A Vida de Jesus – Panorama do NT

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A Vida de Jesus – Panorama do NT

Perguntas Normativas:

 

‑ Existem fontes literárias para a vida e os ensinamentos de Jesus fora do Novo Testamento? Nesse caso, qual o valor delas?

‑ Os evangelhos são independentes uns dos outros, ou são interdependentes? Nesta última hipótese, qual o relacionamento entre eles?

‑ Quais fontes originárias, se há alguma, jazem por detrás dos evangelhos, conforme os conhecemos?

‑ Até onde podemos confiar na informação a respeito de Jesus nos evangelhos do ponto de vista da crítica histórica?

‑ Como os evangelhos vieram a ser escritos, e de que maneiras, hodiernamente, se entendem os retratos que eles nos dão de Jesus?

 

FONTES

 

História Extra-bíblica

A despeito de não terem sido os primeiros documentos a serem escritos no Novo Testamento (algumas epístolas foram escritas antes deles), os quatro evangelhos canônicos ‑ Mateus, Marcos, Lucas e João ‑ com todo o direito figuram em primeiro lugar como as principais fontes de estudo sobre a vida de Jesus. As poucas fontes informativas não‑canônicas ‑ o historiador judeu do primeiro século, Josefo (com posteriores inserções feitas por copistas cristãos), o Talmude Babilônico, e os escritores romanos Plínio o Jovem, Tácito, Suetônio e Luciano ‑ são tão lacônicas que não se revestem de valor algum na tentativa de reconstituição da carreira de Jesus. No entanto, confirmam que Ele realmente viveu, tornou‑se uma figura pública e morreu sob Pôncio Pilatos, e que no espaço de doze anos após a Sua morte, a adoração à Sua pessoa já havia chegado a lugares tão distantes quanto Roma.

 

Os Ágrafos

 

 

Existem declarações de Cristo registradas fora dos quatro evangelhos canônicos. Paulo, por exemplo, cita uma afirmação dominical (Do latim, dominicus, “senhor, mestre”, freqüentemente usado acerca daquilo que pertence ao Senhor Jesus.) que desconhecemos em qualquer outra fonte: “Mais bem‑aventurado é dar que receber.” (Atos 20:35.) Esses ágrafos, conforme são denominados, diferem das declarações de Jesus nos evangelhos, mas são citados por escritores cristãos primitivos, e algumas vezes aparecem à margem de antigos manuscritos do Novo Testamento. Ágrafo vem do termo grego que significa “não‑escrito”. Naturalmente, essas afirmações foram registradas em forma escrita (pois, de outro modo, não haveria meio de chegarmos a conhecê‑las), mas não no texto dos evangelhos ‑ e daí a designação “não‑escrito”.

 

Coletânea de declarações

Outros registros de declarações de Jesus, fora dos evangelhos canônicos, são os papiros de Oxyrhynchus e o evangelho de Tomé. O evangelho de Tomé, descoberto em Nag Hammadi, no Egito, cerca de 1945, na realidade não é um evangelho, visto não conter uma narrativa contínua; e o apóstolo Tomé não foi o seu autor. Tanto o suposto evangelho de Tomé como os papiros de Oxyrhynchus apresentam‑se como coletâneas de declarações de Jesus. Algumas dessas declarações são quase exatamente iguais àquelas que se acham registradas nos evangelhos canônicos. Outras declarações obviamente se originam de afirmativas canônicas, mas foram alteradas. Ainda outras diferem totalmente de qualquer coisa que se possa ler no Novo Testamento. (Eis exemplos de declarações extra‑canônicas, que variam em grau de similaridade em relação às declarações canônicas (extraído de The Gospel According to Thomas, texto copta, firmado e traduzido por A. Guillaumont et al. Nova Iorque: Harper, 1959):

Logion 54: Jesus disse: Bem‑aventurados são os pobres, pois vosso é o Reino dos Céus.

Logion 466: Mas eu disse que quem quer que entre vós se torne uma criança reconhecerá o Reino, e tornar‑se‑á maior que João.

Logion 82: Jesus disse: Quem quer que esteja perto de mim está próximo do fogo, e quem quer que esteja distante de mim, está longe do Reino.

Ver ainda Joachim Jeremias, Unknown Sayings ofJesus, 29 edição inglesa, traduzida por R.H. Fuller (Londres: S.P.C.K., 1964).) No que diz respeito ao seu relacionamento para com o Novo Testamento, três possibilidades têm de ser levadas em conta: (1) os registros não‑canônicos se alicerçam sobre os evangelhos canônicos; (2) os registros não‑canônicos representam uma tradição independente acerca de afirmações de Jesus; (3) ambas essas possibilidades ocorrem misturadas. Qualquer que seja o relacionamento em pauta, de modo geral concorda‑se em que os papiros de oxyrhynchus e o evangelho de Tomé refletem uma tradição quase inteiramente corrupta a respeito das palavras de Jesus.

 

Evangelhos Apócrifos

Lucas 1:1 menciona numerosos registros evangélicos, escritos que antedatam ao terceiro evangelho, mas nenhum desses, excetuando o de Marcos, e talvez o de Mateus, conseguiu sobreviver. Os evangelhos apócrifos pós‑apostólicos, entretanto, não perduraram, e apresentam um quadro misto de crenças heréticas e imaginações piedosas, especialmente ao preencherem detalhes da infância de Jesus e do intervalo entre a Sua morte e a Sua ressurreição, acerca do que os evangelhos canônicos fazem silêncio quase total. (3 Vide M. R. James, The Apocryphal New Testament (Oxford: Clarendon, 1924); ou E. Hennecke, New Testament Apocrvpha, editado por W. Schneemelcher e traduzido por R. M. Wilson, 2 volumes (Filadélfia: Westminster, 1963/66). Esta última obra conta com longas introduções e notas técnicas, em adição à tradução.)

 

CRÍTICA DAS FONTES DOS EVANGELHOS

 

O Problema sinóptico: a tradição oral

O estudioso da vida de Jesus precisa examinar, antes de tudo, as fontes primárias, os evangelhos canônicos. De imediato, tem de defrontar‑se com o “problema sinóptico”: Por que os três primeiros evangelhos (ou sinópticos) são tão parecidos entre si? (Sinóptico se deriva de dois vocábulos gregos que significam “visão conjunta”.) Uma das respostas é a teoria da tradição oral que diz que as semelhanças se devem a uma rápida cristalização da tradição acerca de Jesus, em forma oral mais ou menos fixa, e que posteriormente veio a assumir forma escrita. A maior parte dos eruditos modernos duvida de que a transmissão meramente verbal pudesse ter retido tantas e tão minuciosas similaridades verbais como aquelas que existem nos evangelhos sinópticos, especialmente nas porções que contêm narrativas, as quais dificilmente refletiriam a capacidade de memorizar, palavra por palavra, as afirmações de Jesus. (Dois eruditos escandinavos, H. Riesenfeld (The Gospel Tradition and Its Beginnings, Londres: Mowbray: 1957) e B. Gerhardsson (Memory and Manuscript: Oral Tradition and Written Transmission in Rabbinic Judaism and Early Christianity, Uppsala: Gleerup, 1961, e Tradition and Transmission in Early Christianity. Uppsala: Gleerup, 1964) têm reavivado a teoria da tradição oral. A ênfase deles sobre o fator da memória, na antiga cultura judaica, reforça nossa estimativa sobre os evangelhos como fidedignos, mas não explica o inter‑relacionamento literário entre os evangelhos sinópticos, mormente dentro da porção narrativa.)

 

Prioridade de Marcos

A solução usualmente encontrada é a hipótese documentária Marcos-Q: Mateus e Lucas teriam estribado a maior parte de sua narrativa sobre o evangelho de Marcos, tendo extraído quase todas as declarações ou ensinamentos de Jesus de um documento atualmente perdido, designado Q, (A designação Q usualmente é vinculada ao vocábulo alemão Quelle, que significa “fonte”.) ao que eles adicionaram material distintivamente seu. Os eruditos têm alinhado certo número de argumentos em favor da prioridade do evangelho de Marcos. Em Lucas 1:1‑4, o escritor sagrado chega realmente a asseverar que lançara mão de outros documentos, nos quais se continha material registrado por testemunhas oculares, ao escrever o seu próprio evangelho. Isso, pelo menos, abre a possibilidade de que Marcos tenha sido um desses documentos por detrás do livro de Lucas. Mais especificamente, Mateus incorpora a quase totalidade do evangelho de Marcos, e Lucas cerca de metade. Tanto Mateus quanto Lucas, com freqüência, repetem as exatas palavras de Marcos, mesmo em pormenores negligenciáveis. Outrossim, Mateus e Lucas usualmente acompanham a seqüência de eventos da vida de Jesus, conforme Marcos os alinha, não se desviando juntos daquela seqüência, como poderíamos esperar que o tivessem feito, ao menos vez ou outra, se porventura ambos estivessem se alicerçando sobre Marcos. (Em outras palavras, parece que Marcos é a âncora que impede Mateus e Lucas de se desviarem em demasia (embora nunca ao mesmo tempo) da ordem de acontecimentos contida em Marcos. Diferenças ocasionais e independentes de seqüência, por motivos tópicos, algumas vezes passam para segundo plano questões cronológicas, nas mentes dos evangelistas (termo técnico aplicado aos escritores dos evangelhos).) Com freqüência, parece que Mateus e Lucas modificaram o fraseado de Marcos, a fim de aclarar o sentido, (Por exemplo comparar Marcos 2:15 com Lucas 5:29, a respeito de quem era a casa onde teve lugar o banquete.) de omitir material cujo significado poderia ser mal entendido, (Por exemplo, Mateus e Lucas omitem o episódio marcano de que os familiares de Jesus julgaram‑no louco, talvez porque seus leitores viriam a dar a isso uma errônea interpretação, inferindo além da medida certa.) de anular material desnecessário para seus respectivos propósitos, (Por exemplo, Mateus 8:14 e Lucas 4:38 omitem os nomes de André, Tiago e João, que figuram em Marcos 1:29, e retêm somente o nome de Pedro.) e a fim de suavizar a deselegância gramatical (mera questão de estilo, e não de exatidão) (Por exemplo, Marcos 2:7 (literalmente traduzido), “Quem pode perdoar pecados exceto um, Deus?” torna‑se: “Quem pode perdoar pecados senão Deus?” em Lucas 5:21. Marcos traz um estilo áspero e vívido ‑ vigoroso, mas não elegante.) ‑ fenômenos esses que indicam, todos eles, que houve utilização do evangelho de Marcos.

 

A Hipótese “Q”

Visto que as similaridades nas porções que contêm narrativas parecem ter‑se originado do uso comum do documento de Marcos, da parte de Mateus e Lucas, similaridades entre Mateus e Lucas, no material didático, não contido em Marcos, têm levado alguns eruditos a postular um segundo documento Q, imaginado como uma primitiva coletânea de declarações de Jesus, com um mínimo de arcabouço histórico. Esse documento Q seria algo como o evangelho de Tomé e a coleção achada em Oxyrhynchus sobre afirmações de Jesus, ou, melhor ainda, algo como os livros proféticos do Antigo Testamento, que contêm um relato da chamada do profeta, extensos registros de sua prédica, algumas vezes vestígios ou breves trechos históricos, mas nenhuma narração da morte do próprio profeta. Assim, Q poderia ser tido como documento que começa com a história do batismo e da tentação de Jesus (Sua “chamada”), prosseguindo com Seu ensinamento, mas sem qualquer menção a Seus sofrimentos (paixão), morte e ressurreição.

A hipótese do documento Q, entretanto, apresenta alguns problemas pertinazes. Por exemplo, o grau de concordância entre Mateus e Lucas, sobre as declarações tradicionais, varia enormemente. Muitos eruditos, por isso mesmo,pensam que Mateus e Lucas se utilizaram de diferentes traduções gregas ou de um documento Q que originalmente fora escrito em aramaico. Ainda outros, duvidando da própria existência de um documento Q (por que ele não teria sobrevivido até hoje?), adotam, quanto ao material das declarações de Jesus, a teoria de muitos documentos breves, ou então a teoria da tradição oral (mais fácil de crer‑se do que a narração escrita de declarações), ou ainda, uma combinação de ambas as coisas. Alguns acreditam que Lucas se utilizou de Mateus em grande parte do material didático; mas, sob essa hipótese, por que Lucas com freqüência refaz o arranjo do material de Mateus?

M. L e Proto-Lucas

Propondo a hipótese de quatro documentos, B. H. Streeter adicionou o documento M, relativo às declarações de Jesus, distintivas de Mateus, e um documento L, quanto à maior parte do material distintivamente lucano. Ele igualmente propôs a teoria do proto‑Lucas: a primeira edição do evangelho de Lucas consistiria somente de Q + L, ao que Lucas posteriormente teria acrescentado um prefácio e as narrativas da natividade, tudo entremeado com material extraído de Marcos. Não há concórdia geral quanto às propostas de Strecter. (B. H. Streeter, The Four Gospels (Nova Iorque: St. Martin’s, 1951), Parte II; comparar com V. Taylor, The Formation of the Gospel Tradition (Nova Iorque: St. Martin’s 1960), apêndice A.)

A prioridade do evangelho de Marcos desfruta de considerável favor. Acerca do documento Q é que se concentram as maiores incertezas. Talvez cumpra‑nos pensarem um corpo de anotações frouxas sobre a doutrina de Jesus, feitas por Mateus. Documentos como M e L são duvidosos. Em seu evangelho, Mateus com freqüência rearranja e colige as declarações de Jesus por meio de tópicos, ao invés de fazê‑lo cronologicamente, o que também fazem os demais evangelhos sinópticos, embora em menor grau. Em contraste com Mateus, Lucas pode ter‑se utilizado de Marcos como um suplemento, e não como a coluna mestra de sua narrativa (segundo dizia Streeter); mas isso é apenas uma possibilidade, diante do estágio atual das pesquisas. É desnecessário dizer que quando Mateus e Lucas se valeram de Marcos ou de outra fonte informativa comum, seu testemunho histórico é de qualidade inferior. Pelo contrário, queriam preservar a unidade da tradição apostólica a respeito de Jesus, precisamente por ser ela historicamente acurada, merecendo um testemunho conjunto em seu favor. Onde alteram ao evangelho de Marcos, fazem‑no não de maneira a falsificar o registro, mas de maneira que evita a errônea interpretação da informação marcana, adicionando alguns outros detalhes, omitindo a outros, e destacando diferentes implicações teológicas.

 

CRÍTICA DA FORMA DOS EVANGELHOS

 

A tarefa

Os primitivos cristãos não dispunham de qualquer dos quatro evangelhos, quanto menos todos os quatro. Nas primeiras décadas do século XX, pois, a erudição alemã se encarregou da ambiciosa tarefa de inferir, mediante análise literária (Formgeschichte, “história da forma”) dos evangelhos como seria a tradição oral concernente a Jesus, antes da mesma haver assumido forma escrita. Por exemplo, desde os primórdios do movimento cristão a história da paixão deve ter sido contada e recontada quando da celebração da Ceia do Senhor ou quando de sermões. Em seguida, quando surgiu a necessidade de serem dadas instruções sobre a conduta cristã, pedacinhos isolados da tradição atinente às palavras e aos feitos de Jesus foram sendo trazidos a lume, como um padrão autoritativo. Deveriam contrair matrimônio os cristãos? Divorciar‑se? Pagar impostos? A tradição oral acerca de Jesus foi mantida viva para responder a essas e a outras indagações de semelhante naipe.

 

Metodologia

Os críticos da forma procuram determinar a natureza e o conteúdo da tradição oral, classificando as unidades individuais do material escrito dos evangelhos, de conformidade com a forma literária e o uso comum na Igreja primitiva. (Uma designação técnica para uma unidade ou seção individual dos evangelhos ‑ como o relatada cura de um leproso por Jesus ou de uma parábola ‑ é perícope.) As categorias comuns são (1) apotegmas, paradigmas ou narrativas de afirmações (relatos que chegam a seu ponto culminante com uma declaração de Jesus), como ilustrações de sermões, (2) relatos de milagres, como modelos para as atividades dos curadores cristãos, (3) declarações e parábolas que visam à instrução catequética, (4) lendas tendentes a magnificar a grandiosidade de Jesus (talvez com um âmago de verdade histórica, porém grandemente exageradas), e (5) a história da paixão, quando da celebração da Ceia do Senhor ou da prédica evangelística. Essa abordagem parte da premissa que os cristãos primitivos modificaram as informações sobre Jesus, chegando mesmo a inventar narrativas e declarações para satisfazer às necessidades que surgiam da pregação missionária, das instruções catequéticas, dos sermões, da formação de liturgias, das controvérsias doutrinárias e de questões de disciplina eclesiástica. Disso teria resultado que os evangelhos narram‑nos mais sobre a Sitz im Leben (“situação na vida”) da Igreja primitiva do que atinente a Jesus. A fim de determinar a verdade sobre Jesus, teríamos de eliminar os acréscimos editoriais, como, por exemplo, as observações geográficas e cronológicas, os lances miraculosos e os elementos doutrinários que supostamente datariam de um período posterior ao da vida de Jesus.

Resultados

  1. Wellhausen, perito em questões do Antigo Testamento, foi um dos mentores da crítica de forma quanto aos evangelhos. M. Dibelius a popularizou. K. L. Schmidt convenceu a muitos de que o arcabouço geográfico e cronológico do evangelho de Marcos partira da pena inventiva do próprio Marcos. E R. Bultmann (o mais bem conhecido dentre os críticos da forma) concluiu, após detalhada análise, que quase toda a tradição dos evangelhos não passava de fabricação, ou está altamente distorcida. Uma típica linha de raciocínio é que em vista dos cristãos acreditarem no caráter messiânico de Jesus, justificaram eles a sua crença através da histórias inventadas, nas quais Jesus teria realizado milagres messiânicos. Conforme pensa Bultmann, deveríamos “desmitologizar” os evangelhos (despi‑los dos mitos), a fim de tornar a mensagem cristã aceitável para o homem moderno, o qual, de seu ponto de vista naturalístico, não mais pode acatar as reivindicações sobrenaturais dos evangelhos em favor de Jesus. (Vide R. Bultmann et al. Kerygma and Mvth. editado por H. W. Bartsch, edição revisada dessa tradução por R. H. Fuller (Nova Iorque: Harper, 1961), págs. 1‑44: Bultmann. The Historv of the Svnoptie Tradition, traduzido por J. Marsh (Nova Iorque: Harper & Row. 1963) ‑ muito técnico: e numerosos outros escritos, tanto por Bultmann como acerca de sua metodologia e sua teologia.)

 

Crítica

A crítica da forma tem depositado ênfase salutar na análise literária, como meio que nos leva a reconstituição da tradição oral dos evangelhos, como também tem frisado a contínua relevância das palavras e das obras de Jesus, no tocante à vida da Igreja primitiva. A mente aberta de Jesus para com os gentios, por exemplo, deve ter ajudado no ingresso de gentios nas fileiras da Igreja. Mas a atitude utilitária não seria o único fator. Os críticos da forma não têm dado margem suficiente a um interesse puramente biográfico sobre Jesus, da parte dos primeiros cristãos. Se a Igreja primitiva realmente se preocupava em apontar para as palavras e os feitos de Jesus, em justificação de suas próprias crenças e práticas ‑ conforme admitem, e, de fato, asseveram os próprios críticos da forma, então havia os mais ponderosos motivos para relembrá‑Lo. O próprio Paulo, que aparentemente não conhecera a Jesus pessoalmente, não foi capaz de citar autoridade superior a Ele (vide, por exemplo, 1 Corintios 7:10 ss.).

Os críticos da forma também não têm dado lugar à possibilidade de que a tradição dos evangelhos foi preservada meramente por expressar a verdade, e também porque provia excelente material para o evangelismo, para o ensino e para a liturgia dos cristãos. A única geração que viveu entre Jesus e o registro escrito dos evangelhos não cobriu tempo suficiente para que houvesse extensa proliferação das tradições acerca Dele. As idéias mitológicas normalmente não se desenvolvem em menos de meio século. No entanto, os cristãos primitivos proclamavam a Jesus como o Deus‑Salvador ressurreto e exaltado, e isso quase imediatamente após a Sua morte. Outrossim, durante as primeiras décadas da história da Igreja, a esperança do retorno imediato de Jesus lampejava ardentemente. Os primitivos cristãos, pois, sentiram muitíssimo a necessidade de maiores informações sobre Jesus do que aquelas de que já dispunham.

Ao que parece, os críticos da forma também se têm olvidado de que testemunhas oculares cristãs e anticristãs devem ter servido de entrave para a criação e distorção, em larga escala, de informações. Numerosas referências, por todo o Novo Testamento, indicam que os cristãos primitivos davam alto valor ao elemento de testemunho ocular, como fator digno de confiança. Por exemplo, vide Lucas 1:1‑4, João 1:14; 20:30,31; 1 Corintios 15:5‑8 e 1 João 1:1‑4. Testemunhas oculares amigáveis e contrárias não somente teriam provido uma influência restringidora, mas, igualmente, as memórias que guardavam sobre os ensinamentos e o exemplo de Jesus teriam sido usadas para achar solução de problemas eclesiásticos e doutrinários, para dar respostas às indagações dos convertidos latentes, e para servir de apologias, em face de acusações maliciosamente assacadas. Por conseguinte, há mais de uma razão para não subestimarmos o fator das testemunhas oculares, por detrás da tradição constante no evangelho.

Não devemos imaginar que todos os antigos aceitavam credulamente cada relato sobrenatural que ouviam. Era generalizado o ceticismo no mundo greco‑romano. Entre os próprios discípulos fizeram‑se necessárias evidências para dissipar as dúvidas, como no caso de Tomé, que a princípio desacreditou no relatório dado pelos outros sobre a ressurreição de Jesus. Se, porventura, Jesus não foi a arrebatadora figura retratada nos evangelhos, como explicar tão grande agitação por causa Dele? Por que Ele foi crucificado? Por que as pessoas O seguiam, continuando a confiar Nele e a proclamá‑Lo como Salvador, mesmo depois que morrera a morte de um criminoso ‑ e, de fato, quase imediatamente depois de Sua execução? Estariam elas dispostas a sofrer e a morrer, como o fizeram, em defesa de uma falsa tradição, de sua própria fabricação? E, sobretudo, por qual razão judeus, treinados desde a infância a adorar exclusivamente ao Deus invisível, ter-se‑iam sentido constrangidos a adorar a um homem ao qual haviam conhecido? Se os evangelhos não são dignos de confiança, então há um hiato em branco nos primórdios mesmos do movimento cristão. Porém, o dramático aparecimento do cristianismo requer uma explicação consentânea com o fenômeno.

Papias, pai da Igreja, declarou, no começo do século II D.C., que Marcos registrou em forma escrita as reminiscências de Pedro a respeito de Jesus. Não há motivos suficientes para duvidarmos da afirmação de Papias, ou do caráter fidedigno dos evangelhos em geral. Pelo contrário, o texto dos evangelhos contém numerosas indicações de autenticidade. São abundantes os detalhes realistas ‑ alusões a lugares, nomes e costumes, desnecessários para as narrativas estarem completas ‑ tal como já é de esperar em relatos feitos por testemunhas oculares. Descrições sobre práticas legais e condições sociais na Palestina, vis à vis ao mundo helenista, exibem notável exatidão.(Vide A. N. Sherwin‑White, Roman Society and Roman Law in the New Testament (Oxford: Clarendon. 1963), cap. 6 e págs. 186 ss.) Cristãos posteriores haveriam de ufanar‑se ante os doze apóstolos (conforme fez a literatura cristã posterior), ao invés de retratarem‑nos como indivíduos desajeitados, cabeçudos, incrédulos e acovardados em muitas ocasiões. Por qual razão teriam sido inventadas declarações de Jesus embaraçosamente difíceis de interpretar?(Por exemplo, vide Mateus 10:23: Marcos 9:1 e 13:32.) Bastaria essa dificuldade para deixar entrever a autenticidade. Outrossim, é duvidoso que distorções e invenções tivessem sido preservadas ou tivessem produzido a forma de poesia distintamente semítica dos ensinamentos de Jesus, conforme foi registrada pelos evangelistas.(A forma poética de declarações paralelas, como se vê na poesia hehraica do Antigo Testamento, não transparece nas traduções dos evangelhos. Mas eis um exemplo do paralelismo poético semita, no ensino de Jesus: Pedi, e dar‑se‑vos‑á; Buscai, e achareis; Batei, e abrir‑se‑vos‑á (Lucas 11:9).) Outro tanto é verdade no tocante a outras características do estilo semita, que transparece fulgurantemente, a despeito do fato que os evangelhos foram escritos em grego, um idioma não‑semita.

A ausência de parábolas nas epístolas demonstra que os primeiros cristãos não se utilizavam de parábolas como um artifício pedagógico, e, por isso mesmo, que não devem tê‑las criado nos evangelhos. Por similar maneira, a ausência, nas epístolas, do título cristológico “Filho do homem” (freqüente nos evangelhos), prova ser o mesmo um título distintivo de Jesus, e, assim sendo, autêntico. Contrariamente a isso, o fato que os evangelhos nada dizem sobre muitas das acirradas questões que se refletem no livro de Atos e nas epístolas (como a questão se os convertidos dentre os gentios deveriam ser circuncidados ou não), demonstra que os cristãos primitivos protegeram ciosamente os ensinamentos de Jesus, a fim de não serem eles mesclados com os seus próprios posteriores desenvolvimentos doutrinários. Paulo separou, meticulosamente, os seus próprios pronunciamentos sobre o matrimônio e o divórcio e aqueles que foram ditos pelo Senhor (vide I Coríntios 7:6‑8,10,12,17,25,26,28,29,32,35,40). Somente uma positiva avaliação da tradição evangélica é capaz de explanar adequadamente os primórdios do cristianismo e as características literárias dos evangelhos e das epístolas.

 

O KERYGMA

O proeminente erudito britânico C. H. Dodd proveu uma alternativa para a radical crítica da forma, ao distinguir um padrão comum nos sermões dos primeiros capítulos do livro de Atos (especialmente 10:34‑43), e nas epístolas de Paulo, mormente onde este, ocasionalmente, sumaria o evangelho (por exemplo, I Coríntios 15:3 ss.; 11:23 ss.; Romanos 1:2,3 e 10:9):

Jesus inaugurara o cumprimento das profecias messiânicas. Saíra por toda parte, fazendo o bem e realizando milagres.

Foi crucificado de acordo com o plano de Deus.

Ressuscitara e fora exaltado até os céus.

Retornará, a fim de julgar aos homens.

Portanto, arrependei‑vos, crede a sede batizados.

A esse padrão foi que Dodd deu o título de Kerygma (vocábulo grego que significa “proclamação”). Gradualmente, o esboço mais simples do kerygma foi sendo preenchido com narrativas, declarações e parábolas extraídas da vida de Jesus. Conforme as testemunhas oculares foram fechando os olhos, os evangelhos foram sendo escritos para formarem um registro permanente. Além disso, conforme o evangelho se foi espraiando geograficamente para lugares distantes da Palestina, lugares onde não havia testemunhas oculares confirmatórias em disponibilidade, foi‑se tornando mister o surgimento de registros escritos fidedignos, que fossem utilizados pelos cristãos em sua prédica acerca das palavras e feitos de Jesus. Assim sendo, o evangelho de Marcos seria um kerygma expandido em forma escrita.(C. H. Dodd, The Apostolic Preaching and lts Development (Londres: Hodder & Stoughton, 1936). Em adição, Dodd distingue entre didache, “ensino” relativo a vida cristã e à fé, e o kerygma evangelístico, cujo alvo é fazer convertidos. Vem sendo cada vez mais reconhecido que a distinção é difícil de ser mantida. De fato, o próprio arcabouço do kerygma pode não ter sido tão rígido como Dodd o reconstituiu.)

Uma idéia generalizada é que, a princípio, os cristãos nem ao menos pensavam em escrever sobre a carreira de Jesus, visto esperarem que Ele retornaria em futuro imediato. Mas, não regressando Ele década após década, raiou aos cristãos que narrativas mais formais e fixas precisavam preencher o hiato cada vez mais amplo. É possível que isso expresse uma verdade, pelo menos em parte. Mas a expectação de que Jesus haveria de voltar quase imediatamente tem sido superestimada. Um escrutínio mais atento dos textos relevantes do Novo Testamento demonstra que os primitivos cristãos esperavam pela Segunda Vinda apenas como uma possibilidade em seu próprio período de vida, e não como uma certeza. Os livros do Novo Testamento não são produtos do embaraço ante a demora da volta de Jesus. Esses livros inspiram muito mais confiança do que isso, para pensarmos em tal coisa.

 

CRÍTICA DA REDAÇÃO

Em reação contra o tratamento dos evangelhos como se estes fossem meros retalhos, conforme tinham feito os críticos da forma, alguns eruditos, depois da Segunda Guerra Mundial, têm analisado os evangelhos como composições unificadas cuidadosamente editadas (redigidas) por seus autores, a fim de proteger pontos de vista teológicos distintivos. Em outras palavras, a “crítica da redação” (Redaktionsgeschicte) trata os evangelhos como unidades completas, ao invés de centralizarem a atenção sobre declarações e relatos isolados. Talvez o mais bem conhecido e melhor representante dessa abordagem seja H. Conzelmann, cuja hipótese é que Lucas reinterpretou o ministério de Jesus como o ponto central histórico entre a era da Igreja e a Segunda Vinda de Cristo a seguir‑se, e não como o estágio final da história, conforme Conzelmann alega que criam os cristãos primitivos.(H. Conzelmann, The Theology of St. Luke, traduzido por G. Buswell (Londres: Faber & Faber, 1960). Precisamos pôr em dúvida, todavia, a conclusão a que chega Conzelmann de que a perspectiva histórica de Lucas representa uma modificação em relação à expectação de que Jesus retornaria quase imediatamente.) Usualmente, o ponto de vista particular do evangelista é atribuído a uma inteira escola de pensamento dentro da Igreja. A crítica da redação é, na realidade, apenas mais ampla, pelo que também com grande freqüência padece da mesma injustificada suposição de terem havido distorções históricas nos evangelhos. Não obstante, há algum valor em sua ênfase sobre amplos temas teológicos.

 

ESTUDO DA VIDA DE JESUS

A maioria dos eruditos contemporâneos acredita que uma biografia de Jesus, em completa escala, é simplesmente impossível, porque os evangelhos são por demais seletivos quanto ao volume e ao tipo de informações que nos apresentam acerca de Jesus. Todavia, no século XIX, antes dessa restrição haver sido tão agudamente sentida, apareceram diversas notáveis biografias de Jesus. Um tratamento radical, feito pelo erudito alemão D.F. Strauss (1835), concluiu que a maior parte do material existente nos evangelhos é de natureza mitológica. A vida de Cristo, de autoria de E. Renan (1863), tornou‑se famosa por sua beleza literária. Nela, esse escritor francês retratou a Jesus como um carpinteiro amigável, que se transformou em apocaliptista. Em 1883, Alfred Edersheim, judeu convertido, produziu sua obra largamente usada e ortodoxa, Life and Times of Jesus the Messiah, baseado que foi no conhecimento que tinha das tradições rabínicas. Ao virar o século, o típico ponto de vista liberal, mais destacadamente representado pelo estudioso germânico A. Harnack, via em Jesus um bom exemplo de serviço abnegado em prol da humanidade, como um mestre impulsionado por exaltados ideais éticos, embora não um redentor divino‑humano.

Em 1906, Albert Schweitzer espantou o mundo teológico com sua obra Quest of the Historical Jesus. Conforme é indicado no título original em alemão, Von Reimarus zu Wrede, a obra era um levantamento crítico de estudos modernos sobre a vida de Jesus. Schweitzer argumentava que os estudos liberais repousavam sobre noções preconcebidas, por parte de eruditos modernos, ao invés de repousarem sobre os próprios informes dos evangelhos. Segundo Schweitzer, Jesus pensava que o reino de Deus sobre a terra estava prestes a ser inaugurado, e que então Ele se tornaria o Messias. De fato, Jesus informou aos doze discípulos que Deus enviaria o Filho do homem (o Messias super‑humano) para estabelecer o reino, antes de completarem uma missão de pregação pela Galiléia (vide Mateus 10:23). Mas, ao não se materializarem as suas expectações, Jesus ficou cada vez mais convicto de que morreria a fim de produzir a vinda de tal reino.

Entrementes, Ele revelou o segredo de Sua missão messiânica a Pedro, Tiago e João, por ocasião da transfiguração. Pedro, ato contínuo, revelou o segredo aos demais doze apóstolos, quando de sua grande confissão (vide Marcos 8:27‑30; Mateus 16:13‑20 e Lucas 9:18‑20). (A fim de chegar a tal reconstituição, Schweitzer teve de alterar a ordem cronológica relativa à confissão de Pedro e a transfiguração de Jesus, segundo aparecem nos evangelhos sinópticos.) Judas, em seguida, traiu o segredo para as autoridades judaicas, as quais puseram em movimento os eventos que culminaram na morte de Jesus. O próprio Jesus, corajosa mas tolamente, pensava que Deus haveria de ressuscitá‑Lo imediatamente dentre os mortos, revelando‑O ao mundo, entre as nuvens do céu, com o intuito de ser estabelecido o reino divino sobre a terra. Isso, naturalmente, não ocorreu ‑ e, para Schweitzer, Jesus tornou‑se uma figura trágica e misteriosa, que dificilmente pode ser entendida pelo homem moderno, embora digna de imitação quanto à Sua altruísta dedicação.

O retrato de Jesus, traçado por Schweitzer, não tem merecido aceitação geral. Ele pôs ênfase demasiada sobre Mateus 10:23, trecho que pode ser interpretado de outros modos. Também desconsiderava afirmativas feitas por Jesus no sentido que o reino de Deus já chegara. Não conseguiu explicar adequadamente por qual motivo Jesus tanto ensinou quanto a princípios éticos. Pois alguém que cresse e proclamasse que o mundo haveria de terminar dentro dos próximos poucos meses ou semanas dificilmente encontraria necessidade de instruir tão demoradamente às pessoas sobre a conduta que deveriam ter na presente maligna sociedade. A grande contribuição de Schweitzer, entretanto, foi que ele forçou a reconsideração sobre os ensinamentos escatológicos (Escatológico significa “atinente ao fim da história.”) de Jesus e sobre as implicações messiânicas de Seu ministério, aspectos esses que estavam sendo negligenciados pela maioria dos eruditos liberais.

No atual estado das pesquisas sobre a vida de Jesus, opiniões disparatadas exigem ser reconhecidas. Os seguidores de Bultmann continuam rejeitando a maior parte das tradições dos evangelhos. Alguns dos anteriores estudantes de Bultmann, apodados “pós‑Bultmannianos”, aceitam minúscula porção a mais como autêntica, mas a quantidade é insignificante. (Vide J.M. Robinson, A New Quest of the Historical Jesus, Naperville: Allenson, 1959.) Eruditos que ocupam uma posição intermediária aceitam como autêntica uma proporção bem maior; sentem‑se livres, todavia, para rejeitar o resto. Eruditos ortodoxos descobrem boas razões históricas e teólogicas para aceitarem na íntegra os relatos dos evangelhos. Isso não dá a entender, contudo, que os evangelistas sempre citaram as declarações de Jesus palavra por palavra. As diferenças existentes entre os evangelhos dão a entender que houve freqüentes paráfrases e rearranjos editoriais, um modo perfeitamente legítimo de transmitir os pensamentos de outrem. Por igual modo, os eruditos ortodoxos não insistem em que deva haver uma narração sempre completa e cronológica das atividades de Jesus. Mas que, aquilatados através do propósito pelo qual foram escritos proclamar as boas novas concernentes a Jesus, o Cristo ‑ os evangelhos merecem nossa total confiança.

 

Para discussão posterior:

 

‑ De que maneira a inter‑relação literária, as diferenças entre os evangelhos, quanto ao fraseado e à ordem dos acontecimentos, bem como o uso e revisão de fontes informativas se relacionam com a crença na origem divina e na inspiração da Bíblia?

‑ Até que ponto, se isso é verdade, deveria o evangelho ser feito mais aceitável para o homem moderno (uma das principais questões levantadas pelo programa demitologizador de Bultmann)?

‑ Que é um “mito”? Qual é o relacionamento do mesmo com a historicidade? Com a universal experiência humana? Dependendo de definições, a Bíblia contém mitos?

 

Para investigação posterior: Consulte as obras citadas nas notas de rodapé do capítulo anterior, bem como a bibliografia no fim do capítulo seguinte. Quanto a estudos evangélicos sobre algumas das questões aqui discutidas, vide também:

 

Bruce, F. F. Merece confiança o Novo Testamento?, Edições Vida Nova, 1965.

Althaus, P. et al. Jesus of Nazareth. Savior and Lord. Editado por C. F. H. Henrv. Grand Rapids: Eerdmans, 1966

Ladd, G.E. The New Testament and Criticism. Grand Rapids: Eerdmans, 1960.

 

Em seus termos gerais, comparar The Life of Apollonius, por Filostrato, porções da qual obra são citadas por C.K. Barrett, The New Testament Background: Selected Documents (Nova Iorque: Harper & Row, 1961), págs. 76‑79, com os retratos de Jesus dados nos evangelhos.

 

A fim de apreciar algumas das questões debatidas pelos críticos de fonte, forma e redação, que o estudante compare cuidadosamente as narrativas de Mateus e de Lucas sobre o Sermão da Montanha (5 ‑ 7 e 6:20‑49, respectivamente), as diferentes narrativas sobre a Última Ceia (Mateus 26:20-35; Marcos 14:17‑31: Lucas 22:14‑38 e João 13‑17), ou praticamente qualquer outra porção da tradição constante nos evangelhos, incluindo unidades menores.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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