A DOUTRINA DO HOMEM – Teologia Sistemática 2

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A DOUTRINA DO HOMEM – Teologia Sistemática 2

Esse termo é usado tanto na Teologia (homem em relação a Deus), como na Ciência (História Natural da Raça, Psicologia, Sociologia, Ética, Anatomia, Fisiologia e História Natural).

O conhecimento dessa doutrina servirá de alicerce para entender melhor as doutrinas sobre o ‘pecado’, o ‘juízo’ e a ‘salvação’, as quais se baseiam no homem.
CRIACIONISMO X EVOLUCIONISMO

Hoje em dia, provavelmente nenhuma questão é mais debatida em diferentes esferas da sociedade do que a origem do homem. O debate sobre a inerrância das Escrituras acertadamente tem incluído uma discussão sobre a historicidade da narrativa que Gênesis faz da criação. Muitos pontos de vista diferentes procuram ser aceitos, alguns defendidos inclusive por evangélicos.

EVOLUÇÃO ATEÍSTA:

Evolução significa simplesmente uma mudança em qualquer direção. Mas quando essa palavra é usada para se referir às origens do homem, seu significado envolve a origem com base em um processo natural, tanto no surgimento da primeira substância viva quanto no de novas espécies. Essa teoria afirma que, bilhões de anos atrás, substâncias químicas existentes no

mar, influenciadas pelo Sol e pela energia cósmica, acabaram unindo-se por obra do acaso e dando origem a organismo unicelulares. Desde então, vêm se desenvolvendo por intermédio de mutações benéficas e de seleção natural, formando todas as plantas, animais e pessoas.

EVOLUÇÃO TEÍSTA:
Afirma que Deus direcionou, usou e controlou o processo da evolução natural para ‘criar’ o mundo e tudo o que nele existe. Normalmente, essa visão inclui as seguintes idéias: os dias da criação de Gênesis 1, na verdade, foram eras; o processo evolutivo estava envolvido na criação de Adão; a Terra e as formas pré-humanas são extremamente antigas.

CRIAÇÃO:
Ainda que existam variantes no conceito de criacionismo, a principal característica desse ponto de vista é que ele tem a Bíblia como sua única base. A ciência pode contribuir para nosso entendimento, mas jamais deve controlar ou mudar nossa interpretação das Escrituras para acomodar suas descobertas.
A Bíblia claramente nos ensina que o homem foi uma criação especial de Deus. Nunca existiu uma criatura subumana ou um processo de evolução. Gênesis 1:26 – 27: “…Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

Os criacionistas possuem diferentes pontos de vista em relação aos dias da criação, mas para alguém ser um criacionista é preciso acreditar que o registro bíblico é historicamente factual e que Adão foi o primeiro homem.

Embora a Bíblia não seja um livro de Ciência, isso não significa que ela não seja precisa quando revela verdades científicas. Com certeza, tudo o que ela revela sobre qualquer área do conhecimento é verídico, preciso e confiável. A Bíblia não responde a todas as perguntas que desejamos fazer a respeito das origens, mas o que ela revela deve ser reconhecido como verdade.
Somente o registro bíblico nos dá informações precisas sobre a origem da humanidade. Duas características principais do ato da criação do homem destacam-se no texto.
Foi planejada por Deus (Gênesis 1:26); Ocorreu de forma direta, especial e imediata (Gênesis 1:27; 2:7)

Imago dei (A Imagem de Deus no Homem)
Da mesma forma que se discute a origem do homem, discute-se também o propósito da criação do mesmo, de todas as criaturas que Deus fez só de uma delas, o homem diz-se ter sido feita “à imagem de Deus”. O que isso significa? Podemos usar a seguinte definição: O fato de ser o homem à imagem de Deus significa que ele é semelhante a Deus e o representa.

Quando Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, isso significa que ele pretende fazer uma criatura semelhante a si. As palavras hebraicas que exprimem “imagem” e “semelhança” se referem a algo similar, mas não idêntico, à coisa que representa ou de que é uma “imagem”. A palavra imagem também pode ser usada para exprimir algo que representa outra coisa.
Os teólogos gastam muito tempo tentando especificar uma característica do homem ou bem poucas delas, em que se vê primordialmente a imagem de Deus. Alguns já cogitam que a imagem de Deus consiste na capacidade intelectual do homem, ou no seu poder de tomar decisões morais e fazer escolhas voluntárias. Outros conceberam que a imagem de Deus era uma referência à pureza moral original do homem, ou ao fato de termos sido criados homem e mulher, ou ao domínio humano sobre a terra.
Dentro dessa discussão, melhor seria concentrar a atenção primeiramente nos significados das palavras “imagem” e “semelhança”. Esses termos tinham significados bastante claros para os primeiros leitores:
IMAGEM: (no Hebraico = Tselem; no Grego = Eikon; no Latim = Imago) significa: molde, modelo, imagem, representação. Uma representação formada, concreta.

SEMELHANÇA: (no Hebraico = Damuth; no Grego = Homoiosis; no Latim = Similitudo) significa: similitude, semelhança. Uma similaridade abstrata, imaterial, ideal.

Embora alguns venham tentando fazer uma distinção entre as duas palavras para ensinar que existem dois aspectos na imagem de Deus, nenhum contraste grande entre eles tem apoio na lingüística. Os termos são sinônimos potenciais/facultativos. O uso ocasional dos dois termos juntos sugere um reforço de um termo por sua associação com outro. Ao usar as duas palavras juntas, o autor bíblico parece estar tentando expressar uma idéia muito difícil, na qual deseja deixar claro que o homem, de alguma maneira, é o reflexo concreto de Deus, mas, ao mesmo tempo, deseja espiritualizar isso, em direção à abstração. Para os primeiros leitores, Gênesis 1:26 significava simplesmente: “Façamos o homem como nós, para que nos represente”.
Como “imagem” e “semelhança” já carregavam esses significados, as Escrituras não precisam dizer algo como:

“O fato de ser o homem à imagem de Deus significa que o homem é como Deus nos seguintes aspectos: capacidade intelectual, pureza moral, natureza espiritual, domínio sobre a terra, criatividade, capacidade de tomar decisões éticas, capacidade relacionai e imortalidade.”
Tal explicação é desnecessária, não só porque os termos tinham significados claros, mas também porque nenhuma lista desse tipo faria justiça ao tema: o texto precisa afirmar que o homem é como Deus, e o restante das Escrituras fornece mais detalhes que explicam esse ponto. De fato, na leitura do restante da Bíblia, percebemos que uma compreensão da plena semelhança do homem a Deus exigiria uma plena compreensão de quem é Deus no seu ser e nos seus atos, e uma plena compreensão de quem é o homem e o que faz. Quanto mais sabemos sobre Deus e o homem, mais semelhanças reconhecemos, e mais

plenamente compreendemos o que as Escrituras querem dizer ao afirmar que o homem existe à semelhança de Deus. A expressão se refere a todo aspecto em que o homem é como Deus. Na verdade, em toda a Escritura, o alvo do homem é o de ser semelhante a Deus.

HOMEM X MULHER
Um dos aspectos da criação do ser humano à imagem de Deus foi sua feitura como homem e mulher (Gênesis 1:27). O mesmo elo entre criação à imagem de Deus e criação como homem e mulher se faz em Gênesis 5:1 – 2. Embora a criação do ser humano como homem e mulher não seja o único aspecto da nossa criação à imagem de Deus, ele é tão significativo que as Escrituras o mencionam logo no mesmo versículo em que descrevem a criação do homem por Deus. Podemos resumir da seguinte maneira os aspectos segundo os quais a criação dos dois sexos representa algo da nossa criação à imagem de Deus:
A criação do ser humano como homem e mulher revela a imagem de Deus em (1) relações interpessoais harmoniosas, (2) igualdade em termos de pessoalidade e de importância e (3) diferença de papéis e autoridade.
A ESTRUTURA DO HOMEM
De quantas partes compõe-se o homem? Todos concordam que temos um corpo físico. A maioria das pessoas sente que também tem uma parte imaterial -uma ‘alma’ que sobreviverá à morte do corpo.

Mas aqui termina a concordância. Algumas pessoas crêem que, além do ‘corpo’ e da ‘alma’, temos uma terceira parte, um ‘espírito’ que se relaciona mais diretamente com Deus.

A concepção de que o homem é constituído de três partes chama-se tricotomia. Embora essa seja uma idéia comum no ensino bíblico evangélico popular, hoje poucos estudiosos a defendem. Segundo muitos tricotomistas, a alma do homem abarca o seu intelecto, as sus emoções e a sua vontade. Eles sustentam que todas as pessoas têm alma, e que os diferentes elementos da alma podem ou servir a Deus ou ceder ao pecado. Argumentam que o espírito do homem é uma faculdade humana superior que surge quando a pessoa torna-se cristã. O espírito de uma pessoa seria aquela parte dela que mais diretamente adora e ora a Deus.

Outros dizem que o ‘espírito’ não é uma parte distinta do homem, mas simplesmente outra palavra que exprime ‘alma’, e que ambos os termos são usados indistintamente nas Escrituras para falar da parte imaterial do homem, a parte que sobrevive após a morte do corpo. A idéia de que o homem é composto de duas partes chama-se dicotomia. Aqueles que sustentam essa idéia muitas vezes admitem que as Escrituras usam a palavra espírito mais freqüentemente com referência à nossa relação com Deus, mas que esse uso não é uniforme e que a palavra alma é também usada em todos os sentidos em que se pode usar espírito.
As duas opiniões têm defensores no mundo cristão de hoje. Embora a dicotomia tenha sido mais geralmente sustentada ao longo da história da Igreja, e seja

bem mais comum entre os estudiosos evangélicos de hoje, a tricotomia também teve e tem muitos defensores.
ORIGEM DA ALMA
Sabemos que a primeira alma veio a existir como resultado de Deus ter soprado no homem o Espírito de vida. Então surge uma pergunta: Como chegaram a existir as demais almas desde esse tempo? Em que momento a alma é formada?
A respeito da origem da alma existem três teorias principais:
PREEXISTÊNCIA

Deus teria criado todas as almas antes da queda e antes de cessar a sua atividade criadora. Desse estoque de almas Deus daria a cada corpo uma alma.
DEFESA:

A origem do Imaterial não pode ser material.
DIFICULDADES:

A preexistência não tem respaldo nas Escrituras. Têm associações com teorias não-Bíblicas como transmigração da alma e reencarnação. Contradiz os ensinos de Paulo de que todo pecado e morte são resultado do pecado de Adão (1 Coríntios 15:21 – 22).
CRIACIONISMO

Deus estaria criando cada alma em algum momento da fecundação, unindo-se ao corpo imediatamente. A alma se tornaria pecaminosa por causa do contato com a natureza humana, pela culpa herdada dela.

DEFESA:

Passagem das Escrituras que falam de Deus como criador da alma e do espírito: Números 16:22; Salmo 104:30; Eclesiastes 12:7; Zacarias 12:1; Hebreus 12:9. A alma (imaterial) não pode ser meramente transmitida. Explica porque Cristo não assumiu a natureza pecaminosa de Maria.
DIFICULDADES:

A atividade criadora de Deus cessou no sexto dia em Gênesis 2:1 – 3, e não pode ser que Deus crie uma alma diariamente, a cada hora e momento. Por que Deus criaria uma alma pura para colocá-la numa situação de pecado e provável condenação eterna?
TRADUCIONISMO
A Raça Humana foi criada em Adão, tanto o corpo como a alma, e os dois são propagados a partir dele pelo processo de geração natural.
DEFESA:

Esta teoria se harmoniza perfeitamente com as Escrituras, com a Teologia e com uma concepção correta da natureza humana. No Salmo 51 Davi reconhece que herdou a alma depravada de sua mãe; em Gênesis 46:26, almas que descenderam de Jacó; em Atos 17:26, Paulo nos ensina que Deus “de uma vez

fez toda a raça humana”. É melhor explicado o “pecado hereditário” e a “transmissão da natureza pecaminosa”.
DIFICULDADES:

Quem é responsável pela comunicação ou transmissão da alma? Como acontece a formação da alma? Como Cristo nasceu sem pecado?

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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