A PROVA FINAL – A Vida de Abraão

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A PROVA FINAL – A Vida de Abraão

Leia Gênesis 22:1-19
unca esquecerei meu exame final para receber o título de Ph.D. pela New York University. Foi um teste oral. Não posso negar que estava ansioso e tinha temores sobre o que me aguardava. Aquele era o último degrau que eu poderia subir em minha trajetória educacional. Seria bastante frustrante e uma grande vergonha se eu fosse reprovado.

Na verdade, eu não tinha nenhuma justificativa válida para não passar naquele exame. Eu sabia que teria de fazê-lo. Tive tempo para me preparar. Mesmo sem saber as questões específicas que me seriam feitas, o professor que estava me orientando já havia me dito o que eu deveria esperar. Por isso dei duro para estar pronto. Para minha alegria, passei no teste.

Quando penso sobre a prova final que Abraão teve de enfrentar, vejo pequenas semelhanças com minha própria experiência, mas sei que existem enormes diferenças. Assim como eu, Abraão tinha de enfrentar um exame oral, só que o do patriarca envolvia um homem e o próprio Deus.

Meu teste era o último passo de um processo que levou muitos anos dentro de uma comunidade acadêmica. Abraão, porém, teve de enfrentar o desafio de passar numa prova que seria o ponto alto de toda uma vida de experiências e de aprendizado em como fazer a

vontade de Deus. Se eu fosse reprovado em meu teste, seria algo embaraçoso, mas não faria uma grande diferença na história da humanidade. Mas, se Abraão falhasse, isso teria um grande impacto no rumo da história da humanidade e no destino eterno do ser humano.

x APROVADO COM AS MAIORES HONRAS

Existem outras diferenças gigantescas entre o teste de Abraão e o meu. Mesmo que Deus estivesse preparando o seu servo para aquela prova, Abraão não sabia que teria de passar por ela. Foi uma surpresa total. Além disso, o exame final proposto por Deus era tão intenso e difícil que nenhum homem do planeta Terra já teve de passar por aquele tipo de experiência, e isso provavelmente jamais se repetirá. Apesar das incríveis dificuldades, Abraão foi aprovado em seu teste final com as maiores honras e passou a integrar a lista dos heróis da fé (Hb 11). Quando você passar os olhos por essa lista santa, verá o nome desse grande homem do Antigo Testamento, num tributo elaborado

pelo próprio Deus. No diploma que ele recebeu estava escrito:

<

Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas, a quem se tinha dito: Em Isaque será chamada a tua descendência; porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde tam-Lbém, figuradamente, o recobrou.

Hebreus 11:17-19

CALMARIA ANTES DA TEMPESTADE

Após o tremendo estresse e a tensão que Abraão teve de enfrentar em sua família, ele passou por um período de tranqüilidade sem precedentes. Podia gozar de harmonia em sua família e estava em paz com seus vizinhos. O aspecto principal era que seu relacionamento com Deus cresceu mais profunda e significativamente do que nunca antes. Abraão não possuía nenhum amigo maior do que aquele a quem ele passou a conhecer e amar como o Deus Eterno e Todo-Pode-roso (Gn 17:1; 21:33).

No nível humano, a maior fonte de satisfação estava centrado em seu jovem filho, Isaque. Enquanto ele subia as colinas ao redor de Berseba e juntos viam o belo e produtivo campo que se estendia para o norte, tenho certeza de que eles muitas vezes refletiram sobre a promessa de Deus em dar aquela terra a Abraão e seus descendentes. O espírito jovem e cheio de expectativas de Isaque certamente enchia o coração daquele ancião com grande estímulo e alegria. Certamente as memórias devem ter enchido a alma de Abraão, relembrando-o da fidelidade de Deus.

Durante aqueles dias e anos debaixo tanto do sol quanto da sombra da tamareira que ele havia plantado em Berseba (21:33), Abraão mal podia imaginar que aquele tempo de descanso e alegria servia para prepará-lo para uma tempestade repentina e inesperada — um i teste de fé incomparável. Esse é um evento da história que podia ser [ sobrepujado apenas por algo maior ainda, a ocasião em que Deus “amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” para morrer pelos pecados do mundo (Jo 3:16). ^

Deus deu uma ordem a Abraão, e ela o confrontou com uma escolha que poucos homens já tiveram de fazer. Aquilo que o Senhor lhe pediu para fazer deve ter arrasado com todos os nervos de seu corpo idoso e debilitado, certamente levando cada pedacinho de fibra espiritual daquela alma fiel ao seu limite máximo.

NÃO FAZIA SENTIDO . 7

O que Deus pediu que Abraão fizesse era incompreensível. Do ponto de vista humano, era algo contraditório e inconsistente com tudo i aquilo que o Senhor havia dito antes. Deus prometera a Abraão que ele estabeleceria sua aliança através de Isaque. Aquela deveria ser uma “aliança perpétua para a sua descendência” (Gn 17:19). Mas, de repente, sem que houvesse um aviso prévio, Deus falou com Abraão, dizendo-lhe: “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei” (22:2).

O que tornava a ordem de Deus tão incompreensível era o fato de Isaque ser o descendente prometido, fruto de uma concepção mi-

raculosa. Todos os filhos que Abraão teria no futuro deveríam vir através daquele filho. Mesmo que se tentasse chegar ao limite da I imaginação de Deus, não fazia sentido pedir que Abraão oferecesse | Isaque como um sacrifício. Tirar a vida do filho, literalmente interrompería a continuidade da existência do canal através do qual Deus havia prometido que cumpriría a sua promessa. Não havia uma maneira humana de tentar harmonizar a promessa prévia de Deus com a ordem que ele estava dando agora.

Tente se colocar no lugar de Abraão. Pela sua perspectiva, cada detalhe da ordem de Deus estava claro. Não havia uma rota de fuga. Existiam apenas duas alternativas para Abraão: a obediência ou a desobediência. Se Abraão decidisse obedecer, não poderia ser uma obediência parcial. Isso significaria levar adiante cada detalhe da ordem de Deus. E essa foi a decisão de Abraão.

UM PASSO DE FÉ DEFINITIVO

Não somos informados sobre o diálogo que Abraão possa ter tido _ com Deus enquanto levava adiante aquela ordem inacreditável (22:3-10). Por ser humano, ele deve ter questionado a direção de Deus. A contradição daquilo tudo deve ter enchido seu coração e alma, e a cor escura do céu à noite deve ter acentuado a escuridão que já parecia tomar conta dele. Ainda que Abraão certamente já tivesse visto em várias ocasiões os sacrifícios humanos pelo pecado que os cananeus faziam em seus altares, não havia como entender a ordem de Deus para que ele oferecesse o seu próprio filho. Abraão teve de dar um passo de fé definitivo em direção a um Deus que nunca o havia desa-f ‘j pontado ou decepcionado.

Faça-se a tua vontade

Mesmo que a reação inicial de Abraão à ordem dada por Deus deve ter sido a surpresa e o choque, quando um novo dia nasceu o assunto já havia sido abrandado. Lemos apenas que, na manhã seguinte, Abraão começou a levar adiante a ordem de Deus (22:3). Ele havia experimentado a fidelidade de Deus muitas vezes para agora começar

a duvidar dele. Mesmo que o patriarca soubesse que tinha de sacrificar seu único filho — o descendente prometido —, em seu coração ele sabia que Deus iria cumprir a sua promessa. Aquele que não era capaz de mentir certamente tinha outro plano.

Por dois longos dias, de mãos dadas, Abraão e Isaque se encaminhavam para o monte Moriá. Em determinado momento, no terceiro dia, eles viram à distância o lugar do sacrifício. Abraão pediu a seus servos que ficassem para trás enquanto ele e Isaque subiam juntos aquele monte íngreme. As perguntas de Isaque devem ter trazido lágrimas aos olhos daquele ancião. O jovem havia visto várias vezes seu pai sacrificar um cordeiro ao Deus do céu. Mas desta vez não havia cordeiro. Isaque via o fogo e a lenha, mas continuava sem entender: “Onde está o cordeiro para o holocausto?”, ele perguntou a seu pai. 4

A resposta de Abraão parece ter sido breve e segurá: “Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto” (22:8). Veja bem, não havia como Abraão pudesse explicar os detalhes do que estava acontecendo. Ele decidiu proteger Isaque do medo que devia estar começando a tomar o coração daquele jovem. Certamente Isaque também já havia visto pais cananeus oferecerem seus primogênitos como sacrifícios sobre altares para aplacar a ira de deuses pagãos. Será que seu próprio pai estava prestes a oferecê-lo ao Deus que ele amava e confiava? Mas, por quê? Seu pai e seu Deus eram amigos.

Deus era poderoso para ressuscitar os mortos

Independentemente do que estava passando pela cabeça do filho, a resposta confiante de Abraão deve ter acalmado Isaque. Mesmo que seja difícil imaginar, o tom de voz do patriarca não parecia indicar qualquer mostra de insegurança. Em seu coração ele sabia que voltaria a descer aquele monte de mãos dadas com o filho amado. Por isso ele disse a seus servos que ambos voltariam, depois de terem adorado a Deus no monte Moriá (22:5).

Não entenda mal. Abraão certamente havia planejado enterrar sua faca em seu próprio filho, sangue de seu sangue. Mas ele acredi-

tava que Deus iria trazer Isaque de volta à vida. Essa era a única maneira como Abraão poderia reconciliar a promessa anterior de Deus com a ordem que havia acabado de dar. E por isso que o autor de Hebreus declara que Abraão “considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos” (Hb_ll:19).

UMA VOZ VINDA DO CÉU

Deus honrou a obediência fiel de Abraão (Gn 22:11-19). Quando ele “estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho”, o Senhor interveio (v. 10, NVI). Mais uma vez, Abraão ouviu uma voz familiar chamando seu nome, a voz que ele já havia ouvido antes. Mas ele nunca ouvira dele palavras tão bem-vindas como: “Não toque no rapaz… Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho” (v. 12, NVI).

Da perspectiva de Deus, Abraão já havia oferecido seu filho. Em seu coração, ele já havia tomado a decisão. Aquele homem estava totalmente disposto a tirar a vida do filho, crendo que Deus poderia ressuscitá-lo dentre os mortos para cumprir a sua promessa (Hb 11:17-19). Aos olhos de Deus, Abraão havia passado no curso sem precisar fazer o teste final, y ‘ a ‘ r 15 ‘ L)

O resto da história é contada de maneira simples. As Escrituras falam por si mesmas:

Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho. E pôs Abraão por nome àquele lugar – O Senhor Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá. Então, do céu bradou pela segunda vez o Anjo do Senhor a Abraão e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o Senhor, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho, que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha

voz. Então, voltou Abraão aos seus servos, e, juntos, foram para Berseba, onde fixou residência.

Gênesis 22:13-19

O PAI DE TODOS NÓS

Abraão saiu de Harã e foi para Canaã quando tinha 75 anos e morreu aos 175 (Gn 12:4; 25:7). Chamado do meio do puro paganismo, por mais de um século ele se destacou como um dos servos mais fiéis e obedientes do Antigo Testamento.

Perspectivas limitadas

Devemos entender, claro, que suas perspectivas divinas eram bastante limitadas, mas correspondiam à luz que ele possuía então. Cada vez que Deus falou, ele acabou respondendo, mesmo que algumas vezes tenha falhado, tropeçado, e até mesmo tentado resolver as coisas sozinho. Porém, mesmo nessas ocasiões ele estava tentando ajudar a Deus. Até onde sabemos, Abraão nunca desobedeceu deliberada-mente a Deus e deixou de fazer a sua vontade – como muitos de nós fazem hoje em dia. Comparado ao que Abraão sabia sobre a vontade de Deus, se cada um de nós responder ao que conhecemos do Antigo e do Novo Testamento, sua fé e obediência ultrapassam a nossa de maneiras incomparáveis. Não apenas dispomos da revelação completa de Deus nas Santas Escrituras, mas podemos olhar para trás, para quase 2.000 anos, e ver como Deus cumpriu sua promessa a Abraão de abençoar todas as nações do mundo através de Jesus Cristo. Conforme Paulo escreveu aos cristãos gálatas: “E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (G1 3:29; veja também Rm 4:16).

Olhando para a eternidade

O mais impressionante é que as perspectivas de Abraão sobre a vida incluíam mais do que ele era capaz de ver e sentir enquanto andava pela terra de Canaã. Ainda que Deus houvesse prometido a ele e a

sua descendência aquela terra, ele enxergou muito além do planeta Terra, viu a cidade celestial onde passarão a eternidade todos aqueles que são da mesma “fé que teve Abraão” (Rm 4:16). O autor de Hebreus capta essa realidade e chega a uma maravilhosa conclusão para sua história de vida:

Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador. J

Hebreus 11:8-10

TORNANDO-SE UM HOMEM DE DEUS HOJE -Princípios de vida

A dinâmica história de Abraão e Isaque no monte Moriá fala a pessoas de todos os lugares. Existem princípios que surgem desse relato bíblico que se aplicam a todos nós, independentemente de nossa formação étnica ou cultural. Não importa onde e nem em que época vivamos. Leia com cuidado. Se você permitir que o Espírito Santo o ajude a aplicar esses princípios, sua vida pode ser mudada para sempre.

• Princípio 1: Deus não tenta a seus fdhos, porém, nos testa.

E B. Meyer escreveu certa vez: “Satanás nos tenta para poder trazer à tona o mal que há em nossos corações; Deus nos prova para que possa demonstrar todo o bem”.1 Preste atenção também às palavras usadas por Tiago para explicar esse conceito em sua carta no Novo Testamento:

Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque

Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.

Tiago 1:12-14 ^

E verdade que muitas vezes fica difícil diferenciar entre um teste de Deus e uma tentação de Satanás. Isso ocorre porque ficamos restringidos por nossa perspectiva humana. As duas experiências parecem estar sobrepostas e, segundo nosso limitado ponto de vista, foi isso o que ocorreu. Porém, da perspectiva divina, elas são totalmente distintas.

Tomemos a vida de Jó como exemplo. Por um lado, Satanás! tentou derrubá-lo, fazê-lo pecar e se voltar contra Deus. Mas, por outro, Deus estava refinando Jó, fortalecendo sua fé e edificando oy seu caráter. .

José também experimentou esse misto de prova e tentação. Satanás estava operando através dos outros filhos de Jacó. Mas Deus também estava agindo por meio de suas obras malignas para levar adiante os seus propósitos divinos. ,

/ Muitos de nós já vimos esse princípio em ação em nossas próprias vidas. Sei que isso já ocorreu comigo. Por exemplo, enquanto eu estou escrevendo este capítulo, os demais pastores e a liderança da minha igreja, a Fellowship Bible Church North, buscam uma maneira de nos tirar de uma crise muito séria. Um incendiário colocou fogo nos escritórios da igreja e destruiu tudo, exceto o que estava dentro dos nossos arquivos de metal. Todos os 15 pastores perderam suas bibliotecas particulares no incêndio. Como o pastor-presidente, tive de enfrentar um desafio inédito: liderar todos os que trabalham conosco, a liderança leiga e toda a congregação a responder a esta crise de uma maneira bíblica.

Ironicamente, no exato momento que fomos atingidos por essa crise, eu estava ensir^do a igreja sobre a história da vida de José. Eu havia chegado na parte em ele encontrou seus irmãos quando estes foram ao Egito comprar mantimentos. A perspectiva de José sobre o que havia acontecido/ mostra ser algo tremendo quando ele disse que seus irmãos não devepam temer retaliação alguma de sua parte. “Não 1

temais; acaso, estou eu em lugar de Deus?”, ele perguntou de forma retórica. E sua resposta foi: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gn 50:19,20).

Enquanto refletia sobre o que havia acabado de acontecer e tendo em vista tudo aquilo que eu estivera ensinando a respeito da crise pessoal de José, passei a ver aquela terrível experiência que estávamos passando como uma prova de Deus. E não apenas para mim, mas também para toda a nossa congregação. O incendiário certamente tinha a intenção de nos causar mal. Não há dúvidas disso. Foi uma demonstração de ódio a nós e ao evangelho de Jesus Cristo.

“Mas”, você pode estar perguntando, “Deus tinha a intenção de usar isso para o nosso bem?” Acredito que sim. Mesmo assim, continuamos vendo a situação tendo uma perspectiva “embaçada” até que pouco a pouco passamos a ver o bem que está surgindo em meio a essa crise de maneira cada vez mais clara. Ainda que apenas pela fé eu consiga começar a ver o mal e o bem presentes no mesmo evento, sei que isso é possível. Foi isso que aconteceu com Jó e também com José, e, mais ainda, acredito que ocorreu o mesmo conosco.
I • Princípio 2: Quando Deus testa seus filhos, ele os prepara para a provação.

Deus nunca procura agir de maneira que não consigamos perceber, simplesmente para nos derrubar e nos fazer cair( Pelo contrário, quan-j do Deus nos prova, ele quer que passemos, nunca que falhemos.

Sendo assim, ele sempre nos prepara para a crisej , O Senhor fez isso com Abraão. Antes de seu grande teste, esse j herói do Antigo Testamento experimentou um crescimento espiritual sem precedentes. Sua casa estava em ordem. Ele estava materialmente muito seguro. Tinha muitos amigos, mesmo entre seus vizinhos pagãos. Isaque, o filho prometido, era seu orgulho e alegria. Abraão estava muito feliz por estar fazendo a vontade de Deus.

Não havia dúvidas na mente do patriarca que Deus era real. Ele sentia-se amado e sabia que Deus o considerava seu amigo. O Senhor o C havia preparado bem para aquela grande provação. É por isso que le-

mos: “Depois dessas coisas” – as coisas boas que haviam acontecido “pôs Deus Abraão à prova” (22:1). Quando chegou a hora do teste, mesmo sendo algo doloroso, Abraão passou – e com a nota máxima.

Aqui temos uma indicação de como podemos diferenciar tenta- , ção de provação. Satanás muitas vezes nos atinge quando estamos fracos ou despreparados. Ele nos atinge com um golpe baixo. É enganador e ardiloso. Sempre tenta nos destruir. Foi assim que ele se aproximou de Jesus Cristo, após este ficar jejuando durante quarenta dias no deserto (Mt 4:1-11).

Por outro lado, Deus nos testa para a nossa edificação. Ainda que esteja lidando com nossa fraqueza, ele nos prepara para a prova. Com freqüência, seus testes vêm após um período de aprendizado sobre o Senhor. Um período de sucessos e até mesmo de descanso e tranqüilidade. Foi exatamente isso o que acontecetl com Abraão — e também com Jó. Já aconteceu com você?

• Princípio 3: As provações de Deus podem ocorrer quãndo menos ; esperamos por elas.

Mais uma vez vemos isso acontecendo na trajetória de Abraão. A vida estava indo muito bem para esse santo do Antigo Testamento até que ele, de repente, teve de se deparar com a maior prova de sua vida. Num dia tudo estava muito bem. No outro, todo o mundo de I Abraão parecia estar totalmente ameaçado.

Este é, freqüentemente, o padrão seguido por Deus quando ele testa os cristãos. Quando tudo está indo bem, quando já lidamos com nossos problemas num determinado nível, o Senhor abruptamente nos testa para nos levar a um nível totalmente novo de paciência e resistência. É isso que Tiago tinha em mente quando escreveu: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança” (Tg 1:2,3).

Entenda também que Satanás muitas vezes trabalha de maneira súbita e sutil, usando nossos momentos de força para também alcançar os seus objetivos. Seu plano nunca é edificar o nosso caráter e fé,

mas sim destruí-los. Por esse motivo, Paulo escreveu aos coríntios: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1 Co 10:12,13).

• Princípio 4: As provações de Deus muitas vezes têm o objetivo de

nos ajudar a crescer e amadurecer nas áreas em que somos mais sensíveis e vulneráveis.

Pensemos novamente a respeito de Abraão. Ele amava a Deus. Pro-Jt vou seu amor ao deixar Ur para vagar por uma terra estrangeira e abrir mão de Ismael. Mas ele também amava Isaque, o filho da promessa. Aquele jovem havia se tornado o centro da vida de Abraão. Talvez naquele momento de sua experiência, se lhe perguntassem quem ele amava mais — Isaque ou Deus —, poderia ser difícil para ele i responder.

Você conseguiu imaginar a situação? Deus testou Abraão na área ‘ emocional mais sensível de sua vida. Ele estava disposto a colocar seu Senhor acima de Isaque? Ele estava disposto a obedecer a Deus em vez de realizar os seus próprios desejos?

Com certeza você sabe o que aconteceu. Abraão passou na pro-‘ va. Seu amor por Deus era mais forte que seu amor por Isaque. Ele demonstrou amor através de uma confiança inabalável em seu Pai celestial.

Hoje em dia Deus muitas vezes nos testa nas áreas mais sensíveis 1 de nossas vidas. O que é mais importante para nós? Onde está a nossa segurança? Não devemos ficar surpresos se formos repentinamente confrontados com uma escolha entre aquilo que mais estimamos e o Deus que também amamos. E em momentos como esses que começamos a entender quão verdadeiramente profundo é nosso amor pelo Senhor – ou não.

• Princípio 5:, As provações de Deus muitas vezes nos parecem ilógicas e contraditórias.

A ordem dada por Deus a Abraão não fazia sentido. Aquilo parecia ser inconsistente com tudo que Deus já havia lhe prometido. Nós podemos entender por quê.

A maior lição que podemos aprender com uma história como essa é que, como seres humanos, agimos baseados em uma perspectiva limitada. O que nos parece ser ilógico é bastante lógico para Deus. O que parece ser um passo para trás, pode, no final, revelar-se como um passo à frente. Nesses momentos que parecem tão ilógicos e irracionais, devemos nos lançar completamente sobre Deus. Precisamos confiar nele com todo o nosso coração. Pela fé, devemos entender que ele se importa conosco e nos ama profundamente.

• Princípio 6: Deus dá testes únicos a pessoas especiais que ele escolheu para desse modo levar adiante o seu propósito neste mundo. ‘

Essa foi uma verdade incontestável na vida de Abraão. Sya provação é uma poderosa ilustração do amor supremo de Deus por todos nós. Deus jamais pediu, nem antes nem depois, que um homem fizesse o que ele pediu a Abraão. Na verdade, as leis de Deus dadas posteriormente a Moisés proibiam de maneira específica os sacrifícios humanos, pois são abominações para o Senhor.

No entanto, devemos nos lembrar de que Abraão viveu durante muitos anos antes que Deus tivesse dito qualquer coisa específica a respeito dos sacrifícios humanos. Na verdade, como já dissemos, esse santo do Antigo Testamento devia ter visto muitas vezes pais cananeus oferecerem seus primogênitos sobre altares pagãos. Esse era um dos princípios mais importantes em suas religião, uma maneira de pagar pelos seus pecados.

Para Abraão aquela prova estava relacionada com sua criação cultural. Se as deidades pagãs que eram falsas exigiam esse tipo de amor, seria muito para o verdadeiro Deus do universo pedir o mesmo? Abraão não tinha como ver do mesmo modo que vemos hoje a incoerência desse pedido quando contrastado com o caráter de Deus. Ele sabia apenas que o Senhor havia falado. E mais ainda, ele entendeu o pedido e tratou de lhe obedecer.

Hoje temos a revelação completa de Deus na Bíblia e sabemos que o Senhor nunca poderia pedir a homem algum que oferecesse seu filho como sacrifício humano. Mas também sabemos que o que Deus pediu que Abraão fizesse – e depois o impediu de prosseguir — ilustra para homens e mulheres de todos os lugares o grande amor que Deus tem por nós.

De maneira mais específica, sabemos pela experiência de Abraão que o derramamento de sangue é absolutamente essencial para a remissão do pecado (Hb 9:22). Mas também sabemos que o sangue de touros e bodes e até mesmo de inocentes como Isaque nunca pode-riam satisfazer Deus (10:4). Apenas um sacrifício foi capaz de pagar pelos pecados de todo o mundo: o sacrifício do Filho unigênito de Deus na cruz do Calvário (Jo 3:16).

Na cruz, não havia como Deus voltar atrás. Não havia um carneiro preso entre os arbustos que poderia substituir o Filho de Deus. A faca deveria ser usada. Sem aquele sacrifício, nenhum homem poderia ser salvo, nem mesmo Abraão ou Isaque.

APLICAÇÃO PRÁTICA

Passe alguns momentos pensando sobre seu amor por Deus. Qual a sua profundidade? Você adora a Deus porque acha que isso é a coisa certa a ser feita? E apenas uma simples demonstração de apreciação pelas bênçãos que tem recebido? Ou você ama a Deus com todo o seu coração? Ele está, verdadeiramente, em primeiro lugar na sua vida?

Para ser mais específico, qual seria a sua atitude em relação a Deus se ele lhe pedisse para abrir mão daquilo que é mais precioso, que representa mais que tudo para você? Até onde vai o seu amor? Qual é a força da sua fé?

Você pode repetir esta oração, talvez já tenha orado algo semelhante outras vezes. Mas com que sinceridade você disse estas palavras?

Usa minha vida e faze com que ela seja consagrada a ti, Senhor.

Usa minhas mãos e deixa que elas se movam impulsionadas pelo teu amor.

Usa meus pés e permite que eles sejam rápidos e belos para ti.

Usa minha voz e permite que eu sempre cante apenas para o meu Rei.

Usa meus lábios e permite que eles sejam cheios de mensagens para ti.

Usa meu ouro e minha prata, nem uma moeda irei reter.

Usa meu tempo e meus dias, deixa que eles corram num constante louvor.

Usa minha vontade e faze que ela seja tua, e não mais minha.

i Usa meu coração, que é teu, para ser teu trono real.

Usa meu amor, meu Deus, eu o coloco diante de teus pés e tudo o que há dentro dele. v

Usa-me, e serei para sempre teu, e somente vivérei para ti.2

Estabeleça um objetivo ■>

A luz deste estudo, que objetivo você precisa estabelecer para a sua

vida?
Memorize o seguinte texto bíblico

Procure memorizar esta passagem das Escrituras para ajudá-lo a alcançar o seu objetivo:

Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.
Tiago 1:2,3

Crescendo juntos

Estas perguntas destinam-se a discussão em pequenos grupos de estudo:

1. Você gostaria de compartilhar uma experiência pessoal que ilustra Romanos 8:28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”?

2. Como podemos explicar as crises de nossas vidas que parecem ser totalmente ilógicas e que não parecem fazer sentido algum?

3. Como podemos viver sem esperar que tudo dê errado a qualquer momento, mesmo quando tudo parece estar indo tão bem?

4. Como podemos explicar Romanos 8:28 para uma pessoa que foi terrivelmente machucada por outra? Por exemplo, alguém que foi estuprada, abusada quando criança, negligenciada por seus pais, experimentou os horrores da guerra, etc.?

5. Quais os seus pedidos pessoais de oração?

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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