11 – ELABORAÇÃO DA EXEGESE – Exegese Bíblica

O Sábado e os Romanos
03/08/2015
Por que Jesus não é o arcanjo Miguel?
04/08/2015

11 – ELABORAÇÃO DA EXEGESE – Exegese Bíblica

Sendo a exegese, também, um trabalho monográfico, deverá seguir, em sua elaboração, as diretrizes traçadas para qualquer monografia científica. É claro que se poderão e deverão fazer as necessárias adaptações ao caso especifico da exegese, sobretudo em se tratando da exegese bíblica, que poderá ser feita de acordo com as etapas gerais mencionadas a seguir:

A. Pesquisa e Documentação. A primeira fonte de pesquisa, no caso da exegese bíblica, está nas diferentes cópias do original. Quando a variação entre manuscritos compromete a coerência interna da mensagem, deverá o exegeta, nesse caso, lançar-se ao trabalho de pesquisa, não só quanto à evidência externa, de acordo com os princípios indicados por Joseph Angus nos seguintes itens:

• De duas variantes, igualmente sustentadas pela confirmação externa, a mais provável é a que melhor se adapte ao sentido.

• De duas variantes, uma fácil e outra difícil, deve esta última ser preferida.

• De duas variantes, uma clássica (influência helênica) e outra e outra oriental, esta provavelmente é a melhor.

• De duas variantes, igualmente sustentadas, deve-se preferir aquela que melhor concorde com o estilo do autor.

B. Diferentes Traduções. Outra fonte de pesquisa, no caso específico da exegese bíblica, é constituída pelas diferentes traduções da Bíblia; todavia poderá o exegeta limitar-se às principais traduções, preferindo aquelas que forem feitas diretamente das línguas originais (A BLH, Bíblia na Linguagem de Hoje, por exemplo, é paráfrase, não deve ser considerada pelo cientista como fonte de pesquisa final exegética).

C. A Melhor Tradução. O exegeta em seu trabalho deve indicar a tradução que for a melhor para o texto em estudo, justificando, naturalmente, sua indicação, podendo, colocar no seu trabalho, a seguinte seqüência: a) texto original; b) sua tradução interlinear do texto; c) a versão que considerar melhor para o cada trecho do texto. No caso do texto hebraico (prosa e alta prosa), poderá se inicia com uma metrificação do texto, o que dá beleza à forma do trabalho. Não é necessário nem conveniente transcrever na exegese os textos de todas as traduções consultadas, uma vez que tal procedimento, além de não contribuir eficazmente para o entendimento da mensagem exegética, pode ainda confundir o leitor.

D. Quando o exegeta usar os textos originais, deverá transliterar os termos ou vocábulos para facilitar a leitura de seu trabalho, tornando-o acessível ao leigo.

E. Ordem das Fontes Consultadas: Deve o exegeta ter o cuido na elaboração da pesquisa exegética de obedecer um critério de consulta segundo a importância das fontes de pesquisa. Obviamente, umas fontes são mais importantes que outras. Procuramos abaixo listar as fontes de pesquisa, segundo a sua ordem de importância:

• Bíblia em textos originais;

• Versões em vernáculo do texto canônico;

• Textos deuterocanônicos;

• Textos pseudo epigrafos;

• Léxicos em língua original;

• Textos analítico-morfológicos;

• Dicionários etimológicos;

• Dicionários bíblicos;

• Dicionários teológicos;

• Comentários Exegéticos;

• Comentários hermenêuticos;

• Compêndios Teológicos;

• Textos profanos. (Entenda-se profano no sentido de não bíblico ou, não voltado diretamente para as Escrituras.)

IMPORTANTE! Tomar cuidado com os comentários exegéticos e teológicos, pois o texto pode ser tendencioso (o melhor é usar estes recursos só caso de necessidade e nunca se limitar a um único comentarista.). O bom é primeiro fazer o todo o trabalho de pesquisa, para depois, aferi-lo por meio dos comentários, para não ficar influenciado por preconceitos.

F. Fichamento da Pesquisa. A documentação de pesquisa é a transcrição em fichas dos elementos importantes que o pesquisador vai descobrindo em sua leitura. Dependendo da importância do trecho, a transcrição pode ser ao pé da letra, colocando-se tudo entre aspas, ou como síntese das idéias contidas no texto, dispensando-se assim as aspas. Em ambos os casos, porém, a transcrição será feita com a citação da fonte. A ficha deve trazer o título da matéria nela registrada, para efeito de classificação. E para facilitar a distribuição da matéria, sobretudo no momento de fazer a esquematização. É aconselhável usar somente um lado da ficha e numerá-las seqüencialmente.

G. Esquematização. A Exegese, como trabalho monográfico, deve constar de três partes essenciais: introdução, exposição e conclusão. A introdução devera fazer o levantamento de um problema, salientando a sua importância, com a formulação de uma pergunta bem definida e clara. Para ser apropriada e conveniente ao corpo do trabalho, é sempre a última a ser redigida. É a primeira na ordem de apresentação, porém, a última na ordem da elaboração. Quanto à exposição, ela constitui a essência do trabalho propriamente dito, não pode ser pré-determinada ou estabelecida, imediatamente após a escolha do texto problema. Somente após a documentação da pesquisa é que se vai fazer o agrupamento das fichas, conforme o conteúdo nelas indicado pelos seus títulos, de onde surgirá, de modo natural o corpo do trabalho com sua divisão, sua titulação e sua ordenação. A exposição, pois, é a concatenação dos argumentos, para fundamentação da questão a ser provocada. A conclusão deve ser uma síntese da exposição; não deve ocupar muito espaço, mas, deve evidenciar o ponto de contextuação e enfatizar a resposta ao problema levantado na introdução.42

H. Redação. Na redação de uma exegese bíblica, bem como em qualquer trabalho monográfico, impõe-se um estilo sóbrio e preciso, importando mais a clareza do que qualquer outra característica estilística. A terminologia técnica só será usada na medida estritamente necessária ou em trabalhos de especializado nível em que ela já se tornou terminologia básica. De qualquer modo, é preciso que o leitor entenda o raciocínio e as idéias do autor sem ser impedido por uma linguagem hermética ou esotérica. Igualmente deve ser evitada a pomposidade pretensiosa, ou verbalismo vazio, as fórmulas feitas e a linguagem sentimental. Em fim, simplicidade no estilo, precisão na linguagem e objetividade nos argumentos, devem ser as marcas de um trabalho monográfico.43

A monografia exegética como toda monografia deve possuir uma conclusão. A conclusão é o fechamento do trabalho, portanto, não deve conter material novo, mas deve ser apresentada em forma de solução. Os problemas levantados ao longo da exegese terão sido resolvidos, portanto, de forma resumida o exegeta deve apresentar o resultado final de sua tarefa exegética. Deve apresentar a solução do problema e a realidade prática desta mesma solução, ou seja, a contextuação final do problema apresentado, investigado e provado pelo ferramental exegético.

12 – CONCLUSÃO
A título de conclusão queremos dizer, que o que temos exposto até aqui, constitui apenas a base, ou fundamento rudimentar da exegese. O trabalho exegético em si é complexo e requer muita dedicação e boa vontade por parte daquele que deseja encetar uma feitura exegética. Em linhas gerais, o acima exposto, inclusive os exemplos em apêndice, tem por fim, orientar o estudioso a que procure praticar a leitura científica do texto bíblico com o fito de conhecê-lo de forma mais abrangente, buscando dirimir as suas limitações enquanto estudante das Sagradas Letras.

Em seqüência a esse estudo, dever-se-á desenvolver um trabalho prático de exegese, com análise de textos originais, comentário exegético, trabalho de pesquisa e fichamento do material coletado. Procurando, ao longo do desenvolvimento exegético, o aprendiz, colocar em prática as técnicas apreendidas, na medida das suas potencialidades, pois, cada estudioso, obviamente lida com as suas limitações. É importante, contudo, em se tratando do estudo da Escritura, que o estudioso tenha a consciência de haver, mesmo, honestamente, esgotado todos os seus limites; por isso mesmo, a feitura exegética, verificar-se-á, “exaustiva” e laboriosa, porém, extremamente gratificante.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *