O Cristão Médio – Batismo e Plenitude do ES – nascidodenovo.org

O Cristão Médio – Batismo e Plenitude do ES

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O  Cristão  Médio – Batismo e Plenitude do ES

Até aqui, neste capítulo, tentamos distinguir entre o batismo do Espírito (que todos recebem na conversão) e a plenitude do Espírito (da qual devemos nos apropriar de maneira contínua e crescente). Também constatamos que algo importante que nosso Senhor e Seu apóstolo Paulo ensinaram é que é necessário continuar vindo e bebendo, bem como quais são os sinais da plenitude do Espírito e o mandamento para sermos cheios. Tudo isto foi um estudo bíblico.

Entretanto, as principais objeções a esta interpretação não são tanto bíblicas quanto empíricas, não teóricas mas práticas. Deixe-me redigi-las em duas sentenças:

1) Se todos os cristãos foram balizados com o Espírito, a maioria não parece ter sido!

2) Alguns cristãos dizem ter passado por uma outra experiência do Espírito Santo, diferente, e eles não parecem estar mentindo!

Veremos uma objeção de cada vez.

Primeiro vamos falar do que pode ser chamado de “cristão médio” nos dias de hoje. Somos perguntados: “Alguém pode querer afirmar com convicção que foi balizado com o Espírito? Veja sua conversão e sua vida subseqüente. Sua conversão não teve nada de extraordinário, de forma alguma parecida com um ‘batismo do Espírito’, e sua vida cristã presente mostra pouca ou nenhuma evidência de ter sido balizado.” O que poderemos dizer em resposta?

Negar que a conversão do cristão médio é ou inclui um batismo do Espírito hoje, depende de uma pressuposição quanto a como o batismo do Espírito precisa ser necessariamente. As pessoas sempre têm em suas mentes as imagens dramáticas do dia de Pentecostes. Estão sempre à procura de vento, som e línguas estranhas. Elas se esquecem de que os sinais sobrenaturais que acompanharam a vinda do Espírito Santo no Pentecostes não são mais típicos de cada batismo do Espírito que os sinais que acompanharam a conversão de Saulo na estrada de Damasco.

Já vimos que não é possível transformar o dom de “idiomas” ou “línguas” em evidência indispensável do batismo do Espírito. A mesma coisa vale para vento e fogo. Não há nenhuma referência a vento, fogo ou línguas no fim de Atos 2, em relação aos 3 mil que receberam o Espírito. De forma alguma. O vento, fogo e as línguas em Pentecostes, assim como a luz e a voz na estrada de Damasco, eram sinais, dramáticos sim, mas exteriores e secundários; não eram parte necessária da experiência interior essencial. Que prova bíblica existe para nos fazer crer que as pessoas não podem receber o “dom” ou “batismo” do Espírito de maneira silenciosa e sem chamar a atenção?

Quero ir além. Não há prova bíblica para a opinião de que a regeneração é um processo consciente, isto é, que a pessoa que nasce de novo está consciente do que está acontecendo dentro dela. O próprio Jesus deu a entender o oposto quando, em sua conversa com Nicodemos, fez uma comparação entre a atuação do Espírito no novo nascimento e o sopro do vento:

“O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.” (João 3.8).

Podemos ver, ouvir e sentir os efeitos do vento, mas há algo de secreto e misterioso sobre o comportamento do vento em si. Os efeitos de um novo nascimento também são evidentes (em uma mudança de vida), mas há algo de secreto e misterioso na atuação regeneradora do Espírito Santo. Naturalmente a “conversão” (a volta de um pecador para Cristo, em arrependimento e fé) geralmente é consciente, mesmo sendo uma obra do Espírito; a pessoa compreende certas coisas com sua mente e age de acordo com Sua vontade. Todavia, a regeneração é a implantação de uma nova vida em uma alma morta em transgressões e pecados. Não temos maior consciência desta infusão de vida espiritual, que é chamada de novo nascimento ou espiritual, do que temos de nosso nascimento físico. Em ambos os casos a consciência de si mesmo, de estar vivo, chega mais tarde. Por isso, se o “batismo do Espírito ” é, como temos dito, outra maneira de referir-se ao nascimento do Espírito, não há razão para insistir em que ele deve ser consciente, muito menos dramático.

A outra parte da objeção em relação ao cristão “médio” tem a ver, não com as circunstâncias da sua conversão, mas com o nível baixo de sua vida cristã subseqüente. Pode-se afirmar que uma pessoa assim foi batizada com o Espírito? Bem, de forma alguma eu quem negar ou desculpar a vida abaixo da média de muitos cristãos hoje. Muitas vezes é verdade o que se diz dos cristãos, e isto é triste. Nossa desobediência e nossa descrença privaram muitos de nós da herança completa. Ainda temos o direito a ela, porque pertencemos a Cristo, mas não temos nos apropriado dela. Somos como os israelitas, quando lhes foi dada a terra prometida, porém antes de terem se apossado dela. Precisamos nos arrepender e voltar para Deus. Sem dúvida, já fomos batizados com o Espírito, todavia continuamos a viver em um nível inferior ao que nosso batismo espiritual nos possibilita, porque não continuamos cheios do Espírito.

A propósito, deve ser acrescentado que este nível baixo de vida cristã pode ser encontrado em todos os grupos cristãos. Tanto aqueles que dizem ter tido experiências espirituais excepcionais, quanto os outros, podem fracassar em suas responsabilidades morais, em sua honestidade, pureza e altruísmo. Da mesma forma, conheci pessoas nos dois grupos que são admiravelmente semelhantes a Cristo. A derrota e a vida medíocre de muitos cristãos não são evidências de que eles precisam ser batizados com o Espírito (mesmo os cristãos de Corinto, orgulhosos, sem amor, briguentos e intolerantes, tinham sido batizados com o Espírito), mas que precisam recuperar a plenitude do Espírito, perdida por causa de pecado ou incredulidade, tomando-se, assim, o que os cristãos de Corinto eram, ou seja, “não espirituais” ou “carnais” (1 Cor. 3:1ss.). Neste sentido muitos cristãos têm uma experiência em dois ou mais estágios. Mas estes não são a vontade e o propósito gerais de Deus (que é um apropriação consciente e crescente); sua causa é seu retrocesso em pecado.