4 – Um Deus Todo-Poderoso – Teologia Para Leigos

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4 – Um Deus Todo-Poderoso – Teologia Para Leigos

Assim começa o Credo: “Creio em Deus Pai, Todo-poderoso”. Suponha que paremos nesse ponto e perguntemos: o que queremos dizer ao afirmar que Deus é “todo-poderoso”?

Num primeiro momento, pode parecer perda de tempo. “Todo-poderoso” é uma palavra bastante simples. Significa “capaz de fazer qualquer coisa”. E como cremos que Deus é de fato todo-poderoso, estamos simplesmente dizendo que Deus pode fazer qualquer coisa. Então por que perder tempo com uma discussão sobre um assunto tão óbvio?

Uma das tarefas da teologia é fazer refletir sobre o real significado das palavras ao nos referirmos a Deus. Como falar a respeito de Deus é questão séria, devemos ter certeza de que nossa compreensão é correta. É evidente que pensar sério sobre assuntos tão “óbvios” é importante se queremos ser fiéis a Deus. Mas esse esforço também nos ajuda a entender melhor a natureza e o caráter indescritível do Deus que conhecemos e amamos.

Vamos começar com uma declaração simples: “Afirmar que Deus é todo-poderoso significa que Deus pode fazer qualquer coisa”. De início, isso parece bem direto. Mas, pensando melhor, não é tão simples. Pense na seguinte questão: “Deus pode desenhar um triângulo de quatro lados?”. Não é preciso muita

reflexão para perceber que essa pergunta deve ser respondida negativamente. Triângulos possuem três lados; uma figura com quatro lados equivale a um quadrilátero, não a um triângulo.

Agora tente pensar em uma questão mais complicada: “Deus é capaz de criar uma pedra pesada demais para ele carregar?”. Essa questão envolve um interessante problema de lógica. Se Deus não pode criar tal pedra, então existe algo que ele não pode fazer. Mas se Deus pode criá-la, ele não será capaz de carregá-la — e assim existe algo que ele não pode fazer. Qualquer que seja a resposta, a habilidade de Deus fazer qualquer coisa é colocada em questão.

No entanto, refletindo um pouco mais, não está claro se essas questões interferem no entendimento que os cristãos têm de Deus. Triângulos de quatro lados não existem e não podem existir. A impossibilidade de Deus fazer tal triângulo não consiste em problema sério. Só nos força a reformular nossa declaração simples, tornando-a mais complexa. “Dizer que Deus é onipotente significa que Deus pode fazer qualquer coisa que não signifique contradizer a lógica”.

Ainda precisamos ir além nessa questão.

Se analisarmos a natureza do poder de Deus, perceberemos quão maravilhoso e surpreendente é seu relacionamento conosco. Para entender, precisamos analisar outra questão. “Deus pode levar alguém que o ama a odiá-lo?”. A princípio, a pergunta pode parecer um pouco estranha. Por que Deus querería transformar em ódio o amor de alguém para com ele? A questão parece irreal e sem sentido.

Uma análise mais atenta, no entanto, mostra que a pergunta faz sentido. Em alguma medida, não há problema. “Dizer que Deus é todo-poderoso significa que Deus pode fazer qualquer coisa que signifique contradizer a lógica”. Aqui não há uma clara

contradição lógica. Deus deve ter habilidade para transformar o amor de alguém em ódio. Mas há, obviamente, uma questão mais profunda aqui, que diz respeito ao caráter do próprio Deus. Podemos imaginá-lo querendo fazer isso?

Para esclarecer ainda mais esse ponto importante, farei outra pergunta: “Deus pode quebrar suas promessas?”. Não há contradição lógica envolvida em quebrar promessas. Acontece o tempo todo. Talvez seja lamentável, mas não se trata de um problema intelectual. Se Deus é capaz de fazer qualquer coisa que não envolva contradição lógica, ele certamente pode quebrar uma promessa.

Para os cristãos, porém, essa sugestão é ultrajante. O Deus que conhecemos e amamos é aquele que permanece fiel às suas promessas. Se não podemos confiar em Deus, em quem poderemos? A sugestão de que Deus pode quebrar uma promessa contradiz um aspecto vital dc seu caráter: sua total fidelidade e veracidade.

Há uma tensão entre poder e verdade. Um traidor todo-poderoso pode fazer promessas em que não se pode confiar. Ainda assim, uma das maiores percepções da fé cristã é conhecermos um Deus que pode fazer qualquer coisa — mas que escolheu nos redimir. E tendo assumido um compromisso, ele permanece fiel às suas promessas. Temos o privilégio de conhecer um Deus que escolheu ficar conosco.

O Antigo Testamento expressa essa idéia nos termos de um pacto — um acordo no qual Deus se coloca como nosso Deus, para cuidar de nós. Ninguém o forçou a isso. Ele não tinha de fazer isso. Mas ele escolheu fazer. Por quê? Porque Deus nos ama. Ele não tinha de nos redimir, mas ele escolheu fazê-lo. Quando olhamos para o maravilhoso tema da redenção, começamos a perceber quanto ele nos diz sobre as maravilhas do nosso Deus.

Neste capítulo, vimos a importância de certificar-nos sobre o que queremos dizer ao referir-nos a Deus com palavras. Falar de um “Deus todo-poderoso” talvez sugira que ele seja capaz de realizar qualquer coisa — como quebrar suas promessas. Já analisamos essa idéia mais atentamente e obtivemos uma compreensão mais firme e satisfatória.

Deus é aquele que se comprometeu com a nossa redenção, porque ele nos ama muito. Podemos confiar nele para alcançar seus propósitos. Desse modo, a palavra “onipotência” — como usada pelos cristãos — não significa “a habilidade de Deus fazer qualquer coisa”, mas “a habilidade de Deus alcançar seus propósitos”. As ações de Deus não são logicamente contraditórias ou contrárias a seu caráter. Em vez disso, ele trabalha para atingir seus propósitos. E quais são esses propósitos? Bem, um deles é nos salvar. Devemos nos alegrar por ter um Deus que não apenas nos promete salvação, mas é capaz de fazê-lo. “Aquele que os chama é fiel, e fará isso” (lTs 5:24).

No próximo capítulo, desenvolveremos ainda mais a análise das palavras, enquanto observamos a importância de descobrir o significado pleno de termos-chave do vocabulário cristão.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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