Experiências Especiais – Batismo e Plenitude do ES

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Experiências  Especiais – Batismo e Plenitude do ES

Passo para o segundo tipo de cristãos mencionados acima, não mais o cristão médio que (dizem) parece não ter sido batizado com o Espírito, mas os cristãos especiais que (dizem) tiveram uma experiência “pentecostal” que chamam de “batismo com o Espírito”, o que podemos dizer deles e de suas experiências?

Mencionarei de passagem três explicações das quais não deveríamos nos esquecer, mas com as quais não quero me demorar. Em primeiro lugar, uma pequena parte destas experiências sem dúvida são demoníacas, uma imitação horrível efetuada por Satanás, das experiências espirituais genuínas. Jesus nos advertiu deste tipo de coisas, e a onda alarmante de fascinação com as coisas ocultas nos dias de hoje, deveria pôr-nos em estado de alerta, ilusões satânicas falsas não deveriam enganar os filhos de Deus, por outro lado. O diabo odeia tanto Cristo quanto a santidade, e não iremos ver Cristo honrado ou a santidade promovida onde ele controla a situação.

Em segundo lugar, uma grande parte destas experiências é psicológica. E óbvio que, em certo sentido, todas as nossas experiências são psicológicas. No entanto, o que eu quero dizer é que algumas experiências que consideramos espirituais, na verdade são psicológicas, porque se originam em nossa psique humana, e não no Espírito de Deus. Isto certamente vale para parte do chamado “falar em línguas”. Não posso precisar o volume delas. Porém, formas de “glossolalia”, fala involuntária além do controle da mente consciente, são bem conhecidas em círculos hindus, muçulmanos e mórmons, bem como em algumas condições clínicas, e este fenômeno não parece ser diferente do que muitos cristãos praticam hoje. No entanto, isto não deveria nos preocupar demais. Atribuir algo à psique humana não é a mesma coisa que atribuí-lo ao diabo, O que é “psicológico” pode ser moral e espiritualmente neutro. É muito mais importante perguntar se glorifica a Cristo e promove justiça.

Em terceiro lugar, algumas outras experiências do nosso tempo parecem realmente ser experiências de conversão. Quando ouvimos falar de cristãos nominais, liberais ou católicos que dizem ter sido “batizados com o Espírito”, muitas vezes suspeitamos que eles estão na verdade descrevendo o que costumava ser chamado de “experiência evangélica”, isto é, a sua conversão. Neste caso, a sua descrição do que lhes aconteceu é mais bíblica do que muitos possam pensar!

Tendo mencionado estas três explicações, quero agora concentrar-me em experiências que não parecem ser nem demoníacas nem puramente psicológicas, e que também, evidentemente, não são experiências de conversão, porque acontecem com cristãos convertidos já há multo tempo. Pelo contrário, são autênticas, experiências mais profundas de Deus. Sobre estas, sem dúvida a primeira coisa que precisa ser dita é que o Espírito Santo é Deus, o Senhor. Ele é o Espírito divino, o Espírito poderoso, o Espírito livre e soberano. Não devemos querer limitar sua atuação; na verdade, mesmo se quiséssemos fazê-lo, não conseguiríamos. Devo insistir que, de acordo com o Novo Testamento, a norma de Deus é um “batismo” inicial com o Espírito, seguido por uma apropriação contínua e crescente da sua plenitude, que inclui um crescimento contínuo em santidade e em direção à maturidade cristã; apesar disto deve ser acrescentado que, dentro deste processo de crescimento, podem haver muitas experiências mais profundas, e que, às vezes, o Espírito atua de maneira ainda mais fora do comum. Ao escrever sobre estas experiências subseqüentes, quem enfatizar primeiro seu caráter variado, depois sua importância secundária e, por último, o fato de que elas são sempre incompletas.

Primeiro, portanto, sua variedade. Sob este título eu incluo que experiências iguais ou semelhantes podem ser repetidas. Já observamos que o ensino do Novo Testamento pode ser resumido como “um batismo, muitos enchimentos”. Um novo preenchimento pode preceder uma nova responsabilidade, e ser concedido para nos equipar para um trabalho novo e exigente. Ou ele pode seguir um período de desobediência, declínio ou sequidão, quando o pecador arrependido de repente se vê elevado a um novo plano de percepção espiritual e vivência.

Até certo conto estas experiências irão variar de acordo com o nosso temperamento. O Espírito Santo nos respeita como indivíduos e não suprime com uma nova criação o que já somos por nascimento. Ele trabalha dentro de nós com meios adequados a nós, fazendo-nos livres para sermos nós mesmos, conforme o potencial pleno com que fomos criados. Nosso temperamento básico não muda, e esta é uma das principais razões para a ampla variedade das experiências espirituais. Não iremos e nem podemos esperar que tipos chamados “fleumáticos” ou “coléricos” ou extrovertidos e introvertidos, experimentem Cristo da mesma maneira.

Entretanto, todos os cristãos podem esperar experiências novas de Deus. Deus não gosta de coisas antiquadas ou estagnadas. Ele pede que cantemos um cântico novo, porque Ele quer que nosso conhecimento acerca dEle seja novo; ele também promete que Suas misericórdias “renovam-se cada manhã” (Sal. 40:3; 98:1; Lam. 3:23). Às vezes, o testemunho interior do Espírito Santo, assegurando-nos que somos realmente filhos de Deus, é confirmado de maneira poderosa e maravilhosa, libertando-nos completamente de escuridão e dúvidas. Às vezes, ele inunda nosso coração como uma onda tão imponente do seu amor que quase lhe pedimos que detenha sua mão para não sermos afogados por ela. Às vezes, nosso coração “arde” quando Cristo nos abre as Escrituras, e nós O vemos nas Escrituras como ainda não o tínhamos visto antes (Luc. 24:27,32). Às vezes, experimentamos uma aceleração do nosso pulso espiritual, um bater do coração, uma intensificação do nosso amor por Deus e pelas pessoas, uma sensação penetrante de paz e bem-estar. Às vezes, na reverência digna do culto público, ou na comunhão espontânea de uma reunião numa casa, ou durante a Ceia do Senhor, ou durante a oração pessoal, de repente uma realidade invisível toma conta de nós. O tempo pára. Entramos em uma nova dimensão da eternidade. Ficamos em silêncio e conhecemos que Deus é Deus. Calmos aos seus pés e o adoramos.

Já quando tentamos descrever o que é indescritível vimos que todos os integrantes da Trindade estão envolvidos. A experiência do cristão é experimentar Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Na verdade não existe uma “experiência do Espírito Santo”, da qual Pai e Filho estão excluídos. Seja como for, o Espírito Santo é um Espírito discreto. Ele não chama, intencionalmente, a atenção para Si mesmo. Ele prefere nos levar a orar “Aba, Pai!”, dando, assim, testemunho do relacionamento de filhos com Deus (Rom. 8:15,16; Gál. 4.6). E, acima de tudo, ele glorifica Cristo. Ele dirige os fachos poderosos dos seus holofotes para o rosto de Jesus Cristo. Não existe momento em que ele esteja mais contente do que quando o crente se concentra em Jesus Cristo. Foi no contexto da vinda do Espírito que Jesus disse:

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.” (João 14:21).

Quem ama Jesus realmente, provando seu amor com obediência, não pode imaginar recompensa maior que esta manifestação prometida do seu Amado pelo Espírito. Isto traz o que Pedro chama de “alegria indizível e cheia de glória” (1 Ped. 1:8).

Estas experiências das quais eu falei até agora podem ser chamadas de “comuns”, porque se relacionam com a certeza, o amor, a alegria, e a paz que, de acordo com a Escritura, são comuns a todos os crentes, em alguma medida. Eu ficada surpreso se algum leitor cristão não tivesse nenhuma noção delas. Todavia, existem outras experiências, às quais preciso chegar agora, de caráter mais “incomum”, por não serem parte da experiência normal do cristão que o Novo Testamento apresenta. Pode acontecer que o Espírito Santo conceda ao crente o que concedeu ao apóstolo Paulo, “visões e revelações do Senhor”, de uma maneira tal que Paulo diz ter sido “arrebatado até o terceiro céu” e ouviu “palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir” (2 Cor. 12:1-4). Em outras ocasiões, especialmente em tempos de reavivamento, crentes dizem ter tido experiências e visitações de Deus bastante extraordinárias.

Algumas vezes, um evangelista ou pregador cristão recebe acesso maravilhoso ou poder sobrenatural para o ministério especial para o qual Deus o chamou. Provavelmente já lemos destas experiências nas biografias de grandes homens de Deus como John Wesley e George Whitefield, Jonathan Edwards e David Brainerd, D, L. Moody e outros. Com terminologia bíblica, diríamos que estes homens foram “ungidos” com o Espírito Santo.

Devemos ter cuidado em usar esta Palavra, porque, em certo sentido, todos os cristãos foram “ungidos” com o Espírito Santo, ou receberam a “unção” do Espírito (2 Cor. 1:21, 1 João 2:20,27). Mesmo assim, a Escritura também usa estes tenros para situações especiais como quando Jesus aplicou a si mesmo as palavras de Isa. 61:1, no início do Seu ministério público, dizendo: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar…” (Luc. 4:18). Talvez também devamos entender neste sentido o que aconteceu a Saulo de Tarso quando Ananias o visitou. Ele deveria ficar “cheio do Espírito Santo” (Atos 9:17), para ser “testemunha” de Cristo a todas as pessoas, acerca do que vira e ouvira (22:15; veja também 26:16-18). Esta foi sua nomeação e unção como apóstolo.

A esta altura precisamos notar a grande variedade de tais experiências. Não tenho a intenção de duvidar ou questionar sua validade. O que preocupa é o estereótipo fixo que algumas pessoas zelosas tentam impor a todos, insistindo em um chamado “batismo do Espírito”, subseqüente à conversão, que deve assumir uma certa forma e ser acompanhado por certos sinais. É isto que eu me sinto obrigado a rejeitar como incompatível com a Escritura. Entretanto, não substituamos um estereótipo por outro! Tudo o que podemos dizer é que a vida cristã começa com um novo nascimento, que pode acontecer de muitas maneiras diferentes, mas sempre inclui o “dom” ou “batismo” do Espírito, e que é seguido de crescimento em maturidade, um processo que pode incluir uma grande variedade de experiências mais profundas.

Do caráter variado destas experiências, passo para um comentário da sua importância secundária. Elas podem ser profundamente comoventes, até empolgantes. Mas não é possível que qualquer uma delas se compare em importância com a primeira obra de graça de Deus, quando ele teve misericórdia para conosco e nos reconciliou com ele. Alguns cristãos falam com exagero das suas experiências posteriores, como se antes estivessem aprisionados e agora livres: antes tudo era aguado, agora a água se transformou em vinho.

A verdade é que eles devem estar confundindo sentimentos subjetivos com realidades objetivas. Quando nos unimos a Cristo pela fé, acontece algo tão tremendo que o Novo Testamento não encontra palavras adequadas para descrevê-lo. É um novo nascimento, sim, mas também é uma nova criação, uma ressurreição, luz no meio das trevas, vida que sai da morte. Éramos escravos, agora somos filhos. Estávamos perdidos, agora voltamos para casa. Estávamos condenados e destinados à ira de Deus, agora fomos justificados e adotados em Sua família. Que experiência posterior é possível comparar com esta em grau de importância? Ao descrevermos experiências posteriores, devemos ter cuidado em não desvalorizar nossa regeneração ou desprezar a primeira, decisiva e criadora obra do amor de Deus.

Minha terceira observação sobre as experiências subseqüentes é que elas são incompletas. Algumas pessoas falam das suas próprias experiências dando a impressão de que nada lhes tinha acontecido antes, e que nada mais poderia lhes acontecer depois! Elas dão a impressão de que chegaram onde é possível chegar. Foi esta presunção dos coríntios que Paulo descreveu com sarcasmo tão mordaz:

“Vocês já têm tudo o que precisam! Já são ricos! Vocês já se tornaram reis, e nós, não! Que bom se vocês fossem reis de verdade, para que nós pudéssemos reinar junto com vocês!” (1 Cor. 4:8, BLH).

Eles se comportavam como se estivessem gozando seu pequeno milênio particular! Acontece que o mesmo Novo Testamento, que fala em termos tão contundentes do que Deus fez por nós em Cristo, insiste em nos lembrar que apenas estamos começando a entrar na posse da nossa herança. Ainda iremos passar fome e sede durante esta vida, sabendo que somente na próxima não estaremos mais famintos nem sedentos. Por esta razão encontramos no Novo Testamento, lado a lado, expressões de afirmação e de anseio, de satisfação e de insatisfação. Por um lado “alegramo-nos”, por outro “gememos” (p. ex., Rom. 8:23, 2 Cor. 5:2). É verdade que a alegria é parte do fruto do Espírito, mas também existe tristeza para o cristão.

Alguns cristãos falam e se apresentam como se estivessem pensando que devessem trazer no rosto um sorriso permanente! Em conteste, lemos sobre o santo do Antigo Testamento, que disse: “Torrentes de água nascem dos meus olhos, porque os homens não guardam a tua lei (Sal. 119:136), ou do próprio Senhor Jesus, que chorou porque a cidade de Jerusalém não queria se arrepender (Luc. 19:4l), ou do seu apóstolo Paulo que, em certas ocasiões, pôde escrever somente “chorando” (p. ex., Filip. 3:18). Às vezes, desejo poder ver mais lágrimas de cristãos hoje; desejo que existam mais cristãos sensíveis, profundamente perturbados com a contínua pecaminosidade do mundo, da igreja e do próprio coração, e chorando por isso. Somente na consumação Deus irá enxugar tocas as lágrimas dos nossos olhos (Apoc. 21:4).

Pr.Raul
Pr.Raul

Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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