DOMINANDO A LASCÍVIA | Idolatria Sexual – nascidodenovo.org
CONFESSAR NOSSOS PECADOS | #NASCIDOASK
16/10/2016
SALMO 30 | Esboços de Salmos
16/10/2016
Mostre Todos

DOMINANDO A LASCÍVIA | Idolatria Sexual

Em 1983, eu era um estudante da escola bíblica e era consumido pela lascívia. A conversão magnífica que havia experimentado há apenas alguns meses foi esvaziada de toda sua glória pelo pecado sexual que eu voltara a cair. Eu estava desesperado por ajuda, mas não sabia a quem ou onde procurar. Um dia, porém, o pastor da igreja que eu estava freqüentando anunciou que, na semana seguinte, ele falaria sobre lascívia. Eu estava explodindo de alegria! Mal pude esperar até o domingo seguinte. Naquele dia ansiosamente aguardado, depois de o culto de adoração parecer mais longo que eu já havia participado, o pastor subiu ao púlpito e começou sua mensagem. Durante os 45 minutos seguintes, a congregação recebeu uma mensagem severa sobre por que é errado entregar-se à luxúria. Eu sabia que era errado; eu precisava de respostas de como dominar a lascívia em minha vida! Saí da igreja mais desanimado do que nunca. Desde então, Deus tem-me mostrado claramente como a lascívia pode e deve ser dominada na vida do cristão. Jesus tratou do assunto em seu Sermão da Montanha:

 

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno. Mateus 5.27-30

 

Infelizmente, essa passagem das Escrituras tem sido muito desconcertante para alguns. Porém, Jesus não diz aos cristãos em lutas para começar a arrancar os olhos e cortar o corpo. O pro­blema real que está sendo tratado está na mente. Se a mente se torna corrompida com a lascívia, ela requererá algum sacrifício severo para reparar o dano. A lascívia não desaparecerá simples­mente. O homem que está seriamente determinado a andar em pureza deve tomar algumas medidas drásticas. As implicações sérias das declarações do Senhor aqui devem servir como um incentivo a mais. Existem três aspectos para a lascívia que devem ser tratados na vida do crente. Cada um desses elementos leva consigo uma arma para atacar o problema.

 

CONDIÇÕES QUE CONTRIBUEM PARA A CONCUPISCÊNCIA

O espírito deste mundo cria atmosferas espirituais que contribuem para a concupiscência. O apóstolo João disse:

 

Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente. 1 João 2.15-17

 

O mundo está cheio de concupiscência. Em termos práticos, o espírito deste mundo tira proveito do fato de que os seres humanos têm desejos carnais que lhes são inatos: o desejo pelo prazer, pelo poder e o desejo de ganhar. O inimigo constante­mente procura criar certas atmosferas que são feitas sob medida para a cobiça particular em nós. Em virtude disso é que o diabo é chamado de príncipe das potestades do ar. Por exemplo, se uma pessoa tiver de ir a um shopping, achará lá uma atmosfera que promove a cobiça. As mulheres em especial são vulneráveis às vitrines nas lojas de roupas. Existe um clima espiritual que instiga as pessoas a quererem mais e mais. Outro exemplo seria ir assistir a uma partida de boxe. Esse ambiente incita o orgulho, a raiva e, por fim, a violência. Essas coisas podem realmente ser sentidas no ar. Se for a um bar, o ambiente o inclinará para a festa. Não obstante, é o inimigo que trabalha em cada um desses locais.

Para os homens envolvidos em perversão sexual, deve haver uma percepção constante das atmosferas que tendem a provo­car desejos sexuais. Por exemplo, não é aconselhável a um viciado sexual ir à praia ou gastar tempo olhando sem compromisso uma prateleira de revistas. Não se trata simplesmente se existem ou não mulheres seminuas para serem olhadas, mas o homem deve tornar-se sensível a qualquer lugar que tenha um ambiente sen­sual onde espíritos sedutores estão à espreita.

Até a casa deve ser cuidadosamente guardada. A televisão, como já analisamos, é uma forma do inimigo poder trazer uma atmosfera lasciva para sua sala. A melhor abordagem é desem­baraçar-se disso. No mínimo, o homem deve limitar a freqüência com que assiste à televisão e ser extremamente seletivo nos programas a que assiste. Outros itens dentro da casa que devem ser vistos como ciladas potenciais são as revistas, catálogos e jornais. Não é preciso necessariamente cortá-los completamente, mas pelo menos ser cuidadoso sobre o que há em casa. A Internet é também uma armadilha possível do inimigo. Sites de pornografia são, sem dúvida, os negócios mais rendosos de comércio na rede. É importante exterminar impiedosamente da casa tudo o que o diabo poderia usar em um momento de fraqueza. A pessoa que quer obter a vitória sobre a lascívia deve fazer tudo de seu poder para minimizar a capacidade do inimigo de atingi-lo espiritual­mente. Decisões sacrificiais como essas são as que Jesus se referiu quando falou em arrancar os olhos e cortar as mãos.

 

APAGANDO AS CHAMAS DO INFERNO

Quem pode descrever adequadamente o inferno de viver no espírito de lascívia? De ser guiado com um chicote, mas nunca estar satisfeito… De cometer atos humilhantes e degradantes; de se preparar com todo coração para uma experiência e, então, depois de concluída, considerá-la vazia e insatisfatória… Ter o próprio pensamento tornando-se tenebroso, maligno e até louco; machucar aqueles a quem ama freqüentemente; experimentar uma vida de miséria, desespero e desesperança; ver-se arrastado cada vez mais para longe de Deus… Qualquer um que tenha vivido esse tipo de situação sabe mais sobre as chamas do inferno do que pode imaginar.

O viver lascivo é infernal. Novamente, a concupiscência é exigente e nunca se satisfaz. Quanto mais se alimenta a fera, mais voraz ela se torna. Talvez a reação alérgica ao tóxico ilustre o desejo ardente pela imoralidade pela qual alguns são consumidos. O corpo fica coberto por uma erupção cutânea que provoca uma coceira intensa. Se a pessoa coça a área infectada, corre o risco de piorá-la e espalhá-la para outras partes de seu corpo. Se não coça, sente-se como se fosse ficar louca! E, ainda: mesmo que raspe com uma lima de metal, alguns minutos depois coçará ainda mais.

No segundo capítulo, observamos que uma das primeiras coisas que acontece para a pessoa que trilha o caminho de um estilo de vida de pecado sexual é que ela se torna ingrata. A espiral da degradação é uma realidade horripilante para muitos. Contudo, as boas novas são que, se a pessoa volta pelo mesmo caminho, ela pode sair daquela cova! A gratidão apaga o fogo da concu­piscência. Um espírito de gratidão destrói o impulso da paixão para o sexo, porque cria a satisfação no coração do homem. Ela acalma a besta, abafa as chamas e cura a coceira. A mensagem por trás da concupiscência é: “Eu quero! Eu quero! Eu quero!” O sentimento abrigado no coração agradecido é: “Veja tudo o que tenho! Obrigado, Senhor, por tudo o que tens feito e me dado. Não preciso mais de coisa alguma”. Um coração agradecido é um coração saciado. Quando a pessoa está satisfeita com a vida, ela não é dirigida pela cobiça do que não deveria ter. Por exemplo, recen­temente comi uma grande iguaria mexicana. Depois, se o garçom me tivesse trazido uma bandeja de costelas deliciosas ou um bife grosso de filé mignon, não teria aceitado qualquer dos pratos. Eu estava saciado. Meu apetite foi completamente saciado; nada mais queria.

Existem aqueles que diriam: “Devo ser grato pelo quê? Minha vida é nada mais do que uma bagunça total. Sou absolutamente infeliz. Sinto-me pressionado a abandonar hábitos que não consigo deixar. Minha esposa está cansada de mim. Não tenho prazer no mundo, mas também não sou feliz como cristão. Do que exatamente tenho de ser grato?” Nunca lhes ocorreu que grande parte do motivo por que estão em tal condição é devido a seu espírito ingrato e mesquinho. Que perspectiva diferente da velhinha que vivia na pobreza, que olhou para o pedaço de pão seco e o copo de água em cima da mesa à sua frente e exclamou: “O quê, tudo isso e Cristo também?!”

Com isso, lembro-me da história de dois garotos, ambos com nove anos. O pai de Johnny é um advogado muito rico em uma grande cidade. Por ocasião do Natal, ele comprou para seu filho muitos presentes. O que ele estava mais empolgado para dar a seu filho era um vídeo game Super Nintendo. Na véspera de Natal, ele teve o cuidado de colocá-lo atrás da árvore de Natal, de forma que fosse o último presente que Johnny abriria. Na manhã seguinte, o garoto de nove anos impacientemente abriu e jogou para o lado todos os seus presentes. A expectativa de seu pai era imensa quando Johnny finalmente segurou o último pacote. Ele rasgou o papel de presente, viu o Nintendo e atirou-o no chão. “Eu queria o novo Sony PlayStation!”, ele gritou, saindo correndo com raiva para seu quarto e batendo a porta atrás dele.

Enquanto isso, no coração do México, há um orfanato onde meninos e meninas não-desejados são abandonados. A vida naquelas instalações deterioradas é tudo o que o pequeno Juan já conheceu. Nessa mesma manhã de Natal, um pastor americano apareceu com um caminhão carregado de brinquedos usados que ele havia coletado na igreja. Ele começou a distribuir brin­quedos variados para todas as crianças. Ele não pôde deixar de ver Juan olhando parado, de um lado. Ele entrou no caminhão e puxou uma bicicleta: os aros da roda estavam quebrados, o guidão estava torto e tudo o mais. Pedalando pela rampa em direção a Juan, ele disse: “Aqui está garotinho, essa é para você. O menino olhou para ele, maravilhado. Nunca ninguém lhe dera qualquer coisa. Ele não podia acreditar nisso. “Vá em frente, Juan. É para você”. Nisso, o menino acanhado deu um pulo na bicicleta e começou a andar em volta do estacionamento, rindo e chorando de alegria.

Esses dois meninos representam as atitudes que podemos escolher ter na vida. Temos tanto para sermos agradecidos na América. Deus verdadeiramente derramou Sua graça em nosso país. Além da prosperidade de que desfrutamos, há tudo o que Deus fez para nós como cristãos. Uma olhada rápida nas Escrituras revela somente algumas coisas que Deus dá a Seus filhos. Ele deu Seu Filho, o presente mais precioso que tinha para oferecer, para morrer na cruz por nós: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Ele concede a vida eterna (Rm 6.23) e nos dá tudo o que diz respeito à vida e a piedade (2 Pe 1.3). Outorga-nos as chaves do Reino dos céus (Mt 16.19) e concede-nos o poder de pisar serpentes (Lc 10.19). Ele distribui dons espirituais (1 Co 12) e nos dá o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo 1.12). Concede-nos um espírito de poder, amor e moderação (2 Tm 1.7) e nos dá a vitória por intermédio de Jesus (1 Co 15.57). Ele nos dá toda a sabedoria de que precisamos (Tg 1.5). O Senhor nos dá o Espírito Santo (At 2.38). Para os cristãos, não há limite para nossa lista de gratidão. Se um cristão não é grato é porque voluntariamente escolhe não sê-lo.

A gratidão é uma disposição da vida que deve ser encorajada e nutrida. Se um cristão espera até que se sinta agradecido, isso pode nunca acontecer. Ele deve fazer disso uma prioridade, desenvolver o hábito de ser grato, não importando as circunstâncias. Existem duas atitudes básicas que podem ser tomadas para ajudar. Primeiro, a pessoa precisa arrepender-se do ato de reclamar. Isso significa pedir ao Senhor que lhe perdoe por seu espírito de ingratidão. Ele deve assumir o compromisso de parar de murmurar. Terá de se arrepender da autopiedade, porque é a disposição subjacente que promove a ingratidão. Ele também deve arrepender-se de ser exigente e egoísta na vida. Os cristãos devem esforçar-se para estar no espírito que Juan estava, em vez da atitude apresentada por Johnny.

Em segundo lugar, deve aprender a começar a expressar gratidão. Ele deve agradecer regularmente ao Senhor por tudo o que tem feito em sua vida. Deus certamente foi extremamente paciente com aqueles que lutaram com pecado sexual. Temos muito para sermos gratos! Outro exercício prático é fazer listas de coisas para agradecer. Por exemplo, um cristão pode fazer uma lista de todas as coisas das quais ele é grato em sua vida. Talvez, na semana seguinte, ele faça uma sobre seu trabalho. De todos os presentes que já dei para minha esposa, um de seus favoritos é uma lista emoldurada de 35 qualidades que amo nela, dados em seu 35° aniversário. Até hoje, ela está encantada com o presente!

Fazer listas de itens para agradecer terá um efeito incrível no espírito em que um homem está. Para aqueles que são especial­mente ingratos, talvez a esposa desses deva ir à locadora mais próxima e alugar o filme O espírito do natal! * A mensagem desse filme é certamente apropriada para o homem infeliz, que nunca está satisfeito com sua vida e não consegue encontrar qualquer coisa para agradecer a Deus.

 

LIMPANDO O COPO

No capítulo quatro, falei sobre a necessidade de retirar a fachada de santidade e expor a natureza verdadeira do coração. No capítulo cinco, analisamos a mente do homem entregue ao pecado, que é cheia de perversidade e assim por diante. Essa mesma termi­nologia é usada por Jesus ao falar sobre os fariseus. Um dia, Ele estava comendo com os fariseus, quando um deles o criticou por não lavar com cerimônia Suas mãos antes de comer. Isso seria comparável a um cristão não curvar sua cabeça, dando graças pelo alimento antes de comer. Jesus voltou-se para eles e disse: E o Senhor lhe disse: Agora, vós, fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade. “Loucos! O que fez o exterior não fez também o interior? Dai, antes, esmola do que tiverdes, e eis que tudo vos será limpo (Lc 11.39-41).

Lidei com milhares de homens em pecado sexual durante os últimos 15 anos. Muitos aprenderam a limpar o exterior. Eles fre­qüentavam assiduamente à igreja, deixaram sua vida pregressa de diversão e farra, e se arrependeram da rebelião aberta que manti­nham com relação a Deus. Exteriormente, pareciam estar agindo certo. Contudo, era uma outra questão interior. Embora tenham limpado o exterior do copo, seu mundo interior ainda estava cheio de impureza, como o Senhor disse dos fariseus em outra ocasião: auto-indulgência (Mt 23.25).

Jesus não repreendeu os fariseus por limpar a vida deles exterior­mente. É agradável a Deus ir à igreja e arrepender-se das provas visíveis de impureza. Ele procurava ensinar-lhes que é importante da mesma forma limpar a vida por dentro também. Muitos homens que eram controlados por uma concupiscência propulsora conse­guiram dominar os atos externos do pecado sexual, mas ainda são consumidos pela concupiscência por dentro. Algo deve mudar na vida interior.

Jesus deu a resposta aos fariseus naquele dia. Dai, antes, esmola do que tiverdes, e eis que tudo vos será limpo (Lc 11.41). Com aquela Palavra, Ele tocou diretamente no problema. No coração deles, os fariseus não eram doadores, mas recebedores. Quão diferente era nosso Salvador! Ele passou Seu ministério inteiro servindo os outros. Sua vida foi dedicada a praticar atos de misericórdia. Constantemente, sacrificou-Se pelos outros, mostrando sempre generosidade, cura, libertação, ensinando e doando. O que estava dentro dEle foi expresso na forma de misericórdia, amor e compaixão.

Naquela única palavra, doando, Ele dá a resposta para a pessoa que aprendeu a tomar as atitudes da religião e ainda está cheia de impureza. Esta palavra, que é usada umas duas mil vezes nas Escrituras, descreve a natureza fundamental de Deus e, conse­qüentemente, o que significa ser piedoso. Descreve também por que muitos continuam derrotados.

Os passos esboçados neste livro levarão o homem que está em lutas à vitória. Os acessos pelos quais o diabo estava agindo podem ser fechados. Dessa forma, Deus poderá tratar a carne do homem, submetendo-o ao Seu processo poderoso de disciplina. O homem pode esquivar-se das maquinações do inimigo, experimentar um quebrantamento real com relação a esse assunto e desenvolver uma vida devocional maravilhosa. Contudo, se ele quiser ser limpo interiormente, uma transformação terá de ocorrer dentro dele. Ele deve receber menos e dar mais!

A concupiscência é uma paixão – uma paixão egoísta. Olhar com malícia para o corpo de alguém é buscar tomar algo daquela pessoa para si. O desejo sexual gira inteiramente em torno da satisfação da própria carne. É um narcisismo absoluto. Existe uma outra paixão disponível para o filho de Deus. É o que motivou Jesus a dar Sua vida na cruz do Calvário. Lucas chamou de Sua paixão (At 1.3). Há um rio celestial na qual a pessoa pode imergir para satisfazer as necessidades de outras pessoas. E o fogo santo no qual Deus vive – uma paixão em ajudar os necessitados. Para o homem que passou sua vida inteira no narcisismo, esse conceito soa completamente estranho. “Veja, cara, só quero ser libertado desse problema de lascívia. Não estou procurando virar o mundo de cabeça para baixo. Contudo, essa é a resposta que Jesus deu àqueles que precisavam de uma grande purificação interior. Ele disse para dar. É o espírito oposto de querer ganhar para si mesmo.

O que exatamente Jesus quis dizer quando declarou o segundo maior mandamento sob o qual a Bíblia inteira se apóia? Quando Ele disse que devemos amar nosso próximo como a nós mesmos. Jesus quis dizer, como o espírito do mundo afirma, que devemos primeiro aprender a amar a nós mesmos? Não! Se existe uma coisa que é verdade sobre aqueles que estão em pecado sexual, é que eles fizeram um trabalho completo de amar a si mesmos. Na realidade, estão tão empenhados em satisfazer a si mesmos, que magoaram todas as pessoas que se aproximaram deles. Com certeza, Jesus quis dizer algo diferente disso! Porque qualquer um que faça um exame superficial da vida no Novo Testamento pode ver claramente que o fundamento da vida cristã envolve fazer o bem para os outros. Amar os outros não é uma sugestão, mas um mandamento! Se você examinar os Dez Mandamentos, descobrirá que os quatro primeiros tratam de nosso amor para com Deus e os seis últimos de nosso amor para com os outros. Na realidade, deixe-me ir um pouco além. Toda vez que uma pessoa peca, está pecando contra Deus e/ou contra outra pessoa.

Jesus disse:

Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. (Jo 13.34,35). Paulo aconselhou: A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei (Rm 13.8). Pedro advertiu: Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobrirá a multidão de pecados (1 Pe 4.8). Por fim, João declarou: Nós o amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém diz Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? (1 Jo 4.19,20).

Amar os outros no poder de Deus não é um conceito vago, místico. Em termos mais simples, significa dar a si mesmo. Jesus disse: Dai, antes, esmola do que tiverdes, e eis que tudo vos será limpo. Conforme a pessoa aprende a tornar-se um doador em seu coração, começa a ver tudo na vida de um modo diferente. Ela será limpa interiormente.

Em um nível prático, um modo certo de entrar nessa paixão celestial é começar a ver as necessidades dos outros. Os pecadores sexuais são peritos em tomar um cuidado extremo com cada uma de suas necessidades e desejos, e pouquíssimo interesse têm mostrado pela vida dos outros. Paulo expressou o que é o amor de um modo prático:

Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus (Fp 2.3-5).

Indiscutivelmente, esse era o propósito que Jesus tinha a nosso respeito. Ele foi paciente e extremamente misericordioso para cada um de nós. Ele tem procurado fazer tudo dentro de Seu poder para nos fazer bem. Contudo, muitos são como o servo que foi perdoado de uma grande dívida, mas rapidamente se esqueceu da misericórdia concedida a ele e, então, mostrou uma falta de misericórdia por seu irmão. O rei lhe disse:

 

Então, o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? (Mt 18.32,33).

 

Jesus disse: Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai (Mt 10.8). Em outras palavras, saia e vá ao encontro das necessidades dos outros. Comece a ver as outras pessoas como Deus as vê. Quando fizer isso, a compaixão do Senhor começará a crescer em você. Uma mudança gradual começará a acontecer em seu coração. Em vez de ver as pessoas como objetos de uso para seus propósitos narcisistas, começará a vê-las como pessoas com problemas, lutas e dores. Você começará a investir na vida delas para o bem delas. Essa é a vida cristã normal. Qualquer um pode afirmar ser seguidor de Cristo, mas aqueles que têm verdadeiramente o Espírito de Deus dentro de si serão conseqüentemente compelidos a amar as outras pessoas. Oswald Chambers disse: “Quando o Espírito Santo derrama o amor de Deus em nosso coração, então esse amor exige cultivo. Nenhum amor na terra se desenvolverá sem ser cultivado. Temos de nos dedicar a amar, o que significa iden­tificar-nos com os interesses de Deus por outras pessoas”.1

Jesus disse que devíamos dar o que está dentro. Se o pecado está no coração, o melhor lugar para tratar disso não seria no coração? Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem, disse Jesus (Mc 7.23). A chave é converter o coração para um coração bondoso, orando pelos outros. Quando o homem aprender a interceder verdadeiramente pelas necessidades de outras pessoas, acontecerá uma transformação. Ele se tornará um doador em seu coração, em lugar de recebedor. Deus quer que haja um espírito de bênção dentro de Seu povo o tempo todo. Quanto mais um homem ora pelos outros, menos fica irritado, ofendido e provocado por eles; e sim, são menos atraentes para ele sexualmente.

Orar pelos outros é definitivamente um enorme passo na direção certa. A mudança logo aparecerá do coração em atitudes. A velha mesquinhez será substituída por um novo espírito de doação. Da mesma maneira pela qual o velho avarento foi transformado, a pessoa logo estará procurando por oportunidades para suprir as necessidades. Ela se deleitará em dar seu tempo, dinheiro e posses. O mais importante, doará a sua vida tão-somente para que outros prosperem e sejam abençoados.

A melhor forma de começar esse processo é encontrando uma necessidade e suprindo-a. Lembro-me de quando estava em meus primeiros dias de liberdade. O Senhor começou a incomodar meu coração para começar a distribuir bolsas com artigos de necessidades para os mendigos nas ruas de Sacramento. Peguei meu próprio dinheiro e fui às lojas de artigos de segunda mão e comprei toda mochila, maleta e bolsa de ginástica que pude encontrar. Então, enchi as bolsas com todos os tipos de coisas que imaginava ser uma bênção para aqueles homens que estavam morando nas ruas. Fiz isso por várias semanas até que o Senhor me disse que estava na hora de parar. Que oportunidade maravilhosa de exercer misericórdia para com os outros, não esperando receber coisa alguma em troca. Foi a primeira vez que entendi verdadeiramente o que Jesus quis explicar quando disse: Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber (At 20.35).

As possibilidades de se dedicar às necessidades dos outros são ilimitadas. Os ministérios das clínicas de repouso estão sempre procurando voluntários para ajudar os idosos que geralmente foram esquecidos e abandonados pela família e pelos amigos. Que lugar maravilhoso viver pela misericórdia que Deus lhe mostrou! Os ministérios nas prisões precisam de homens que se interessem por aqueles que estão atrás das grades. As crianças precisam de professores de escola dominical que se importem pela vida delas; as cozinhas públicas que servem sopa para os pobres precisam de pessoas que apareçam e sirvam de forma altruísta. Se não houver outra coisa a fazer, pode-se ir ao seu pastor e oferecer-se para servir em qualquer trabalho necessário a fim de ajudar o ministério. A maioria dos pastores está sobrecarregada com obrigações pastorais e vários problemas com relação aos membros de sua congregação, e há poucas pessoas dispostas a dar seu tempo.

É muito importante que a pessoa não se envolva em situações que trarão glória a si mesmo. Homens que estiveram envolvidos em pecado sexual devem primeiro aprender a se tornar servos.

Envolver-se em uma posição de liderança, onde é visto por outros, frustrará o propósito inteiro. Jesus disse: Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. (Mt 6.1). A pessoa precisa servir desinteressadamente, ou nada mudará dentro dela.

Se o homem livrar-se dele mesmo, logo compreenderá a bênção de ser um doador. Não haverá demônio no inferno que possa impedi-lo de viver por meio do amor de Deus pelas outras pessoas. Até que comece a fazer isso, permanecerá aprisionado atrás das paredes de seu egoísmo.

Feche todo o acesso que o inimigo possa ter para atingir sua alma, desenvolva e nutra um espírito de gratidão e aprenda a ser um doador em vez de um recebedor. Esses exercícios espiri­tuais transformarão o modo como você vê as outras pessoas; você começará a vê-las por meio dos olhos dAquele que sacrifi­cou Sua vida por você e por elas.

* N.T.: Uma das muitas e célebres adaptações do Conto de Charles Dickens.