38)
  29. Viagem até Cesaréia e predições de infortúnios de Paulo em Jerusalém (21:1‑14)
  30. Viagem até Jerusalém (21:14‑16)
  31. Acontecimentos em Jerusalém (21:17 ‑ 23:35)

1 Paulo faz votos judaicos (21:17‑26)

  1. Agitação na área do templo, detenção de Paulo, sua defesa perante a multidão e diálogo com Cláudio Lisias (21:27 ‑ 22:29)
  2. Defesa de Paulo perante o Sinédrio (22:30 ‑ 23:11)
  3. Conspiração dos judeus contra Paulo e sua transferência para Cesaréia (23:12‑35)
  4. Acontecimentos em Cesaréia (24:1 ‑ 28:31)
  5. Julgamento de Paulo perante Félix (24:1‑23)
  6. Audição particular de Paulo perante Félix e Drusila (24:24‑27)
  7. Julgamento de Paulo perante Festo, e apelo a César (25:1‑12)
  8. Audição de Paulo perante Festo e Herodes Agripa II (25:13 ‑ 26.32)
  9. Viagem acidentada de Paulo a Roma, incluindo o naufrágio em Malta (27:1 ‑ 28:16)
  10. Paulo prega a judeus e a gentios, em sua prisão domiciliar em Roma (28:17-31)

 

Para discussão posterior:

‑ Confronte as tensões e discórdias que surgiram na Igreja primitiva com aquelas da cristandade contemporânea, no tocante às suas origens, tipos e soluções experimentadas.

‑ Identifique as similaridades e diferenças entre a estrutura da Igreja primitiva e aquela da Igreja moderna. O que explica tais diferenças?

‑ Trace o desenvolvimento da Igreja, de um corpo tipicamente judaico a um corpo inter‑racial e internacional. As igrejas evangélicas de hoje são realmente inter‑raciais em seu caráter? A Igreja de hoje é realmente internacional?

‑ Os métodos correntes de evangelismo, empreendimento missionário e levantamento de igrejas seguem ou divergem dos métodos paulinos? e em quais sentidos?

‑ As atividades da Igreja de nossos dias não contam com evidências visíveis da presença do Espírito Santo, o que merece repetidas menções no livro de Atos?

‑ A Igreja retratada no livro de Atos seria considerada bem sucedida pelos padrões contemporâneos?

 

Para investigação posterior:

 

(Comentários sobre Atos e livros relacionados)

 

Blaiklock, E, M. The Acts of the Apostles. Grand Rapids: Eerdmans, 1959.

Bruce, F. F. Commentarv on the Book of Acts. The international Commentary on the New Testament. Grand Rapids: Eerdmans, 1954.

Ramsay, Sir William M. St. Paul the Traveller and the Roman Citizen. 3ª edição. Grand Rapids: Baker, 1949.

‑ The Cities of St. Paul and their Influence on His Life and Thought. Grand Rapids: Baker, 1949.

Van Unnik, W.C.. Tarsus or Jerusalem, the Citv of Paul’s Youth. Naperville, III.: Allenson, 1962.

 

(Livros sobre o empreendimento missionário cristão)

 

Cable, M., e F. French. Ambassadors for Christ. Chicago: Moody, n.d.

Allen, Roland Missionarv Methods: St. Paul’s or Ours? Grand Rapids: Eerdmans, 1962.

‑ The Spontaneous Expansion of the Church. Grand Rapids: Eerdmans, 1962.

Lindsell, H. Missionarv Principles and Practice. Westood, Nova Jersei: Revell, 1955.

Cook, H. R. Strategy of Missions. Chicago: Moody, 1963.

Fife, E. S., e A. F. Glasser. Missions in Crisis. Chicago: Inter‑Varsity, 1962.

The Church’s Worldwide Mission. Editado por H. Lindsell. Waco, Texas: Word Books, 1966.

Mason, David. Reaching the Silent Billion. Grind Rapids: Zondervan, 1967.

McGavran, D. Church Growth and Christian Mission. Nova lorque: Harper & Row, 1965.

Elliott, E. Through Gates of Splendor. Nova Iorque: Harper & Row, 1957.

Hitt, R. T. Jungle Pilot: The Life and Witness of Nate Saint, Nova Iorque: Harper & Row 1959.

Pollock, J. C. Hudson Taylor and Maria. Nova Iorque: MacGraw‑Hill, 1962.

The Journal of John Wesley. Para comparar com a descrição lucana sobre as viagens missionárias de Paulo.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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