A Ressurreição de Jesus – Quem é Jesus

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A Ressurreição de Jesus – Quem é Jesus

Um famoso pastor estava caminhando pelas ruas de Los Angeles na semana da Páscoa quando viu um menino olhando uma vitrine. O garoto estava tomado de horror e compaixão diante de um quadro clássico da crucificação de Cristo. Calculando que ele tivesse uns doze anos de idade, o pastor apontou para o quadro e perguntou: “Quem É ele?” “Esse foi Jesus Cristo”, respondeu o menino. “Os líderes religiosos do seu tempo o crucificaram — mas Ele não tinha feito qualquer coisa errada. Ele morreu pelos pecados de todo o mundo.” Em seguida ele narrou emocionado alguns detalhes da vida e morte de Cristo. Depois que ele terminou de falar, ambos caminharam em direções opostas.

Antes que o pastor andasse duas quadras, ele ouviu o menino chamar por ele e correr em sua direção: “Ei, senhor, eu me esqueci de dizer o resto da história. Três dias depois Ele ressuscitou dentre os mortos!”

Na verdade, a ressurreição corpórea de Jesus, a doutrina fundamental da igreja, não é apenas “o resto da história”, mas a melhor parte da história! A execução de Cristo em si mesma pode ser considerada uma trágica conduta ilegal da justiça. Entretanto, quando incluímos a ressurreição, a mensagem da cruz é transformada em gloriosa vitória. Sem ela, o cristianismo seria nada mais do que uma religião fictícia sem mensagem e sem esperança, impotente para salvar uma alma perdida (e muito menos oferecer salvação a todo o mundo).

O próprio Napoleão Bonaparte compreendeu seu significado. A bordo de um navio em direção ao Norte da África em campanha militar, ele entabulou uma conversa com um de seus generais enquanto olhavam os pálidos reflexos da lua nas águas do mar. “General, o que o senhor vai fazer quando esta guerra terminar e voltarmos para casa?” O general respondeu: “Excelência, acho que vou fundar uma nova religião.” Ao que Napoleão respondeu: “Isso deve ser fácil — tudo o que o senhor tem a fazer é morrer em uma cruz e ressuscitar no terceiro dia!”

Napoleão estava certo. Não basta ter um nascimento virginal, cumprir mais de cem profecias do Velho Testamento, viver uma vida sem pecado, e morrer de morte sacrificial e dolorosa, mesmo sendo totalmente inocente. Para fundar uma religião diferente de todas as outras religiões, você deve ressurgir dentre os mortos; isto é o que garante a autenticidade de todo o resto.

De Simples Mártir a Salvador Divino

A vida e a história de Jesus são incompletas sem a cruz, pois é esta que o transforma de perfeito mártir em Salvador do mundo. A ressurreição de Jesus é que dá poder à cruz e prova a confiabilidade do cristianismo. E ela também que garante às pessoas o perdão dos pecados, desfrutar a paz com Deus e ter a certeza da vida eterna. Sem isto, o cristianismo é uma fraude, uma farsa ou, na melhor das hipóteses, uma desilusão.

Este fato não escapou ao apóstolo Paulo, que colocou a ressurreição como base para toda a sua doutrina. Ele escreveu:

Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, então Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a nossa fé; e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou  a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. (1 Co 15.12-19)

 

Em seguida ele acrescenta as palavras mais importantes: “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos” (versículo 20).

Esta é toda a verdade! O cristianismo depende inteiramente da ressurreição, porque ela confirma todo o restante do grande plano da salvação. Se a ressurreição pode ser provada, conseqüentemente os evangelhos que contam a vida de Jesus são exatos. Podemos então confiar na Bíblia e no “poder da cruz” enfrentando a morte e a eternidade com confiança. Mas, se a ressurreição é uma fraude, então não há esperança! A humanidade continua perdida.

O Dr. Wilbur Smith resume a importância da ressurreição para o cristianismo, mostrando como ele depende totalmente deste único acontecimento:

Seja qual for a convicção que se tenha a respeito da ressurreição de nosso Senhor, todos admitem que se tal acontecimento for eliminado dos textos do Novo Testamento, todo o registro se torna extremamente confuso.

Isto seria não somente negar certas palavras de nosso Senhor em seus ensinamentos, mas também repudiar muitas acusações feitas contra Ele por seus inimigos; seria fazer do final da vida de nosso Senhor uma simples tragédia. Seria deixar inexplicável e sem razão a formação de nossa igreja cristã. Seria deixar-nos sem registros confiáveis das mensagens apostólicas do primeiro século. Seria fazer da conversão e convicção do apóstolo Paulo o maior enigma da humanidade.

Sem a ressurreição, não temos idéia de como terminou a vida de Jesus na terra; não sabemos por que os apóstolos começaram a pregar; não entendemos como o apóstolo Paulo foi convencido desse fato; não sabemos por que aguarda do sábado foi transferida para o domingo; não sabemos como a igreja cristã se formou.

Se admitirmos a ressurreição, os temas admiráveis do Novo Testamento se tornam razoáveis, e as narrativas, lógicas. Sem a ressurreição não temos nada além de argumentos e de uma ética sem fundamento. E permaneceremos os mais miseráveis de todos os homens. Qualquer que seja a nossa opinião sobre esse fato, devemos ao menos admitir que ele é parte intrínseca do Novo Testamento, à espera de nossa cuidadosa investigação.

 

Os Céticos Compreendem a Importância da ressurreição

No começo deste século, um dos mais destacados racionalistas do mundo escreveu um livro sobre Jesus, incluído na famosa série História da Civilização, publicada em inglês em 1935. O Dr. Charles Guignebert foi professor de História do cristianismo na Sorbonne (considerada pelo Dr. Wilbur Smith “a escola mais importante de toda a França”), e também membro da “Associação da Imprensa Racionalista da Grã-Bretanha”, que incluía John Dewey, Julian Huxley, Bertrand Russell e H. G. Wells. Ninguém ali era defensor do cristianismo!

Guignebert rejeitava totalmente a idéia da ressurreição de Cristo, e também todos os milagres do Novo Testamento. Mas no final de seu livro ele sentiu-se forçado a fazer a seguinte confissão:

Não haveria cristianismo se a crença na ressurreição não tivesse sido estabelecida e sistematizada… toda a soteriologia (doutrina da salvação) assim como as doutrinas essenciais do cristianismo repousam sobre a crença na ressurreição. Na primeira página de qualquer comentário sobre esse dogma cristão poderia ser usado como lema a declaração de Paulo: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé…” (1 Co 15.14). Do ponto de vista estritamente histórico, a importância da crença na ressurreição não é provavelmente menor… Através dessa crença, a fé em Jesus e em sua missão tornou-se o elemento fundamental de uma nova religião que, depois de separar-se do judaísmo, tornou-se seu ferrenho opositor e partiu para conquistar o mundo.

 

David Strauss foi outro cético feroz que admitiu ser a ressurreição a “pedra de toque não somente da vida de Jesus, mas do próprio cristianismo, sendo decisiva para a compreensão total do cristianismo”.

Qualquer pessoa que conheça um pouco do cristianismo sabe que ele depende da aceitação da ressurreição como um fato verdadeiro. Se os céticos, racionalistas e ateus pudessem destruir a crença na ressurreição, poderiam destruir o cristianismo. Eis por que tantos “estudiosos” racionalistas se dispuseram a atacá-la. Entretanto, seus ataques geralmente provam ser uma bênção para aqueles que buscam a verdade, pois forçam os pensadores cristãos a responder aos seus argumentos e obter provas de que Jesus certamente ressuscitou dentre os mortos.

Um dos maiores dilemas dos céticos é a necessidade de explicar o cristianismo negando a divindade e a ressurreição de Jesus. Simplesmente não há como apresentar o argumento de que um simples carpinteiro judeu surgiu em cena há dois mil anos e acendeu a chama espiritual que transformou as vidas de bilhões de pessoas, sem o toque sobrenatural tanto de sua vida como de sua ressurreição. Até aqui, suas tentativas são tão patéticas que é mais difícil aceitar suas sugestões do que a história real.

Um estudioso da Bíblia que escreveu um livro em resposta às conclusões do Seminário Jesus viu-se diante deste dilema:

Mesmo o crítico mais cético deve demonstrar que algum misterioso X promove a ação. Mas que X é este? A pessoa, a vida, a morte e a ressurreição do corpo fazem com que X não somente faça o cristianismo avançar, mas o mantém vivo por dois mil anos. A ressurreição de Jesus é, portanto, a explicação mais plausível para a origem do cristianismo.

 

Eu acrescentaria ainda que é a única explicação — e digna de toda confiança.

A Evidência É Esmagadora

A evidenciada ressurreição de Cristo tem um poder esmagador. Não temos de “apenas crer”. Podemos olhar para esta importante doutrina através dos olhos da Escritura, da razão e da lógica, e ainda assim concluir que Jesus de Nazaré, uma conhecida figura da história, não somente morreu na cruz, mas também ressuscitou, provando ser Ele indubitavelmente o Messias e Salvador do mundo.

Esta evidência é tão forte que estou convencido de que, a menos que você simplesmente “não queira crer” (seguindo o exemplo de alguns dos judeus da época de Jesus) ou tenha preconceito contra Ele (como os racionalistas, céticos e ateus), você aceitará o fato de que Jesus Cristo realmente ressuscitou. Depois de muitos anos de pesquisa, fiquei convencido de que a evidência é tão conclusiva que somente um preconceito arraigado, um espírito rebelde ou falta de conhecimento da verdade impedem que homens e mulheres creiam.

Aqueles que querem destruir nossa fé na ressurreição estão diante de problemas insuperáveis. Primeiro, não podem contradizer a esmagadora evidência em favor da ressurreição. Segundo, não podem explicar a existência do cristianismo ou a permanência da mensagem de Cristo até hoje sem ela.

A ironia é que muitas dessas “objeções clássicas” (que vamos examinar nos dois capítulos seguintes) são facilmente contestadas, enquanto que as alternativas que oferecem são comparativamente ridículas. Os céticos ainda precisam provar suas teorias, pois nenhuma até agora conseguiu explicar a força e o poder do cristianismo, que continua avançando quase dois mil anos depois de sua fundação.

O Corpo Ressurreto de Cristo, Realmente de Carne e Osso

É preciso esclarecer que quando falamos sobre o Cristo ressurreto, temos em mente um corpo real. Alguns céticos, incapazes de contradizer a ressurreição, alegam que se tratou apenas de uma “ressurreição espiritual”. Ou, como um pastor bastante liberal me disse (tirando a idéia dos céticos racionalistas): “É claro que creio na ressurreição de Cristo! Eu creio que Ele ressurgiu em espírito.” Isto não é apenas falso, é uma blasfêmia!

Jesus ressuscitou fisicamente, como prometera. Uma ressurreição espiritual não teria deixado ninguém impressionado. Um espírito não pode andar, falar e comer como Jesus fez com os dois discípulos na estrada de Emaús. Nem dizer ao incrédulo Tome: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente” (João 20.27). Não sabemos se Tome tocou o corpo de Cristo, mas você pode estar seguro de que um Jesus “em espírito” não o teria inspirado a crer instantaneamente; mas um Cristo fisicamente ressurreto teria. E certamente foi este encontro com o Cristo de carne e osso que inspirou Tomé a ir diretamente à Índia para pregar o evangelho de seu Senhor ressurreto e mais tarde se transformar em um mártir. Nenhum Cristo em espírito teria inspirado tal motivação ou sacrifício.

Foi um Cristo fisicamente ressurreto que preparou o peixe para os discípulos, comendo com eles. Somente um Cristo fisicamente ressurreto podia dizer aos seus desconfiados discípulos: “Por que estais perturbados? e por que sobem dúvidas aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo: apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lucas 24.38-39). Como o Dr. Smith sabiamente escreveu:

Não é possível existir uma “ressurreição em espírito “ Ressurreição significa ser levantado novamente. O espírito nunca tem de ser levantado outra vez da sepultura, porque ele nunca entra na sepultura; um espírito não conhece a ressurreição dentre os mortos, porque um espírito nunca morre! O Novo Testamento insiste continuamente que um CORPO foi colocado no sepulcro, portanto foi um corpo que saiu do sepulcro… é um absoluto contra-senso crer em uma ressurreição ESPIRITUAL de Cristo. Não existe tal coisa. Se fosse um espírito que tivesse ressuscitado, não haveria qualquer sentido em insistir no terceiro dia. Um espírito pode manifestar-se a qualquer momento após a morte.

 

Que Espécie de Corpo Era o Dele?

O corpo ressurreto de Cristo era, certamente, diferente do que Ele possuía antes de morrer. O anterior era um corpo humano comum, de sorte que Ele “provasse a morte por todo homem”  (Hebreus 2.9). O corpo após a ressurreição era obviamente diverso, pois apresentava características distintas; mas era ainda um corpo físico. Antes da crucificação não temos nenhuma referência sobre sua capacidade de atravessar portas fechadas ou paredes para ir de um lugar a outro. Depois da ressurreição, contudo, Ele podia fazer essas coisas. Embora seu corpo ressurreto fosse capaz de “manejar” e “tocar”, era sobrenatural o bastante para não se sujeitar às limitações de tempo ou espaço. Era semelhante ao corpo que todos os cristãos terão na ressurreição, como o apóstolo Paulo escreveu:

Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? e em que corpo vêm? Insensatos! o que semeias não nasce, se primeiro não morrer; e quando semeias, não semeias o corpo que há de ser, mas o simples grão, como de trigo, ou de qualquer outra semente. Mas Deus lhe dá corpo como lhe aprouve dar, e a cada uma das sementes o seu corpo apropriado.

Nem toda carne é a mesma; porém uma é a carne dos homens, outra a dos animais, outra a das aves e outra a dos peixes. Também há corpos celestiais e corpos terrestres; e, sem dúvida, uma é a glória dos celestiais e outra a dos terrestres… Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção…

Isto afirmo, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdara incorrupção. Eis que vos digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, em um momento, em um abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita “Tragada foi a morte pela vitória.” (1 Co 15.35-40,42,50-54)

 

O corpo do Cristo crucificado foi sepultado no túmulo novo de José de Arimatéia, cumprindo a profecia do Velho Testamento. Ele ressuscitou no terceiro dia em um “corpo incorruptível” que era sobrenaturalmente físico. É por isso que os discípulos podiam falar, caminhar e comer com Ele. E foi por aquele Cristo ressurreto que todos eles deram suas vidas.

O Último Sinal de Sua Divindade

No transcurso de sua vida na terra Jesus foi importunado por indivíduos que diziam: “Mestre, queremos ver um dos teus sinais.” Jesus tinha realizado muitos sinais e milagres, mas, no decorrer desses três anos, eles ficaram condicionados pelos seus milagres; esperavam por eles e se baseavam neles para crer em seu poder divino. Não admira que Ele os tenha acusado de “geração adúltera e perversa” por pedirem um “sinal” incontestável para que se apagassem de uma vez por todas as dúvidas sobre sua verdadeira identidade.

Depois de repreender o ceticismo dessas pessoas, Ele lhes respondeu: “Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas. Porque, assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra” (Mateus 12.39-40). Jesus escolheu aqui um dos milagres mais incríveis do Velho Testamento, bem conhecido dos seus ouvintes. Todos conheciam a história de Jonas, o profeta rebelde que foi engolido por um grande monstro marinho e vomitado à beira-mar depois de três dias. O fato de um peixe gigantesco engolir um homem não era propriamente um milagre; isto tem acontecido várias vezes ao longo da história. O milagre está no fato de o profeta ter sobrevivido no interior do monstro. De certo modo, Jonas foi ressuscitado para cumprir a missão que Deus tinha dado a ele. Jesus usou uma verdade conhecida (a experiência de Jonas) para ilustrar um acontecimento futuro (que Ele seria sepultado e ressurgiria no terceiro dia), de maneira que quando isso acontecesse, eles se lembrassem de suas palavras.

A ressurreição não é apenas o maior de todos os sinais da divindade de Jesus; é o último sinal de sua vida na terra, suficiente para convencer-nos de que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus. Se Jesus não tivesse ressuscitado corporalmente, esta seria uma profecia falsa. Somente a ressurreição de Jesus, mencionada em todos os evangelhos, pode resolver este dilema. O apóstolo Paulo reconheceu a importância da ressurreição corpórea de Jesus ao escrever:

Com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi, e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor. (Rm 1.3,4)

 

Esse acontecimento foi tão poderoso que constitui o próprio fundamento do evangelho e a essência da fé salvadora.

Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. (1 Co 15.3-4)

 

A morte, sepultamento e ressurreição de Cristo são essenciais ao evangelho. Através da crença e da confissão desses fatos é que obtemos a salvação: “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Romanos 10.9-10).

Podemos dizer que o mínimo necessário para tornar-se um verdadeiro cristão é crer na “morte de Cristo pelos nossos pecados, no sepultamento de seu corpo em um sepulcro, e em sua ressurreição corpórea. O apóstolo Paulo também considerou essa crença fundamental para sermos incluídos na segunda vinda de Cristo, quando Ele vier para sua igreja — ‘Pois se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará juntamente em sua companhia os que dormem [os que morrerem em Cristo]’” (1 Tessalonicenses 4.14). A salvação não exige que a pessoa obedeça ou creia nas tradições da igreja, ou mesmo nos milagres de Jesus (importantes como são). Mas é preciso, sim, que creiamos na ressurreição. Podemos afirmar com toda certeza que nenhuma pessoa que se recusa a crer na ressurreição de Cristo pode ser salva.

A Importância da ressurreição

É praticamente impossível exagerar a importância da ressurreição de Jesus Cristo. Vamos examinar a seguir algumas das razões para isso.

 

  1. Ela cumpre as profecias sobre Jesus

O Velho Testamento ensina que, se um profeta anunciasse uma profecia que não se realizasse, ele seria considerado um falso profeta, devendo ser apedrejado até. (Veja Deuteronômio 18.20-22) (É uma tranqüilidade para os profetas de hoje que essa prática não mais se aplique.) Jesus mencionou tantas vezes durante seu ministério que iria ressuscitar, que seria um grande impostor se isso não acontecesse, como prometera, três dias após seu sepultamento. Observe cuidadosamente as seguintes previsões feitas por Jesus de que ressuscitaria:

  1. Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra. Mateus 12.40

 

  1. Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos gentios para ser escarneci do, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressurgirá Mateus 20.18-19

 

  1. É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e no terceiro dia ressuscite. Lucas 9.22

 

  1. Por isso o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai. João 10.17-18

 

  1. “Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: “Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás?”Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto; e creram na Escritura e na palavra de Jesus. João 2.19-22

 

  1. Então advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo. Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrara seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto, e ressuscitado no terceiro dia. Mateus 16.20-21

 

  1. Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia. Mateus 26.32

 

Estas sete profecias deixam claro que Jesus não ressuscitou no último minuto, para escapar de uma situação difícil; este era o seu plano desde o início. Na verdade, Ele fez desse acontecimento a prova número um de sua identidade divina. Não foi a crucificação que abriu os olhos dos discípulos, foi sua ressurreição.

Estas profecias feitas por Jesus sobre sua morte e ressurreição iminentes oferecem uma prova convincente de que Ele não era um falso profeta. Até o anjo reconheceu isto quando, no domingo da ressurreição, encontrou as mulheres que retornavam do sepulcro aonde tinham ido para embalsamar o corpo de Jesus: “Ele não está aqui: ressuscitou, como havia dito”

A ressurreição é um acontecimento amplamente comprovado na vida de Cristo, sendo essencial para explicar a existência do cristianismo hoje. Jesus não somente ressuscitou; Ele fez exatamente “como havia dito”.

 

  1. O Velho Testamento prenunciou que o Messias se levantaria dentre os mortos

Muitas profecias do Velho Testamento relativas ao sofrimento do Messias-Salvador também falam sobre o que aconteceria com Ele no futuro (p.ex., Isaías 53). Estes textos não mencionam expressamente a ressurreição, mas sem ela não seria possível o cumprimento das ocorrências futuras que predisseram. Um dos salmos de Davi trata deste importante acontecimento:

“Alegra-se, pois, o meu coração, e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro. Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (Salmo 16.9-10).

 

A quem se refere esta profecia? Em vista do seu passado adúltero, dificilmente Davi se referiria a si mesmo como “teu Santo”. Ele devia ter em mente por certo alguém muito superior a si mesmo.

Pedro esclareceu-nos sobre essa passagem quando citou-a em seu vigoroso sermão no dia de Pentecoste, inspirado pelo Espírito Santo. Ele disse claramente que Davi não estava falando de si mesmo, mas de Jesus, a quem “Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas” (Atos 2.32). Pedro disse aos seus ouvintes judeus que eles tinham crucificado o Messias, mas eles podiam ter esperança, pois Deus havia ressuscitado seu Filho dentre os mortos. Então, “Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: ‘Que faremos, irmãos?”‘ O apóstolo explicou que eles deveriam arrepender-se individualmente “e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2.38). Três mil almas aceitaram esta oferta de salvação e foram acrescentadas à igreja naquele dia.

A mensagem central de Pedro foi que Jesus, o Messias, tinha sido crucificado pelos pecados de todos eles, de acordo com os profetas do Velho Testamento, mas que “Deus o ressuscitou dentre os mortos”. Novamente somos confrontados com a importância da ressurreição, pois ela não somente cumpre a profecia do Velho Testamento, mas representa o próprio fundamento do evangelho e da igreja.

 

  1. A ressurreição de Jesus era a mensagem central do evangelho pregado pela igreja primitiva e continua sendo a doutrina fundamental da Bíblia para a igreja atual

Os membros da igreja primitiva acreditavam que seu principal objetivo era proclamar a ressurreição do Salvador. Atos 1 relata que, depois que o traidor Judas Iscariotes se enforcou, aqueles primeiros cristãos foram guiados pelo Espírito Santo para escolher alguém para substituí-lo. O escolhido deveria ser alguém que acompanhou o ministério de Jesus e testemunhou sua ressurreição. Observe que a Escritura nos diz quais são os requisitos para o substituto de Judas: “E necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até o dia em que dentre nós foi elevado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição” (Atos 1.21-22). Os candidatos deveriam ter um conhecimento pessoal da vida de Jesus, de seus ensinos, ministério e ressurreição. Pedro considerava que o testemunho da ressurreição era a mais importante tarefa da igreja primitiva.

O segundo sermão de Pedro depois do dia de Pentecoste é tão instrutivo como o primeiro. A caminho do templo para orar, Pedro e João curaram um aleijado em nome do Jesus Cristo ressurreto. Pedro, aproveitando a oportunidade de falar à grande multidão que acorreu para constatar o milagre, lembrou-lhes que Moisés tinha predito que Deus enviaria um profeta como ele, Moisés, e que Jesus tinha sido esse profeta — mas eles o crucificaram. Ele concluiu dizendo: “Tendo Deus ressuscitado ao seu Servo, enviou-o primeiramente a vós outros para vos abençoar, no sentido de que cada um se aparte das suas perversidades” (Atos 3.26). Novamente a ressurreição é o ponto central de sua mensagem.

Este fato não sensibilizou os líderes religiosos. Eles odiavam os discípulos por pregarem a ressurreição de Cristo. Atos 4 nos diz que o sumo sacerdote e outros líderes religiosos reuniram os discípulos e perguntaram: “Com que poder, ou em nome de quem fizestes isto?” Ao que Pedro respondeu: “Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos.” E em seguida o identificou como “a pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular… e não há salvação em nenhum outro” (Atos 4.7-12).

E assim ocorre em todo o livro de Atos. Quer se refira à primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé, ou à segunda viagem de Paulo e Silas, o tema é sempre o mesmo: a ressurreição de Jesus Cristo, o ponto central de toda pregação. Mais tarde, pregando no Areópago em Atenas, na Grécia — o centro da cultura secular na época —, Paulo também anunciou a ressurreição de Jesus.

É interessante que os atenienses, precursores dos raciona-listas do século dezessete, zombaram de Paulo quando ele mencionou a ressurreição. Não porque ela não fosse verdadeira, nem tampouco porque tinham constatado sua evidência. Eles rejeitaram a ressurreição por causa de seu preconceito em aceitar a existência de um Deus pessoal que realizasse milagres. E a ressurreição é certamente um milagre!

Uma coisa é certa: a ressurreição corpórea de Jesus era a mensagem central da igreja do primeiro século. Ela foi também o que deu alento aos corações dos crentes durante os dois primeiros séculos, mesmo depois da morte das testemunhas oculares. O resultado? O cristianismo tornou-se a religião predominante no império romano em 312 d.C. A crença na ressurreição permaneceu tanto no ramo oriental como no ocidental da igreja a partir de então. Ela foi a doutrina essencial dos reformadores protestantes e é a mensagem central das igrejas que hoje pregam a Bíblia.

Atualmente, a ocorrência de um fenômeno incomum ilustra o poder da ressurreição. Durante as cinco últimas décadas, apesar do avanço da filosofia humanista em nossas escolas e universidades, temos assistido a um crescimento inacreditável das igrejas, tanto em tamanho como em número. Há cinqüenta anos, uma igreja com mil membros era considerada enorme. Hoje muitas igrejas possuem três, dez e até mesmo vinte mil membros. E isto não se limita a uma única denominação. As super-igrejas existem entre batistas, presbiterianos, luteranos, metodistas, independentes, carismáticos, e outros. O que elas têm em comum? Uma crença intensa na ressurreição física de Jesus Cristo, exatamente como os nossos antepassados de dois mil anos atrás, começando pelas testemunhas oculares do Cristo ressurreto.

Céticos e descrentes são confrontados pelo grande número de testemunhas, favoráveis ou não, do fato histórico da ressurreição de Jesus, além de todas aquelas pessoas que morreram por acreditarem na mensagem dos evangelhos. Se a consistência do testemunho significa alguma coisa, toda a evidência favorece a crença na ressurreição.

 

  1. Todas as principais doutrinas da fé cristã dependem da ressurreição corpórea de Jesus

Se fosse possível remover da fé cristã a pedra fundamental da ressurreição, toda a igreja afundaria na areia movediça do esquecimento, pois as doutrinas cristãs básicas dependem da ressurreição. Não temos tempo nem espaço para examinar todas elas, mas usaremos a seguir seis importantes doutrinas como exemplo.

 

  1. A salvação pela fé depende da ressurreição

Em 1 Coríntios 15.3-4, o apóstolo Paulo baseou a mensagem do evangelho no fato da ressurreição. No versículo 14 ele diz que “se Cristo não ressuscitou, é vã [fútil] a nossa pregação”. No versículo 17 ele afirma: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé.. .e ainda permaneceis nos vossos pecados!1’ (ênfase do autor).

 

  1. A doutrina que diz que temos um advogado, um intercessor diante do Pai, dia e noite, depende da ressurreição

Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Com efeito nos convinha um sumo sacerdote, assim como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores, efeito mais alto do que os céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro por seus próprios pecados, depois pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu. (Hb 7.23-27)

Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro, (1 Jo 2.1-2)

 

Os cristãos não são perfeitos. Mesmo depois de salvos pela fé pecamos ocasionalmente. Em tais circunstâncias precisamos de um intercessor ou advogado que se coloque diante de Deus em nosso lugar. A razão de termos alguém operando em nosso favor é que Ele é o “Cristo vivo” — e isto só se tornou possível por meio da ressurreição.

 

  1. Nossa justificação perante Deus e o gozo da “paz com Deus” são dependentes da ressurreição

O apóstolo Paulo usou Abraão como exemplo de fé. Por causa da fé do patriarca, o Senhor lhe atribuiu a “justiça de Deus”, “e não somente por causa dele… mas também por nossa causa”. Esta justiça também será imputada [atribuída] “a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação. Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 4.24-5.1).

A necessidade de “justificação perante Deus” para prover-nos a “justiça de Deus”, que produz a “paz com Deus” que todo crente tanto deseja, baseia-se no fato de que Deus “ressuscitou dentre os mortos a Jesus Cristo nosso Senhor” (Romanos 4.24). Paulo deixou muito claro que estas preciosas doutrinas são dependentes da ressurreição corpórea de Jesus.

 

  1. A promessa da segunda vinda é predita com base na ressurreição.

Leia esses dois versículos sobre a segunda vinda:

Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas. (Fp 3.20-21)

 

Observe que é o Cristo vivo quem vai retornar para sua igreja. Um Cristo morto, cujo corpo repousasse em alguma sepultura escondida em Jerusalém ou perto dali, não salvaria ninguém. Ele seria impotente para voltar da glória e nos levar para estarmos com Ele “na casa de meu Pai”. Mas, e um Cristo ressurreto? Bem, isso é outra coisa! Considerando que Ele vive para sempre, Ele é mais do que capaz de retornar e levar-nos consigo.

 

  1. O julgamento final depende da ressurreição

Em seu grande sermão no Areópago, Paulo ligou intencionalmente o julgamento à ressurreição. Agora Deus “notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (Atos 17.30-31).

A ressurreição de Cristo garante o julgamento futuro para todos os homens. Creio que é este fato que leva muitos céticos a tentar destruir a crença na ressurreição. Eles geralmente parecem impelidos mais pelo medo do que pelas evidências. Francamente, não os censuro. A realidade de enfrentar o Cristo vivo no dia do julgamento — sabendo que você recusou-se a acreditar em sua ressurreição — deixaria em pânico qualquer pessoa normal.

 

E A “bendita esperança” da igreja de que Cristo nos ressuscitará e também a nossos entes queridos depende da ressurreição física dele

Se Cristo não ressuscitou, não somente nossa fé é em vão, mas “os que dormiram em Cristo pereceram” (1 Coríntios 15.18). Quando o evangelista Billy Graham pregou no funeral do ex-presidente Richard Nixon para uma platéia de mais de 250 milhões de pessoas que o assistiam através de uma rede internacional de televisão, ele citou “a bendita esperança” da fé cristã mencionada nesta passagem da Escritura. Por quê? Por que ele não citou algum poeta, filósofo ou místico da moda? Porque ele sabia que eles nada têm a oferecer sobre a vida após o túmulo. A verdadeira razão de Billy Graham ter usado este texto é que ele representa a única esperança do mundo com respeito à vida depois da morte.

Em meus trinta e três anos de ministério dirigi centenas de funerais. Em todos eles usei esta promessa e outras similares na Bíblia sobre a ressurreição final do corpo. Por quê? Porque ela é verdadeira, porque ela está baseada na ressurreição de Jesus! Não existe alternativa para isso. Nada sequer se aproxima disto.

Há alguns anos participei de um debate com um famoso professor de filosofia da Universidade da Califórnia – Los Angeles, que era também membro da American Humanist Association. O debate aconteceu em uma das convenções anuais daquele grupo. Durante o intervalo, esse professor disse-me que sua maior alegria era conseguir mudar as convicções dos estudantes em suas aulas. Ele se orgulhava ao contar a respeito de um jovem que se matriculou na UCLA com a intenção de ir para o Seminário Teológico de Dallas a fim de se preparar para o ministério. O professor atacou tanto as crenças bíblicas daquele estudante que ele acabou mudando de idéia. Quando me preparava para o debate, li um artigo assinado por esse professor na revista Humanist, em que comentava sobre a morte prematura de seu neto. Honestamente, fiquei pesaroso ao perceber a falta de esperança daquele homem ao relatar que, ao lado do berço da criança morta, dizia: “Meu filho, você viverá tanto quanto eu viver, porque você viverá em minha mente.” Ali estava um homem brilhante, autor de vários livros, que no momento da morte não tinha nenhuma palavra de esperança para sua família, além da lembrança do neto até que ele próprio morresse.

Isso é esperança? Não, isso é tragédia! Ninguém usa palavras como essas em um funeral, onde as pessoas presentes precisam desesperadamente de esperança. Mas para os humanistas, céticos ou “ateus esclarecidos” não há esperança além desta vida. Meu amigo humanista que proferiu essas palavras tão trágicas não podia dizer nada melhor. Porque o Manifesto Humanista que ele havia assinado diz claramente que “quando você está morto, você está morto”.

Fico feliz ao afirmar que a fé cristã continua defendendo o princípio de que “porque Ele vive, vós vivereis”. O poder da ressurreição futura não depende de nós, ele depende totalmente de Deus. Paulo deixou isto claro quando escreveu: “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos, vivificará também os vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que em vós habita” (Romanos 8.11). A ressurreição de nossos corpos humanos não depende de nós, ela é inteiramente dependente de Deus. E podemos ter plena certeza de que isso irá acontecer, porque Ele ressuscitou seu Filho unigênito dentre os mortos.

 

  1. Os rituais da Ceia do Senhor e do batismo são baseadas na ressurreição

Muitas igrejas evangélicas têm somente dois rituais: o batismo (que se realiza uma vez) e a Ceia do Senhor (que é observada periodicamente). Ambos dependem da ressurreição.

O próprio Cristo instituiu a Ceia do Senhor, que nos lembra a morte com a qual Ele nos salvou dos nossos pecados. Quando o Espírito de Deus inspirou o apóstolo Paulo a instruir a igreja de Corinto sobre o propósito da comunhão, ele escreveu: “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais [testificais] a morte do Senhor, até que ele venha” (1 Coríntios 11.26).

Obviamente, sua vinda, que testificamos na ceia, depende da ressurreição. Sem ressurreição não há comunhão.

O outro ritual, o batismo, é intimamente ligado à ressurreição. Ele também é um testemunho de nossa crença na morte, sepultamento e ressurreição de nosso Salvador. Paulo de novo instrui a igreja:

Ou, porventura, ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos… Ora, seja morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; sabedores que havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre: a morte já não tem domínio sobre ele. (Rm 6.3-6, 8-9)

 

O batismo, naturalmente, não salva o crente, mas o identifica publicamente com a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo. Como o apóstolo disse à igreja de Colossos, somos “sepultados juntamente com ele no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos” (Colossenses 2.12).

A ressurreição celebrada nesses rituais é que dá aos cristãos a certeza de dormir em paz cada noite, sabendo que seus pecados estão perdoados e sua ressurreição está garantida, pois seu advogado é Jesus Cristo, com quem viverão para sempre quando Ele retornar. O que poderia ser mais importante para o crente e para a igreja?

Meio Evangelho Não É Evangelho

  1. L. Moody, o grande evangelista do século dezenove e fundador do Instituto Bíblico Moody (uma das mais antigas e fiéis escolas de preparação cristã nos Estados Unidos), designou alguns estudantes que se preparavam para o ministério, para dirigir reuniões evangelísticas por toda a cidade de Chicago. Os estudantes foram pregar sermões à noite como um meio de ganhar almas para Cristo e praticar suas pregações. Certa noite o Dr. Moody apareceu sem se anunciar em uma das reuniões para ouvir um de seus jovens pastores estreantes pregar o evangelho. O jovem pregador saiu-se bastante bem ao falar sobre a morte de Cristo na cruz pelos pecados do mundo. No final do sermão, ele anunciou que todos deveriam retornar ao local na noite seguinte, quando, então, ele “pregaria sobre a ressurreição de Cristo”.

Depois da saída dos ouvintes, Moody disse: “Jovem, você não voltará amanhã à noite! Não foi o evangelho que você pregou esta noite, mas apenas a metade dele. Muitas destas pessoas não voltarão amanhã à noite e conseqüentemente ouviram somente metade do evangelho!” Então ele definiu o evangelho nas palavras de Paulo: “que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15.3-4).

As igrejas que deixam a ressurreição fora de sua mensagem não pregam o evangelho. A ressurreição de nosso Senhor não é uma doutrina ocasional que pode ser apresentada durante a Páscoa, e depois esquecida pelo resto do ano. Ela deve sempre ser a mensagem da igreja, porque ela é a única esperança para este mundo assolado pelo pecado.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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