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TREZE ANOS DE SILÊNCIO – A Vida de Abraão

Leia Gênesis 17:1-27
É possível para qualquer um de nós cometer erros que põdem nos levar a outro e depois a outro, mesmo sem percebermos. Podemos até mesmo pensar que estamos fazendo a vontade de Deus, que andamos no caminho correto, enquanto, na verdade, fizemos algo errado no meio do caminho. Quando isso acontece, fica difícil admitir para nós mesmos e para os outros que cometemos um erro. Abraão demonstrou isso de uma maneira memorável.

Algo tão surpreendente quanto fantástico é que durante os próximos 13 anos de sua vida ele acreditou sinceramente que havia agido certo ao ter um filho com Agar. Ele continuou a pensar que estava fazendo a vontade de Deus apesar dos problemas familiares criados pelo nascimento de Ismael. Para ser mais específico, Abraão interpretou certas situações como sendo a confirmação da promessa que Deus havia feito a ele anteriormente quando, na verdade, essas circunstâní-cias nada tinham a ver com a revelação prévia de Deus. :

UMA LÓGICA EQUIVOCADA

Voltemos a pensar sobre o assunto. Deus havia prometido um filho a Abraão, um herdeiro. Esse filho seria gerado dele (Gn 15:4). O Senhor, possivelmente para testar a fé de Abraão e a confiança que ele tinha em Deus, não indicou especificamente que Sara seria a mãe. Já

que ela não podia gerar filhos, o patriarca entendeu que alguma outra mulher deveria ser a mãe de seu filho. Então, quando Sara sugeriu que ele engravidasse a sua escrava egípcia, Agar, Abraão se dispôs a levar adiante o seu plano. Aquela parecia a única coisa lógica a ser feita.

Mas a lógica de Abraão estava equivocada. Aquele não era o plano de Deus. Agar teve um filho de Abraão, porém não era ele o descendente prometido. Como resultado, no momento em que Ismael nasceu, a vida familiar de Abraão mudou completamente. Além disso, os resultados negativos da lógica equivocada de Abraão geraram tremendos problemas para o futuro e que continuam até hoje.

AGINDO BASEADO NUMA PREMISSA FALSA

Ao fazer a avaliação de eventos futuros, Abraão continuou a depender de sua lógica equivocada. Ele concluiu até mesmo que aquilo que ele estava vendo acontecer coincidia com a promessa dada previamente por Deus. Só que essa é a forma mais sutil de pensar de maneira confusa e auto-enganosa.

Vejamos novamente o que estava acontecendo. O ciúme de Sara “explodiu” diante de Abraão, passando então a ser uma retaliação dura e amarga contra a sua serva, o que fez com que Agar saísse de casa e fugisse para o deserto. Quando Agar parou para descansar perto de uma fonte, o Anjo do Senhor apareceu a ela e lhe disse para voltar a Sara e submeter-se à sua autoridade (16:9). Então o Senhor revelou uma mensagem muito importante para Agar, que também soaria muito familiar a Abraão.

Alguns anos antes, Deus havia estimulado a Abraão, em meio a seu conflito com o medo, usando estas palavras: “Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade” (15:5). Agora Deus estava aparecendo para Agar com uma mensagem bastante similar: “Multiplicarei sobremodo a tua descendência, de maneira que, por numerosa, não será contada” (16:10).

E fácil acreditar no que queremos acreditar, especialmente quando parece algo tão lógico. A mensagem de Deus para Agar a respeito de Ismael levou Abraão a basear-se em outra lógica equivocada. Aquela

mensagem vinda de Deus não confirmava o fato de que Abraão tinha feito a coisa certa ao trazer Ismael ao mundo através de Agar? Afinal de contas, Abraão era sincero, e sua primeira decisão de fazer um filho parecia lógica, tendo em vista a promessa de Deus. Além disso, a revelação de Deus a Agar a respeito do futuro de Ismael parecia igual à promessa que ele havia feito a Abraão. Como conseqüência, aquele santo do Antigo Testamento concluiu erroneamente que ele estava realmente fazendo a vontade de Deus e que Ismael era o herdeiro prometido.
O SILÊNCIO DE DEUS

Abraão estava errado. Ismael não era o descendente prometido. A conclusão falsa de Abraão preparou caminho para uma das lições mais difíceis que qualquer filho de Deus pode aprender,. Abraão vagou pelo deserto de seus próprios erros durante 13 anos silenciosos. Ele estava com 86 anos de idade quando Ismael nasceu e somente quando tinha 99 anos Deus apareceu novamente e falou diretamente com ele sobre qual era a sua perfeita vontade (16:16; 17:1). Mesmo que pareça estranho, durante todo aquele tempo Abraão acreditou verdadeiramente que Ismael era o descendente prometido.

Pense sobre isso. Apesar de seus tremendos problemas familiares, Abraão continuou em frente, acreditando que havia cumprido a promessa de Deus. Como aquela experiência deve ter sido dolorosa para ele! Nunca, desde que Abraão saiu de Ur, o Senhor pareceu tão distante durante um período de tempo tão longo.

Deus estava ensinando a Abraão uma lição dramática porém dolorosa. Quando nós tentamos resolver os assuntos sozinhos e fazer as coisas por nós mesmos, algumas vezes Deus permite que as façamos e depois que tenhamos de relutar contra a nossa própria falta de entendimento.

Porém, o propósito de Deus com isso é sempre o nosso bem, para nos ensinar a confiar nele primeiro e mais do que tudo, em vez de confiarmos demasiadamente em nossas próprias habilidades. Ele quer que nós o consultemos em tudo, pois ele quer direcionar os nossos caminhos para a sua perfeita vontade (Pv 3:5, 6).

É isso que Deus queria para Abraão. Por isso vemos que a sua disciplina amorosa estava agindo na vida daquele homem. Na próxima vez que falou com Abraão, Deus sabia que tinha diante de si alguém que o escutaria atentamente, um homem cujo coração estava verdadeiramente preparado para se tornar o pai de muitas nações.

UMA MENSAGEM CLARA

Quando Deus decidiu finalmente romper o seu silêncio dando mais uma revelação direta a Abraão, ele deixou bastante claro que o herdeiro sobre quem havia falado mais de 13 anos antes não era Ismael (Gn 17:1-8). O filho prometido ainda não havia nascido. Sara devia ser sua mãe, não Agar ou qualquer outra mulher (v. 16).

Que tremendo choque aquilo foi para Abraão. Durante 13 anos ele havia acreditado que estava fazendo a coisa certa. Tudo parecia ser tão lógico, tão racional.

Uma risada nervosa

A resposta de Abraão para a revelação de Deus tem deixado muitos intérpretes da Bíblia intrigados. Lemos que “se prostrou Abraão, [com o] rosto em terra, e se riu” (17:17a).

Isso realmente parece ser um procedimento estranho, uma vez que o erro de Abraão foi algo bastante sério. Por que ele questionaria o poder de Deus’ em dar a Sara e a ele um filho, mesmo naquela idade, especialmente tendo em vista as palavras de estímulo do próprio Deus (17:16)? E mais importante ainda, por que ele diria a Deus: “Tomara que viva Ismael diante de ti” (v. 18)?

Alguns acreditam que aquela deve ter sido uma manifestação de alegria. Mas será que foi isso mesmo? Acredito que sua reação foi mais uma “risada nervosa”. Uma risada que refletia dúvida, confusão e também vergonha.

As reações de Abraão eram as de um homem que durante 13 anos pensava estar agindo corretamente e, de repente, descobriu que estava errado. O patriarca havia colocado toda a sua esperança em que Ismael seria o descendente prometido. Ele havia aprendido a

amar o filho, apesar de sua natureza selvagem (16:12). Era lógico que Abraão se defendesse a si mesmo e a seu filho naquele momento, questionasse Deus sobre o evento e pedisse pela vida de Ismael.

Uma resposta direta

A resposta de Deus a Abraão foi tanto positiva como negativa. Deus iria abençoar a Ismael como havia prometido (17:20). Disse o Senhor: “a minha aliança, porém, estabelecê-la-ei com Isaque, o qual Sara te dará à luz, neste mesmo tempo, daqui a um ano” (v. 21). Não deve nos surpreender o fato de Abraão estar chocado, nervoso e confuso. Aquelas promessas pareciam ser tão similares.

Mesmo que a maneira de pensar de Abraão durante todos aqueles anos parecesse ser lógica e racional, ela estava baseada numa premissa falsa que o levou a falsas conclusões. Como qualquer um de nós, Abraão tinha dificuldades em aceitar o fato de que havia cometido um erro tão grave. No que você pensaria se, de repente, descobrisse que estava fora da vontade de Deus durante 13 anos, enquanto pensava estar realmente fazendo a sua vontade? Isso seria algo devastador para o ego de qualquer homem. Francamente, acho que eu também acabaria rindo, não de alegria, mas de vergonha.

Pela primeira vez em mais de uma década, Abraão era capaz de entender a revelação do Senhor para ele (15:5), assim como a mensagem que Deus tinha dado a Agar (16:10). Pouco a pouco, tudo entrou na perspectiva correta. Deus estava pensando em dois filhos: o primeiro era Isaque e o segundo, Ismael. A primeira bênção era para o seu verdadeiro herdeiro. A segunda bênção seria para o filho que havia nascido segundo a carne. Muitos séculos mais tarde, Paulo se refere àqueles dois meninos quando escreveu a respeito de Abraão: “Mas o [filho] da escrava nasceu segundo a carne; o da livre, mediante a promessa” (G1 4:23).

DE VOLTA AO CAMINHO CORRETO

A parte mais encorajadora desta história é o seu final. Abraão, como verdadeiro homem de Deus que era, imediatamente procurou voltar

a andar no caminho correto. Ele reconheceu o seu erro. Ainda que tivesse de conviver com os resultados de seu erro, o patriarca começou imediatamente a obedecer à vontade de Deus.

O Senhor fez com Abraão um novo contrato, uma aliança na carne. Ele e todos os demais homens de sua família deveríam ser circuncidados. Aquele seria um sinal de separação de tudo o que é contrário à vontade de Deus. Abraão, disposto a obedecer a Deus, colocou imediatamente aquilo em prática:

Tomou, pois, Abraão a seu filho Ismael, e a todos os escravos nascidos em sua casa, e a todos os comprados por seu dinheiro, todo macho dentre os de sua casa, e lhes circuncidou a carne do prepúcio de cada um, naquele mesmo dia, como Deus lhe ordenara. Tinha Abraão noventa e nove anos de idade, quando foi circuncidado na carne do seu prepúcio. Ismael, seu filho, era de treze anos, quando foi circuncidado na carne do seu prepúcio. Abraão e seu filho, Ismael, foram circuncidados no mesmo dia. E também foram circuncidados todos os homens de sua casa, tanto os escravos nascidos nela como os comprados por dinheiro ao estrangeiro.

Gênesis 17:23-27

TORNANDO-SE UM HOMEM DE DEUS HOJE

Princípios de vida

Como podemos evitar cometer o mesmo erro de Abraão? Mais especificamente ainda, o que podemos fazer para ter certeza de que não somos uma vítima de nosso modo de pensar errôneo e do sutil auto-engano?

• Princípio 1: Devemos estar alertas às estratégias sutis que Satanás usa para nos enganar.

O pai da mentira fará tudo o que puder para nos levar pelo caminho errado. Ele pode até mesmo se transformar em anjo de luz (2 Co 11:14).

A boa notícia é que somos capazes de derrotar Satanás. Podemos ser “fortalecidos no Senhor e na força do seu poder”. Devemos também nos revestir de “toda a armadura de Deus” para que possamos então nos defender das artimanhas do diabo. Nós podemos vencer a batalha, se seguirmos o plano de batalha estabelecido por Deus (Ef 6:10-18).

• Princípio 2: Devemos reconhecer que o nosso coração é enganoso

(Jr 17:9).

Assim como Abraão, podemos ser bastante sinceros em querer fazer a vontade de Deus, mas sempre teremos a tendência de confiar em nosso próprio intelecto e nossas outras habilidades. Quando fizermos isso, cometeremos enganos. ‘•

No caso de Abraão, um erro levou a outro, sem qúe ele percebesse. Já que seu coração o havia enganado, Abraão não estava ciente de seu primeiro erro. Assim sendo, ele não reconheceu também o segundo. De certa maneira, é como se ele fosse um piloto de avião voando às cegas, não porque os sinais eram inexistentes, mas porque ele tentou se adiantar. E, por estar agindo precipitadamente, ele ignorou todos os sinais. O patriarca deixou de ligar o seu rádio de comunicação e consultar a Deus. Parece familiar? Qual foi a última vez que você fez a mesma coisa?

• Princípio 3: Devemos estar alertas para nossa tendência de pensar

de modo subjetivo e com uma inclinação pessoal.

Se realmente desejarmos algo, podemos interpretar quase tudo como sendo um sinal positivo da aprovação e da bênção de Deus. Nesse sentido, a experiência de Abraão é intrigante. Ele não foi capaz de discernir as diferenças sutis entre o certo e o errado. Sua maneira de pensar subjetiva estava confusa e distorcida, ainda que parecesse estar clara.

Devemos nos lembrar de que isso pode acontecer com qualquer um de nós.

• Pode acontecer quando não consultamos a Palavra de Deus.

• Pode acontecer quando ignoramos o conselho de irmãos em Cristo espiritualmente maduros.

• Pode acontecer quando nossos egos se envolvem e quando tentamos resolver as coisas sozinhos.

• Pode acontecer até mesmo no momento quando desejamos sinceramente fazer a vontade de Deus.

Quando tomamos uma decisão sem sermos liderados por Deus, acreditando que estamos certos, corremos o perigo de atribuir o resultado de nossas ações futuras à nossa própria decisão “correta”. Assim como Abraão, podemos interpretar erroneamente a Palavra de Deus, usando-a para apoiar os nossos preconceitos e tendências carnais.

• Princípio 4: Devemos estar alertas quanto ao nosso orgulho.

Depois de termos cometido um erro, é muito difícil admitir para nós mesmos e para os outros que estávamos errados. Mudar nossos padrões de pensamentos e admitir que cometemos um erro é algo traumático, ameaçador e embaraçoso.

Aqui podemos aprender outra lição valiosa com Abraão. Ainda que fosse difícil para ele aceitar aquela revelação, Abraão obedeceu a Deus imediatamente. O patriarca voltou para o caminho correto naquele mesmo dia. E verdade, ele não poderia desfazer o passado. E mais ainda, o seu engano iria persegui-lo durante muitos anos ainda. Mas mesmo assim ele obedeceu. Como veremos mais tarde, Deus o abençoou pela sua fidelidade e obediência.

APLICAÇÃO PRÁTICA

Você percebe como somos homens privilegiados por termos acesso à verdade bíblica? Estamos numa posição muito melhor para avaliar a vontade de Deus, uma vez que temos revelação completa do Senhor. Mesmo que muitas vezes o Senhor pareça estar em silêncio, na verdade ele não está, pois já nos revelou o que precisamos saber para fazer a sua perfeita vontade. Ainda que possamos perder o nosso

foco ou a perspectiva correta, temos a sua revelação escrita sempre à disposição e também acesso àquele que inspirou as Escrituras. Se formos cristãos, o Espírito Santo habita em nós, e é seu desejo nos direcionar e guiar em toda a verdade. Quando tivermos necessidade de sabedoria, poderemos ir diretamente ao Senhor e pedi-la em oração (Tg 1:5).

Lembre-se também de que nunca é tarde demais para voltar ao caminho correto. Em alguns casos, assim como o de Abraão, nós podemos ter de carregar uma carga pesada de nossos erros e pecados do passado. Entretanto, essa não é uma desculpa para deixarmos de aproveitar as bênçãos presentes e futuras que desfrutaremos por estarmos na perfeita vontade de Deus.

Estabeleça um objetivo ,

Enquanto revisa os quatro princípios de vida, determine onde você é mais vulnerável. Qual é o elo mais fraco de sua vida espiritual? Se você tem dificuldade de discernir que fraqueza é essa, peça ao Senhor que a revele. Consulte também algum irmão em Cristo que seja maduro. Baseado no seu novo entendimento da situação, estabeleça um objetivo pessoal:
Memorize o seguinte texto bíblico

Procure memorizar esta passagem das Escrituras para ajudá-lo a alcançar o seu objetivo:

Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.
Hebreus 4:12

Crescendo juntos

Estas perguntas destinam-se a discussão em pequenos grupos de estudo:

1. Que lição você aprendeu sobre a vida de Abraão com este capítulo em particular e que lhe pareceu ser a mais significativa e capaz de ajudá-lo?

2. De que maneira você se identifica com o período de 13 anos de engano vividos por Abraão? Você pode ilustrar isso com a sua própria vida? Para ser mais específico, de que maneira o seu pensamento tem sido enganoso e pode estar fazendo-o chegar a certas conclusões e idéias baseado numa premissa falsa?

3. O que aconteceu quando você voltou para o caminho correto do Senhor? Você gostaria de compartilhar tanto as bênçãos como os seus conflitos?

4. Quais os seus pedidos pessoais de oração?

Pr.Raul
Pr.Raul
Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

1 Comment

  1. Alexande says:

    Muito. Bom esse. Estudo. Efificante

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