5 – QUALIDADES DO EXEGETA – Exegese Bíblica

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5 – QUALIDADES DO EXEGETA – Exegese Bíblica

• Fidelidade ao texto: O exegeta deve determinar e desenvolver o verdadeiro sentido do texto, sem acrescentar ou tirar cousa alguma. Não pode harmonizar o texto com o seu pensamento, mas, deve submeter-se ao texto para dele extrair as mesmas idéias que o escritor quis exprimir.

• Imaginação: Nos textos descritivos e históricos o exegeta deve procurar mentalizar um quadro vivo das cenas descritas. Em textos poéticos deve imaginar as circunstâncias emocionais do autor, etc.

• Bom senso: Esta qualidade vem completar a anterior. “O Bom senso é chumbo nas asas da imaginação”. A exegese deve ser a expressão da realidade não especulação alegórica, imaginativa ou fantasiosa.

• Amor a Verdade: O Exegeta deve aproximar-se do texto sem pensamentos preconcebido. Não deve ser iludido por seus preconceitos, dogmas, paradigmas ou relações partidárias. “Sua mente deve ser uma tabula rasa” (Luck). Nossa finalidade é buscar a Verdade. Deus não terá por inocente o que altera a Verdade com seus preconceitos. Temos que ver o que a Palavra diz, não o que queria dizer. “Por que se o escritor disse o que não queria dizer, por que não disse o que queria dizer?”

• Simpatia Para com a Verdade: É uma inclinação, uma tendência para com a Verdade. Não apenas uma curiosidade intelectual, mas uma atitude moral. É uma procura da Verdade para uso na vida pessoal. Quando achamos a Verdade, mas não a aceitamos, não temos simpatia para com ela. Deve haver harmonia entre o nosso espírito e a Verdade Revelada. Uma mente arejada está pronta a aceitar as mudanças que a Verdade impõe sem apelação.

• Espiritualidade – Lutero dizia “Só entende as éclogas de Virgílio quem já viveu como pastor”.3 Do mesmo modo só entende a Bíblia que tem espiritualidade. O primeiro interprete da Palavra de Deus foi o Diabo, mas, foi um mau intérprete. Por que? Porque ele não possuía espiritualidade, por isso, estava mal intencionado (Gn 3.4,5; Mt 4.1-11).

5.1. Erros a Serem Evitado na Exegese

A. O Dogmatismo. Tem por fim encerrar o pensamento acerca de um assunto ou doutrina. Ele faz a sua afirmação sem deixar espaço para outro pensamento. O Catolicismo Romano, bem como grande parte das denominações evangélicas põe seus dogmas acima da Verdade Escriturística.

B. O Ceticismo. Cega porque procura negar tudo aquilo que não for logicamente comprovado. A Bíblia não é um livro de lógica, história ou qualquer outra ciência, mas, “O Compêndio da fé”. A Teologia Contemporânea, o Racionalismo e o Modernismo Teológico tentam negar os milagres referidos na Escritura, por explicá-los de maneira científica ou colocá-los num contexto figurativo; assim, que Jó, Jonas, Daniel as pragas do Egito, a travessia do Mar Vermelho (Mar de Juncos) são apenas Poesia Pastoril (Segundo o Dicionário Michaelis: ficção da literatura religiosa); as muralhas de Jerico, “se é que elas existiram”, ruíram pelo fenômeno da “ressonância”. A multiplicação dos pães e dos peixes foi “aquiescência da matéria” ou um gesto solidário e, quanto a Lázaro, este sofria de catalepsia, etc.

C. Alegorismo. A interpretação alegórica da Escritura pode se verificar perigosa. A Bíblia contém alegorias, mas, lê-la sempre sob o prisma alegórico pode levar à má compreensão e até ao absurdo. Os primeiros pais pecaram por alegorizar em excesso. O alegorismo prejudicou a interpretação dos mestres do passado. Eles entediam que somente por meio da alegoria se poderia perceber o significado oculto do texto. A doutrina deste método foi fortemente rejeitada pelos reformadores.

D. Literalismo: O literalismo é extremamente perigoso, pois, há muitos textos cujo sentido é mesmo figurado, nesse caso, se faz necessário interpretar o tipo, símbolo ou figura. Os textos poéticos, por exemplo, contêm muita língua figurada uma interpretação literal plena se torna difícil.

Observação: Além de tomar cuidado com o alegorismo é preciso, também, precaver-se contra analogismos ou simbologismos. Entendemos que na Bíblia existem alegorias e símbolos e, que a analogia é um método válido de interpretação, contudo, é preciso saber dosar essas nuanças, para não cair no exagero patrístico ou escolástico.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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