A Ressurreição Pode Ser Provada? – Quem é Jesus

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A Ressurreição Pode Ser Provada? – Quem é Jesus

Josh McDowell é atualmente um dos mais capacitados defensores da fé cristã, particularmente no que diz respeito à ressurreição física de Jesus de Nazaré. Josh, porém, não foi sempre um cristão; na verdade, enquanto freqüentava a faculdade, ele era um cético que se divertia fazendo de tolo qualquer cristão que ousasse fazer perguntas “erradas” na sala de aula. Ele foi um aluno brilhante, terminando seus estudos com todas as honras.

Josh nasceu para ser um debatedor, um polemista, e graças ao ceticismo que predominou em sua formação e preparação, ele não resistia ao desafio lançado por alguns estudantes cristãos para que examinasse a validade do cristianismo. Ele começou achando que tudo estava a seu favor; como ele disse mais tarde, “eu não sabia que havia evidências que a pessoa podia avaliar mentalmente” para poder comprovar a posição cristã. “Como cético, aceitei o desafio para examinar intelectualmente as alegações de que Jesus Cristo era Filho de Deus, que Ele tinha sido sepultado e ressuscitado três dias depois, e que Ele pode ainda hoje mudar a vida de uma pessoa. Uma das áreas cruciais de minha pesquisa para contestar o cristianismo estava centrada na ressurreição… Surpreendentemente, não pude refutar o cristianismo, porque não conseguia explicar satisfatoriamente um acontecimento essencial na história — a ressurreição de Jesus Cristo.”

Certa vez um estudante da Universidade do Uruguai perguntou-lhe: “Professor McDowell, por que o senhor não pode contestar racionalmente o cristianismo?” Ele respondeu: “Por uma razão muito simples. Não sou capaz de explicar satisfatoriamente um acontecimento na história — a ressurreição de Jesus Cristo”.

Josh McDowell e eu somos amigos há uns vinte e cinco anos. Participamos juntos de várias conferências ou convenções pelo país e ele falou muitas vezes em minhas igrejas em San Diego (ele morava a uns setenta quilômetros de distância). Em um domingo de Páscoa, alugamos o centro de convenções da cidade e convidamos nossas três igrejas e muitos outros que se interessaram em participar, para ouvir este ex-cético compartilhar algumas de suas fortes razões para crer na ressurreição. Ele fez mais de 580 conferências em universidades, escreveu vários livros de sucesso, incluindo clássicos como Evidência Que Reclama um Veredito, Mais Que um Carpinteiro, e O Fator ressurreição. Hoje ele dirige um ministério internacional dedicado a alcançar jovens nas universidades e escolas secundárias através da esmagadora evidência da divindade de Cristo e de sua ressurreição. Aonde quer que ele vá, lança também um desafio para se viver uma vida sexualmente pura. Milhares de pessoas estão atendendo ao seu apelo — tudo porque ele se tornou pessoalmente convencido da realidade da ressurreição corpórea de Jesus.

Razões para Crer na Ressurreição

A ressurreição de Jesus reúne mais evidências favoráveis do que qualquer outro acontecimento da história antiga. Tenho certeza de que você ficará convencido de que a evidência é tão incisiva quanto convincente. Mas nenhuma das evidências — exceto o retorno físico de Jesus à terra para nos mostrar as cicatrizes em seu corpo — é absoluta. Isto faz parte do plano de Deus, que exige de nós alguma dose de fé. Não a fé cega! Devemos usar o cérebro que Deus nos deu para pesar as evidências e depois então tomar uma decisão racional para aceitar o registro bíblico como verdadeiro e válido. Avalie as evidências abaixo e decida por si mesmo.

 

  1. O túmulo vazio

Todos os túmulos famosos no mundo — a Abadia de Westminster em Londres, o Túmulo de São Tome na índia, o “Túmulo do Soldado Desconhecido”, em Washington, ou os muitos outros túmulos em Israel — são famosos pelos corpos que contêm. Mas isto não acontece com o túmulo de Jesus. Ele é o único no mundo famoso pelo que não contém. Ele estava vazio na primeira manhã da Páscoa e continuou assim. O túmulo vazio é um lembrete constante da mensagem do anjo às mulheres: “Ele não está aqui: ressuscitou, como havia dito.”

O significado do túmulo vazio não deve ser subestimado. Este fato foi comprovado tanto por seus amigos como por seus inimigos, sendo mencionado pelos quatro escritores dos evangelhos e citado por Paulo, Pedro e por outros escritores do Novo Testamento. Observe os acontecimentos narrados no texto a seguir.

Caindo a tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus. Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lho fosse entregue. E José, tomando o corpo, envolveu-o em um pano limpo de Unho, e o depositou no seu túmulo novo, que fizera abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou. Achavam-se ali, sentadas em frente da sepultura, Maria Madalena e a outra Maria. (Mt 27.57-61)

 

Teria sido impossível incentivar as pessoas a adorar um Salvador “ressurreto” se o seu corpo ainda estivesse no túmulo! Os discípulos podiam ter disfarçado a decepção por algum tempo mudando-se para uma cidade centenas de quilômetros distante do lugar em que tudo aconteceu. Mas não foi o que eles fizeram. Eles começaram imediatamente a pregar lá mesmo, em Jerusalém, que Jesus havia ressuscitado. E usaram o túmulo vazio como “prova número 1”, o primeiro documento da evidência.

Você Pode Acreditar no Relato dos Amigos de Jesus

Muitos dos que testemunharam o túmulo vazio eram amigos de Jesus. Eles foram os primeiros a anunciar a sua ressurreição. Todos eles encontraram o túmulo vazio, assim como as duas Marias que chegaram ao túmulo e encontraram a pedra removida. Observe o relato das seguintes testemunhas oculares:

O ANJO: “Ele não está aqui: ressuscitou, como havia dito. Vinde ver onde ele jazia.” (Mateus 28.6)

 

MARIA MADALENA: “Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.” (João 20.15)

 

PEDRO E JOÃO: Depois de Pedro e João ouvirem as mulheres dizer: “Tiraram do sepulcro o Senhor e não sabemos onde opuseram “, saíram ambos e foram ao sepulcro. “Ambos corriam juntos, mas o outro discípulo João] correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro; e, abaixando-se, viu os lençóis de linho; todavia não entrou. Então Simão Pedro, seguindo-o, entrou no sepulcro. Ele também viu os lençóis, e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado em um lugar aparte.” (João 20.3-7)

 

Você Pode Crer no Testemunho dos Inimigos de Jesus

Todos sabem que os líderes religiosos dos judeus eram inimigos de Jesus. Foram eles que forçaram Pilatos a crucificá-lo. Em conseqüência disso, depois que Jesus ressuscitou,

… alguns da guarda foram à cidade e contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera. Reunindo-se eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados, recomendando-lhes que dissessem: “Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram, enquanto dormíamos.” Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança. Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. Esta versão divulgou-se entre os judeus até ao dia de hoje. (Mt 28.11-15)

 

Cito esta passagem para mostrar como os soldados romanos e os líderes judeus se defrontaram com o túmulo vazio e o desaparecimento do corpo de Jesus. Os soldados estavam aterrorizados — como não podiam deixar de estar, pois era costume romano que, quando um guarda perdia um prisioneiro, deveria tomar o lugar dele. Ser crucificado e sepultado no túmulo de Jesus não era nada desejável! Quando os líderes judeus foram notificados do túmulo vazio e do desaparecimento do corpo de Jesus, eles nada podiam fazer para substituí-lo! Você pode estar certo de que eles teriam apresentado o corpo de Jesus, se estivesse com eles. Como isso não era possível, então forjaram esta mentira de que os discípulos levaram seu corpo. Eles chegaram a recorrer a suborno e promessas de proteção para tornar a história aceitável.

Esses homens fizeram um bom trabalho ao espalhar este rumor, pois, como Mateus escreveu — “Esta versão divulgou-se entre os judeus até o dia de hoje” (cerca de trinta anos depois dos acontecimentos). Em outras palavras, depois de trinta anos, eles ainda não tinham descoberto o corpo de Jesus! O túmulo estava vazio porque tinha de estar vazio — exatamente como você esperaria depois que uma pessoa ressuscitasse dentre os mortos.

Se ao Menos Eles Tivessem o Corpo de Jesus!

Se os líderes tivessem o corpo de Jesus, eles o teriam exibido muitas vezes durante os trinta anos após a crucificação. No dia de Pentecoste, depois do sermão inspirado de Pedro, eles viram milhares de judeus aceitando o Cristo ressurreto. Se eles fossem capazes de mostrar o corpo de Jesus, todos esses novos convertidos voltariam às suas sinagogas e o cristianismo teria morrido ali mesmo. Por que isto não aconteceu? Simplesmente porque eles não tinham o corpo!

Gamaliel foi um líder dos judeus admirado pelos cristãos durante quase dois milênios por ter agido de maneira equilibrada e racional. No calor da batalha pelas almas de homens e mulheres, a pregação de Pedro inspirou milhares a se converterem — mas inflamou o ódio dos inimigos de Jesus. Eles ficaram tão furiosos que discutiam como matar Pedro e os outros discípulos:

Mas, levantando-se no Sinédrio um fariseu, chamado Gamaliel, mestre da lei, acatado por todo o povo, mandou retirar os homens, por um pouco, e lhes disse: “Israelitas, atentai bem no que ides fazer a estes homens. Porque antes destes dias se levantou Teudas, insinuando ser ele alguma coisa, ao que se agregaram cerca de quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe prestavam obediência se dispersaram e deram em nada.” (At 5.34-36)

 

A seguir, esse mesmo fariseu mencionou outro caso que resultou em total fracasso. E, por fim, acrescentou:

“Agora vos digo: Dai de mão a estes homens, deixai-os; porque se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus.” (Atos 5.38-39)

 

Não sabemos se este fariseu imparcial chegou a tornar-se um cristão, mas seu conselho naquelas circunstâncias foi acertado. O crescimento imediato da igreja realmente comprovou o fato da ressurreição. Mas a meu ver, nada disso teria sido necessário se o corpo de Jesus pudesse ter sido exibido. Isso, porém, era impossível, porque Jesus “ressuscitou, como havia dito”.

Josh McDowell acrescenta algumas interessantes considerações sobre este ponto.

Justino Mártir em seu Diálogo com Trifo relata que as autoridades de Jerusalém enviaram representantes especiais por toda a região do mediterrâneo, afim de contradizerem a história do túmulo vazio com a explicação de que seus seguidores roubaram o corpo. Porque as autoridades judaicas subornariam a guarda romana e divulgariam a explicação do “corpo roubado “ se o túmulo estivesse ocupado? O historiador Ron Sider concluiu que: “Se os cristãos e seus opositores judeus concordavam que o túmulo estava vazio, temos pouca escolha a não ser aceitar o túmulo vazio como fato histórico. “John Warwick Montgomery, deão da Escola de Direito Simon Greenleaf, em Anaheim, Califórnia, disse: “É difícil de acreditar que os primeiros cristãos pudessem ter fabricado tal história para então a divulgar entre aqueles que podiam refutá-la com facilidade, simplesmente apresentando o corpo de Jesus.”

 

O Dr. Paul Althaus, da Universidade de Erlangen, Alemanha, afirmou: “O relato da ressurreição poderia não ter sido mantido em Jerusalém por um único dia, se o túmulo vazio não fosse realmente um fato comprovado”.

Tom Anderson, ex-presidente da Califórnia Trial Lawyers Association e co-autor do Manual Básico de Advocacia da Association of Trial Lawyers of America, afirma:

Admitamos que Cristo não ressuscitou. Admitamos que os relatos escritos de seus aparecimentos a centenas de pessoas sejam falsos. Quero formular uma questão. Com um acontecimento tão bem divulgado, não seria razoável que um historiador, uma testemunha ocular ou um antagonista tivesse registrado que ele tinha visto o corpo de Cristo? “Ouçam, eu vi aquele túmulo — ele não estava vazio! Olhe, eu estive lá, Cristo não ressuscitou. Na verdade, eu vi o corpo de Cristo.” O silêncio da história é a maior prova quando se trata do testemunho contra a ressurreição.

 

  1. Quem removeu a pedra?

Poucos críticos (exceto aqueles radicais como Crossan e outros do Seminário Jesus) negam que uma grande pedra foi colocada na entrada do túmulo de Jesus, que o túmulo foi selado e que uma guarda romana vigiava o local para impedir que seus amigos roubassem o corpo. Nenhum deles parece negar que a pedra foi removida, abrindo o túmulo, naquela manhã de Páscoa. A grande pergunta é: quem removeu a pedra? Não poderiam ter sido seus inimigos, pois, como vimos, eles tomaram as devidas precauções para ocultar o fato de que ela tinha sido afastada da entrada do túmulo e que o corpo de Jesus não estava lá. Além da explicação encontrada nos evangelhos, há somente duas possibilidades:

 

  1. O próprio Jesus levantou-se e afastou a pedra;

 

  1. As mulheres ou alguns outros amigos o fizeram.

 

Estas duas opções são uma versão da “teoria do desmaio” ou da “teoria do ressuscitamento” (ambas são ridículas e serão analisadas no próximo capítulo). A primeira imagina um Jesus tão enfraquecido que não podia carregar sua própria cruz (como resultado dos açoites sofridos) e que, depois de ficar pregado na cruz por nove horas e ter sido considerado morto pelos soldados romanos que eram especialistas em crucificação (um dos quais cravou a ponta da lança em seu lado, de onde jorraram “sangue e água”), de repente, miraculosamente, acordou. Apesar de estar todo envolto em tiras de pano, ele desvencilhou-se delas e, sem que os guardas percebessem, pôs-se a empurrar uma pedra de duas toneladas. Isto teria sido um milagre ainda maior do que a ressurreição!

A outra possibilidade é que as mulheres, apesar de terem se perguntado ao chegar: “Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?” — apesar disso reuniram forças para abrir o túmulo.

Mas, mesmo que elas conseguissem tal feito, isso não explica como elas poderiam quebrar o selo romano e fazer todo esse trabalho sem acordar os guardas sonolentos!

Visitei o jardim do túmulo em Jerusalém em seis ocasiões. Embora não estivesse certo se aquele era realmente o túmulo em que Jesus foi enterrado, ele atende aos requisitos das escrituras: é um “jardim” perto do lugar da caveira em que Jesus foi crucificado, “fora do muro” da Velha Jerusalém. Mas, mesmo que não fosse exatamente aquele túmulo, ele é típico daquele período. Um sulco de dezoito a vinte e cinco centímetros era aberto no chão, desde a colina até a entrada do túmulo e, então, uma pedra era cortada da rocha, de modo que depois que o corpo fosse colocado no interior, a pedra pudesse ser rolada de cima para baixo pelo sulco até bloquear a entrada do túmulo. Remover a pedra — cujo peso estimado era de uma e meia a duas toneladas — de volta pelo sulco ascendente seria uma tarefa impossível para vinte mulheres, quanto mais para duas! Não, as mulheres não removeram a pedra. Então quem foi?

Josh McDowell fez uma interessante descoberta a este respeito:

No texto de Marcos 16.4 dos manuscritos Bezae, na Biblioteca de Cambridge, Inglaterra, uma afirmação em parêntese foi acrescentada: “E quando Ele foi colocado ali, ele (José) pôs contra a [entrada] do túmulo uma pedra que vinte homens não poderiam remover.”

Mais tarde, eles me escreveram uma carta com os detalhes técnicos, escrevendo suas conclusões no verso, em linguagem simples.

Disseram que uma pedra daquele tamanho deveria pesar no mínimo de uma e meia a duas toneladas. Não surpreende, pois, que Mateus e Marcos tenham dito que a pedra era extremamente grande.

 

Portanto, quem moveu a pedra? A Bíblia tem uma resposta simples: “E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela” (Mateus 28.2). Todos sabemos que um anjo não teria dificuldade de remover uma pedra desse tamanho — mas isto introduz o elemento sobrenatural! E esta é exatamente a minha posição. Tanto o túmulo vazio como a pedra removida requer a inclusão do sobrenatural. Sem a ressurreição, não há explicação razoável para os detalhes.

 

  1. As testemunhas oculares do Cristo ressurreto

Por mais importantes que a pedra removida e o túmulo vazio sejam para provar a ressurreição, temos evidência ainda maior: mais de quinhentas testemunhas oculares, muitas das quais conhecemos pelo nome. Sem subestimar os fatos acima — e mesmo sendo um problema para os céticos—, a pedra removida e o túmulo vazio não transformaram ninguém. Como veremos, foi o encontro com o Cristo ressurreto que transformou as vidas daqueles primeiros cristãos. Tome estava tão cético sobre a ressurreição de Jesus que se recusou a crer, muito embora muitos de seus amigos e todos os discípulos lhe dissessem: “Vimos o Senhor”. Foi somente depois de tê-lo visto que Tome exclamou: “Senhor meu e Deus meu!”

Os testemunhos daqueles que viam o Senhor ressurreto nos proporcionam uma evidência poderosa que não pode ser desprezada: Jesus realmente viveu depois de ter sido crucificado. A importância deste fato não passou despercebida ao Dr. Lucas, o cuidadoso historiador do primeiro século que disse a respeito dos discípulos: “A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.” (Atos 1.3)

Estas “provas infalíveis” são, mais do que tudo, as cerca de quinhentas pessoas que testemunharam o Cristo ressurreto. Todas elas juntas constituem uma evidência esmagadora em qualquer tribunal do mundo. Como nenhuma das narrativas do evangelho inclui todos os relatos das testemunhas oculares, não sabemos ao certo a ordem em que esses aparecimentos ocorreram. A meu ver, a melhor lista é a que se encontra logo abaixo:

É geralmente aceito que o Novo Testamento registra dez aparecimentos de Jesus entre o momento de sita ressurreição, na manhã da Páscoa até a ascensão quarenta dias depois, além de seu aparecimento a Saulo, mais tarde, na estrada de Damasco. Seria melhor para nós enumerar esses aparecimentos para podermos constatar melhor seu significado

 

  1. A algumas mulheres quando retornavam do sepulcro, depois de terem visto o anjo que lhes disse que Cristo tinha ressuscitado. (Mt 28.1-10)
  2. A Maria Madalena perto do sepulcro, provavelmente em sua segunda visita ao local naquela manhã (Jo 20.11-18; Mc 16.9-11).
  3. Ao apóstolo Pedro, antes do anoitecer do dia da ressurreição, mas em circunstâncias de que não temos detalhes (Lc 24.34; 1 Co 15.5).
  4. Aos dois discípulos, Cleopas e um outro, a caminho de Emaús, na tarde do domingo da Páscoa (Mc 16.12-13; Lc 24.13-35).
  5. Aos dez apóstolos, estando Tome ausente, juntamente com outros cujos nomes não são indicados, reunidos na noite do domingo da Páscoa para tomarem a refeição (Mc 16.14-18; Lc 24.36-40; Jo 20.19-23; 1 Co 15.5).
  6. Uma semana mais tarde, a todos os onze apóstolos, provavelmente no mesmo lugar do aparecimento anterior (Jo 2026-28).
  7. A vários discípulos no mar da Galiléia, enquanto estavam pescando, sem indicação da hora exata (Jo 21.1-23).
  8. Aos apóstolos, e a mais de quinhentos irmãos, de uma única vez, na montanha indicada por Jesus na Galiléia (Mt 28.16-20; 1 Co 15.6).
  9. A Tiago, em circunstâncias das quais não temos nenhuma informação (1 Co 15.7).
  10. Aos apóstolos em Jerusalém, um pouco antes da ascensão no monte das Oliveiras (Mc 16.19; Lc 24.50-52; At 1.3-8).

Muitas coisas devem ser observadas nesses aparecimentos. Em primeiro lugar, há uma considerável variedade de circunstâncias associadas a essas dez manifestações. Não foi a somente uma pessoa, ou grupo de pessoas, que Ele se revelou em diferentes ocasiões, nem ao mesmo tipo de pessoa. Foi para algumas mulheres, para dois discípulos na estrada de Emaús, para os apóstolos reunidos em um cenáculo e para quinhentos irmãos que se encontravam juntos no mesmo lugar. Foi para pessoas diferentes como Maria Madalena, Pedro, Tiago, João e Tome! Até os sentimentos desses grupos eram diferentes, no instante em que as manifestações foram feitas a eles: as mulheres afastavam-se rapidamente do sepulcro, com medo e grande alegria; Maria Madalena chorava fora do sepulcro; os dois discípulos conversavam, cheios de tristeza por todas as coisas que tinham acontecido; os apóstolos estavam reunidos a portas fechadas com medo dos judeus; os irmãos na Galiléia estavam reunidos em obediência à ordem de Cristo; os sete discípulos voltaram à velha ocupação como pescadores; os onze no monte das Oliveiras alegravam-se na presença de seu Senhor com a plena certeza de que era realmente Ele.

(Dr. Wilbur M. Smith – The Supernaturalness of christ, Boston: W. A. Wilde Co, 1940).

 

Assim como todos os milagres de Jesus, estes aparecimentos não foram encenações; eles ocorreram durante as atividades diárias de cada um. Isto os torna mais “infalíveis”. Não houve duas manifestações exatamente iguais. Uma foi pela manhã; outra, à tardinha. Em alguns casos Ele comeu com eles; certa vez ele cozinhou uma refeição para eles; de outra vez repetiu um milagre que tinha realizado antes de ser crucificado (isto é, a “pesca maravilhosa”).

Também as reações não foram sempre as mesmas ao verem o Cristo ressurreto. Algumas pessoas quiseram “adorá-lo”; outras choraram de alegria; e todas foram transformadas pelo encontro. Alguns céticos, pelo menos mil e setecentos anos depois desses acontecimentos, tentaram nos fazer crer que todos esses aparecimentos podem ser explicados pela histeria ou alucinações coletivas. Mas que tipo de alucinação seria essa? Pessoas diferentes, por um período de quarenta dias e sob diferentes circunstâncias relataram suas experiências essencialmente da mesma forma.

Nenhum outro acontecimento do passado possui tanta evidência para confirmá-lo. Como veremos no próximo capítulo, o apóstolo Paulo, o primeiro escritor do Novo Testamento, vinte anos após a ressurreição deu-nos uma lista daqueles que viram o Cristo ressurreto. Depois de mencionar “Cefas” (ou Pedro), ele escreveu: “Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora, porém alguns já dormem” (1 Coríntios 15.6).

É importante notar que a maioria das pessoas que tinham visto Cristo após a ressurreição estavam ainda vivas vinte e cinco anos mais tarde, quando Paulo escreveu 1 Coríntios. Por isso, quando as narrativas do evangelho começaram a se propagar, elas teriam certamente objeções a fazer às histórias da ressurreição de Jesus, se de fato elas não fossem verdadeiras. Entretanto, nenhuma objeção jamais se levantou a este respeito. Os que primeiro negaram o túmulo vazio, a pedra removida e os testemunhos dos que comprovaram a ressurreição apareceram por volta de mil e setecentos anos depois dos acontecimentos em questão.

Hoje, quase no vigésimo primeiro século da era cristã, nós temos uma decisão a tomar. A qual relato devemos dar crédito — ao das quinhentas testemunhas oculares que viveram naqueles dias, ou ao dos céticos “eruditos” que viveram mil e setecentos anos depois dos acontecimentos? Se nossa decisão baseia-se na evidência e não meramente na aversão pelo sobrenatural, há somente uma escolha: Jesus de fato ressuscitou dentre os mortos.

 

  1. O caráter de Jesus torna fácil acreditar nele quando afirmou que ressurgiria após a morte

Dificilmente alguém nega que Jesus tenha vivido uma vida santa, humilde e sacrificial. Mesmo entre aqueles que rejeitam sua divindade muitos o consideram “um grande exemplo moral”, “um caráter excelente”, “um modelo de vida a ser seguido”, ou outras expressões semelhantes. Ninguém lançou difamações ao caráter moral de Jesus, mesmo quando o cristianismo tornou-se uma ameaça a outras religiões. Na verdade, os primeiros ataques ao seu caráter ocorreram no século dezessete, quando um punhado de estudantes ateus resolveram reescrever a história para fazer parecer que Jesus tinha feito alguma coisa imoral. Isto teria ficado no esquecimento há muito tempo se um produtor moralmente pervertido de Hollywood não tivesse feito um filme blasfemo (que, por sinal, foi um desastre de bilheteria, resultando em um imenso déficit) (Filme: a Última Tentação de Cristo).

É extremamente difícil a qualquer um que tenha ódio de Jesus obter algo contra sua moralidade, pois tão elevado é o seu caráter, que é reconhecido por todos os historiadores (mesmo aqueles como Thomas Jefferson, que rejeitava sua divindade mas aceitava seu caráter moral como um modelo para o comportamento moderno). Neste sentido, Jesus é uma figura singular na história. Nenhuma outra pessoa se aproxima da perfeição moral demonstrada por Ele.

John R. Rice, falecido evangelista e editor do semanário Espada do Senhor, escreveu:

Quem há em toda a história humana como Cristo? Sua personalidade, sua pureza moral, seu discernimento espiritual, sua sabedoria infinita, fazem dele alguém absolutamente único. Quando o comparamos com Sócrates, Buda, Maomé, Gandhi, Lenin, Shakespeare, Napoleão, Washington, Lincoln, ou Roosevelt, constatamos que não há comparação. Os sábios, a intelligentsia, os mestres do mundo são crianças perto de sua sabedoria. Seus códigos e sistemas morais são fragmentários e inadequados comparados aos ensinos de Jesus. Os heróis do mundo têm suas falhas e suas fraquezas, mas Jesus Cristo não tem nenhuma falha nem qualquer fragilidade. Ele podia ousadamente desafiar seus críticos: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (Jo 8.46)

 

  1. Oswald Sanders escreveu: “Foi a partir da vida e ensino de Jesus que a humildade foi exaltada como a principal virtude”. Com sua vida e ensinos Jesus reescreveu as normas de conduta para o mundo inteiro no que diz respeito ao caráter, moralidade, respeito pelos outros, vida altruística e integridade. Ele exaltou a dignidade da mulher, enalteceu a maternidade, estabeleceu a necessidade de amar e proteger as crianças, sem depreciar a posição do homem. O modelo de caráter e os ensinamentos de Jesus enriquecem todos os seres humanos.

Por isso, quando uma pessoa assim dedica boa parte do seu curto ministério anunciando que certamente ressurgiria após a morte, sua palavra merece crédito. Talvez apenas isto não fosse suficiente, mas quando somado a outras linhas de raciocínio expostas neste capítulo, ele é mais um argumento em favor do fato de que sustenta que “é necessário que o Cristo sofra e ressuscite dentre os mortos no terceiro dia”.

Na verdade, toda a história da ressurreição, tal como se apresenta nos evangelhos, combina bem com o caráter de Deus e de Cristo. Não é conflitante com os milagres de Jesus e realmente proporcionaria um excelente clímax a seu nascimento miraculoso, vida, ministério e morte. Se um homem manifesta um caráter impecável, como fez Jesus, depois realiza milagres em benefício das pessoas, transmite ensinamentos insuperáveis, e por fim morre sacrificialmente pelos pecados como “o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”— por que devemos ficar surpresos com sua ressurreição no terceiro dia? Principalmente quando isto é exatamente o que Ele disse que tinha vindo fazer? Além disso, lembremo-nos de que o maior livro sagrado do mundo predisse que Ele faria a mesma coisa, e o fez de forma tão clara que, se Ele não fosse aquele que deveria cumprir as profecias, teríamos de procurar alguém idêntico a Ele. Não há dúvida de que a ressurreição é o clímax de toda a sua vida.

 

  1. A ressurreição de Jesus mudou o dia de adoração

Os primeiros seguidores de Jesus eram judeus. Todos sabiam que os judeus adoravam aos sábados — “o Sabbath”, porque assim estava ordenado no decálogo. O Sabbath era um constante lembrete de que em seis dias Deus criou os céus, a terra, o homem, e todos os seres viventes — e então “descansou no sétimo dia”. Deus até prometeu abençoar seu povo por não fazer qualquer trabalho no Sabbath, e dar-lhe prosperidade se o guardasse como um dia de descanso e adoração. Na época em que Jesus veio a este mundo, o Sabbath era o costume mais defendido em Israel. Era um sinal de que a nação adorava Jeová Deus. De fato, a causa de muitas divergências dos judeus com Jesus era o hábito do Senhor de fazer boas obras (como curar o enfermo e o aleijado) no dia de Sabbath.

Portanto, a pergunta que se levanta é: por que a igreja primitiva — uma instituição exclusivamente judaica no seu início — mudou o dia de adoração para “o primeiro dia da semana”, ou domingo? Há somente uma resposta: os primeiros cristãos acreditavam que Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana. Passados quase dois mil anos, a adoração cristã é um testemunho concreto de que a igreja sempre acreditou que Jesus ressuscitou triunfalmente sobre a morte no primeiro dia da semana.

Acho interessante que, embora Jesus não tivesse dado qualquer instrução aos primeiros cristãos quanto à mudança do dia de adoração, eles o adotaram assim mesmo. Eles pareciam seguir o próprio exemplo de Jesus. Ele não somente ressuscitou no primeiro dia, mas apareceu aos seus discípulos nesse dia, como também no Sabbath seguinte, quando Tome também estava presente. O apóstolo João chama-o “Dia do Senhor” (Ap 1.10) e na ocasião em que Paulo fez sua primeira viagem missionária, era costume dos cristãos se reunirem no primeiro dia da semana para adoração e estudo bíblico. Por essa razão Paulo achou fácil ir às sinagogas no Sabbath para pregar aos judeus e depois encontrar-se com os cristãos no Dia do Senhor. Já em seus dias este costume estava arraigado!

Os céticos podem não gostar da idéia de que os primeiros cristãos mudaram o dia de adoração do sábado para o domingo a fim de comemorar a ressurreição de nosso Senhor no “primeiro dia da semana”, mas esta é a única explicação para esse comportamento. Nenhuma outra alternativa é viável!

 

  1. A conversão instantânea do apóstolo João

O apóstolo João parece ter sido alguém muito especial. Ele fazia parte do círculo íntimo de Jesus, juntamente com seu irmão Tiago e com Pedro. Os três viram a transfiguração de Jesus e foram convidados a acompanhá-lo para orar no Getsêmani. Entre os doze discípulos, eles eram os que estavam mais perto de Jesus. João sobreviveu a todos os outros apóstolos e era provavelmente bastante jovem quando foi chamado a seguir Jesus (alguns admitem que ele tinha apenas dezessete anos). Sabemos que ele foi extremamente fiel a Cristo durante toda sua vida e que escreveu cinco livros do Novo Testamento: o evangelho que leva seu nome; três pequenas cartas nas páginas finais do Novo Testamento; e a incrível profecia do Apocalipse. A conversão instantânea de João pode ter feito dele o primeiro a crer verdadeiramente na ressurreição, a menos que a honra caiba às duas Marias ou uma delas. Ele mesmo narrou o acontecido, logo depois de Maria Madalena ter estado no túmulo vazio e encontrado a pedra removida:

Então correu e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo a quem Jesus amava, e disse-lhes: “Tiraram do sepulcro o Senhor e não sabemos onde o puseram.” Saiu, pois, Pedro e o outro discípulo, e foram ao sepulcro. Ambos corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro; e, abaixando-se, viu os lençóis de Unho; todavia não entrou. Então Simão Pedro, seguindo-o, chegou e entrou no sepulcro. Ele também viu os lençóis, e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado em um lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu e creu. (Jo 20.2-8)

 

O jovem João adiantou-se a Pedro, mas parou à entrada do sepulcro. Pedro, o discípulo afoito, chegou depois mas entrou primeiro no sepulcro. Em seguida João também entrou para ver com seus próprios olhos e imediatamente se convenceu diante do que viu. A perfeita ordem daquele túmulo vazio enviou uma mensagem para sua mente analítica de que alguma coisa sobrenatural tinha acabado de acontecer. Os panos que envolviam Jesus estavam ali e em perfeita ordem, como se estivessem envolvendo uma múmia — porém não havia nenhum corpo dentro! Todas as coisas estavam ainda intactas. Jesus não estava mais lá, mas deixou no túmulo os panos que envolviam seu corpo. João percebeu instantaneamente que a única coisa que podia causar tal milagre era a transformação do corpo morto de Jesus em um corpo novo, ressurreto, não mais sujeito ao tempo e espaço. Se o corpo de Jesus foi roubado como alguns dizem, por que os panos que envolviam seu corpo ainda estavam lá? Se isso tivesse acontecido, João, a testemunha ocular, não teria visto nada de excepcional. Mas ele não viu simplesmente uma fria laje de pedra, mas sim uma mortalha intacta, perfeita. Ele viu até o lenço da face dobrado e estendido no lugar em que repousava a cabeça do Senhor. Em perfeita ordem! Não admira que João “viu e creu”. Se nós tivéssemos estado lá, também teríamos crido!

 

  1. A transformação das testemunhas oculares

Os céticos querem nos fazer acreditar que tanto os discípulos como aqueles que viram o Cristo ressurreto eram tipos altamente sugestionáveis que podiam ser enganados por alucinação coletiva. Os fatos indicam exatamente o contrário. Marcos, o primeiro escritor dos evangelhos, conta uma história bem diferente:

Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios. E, partindo ela, foi anunciá-lo àqueles que, tendo sido companheiros de Jesus, se achavam tristes e choravam. Estes, ouvindo que ele vivia e que fora visto por ela, não acreditaram. Depois disto, manifestou-se em outra forma a dois deles que estavam de caminho para o campo. E, indo, eles o anunciaram aos demais, mas também a estes dois eles não deram crédito. Finalmente apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado. (Mc 16.9-14)

 

Os seguidores de Jesus no início demoraram a crer. Quando Maria disse aos discípulos que o Senhor “fora visto por ela… não acreditaram”. Os dois homens a quem Lucas diz que Jesus apareceu no caminho para Emaús já tinham ouvido relatos da ressurreição, mas estavam deixando Jerusalém porque não acreditaram neles. Jesus finalmente os censurou por sua descrença e mostrou-lhes nas Escrituras como todas aquelas coisas deveriam acontecer. Eles por sua vez foram aos discípulos e contaram toda sua experiência, e, no entanto, diz Marcos que “também a estes dois eles não deram crédito” (Marcos 16.13).

Depois disso, “apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado”. Isto não sugere que eles eram homens ingênuos e impressionáveis, ansiosos para crer! Lucas narra como Jesus lhes disse: “Por que estais perturbados? e por que sobem dúvidas aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.” Você com certeza acharia essa prova mais do que suficiente — mas não, Ele teve ainda de mostrar-lhes suas mãos e seus pés. E para reforçar ainda mais a prova, Jesus perguntou-lhes: “Tendes aqui alguma coisa que comer?” E quando lhe deram algum alimento, Ele comeu em sua presença (Lucas 24.38-42).

Evidentemente, esses homens não eram facilmente persuadidos e nem tão ávidos em acreditar, como sugerem os céticos. A notícia de sua ressurreição era boa demais para ser verdadeira. Eles viam Jesus crucificado e achavam que estava tudo acabado. Eram realmente “tardos de coração para crer”, mas finalmente chegaram à compreensão (depois de vê-lo várias vezes após a ressurreição) de que era tudo verdade. Essa verdade foi o motivo da transformação desses homens em testemunhas zelosas e corajosas da ressurreição.

Convém repetir que, por mais poderosos que sejam os argumentos do túmulo vazio e da pedra removida, estes fatos não transformaram nem motivaram ninguém! Se os discípulos não tivessem realmente se encontrado com o Cristo vivo, não haveria nenhum cristianismo.

Aqueles encontros não somente convenceram os seguidores de Jesus, mas transformaram-nos em testemunhas oculares dinâmicas de sua ressurreição. O livro de Atos deixa claro que a ressurreição tornou-se a pedra angular da fé cristã. Ela foi pregada onde quer que o evangelho fosse anunciado e produziu a mais poderosa força motivadora na história do mundo. Em menos de trezentos anos, o testemunho dos discípulos, os seguidores de Jesus, e a igreja primitiva “viraram o mundo de ponta-cabeça”. O pequeno grupo inicial de doze pessoas cresceu para cento e vinte na ascensão de Jesus, e para três mil e, em seguida, cinco mil “homens” no dia do Pentecoste (podemos admitir um número semelhante de mulheres e crianças). Por volta de 312 d.C, o imperador Constantino declarou o cristianismo a religião oficial do estado em todo o império romano. Se sua decisão foi por razões políticas ou religiosas, isso não faz diferença. O fato importante é que em três curtos séculos o cristianismo tornou-se tão forte que transformou o cenário político e religioso. Isso não teria acontecido se aqueles primeiros cristãos não tivessem sido fortalecidos por uma crença inabalável na ressurreição de Cristo.

A história confirma que os primeiros cristãos foram açoitados, presos, crucificados, mutilados, afogados, atirados aos leões, mortos pela fome, fervidos em óleo, enforcados e queimados. Provavelmente nenhum outro grupo na história tenha sido mais maltratado e humilhado pelos descrentes do que os cristãos, nem mesmo os judeus. A aceitação voluntária do martírio por esses cristãos só pode ser explicada por sua sólida crença no Cristo ressurreto.

 

  1. A conversão do apóstolo Paulo

No capítulo oito consideramos o testemunho do apóstolo Paulo em relação à divindade de Cristo. Seu testemunho sobre a ressurreição de Cristo é tão forte que faríamos bem em abordá-lo novamente.

Recordemos que, antes de sua conversão, Paulo foi durante anos extremamente cético em relação ao cristianismo. Seu ódio aos cristãos fez com que ele se dedicasse arduamente a combater o cristianismo

Porém algo extraordinário lhe aconteceu, mudando tudo aquilo instantaneamente. Ele próprio diz como ocorreu sua transformação ao encontrar-se com o Cristo vivo. Acompanhemos seu próprio testemunho:

Quanto à minha vida, desde a mocidade, como decorreu desde o princípio entre o meu povo e em Jerusalém, todos os judeus a conhecem; pois na verdade eu era conhecido deles desde o princípio, se assim o quiserem testemunhar, porque vivi fariseu…

Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno; e assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e, contra estes, dava o meu voto, quando os matavam. Muitas vezes os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia.

Com estes intuitos parti para Damasco, levando autorização dos principais sacerdotes e por eles comissionado. Ao meio-dia… indo eu caminho fora, vi uma luz no céu, mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos que iam comigo. E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: “Saulo, Saulo, porque me persegues?dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões. “Então eu perguntei: “Quem és tu, Senhor? “Ao que o Senhor respondeu: ‘Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrir os olhos e convertê-los das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.”

Pelo que… não fui desobediente à visão celestial, mas anunciei primeiramente aos de Damasco e em Jerusalém, por toda a região da Judéia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento. Por causa disto alguns judeus me prenderam, estando eu no templo, e tentaram matar-me. Mas, alcançando socorro de Deus, permaneço até o dia de hoje, dando testemunho, tanto a pequeno como a grande, nada dizendo senão o que os profetas e Moisés disseram haver de acontecer, isto é, que o Cristo devia padecer, e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios. (At 26.4-5,9-23)

 

Este homem cheio de ódio, que se dedicou a eliminar o cristianismo, foi de tal modo transformado por seu encontro com o Cristo vivo que se tornou um dos mais ardorosos evangelistas. Em lugar de perseguir a igreja, ele se converteu em um fundador de igrejas. Sua extraordinária transformação é algo que os céticos modernos não conseguem explicar. Se rejeitarmos a explicação que o próprio Paulo deu de sua conversão, a que podemos atribuir essa tão rápida transformação? Estava ele enlouquecido pela culpa? Os escritos de Paulo no Novo Testamento desmentem essa teoria. Entretanto, essa parece ser a única explicação possível. E o próprio Paulo comenta esta teoria tola ao defender-se perante Festo!

Dizendo ele [Paulo] estas coisas em sua defesa, Festo o interrompeu em alta voz: “Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar.”

Paulo, porém, respondeu: “Não estou louco, ó excelentíssimo Festo; pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso; porque tudo isto é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta; porquanto nada se passou aí, nalgum recanto. (At 26.24-26)

 

Não, Paulo não estava louco, nem por suas muitas letras nem por sua terrível culpa. Até o dia de seu martírio, ele foi uma das pessoas mais lúcidas que já andaram pela terra. E verdade que ele nunca esqueceu seus dias como perseguidor da igreja, mas nunca duvidou que tinha sido perdoado pelo fundador dessa igreja. Essa é a razão de ele ter voluntariamente dedicado sua vida para anunciar a ressurreição de Cristo.

Eles Morreriam por uma Mentira?

A história não deixa dúvida de que os discípulos de Jesus, nos primeiros trezentos anos depois da crucificação de seu Senhor, sofreram as mais brutais perseguições e mortes. Não obstante, dentre os “mais de quinhentos irmãos” que viram o Cristo ressurreto, não temos conhecimento de casos de deserção ou apostasia. Não temos qualquer relato de que alguém tenha mudado sua maneira de pensar. Com certeza isso não aconteceu com nenhum dos onze discípulos (não incluindo obviamente o traidor, Judas Iscariotes, que não chegou a viver para ver o Cristo ressurreto). A história nem sequer apresenta indícios de que um deles alguma vez vacilou; e nenhum negou a ressurreição de Jesus.

Entretanto, com exceção de João, todos os discípulos morreram como mártires. A tradição diz que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, pois considerava-se “indigno” de ser crucificado da mesma forma que seu Senhor. Paulo, o apóstolo “nascido fora de tempo” (1 Coríntios 15.8), depois de várias e longas prisões, morreu em Roma como mártir. Tome, que tinha sido um “cético” até ver o Cristo ressurreto, levou a obra da grande comissão aos confins da índia, onde exerceu o ministério por muitos anos, sendo finalmente martirizado.

(Minha esposa e eu visitamos o túmulo de São Tome, na índia, onde a tradição diz que seu corpo está enterrado. Evidências concretas das atividades de Tome foram encontradas no estado indiano de Kerala, onde ministramos em muitas igrejas cristãs ou assembléias de “irmãos”. A igreja tradicional dali é conhecida como “a igreja Mar Tomé”, recebendo este nome em honra do discípulo Tome, que acreditam foi o primeiro a levar-lhes o evangelho. Kerala é o único estado cristão de toda a índia; o restante da nação é totalmente hindu. A história diz que quando os missionários portugueses viajaram à índia no século quinze, eles aportaram em Kerala, mas encontraram o cristianismo tão forte ali que se dirigiram a outros lugares. Isto tudo indica que, embora Tome tenha iniciado sua vida de fé com alguma dúvida, terminou-a extremamente bem.)

De acordo com os melhores registros, todos os discípulos, exceto o apóstolo João, morreram por causa de sua fé. Não há o menor indício de que alguém deles tenha negado sua fé. João, que sobreviveu a todos os outros discípulos da época de Jesus, pastoreou a grande igreja de Éfeso durante anos. A tradição diz que ele foi torturado em óleo fervente, mas sobreviveu e, quando estava com aproximadamente oitenta e cinco anos, foi banido para a ilha de Patmos. Foi ali que, por volta de 96 d.C, ele escreveu o último livro do Novo Testamento, o Apocalipse [a Revelação de Jesus Cristo], onde confirma sua crença na ressurreição de Jesus e em sua promessa de voltar para cumprir as profecias do Velho e do Novo Testamento sobre o seu reino futuro.

A questão é: estariam esses discípulos dispostos a sofrer e morrer por uma mentira? Se de fato eles roubaram e destruíram o corpo de Jesus e, a partir daí, contaram a todas as pessoas uma mentira bem elaborada — com tanta habilidade e talento que jamais foram descobertos — e seriam capazes de morrer por causa de uma mentira que eles mesmos inventaram? Talvez até poderíamos imaginar que um ou dois deles fizessem isso — mas todos os onze? Quem consegue acreditar nisso?

Alguém poderia ainda dizer que não foram os discípulos que roubaram o corpo, mas, sim que eles acreditaram em uma mentira. Eles foram simplesmente enganados sobre a ressurreição de Jesus. Acreditavam que Ele ressuscitou, mas foram enganados. Tal teoria seria tão impossível quanto a anterior.

Quando a ponta de uma espada é encostada em seu pescoço e você é intimado a negar a ressurreição de Cristo ou morrer — que tipo de evidência levaria você a escolher a morte? Você poderia escapar da morte com algumas simples palavras, como: “Bem, eu realmente nunca o vi vivo. Você deve estar certo — Ele não ressuscitou”. De novo podemos achar que um ou mesmo três discípulos enganados possam dispor-se a morrer por uma crença enganosa na ressurreição de Jesus — mas todos os onze? Não é razoável supor que pelo menos um deles capitulasse e renegasse a fé quando ameaçado de morte? No entanto, nenhum deles fez isso. A única explicação possível é que, quando confrontados com a morte, os discípulos se agarravam firmemente às suas profundas convicções a respeito da ressurreição de Jesus. Se não fosse isso, o que poderia evitar que pelo menos um ou dois renunciassem à fé? No entanto, nenhum deles jamais fraquejou. Por que não? Porque eles não somente acreditavam que Jesus tinha ressuscitado, mas sabiam que isso tinha realmente acontecido. Eles falaram com ele. Eles o viram. Eles olharam enquanto Ele comia. Eles o tocaram. Eles sabiam.

Essa é a razão pela qual nenhum deles jamais negou sua fé, mesmo diante do sofrimento e da morte. Não há nenhuma razão para temer a morte quando você sabe que seu Salvador a derrotou!

Meu Desafio a um Cético

Tempos atrás um cético, descrente da ressurreição, defendeu o argumento que acabei de expor. Após admitir, por hipótese, que dois ou três discípulos pudessem deliberadamente espalhar tal mentira de forma convincente, perguntei-lhe: “Mas eles morreriam por ela?”

“Possivelmente”, disse ele, “se fossem de fato homens corajosos.”

“Mas doze deles (incluindo Paulo) morreriam por uma mentira que eles mesmos espalharam, sabendo que ela é contrária à verdade? Porque a história mostra que todos se tornaram mártires, com exceção de João.”

Seu rosto se iluminou, como se ele tivesse descoberto algo que seria fatal para o meu argumento. “Posso explicar isto: Esprit de corps [lealdade jurada ou pactuada]. Eles se reuniram em grupo, receberam força uns dos outros e morreram juntos!” Ele estava orgulhoso de seu argumento!

“O problema dessa teoria”, repliquei, “é que nunca dois discípulos morreram juntos!” Cada um deles selou seu testemunho de que tinha visto o Cristo ressurreto com seu próprio sangue — cada um por si. Nunca dois discípulos morreram juntos! Alguns pereceram em Israel, outros na Síria, alguns em Roma, outros na Itália e na índia. Alguns acham que Pedro morreu na Babilônia, onde, já no fim de sua vida, escreveu suas epístolas.

Meu amigo imediatamente percebeu o erro de sua teoria e finalmente entregou sua própria vida ao Cristo vivo, ressurreto.

Amigo, podemos acreditar naquelas primeiras testemunhas oculares que declararam ter visto o corpo glorificado de Jesus três dias depois de sua crucificação, porque elas não somente mantiveram sua fé viva através de seus testemunhos e suas boas obras, mas selaram-na com seu próprio sangue. Nenhuma outra religião no mundo conseguiu acumular tantas evidências sobre a verdade de suas crenças essenciais.

Jesus realmente ressuscitou. Não há nenhuma outra explicação plausível para o que aconteceu há dois mil anos.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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