25 – A AUTORIDADE SUPREMA DAS ESCRITURAS – Bibliologia

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25 – A AUTORIDADE SUPREMA DAS ESCRITURAS – Bibliologia

A igreja primitiva recebia a Bíblia como a autoridade final. Gaussen diz:

“Com exceção unicamente de Theodore de Mopsuestia, tem sido impossível encontrar, ao longo dos oito primeiros séculos do cristianismo, um único doutor que tenha negado a inspiração plena das Escrituras, a menos que fosse no seio das mais violentas heresias que têm atormentado a igreja cristã; isso equivale a dizer, entre os gnósticos, os maniqueístas, os anomistas e os maometanos”. L. Gaussen, Theopneustia (Chicago: The Bible Institute Colportage Ass’n n. D.) pág. 139 e segs. (Palestras em Teologia Sistemática – Henry Clarence Thiessen, pg. 45).

A autoridade suprema das Escrituras também é uma doutrina puritano-presbiteriana. A ela, os puritanos tiveram que apelar frequentemente na luta que foram obrigados a travar contra as imposições litúrgicas da Igreja Anglicana.

A Confissão de Fé de Westminster professa a referida doutrina em três parágrafos do seu primeiro capítulo. No quarto parágrafo, ela trata da origem ou fundamento da autoridade das Escrituras: “A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o Seu Autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a Palavra de Deus”.

Mas, visto que Cristo nos fala agora pelo Seu Espírito por meio das Escrituras (Hb 1:1), e que as revelações da criação e da consciência não são nem perfeitas e nem suficientes à salvação do homem, por causa da queda, que corrompeu tanto uma como outra, a Palavra final, suficiente e autoritativa de Deus para esta dispensação são as Escrituras Sagradas.

O fato é que, por procederem de Deus, as Escrituras reivindicam atributos divinos: são perfeitas, fiéis, retas, puras, duram para sempre, verdadeiras, justas (Sl 19:7-9) e santas (2 Tm 3.15). Cf. também Salmo 119:39, 43, 62, 75, 86, 89, 106, 137, 138, 142, 144, 160, 164, 172, Mateus 24:34; João 17:17; Tiago 1:18; Hebreus 4:12 e 1 Pedro 1:23, 25.

Que autoridade teria Paulo para exortar aos gálatas no sentido de rejeitarem qualquer evangelho que fosse além do Evangelho que ele lhes havia anunciado, ainda que viesse a ser pregado por anjos? Só há uma resposta razoável: ele sabia que o Evangelho por ele anunciado não era segundo o homem; porque não o havia aprendido de homem algum, mas mediante a revelação de Jesus Cristo (Gl 1:8-12).

Jesus também atesta a autoridade suprema das Escrituras: pelo modo como a usa, para esclarecer qualquer controvérsia: “está escrito” (exemplos: Mt 4:4, 6, 7, 10; etc.), e ao afirmar explicitamente a autoridade das mesmas, dizendo em João 10:35 que “a Escritura não pode falhar.”

A fé reformado-puritana reconhece a autoridade de todo o conteúdo das Escrituras, e sua plena suficiência e suprema autoridade em matéria de fé e práticas eclesiásticas.

Tão importante foi a redescoberta destas doutrinas pelos reformadores (Reforma Protestante) que se pode afirmar que, da aplicação prática das mesmas, decorreu, em grande parte, a profunda reforma doutrinária, eclesiástica e litúrgica que deu origem às igrejas protestantes.

Todas as doutrinas foram submetidas à autoridade das Escrituras. Todos os elementos de culto, cerimônias e práticas eclesiásticas foram submetidos ao escrutínio da Palavra de Deus. A própria vida (trabalho, lazer, educação, casamento, etc.) foi avaliada pelo ensino suficiente e autoritativo das Escrituras. Muito entulho doutrinário teve que ser rejeitado. Muitas tradições e práticas religiosas acumuladas no curso dos séculos foram reprovadas quando submetidas ao teste da Suficiência e da Autoridade Suprema das Escrituras. E a profunda Reforma religiosa do século XVI foi assim empreendida.

 

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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