NAZISMO E COMUNISMO
26/10/2019
LIÇÃO 41 – CATECISMO
27/10/2019

Longe da imagem popular que supõe que nazismo e comunismo são sistemas diametralmente opostos, o exame de fontes primárias (como os Arquivos Públicos da Antiga União Soviética) e de fontes secundárias abalizadas deixa patente, no estudo comparado das duas sociedades, as imensas similaridades, tanto teóricas quanto empíricas, entre os dois sistemas totalitários. 

Várias das características da sociedade nazista apontadas nos parágrafos anteriores estiveram presentes na sociedade soviética, que a precedeu historicamente. 

É possível acrescentar aqui outras semelhanças entre os dois totalitarismos: o ódio à burguesia; a rejeição de toda a estrutura do Estado liberal e da representação partidária; a coletivização que almeja suprimir a individualidade; a “propaganda totalitária”, conforme denominada por Hannah Arendt, e a estética de massa; o culto do líder pelo uso da imagística religiosa; o direito de extirpar por meio da violência política o “princípio maligno” que impede a chegada da sociedade perfeita, segundo Alain Besançon; o uso dos campos de concentração, que eram lugares de “terror absoluto”; a criação do “novo homem” por meio da reeducação ideológica; o militarismo; o nacionalismo; o neopaganismo e o antissemitismo. 

 

 

Há diferenças fundamentais, porém, entre os dois totalitarismos. Uma delas, é que o comunismo é um socialismo de classe e internacional, ao passo que o nazismo é um socialismo étnico e nacionalista. Como Richard Overy realça: 

Apesar de todas as diferenças nas circunstâncias históricas, a estrutura e perspectiva políticas, os padrões de cumplicidade e resistência, terror e consenso, a organização e a ambição sociais [nas sociedades dominadas pelo comunismo e nazismo] têm claras semelhanças. […] Resta uma diferença essencial entre os dois sistemas que nenhuma comparação pode esquecer. […] O comunismo soviético devia ser um instrumento de progresso humano, por mais imperfeitamente fabricado que fosse, e o nacional-socialismo era, por sua própria natureza, instrumento do progresso de um determinado povo.

Outra diferença importante é que o objetivo de Hitler era construir uma ditadura por meio do consentimento popular, na qual poderia “obter reconhecimento legal para uma incansável guerra contra a democracia, os comunistas e os judeus”. 

Para tanto, ele usou a tática populista de ascender ao poder por meio de uma “revolução legal”, amparada pelo voto e pelos marcos constitucionais. Já Lênin e Stalin, “escolados no terrorismo russo”, viam a revolução como uma justificada ação violenta contra a tirania, entendendo que “alguma coisa semelhante a uma guerra civil seria necessária para assegurar a revolução”. 

Na “construção do socialismo”, entre 1932 e 1933, de 6 a 7 milhões de camponeses da Ucrânia, do norte do Cáucaso e do Cazaquistão morreram de fome por causa de um programa de industrialização forçada que implicou a “coletivização da agricultura”. 

O genocídio ucraniano é conhecido como Holodomor (“matança pela fome”). No Grande Expurgo de 1934 a 1938, cerca de 1 milhão de supostos “opositores políticos” foram assassinados pelo NKVD (Narodniy Komissariat Vnutrennikh Diel, “Comissariado do Povo para Assuntos Internos”), aniquilando-se assim a “velha guarda bolchevista”. 

Em 1953, ano da morte de Stalin, havia quase 2,5 milhões de prisioneiros em campos de concentração (gulags). E, por causa da morte do ditador, os planos para a transferência forçada dos judeus das áreas industriais da União Soviética para campos de concentração na Sibéria e no Cazaquistão foram abortados. 

Deve-se enfatizar que o genocídio em massa perpetrado pelo Estado totalitário é um dos produtos da própria ideologia revolucionária.

Contudo, em flagrante contraste com o nazismo, “nenhum responsável por esses crimes contra pessoas inocentes foi julgado depois que a União Soviética se desfez; na verdade, os responsáveis nem sequer sofreram o desmascaramento ou opróbrio moral e continuaram a levar uma vida normal.

Para ilustrar o tipo de socialismo (“socialismo alemão”) empregado no discurso nazista, podemos citar algumas frases de Adolf Hitler, dirigente do Partido Nacional-Socialista (NSADP), que se tornou chanceler da Alemanha em 1933. Em um discurso proferido em 1.º de maio de 1927, ele disse:  

 

 

Nós somos socialistas, nós somos inimigos do atual sistema econômico capitalista para a exploração dos economicamente fracos, com seus salários injustos, com sua indecorosa avaliação do ser humano de acordo com a riqueza e a propriedade em vez de sua responsabilidade e desempenho, e nós estamos todos determinados a destruir esse sistema sob todas as condições.

Em uma entrevista concedida em julho de 1932, Hitler afirmou o seguinte a respeito do socialismo: 

“Por que”, perguntei a Hitler, “o senhor se diz um nacional–socialista, já que o programa do seu partido é a própria antítese do que geralmente se acredita ser o socialismo?”. 

“O socialismo”, replicou ele agressivo, deixando de lado a xícara de chá, “é a ciência de lidar com o bem-estar geral. O comunismo não é o socialismo. O marxismo não é o socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram seu significado.  Vou tirar o socialismo dos socialistas. O socialismo é uma antiga instituição ariana e alemã. Nossos ancestrais alemães tinham algumas terras em comum. Cultivavam a ideia do bem-estar geral. O marxismo não tem direito de se disfarçar de socialismo. O socialismo, diferentemente do marxismo, não repudia a propriedade privada. Diferentemente do marxismo, ele não envolve a negação da personalidade e é patriótico. […] Não somos internacionalistas. Nosso socialismo é nacional. Exigimos o atendimento das justas reivindicações das classes produtivas pelo Estado com base na solidariedade racial. Para nós, o Estado e a raça são um só”.

Por essa razão, no começo da década de 1930, o Partido Social Democrata (SPD), um dos sustentáculos da República de Weimar, adotou a noção de que “vermelho é igual a pardo”, ao se referir aos comunistas e nazistas.

Kurt Schumacher, do SPD, disse na mesma época que os comunistas eram “nazistas pintados de vermelho” e que os dois movimentos possibilitaram um ao outro. 

Em outras palavras, os socialdemocratas alemães compreenderam que os dois totalitarismos eram um real perigo à democracia liberal.


 

Trecho do livro: Contra a Idolatria do Estado – Franklin Ferreira – Editora Vida Nova

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Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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