Apocalipse: Ele Vem Vindo! – Panorama do NT

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Arrependimento individual – Esboços Bíblicos
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Apocalipse: Ele Vem Vindo! – Panorama do NT

Perguntas Normativas:

– Por qual motivo o estilo do livro de Apocalipse difere do es­tilo do evangelho de João e das epístolas de João, se João foi o autor de todas essas obras?

– Qual circunstância histórica provocou a escrita do Apoca­lipse?

– Quais são as principais abordagens interpretativas do Apo­calipse, e quais são seus pontos fortes e suas deficiências?

– Qual é o pano-de-fundo local que aviva nossa compreensão das sete mensagens às igrejas da Ásia?

– Quais são os significados dos símbolos apocalípticos do Apo­calipse?

– Quais serão as fontes originárias das pragas descritas no A­pocalipse?

– Quem são os cento e quarenta e quatro mil, as duas testemu­nhas, a mulher com dores de parto, o menino, a besta e o falso profeta?

– Com quais acontecimentos a história presente chegará ao seu ponto final e terá começo o estado eterno?

 

Tema

         O Apocalipse (termo grego que significa “desvendamento”) contém profecias mais extensas sobre o futuro do que qualquer outra porção do Novo Testamento. Essas profecias projetam luz sobre o triunfo escatológico de Cristo sobre as forças do Anti­cristo deste mundo – a começar pela tribulação e atingindo seu clímax na parousia e chegando ao término com a plena concreti­zação do reino de Deus – tudo para decisivo encorajamento dos crentes que enfrentem o antagonismo de uma sociedade incré­dula.

 

Canonicidade e autoria

         O Apocalipse é fortemente atestado como obra canônica e apostólica desde o mais antigo período pós-neotestamentário da história da Igreja, a começar por Hermas, no início do século II D.C., até Orígenes, na primeira metade do século III D.C. As dú­vidas surgiram somente mais tarde, mormente por causa do argu­mento de Dionísio, no sentido que as diferenças existentes entre

 

 

o Apocalipse e o Evangelho e as epístolas de João excluem uma autoria comum: o apóstolo João, assim sendo, não poderia ter es­crito o livro de Apocalipse. É verdade que do ângulo gramatical e literário, o estilo grego do Apocalipse é inferior ao do evange­lho joanino e ao das três epístolas de João. Sem embargo, R.H. Charles, quiçá o maior perito sobre literatura apocalíptica, consi­derava a “gramática deficiente” como algo deliberado, com pro­pósitos enfáticos e para aludir a trechos vetero-testamentários em estilo hebraico, e não por motivo de ignorância ou descuido. (R H. Charles, A Critical and Exegetical Commentary on the Revelation of St. John. The International Critical Commentary (Edimburgo T & T Clarck, 1920), vol. l, págs. cxvii-clix.) Outros estudiosos têm pensado que a “gramática deficiente” re­sultou de um estado emocional de êxtase por parte de João, quando recebeu suas profecias na forma de visões. A solução mais simples consiste de dizermos que, na qualidade de prisio­neiro na ilha de Patmos, no mar Egeu, o apóstolo João não con­tava com o assessoramento de um amanuense que suavizasse o seu estilo impolido, conforme, aparentemente, sucedeu com o seu evangelho e com as suas epístolas. Não é mesmo impossível que todos os três fatores, acima citados, tenham contribuído para o estilo diferente que se nota no livro de Apocalipse.

 

Data

         No que diz respeito à data em que o livro foi escrito, há um ponto de vista que afirma que a perseguição promovida por Nero contra os cristãos, após o incêndio de Roma, em 64 D.C., evocou a produção do Apocalipse como um encorajamento dos perse­guidos cristãos. Em apoio a essa idéia temos a observação de que o valor numérico das letras hebraicas com que se escreve o nome Nero César totaliza seiscentos e sessenta e seis, o número exato que aparece em apocalipse 13:8 como cifra simbólica da “besta”. Não obstante, certos problemas técnicos lançam sombras de dú­vida sobre o valor numérico do título de Nero.

Tem sido igualmente argumentado, em favor de uma data an­terior (da época de Nero), que o estilo literário mais suave do Evangelho e das epístolas de João exibe o aprimoramento do seu domínio do idioma grego, ficando assim implícito que o livro de Apocalipse pertence a uma data mais antiga, do tempo em que ele ainda lutava por dominar o grego, por ser-lhe um idioma ainda pouco familiar. Todavia, há outras explicações para o es­tilo áspero do Apocalipse (vide a seção anterior); e as descober­tas arqueológicas e os estudos literários têm demonstrado, ainda recentemente, que, paralelamente ao aramaico e ao hebraico, o grego era comumente falado entre os palestinos do primeiro sé­culo cristão. Assim, pois, João sem dúvida conhecia e usava o grego desde a sua juventude.

A data tradicional e mais provável do livro Apocalipse é o rei­nado de Domiciano (81-96 D.C.). A despeito do fato que Domi­ciano não perseguiu aos cristãos em larga escala, a sua tentativa de pôr em vigor a adoração ao imperador foi um presságio das violentas perseguições que se seguiriam. O Apocalipse teve por desígnio, portanto, preparar os crentes para a resistência. Irineu, um dos primeiros pais da Igreja, datou explicitamente a redação do Apocalipse como pertencente à época do reinado de Domi­ciano. (Irineu. Contra Heresias V. xxx.3.) O testemunho de Irineu é deveras impressionante, por­quanto ele era um dos protegidos de Policarpo (60-155 D.C.), o bispo de Esmirna que aprendera a doutrina cristã sob a tutela do apóstolo João.

 

O estilo apocalíptico

         O estilo típico da literatura apocalítica empregado no Apoca­lipse exibe uma linguagem exaltadamente simbólica na descrição de suas visões. Essas visões retratam o final da história, quando o mal houver atingido seu limite máximo e Deus tiver feito inter­venção para dar início ao Seu reino, para submeter os ímpios ao julgamento e para galardoar os justos. E tudo isso é exposto não a fim de satisfazer mera curiosidade quanto ao futuro, mas a fim de encorajar o povo de Deus e não fraquejar diante de um mundo dominado pela iniqüidade. Mui freqüentemente, João se utiliza da fraseologia típica do Antigo Testamento, especialmente dos livros de Daniel, Ezequiel e Isaías.

As estravagantes figuras de linguagem usadas por todo o Apo­calipse poderão parecer estranhas aos nossos ouvidos modernos, mas elas transmitem aos leitores as proporções cósmicas dos eventos descritos de maneira muito mais eficaz do que jamais po­deria tê-lo feito a linguagem prosaica. Deveras interessante é o fato que essas estranhas figuras de linguagem podem ser compara­das, quanto ao estilo, às criações de nossos caricaturistas con­temporâneos, as quais prontamente aceitamos e entendemos.

 

Interpretações

         Os intérpretes usualmente seguem alguma dentre as quatro principais abordagens do Apocalipse:

 

(1) Idealista

         O ponto de vista idealista despe a linguagem simbólica de qual­quer valor como predição de acontecimentos futuros, pois reduz a profecia a um quadro simbólico sobre o conflito contínuo entre o bem e o mal, entre a Igreja e o paganismo, com o triunfo even­tual do cristianismo. Essa interpretação encerra certo âmago de verdade, porém, origina-se principalmente da pressuposição de que é impossível a profecia genuinamente preditiva, bem como do embaraço ante a extravagância da linguagem apocalíptica.

 

(2) Preterista

         O ponto de vista preterista, que compartilha da mesma pressu­posição que a posição idealista, limita o Apocalipse à mera des­crição das perseguições contra o cristianismo movidas pela an­tiga Roma e ao que se poderia esperar que acontecesse, me­diante a destruição do império romano e a vindicação dos cris­tãos quando da volta de Cristo, supostamente iminente. Natural­mente, segundo esse prisma interpretativo, o Apocalipse estaria equivocado – Jesus não retornou prontamente, apesar da derro­cada do império romano e de haver continuado o cristianismo. Em conseqüência, os preteristas procuram redimir o resíduo de significação da obra para os tempos modernos apelando, igual­mente, para o ponto de vista idealista. Os preteristas tendem por inferir que houve a utilização da mitologia pagã por todo o Apo­calipse.

 

(3) Historicista

         O ponto de vista histórico interpreta o Apocalipse como uma simbólica narrativa prévia da história da Igreja, a contar da era apostólica até ao retorno de Cristo e ao juízo final. Assim, pois, o quebrar dos selos representaria a queda do império romano, os gafanhotos saídos do abismo simbolizariam as invasões muçul­manas, a besta apontaria para o papado (de acordo com os reformadores Protestantes), e assim por diante. Porém, as explica­ções sobre os símbolos individuais variam de tal maneira, entre os intérpretes pertencentes a essa escola que a dúvida acaba maculando esse próprio método de interpretação. Porque embora a linguagem profética possa ser um tanto opaca, antes de sucede­rem os eventos preditos, o cumprimento dessas profecias deveria aclarar suficientemente a linguagem usada de forma a ficar impe­dida a gama de variações interpretativas que se vê entre os histori­cistas. (Por exemplo, os historicistas têm identificado variegadamente os gafanhotos saídos do abismo, em 9:1 ss.. como os vândalos, os godos, os persas, os islamitas, os hereges. etc.) Geralmente falando, os historicistas aferram-se ao pós-­milenismo, isto é, a idéia utópica de que Cristo voltará após um prolongado período áureo (o milênio), resultante da conversão do mundo ao cristianismo – conceito esse muito popular no século XIX; ou então esposam o amilenismo (posição mais usual desses intérpretes em nossos dias), o qual nega que haverá um rei­nado literal de Cristo durante mil anos, sobre a restaurada nação de Israel e sobre os gentios, transmutando o reinado milenar de Cristo em Seu presente domínio espiritual, estando assentado à mão direita de Deus Pai.

 

(4) Futurista

         O ponto de vista futurista reconhece que o Apocalipse teve co­meço motivado pela pressão exercida por Roma sobre a Igreja, durante o primeiro século cristão, e que o livro falava direta­mente àquela situação; mas também assegura que o volume maior da obra descreve um período futuro angustioso e caótico, que recebe o título de “tribulação”, seguido de perto pelo re­torno de Cristo, pela inauguração do reino de Deus, pelo julga­mento final e pelo estado eterno. Os futuristas normalmente cal­culam que a tribulação, ou septuagésima semana de Daniel (vide Daniel 9:24-27), terá a duração de sete anos, e que talvez so­mente os últimos três anos e meio desse período é que sejam re­almente angustiosos. Outrossim, usualmente também afiançam ser veraz o ponto de vista pré-milenial, o qual afirma que, quando de Sua volta, Cristo reestabelecerá o reinado davídico sobre Israel e governará o mundo por mil anos paradisíacos (o milênio), esmigalhará a rebelião inspirada por Satanás que terá lugar perto do fim do milênio, e presidirá sobre o julgamento fi­nal, antes de ter início o estado eterno.

 

A questão do arrebatamento

         Não há consenso geral entre os futuristas (ou pré-milenistas) os quais opinam ou que a Igreja continuará na terra durante todo o período de tribulação (pós-tribulacionismo), ou que ela será evacuada da terra mediante uma vinda preliminar de Cristo, antes da tribulação (pré-tribulacionismo), ou que ela será evacuada quando a tribulação estiver pela metade (mid-tribulacionismo), ou que ela será evacuada somente quanto à sua porção piedosa, antes da tribulação (arrebatamento parcial). (Quanto ao termo arrebatamento. vide a Pág. 301) As posições do pré­tribulacionismo e do pós-tribulacionismo são as perspectivas mais largamente advogadas entre os futuristas. Falando em ter­mos amplos, quanto mais estritamente um intérprete separa as relações divinas com a Igreja das relações divinas com Israel, mais inclinado se sente ele por pensar que a Igreja será removida àntes da tribulação, pois nesse período Israel figuraria com proe­minência. Os pós-tribulacionistas, por sua parte, encaram a tri­bulação como um período durante o qual Deus, paralelamente, estará dando os retoques finais de Suas relações com a Igreja e estará tratando novamente com a nação de Israel, a fim de prepará-la para o reino milenar. (Nota do Tradutor: Sendo judeu pelo lado paterno, tenho examinado a ques­tão. À guisa de contribuição, sugiro estes pontos: (1) Quando um judeu se volve para Cristo, não é mais contado como judeu, mas como parte da Igreja (vide Ro­manos 10:12,13). (2) Deus reservou um remanescente seleto na última geração ju­daica (vide Romanos 11:25-29 e Apocalipse 7:4-8). (3) O restabelecimento da na­ção judaica, mediante a conversão em massa a Cristo, será o prenúncio da glória (vide Romanos 11: 12 e 15). Portanto, no fim da dispensação os judeus serão parte integrante da Igreja. Não há necessidade de se interpretar as profecias escatológi­cas como se suas ameaças dissessem respeito a Israel e suas bênçãos à Igreja. Se agora há distinção entre judeus e cristãos, devido ao abismo da incredulidade,  no fim essa distinção desaparecerá em virtude da fé dos judeus em Jesus Cristo, o Senhor. Vide Romanos 11:32.) O olvido da distinção (ou quase) entre a Igreja e Israel usualmente resulta no historicismo, ou seja, a negação que haverá um período futuro de sete anos de tri­bulação, tornando descabida a indagação se o arrebatamento ocorrerá antes, durante ou após a tribulação. Alguns historicis­tas, não obstante, acreditam em um milênio literal após a volta de Jesus.

 

Perspectiva

         O ponto de vista aqui adotado é primariamente o futurista, mas sem esquecer que João estava escrevendo não somente para o fim desta era, mas também para os cristãos a ele contemporâneos e, de fato, para os crentes de cada geração. Em particular, o conflito entre o cristianismo e os césares corresponde à peleja entre o povo de Deus durante a tribulação (quer a Igreja ou outra porção desse povo) e o Anticristo, o qual governará sobre o redi­vivo império romano. O Apocalipse retém sua relevância de modo perene por causa da possibilidade que tem cada geração sucessiva de ver o cumprimento do livro em suas predições.

Após o endereço, o primeiro capítulo contém a narrativa da vi­são que João teve de Cristo em certo dia (“dia do Senhor”, 1:10), quando se achava exilado na ilha de Patmos devido a seu testemunho cristão. A tradição da Igreja antiga parece subentender que João mais tarde pôde deixar o exílio e passou em Éfeso seus últimos anos de vida. Os capítulos dois e três encerram sete mensagens ditadas a João pelo próprio Jesus, endereçadas a sete igre­jas da Ásia Menor, em Éfeso e cercanias. (Essas mensagens são incorretamente intituladas “cartas”, porque tal epíteto implicaria em comunicações distintas para cada igreja local, ao passo que a João competia escrever e enviar o conteúdo inteiro do Apocalipse, no qual as sete mensagens estão inclusas (vide 1: 11 ).) “Ásia” refere-se à província romana daquele nome, na Ásia Menor, parte da atual Tur­quia. Segue-se uma visão sobre a majestade de Deus, Sua corte celestial e o aparecimento de Cristo como um cordeiro, trazendo ainda as cicatrizes da morte expiatória (capítulos quatro e cinco). Os capítulos 6 a 19 descrevem, principalmente, as pragas da época da tribulação, com o conseqüente retorno de Cristo. Fi­nalmente, João revela que se instaurará o reinado de Cristo na terra, com Seus santos, pelo espaço de mil anos, terá lugar o jul­gamento final e descerá dos céus a Nova Jerusalém (capítulos 20 a 22).

 

Introdução e visão inicial

         Ler Apocalipse 1 – 3. Os sete espíritos de Deus, mencionados nas observações iniciais (vide 1:4; conf. 4:5), provavelmente não são sete espíritos diversos, mas o único Espírito Santo, em conformidade com Sua sétupla relação para com as sete igrejas en­dereçadas, ou de acordo com a sétupla caracterização de Isaías concernente ao Espírito (1) do Senhor, (2) da sabedoria, (3) do entendimento, (4) de conselho, (5) de poder, (6) de conheci­mento, e (7) de temor ao Senhor (vide Isaías 11:2). João não ten­cionava que sua descrição de Cristo fosse tomada rigidamente li­teral, o que, neste caso, seria uma descrição grotesca. As figuras de linguagem devem antes ser traduzidas nas várias característi­cas e funções de Cristo. Suas vestes representam Seu sacerdócio real, Seus cabelos alvos simbolizam a Sua eternidade, Seus olhos chamejantes a visão penetrante da onisciência, Seus pés seme­lhantes a bronze a atividade julgadora que a tudo subjuga, a Sua voz trovejante a autoridade divina, a espada de dois fios a Sua Palavra, e o Seu rosto resplendente a glória de Sua deidade.

Os sete candeeiros de ouro simbolizam as sete igrejas locais endereçadas no livro, das quais Jesus cuida. E as sete estrelas em Sua mão representam os “anjos” dessas sete igrejas, os quais podem ser ou anjos guardiães de cada assembléia local, ou “mensa­geiros humanos” (outra tradução possível) que tivessem sido en­viados pelas igrejas para visitarem a João, na ilha de Patmos. A tradução “mensageiros” adquire ainda maior plausibilidade pelo fato que por todos os capítulos dois e três a palavra lhes é dirigida e eles são exortados – pois como João poderia escrever a anjos e exortá-los?

A ordem dada a João: “Escreve, pois, as cousas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas” (1:19), algumas vezes é aceita como um tríplice e embutido esboço do livro: (1) As coisas passadas, ou a visão que João teve sobre o Cristo (capí­tulo 1); (2) as coisas presentes, ou seja, as mensagens às sete igre­jas, que representariam a dispensação inteira da Igreja (capítulos 2, 3); e (3) as coisas futuras, ou a volta de Cristo, juntamente com acontecimentos precedentes e posteriores (capítulos 4 – 22). Po­rém, quando Jesus proferiu as palavras citadas, registradas em Apocalipse 1:19, as coisas “que são” estavam vinculadas à visão de Cristo, pois não tivera ainda começo o ditado das mensagens. Os capítulos 1 – 3 descrevem uma única visão. Por conseguinte, a declaração de Apocalipse 1:19 não deveria ser tomada como um esboço formal do livro, mas como simples assertiva de que João deveria fazer o registro das coisas que acabava de ver, que estava vendo e que ainda viria a ver.

 

As sete mensagens

Cada uma das sete mensagens contém um endereço, uma auto designação de Cristo, uma análise (com elogio e/ou reprimenda), uma exortação e uma promessa. Cristo selecionou criteriosamente os títulos com que designou a Si mesmo, em harmonia com a situação reinante em cada uma das igrejas. Por exemplo, à igreja de Esmirna, que passava por um período de sofrimento, Ele é o que “esteve morto e tornou a viver” (2:8).

 

Éfeso

         Os nicolaítas, aos quais a igreja em Éfeso oferecia resistência, supostamente seriam os seguidores heréticos de Nicolau de An­tioquia (suposição essa alicerçada sobre a similaridade de nomes), um dos sete homens escolhidos para servirem às mesas na primitiva igreja de Jerusalém (vide Atos 6:5). Se essa opinião está correta, então ele se tornou um apóstata. Podemos deduzir de afirmações dispersas pelos capítulos dois e três do Apocalipse que os nicolaítas participavam da adoração e da imoralidade dos pagãos. É possível que a elogiosa oposição que lhes fazia a igreja de Éfeso tenha produzido alguma luta intestina naquela comuni­dade cristã, o que levou os cristãos ortodoxos dali a perderem seu amor (“primeiro amor”) uns pelos outros.

 

Esmirna

         A perseguição de “dez dias” que sobreviria à igreja de Esmirna (vide 2:10) refere-se a um breve período de perseguição, ou então a dez ondas sucessivas de perseguição.

 

Pérgamo

         O “trono de Satanás”, em Pérgamo (vide 2:13) alude aos fatos que aquela cidade era o centro do culto ao imperador na provín­cia da Ásia, e que a cidade era dominada por um gigantesco altar dedicado a Zeus na colina próxima. O “maná” prometido aos vencedores simboliza a vida eterna (vide 2:17). Compare-se com isso a autodesignação de Jesus como “o pão da vida”, em cum­primento tipológico do maná historiado no Antigo Testamento (vide João 6). O simbolismo da “pedra branca”, inscrita com um novo nome e conferido aos vencedores (vide igualmente 2:17) significa o direito que eles têm de entrar na vida eterna, embora o pano-de-fundo especifico seja difícil de determinar (vide os co­mentários a esse respeito).

 

Tiatira

         As numerosas guildas comerciais da cidade industrial de Tia­tira levaram os muitos cristãos que eram membros de tais corpo­rações a participar dos festejos pagãos que anteriormente faziam parte das atividades das mesmas. Parece que havia uma profetisa falsa, sarcasticamente apelidada de “Jezabel”, conforme o nome da iníqua esposa tíria do rei Acabe, de Israel, a qual encorajava essa forma licenciosa de “liberdade” (vide 2:20).

 

 

 

 

Sardes

Sardes era cidade notável por sua imoralidade; e o efeito disso sobre a igreja cristã dali era que somente “… umas poucas pes­soas … não contaminaram as suas vestiduras” (vide 3:4). A ci­dade também era famosa pela sua indústria de tinturaria de lãs; por conseguinte, Cristo prometeu aos vencedores que andariam em Sua companhia, fazendo contraste com os vencidos, ou seja, vestidos “de vestiduras brancas” (vide 3:4,5).

 

Filadélfia

A população da cidade de Filadélfia era pequena devido a ter­remotos freqüentes. Por isso mesmo, a igreja cristã dali era cor­respondentemente pouco numerosa (“tens pouca força”, vide 3:8). Na qualidade de Quem tem a autoridade de admitir ou ne­gar entrada no reino messiânico (“aquele que tem a chave de Davi”, vide 3:7), o Senhor promete admissão aos crentes filadel­fianos, contra os quais não dirige nenhuma crítica. Os pré­tribulacionistas tomam a promessa feita à igreja de Filadélfia, “também eu te guardarei da hora da provação que há de vir so­bre o mundo inteiro” (vide 3:10), como uma indicação de que os crentes autênticos serão removidos deste mundo antes da tribu­lação. Mas os pós-tribulacionistas, comparando isso com a fra­seologia de João 17:15 (“Não peço que os tires do mundo; e, sim, que os guardes do mal”), reputam haver neste passo bíblico uma promessa de proteção contra a ira divina, ainda na face da terra.

 

Laodicéia

         Laodicéia era um próspero centro banqueiro, localidade onde se manufaturavam vestes com a lã negra como um corvo dos re­banhos de carneiros que ali eram criados; e também era um cen­tro de estudos de medicina. Em particular, um famoso pó frígio, usado para a cura de enfermidades oftalmológicas, provinha da­quela região. Tão auto-suficiente era Laodicéia que, após um destrutivo sismo, ocorrido em 60 D. C., a cidade não precisou da ajuda financeira dada por Roma a cidades do império para a sua reconstrução. Em clara alusão a esses fatos, Cristo increpa os cristãos laodicenses por causa de sua pobreza e nudez espirituais em meio à abastança, aconselhando-os a adquirir os tesouros es­pirituais. e se vestirem de vestiduras brancas (da justiça), e a tra­tarem de sua visão espiritual deficiente, ou seja, um distorcido senso de valores, com medicamento espiritual (vide 3:18). Água fria é refrigerante; água quente é útil. Mas os crentes laodicenses se assemelhavam à água que manava das fontes termais das pro­ximidades, a qual, fluindo através de um aqueduto, tornava-se té­pida – portanto, um vomitório.

 

As sete igrejas e a história eclesiástica

         As igrejas às quais foram dirigidas as sete mensagens existiam como assembléias locais na Ásia Menor, durante o primeiro século de nossa era. Mas também representam tipos de igrejas que tem existido por toda a história da Igreja. E tem sido mesmo su­gerido – embora nem todos concordem com isso – que os carac­terísticos dominantes das sete igrejas, na ordem em que elas são mencionadas. simbolizam os característicos distintivos e desenvolvimentos históricos dentro da cristandade, durante as sucessi­vas eras da história eclesiástica, a saber:

– Éfeso, a igreja apostólica que trabalhava arduamente:

– Esmirna, a igreja pós-apostólica que foi duramente per­seguida;

– Pérgamo, a igreja crescentemente mundana de depois do imperador Constantino, que virtualmente fez do cristia­nismo a religião oficial de Roma;

– Tiatira, a igreja corrupta da Idade Média;

– Sardes, a igreja da Reforma, com sua reputação de ortodo­xia, mas ausência de vitalidade espiritual;

– Filadélfia, a igreja dos reavivamentos modernos e dos em­preendimentos missionários globais; e

– Laodicéia, a igreja contemporânea que tem ficado morna por causa da apostasia e da abastança.

No entanto, essa interpretação se ressente da crítica que Tia­tira, na carta à igreja existente ali, recebe maiores encômios do que geralmente seriam atribuídos á Idade Média; que a igreja da Reforma dificilmente merece uma mensagem de quase total re­preensão, como a que foi dirigida a Sardes; que a porta aberta, mencionada na carta à igreja de Filadélfia mais provavelmente alude à entrada do crente no reino messiânico, e não ao em­preendimento missionário; e que o prolongamento da história eclesiástica vai exigindo reiterados ajustamentos nos detalhes dessa interpretação. Não obstante, algumas das similaridades continuam mostrando-se mui atrativas.

 

O transporte de João

         Existe certa diferença de opinião a respeito do fato que João foi chamado para subir ao céu, em Apocalipse 4:1. Os pós-­tribulacionistas encaram esse informe como uma experiência pu­ramente pessoal de João, em preparação para o recebimento de outras visões. Mas muitos pré-tribulacionistas julgam haver aqui um símbolo do arrebatamento da Igreja toda, antes da tribula­ção. Outrossim, os pré-tribulacionistas usualmente reputam os vinte e quatro “anciãos”, no salão do trono celeste como repre­sentantes da Igreja recém-arrebatada. Para os pós-tribulacionistas, entretanto, essas personagens não passam de lí­deres humanos ou angelicais da adoração celestial a Deus, na pessoa de Cristo. Ler Apocalipse 4 e 5.

 

O rolo

         O livro ou rolo com sete selos contém as profecias que se se­guem, no Apocalipse, profecias essas que só poderão concretizar-se através de atos voluntários de Cristo. O fato que Cristo tomou o rolo entre as mãos, rompeu os seus selos e o de­senrolou representa, por conseguinte, que Ele começará a arreba­tar o controle deste mundo das mãos das forças satânicas da per­seguição e da iniqüidade, ao cumprir essas profecias. Essa ativi­dade atingirá seu zênite quando da parousia e do estabeleci­mento do reino de Deus na terra.

 

Selos, trombetas e taças

         Os capítulos seguintes (6 – 16) apresentam três séries de sete pragas em cada série: selos, trombetas e taças. Alguns intérpretes opinam que o cumprimento das mesmas será consecutivo. Assim, as pragas das trombetas sucederão depois de terem ocorrido as pragas dos selos, e as pragas das taças depois das pragas das trombetas. A segunda vinda de Cristo e a batalha de Armagedom formariam o ponto culminante. Segundo esse esquema, as trom­betas constituem o sétimo selo; e as taças constituem a sétima trombeta; e a parousia (segunda vinda de Cristo) e a batalha do Armagedom constituem a sétima taça:

 

Selos 1 2 3 4 5 6 7

Trombetas 1 2 3 4 5 6 7

Taças 1 2 3 4 5 6 7

“Parousia”

 

Porém, o fato que o conteúdo da sétima ocorrência de cada uma dessas séries é praticamente idêntico em todos os casos pa­rece indicar um ponto final – trovões, relâmpagos, um terremoto e várias indicações sobre a chegada do fim – sugere que os selos, as trombetas e as taças são paralelos, pelo menos em parte, quanto ao seu cumprimento. Assim, as pragas dos selos seriam espalha­das por todo o período da tribulação, as pragas das trombetas se concentrariam na parte final desse período, e as pragas das taças se acumulariam no fim mesmo do período, e, dessa forma, a sé­tima ocorrência de cada uma das três séries seria idêntica, con­duzindo diretamente à “parousia”:

 

“Parousia”

Selos                              1        2        3        4        5        6        7

Trombetas             1        2        3        4        5        6        7

Taças           1        2        3        4        5        6        7

 

Em sua maior parte, o conteúdo dos selos parece originar-se da depravação dos homens:

– Selo 1: militarismo, talvez por parte do ímpio Anticristo, que dominará durante o período da tribulação;

– Selo 2: guerra, resultante do militarismo;

– Selo 3: fome, resultante da guerra;

– Selo 4: morte, resultante da fome e de outras devastações da guerra (os quatro primeiros selos retratam os famosos “Qua­tro Cavaleiros do Apocalipse”).

– Selo 5: perseguição aos santos e seu martírio (temos aqui a última geração da Igreja, conforme postulam os pós-tribula­cionistas; mas haveria aqui a menção a outros que se volta­ram para Deus, após o arrebatamento da Igreja, segundo os pré-tribulacionistas);

– Selo: 6: os fenômenos celestiais, que Jesus predisse para imediatamente antes de Sua volta (vide Marcos 13:24-26; Ma­teus 24:29,30 e Lucas 21:25-27);

– Selo 7: silêncio nos céus, trovões, relâmpagos e um terre­moto.

Ler Apocalipse 6:l – 8:5.

 

Os 144 mil

         Alguns intérpretes consideram que os 144 mil israelitas, que serão assinalados a fim de serem protegidos durante o período da tribulação seriam símbolos representativos da Igreja. Contra esse parecer, todavia, precisamos levar em conta a enumeração explícita das doze tribos, em contraste com o caráter internacio­nal declarado da inumerável multidão de santos que procede vi­toriosamente da tribulação, na visão imediatamente seguinte. Os pré-tribulacionistas usualmente atribuem aos 144 mil o papel de evangelistas judeus que espalhariam o evangelho por todo o mundo na ausência da Igreja, com o resultado que uma vasta multidão de gentios crê e é salva. Há aqueles que reputam os 144 mil como judeus ortodoxos a quem o Senhor protegerá durante a tribulação, sobretudo quando estiverem sendo perseguidos por não aceitarem a adoração à imagem do Anticristo, a qual será exibida no templo reconstruído em Jerusalém. Em resultado da proteção divina, esse remanescente judaico sobreviverá para tornar-se o núcleo do reestabelecido reinado davídico, durante o milênio.

 

Trombetas

         As trombetas parecem anunciar primariamente a atividade sa­tânica e demoníaca:

– Trombeta 1: saraiva, fogo (ou relâmpagos) e sangue, o que re­sultará na consumição de urna terça parte da terra;

– Trombeta 2: lançamento de um vulcão em erupção (“grande montanha ardendo em chamas”) no mar, com o resultado que a terça parte do mar se transformou em sangue ao mesmo tempo que pereceram uma terça parte da vida mari­nha e dos navios que navegavam nos oceanos;

– Trombeta 3: a queda de um meteorito, descrito como uma estrela ardente chamada “Absinto”, em uma terça parte do suprimento de água potável (rios e fontes de água), tornando-a amargosa e venenosa, em razão do que muitas vi­das se perderam;

– Trombeta 4: escurecimento do Sol , da lua e das estrelas em um terço de seu resplendor;

– Trombeta 5: abertura do abismo por parte de uma estrela (provavelmente Satanás) caída dos céus à terra, do que re­sultou o tormento demoníaco imposto a seres humanos, es­ses demônios se assemelhavam a gafanhotos e eram dotados de caudas como os escorpiões;

– Trombeta 6: uma outra praga, na qual cavaleiros demonía­cos fazem sucumbir uma terça parte da humanidade;

– Trombeta 7: os reinos deste mundo tornam-se o reino de Cristo, com relâmpagos, trovões, um terremoto e a chegada do tempo para impor o julgamento e doar os galardões. É evidente que muito da linguagem usada nessas descrições tem por escopo ser entendido simbolicamente. Não obstante, a linguagem simbólica transmite verdades literais, pelo que o intér­prete deve evitar a exagerada espiritualização. A montanha ar­dendo em chamas, ou vulcão, e a estrela ardente, ou meteorito, mui provavelmente aludem a anjos caídos, quiçá o próprio Sata­nás, tal como se dá também no caso da estrela caída dos céus à terra, quando da sexta trombeta. Satanás e as suas hostes de­moníacas estravasam a sua ira sobre a terra de maneiras que nos são impossíveis antecipar com certeza. Ler Apocalipse 8:6 – 11:19.

 

As duas testemunhas

         As duas testemunhas, na primeira parte do décimo primeiro capítulo, provavelmente ministrarão durante os últimos três anos e meio (1.260 dias ou quarenta e dois meses) da tribulação, por­quanto, durante o tempo em que estiverem profetizando, os gen­tios “calcarão aos pés a cidade santa” (vide 11:2). Não há que du­vidar que isso se refere à perseguição contra a nação judaica, o que ocorrerá na segunda metade do período da tribulação, de­pois que o Anticristo houver rompido a sua aliança com Israel (vide Daniel 9:27).

Os futuristas geralmente identificam as duas testemunhas como Moisés e Elias, os quais reaparecerão na cena terrestre como representantes da lei e dos profetas. O retorno de Elias para ministrar a Israel foi predito por Malaquias 4:5, o que foi confirmado por Jesus (vide Mateus 17:11 e Marcos 9:12a). Moi­sés e Elias apareceram juntos no monte da Transfiguração, du­rante o primeiro advento de Jesus; e os milagres operados pelas duas testemunhas, em Apocalipse 11:6, correspondem aos mila­gres registrados no Antigo Testamento a respeito de Moisés (transformação da água em sangue e invocação de pragas contra a terra – comparar com Êxodo 7 – 12) e de Elias (o qual feriu seus inimigos com relâmpago ou “fogo” – comparar com II Reis 1:9­12 – e determinou a seca – comparar com I Reis 17:1). Outros estudiosos identificam as duas testemunhas como Enoque e Elias, as únicas personagens bíblicas que evitaram a morte física (por terem sido arrebatados aos céus) e que, por esse motivo, se­rão reenviados à terra, durante a tribulação, a fim de testificarem até tombarem como mártires. Entretanto, a última geração da igreja não experimenta a morte física, em razão do que não pre­cisamos supor que Enoque e Elias terão fatalmente de vir mor­rer, a fim de manterem a regra geral da morte física, como parte integrante da maldição imposta ao pecado. Interpretadas de modo ainda diferente de tudo isso, talvez em moldes por demais simbólicos, as duas testemunhas representariam o testemunho coletivo do povo de Deus sobre a terra durante o período da tri­bulação.

 

A mulher e o menino

         No décimo segundo capítulo, a mulher representa Israel (ou, alternativamente, a Igreja), as doze estrelas de sua coroa seriam as doze tribos de Israel (alternativamente, os doze apóstolos da Igreja), e o nascimento de seu filho representa o nascimento do Messias Jesus, o qual procedeu da nação de Israel. O dragão re­trata a Satanás. A terça parte das estrelas significa os anjos caídos, os quais, por haverem seguido a Satanás, transformaram-se em seres demoníacos. O arrebatamento do menino nascido aos céus representa a ascensão de Jesus ao término de Sua carreira terrena. E a proteção outorgada à mulher, defendendo-a dos ata­ques do dragão durante os 1.260 dias que ela passará no deserto, representa a proteção dada ao remanescente judaico (os 144 mil?), o que os livrará da perseguição satanicamente inspirada e encabeçada pelo Anticristo, durante a última metade da tribula­ção. Ler Apocalipse 12.

 

A besta e o falso profeta

         No décimo terceiro capítulo, a besta e o falso profeta têm sido

 

interpretados como representações do reavivado império ro­mano e do Anticristo, respectivamente. Mais provavelmente, contudo, a besta representa o reavivado império romano perso­nificado em seu cabeça, o Anticristo, ao passo que o falso profeta seria o sumo-sacerdote judeu do culto ao Anticristo, o qual man­dará colocar a imagem do Anticristo (uma “imagem” do império romano restaurado é difícil de conceber) no templo reedificado pelos judeus em Jerusalém e tentará forçar os israelitas a adorá-­la (comparar com II Tessalonicenses 2:3,4,9; Marcos 13:14; Ma­teus 24:15 e Daniel 9:27). Em Apocalipse 19:20, tanto a besta quanto o falso profeta parecem ser indivíduos, porquanto ambos terminam sendo lançados no lago de fogo: “Mas a besta foi apri­sionada, e com ela o falso profeta que, com os sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta… Os dois foram lançados vivos dentro do lago do fogo que arde com enxo­fre”. Ler Apocalipse 13 e 14.

 

Os 144 mil

         Os 144 mil aparecem de novo no décimo quarto capitulo, dessa vez sobre o monte Sião, em companhia de Cristo, o Cordeiro, ce­lebrando sua passagem triunfal pela tribulação. Isso subentende um ponto de tempo perto do final da tribulação, após a descida de Cristo, e também constitui uma indicação (entre outras) de que as visões de João saltavam para frente e para trás cronologi­camente.

 

Colheitas

         As duas colheitas, referidas em 14:14 ss. podem simbolizar am­bas o juízo divino, por ocasião da segunda vinda de Cristo. Ou então, de conformidade com os pós-tribulacionistas, a primeira colheita, a “ceifa”, recolhida por alguém “semelhante a filho de homem”, que estava assentado sobre uma nuvem branca, repre­senta o arrebatamento da Igreja, quando da volta de Jesus, termi­nada a tribulação; e, por causa da expressão “cólera de Deus”, a segunda colheita, a “vindima”, representa a explosão que se se­guirá imediatamente depois da ceifa, na forma do julgamento da batalha de Armagedom.

 

Taças

         João afirma explicitamente que as taças representam pragas originadas na cólera de Deus, provavelmente concentradas todas nos momentos finais da tribulação (“os sete últimos flagelos, pois com estes se consumou a cólera de Deus”, 15:1):

– Taça 1: úlceras malignas;

– Taça 2: transformação do mar em sangue, resultando na morte de toda a vida marinha (uma itensificação da praga anunciada pela segunda trombeta);

– Taça 3: todos os rios e fontes de água são transformados em sangue (intensificação da terceira trombeta);

– Taça 4: calor escaldante;

– Taça 5: trevas e dores;

– Taça 6: convocação das hordas provenientes do Oriente para a batalha de Armagedom, com a convergência das nações gentílicas na direção da Palestina, ou para combaterem unidas contra Israel ou para se digladiarem entre si, visando a Pales­tina como a sua presa – mas Cristo voltará a fim de livrar Is­rael no último instante;

– Taça 7: “Está feito”, um terremoto, trovões, relâmpagos e a derrocada das potências pagãs.

Ler Apocalipse 15 e 16.

 

A queda de Babilônia

O colapso do reavivado império romano é celebrado a seguir. “Babilônia” simboliza a cidade de Roma, porquanto Roma to­mara o lugar daquela cidade mesopotâmica como o centro idóla­tra, imoral e perseguidor do povo de Deus no mundo.(Vide a discussão às págs. 391s, acerca da aplicação do termo “Babilônia” a Roma, em I Pedro.) O capítulo dezessete frisa a religião falsa de Roma pagã; o capítulo dezoito, destaca o comercialismo e o materialismo de Roma. Grande parte de fraseologia desses capítulos se deriva das profecias con­tra Babilônia, em Isaías 13, 14, 46 – 48 e (especialmente), Jere­mias 50 e 51, como também da profecia contra Tiro, em Eze­quiel 26 – 28. Ler Apocalipse 17 e 18.

 

As bodas

         O banquete das bodas do Cordeiro figura a união dos santos com seu Salvador, por ocasião do banquete messiânico, milenar­mente esperado. Os pré-tribulacionistas pensam que esse acontecimento terá lugar nos céus, durante a tribulação, porque toda a Igreja já teria sido recolhida aos céus por aquela altura. Os pós-­tribulacionistas, por seu turno, encaram essas coisas como à beira do seu cumprimento, o que se dará por ocasião da volta de Cristo, terminada a tribulação, visto que a última geração da Igreja continuará viva à face da terra até então.

 

A “parousia”

         Na oportunidade de Seu regresso, Cristo destruirá os exércitos concentrados das nações ímpias. A besta e o falso profeta serão lançados vivos no lago de fogo. Satanás será confinado à prisão pelo espaço de mil anos. Os mortos justos haverão de ressuscitar e compartilharão do reinado milenar de Cristo sobre a terra. João põe em evidência os mártires, mencionando-os de maneira especial, a fim de encorajar a boa disposição do povo de Deus para arrostarem o martírio, se necessário, conservando-se fiéis a Cristo. Satanás, liberado após os mil anos de prisão, instigará à revolta contra o governo de Cristo os muitos seres humanos que terão sido forçados a se submeterem ao domínio político de Je­sus, sem que se tivessem submetido ao Seu senhorio espiritual. Porém, tal levante é esmagado, e então terá lugar o juízo final. Ler Apocalipse 19 e 20. (Os amilenistas atribuem a prisão de Satanás à obra de Cristo em Seu primeiro advento, a primeira ressurreição ao reavivamento espiritual daqueles que crêem em Cristo, o reinado de mil anos com Cristo ao domínio espiritual presente de Cristo e os santos (mil anos por ser número redondo e indicativo de muito tempo), a derrota da revolta à Segunda Vinda, e a segunda ressurreição à ressur­reição física geral, dos justos e injustos igualmente, quando da segunda vinda de Cristo.)

 

A nova Jerusalém

A nova Jerusalém, a imaculada noiva e esposa do Cordeiro, faz nítido contraste com a meretriz , Babilônia (Roma), retratada nos capítulos precedentes. O fato que as “nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória” (21:24) pode indicar que a nova Jerusalém descerá dos céus à terra no começo do reino milenar de Cristo. Porém, a abolição da morte, da tristeza, do luto, da dor e de todas “as primeiras coisas”, associadas ao mundo no qual reside o mal (vide 21:4) aponta para o estado eterno, o qual será inaugurado depois do milênio, com a elimina­ção final do pecado e seus resultados maléficos.

E assim se encerra o Novo Testamento, mencionando a visão beatífica (“contemplarão a sua face”, vide 22:4), apresentando um convite à vida-eterna (vide 22:17), uma maldição contra todo aquele que adicionar ou subtrair qualquer coisa das profecias do Apocalipse (vide 22:18,19), uma promessa sobre o retorno de Je­sus e uma oração a esse respeito (vide 22:20) e, finalmente, uma bênção (vide 22:21). Ler Apocalipse 21 e 22.

 

ESBOÇO SUMÁRIO DO APOCALIPSE

 

Tema: visões sobre o triunfo escatológico de Cristo sobre as forças anti-cristãs deste mundo.

INTRODUÇÃO (1:1-8)

  1. Título e meios de revelação (1:1,2)
  2. Bênção conferida à leitura pública do livro (1:3)
  3. Saudação (1:4,5a)
  4. Doxologia (1:5b,6)
  5. Declaração do tema (1:7,8)
  6. CRISTO O SACERDOTE REAL, COM OS SETE CANDEEIROS (IGRE­JAS) E AS SETE ESTRELAS (ANJOS OU MENSAGEIROS DAS IGRE­JAS) (1:9-20)
  7. AS SETE MENSAGENS ÀS IGREJAS DA ÁSIA (2:1 – 3:22)
  8. Mensagem à igreja em Éfeso (2:1-7)
  9. Mensagem à igreja em Esmirna (2:8-11)
  10. Mensagem à igreja em Pérgamo (2:12-17)
  11. Mensagem à igreja em Tiatira (2:18-29)
  12. Mensagem à igreja em Sardes (3:1-6)
  13. Mensagem à igreja em Filadélfia (3:7-13)
  14. Mensagem à igreja em Laodicéia (3:14-22)

III. O TRIBUNAL CELESTE (4:1 – 5:14)

  1. Adoração a Deus pelas quatro criaturas viventes e pelos vinte e quatro an­ciãos (4:1-11)
  2. Aparecimento de Cristo como o Cordeiro, para tomar nas mãos o rolo com sete selos, e novos louvores (5:1-14)
  3. AS PRAGAS DA TRIBULAÇÃO (6:1 – 16:21)
  4. Os primeiros seis selos, derivados da depravação humana (6:1-17)
  5. Primeiro selo: militarismo (6:1,2) Os quatro
  6. Segundo selo: guerra (6:3,4) Cavaleiros
  7. Terceiro selo:tome (6:5,6) do
  8. Quarto selo: morte (6:7,8) Apocalipse
  9. Quinto selo: perseguição e martírio (6:9-11)
  10. Sexto selo: fenômenos celestes (6:12-17)
  11. Selagem protetora dos 144 mil (7:1-8)
  12. A multidão de branco dos santos vindos da tribulação (7:9-17)
  13. Sétimo selo: silêncio nos céus, trovões relâmpagos e um terremoto (8:1-5)
  14. As primeiras seis trombetas derivadas das atividades de Satanás e seus demônios (8:6 – 9:21)
  15. Primeira trombeta: saraiva, fogo (ou relâmpago), sangue e queima da terça parte da verdura da terra (8:7)
  16. Segunda trombeta: queda do vulcão em erupção no mar, transfor­mação em sangue de uma terça parte do mar, com destruição da terça parte da vida marinha e dos navios (8:8,9)
  17. Terceira trombeta: queda de um meteorito sobre a terça parte do suprimento de água potável da terra, tornando-a venenosa e cau­sando enorme número de mortes (8:10,11)
  18. Quarta trombeta: escurecimento de um terço do Sol, da lua e das estrelas (8:12)
  19. O anúncio das três últimas trombetas, que constituirão os três “ais” (8: 13)
  20. Quinta trombeta: os gafanhotos saídos do abismo (9:1-12)
  21. Sexta trombeta: matança de um terço da humanidade pelos cava­leiros demoníacos (9:13-21)
  22. Cancelamentos dos sete trovões, para evitar maior demora (10:1-7)
  23. João ingere um rolo de profecias sobre as nações (10:8-II)
  24. As duas testemunhas (11:1-13)
  25. Sétima trombeta: transferência do governo mundial para Cristo, relâmpagos, trovões, um terremoto, julgamento e galardões (11: 14-19)
  26. Proteção dada à mulher (Israel) que deu à luz a um menino (Cristo), para ela escapar do dragão (Satanás) (12:1-17)
  27. As duas bestas (13:1-18)
  28. A besta saída do mar, com sete cabeças e dez diademas (o revi­vido império romano e seu líder, o Anticristo) (13:1-10)
  29. A besta saída da terra (da Palestina), com dois chifres (um colabo­rador sumo-sacerdotal judaico do Anticristo) (13:11-18)
  30. Os 144 mil com Cristo no monte Sião, entoando cânticos (14:1-5)
  31. Três mensagens angelicais (14:6-12)
  32. O evangelho eterno (14:6-12)
  33. A queda de Babilônia (Roma) (14:8)
  34. A advertência para não se adorar a besta (14:9-12)
  35. As duas colheitas (14:14-20)
  36. Por alguém “semelhante a filho de homem” (14:14-16)
  37. Por um anjo em meio a muito derramamento de sangue (14:17-20)

As sete taças, derivadas da cólera divina (15:1 – 16:21)

  1. Preparação (15:1 – 16:1)
  2. Primeira taça: úlceras malignas (16:2)
  3. Segunda taça: transformação do mar em sangue e morte de toda a vida marinha (16:3)
  4. Terceira taça: transformação de todos os rios e fontes de água em sangue (16:4-7)
  5. Quarta taça: calor escaldante (16:8,9)
  6. Quinta taça: trevas e dores (16:10,11)
  7. Sexta taça: convocação das hordas do Oriente para a batalha do Armagedom (16:12-16)
  8. Sétima taça: “Está feito”, um terremoto, trovões, relâmpagos e a queda das potências pagãs (16:17-21)
  9. QUEDA DA BABILÔNIA (ROMA) E VOLTA DE CRISTO (17:1 – 19:21)
  10. Descrição da Meretriz, Babilônia, com ênfase sobre seu paganismo, e predição de sua queda (17:1-18).
  11. Destruição de Babilônia, com ênfase sobre o seu comercialismo (18:1 – 19:5)
  12. O banquete das bodas do Cordeiro (19:6-10)
  13. A descida de Cristo (19:11-16)
  14. A derrota das hordas ímpias e o lançamento da besta e do falso pro­feta no lago de fogo (19:17-21)
  15. O REINO DE CRISTO E DE DEUS (20:1 -22:5)
  16. Satanás é amarrado por mil anos (20:1-3).
  17. O reinado milenar de Cristo e de Seus santos (20:4-6)
  18. A soltura de Satanás, e a rebeldia geral e abafamento da mesma (20:7­10)
  19. O julgamento do grande trono branco (20:11 -15)
  20. Nová Jerusalém, novos céus e nova terra (21:1 – 22:5)

CONCLUSÃO (22:6-21)

  1. O Apocalipse é uma revelação fidedigna, com advertências e um con­vite (22:6-20)
  2. Bênção final (22:21).

 

Para discussão posterior:

– Como deveríamos entender as frases “as cousas que em breve devem acontecer” e “o tempo está próximo” (1:1,3), em face da passagem de quase dois mil anos de história da Igreja?

– Por qual razão as profecias preditivas são opacas, quanto ao seu significado, pelo menos até depois de seu cumprimento?

– Distribua os diversos ramos da cristandade, incluindo as de­nominações evangélicas, entre as categorias representadas pelas sete igrejas da Ásia.

– Quais diretrizes poderiam ajudar-nos a encontrar solução para a questão da interpretação literal versus interpretação figu­rada do Apocalipse?

– Quais acontecimentos, na história recente e atual, podem ser aduzidos como uma armação do palco para os eventos preditos no Apocalipse – ou deveríamos ao menos tentar engajar-nos em especulações dessa ordem?

– Por que existem tão poucos detalhes claramente com­preensíveis a respeito dos céus e da terra nas Escrituras ? Tal su­posição é falsa?

 

Para investigação posterior:

 

Tenney, M. C. Interpreting Revelation. Grand Rapids: Eerdmans, 1957.

Beasley-Murray, G.R. “O Apocalipse”, em O Novo Comentário da Bíblia. Editado por F. Davidson, A. M. Stibbs, e E. F. Kevan. 1ª edição. São Paulo: Edi­ções Vida Nova, 1976. Págs. 1449-1487.

Walvoord, John G. The Revelation of Jesus Christ. Chicago: Moody, 1966.

Pentecost, J. D. Things to Come. Grand Rapids: Zondervan, 1958. Quanto a uma ampla pesquisa sobre a escatologia bíblica do ponto de vista pré-milenar e dispensacional.

Allis, O. T. Prophecy and the Church. Filadélfia: Presbyterian and Reformed, 1945. Quanto a um ponto de vista amilenar e anti-dispensacional.

Ludwigson, R. Bible Prophecy Notes. 3ª edição. Grand Rapids: Zondervan, 1951. Quanto aos prós e contras de vários esquemas de interpretação profética.

Morris, Leon, The Biblical Doctrine of Judgment. Grand Rapids: Eerdmans, 1960.

Smith, Wilbur M. The Biblical Doctrine of Heaven. Chicago: Moody, 1968.

Lewis, C. S. The Great Divorce, A Dream. Londres: Bles, 1945. Quanto a uma moderna alegoria atinente ao céu e ao inferno.

 

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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