COMENTÁRIO BÍBLICO DE CHARLES HODGE – REVIEW
07/12/2020
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08/12/2020

A Oração do Fariseu

Lucas 18.11–13 NVI 11 O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano.
12 Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’.  13 “Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.

1- A Postura da Oração

O fariseu assume sua postura com ousadia.

Orar em pé, erguendo as mãos e os olhos, não era de forma alguma algo inusitado.

No caso de um fariseu, esperaríamos exatamente isso. Quanto aos homens, deviam orar erguendo mãos santas, sem ira e má deliberação.

A postura na oração não é uma questão indiferente.

É uma abominação ao Senhor assumir uma postura displicente quando se presume estar alguém orando ao Senhor.

Em contrapartida, é certo que a Escritura em parte alguma prescreve uma, e tão somente uma, postura correta durante a oração.

Indicam-se diferentes posições dos braços, das mãos e do corpo.

Todas essas são permitidas até onde simbolizem diferentes aspectos da atitude reverente de quem adora, e interpretem genuinamente os sentimentos do coração.

Note as seguintes posturas de oração:

(1)      Em pé: Gênesis 18.22; 1 Samuel 1.26; Mateus 6.5; Marcos 11.25; Lucas 18.11; Lucas 18.13. (Note o contraste entre as últimas duas passagens. Ainda faz diferença como e onde alguém está em pé.)

(2)      As mãos estendidas ou/e erguidas para o céu: Êxodo 9.29; Êxodo 17.11, 12; 1 Reis 8.22; Neemias 8.6; Salmo 63.4; Salmo 134.2; Salmo 141.2; Isaías 1.15; Lamentações 2.19; Lamentações 3.41; Habacuque 3.10; Lucas 24.50; 1 Timóteo 2.8; Tiago 4.8. (Compare os “Orantes” das Catacumbas. E veja A. Deissmann, Light From the Ancient East, traduzido por L. R. M. Strachan, quarta edição, Nova York, 1922, pp. 415, 416.)

(3)      A cabeça inclinada: Gênesis 24.48 (cf. v. 13); Êxodo 12.27; 2 Crônicas 29.30; Lucas 24.5.

(4)      Os olhos erguidos para o céu: Salmo 25.15; 121.1; 123.1, 2; 141.8; 145.15; João 11.41; 17.1; cf. Daniel 9.3; Atos 8.40.

(5)      De joelhos: 2 Crônicas 6.13; Salmo 95.6; Isaías 45.23; Daniel 6.10; Mateus 17.14; Marcos 1.40; Lucas 22.41; Atos 7.60; 20.36; 21.5; Efésios 3.14.

(6)      Prostrado com o rosto em terra: Gênesis 17.3; 24.26; Números 14.5, 13; 16.4, 22, 45; 22.13, 34; Deuteronômio 9.18, 25, 26; Josué 5.14; Juízes 13.20; Neemias 8.6; Ezequiel 1.28; 3.23; 9.8; 11.13; 43.3; 44.4; Daniel 8.17; Mateus 26.39; Marcos 7.25; 14.35; Lucas 5.12; 17.16; Apocalipse 1.17; 11.16.

(7)      Outras posições: 1 Reis 18.42 (ajoelhado com o rosto entre os joelhos); Lucas 18.13 (de pé, ao longe, e batendo no peito).

Como se vê claramente à luz dessa referência final, as posturas e posições indicadas dos membros do corpo podem ocorrer em várias combinações.

Em Lucas 18.13, os itens (1) e (7) são combinados.

Em 1 Reis 8.22 (Salomão), combinam-se (1) e (2). Em Neemias 8.6, combinam-se (1) e (3).

Em João 11.41 (ver v. 38), os itens (1) e (4) se interligam. Além de combinar-se com (1), o item (2) pode também combinar-se com (5): “Tendo Salomão acabado de fazer ao Senhor toda esta oração e súplica, estando de joelhos e com as mãos estendidas para os céus, se levantou de diante do altar do Senhor” (1Rs 8.54; cf. Ed 9.5).

Além do mais, a inclinação da cabeça (3) era com, frequência, tão profunda que a pessoa caía prostrada em terra (6).

Ver, por exemplo, Números 22.31. De fato, um método favorito de prostração entre os orientais tem sido sempre o de cair de joelhos (5) e então, inclinando gradualmente o corpo, inclinar a cabeça até tocar o chão (3), o que chega a ser a posição (6).

E ainda na maioria dos casos onde a Escritura não o indica especificamente, pode-se deduzir, à luz do contexto, que a pessoa que estendia as mãos ou as erguia estava em pé. É o caso da passagem que estamos considerando (1Tm 2.8).

Ora, todas essas posturas eram apropriadas. A posição em pé (1) indica reverência.

Levantar ou estender as mãos (2) – braços estendidos com as palmas das mãos para cima – é um símbolo adequado da completa dependência de Deus e de humilde esperança nele.

A cabeça inclinada (3) é a expressão externa do espírito de submissão. Os olhos erguidos ao céu (4) indicam que alguém crê que seu auxílio vem de Jeová, dele somente.

O ajoelhar-se (5) representa a humilhação e a adoração.

Prostrar-se com o rosto em terra (6) é a manifestação de reverente temor na presença divina.

O bater no peito (7) harmoniza-se extraordinariamente com o sentimento de completa indignidade.

O costume moderno de fechar os olhos com as mãos juntas é de origem incerta.

Ainda que não apareça nas Escrituras e fosse desconhecido na igreja primitiva, pode ser considerado como um bom costume, caso seja interpretado corretamente.

Ajuda a quem ora barrar o acesso de distrações prejudiciais e a ingressar numa esfera onde “ninguém, senão Deus, está perto”.

Seja como for, é muito melhor que certas posturas do corpo que prevalecem entre os cristãos modernos enquanto oram.

2- A Oração do Fariseu

Não obstante, o que se enfatiza ao longo de toda a Escritura e também na passagem ora em discussão, não é a postura do corpo ou a posição das mãos, mas a atitude interior da alma.

As mãos que se erguem devem ser santas, ou seja, devem ser mãos que não estejam contaminadas por delitos anteriores. Uma pessoa que acaba de cometer um homicídio, um adultério ou um roubo não deve imaginar que sem o perdão e a reparação, quando essa “boa obra” for possível, pode ela agora erguer as mãos numa oração que seja agradável a Deus.

Além do mais, o ato de erguer as mãos deve ser feito “sem ira e sem má deliberação”. Ira (cf. C.N.T. sobre João 3.36), ou seja, a indignação estabelecida contra um irmão, a atitude do devedor incompassivo da parábola (Mt 18.21–35), faz com que a oração seja inaceitável (ver também, nesta conexão, Mt 6.14, 15; Ef 4.31, 32; Cl 3.8; Tg 1.19, 20).

Exatamente onde, nesse complexo do templo, se põe o fariseu?

Não somos informados, mas uma comparação com o versículo 13 pode indicar que ele se coloca o mais próximo possível do santuário real, com seu Lugar Santo e o Santo dos Santos.

Aí vem a pergunta que não quer calar:

A quem ele se dirige?

Exteriormente falando, ele se dirige a Deus, porquanto ele diz: “Ó Deus”.

Interiormente, porém, e realmente, o homem está falando de si e a si mesmo.

Além do mais, havendo mencionado Deus uma vez, ele não volta mais a citá-lo.

Ao longo de toda sua oração, o fariseu se põe a congratular-se consigo mesmo.

Que essa é a real situação dos fatos, deduz-se também do fato de que em parte alguma de sua oração o homem confessa seus pecados.

Em parte alguma ele pede que Deus o perdoe pelo que fez de errado.

Ora, se ele tivesse algum senso da presença divina, então não teria também o senso de culpa?

Ele começa se comparando com outras pessoas. Não obstante, ele não se compara com homens verdadeiramente devotos, como Samuel (1Sm 1.20,28; 2.18,26) ou Simeão (Lc 2.25–32), mas com aqueles de má reputação.

Ele diz não ser ladrão … como se não estivesse nesse exato momento roubando a Deus da honra que lhe é devida.

Tampouco é um impostor ou pessoa desonesta … como se não estivesse defraudando a si mesmo de uma bênção.

E nem ainda é um adúltero.

Bem, provavelmente não de forma literal, mas esse soberbo fariseu não estava apostatando do verdadeiro Deus, e com isso se fazendo culpado do pior de todos os adultérios (Os 1.2; 5.3)?

De repente a atenção do fariseu é atraída para o coletor, que ora está batendo no peito e clamando a Deus por misericórdia.

Então inclui também esse “publicano” em sua oração, acrescentando: “nem ainda como esse coletor”.

Ele não entendia que o homem que então desprezava estava a caminho do céu, lugar que o fariseu jamais veria, a menos que uma mudança interior básica se concretizasse em seu coração, uma transformação completa.

Uma oração farisaica do tempo em que Jesus contou essa parábola continha os seguintes termos:“Graças te dou, ó Jeová meu Deus, porque designaste minha sorte com aqueles que se assentam na casa da erudição e não com aqueles que se assentam nos cantos das ruas.

Pois eu me levanto cedo e eles se levantam cedo: eu me levanto cedo para estudar as palavras da Torá; e eles se levantam cedo para atender às coisas de nenhuma importância. Eu me canso, e eles se cansam: eu me canso e lucro com isso; enquanto que eles se cansam sem o mínimo lucro.

Eu corro, e eles correm: eu corro para a vida das eras vindouras; enquanto eles correm para o abismo de destruição”.

Outro exemplo típico da mesma autojustiça farisaica.

3- Conclusão

Mais uma vez trago algo que vi na Série Peaky Blinders.

Em um momento o Chefe Tommy está falando com o inspetor que fala para ele que naquele dia os 2 poderiam morrer mas que ele iria para as glórias do céu com Seu Deus, mas Tommy queimaria no inferno.

Esta fala do Inspetor se parece com a oração do Fariseu que embora cite Deus no início de sua oração, ora para si mesmo, se vangloriando e apontando os pecados do Publicano.

Minha meditação de hoje é para que não deixemos nossa condição de crentes subir a nossa cabeça, como se fossemos superiores a qualquer outra pessoa. Antes disso, vamos entender que somos tão pecador quanto nosso próximo.

 

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Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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