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Espiritualmente falando, a queda sempre é um processo. Vamos analisar este processo passo a passo na vida de Judá: 1. Fuga: Judá se apartou de seus irmãos. “Aconteceu, por este tempo, que Judá se apartou de seus irmãos…” (Gn 38:1) “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”, (I Jo 1:7) Judá comparsado com seus irmãos, havia vendido o irmão caçula como escravo, e para acobertar a situação, tiveram que mentir ao pai, conseguindo provas falsas acerca da morte de José. A mentira acerca da morte de José quase também matou Jacó, seu pai.

Triturou e esmagou profundamente seu coração. Judá não podia mais suportar a dor da situação. Sua consciência não tolerava sua própria covardia, a hipocrisia dos irmãos, a dor do próprio pai, e a cena de um falso velório. É exatamente, como diz a escritura citada, “por este tempo”, que ele decide fugir em face do trauma que a situação representava. As trevas, ou seja, a escolha de sonegar a verdade destruiu sua comunhão com a família.

Certamente, ignorava que ainda teria que voltar neste ponto, resolver tudo, encarar a verdade publicamente, olhar dentro dos olhos de José e Jacó, independentemente do quão longe tentasse fugir. O ambiente predileto para o diabo levantar suas fortalezas são os traumas, que significam áreas de tamanha fraqueza, medo e desesperança onde quase não existe força para reagir. Fugir da verdade sempre parece, a princípio, o caminho mais fácil.

O que precisamos entender é que fugir é sempre a pior escolha, o caminho mais longo. Nunca tente fugir de Deus, você estará tomando a direção do inferno. Quando Judá se apartou de seus irmãos, ele não só estava se afastando da solução do seu problema com José e Jacó, como também foi o primeiro passo para se afastar da sua identidade. No fundo, ele estava fugindo não apenas de sua consciência, mas estava fugindo de quem ele fora criado para ser em Deus.

Quem foge da dor, em termos práticos, busca conforto e alívio, mas normalmente o que encontra são paliativos. O diabo anseia por estas oportunidades. Aproveitando-se da fragilidade, ele seduz e escraviza as pessoas. O prazer de um relacionamento que envolve imoralidade é um falso conforto predileto usado por Satanás como um caminho de fuga. Temos em pauta, a imoralidade como uma das estratégias usadas para tentar destruir o plano de redenção divino, pois, como sabemos, Judá veio a ser parte da linhagem do Messias.

2. Imoralidade e jugo desigual: Judá se ajuntou com uma mulher cananéia. “E viu Judá ali a filha de um varão cananeu, cujo nome era Sua; e tomou-a e entrou a ela”. (Gn 38:2) “E Isaque chamou a Jacó, e abençoou-o, e ordenou-lhe, e disse-lhe: Não tomes mulher de entre as filhas de Canaã”. (Gn 28:1) Dominado pela urgência de encontrar conforto para tantos conflitos que latejavam em sua alma, Judá se refugia num relacionamento sexual que também acarretava uma situação de jugo desigual. Jugo desigual é um termo usado pelo apóstolo Paulo para qualificar um relacionamento reprovado que agride a unidade espiritual, sujeito a interpelações demoníacas.

Jugo desigual é uma fonte de desconfortos e sofrimentos. Percebemos o desequilíbrio espiritual de Judá através dos seus impulsos sentimentais indomáveis. A famosa escadinha da queda está presente quase que simultaneamente num único verso do texto: “viu, tomou-a e entrou a ela”. Uma pessoa ferida, culpada, decepcionada, fugitiva e agora comprometido com a imoralidade, se precipita a estabelecer o que seria sua família. Os resultados foram devastadores. O mesmo espírito de sensualidade que já vinha prevalecendo sobre Judá traça uma trilha de morte para seus dois primeiros filhos. Er chegou a um ponto de “assumir a forma do mal” que o Senhor o matou.

Onã foi motivado pelo abuso e perversão sexual dentro da responsabilidade de suscitar descendência ao seu irmão, que também o Senhor o matou. Pouco tempo depois, sua própria esposa também morre. Judá, agora, se resume num homem viúvo e desfilhado. 3. Defraudação: Judá engana sua nora.”… mais justa é ela do que eu, porquanto não a tenho dado a Selá meu filho…” (Gn38:26) “E que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão, porque o Senhor, contra todas estas cousas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador.” (1 Ts 4:6) Tamar era na realidade uma extensão do arraso que este espírito de sensualidade vinha realizando na casa de Judá.

Primeiramente, casada com alguém terrivelmente mau (Er), se torna viúva, depois é enganada e abusada sexualmente por Onã, e agora é esquecida por Judá. Temos aqui a figura de uma mulher frustrada e ferida. A cada dia Tamar percebia sua esperança se transformar em desesperança. A Bíblia fala que a esperança demorada enfraquece o coração. A promessa feita por Judá de que Sela quando crescesse cumpriria a responsabilidade de suscitar sua descendência claramente havia caducado.

Tinha que conviver com a vergonha e a maldição de ser uma mulher sem filhos, sem posteridade. A certeza de que não passava de uma pessoa esquecida e abandonada adoecia cada vez mais seu coração e ela resolve dar uma lição no sogro. Mais uma vez a estratégia de fazer justiça com as próprias mãos foi através da imoralidade. 4. Prostituição: Judá novamente tenta alívio na imoralidade e é saqueado. “Então ele disse: Que penhor é que te darei? E ela disse: O teu selo, o teu cordão, e o cajado que estás em tua mão.

O que ele lhe deu, e entrou a ela, e ela concebeu dele”. (Gn 38:18} Judá é surpreendido pelos seus próprios pecados. Tamar, inspirada por sua ferida, não tendo mais nada a perder, simplesmente apela, e trama um ato de prostituição com Judá, mesmo sabendo que isto poderia custar a sua vida: “E aconteceu que, quase três meses depois, deram aviso a Judá: Tamar, sua nora, adulterou, e eis que está pejada do adultério.

Então disse Judá: Tirai-a fora para que seja queimada.” (Gn 38:24) Judá sofre mais um terrível golpe deste espírito de sensualidade. Sem perceber, empenhou sua identidade num ato de prostituição e foi despojado. Quando ele tentou reaver seus objetos penhorados, simplesmente não conseguiu achar mais a suposta prostituta.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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