A poligamia na Bíblia ( Parte XVIII)

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Quando vemos na Bíblia exemplos de pessoas que tiveram várias esposas, parece aceitável pensar que este padrão de relacionamento era lícito. Muitos chegam a usar estes fatos como argumentos plausíveis para justificar sua conduta imoral. Porém, se apurarmos com cuidado cada um destes casos, analisando-os de acordo com o propósito original de Deus, constatamos como este tipo de aberração sensual sempre acarretou problemas graves e perpétuos, como que atestados da desaprovação divina em resposta à poligamia.

Um exemplo foi o caso de Abrão com Hagar, a serva egípcia
de sua esposa. Antes de tudo, isto foi um passo de incredulidade em relação à promessa divina de que Abrão teria um filho com sua esposa, o qual estabeleceria a linhagem do Messias. Isto lhes custou, a princípio, apenas mais treze anos de espera para que Isaque, o legítimo filho da promessa nascesse. Com o nascimento de Ismael, Hagar se ensoberbeceu contra sua patroa Sarai, desprezando-a pela posição privilegiada que agora ocupava de mãe do herdeiro de Abrão (Gn 16:4). Uma grave crise familiar se estabelece e Abrão tem que enfrentar o trauma de expulsar de casa sua concubina e seu próprio filho (Gn 16:6).

Este manto de orfandadade e viuvez tem perseguido os descendentes de Ismael assumindo a forma de uma religião órfã e que discrimina a mulher. E como todos sabemos, a poligamia praticada por Abrão é responsável pelo conflito entre Árabes (descendentes de Ismael) e Judeus (descendentes de Isaque) que perpetua até os nossos dias. (Gn 16:11,12) Um outro exemplo que podemos tomar seria o de Davi, um dos maiores líderes de Israel. Ainda que ele andou integralmente com Deus, devido ao seu coração extremamente sensível e vulnerável ao quebrantamento, Davi fracassou terrivelmente como pai de família.

Seu relacionamento polígamo gerou um ambiente espiritual onde seus filhos estavam descobertos. Cresceram e desenvolveram seus relacionamentos de acordo com um modelo que os levou quase que à autodestruição da família. Estamos vendo de perto como Amnom fez, talvez, as piores escolhas de sua vida, cometendo incesto com sua meia-irmã. isto foi motivo suficiente, para que seu meio-irmão Absalão, irmão de Tamar, vingasse seu crime planejando calculadamente sua morte e executando-a sarcasticamente numa festa com a família.

Isto refletiu num longo ressentimento entre Davi e Absalão, que sentindo-se injustiçado pela frieza e desprezo do pai, rebela-se, primeiramente furtando o coração do povo e chega ao ponto tencionar a morte do próprio pai através de um golpe de estado, dando provas disto, ele se prostitui à luz do dia com as concubinas do rei. Algo interessante aqui, é que o profeta Natã havia previsto este fato por causa do famoso caso Betseba. O fim desta história trágica é que Absalão acaba também morto por Joabe, primo de Davi e chefe do seu exército. Posteriormente, vemos o jugo da sensualidade se perpetuando através de Salomão, o herdeiro do trono, que apesar de ter um começo fabuloso descrito nos dez primeiros capítulos de I Reis, acaba pecando contra sua avantajada sabedoria, pois ao endossar a poligamia praticada pelo pai, ainda que previamente advertido por Deus, acabou se prostituindo com o espírito de sensualidade bem como com outros deuses estranhos de suas esposas e concubinas, devido à prática do jugo desigual.

“E o rei Salomão amou muitas mulheres estranhas, e isso além da filha de Faraó, moabitas, amonitas, iduméias, sidônias e hetéias. Das nações de que o Senhor tinha dito aos filhos de Israel: Não entrareis a elas, e elas não entrarão a vós; doutra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A essas se uniu Salomão com amor. E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas: e suas mulheres lhe perverteram o coração”. (I Re 11:1-3).

Ao analisarmos o livro de Eclesiastes, podemos ver o amargo arrependimento de Salomão em relação à sua sensualidade: “E eu achei uma coisa mais amarga do que a morte, a mulher cujo coração são redes e laços, e cujas mãos são ataduras: quem for bom diante de Deus escapará dela, mas o pecador virá a ser preso por ela. Vedes aqui, isto achei diz o pregador, conferindo uma coisa com a outra para achar a causa; causa que a minha alma ainda busca, mas não a achei; um homem entre mil achei eu, mas uma mulher entre todas estas não achei.” (Ec 7:26-28) Salomão confessa que ele teve tantas mulheres que acabou não tendo, de fato, nenhuma.

Teve muitas mulheres e por isto não pôde ter um lar. O problema não estava precisamente nas mulheres, mas na concupiscência insaciável de Salomão. A causa de tanta dor, frustração e loucuras vivenciadas por Salomão reside nesta raiz demoníaca da sensualidade, onde ele se viu cativo da poligamia associada ao jugo desigual. Por praticamente vinte anos ele sofreu as duras conseqüências de um homem desviado da vontade de Deus. Mas em Provérbios 5:15-20, ele deixa registrado uma das pérolas da verdadeira sabedoria evidenciando que o amor conjugal deve ser exclusivo e fiel à
mulher da nossa aliança.
Marcado pelo desrespeito A sensualidade sempre conduz à defraudação. O espírito de sensualidade impõe sobre as pessoas pensamentos cíclicos de imoralidade e intermináveis fantasias sexuais. Aqui, a pessoa, já está sendo vítima de uma expectativa que impossivelmente será satisfeita. Esta ânsia quebra a decência, e induz ao desrespeito, defraudação e até mesmo à agressão como foi o caso de Amnom. Como já vimos, desejos realizados às custas de defraudação trazem um pesado fardo de frustração e aversão.

Tanto na maneira como Amnom se aproximou de Tamar, como na maneira que ele a rejeitou estava presente o desrespeito. Concluindo, poderíamos enumerar muitas outras características do amor sensual, mas acredito que já temos em mãos o suficiente para discernirmos não apenas as influência como também as credenciais deste terrível espírito. Desta forma, fica mais fácil de avaliarmos e ajustarmos nossos próprios sentimentos.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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