10 – PARALELISMOS BÍBLICO – Exegese Bíblica

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10 – PARALELISMOS BÍBLICO – Exegese Bíblica

São passagens que não estão no contexto: Estão relacionadas com o texto. Podemos usá-las porque admitimos a unidade das Escrituras. A unidade do conteúdo provém do autor divino, que é o Espírito Santo, I Co. 2:13. O melhor intérprete da Bíblia é a própria Bíblia. Um comentário inteiramente bíblico não faz comentário, apenas mostra as passagens paralelas.

Os paralelismos são divididos em: Verbais (quando são empregadas as mesmas palavras ou frases) e Reais (quando o mesmo pensamento é expresso ou discutido).

• Os paralelismos verbais facilitam a interpretação: certas frases ou palavras podem ser melhor entendidas a partir desta observação; ex.: Gn. 49:6. Passagens paralelas Sl. 7:5 e 57:8. Notar as expressões: minha glória e minha alma.

• Os paralelismos reais se subdividem: em Doutrinais (quando a mesma verdade é ensinada) e Históricos (quando o mesmo acontecimento ou série de acontecimentos são registrados, Ex: I Crônicas e II Crônicas com I Reis e II Reis).

A. Paralelismos doutrinais: A Bíblia é um grande sistema harmonioso da verdade. Cada autor deseja ser coerente. Assim para elucidação da verdade devemos procurar paralelismos primeiramente no mesmo livro. Em segundo lugar procuramos noutro livro do mesmo autor. Em terceiro lugar procuramos textos paralelos em autores que têm afinidades – Ex: Isaías e Jeremias no A.T. Paulo e João no N.T. Em quarto, vamos ver autores que pertencem ao mesmo período, e que foram guiados pelas mesmas regras de fé e costumes. Temos então os profetas Isaías, Oséias, Joel, Amós e Miquéias, todos do mesmo século. Em menor grau

temos: Jeremias, Ezequiel e os demais profetas que são de um período mais recente. O mesmo acontece com os autores do N.T. são todos do mesmo século.

B. Há textos mais claros que explicam os mais obscuros: Os textos breves são explicados pelas expressões mais amplas – Ex: Lc 14.26 com Mt 10:37; Gn 22.1 com Tg 1.13; Jo. 10:8 com 8.39-40,56; com 5.45,46 e com Jo 12.38-41.

C. Paralelismos históricos: Ocupam lugar importante na interpretação do A.T. e do N.T. Temos duas narrativas paralelas, na história dos Judeus. Nos livros de Samuel e Reis e depois nos livros das Crônicas. No N.T., temos os quatro Evangelhos que são narrativas paralelas, os evangelhos sinópticos (os três Primeiros) da vida de Jesus. Há outras narrativas paralelas mais breves: Guerra de Senaqueribe contra Ezequias e doença de Ezequias – Isaías 36-39; 2 Reis 18:13-37 e caps. 19 e 20; 2 Cr. 32. A conversão de Saulo At. 9:1-22; 22:1-21; 26:1-20. Temos melhor compreensão dos acontecimentos quando comparamos os paralelismos.

D. Outros tipos de paralelismos: Há outros tipos de paralelismos, que estão mais relacionados com própria estrutura da língua hebraica como segue:

• Sinonímia: repetir o mesmo pensamento, com palavras ou expressões semelhantes; exemplo: “Render-te-ei graças entre os povos, os Senhor! Cantar-te-ei louvores entre as nações”. Sl 108.3).

• Antítese: é o contraste de pensamentos ou uma comparação; exemplo: “O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma do diligente se farta.” Aqui temos antítese caracterizada nos adjetivos: preguiçoso x diligente e, por extensão no pensamento apresentado por cada frase, como no resultado da postura de cada um.

• Síntese: sintetiza uma idéia ou pensamento, ou mesmo um assunto, a síntese pode ser progressiva, ou seja, o autor vai desenvolvendo de forma mais prolongada o pensamento exposto na síntese inicial. Geralmente, na progressão sintética, ocorre a sinonímia; exemplo: Provérbios cap. 1.10-19. Temos uma síntese de pensamento no verso 10, uma progressão a partir do verso 11 e a síntese final nos versos 18 e 19.

• Quiasmo: disposição cruzada da ordem das partes simétricas de duas frases, de modo que formem uma antítese ou um paralelo. Tal prática é de uso freqüente na poesia hebraica; exemplo: “firme esta o meu coração, ó Deus,o meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores”. (Sl 57.7);

Esse estilo antigo também influenciou os escritores do Novo Testamento. Quando ocorre no contexto neotestamentário denominam-se, geralmente, como hebraísmos (cf., Lc 1.46-55). Verificaremos na prática exegética essas particularidades escriturísticas. Vemos aí parte da riqueza e beleza literária das Escrituras Sagradas.

E. Dificuldades: Os paralelismos trazem também dificuldades, que exigem para sua solução uma visão compreensiva da inspiração da Bíblia. O Espírito Santo inspirou os escritores, mas deixou cada um exprimir-se na linguagem e no modo que lhe era peculiar. Daí é que surgem as dificuldades. Cada escritor se impressiona com um aspecto do acontecimento. Cada um tem uma narrativa verdadeira, mas não completa. Compare, por exemplo, as narrativas da tempestade no Mar da Galiléia – Mt 8.25 a 26 Mc. 4.38-40 e Lc. 8.24-25.

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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